[Resumo da Rodada] Raptors revive sua novela; Warriors e Thunder passeiam no parque

Ter a chance de recriar a história é algo sonhado por todo atleta que já passou por uma derrota. O ideal é nunca perder uma final, mas, se perder, não é fantástico poder voltar no ano seguinte contra o mesmo adversário? Grandes narrativas acontecem assim. O problema é perder DE NOVO e piorar ainda mais sua imagem, auto estima e história para contar para os netos. Pois o Toronto Raptors está nessa última situação. E pior: não é uma final que eles perdem, mas o primeiro jogo dos Playoffs em casa. Funhé.

Ontem o time de Kyle Lowry e companhia perdeu para o Indiana Pacers e assim, repetindo 2014 e 2015, começam a primeira série da pós-temporada jogando o mando de quadra no lixo. Ao longo do ano Lowry disse, meio brincando, meio MANDANDO A RELA, que nem importava ter mando de quadra, que ele só queria ir para os Playoffs para poder finalmente ganhar uma série. Isso virou um peso para a franquia e perder logo de cara é a pior maneira de deixar isso para trás, como comentamos ontem no Preview da série.

Agora vai? Agora vai

Agora vai? Agora vai

Este blog, como a maioria dos que já se arriscaram no futurismo esportivo, tem seu histórico de apostas furadas. Só lembrar nossas previsões de Draft ou quando eu disse que o Dallas Mavericks não tinha mais chance de título em 2011 quando o Caron Butler se machucou (como eu iria adivinhar que JJ BAREA e BRIAN CARDINAL seriam importantes nos Playoffs?). Tentamos não fazer previsões sempre, mas vou OUSAR uma agora: o Toronto Raptors estará na final do Leste.

Contratados e Analisados #2

Para se manter atualizado das contratações da offseason, fique de olho na nossa Planilha de Free Agents

Harris

Devin Harris – Dallas Mavericks (9 milhões por 3 anos)

Parece que foi outro dia que Devin Harris era um promissor armador na NBA, mas seu auge já passou e ele já é um balzaquiano. No meio do caminho, perdeu um pouco da velocidade que tanto o marcou no começo de carreira. Depois que chegou a marcar 21 pontos por jogo no New Jersey Nets em 2008-09, seu desempenho foi caindo aos poucos ano a ano.

Ele renasceu, porém, quando voltou a seu time de origem, o Dallas Mavericks. Como reserva na temporada passada, conseguiu fazer bons jogos e se destacou em especial nas primeiras partidas da série contra o San Antonio Spurs. É sempre bom ter um cara que gosta de atacar a cesta no banco de reservas; como um especialista em 3 pontos, é o tipo de jogador necessário para quebrar alguns tipos de defesa e promover um boost ofensivo que pode mudar a cara do jogo.

Mas será que Harris ainda é esse cara? Existiram bons momentos no ano passado, mas nada que empolgue muito. E pior que o novo contrato é de 3 anos, dá pra imaginar Harris explodindo para o meio da defesa no auge dos seus 33 anos? Ele não é nenhum Highlander como Jamal Crawford. Segundo dados do SynergySports, na temporada passada ele só passou dos 40% de aproveitamento em um tipo de situação ofensiva: contra-ataques. Em arremessos parado, vindo do drible, isolações e pick-and-roll, tudo na casa dos 20% ou 30%. Até nas bolas de 3 pontos, onde ele havia melhorado nos dois anos anteriores (36% e 35%), voltou a cair para os 30% de aproveitamento.

O preço foi muito bom e não atrapalha em nada a flexibilidade do Dallas Mavericks, mas existe o risco do time precisar mais de Harris do que se imagina, especialmente se a aposta em Raymond Felton não dê resultado.

 

Lowry

Kyle Lowry – Toronto Raptors (48 milhões por 4 anos)
Greivis Vásquez – Toronto Raptors (13 milhões por 2 anos)

O Toronto Raptors foi uma das grandes histórias da última temporada. Conseguiram trocar os até então inegociáveis contratos de Rudy Gay e Andrea Bargnani e, quando todos achavam que iriam ruir, conseguiram a melhor campanha do ‘resto’ do Leste, atrás apenas do hiper favoritos Miami Heat e Indiana Pacers. Mas o elenco muito jovem sofreu nos Playoffs e perderam dois jogos em casa para o experiente Brooklyn Nets, inclusive o Jogo 7.

