As primeiras trocas

Como comentamos no último post, hoje, quinta-feira, é o Trade Deadline da NBA. Em português, é último dia que os times podem trocar jogadores entre si, se alguém quer mudar a equipe antes dos Playoffs, a hora é agora.

Embora a maioria dos negócios fiquem para a última hora, já que os times querem forçar a barra para conseguir o que querem até o último minuto do segundo tempo, às

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vezes alguns times conseguem o que querem antes da hora. Dois negócios já rolaram ontem e aqui estão nossos pitacos sobre esses negócios.

Thornton

Sacramento Kings envia: Marcus Thornton

Brooklyn Nets envia: Reggie Evans e Jason Terry

Vemos aqui a 3ª troca do Kings na temporada e não vejo como esta ajuda em muita coisa, assim como não ajudou em nada aquela do Derrick Williams. Jason Terry está tendo o pior ano de sua carreira, são só 4,5 pontos por jogo e ridículos 36% de acerto de arremessos, quando sua pior marca na vida tinha sido de 41%, em seu ano de novato em Atlanta. Neste ano não fez absolutamente nada de relevante pelo Brooklyn Nets, alguém enxerga ele tendo algum tipo de motivação para jogar seus últimos anos de carreira em uma das piores franquias da NBA?

Com Reggie Evans eu também não enxergo muita ajuda. Apesar de rodado, está muito longe de ser considerado aquela tal ~liderança veterana~, clichê tão adorado por General Managers ao redor da liga. Como não sabe jogar basquete, Evans só ajuda em uma coisa: rebotes. É bastante importante, mas o Kings já está entre os 10 melhores times da liga em todas as listas relevantes que envolvem rebotes, precisava mesmo dele? O valor de Thornton caiu no último ano, mas talvez desse pra conseguir mais.

E nem economicamente a troca muda muita coisa. Todos os jogadores envolvidos na troca tinham contratos para esta e a próxima temporada. Thornton recebe cerca de 8 milhões nos dois anos, Terry e Evans somados ganham 7 milhões nesta e cerca de 7,4 em 2014-15.

Para o Brooklyn Nets é capaz que pouca coisa mude também, mas dá pra enxergar um pingo de esperança. Marcus Thornton já teve ótimos momentos na NBA, chegando a beirar os 20 pontos por jogo com aproveitamento bom dos arremessos de longa distância. Mas, assim como Terry, vive sua pior temporada como profissional: é a primeira vez que tem menos de 10 pontos por jogo, a primeira que acerta menos de 40% de seus arremessos (38%) e a primeira abaixo de 35% nos 3 pontos (31%). Como ele tem apenas 26 anos, não podemos culpar a idade pela queda, como fazemos com Terry, então há a esperança que a mudança de cidade, time, técnico e estilo de jogo possam resgatar seu poder ofensivo. Existem muitas noites onde o Nets precisa desesperadamente de pontuadores, especialmente vindo do banco de reservas.

Outro lado bom desta troca para o Nets é que ela abre um espaço a mais em seu elenco. Ao mandar dois jogadores por um, agora o time de Jason Kidd tem 13 jogadores sob contrato, é algo que pode ajudar um futuro negócio (por futuro quero dizer hoje) onde eles talvez tenham que receber mais jogadores num negócio. O máximo de jogadores que um time pode ter é 15. Dizem que o alvo principal do Nets nesta quinta-feira é Jordan Hill, do Lakers.

 

Steve Blake

Los Angeles Lakers envia: Steve Blake

Golden State Warriors envia: Kent Bazemore e MarShon Brooks

Podemos chamar de uma troca por consideração? Steve Blake passou por poucas e boas em seus anos de Los Angeles Lakers. Começou muito mal, não se adaptou de cara ao time e a torcida queria trucidá-lo (com alguma razão). Mas ele foi melhorando e deslanchou quando chegou Mike D’Antoni e o time passou a jogar em alta velocidade, como ele gosta. No último ano virou um dos jogadores favoritos da torcida, do técnico e, segundo Kobe Bryant, seu amigo mais próximo no elenco, o Blake Mamba. Por que trocá-lo então?

O meu palpite é consideração. E um pouco de idade. Este é o último ano do contrato de Blake com o Lakers e provavelmente o time sabia que não iria renovar com o armador. Se for para lutar por Playoff na próxima temporada, irão tentar um jogador de mais nome ou confiar na recuperação de Steve Nash, se for para reconstruir, provavelmente irão renovar com Kendall Marshall e usar Jordan Farmar como reserva. Então se é para perder Blake, que pelo menos dê a ele a chance de jogar em um time que deve ir para os Playoffs, onde ele poderá ser útil e importante. E, claro, assim o Lakers recebe algo em troca.

Dos jogadores que vieram em troca, pouco a se falar porque eles pouco jogam. MarShon Brooks simplesmente não existiu na NBA depois daquele bom ano que teve como novato, bom para ele que o Lakers é o time da segunda chance na carreira nesta temporada. Deu certo com Xavier Henry, Kendall Marshall, Jodie Meeks, Jordan Farmar e Nick Young, por que não com Brooks? Já Kent Bazemore era até bem querido em Oakland, recebeu elogios de Mark Jackson, de seus companheiros de time e de vários caras que acompanham de perto o Warriors. Ele tem boa envergadura e defesa, o problema é seu arremesso e o jogo ofensivo em geral, ainda meio cru. Não tinha espaço no Warriors, que luta por coisas grandes, mas talvez no Lakers, podendo errar à vontade, seja a chance dele de mostrar se tem ou não lugar na NBA no próximo ano. Como torcedor do Lakers, confesso que estou animado em ver o que Bazemore pode fazer, ele foi muito bem na última Summer League de Las Vegas.

Vocês devem se lembrar de Kent Bazemore como o cara que marcou Tony Parker em alguns momentos da série entre Warriors e Spurs nos Playoffs do ano passado. Ele quase acertou a cesta da vitória no Jogo 1, momento estragado por aquela cesta de 3 espetacular de Manu Ginóbili.

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Para o Warriors, excelente negócio. Eles precisavam desesperadamente de um armador reserva após o experimento Jordan Crawford não dar certo, e perderam só jogadores que nem usavam. Blake é rodado, bom arremessador, poderá jogar também ao lado de Steph Curry, e gosta de jogar na velocidade que o Warriors impõe em seus melhores jogos. Sempre bom ter mais de um criador de jogadas no elenco.

