Preview dos Playoffs – Cleveland Cavaliers x Chicago Bulls

O Cleveland Cavaliers viu algumas partidas disputadas, mas varreu o Boston Celtics. A grande história deles foi a lesão de Kevin Love, que está fora da temporada. Perdem um jogador de garrafão justamente quando vão enfrentar o Chicago Bulls, que tem Joakim Noah, Pau Gasol, Taj Gibson e Nikola Mirotic em seu frontcourt. Mas apesar dos nomes, é um time que sofreu para passar do jovem Milwaukee Bucks. Quem chega melhor?

Resumo da Rodada – 26/4

O Boston Celtics defendeu como um time que sabia que estava com as costas contra a parede, mas arremessou como um time de NOVATOS que sabia que estava a uma derrota da eliminação. Não faltou dedicação aos verdinhos, que atuaram com aquele ~senso de urgência~ de quem sabe que deve mostrar resultado, mas o nervosismo foi tamanho que só resultou num jogo cheio de faltas grosseiras, discussões, dúzias de cadeiras caindo no chão, dedos na cara e um péssimo, péssimo aproveitamento de arremessos.

Para se ter uma ideia, o Celtics teve 18 situações de catch and shoot na partida, que é aquela onde o cara recebe a bola e já arremessa, sem driblar. Dos 18 chutes, apenas 3 caíram! Isso dá 16% de aproveitamento, contra 35% que eles tiveram ao longo da temporada nesse tipo de jogada. Ao todo o Celtics acertou 38% de seus arremessos gerais e patéticos 13% (3/23) em bolas de 3 pontos. Assim não dá pra ganhar de ninguém.

Resumo da Rodada – 23/4

O jogo de basquete é grande, longo, tem quatro quartos, centenas de posses de bola, e nos playoffs ainda se jogam até 7 vezes por série, de modo que no fim das contas é difícil ganhar com um lance de sorte ou uma sequência bacana – acaba vencendo o time mais regular, que gera os melhores arremessos mesmo quando não estão entrando. O melhor exemplo possível foi essa rodada de quinta-feira que viu três times terem chances de vencer em casa mas perderem no sufoco porque o time adversário executou com mais constância, com mais regularidade, ou simplesmente por ter mais talento.

O primeiro jogo da rodada viu o Celtics começando com tudo pra cima do Cavs, querendo vencer em casa por questão de honra. O ataque equilibrado do Celtics é uma encrenca para a defesa desorganizada do Cavs, mas dessa vez a equipe de Cleveland conseguiu fechar os espaços no perímetro, apertando as bolas de três pontos e os armadores na cabeça do garrafão, forçando o Celtics a jogar embaixo da cesta e ter que vencer posses de bola na força física. Sem o Isaiah Thomas conseguindo costurar a defesa como fez nas duas partidas anteriores, o Celtics se viu obrigado a fazer uma partida bastante física e recebeu muita ajuda do banco de reservas com Jae Crowder, praticamente impecável nos arremessos e contribuindo dos dois lados da quadra.

Resumo da Rodada – 21/4

Existe coisa mais deprimente na NBA hoje do que o Toronto Raptors? O time renasceu na temporada passada, encontrando uma identidade, ídolos e cativou uma torcida apaixonada, que usa e abusa do slogan “We The North” para ter os mais orgulhosos e até futebolísticos fãs da NBA. Poucas cenas são mais legais do que os jogos de Playoff que reúnem uma multidão de pessoas para assistir aos jogos do lado de fora da arena em um telão. O lado triste é que eles só assistem fracassos.

Bola Presa Entrevista – Cleveland Cavaliers

As entrevistas realizadas com os jogadores do Miami Heat foram publicadas ontem. Lá tem papo com Mario Chalmers, Norris Cole, Erik Spoelstra, Josh McRoberts, James Ennis e Shannon Brown. 

Shawn Marion

Shawn Marion

“Decidi vir para o Cavs um pouco por causa de LeBron, um pouco por Kevin Love. Mas também pela franquia, pela cidade. Todos, incluindo o coach Blatt me fizeram sentir muito bem vindo no time e isso me fez acreditar que poderia vir aqui e agregar mais coisas ao meu legado”.

“Aqui não somos jovens como em Phoenix ou veteranos como em Dallas, é uma mistura. Temos alguns jogadores jovens, outros mais velhos e outros mais velhos ainda, como eu. Acho que temos aqui um grande elenco, só precismos nos juntar e nos ajudar para ir o mais longe possível”.

Blatt está fazendo um grande trabalho na sua carreira. Ele acabou de chegar da Europa e a liga inteira está ficando mais internacional. Com o tempo ele vai entender direito como a liga funciona, o calendário, como controlar os minutos dos jogadores, os descansos e tudo mais. Aos poucos ele também vai nos ensinando o que ele quer. Nossa temporada deve ser divertida”.

“A mídia coloca muita expectativa em cima da gente, mas nós temos os nossos próprios objetivos e é isso o que importa pra gente. Sabemos o que queremos e do que somos capazes com esse elenco. É um trabalho longo”.

“Já joguei com LeBron na seleção, mas vê-lo atuando nesse nível, no dia-a-dia de uma equipe, é completamente diferente. É possível ver porque ele é tão bem sucedido, deve-se respeitar como ele encara todas as situações e como ele se cobra e cobra dos outros’.

“Dessa vez eu não vou ser o responsável por marcar o melhor jogador do outro time. Aqui todos vão trabalhar juntos na defesa, nesse elenco existem muitos jogadores versáteis que podem marcar múltiplas posições, não só eu”.