Com uma porrada de Free Agents no grupo, surgiram dúvidas: dá pra segurar todo mundo? Vale a pena segurar um monte de gente que nem passou da primeira rodada? Será que era só gente desesperada atrás de um contrato novo?

Eram riscos, claro, mas era obrigação moral do Raptors dar mais uma chance para um time que foi tão longe. Especialmente porque com o enfraquecimento de Heat (sem LeBron James) e Pacers (sem Lance Stephenson), a conferência está mais aberta do que nunca. Kyle Lowry foi o grande pontuador do time nos quartos períodos, o criador de jogadas e o melhor defensor individual. Saiu caro, é claro, mas quando um cara encaixa tão bem assim, é bom apostar. Lowry tinha fama de ser difícil no vestiário, mas parece ter se encontrado com esse grupo, Toronto pode ser o que Memphis foi para o também difícil Zach Randolph.

Quem também saiu caro foi Vásquez, especialmente porque vai se pagar mais de 6 milhões de dólares para um reserva. Mas, se você pensar bem, faz sentido. O armador venezuelano, além de substituir o titular na armação, teve ótimas atuações ao lado de Lowry. Com boa altura para marcar os shooting guards e bom aproveitamento em arremessos (38% em bolas de 3 pontos), ele será mais do só um backup. A duração de seu contrato, 2 anos, também é boa. Em 2016 vão começar os papos de renovação com Terrence Ross e Jonas Valanciunas e DeMar DeRozan estará entrando no último ano de seu contrato. Também está sendo um ano antecipado como um dos com mais variedade de bons jogadores disponíveis na Free Agency. 

 

Carter

Vince Carter – Memphis Grizzlies (12 milhões por 3 anos)

Se Devin Harris parecia acabado, o que dizer de Vince Carter e seus 37 anos?! Mas por incrível que pareça, o Vinsanity arranjou um jeito de ser eficiente nos últimos anos de sua carreira. Ele desenvolveu bom arremesso de longa distância, com 40% da linha dos 3 pontos (44% na diagonal esquerda do ataque, de longe da onde ele mais tentou arremessos) e, mais importante, criou ótimo entrosamento com o pivô Brendan Wright em Dallas. Os dois faziam um jogo de pick-and-roll mortal, com ponte aéreas, criação de jogadas, infiltrações e tudo mais que envolve a jogada. Carter teve 42% de acerto de arremessos em jogadas terminadas no pick-and-roll, 21ª melhor marca da liga.

Certamente é estranho dar um contrato de 3 anos para um cara de quase 40. Também não dá pra garantir que ele terá o mesmo sucesso sem a parceria com Wright e sem Rick Carlisle no banco. O técnico do Mavs é um dos melhores criadores de jogadas de ataque da NBA; enquanto o Memphis Grizzlies, seja antes com Lionel Hollins ou agora com Dave Joerger, não é conhecido por um ataque fluído e fácil.

 

Meeks

Jodie Meeks – Detroit Pistons (19 milhões por 3 anos)

Todo mundo fica falando mal do Mike D’Antoni, mas tá aí outro grande contrato conseguido por um jogador que só rendeu sob os comandos de antigo treinador do Los Angeles Lakers. Mas sejamos justos também, apesar de beneficiado pelo espaço e velocidade que só D’Antoni sabe criar, Meeks mostrou uma grande evolução individual: está mais confiante no próprio drible, passou a atacar mais a cesta, especialmente em contra-ataques, e até na defesa ele não é mais uma negação, como era alguns anos atrás.

Ele não é gênio, não é grande defensor e nem vai resolver todos os muitos problemas do Detroit Pistons, mas foi uma boa contratação porque responde a pelo menos um deles. Ano passado o Pistons foi o segundo pior time da NBA em aproveitamento de 3 pontos (32%), justamente a especialidade de Meeks. E mais do que isso, o ala/armador teve a 10ª melhor marca de toda a NBA em pontos por arremesso na última temporada. A marca conta quantos pontos um jogador marca a cada posse de bola onde ele finaliza o ataque; Meeks conseguiu uma média de 1,09 pontos a cada posse de bola onde ele arremessou.