Bulls inacreditável; Spurs vence na 2ª prorrogação

Depois de 100 anos de descanso, esperando Chicago Bulls e Brooklyn Nets decidirem sua série, o Miami Heat voltou à quadra na noite desta segunda-feira. E em noite de show, com direito a LeBron James recebendo seu 4º troféu de MVP da temporada nos últimos 5 anos, eles… bem, eles perderam. O Bulls fez 93 a 86 e bateu o Heat em Miami. Foi apenas a 3ª derrota do Heat em seus últimos QUARENTA E QUATRO jogos. As outras duas? Uma para o mesmo Bulls, quando eles quebraram a sequência de 27 vitórias, e a outra para o NY Knicks, quando LeBron James e Dwyane Wade foram poupados.

Nate the Great

 

Ou seja, com força total, o Miami Heat não perde jogos desde o dia 1º de Fevereiro, com exceção dos jogos contra esta praga chamada Chicago Bulls. Este time formado por Tom Thibodeau é uma entidade com identidade própria, uma força sem rosto que age do mesmo jeito independentemente de quem está pisando em quadra. Kyle Korver e Omer Asik? Defesa, raça, defesa e mais raça. Nate Robinson e Taj Gibson? Defesa, raça, defesa e mais raça. Derrick Rose e Carlos Boozer? Mesma coisa. Joakim Noah e Jimmy Butler? A mesma coisa, mas com um pouco mais de raça e alguns gritos histéricos.

E foi com defesa (e raça) que eles encheram o saco do Heat no primeiro quarto, segurando eles a míseros 15 pontos na primeira parcial. No quarto seguinte eles até ameaçaram deslanchar com bolas de 3 de Shane Battier e Ray Allen, mas logo o Bulls voltou a apertar a defesa e assim manteve o jogo como eles queriam, amarrado e com ritmo lento. O Miami Heat não emplacou muitos contra-ataques e, quando atacavam na meia-quadra, não finalizavam em bandejas ou enterradas. Mantendo o Heat, que é péssimo nos rebotes, longe da cesta, limitaram o poderio ofensivo deles. É verdade que em muitos momentos do jogo todo, especialmente no primeiro tempo, o Heat teve arremessos ótimos, sem marcação, que simplesmente não caíram. Mas no cobertor curto que é jogar contra

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esse excelente time, é esse arremesso que você tem que abrir mão de defender. No fim do jogo o Heat acabou com apenas 9 pontos de contra-ataque e só 32 pontos dentro do garrafão. No último quarto tentaram só 3 bandejas (erraram 2) e uma enterrada (feita por LeBron James).

A estratégia do Bulls não é novidade. Desde que LeBron James e Chris Bosh foram a Miami se juntar a Dwyane Wade, apenas o Bulls tem mais vitórias do que derrotas contra o Big 3. Eles tem a fórmula para batê-los, embora tenham sido derrotados por 4 a 1 quando se enfrentaram na Final do Leste de 2011. Não que isso sirva de consolo para a torcida do Bulls, mas ao lado das finais do ano passado contra o Thunder, aquela foi a melhor série de Playoff que eu vi do Heat, superaram uma defesa que realmente os incomodava.

Mas se o plano de jogo do Bulls não é surpresa, é realmente surreal que eles consigam vencer mesmo sem tantos jogadores. Não custa lembrar pela milésima vez que eles não tem Derrick Rose, Luol Deng e Kirk Hinrich! E que Joakim Noah está jogando no que sobrou de um pé todo quebrado. No começo do jogo o comentarista da ESPN gringa que estava no jogo, acho que o Steve Kerr, disse justamente que o Bulls tem a fórmula para bater o Heat, só não tem o plantel para isso. Bom, por um dia eles tiveram.

O Miami Heat pode ter sofrido com a falta de jogos, mas não sei se foi tão decisivo assim. Isso pode justificar uma parte dos pífios 39% de acerto dos arremessos, mas não justificam os 35 pontos marcados pelo Bulls no último quarto! O Heat defendeu muito no começo do jogo, forçou 10 turnovers do Bulls ainda na metade do segundo quarto, mas apenas mais cinco no resto do jogo. O time deixou o Bulls chegar no ataque com mais facilidade e não pressionou mais na quadra de defesa como no começo da partida. Essa afrouxada na defesa deixou o Bulls fazer o que sabe, tocar a bola, usar a visão de jogo de Joakim Noah e, no fim, dar a bola nas mãos do herdeiro de Ben Gordon, o bizarro Nate Robinson. Com 10 pontos na boca, sofrido após uma colisão com LeBron James no primeiro tempo, o anão mais feroz da NBA marcou 27 pontos, 7 nos dois minutos finais da partida, quando o Bulls fez um 10 a 0 e virou o jogo.

Destaque também para uma partidaça de Jimmy Butler, o jogador mais aleatório a surgir nessa temporada, que fez 21 pontos, pegou 14 rebotes e, a exemplo do último confronto entre os dois times, marcou muito bem LeBron James, que fez só 2 pontos no primeiro tempo e errou feio um arremesso que poderia cortar a vantagem do Bulls no minuto final. LeBron acabou o jogo com 24 pontos, 8 rebotes e 7 assistências.

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Como dissemos no último podcast, o Chicago Bulls tinha tudo para ser varrido, mas sabíamos que iam jogar com tanta raça que até poderiam roubar um jogo. Se o fizessem, dissemos, seriam os vitoriosos morais dessa série. Venceram e venceram logo cara. Ninguém me convence que eles conseguem repetir esse resultado mais três vezes, mas vou torcer loucamente pra isso. Torcer pela zebra já é natural, mas

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é ainda mais especial torcer por uma que se entrega tanto. O Bulls não é daquelas zebras do “não tenho nada a perder e vou pra cima”, mas sim daquelas “vamos ignorar toda adversidade e jogar como time grande”. Respeito eterno por Tom Thibodeau.

 

Steph Curry Tim Duncan

No Oeste a zebra chegou perto, mas faltou um Nate Robinson para fechar o jogo a favor do Golden State Warriors. O time, que não ganha em San Antonio desde o longínquo ano de 1997, chegou muito perto, liderando por 16 pontos a 4 minutos do fim do jogo, mas aí tomaram um 18 a 2 no fim do jogo e foram obrigados a jogar a prorrogação. Lá, claro, nada se resolveu e o jogo foi para uma épica segunda prorrogação, onde o novato Kent Bazemore quase foi o herói do jogo com uma bandeja a 5 segundos do fim. Mas ainda deu tempo de Manu Ginóbili acertar uma bola de 3 pontos e vencer o jogo. É pouca zoeira? E teve gente que foi embora do ginásio quando o Warriors estava na frente.