“Acho que Dirk é o melhor jogador estrangeiro que eu já joguei junto, mas não sei se foram tantos assim. Mas em geral? Tony Parker é muito bom, sabe? Mas já encarei ele muitas vezes em Phoenix e em Dallas também. Não sinto falta desses confrontos”.

Blatt

David Blatt

“Estou muito feliz de estar na NBA e me sinto ainda mais sortudo de treinar LeBron James, o melhor jogador do mundo no momento. Já Kevin Love é um jogador que nos ajuda dos dois lados da quadra, com arremessos de longe e como excelente reboteiro. Também é ótimo passador”.

“Estou chegando aqui com minhas ideias e meu sistema de jogo, mas os caras são inteligentes. Eles aprendem rápido e a transição não será um problema. Vamos tentar implantar aqui um sistema inspirado nas coisas que vi e que fazia na Europa. Mudar para cá foi fácil,  basquete é basquete! A parte mais difícil foi a geográfica”.

Anderson Varejão e Tristan Thompson são ambos titulares para mim. Vamos usar os dois em diferentes situações, mas os dois têm qualidades para começar partidas. Os dois são jogadores de energia, reboteiros. Os dois tem velocidade para correr na quadra e ambos são jogadores de equipe. Eles são caras bem parecidos”.

“Anderson a mais de 5 metros da cesta consegue arremessar muito bem. Não tenha dúvida de que iremos ver mais disso nessa temporada”.

KLove

Kevin Love

“Jogar pelo meu país me ajudou muito na carreira. Jerry Colangelo e Coach K me deram uma grande oportunidade de melhorar o meu jogo e de ficar perto de grandes jogadores. Usar o uniforme dos EUA é um jeito de se sentir patriótico em relação ao meu país, então espero ter a chance de jogar aqui em 2016″.

“Visitamos o Cristo Redentor, ontem tivemos um jantar, um evento com Anderson Varejão. Tem sido uma grande viagem para o time, mas no final é uma experiência de trabalho. Estamos aqui para melhorar como equipe”.

James Jones

James Jones

“A bola de 3 pontos é o arremesso mais valioso do basquete, vale mais pontos. É também esse tipo de arremesso que deixa o garrafão aberto para os outros jogadores atuarem lá dentro, onde as superestrelas vão jogar, brilhar e fazer suas enterradas. Então conseguir ser um arremessador e proporcionar esse espaço a sua equipe tem se tornado cada vez mais importante”.

“Os torcedores parecem gostar de ver jogos mais rápidos, com placares altos. As bolas de 3 pontos ajudam nesse aspecto. Temos que ser honestos, os torcedores querem ver cestas”.

“Eu acho que aquele time de Phoenix do Mike D’Antoni contribuiu demais para a mudança da liga em relação às bolas de 3 pontos. Ele chegou com um conceito de quanto mais posses de bola, melhor, e queria ter certeza que todo mundo no seu time sabia arremessar. Quando se consegue isso, a quadra se abre e tudo fica mais fácil”.

“Quando se está crescendo, você quer ter um modelo de jogador para seguir. Sempre existe um tipo de jogador que você quer ser, um ídolo. E agora existem tantos especialistas em bolas de 3 pontos que acho que os garotos entendem que esse é um caminho para se tornar um grande jogador. Pelo caminho que o jogo está indo, você tem que saber arremessar”.

“Os técnicos entendem os números do jogo, que é, no fim das contas, todo sobre estatística. Basquete é sobre totais, porcentagens e aproveitamento. E eles nos passam essas informações. Como um arremessador, porém, eu tento não me prender tanto aos números porque eu devo arremessar uma bola de cada vez. Se eu pensar nas que eu já arremessei ou nas que vou chutar no futuro, é um desperdício de energia”.

BÔNUS

Roger Mason

Quem estava no Rio de Janeiro também era Roger Mason Jr, armador que jogou a última temporada pelo Miami Heat e que não tem equipe para esse ano. De todos os vice-presidentes da Associação de Jogadores da NBA, ele é o que tem o cargo com mais responsabilidades, é o tal First Vice President. Falei com ele sobre sua função e o novo contrato de TV da liga.

“Eu acho que é ótimo para a NBA e para os jogadores que esse novo contrato, nesse valor altotenha sido assinado. Mostra o valor dos jogadores da NBA. Temos que parabenizar Adam Silver e sua equipe pelo negócio”.

“Temos que conseguir mais informações sobre o negócio antes de termos uma opinião fechada sobre um possível aumento no teto salarial. Estamos nesse processo e depois iremos descobrir o que os jogadores desejam, que é o mais importante. Nas próximas semanas e meses descobriremos tudo isso”.

“A comunicação entre os jogadores hoje em dia é bem mais fácil. Com mídias sociais e tecnologias de comunicação não é difícil saber o que cada um está pensando sobre todos os assuntos. No fim das contas vamos continuar assim e descobrir o que cada um quer”.

“Não sei se teremos um locaute em 2017. Mas existem muitos problemas a serem resolvidos, se eu ainda estivesse jogando eu estaria me preparando para um locaute”.

“Acho que o caso de Josh Huestis (explicado aqui) foi bom para o jogador. Eles decidiram fazer isso e ele terá mais chances de crescer na D-League. Nossa liga de desenvolvimento está crescendo, realmente virando uma Minor League, então é um caso que veremos repetir muito nos próximos anos”.

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