 

Mike Miller

Mike Miller – Cleveland Cavaliers (5.5 milhões por 2 anos)
James Jones – Cleveland Cavaliers (1.4 milhão por 1 ano)
Brendan Haywodd – Cleveland Cavaliers (2 milhões por 1 ano)

O primeiro resultado da ida de LeBron James ao Cleveland Cavaliers! Com o melhor jogador da galáxia por lá, o time tem tudo para se tornar um imã de bons veteranos nos próximos anos.  Por enquanto só vieram Mike Miller e os limitadíssimos Brendan Haywood e James Jones. É pouco, claro, mas eu acho que tem a ver com o fato do Cavs não querer passar muito do salary cap nesta e na próxima temporada, lutando pela chance de adicionar mais uma estrela ao time.

Em Miami, LeBron conseguiu atrair Ray Allen, Rashard Lewis e o próprio Mike Miller. Em Cleveland a expectativa é por Kevin Love. O mundo dos boatos diz que Love toparia uma extensão de contrato caso fosse trocado do Wolves para o Cavs, algo que ele certamente não faria se não fosse para jogar com King James.

 

Hayward

Gordon Hayward – Utah Jazz (63 milhões por 4 anos)

Sim,  o Utah Jazz decidiu usar seus poderes e igualou a oferta de 63 milhões por 4 anos que o Charlotte Hornets havia oferecido a Gordon Hayward. Como Hayward era um Free Agent Restrito, o Jazz tinha esse poder. Mas antes que vocês pirem com o valor do contrato, vamos lembrar de algumas coisas: (1) Há um ano, o Jazz perdeu, sem receber nada em troca, Al Jefferson, seu melhor jogador, para o mesmo Hornets (na época, ainda Bobcats); (2) Também no ano passado, eles perderam Paul Millsap para o Altanta Hawks em troca de nada; (3) Quando o Jazz perdeu Carlos Boozer para o Chicago Bulls, em 2010, eles só conseguiram arrancar uma trade exception no negócio.

Ou seja, tirando por Deron Williams, o Jazz tem um histórico recente de perder seus melhores jogadores sem receber nada em troca. Culpa deles que não trocam o cara quando podem? Um pouco. Culpa por não conseguir convencer os caras a ficarem? Também. Mas antes que consigam acertar tudo isso, vão ter que gastar mais do que planejado para não ficar andando pra trás.

Para os próximos anos, o Utah Jazz gastará quase 25 milhões por ano com a dupla Gordon Hayward e Derrick Favors, sendo que nenhum deles conseguiu se estabelecer ainda como um jogador de alto nível. Nenhum deles ronda as conversas de All-Star Game. Os dois são bons e ainda jovens, mas para onde vão carregar a equipe? Tudo se compensa de outro lado, porém. Favors ganha seu montante pelos próximos 4 anos, assim como Hayward. Só depois que os dois negócios acabarem que o Jazz terá que se preocupar em dar uma extensão de contrato para os dois caras que realmente podem levar o time a outro nível: Trey Burke e Dante Exum. No meio do caminho, de problema sério, só uma possível renovação com Enes Kanter. Sabemos como pivôs saem caro e como sempre tem time pagando fortunas, talvez não dê para segurá-lo após pagar esse PIB de país médio para Hayward.

Em defesa do ala do Jazz, é bom lembrar que apesar das 4 temporadas de experiência, ele só tem 23 anos. Dava pra ser novato e ainda tem o que evoluir! E no último ano teve ótimas médias de pontos (16) e, mais importante, assistências: 5.2, número muito expressivo para um ala. Sem contar a defesa, que tem melhorado aos poucos. Com dois armadores agressivos, é bom ter um ala que gosta de passar a bola e facilite o jogo fazendo essa transação entre quem ataca a cesta e quem finaliza as jogadas, sejam pivôs ou arremessadores. Meio como Boris Diaw ou Joakim Noah, Hayward é importante jogando no meio da quadra e fazendo a bola girar. É duro pagar 15 milha pro cara fazer isso, mas tem hora que é a única saída.

Depois da lama

Depois da lama

Já cansamos de escrever aqui e comentar em nossos Podcasts sobre a decadência dos fominhas na NBA. Tendo Allen Iverson como maior símbolo e Kobe Bryant como solitário sobrevivente de sucesso, os pontuadores centralizadores, os machos alfa do ataque, estão em extinção nos EUA, último reduto deles no basquete mundial.