Achei curioso que a bola da vitória veio de Manu Ginóbili porque na noite anterior a história tinha sido parecida no outro jogo do Oeste. A zebra, o Memphis Grizzlies, estava muito perto de vencer o OKC Thunder, atual campeão da conferência, mas aí apareceu Derek Fisher para o roubo de bola decisivo para cima de Mike Conley, que levou ao arremesso vencedor de Kevin Durant. Quantas vezes vamos continuar vendo Ginóbili e Fisher vencendo jogos decisivos nos Playoffs? Tem gente que nasceu pra fazer isso da vida, só pode. Acho que eles podem se aposentar só da temporada regular, aí jogam apenas quartos períodos de Playoff.

O jogo me lembrou muito o Jogo 1 da outra série do Warriors, contra o Denver Nuggets, há algumas semanas. Naquela ocasião postamos o seguinte:

Mas… ei, o Nuggets venceu! Como vamos interpretar isso? Foi uma vitória moral do Golden State Warriors, que mostrou que sabe exatamente como ser a criptonita do Nuggets? Ou foi uma derrota moral do Warriors, que conseguiu executar seu plano defensivo perfeitamente e mesmo assim saiu derrotado? E agora será que eles vão ter mais uma chance de roubar um jogo na altitude de Denver?

Repito a mesma pergunta agora. Como interpretar essa derrota do Warriors? Assim como naquele caso, eles dominaram o ritmo do jogo, controlaram os rebotes (55 a 45) e pareciam ter todos os matchups a seu favor: Andrew Bogut (10 pontos, 15 rebotes) limitou as ações de um discreto Tim Duncan (19 pontos, 11 rebotes, 6/15 arremessos), ninguém, entre Tony Parker, Danny Green e Kawhi Leonard, parou Steph Curry, e Klay Thompson tirou Tony Parker do sério. O francês tinha 12 pontos no jogo quando Thompson foi eliminado com 6 faltas, foi exatamente quando o Spurs começou seu 18-2 nos minutos finais e a partir de então Parker fez mais 16 até o fim da segunda prorrogação.

E tem outra coisa, naquele dia o Warriors ainda tinha perdido para o Nuggets com uma atuação fraca de Steph Curry, ontem, em compensação, ele marcou assustadores 44 pontos e 11 assistências, com direito a 22 pontos e 4 assistências só no 3º período, num dos quartos mais espetaculares da história dos Playoffs da NBA. A reação do banco do Warrios diz tudo.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://youtu.be/KCZrFmukgu0[/youtube]

Mas então, eles dominaram o ritmo do jogo, o garrafão, controlaram Tony Parker e tiveram Curry pegando fogo. E mesmo assim saíram de quadra derrotados só porque o time desmoronou nos últimos minutos, exatamente como naquele desastroso Jogo 6 contra o Denver Nuggets, quando sobreviveram por pura sorte e nervosismo do Nuggets, coisa que o Spurs nem ameaça ter. Será que vão ter mais uma chance de roubar um jogo assim em San Antonio? Porque este é um time mais experiente e com melhor elenco que o Denver, a chance deles se adaptarem ao ótimo jogo do Warriors é maior. Embora nada esteja decidido, fica novamente aquela sensação de que o Warriors não poderia ter entregado essa partida.

Do lado do Spurs, além do alívio da vitória e da empolgação de vencer um dos melhores jogos dos últimos anos, fica um restinho de preocupação. O time precisa melhorar. Difícil acreditar que Klay Thompson vá anular Tony Parker durante 7 jogos inteiros, mas ele se mostrou não só um excelente defensor como conseguiu punir o francês no ataque, usando seu tamanho e arremesso. O Warriors também passou o jogo inteiro pagando para ver Tim Duncan arremessar, o que ele sabe fazer, mas onde não causou impacto no jogo. Quem salvou a pátria, além de Ginóbili, foi Danny Green (22 pontos), que acertou 6 arremessos de 3 pontos, incluindo o que empatou o jogo no fim do tempo normal. Vejam a bola depois no resumo e reparem que é a mesma jogada que eles usaram para bater o Lakers nesta temporada:

[youtube width=”600″ height=”335″]http://youtu.be/UphmMBtF7EI[/youtube]

É um emaranhado de corta-luzes que acaba com uma ilusão de que Green está fazendo um bloqueio para uma jogada do outro lado, quando na verdade é Tim Duncan que está preparando um ótimo espaço para que ele apareça e chute de 3. Difícil de marcar e difícil a bola do Green não cair. Bom ver que nesse ano, ao contrário dos Playoffs do ano passado, ele está bem mais confiante.

Considerações sobre os vários fins do jogo:

Steph Curry foi mal no último quarto e pecou muito na última bola do tempo normal, tinha duas opções de passe para companheiros completamente livres e preferiu um arremesso quase de costas. Mas compensou na segunda prorrogação quando, faltando 10 segundos, viu a defesa do Spurs desorganizada e ao invés de pedir tempo, foi sozinho e não teve medo de passar para o novato Kent Bazemore, que só jogou 2 minutos na noite toda e fez a cesta que quase foi a da vitória.

– Foi o deus do basquete que fez isso, né? Um dos maiores jogos dos Playoffs acabar com uma cesta do Sei-Lá-Quem-Bazemore? Não, vai ser do Ginóbili. É meio como aquela bola na trave do Mauro Silva na Copa de 1994, onde já se viu ganhar Copa com gol do Mauro Silva?!? O deus do futebol não deixa. Era melhor um 0 a 0 decidido nos pênaltis por uma estrela de verdade, Baggio.

– 40 segundos antes de ser o herói da noite, Manu Ginóbili tinha forçado um chute de 3 de uma distância onde só Steph Curry deveria ser autorizado a arremessar. Isso com 11 segundos de posse de bola. Quase foi assassinado por Gregg Popovich, mas soube compensar.

Richard Jefferson, aquele maldito cabeça de tartaruga ninja, jogou só 3 minutos. Entrou no lugar de Klay Thompson, não conseguiu defender merda nenhuma e, no ataque, errou dois lances-livres decisivos. Saiu com um saldo de -14 e ganha 9 milhões de dólares por temporada. Mundo injusto.

– No fim das contas sabe quem melhor defendeu Curry no jogo? Boris Diaw. O mesmo que acertou um arremesso decisivo de 3 pontos da zona morta na prorrogação. Não sei porque ainda insisto em comentar basquete se no fim é tudo decidido por coisas aleatórias. Boris Diaw de 3? Richard Jefferson? KENT BAZEMORE? O que é a vida? Por que existimos?

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=_UBboL2pxNc[/youtube]

Dono da Bola – Cleveland Cavaliers

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Dan Gilbert não é pão duro como a foto sugere

Dan Gilbert
Temporadas no comando: 6
Playoffs: 5
Títulos de divisão: 2
Títulos de conferência: 1
Títulos da NBA: 0

Riqueza estimada: 1.5 bilhão de dólares
Comprou o time por: 375 milhões de dólares (2005)
Valor atual da equipe: 355 milhões de dólares
Maior contrato oferecido: Larry Hughes  (US$60 milhões, 2005)
Técnicos contratados: 2 (Mike Brown e Byron Scott)

Durante um bom tempo Dan Gilbert teve uma história comum para os donos de time da NBA. Era um empresário de sucesso, ficou milionário, depois bilionário e por gostar de esportes decidiu ter como investimento/hobby um time de basquete. O cara era tão comum que muito torcedor da NBA nem sabia o nome dele, mas isso mudou de um ano pra cá. Nos últimos meses deve ter sido o dono de equipe mais citado pela imprensa especializada, ultrapassando até figurões como Mark Cuban, James Dolan e Jerry Buss.

Comecemos com a história tradicional. Em 1985 Dan Gilbert reuniu os 5 mil dólares que juntou entregando pizzas na faculdade e fundou a Rock Financial, empresa de crédito imobiliário. A companhia foi crescendo pouco a pouco até que estourou nos anos 90 quando decidiu usar a internet para fazer os seus negócios diretamente com os clientes. Em 2000 uma empresa chamada Intuit comprou a Rock Financial, mas três anos depois Gilbert a comprou de volta e como CEO a renomeou para Quicken Loans. Sim, você conhece esse nome, é o mesmo do ginásio onde o Cavs joga, apelidado de “The Q”.

Como homem de negócios o Dan Gilbert é um sucesso. Sua empresa sobrevive muito bem mesmo sendo da área que desencadeou a crise econômica de 2008, ficou no Top 30 da Forbes de melhores empresas para se trabalhar e o cara foi listado no ano passado como o 293º homem mais rico dos EUA.

Mas o que achei de mais interessante na história do Gilbert é como ele está investindo em duas das cidades mais decadentes dos Estados Unidos: Cleveland e Detroit. Ambas vivem recessões terríveis há tempos e que foram agravadas pela crise econômica, sofrem com desemprego recorde nos EUA e parecem em um buraco sem fim. Não vou aqui julgar se Gilbert foi investir nas duas cidades por apego emocional (ele nasceu em Detroit e é dono do Cavs), bondade ou só porque era um nicho a ser explorado, não importa, vale o que ele faz. Em Cleveland e em outras cidades grandes de Ohio ele conseguiu uma liberação para cassinos, o que trouxe investimentos, empregos e, quando os cassinos ficarem prontos, provavelmente muitos turistas. Para Detroit as mudanças foram maiores: A sede da Quicken Loans mudou para lá e Gilbert começou a financiar a criação de empresas de tecnologia sediadas em Detroit, sem contar que ele comprou diversos prédios no centro da cidade para poder reformá-los, usá-los e assim revitalizar a cidade.

Ele é, portanto, um cara importante no seu meio, nas suas cidades, mas, como a maioria dos donos das equipes, não era muito de chamar a atenção para os fãs da NBA. Ele ficava lá no seu camarote e as grandes e polêmicas decisões sobre os rumos que o Cavs tomava eram feitas pelos técnicos e General Managers escolhidos por Gilbert, que tinham total autonomia e pouca pressão. O dono, aliás, nunca regulou muito dinheiro e aprovou trocas como a do Antawn Jamison e contratos insanos como o do Larry Hughes. Mas o foco saiu dos managers e passou para o dono há pouco mais de um ano, no instante em que LeBron James decidiu levar os seus talentos para South Beach.

Na fatídica noite do “The Decision”, quando torcedores do Cavs queimavam camisetas de LeBron nas ruas, Dan Gilbert resolveu se manifestar. Em poucas horas redigiu uma carta e a publicou no site do Cavs. Nela disse coisas como “EU GARANTO QUE O CLEVELAND CAVALIERS IRÁ VENCER UM TÍTULO DA NBA ANTES QUE O AUTOINTITULADO REI GANHE UM”.

Eu não tropecei sobre o Caps Lock do meu teclado não, ele escreveu esse trecho da carta em caixa alta mesmo, assim como escreveu toda a mensagem em Comic Sans, a fonte mais odiada da internet! Procure a coitada no Word e veja como não é das fontes mais bonitas, mas o ódio sobre ela na internet é algo digno de ganhar um site próprio, um documentário e matéria na BBC. Bizarrices da internet (e de designers metidos a artistas) à parte, só serviu para a carta, que já era uma demonstração de total descontrole emocional de Gilbert, virar piada mundial.

O esquecido dono de time então virou celebridade e as opiniões sobre ele eram as mais diversas possíveis. Por um lado ele era um herói por ter falado mal publicamente do LeBron James, o vilão número 1 da América no último ano, por outro ele era o dono incompetente que teve o mesmo LeBron no seu time durante anos e nunca ganhou um título. Alguns exaltavam o seu jeito desastrado-porém-sincero de se expressar, outros viam o cara como um maluco despreparado para qualquer função dentro do time. Comentários bons ou ruins, Gilbert se tornou um daqueles poucos donos que todo mundo lembrava o nome.

Quando o Miami Heat perdeu a final para o Dallas Mavericks todos esperavam uma palavrinha do dono do Cavs, afinal sua promessa da franquia ser campeã antes do LeBron estava ainda viva, e Gilbert não decepcionou: “Uma velha lição para todos: NÃO EXISTEM ATALHOS. NENHUM”. Novamente o Caps Lock é todo dele. Toda a torcida anti-Heat (o planeta Terra, menos Miami) foi ao delírio, mas os mais sóbrios o associavam a uma ex-namorada ainda inconformada e ressentida. Mesmo quando ganhava, Dan Gilbert não tinha uma imagem lá muito boa no mundo do basquete. Algo oposto da percepção no seu mundo de negócios.