E por que vamos voltar nesse assunto? Bom, calhou de termos mais um exemplo claro de que estes fominhas capazes de dezenas de pontos por jogo até existem ainda, mas são cada vez menos desejados ao redor da liga. Estamos falando de Rudy Gay, ala que foi trocado pelo Toronto Raptors para o Sacramento Kings há algumas semanas. Adivinhem que time melhorou e qual continua na lama.

Rudy Gay

Fizemos um texto comentando o negócio e lá dissemos que o Raptors estava fazendo um negócio pensando em duas coisas: economizar e perder. A primeira se mostrou verdade, já que os 19 milhões de dólares de Gay, pagos neste e no próximo ano, agora estão nas mãos do Kings, enquanto os contratos de John Salmons e Greivis Vásquez, recebidos em troca, podem ser encerrados já na próxima offseason. Agora, a parte de perder não deu nada certo. Algumas pessoas até previram que o Raptors não iria ficar tão ruim imediatamente, e até por isso iriam tentar trocar Kyle Lowry ou até DeMar DeRozan para piorar o time e aumentar as chances do time no Draft 2014. Mas será que mesmo os que previram que o time não ia piorar sabiam que eles iam ficar tão bons?

Desde a troca de Rudy Gay, o Raptors venceu 9 partidas e perdeu apenas 4, sendo estas derrotas para o San Antonio Spurs (duas vezes), Miami Heat e, a única para um time não candidato o título, Charlotte Bobcats, na prorrogação. Nas vitórias, destaque para os jogos contra Indiana Pacers, OKC Thunder e Dallas Mavericks. Antes da troca, 30% das posses de bola do Raptors acabavam com Rudy Gay (arremessos tentados, turnovers ou faltas sofridas), disparado o líder da equipe. Some-se isso o fato de que ele não cobrava muitos lances-livres, errava bastante e tinha terríveis 38% de acerto em seus arremessos e dá pra sentir o drama da coisa. Segundo dados coletados pelo Zach Lowe, do Grantland, Gay seguia para ser apenas o 4º jogador na história a finalizar 30% das posses de bola de um time e acertar menos de 40% dos arremessos. Os outros eram, surpresa, clássicos fominhas do começo do século: Jerry Stackhouse, Baron Davis e Allen Iverson.

Com Rudy Gay fora, o Toronto Raptors teve que distribuir estes 30% de suas posses de bola entre seus outros jogadores. Foi aí que Kyle Lowry, contratado na temporada passada, finalmente voltou a jogar bem como nos tempos de Houston Rockets e o time foi em seu embalo e liderança. Jonas Valanciunas, em especial, pulou de médias de 8 pontos e 7 rebotes para 12 e 9. A média de assistências da equipe pulou de 17 por jogo para 22; o aproveitamento dos arremessos pulou de 42% para 44% e o de três pontos de 34% para 38%. Os erros ficaram nos mesmos 14 por jogo e a eficiência ofensiva (pontos por 100 posses bola) pulou de 101 pontos para 110, e até a defesa melhorou de 108 pontos sofridos para 103. Em resumo, tudo é melhor desde que Rudy Gay foi embora. Não por coincidência, o Memphis Grizzlies saboreou melhora semelhante após trocar o mesmo jogador na última temporada.

O curioso e interessante dessa história toda é imaginar o que vai acontecer daqui pra frente. O Raptors parecia sério em continuar sua implosão rumo ao Draft, chegando a ficar muito perto de mandar Kyle Lowry para o New York Knicks, negócio que foi vetado por James Dolan, dono do Knicks, que não queria ceder mais uma escolha de Draft para o Raptors depois de já ter enviado uma na troca por Andrea Bargnani na última offseason. Ao manter o armador, o Raptors viu o time melhorar, dominar a divisão do Atlântico e até visualizar uma possível terceira colocação em todo o Leste, afinal o Washington Wizards não deslanchou como o previsto e o

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Atlanta Hawks acabou de perder Al Horford até o fim da temporada.

E não é só que o time melhorou, não é só que eles estão se aproveitando de uma conferência fraca e infestada de lesões, eles estão fazendo isso com um time jovem, promissor e que mostra melhora jogo após jogo. A ideia era montar o time em volta nome de novos jogadores, uma reconstrução, mas ela pode já estar em curso e não precisar de mais empurrões ou derrotas forçadas.