Ele virou notícia de novo quando o Cavs venceu o sorteio que definia a ordem de escolha do Draft 2011, e não só porque ficaram com a escolha 1 (que virou Kyrie Irving), mas também com a 4 (Tristan Thompson). No dia do sorteio cada time escolhe uma pessoa para representar a franquia no programa de TV que anuncia o resultado, geralmente equipes levam seus donos, managers, algum jogador ou, como já aconteceu, sorteiam um torcedor para ir lá tentar dar sorte. O Dan Gilbert resolveu levar o seu filho de 14 anos, Nick Gilbert, que sofre de Neurofibromatose, um distúrbio genético de ficção científica que faz com que tumores possam crescer a qualquer hora em qualquer parte do corpo. Durante a participação de muita sorte, que reergueu a esperança da franquia voltar a ser relevante, ele ainda conseguiu juntar dinheiro e atenção para a “Children’s Tumor Foundation“, entidade de pesquisa especializada em tumores em crianças.

Foi um momento bonito que humanizou Gilbert e fez sua imagem melhorar. Por pouco tempo. Eis que semana passada lá está ele de volta aos noticiários. Nada a ver com LeBron James, nenhuma carta pública e ninguém para ver o lado bom das suas ações dessa vez. Dizem os noticiários norte-americanos que os donos das equipes da NBA estavam prontos para aceitar algumas propostas dos jogadores que estavam emperrando as negociações, mas quando se reuniram entre si, Dan Gilbert e Robert Sarver, dono do Phoenix Suns, rejeitaram as ofertas e tudo voltou à estaca zero. Eram coisas como o não congelamento e mantimento sem restrições dos salários atuais e a chance dos jogadores aumentarem seus salários quando a liga começar a dar mais lucros.

O que revoltou a galera é que um acordo entre as partes deveria estar, claro, em um meio termo entre o pedido por donos e jogadores. O meio termo estava lá, era só aceitar e bola pra frente. A maioria dos donos já tinha feito isso, mas Gilbert e Sarver deram pra trás. O dono do Cavs, aliás, sempre teve uma política de torrar dinheiro, pagar multas e contratar caras de salários estratosféricos para dar um elenco decente para LeBron James (fortunas para Anderson Varejão, Zydrunas Ilgauskas, Antawn Jamison, Mo Williams, Larry Hughes e outros caras mais ou menos), mas agora que ninguém mais quer ir para Cleveland, ele tem essa visão de que não é certo alguns times gastarem tanto e que qualquer economia é necessária. Defender só o próprio time ao invés da liga como um todo não pegou bem entre donos, jogadores, imprensa e torcida.

Foi a vez da internet de novo jogar sua fúria sobre Dan Gilbert e diversos blogs sobre NBA nos Estados Unidos desceram a lenha no cara que havia impedido o fim da greve. Como resposta ele disse no Twitter que “esses blogssistas inventam histórias do nada e tentam fazer seus leitores acreditarem. Triste e patético”. De novo não é erro meu, ele inventou a palavra “bloggissist” mesmo. Não preciso explicar a chuva de piadas e de blogueiros se chamando de blogssistas.

Não sabemos ao certo se o que aconteceu foi isso mesmo, pra falar a verdade nem sei o quanto apenas dois donos podem empacar o que os outros 27 querem. Mas é o que foi noticiado. Como afirmo desde que começou a greve, nenhum dos dois lados se sente na obrigação de contar tudo o que acontece para a imprensa e para os fãs, que são completamente ignorados, e tudo o que sabemos são de fontes anônimas que muitas vezes estão manipulando a imprensa para fazer jogos com a outra parte. Nesse caso, portanto, Dan Gilbert pode não ser vilão como muita gente quer que pareça. Mas convenhamos que é fácil, prático e conveniente jogar nossas frustrações com a falta de NBA em cima do cara da carta em Comic Sans.

…..
“Dono da Bola” é uma série que faz perfis dos donos de equipes da NBA. Abaixo o link para os textos já publicados dentro dessa coleção:

Philadelphia 76ers – Ed Snider
Boston Celtics – Wyc Grousbeck
Washington Wizards – Abe Pollin
Los Angeles Clippers – Donald Sterling

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Sterling depois do churras com a galera do prédio

Falei do Los Angeles Clippers no último post e prometi um texto com o perfil do dono da equipe, Donald Sterling. Também aproveitei para postar esse texto sobre o cara feito pelo blog Grandes Ligas. O texto é bom e diz muito do que vou dizer aqui, mas promessa é promessa e precisamos continuar a parada série sobre donos de equipes.

Donald Sterling
(via: HoopsHype)

Temporadas no comando: 31
Playoffs: 4
Títulos de divisão: 0
Títulos de conferência: 0
Títulos da NBA: 0

Riqueza estimada: 500 milhões de dólares
Comprou o time por: 13 milhões de dólares (1981)
Valor atual da equipe: 295 milhões de dólares
Maior contrato oferecido: Elton Brand (US$82.1 milhões, 2003)
Técnicos contratados: 16 (Paul Silas, Jim Lynam, Don Chaney, Gene Shue, Don Casey, Mike Schuler, Larry Brown, Bob Weiss, Bill Fitch, Chris Ford, Jim Todd, Alvin Gentry, Dennis Johnson, Mike Dunleavy, Kim Hughes e Vinny Del Negro)


Você não leu errado, em 31 anos como dono do Los Angeles Clippers o Sr. Donald Sterling viu o seu time ir aos playoffs apenas 4 vezes. Nunca venceu título de divisão, conferência ou da liga. Ele também não é nenhum fanático bilionário que comprou o time por amar basquete e nem faz isso pelo dinheiro, o Clippers, apesar de estar na segunda maior cidade americana, é apenas o 24º time que mais rende dinheiro na NBA segundo a Forbes. O que faz Sterling prosseguir no cargo é um mistério.

Ele é de uma família de imigrantes judeus de Chicago, mas se mudou para Los Angeles com apenas 8 anos de idade. Lá ele estudou, se formou em Direito e começou a atuar como advogado e a investir no mercado imobiliário, que foi onde realmente se destacou e rapidamente construiu uma fortuna, hoje é o maior dono de terrenos em Beverly Hills. Já cheio da grana, em 1979, ele fez um grande investimento de 2.7 milhões de dólares em apartamentos de propriedade de Jerry Buss, que precisava desse dinheiro extra para finalizar a compra do Los Angeles Lakers. Pouco tempo depois Buss disse ao Sterling que ele deveria também comprar seu próprio time na NBA, conselho que acatou comprando o San Diego Clippers. A franquia tinha se mudado há poucos anos de Buffalo para San Diego, mas sem sucesso nas quadras e com a torcida local.

Em pouco tempo, 1984 para ser exato, Sterling já havia convencido a NBA a mudar a franquia para a sua cidade, Los Angeles. Embora a mudança tenha rendido alguns frutos em termos de público e curiosidade geral na cidade, o fracasso nas quadras continuou: Nos seis primeiros anos de Clippers em LA o melhor aproveitamento deles foi de 39%; e na temporada 86-87 eles somaram apenas 12 vitórias, a segunda pior marca da história. Ao mesmo tempo o Lakers fazia a rapa de títulos no Oeste e na NBA. O mais próximo de sucesso nessas 31 temporadas foi a segunda rodada nos playoffs de 2006 quando perderam para o Phoenix Suns em 7 jogos. Só. Fim.

Mas quanto um dono de time pode influenciar negativamente uma equipe? Afinal, em teoria ele só coloca o dinheiro e são General Managers, técnicos e jogadores que fazem o trabalho. Bom, olhe o que eu mesmo disse aqui sobre porque o Clippers, mesmo cheio de espaço salarial, não atraiu nenhum Free Agent de nome:

“Os motivos para não atrair jogadores de nome são vários: o time não ganha nada faz tempo, não tem um técnico que impressione os jogadores, não tem atenção da mídia, tem fama de perdedor e o seu dono, Donald Sterling, é um idiota que volta e meia faz comentários racistas, sexistas ou só idiotas mesmo. Nessa offseason ele comentou as contratações de Randy Foye e Ryan Gomes dizendo “Eu nunca ouvi falar desses caras, mas o que eu posso fazer se o técnico pediu?”. Boa primeira impressão para os novos funcionários.”

Dá pra imaginar a motivação de atuar para um dono desse? Claro que depois de um tempo você atua porque você quer vencer por conta própria, pelos companheiros e pelos fãs, mas é a pior primeira impressão para um novo funcionário na franquia. Mas fica pior que isso: Desde a temporada passada Sterling tem dado uma de Mark Cuban e fica perto do banco de reservas torcendo. Mas se “torcer” para o dono do Mavs significa incentivar os jogadores que ele paga, para Sterling é uma chance de gritar coisas como “Por que você tentou esse arremesso?”, “O que você está fazendo em quadra?” e um singelo “Você está fora de forma!”, esse olhando diretamente para o cara mais bem pago do time, Baron Davis. O jogador tentou evitar polêmica ao comentar o assunto, mas disse que a situação já estava difícil e ele ainda precisava “lutar batalhas desnecessárias”.  Até mesmo o Chris Kaman, talvez o grande ponto positivo da temporada passada, recebeu críticas do dono do time durante os jogos. Sterling também foi a público no fim do ano passado dizer que se pudesse trocaria todos os jogadores e em uma das poucas visitas que fez ao vestiário só o fez para apontar para Al Thornton e chamá-lo de fominha e egoísta.

Está dando pra sacar como um dono pode influenciar o time negativamente? Nessa temporada ele voltou de novo a visitar seus empregados, dessa vez acompanhado de mulheres, para quem mostrava os jogadores se trocando e dizia “Veja que belos corpos negros”. Pior, aconteceu mais de uma vez. Um cara de dentro do Clippers que não quis ser identificado disse ao Yahoo! que “O dono de um time tem que ser o cara que apoia todo mundo na franquia, quando ele não faz isso acaba com a confiança de todos”. E faz sentido, quando seu chefe só te põe pra baixo você sai da zona de conforto, bate o desespero, o medo de ser demitido, de ter sua imagem manchada no mercado e tudo mais. É comum para todo tipo de profissão.

Como se não bastasse fazer isso só com os jogadores, fez também com o General Manager do time, o lendário jogador Elgin Baylor. Depois de trabalhar no time de 1986 até 2008, ele saiu da equipe e imediatamente processou Donald Sterling por racismo. A acusação é meio estranha, o Baylor cita casos de racismo contra ele e outros ao longo desses 22 anos que serviu ao time, mas por que contar tudo só quando é mandado embora? E não só isso, ele diz que nesse período de tempo o Clippers perdeu muitos jogadores negros bons porque o Sterling não os queria. Ele cita Danny Manning, Charles Smith, Michael Cage, Ron Harper, Dominique Wilkins e Corey Maggette. Bom, como o blog Clipsnation lembra, Cage foi trocado por outro negro, Gary Grant, uma troca que ainda foi considerada boa na época. Manning foi trocado por Dominique Wilkins em fim de carreira, outro negro. Maggette foi trocado depois de assinar uma extensão milionária com o próprio Clippers. O problema mesmo está em outro dado, o Clippers só assinou seis extensões de contrato com mais de 3 anos de duração nos 30 anos de Sterling! Só seis! Ou seja, seja branco, negro, amarelo ou azul, ninguém quer ficar no Clippers.

Mas voltando ao Elgin Baylor. O momento em que resolveu falar sobre o racismo do Sterling foi estranho, assim como esse argumento de que eles perderam jogadores, mas não quer dizer que ele partiu do nada. Sterling é mesmo racista se acreditarmos em todos os (muitos) depoimentos espalhados por aí. Baylor diz que o seu antigo chefe uma vez disse sobre Danny Manning que estava “Oferecendo muito dinheiro para um pobre garoto negro” e chegou ao cúmulo de comparar o seu time a uma fazenda “com garotos pobres do sul comandados por um treinador branco”. Ou seja, o Baylor tinha razões para acusar Sterling de racismo, coisas ditas desde 20 anos atrás, mas só decidiu trazer a público depois que foi colocado de lado no comando do time, tendo suas funções aos poucos ocupadas pelo então técnico Mike Dunleavy. Embora embasado, ficou mais parecendo vingança do que qualquer outra coisa.

Fora do mundo do basquete a fama de Sterling também não é das melhores. Como descrito perfeitamente pelo site Deadspin em um momento Amélie Poulain, “Donald Sterling não gosta de: Mexicanos, negros e crianças. Gosta de: Coreanos e sexo oral”.

Uma vez ele disse para uma das mulheres que cuidavam de um dos seus prédios que não queria inquilinos que “se diferenciassem muito de sua imagem”. Com isso ele queria dizer que não queria negros, mexicanos, descendentes de mexicanos, crianças e nem pessoas que recebiam subsídios do governo para moradia. Segundo depoimentos de inquilinos, Sterling sabia que não podia negar moradia para essas pessoas, então resolvia o seu problema transformando a vida deles em um inferno. Ele recusava os cheques dados por eles para no dia seguinte acusá-los de não pagamento, aparecia com constantes visitas surpresas de inspeção para achar qualquer tipo de irregularidade, ameaçava sempre de expulsão e nunca providenciava consertos para qualquer tipo de problema na infraestrutura dos apartamentos. Eventualmente, exaustos, eles acabavam saindo. Segundo o depoimento de uma funcionária de Sterling, ele dizia que os mexicanos só sentam por aí fumando e bebendo o dia todo, enquanto negros cheiravam mal e não tinham higiene.