Raptors

O já citado Kyle Lowry tem 27 anos e está chegando na idade onde os jogadores costumam atingir seu auge na carreira; DeMar DeRozan tem só 24 anos, está com média superior a 20 pontos por jogo e acrescenta novas jogadas a seu arsenal a cada ano que passa; Terrence Ross, de 22 anos, está com média de 14 pontos por partida desde que assumiu a titularidade no lugar de Gay e aos poucos está acertando seu belo arremesso (mais de 44% de bolas de 3!) que o fez famoso no basquete universitário. No garrafão, eles tem Amir Johnson, de 26 anos, na melhor temporada de sua carreira e um dos líderes da NBA em aproveitamento de arremessos, além de Jonas Valanciunas, de 21 anos, que

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aos poucos vai melhorando e fazendo a diferença a favor do time canadense. No banco ainda tem os bons e jovens Greivis Vásquez (26 anos) e Patrick Patterson (24), completando um time jovem e

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na ascendente.

A decisão de Masai Ujiri, General Manager do Toronto Raptors, não é das mais fáceis. Por um lado ele sabe que hoje (e sempre) não se vence na NBA sem uma grande estrela, assim como sabe que seria a glória maior que essa estrela fosse um canadense, como a promessa Andrew Wiggins. Por outro, mesmo forçando trocas e mudando o elenco, nada garante que o Raptors vai ser o pior time e muito

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menos que o sorteio coloque a equipe no Top 3 do Draft, onde Wiggins deve ser escolhido. Como fica o emprego do manager se a diretoria da equipe perceber que ele abriu mão de um time jovem, terceiro colocado no Leste, em nome da, digamos, oitava escolha no Draft 2014? Mas e se nem DeRozan ou Valanciunas desabrocharem rumo ao estrelato, até onde vai um time de jogadores medianos no próximo ano, quando o Leste deve mostrar alguma reação?

Se pensarmos em empregos e contrato, não veremos ajuda de técnicos e treinador para que o Toronto Raptors afunde. Kyle Lowry está em ano de contrato e Amir Johnson tem uma team option de 7 milhões de doletas no próximo ano. Já o técnico Dwayne Casey está em sua segunda passagem como técnico da NBA e não pode fazer feio. Ele fracassou quando assumiu o Minnesota Timberwolves entre 2005 e 2007 e provavelmente não terá mais uma chance no mercado se comandar outro time ruim.

As vitórias consecutivas sobre bons times e a perspectiva de vida longa nos Playoffs contribuem ainda mais para que os jogadores se unam para que possam experimentar um pouco do sucesso, se valorizar e, vejam só, vencer jogos de basquete, o objetivo definitivo do jogo. Contra eles apenas a possibilidade de alguma troca maluca que desmanche tudo em nome da loteria.

Preview 2012/13 – Toronto Raptors

Continuamos aqui o melhor preview da temporada já escrito por um blogueiro gordo. Veja o que já foi feito até agora:

Leste: Boston CelticsCleveland CavaliersBrooklyn NetsIndiana PacersAtlanta HawksWashington WizardsChicago Bulls e Orlando Magic

Oeste: Memphis GrizzliesSacramento KingsDenver NuggetsGolden State WarriorsSan Antonio SpursLos Angeles ClippersPhoenix Suns e OKC Thunder

Até o esperado dia 30 de Outubro, quando teremos a rodada inicial da Temporada 12/13 da NBA, todos os times terão sido analisados profundamente aqui no Bola Presa.

Nesse ano vamos repetir uma ideia de uns vários anos atrás. Ao invés de só comentar as contratações e fazer previsões, vamos brincar de extremos: O que acontecerá se der tudo certo para tal time, qual é seu teto? E o que acontecerá se der tudo errado, onde é o fundo do poço? Em outras palavras, como seria um ano de filme pornô, onde qualquer entrega de pizza vira a trepa do século? E como seria um ano de novela mexicana, onde tudo dá errado e qualquer pessoa pode ser o seu irmão perdido em busca de vingança?

Hoje é dia de falar do time do único time que não fica nos EUA, o Toronto Raptors.

Toronto Raptors

 

 

 

 

 

Ninguém dá muita bola para o que acontece ou deixa de acontecer com o Toronto Raptors. E, vamos ser sinceros, existem motivos para isso: A imprensa americana não é de dar atenção para o único canadense da liga e há anos que o Raptors não dá motivo para que isso mude. Desde que entraram na NBA em 1996, foram para os Playoffs apenas 5 vezes e só passaram da 1ª rodada em 2001, quando o time liderado por Vince Carter foi eliminado pelo Sixers de Allen Iverson em 7 jogos na semi-final do Leste.