Existe o caso de uma mulher idosa e negra com problemas de saúde e parte do corpo paralisado que tinha um vazamento constantes no seu apartamento (ela tinha que usar um saco plástico ao invés de privada e tinha o apartamento alagado por muitas vezes). Ela pediu para a empresa de Sterling consertar, o que ele respondeu para a sua funcionária com “Despeje a vagabunda”. Já em compensação gostava de inquilinos coreanos porque “eles aceitam qualquer condição que eu ofereço e não importa o que aconteça sempre pagam”. A admiração pela cultura asiática era tamanha que ele pedia que seus funcionários pedissem desculpas abaixando a cabeça como nos cumprimentos japoneses e dizendo “Desculpe por tê-lo desapontado, Sr. Sterling, farei melhor da próxima vez”.

Quando precisava de funcionários para trabalhar nos jogos do Clippers o próprio Sterling colocava anúncios nos jornais pedindo mulheres bonitas para trabalhar como hostess na entrada do STAPLES Center ou mesmo para festas organizadas pela franquia. Ele pedia que as garotas levassem fotos sensuais e o próprio Sterling fazia a seleção de quem seria contratada ou não, fazendo-as passar por situações constrangedoras. Uma mulher que uma vez tentou o emprego disse que ele pediu fotos semi-nuas e deu a entender que queria mais, dando um “sorriso vazio” quando teve o pedido negado. Outra contou que “Trabalhar para o Sr.Sterling foi o trabalho mais desmoralizante que eu já tive”. O caso mais extremo foi de Christine Jaksy, funcionária que o processou por assédio sexual. Ela disse que ele não só tentava relações com ela como pedia que ela arranjasse massagistas dispostas a fazer sexo oral nele. O processo foi encerrado quando ambas as partes chegaram em um acordo financeiro.

Racistas existem em todos os lugares, é fato. Pessoas idiotas que acham que podem tudo porque tem dinheiro também. Sterling não é exceção ou novidade em nenhum dos casos, mas é especial por ser o dono de time mais fracassado em toda a NBA, disparado, e ao mesmo tempo o que tem o pior histórico em questão de comportamento. Por que será que a NBA, que é capaz de multar e suspender jogadores que dirigem bêbados nas férias ou brigam em uma casa noturna, não faz nada contra um dono de equipe com tantas acusações de racismo e mal comportamento dentro e fora do time? Ele também não mancha a imagem perfeitinha da NBA? Difícil sugerir o que fazer, não sei nada da lei e dos contratos entre as franquias e a NBA, mas algum tipo de pressão teria que existir.

Na página sobre Donald Sterling no site do LA Clippers não há nenhuma dessas informações, mas você descobre que ele ganhou o prêmio BBA de Humanitário do Ano em 2008 e o prêmio de “Herói das Crianças” em 2006.

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Outros textos da coleção “Dono da Bola” sobre donos de equipes:
Philadelphia 76ers – Ed Snider
Boston Celtics – Wyc Grousbeck
Washington Wizards – Abe Pollin

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Já tinha prometido esse perfil quando o Abe Pollin, dono do Washington Wizards, morreu logo no começo da temporada. Achei que era a hora de terminar o serviço depois que citei ele no post de ontem sobre o Arenas, dizendo que foi ele quem decidiu mudar o nome do time de Bullets (balas) para Wizards (magos) porque não gostava da conotação violenta do nome.

Abe Pollin
Temporadas no comando: 46
Playoffs: 25
Títulos de divisão: 7
Títulos de conferência: 3
Títulos da NBA: 1

Riqueza estimada: 180 milhões de dólares
Comprou o time por: 1 milhão de dólares (1964)
Valor atual da equipe: 313 milhões de dólares
Maior contrato oferecido: Gilbert Arenas (US$111 milhões, 2008)
Técnicos contratados: 18 (Buddy Jeannette, Paul Seymour, Mike Farmer, Gene Shue, KC Jones, Dick Motta, Kevin Loughery, Wes Unseld, Jim Lynam, Bernie Bieckerstaff, Jim Brovelli, Darrell Walker, Gar Heard, Leonard Hamilton, Doug Collins, Eddie Jordan, Ed Tapscott e Flip Saunders)

Oficialmente Abe Pollin não é mais o dono do Wizards e isso acontece por um motivo bem simples: ele morreu. Mas como foi dono da franquia por 46 anos, a coluna Dono da Bola é sobre ele. Sua morte aconteceu no dia 24 de novembro do ano passado, logo antes de um jogo contra o Philadelphia 76ers, time da cidade onde Pollin nasceu, mas de onde se mudou aos 8 anos de idade para ir morar na cidade onde viveu até sua morte, Washington.
Sua família era dona de uma grande empresa de construção civil da capital americana e em 1964 eles conseguiram juntar dois bons negócios em um só: construir uma grande arena esportiva e comprar uma franquia de basquete, o então Baltimore Bullets. A primeira aquisição foi o time, que ficou em Baltimore até 1973, quando eles finalmente conseguiram construir o ginásio Capital Centre em Washington.
Essa história de um grupo de empresários de uma cidade comprar um time de outra cidade e depois mudar para sua cidade natal foi justamente o que aconteceu com o Sonics, que vendeu a franquia para um grande empresário de Oklahoma City. Mas no caso de Pollin não consegui descobrir se ele, como fez o dono do Thunder, prometeu que o time não mudaria de cidade. Também não sei qual foi a reação da população de Baltimore em relação a isso, talvez não tenha sido tão impactante para eles porque o time não tinha tanta história e porque Washington é uma cidade bastante próxima.
A construção do Capital Centre e depois do Verizon Center mudou a cara de Washington. O Capital era a casa do Bullets, virou a casa do time de hockey Washington Capitals até ser demolido em 2002. Hoje os dois times dividem o Verizon. Como todo bom empresário americano, Pollin não fez o ginásio sozinho e no entorno nasceram diversos outros empreendimentos de entretenimento, lojas, restaurantes, que transformaram a região em um ponto de encontro da cidade. O lado ruim dessa valorização do bairro é que antes da construção do ginásio o local era basicamente de imigrantes chineses, muitos deles tiveram que fechar seus pequenos negócios devido à valorização dos terrenos.
Embora os imigrantes chineses e alguns moradores de Baltimore pudessem não ser muito fãs de Pollin, o resto da cidade era. O dia 3 de dezembro é o “Pollin Day” em Washington e o antigo dono virou o nome da rua do ginásio. Em Washington valorizam muito o fato de Abe Pollin ter arriscado bastante ao gastar boa parte de sua fortuna investindo em equipes que viraram a paixão da cidade, ele poderia muito bem ter investido em qualquer outra coisa e feito muito mais dinheiro arriscando menos.
Para a NBA ele também foi importante, afinal é o cara que mais passou tempo sendo dono de alguma franquia. Ele participou de todas as mudanças e revoluções vividas pela liga desde os anos 60. Foi Pollin, inclusive, quem deu o primeiro passo no que se tornou a grande revolução da última década na liga, o seu crescimento ao redor do mundo.Em 1979, um ano em que os governos de EUA e China ameaçavam uma aproximação, o time da capital foi para o outro lado do mundo disputar uma partida contra a seleção chinesa de basquete. Logo depois, no começo dos anos 80, a China começou a transmitir ao vivo as partidas da liga americana.
Abaixo tem uma pequena matéria da NBA TV com algumas imagens dessa viagem.

A viagem aconteceu em 79, em 78 o Bullets havia conseguido seu maior feito: em 46 anos de comando de Abe Pollin e pela única vez na história da franquia, o time da capital havia sido campeão da NBA. Comentei antes do caso do Sonics e é engraçado que o título do Wizards aparece com destaque no documentário Sonicsgate, que eu comentei meses atrás e que fala sobre a mudança do Sonics de Seattle. Afinal, o título do Bullets veio em um jogo 7 em Seattle. Comentam no filme como um dos momentos mais tristes da história da cidade.
O Sonics, porém, teve sua revanche no ano seguinte quando pegou o mesmo Bullets na final e dessa vez venceu por 4 a 1. Sem dúvida foi o melhor time de Washington em toda a história. Contava com grandes jogadores como Elvin Hayes, o atual General Manager do Lakers Mitch Kupchak, Bob Dandridge e o Hall da Fama Wes Unseld, que era grande amigo de Abe Pollin (os dois, um empresário e um pivô, disputavam torneios de três pontos) e até se tornou técnico da equipe anos depois.
Os jogadores do seus times diziam que Pollin era do estilo paizão, que ia dar conselhos, puxões de orelha e parabéns após as partidas. Logo após o jogo do dia de sua morte, contra o Sixers, o ala Antawn Jamison disse, com lágrimas nos olhos, “Depois das vitórias, saber que você não vai ouvir aquela voz dizendo ‘bom trabalho’ ou ‘acredito em você’ será difícil“. Etan Thomas, outro jogador que passou anos no Wizards, fez um texto bem legal sobre seu antigo patrão.

Lá ele conta uma história de quando fez um discurso em uma passeata anti-guerra em Washington e logo depois foi chamado pelo Sr. Pollin para uma conversa. Etan Thomas é conhecido por ser o jogador mais, digamos, intelectual da NBA. Ele tem um livro de poesia chamado “Mais que um atleta” e é presença constante em discussões sobre política na capital. Esse discurso havia sido logo após a invasão do Iraque, Etan Thomas confessou que pensou “ah não, esse republicano ficou ofendido com o que eu disse e não quer mais que eu trabalhe no time dele”.

Nas palavras do Etan Thomas, esse foi o encontro dos dois:
Entrei no seu escritório, e ele estava lá sentado com um sorriso enorme no rosto e apertou minha mão. Começou a falar que seu filho estava naquela passeata e estava radiante com o meu discurso. Ele disse que depois leu o que eu disse e que estava bastante impressionado. Começamos então uma longa conversa sobre política. Falamos do Iraque, da administração Bush, Vietnã, educação em cidades pequenas do interior… até falamos sobre a gentrificação que tem acontecido na nossa cidade. Ele me contou de sua dedicação em construir casas para pessoas de diferentes rendas e que ele não se focava apenas nas construções para os mais ricos, o que é bem comum em Washington. (…) Quando fomos ver já tinhámos conversado por mais de uma hora e meia. Ele pediu desculpas por tomar tanto tempo meu e disse para eu continuar sustentando o que eu acreditava mesmo que ouvisse muitas críticas.
Depois Thomas conta outra história sobre quando ele fez uma cirurgia no coração. Muitos duvidavam que ele teria condições físicas de voltar a jogar e Abe Pollin fez seu papel de paizão ao dizer o contrário. Ligou para Thomas no hospital, contou histórias de suas próprias operações e disse para ele esquecer a imprensa porque tudo iria acabar bem e ele iria jogar de novo. E, nas palavras de Etan Thomas: “Ele estava mais preocupado com a minha saúde do que em me ver o mais depressa possível na quadra. Isso definitivamente não é o padrão nesse meio. Aquelas conversas significavam muito pra mim“.
Outra história pouco comentada sobre Pollin é a sua relação com Michael Jordan. Depois de aposentado pela segunda vez, Jordan resolveu comprar uma pequena parcela do Wizards. Não comprou uma parcela de Pollin e sim de seu sócio, Ted Leonosis, e se tornou o cara que mandava no basquete. Como não aguentou, foi jogar e para isso vendeu a sua parte como dono do time, esperando comprá-las de volta quando se aposentasse em definitivo.
Mas Abe Pollin não gostou do que viu. Presenciou um jogador grande demais para a organização, alguém que tomou conta de todo o ambiente, com uma personalidade forte demais que queria tudo do seu jeito. Depois que Jordan se aposentou e quis voltar à direção do time, Pollin cortou qualquer esperança de MJ com uma reunião curta de 20 minutos. “A atmosfera ficava no limite, não era um ambiente saudável para produzir um time feliz e vencedor. Eu sabia que iam falar um monte de mim depois disso mas tomei minha decisão e não a mudei“.
Histórias sobre Pollin não faltam, são 46 anos rodando pela NBA. Anos de sobra pra ele fazer coisas legais, ruins, ter boas idéias, péssimas idéias. Ler sobre ele depois de sua morte é achar um monte de puxação de saco, claro, todo mundo vira santo depois que morre, mas de fato ele teve muitas boas contribuições pra NBA e era muito querido pela maioria, principalmente pelos jogadores que atuaram em suas equipes.

O Wizards atua nessa temporada com o nome de Abe no uniforme.


Outros textos da coleção “Dono da Bola” sobre donos de equipes:
Philadelphia 76ers – Ed Snider
Boston Celtics – Wyc Grousbeck