Uma das dificuldades do Raptors é que ninguém quer ir jogar lá. Mais ou menos como acontece com times como o Milwaukee Bucks, os jogadores preferem morar em uma cidade grande e vibrante como Nova York do que em outras consideradas tranquilas demais. E morar em outro país, embora seja só a um lago de distância, não anima muitos atletas também. A solução encontrada pelo Raptors para superar isso foi se transformar realmente no time mais internacional da NBA, não por acaso que nessa temporada o time terá 5 nã0-americanos. Desde 2009 que o Raptors tem pelo menos 5 gringos no elenco. Nessa temporada o garrafão titular terá o italiano Déia Bargnani e o lituano Jonas Valanciunas.

Mas ao mesmo tempo que o time se enchia de estrangeiros, seus números defensivos eram péssimos todo santo ano. Foi uma combinação cruel: Os jogadores europeus já tinham essa fama de, apesar de técnicos, fracos defensivamente. Quando o time com mais europeus na liga é ridículo na defesa, foi como se o mito não fosse mais mito. Pensando em corrigir isso que na temporada passada chegou ao time o técnico Dwane Casey, que na temporada anterior havia introduzido, como assistente técnico, a defesa por zona que guiou o Dallas Mavericks ao título da NBA. Era uma cartada precisa, Casey é especialista em defesa e gostava de um sistema muito mais comum na Europa do que nos EUA.

A missão, porém, não era nada fácil. O Toronto Raptors tinha sido a pior defesa da NBA em 2010-11 e Dwane Casey tinha que implementar um sistema de defesa novo justamente na temporada do locaute, quando o período de treinos e pré-temporada foi minúsculo e os jogos do campeonato todos embolados. Casey disse no começo da temporada passada que esperava uma melhora mínima, talvez levando o Raptors da 30ª para a 25ª melhor defesa da liga.

Mas para surpresa geral de todos, o Raptors virou uma potência defensiva. Em pontos sofridos por posse de bola, pulou da 30ª para a 14ª posição entre todos os times da NBA. Em total de pontos sofridos e em aproveitamento de arremesso dos adversários, acabou a temporada no Top 10.  Não deu Playoff porque aí apareceu a síndrome do cobertor curto. Andrea Bargnani se machucou, o ataque ruiu e o time teve a 2ª pior marca de pontos por posse de bola da liga.

Que fique claro, porém, que esses times que gostam de marcar por zona não o fazem durante todo o jogo. Isso não existe na NBA. Talvez em um jogo ou outro, com o outro time arremessando mal, ela possa ser usada por mais tempo, mas em geral é, como diz o próprio Dwane Casey, uma segunda opção. Algo que você faz no meio do jogo para forçar o adversário a sair de sua zona de conforto. Segunda dados do SynergySports, do meio da temporada passada, o time que mais usava a defesa por zona era o Golden State Warriors, que o fazia em 10% das posses de bola que defendia. O Raptors aparecia em com 7.5%. Então a zona ajudou o Raptors a melhorar defensivamente, mas não foi a única coisa responsável. Mas esse pouco tempo já serviu para irritar algumas pessoas. Após um jogo contra o Utah Jazz, Paul Millsap deu uma de Nezinho e disse “Zona é para times de escola, faculdade. Sejam homens, marquem homem a homem”. 

Para a temporada 2012/13 o objetivo é continuar a melhora defensiva, já que Casey disse que no último ano o time tinha pegado ” apenas uns 85% das complexidades da zona”. Mas, como citei antes, o ataque ainda é uma merda daquelas bem fedidas. Para ajudar com isso Casey conta com algumas novas contratações. Kyle Lowry, excelente armador que estava no Houston Rockets tem fama de ótimo defensor, mas nos últimos anos foi também espetacular na Princeton Offense de Rick Adelman. Ao contrário de José Calderón, antigo titular, faz bastante estrago atacando a cesta.

Outro que chegou foi Landry Fields. O ex-melhor amigo do Jeremy Lin teve dois anos de altos e baixos na carreira, basicamente foi bem quando era bastante usado por Mike D’Antoni e quando jogou ao lado de Lin, foi mal no time mais lento de Mike Woodson. Tecnicamente ele não é grande coisa, mas tem ótima percepção de jogo e se jogar em um esquema de jogo bem definido deve ajudar bastante. Falta saber também se veremos em Toronto o Fields que acertou 40% das bolas de 3 pontos na temporada 2010/11 ou que fez só 29% em 2011/12. Defensivamente Fields chega para a vaga deixada por James Johnson, que foi ótimo na temporada passada e recebeu pouquíssimo reconhecimento. Sabiam que JJ foi um dos apenas 8 jogadores a acabar a temporada passada com pelo menos 1 roubo e 1 toco de média? Kevin Durant, Kenyon Martin, DeMarcus Cousins, Andrew Bogut, Josh Smith, Dwight Howard e Dwyane Wade foram os outros.

O melhor pontuador do time, Andrea Bargnani, está de volta de contusão e sem se esforçar muito deve fazer seus 20 pontos por jogo. Se bem que, como Fields, ele teve uma boa carreira como arremessador de 3 pontos mas na temporada passada empacou nos 29%. O Raptors precisa de Fields, Bargnani e do novato Terrence Ross (já um dos arremessos mais bonitos da NBA, eu recomendo) para conseguir mais pontos de longa distância. No ano passado foram apenas 34% de aproveitamento de 3 pontos, 10ª pior marca da NBA.

Ao lado de Bargnani no garrafão estará o novato Jonas Valanciunas, uma das grandes promessas da NBA. O jovem lituano brilhou em todos os campeonatos internacionais de base, já jogou muito bem na Lituânia e teve alguns bons jogos nas últimas Olimpíadas. Na pré-temporada, onde tem média de 6.3 pontos e 6.5 rebotes em 22 minutos de jogo, já fez algumas jogadas que fizeram os olhos dos torcedores brilharem. Talvez falte consistência para ele nesse primeiro ano, mas dará ao time uma presença ofensiva de garrafão que eles não tinham desde… er… o Raptors já teve um grande pivô em sua história? Só lembro de Antonio Davis e Chris Bosh sendo improvisados na posição e preferindo jogar longe do aro. Só para vocês se prepararem: Essa é uma enterrada do Valanciunas sobre o Andrei Kirilenko, aqui uma sobre o pobre time da Islândia. E abaixo o que ele fez com o Emeka Okafor na pré-temporada:

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=oy7Ex3bi6Gs[/youtube]

 

Temporada Filme Pornô

Nada seria mais perfeito para o Raptors do que ver Jonas Valanciunas se adaptando rapidamente à NBA. Ter um grande pivô ajudaria o time nos rebotes, onde não são grande coisa, no ataque de costas para a cesta e ajudaria bastante a vida dos pontuadores do time: Andrea Bargnani e DeMar DeRozan, esse com motivação extra de estar no último ano de contrato. Com espaço e atenção dividida os dois podem fazer um certo estrago.

O elenco, no papel, é um dos mais fortes que o Raptors já teve. Se Kyle Lowry repetir a liderança dos tempos de Rockets e se as lesões não atrapalharem Bargnani, o time canadense deve voltar aos Playoffs. Repetir o resultado de 2001 e passar da 1ª rodada parece demais, o que não falta no Leste são times especialistas em defesa, mas já dá pra brincar de pós-temporada.

 

Temporada Drama Mexicano

A contratação de Landry Fields foi aquela caríssima, com a intenção de atrapalhar os planos do New York Knicks de contratar o Steve Nash, estão lembrados? Deu certo, mas o Raptors também ficou sem o armador canadense. Será que o salário alto por um jogador só mediano vai perturbá-los depois? O elenco ainda não é tudo isso e o banco de reservas ainda não passa tanta segurança.

E se a defesa do Raptors tem tudo para melhorar nesse ano, o ataque precisa de uma verdadeira revolução para figurar na camada intermediária da NBA. Se o frágil Andrea Bargnani se machuca de novo o time fica bem magro de opções de ataque e isso pode custar uma vaga nos Playoffs. E o drama deles seria ficar na posição mais desconfortável da NBA: Não são bons o bastante para ficar lá em cima, não são ruins o bastante para lutar por uma boa posição no Draft do ano que vem.

 

Top 10 – Jogadas do Raptors em 2012

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=o5hrhFiYdW4[/youtube]

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