League Pass

>

League Pass, o Cálice Sagrado do basquete

Na temporada passada, nossa segunda utilizando o League Pass diariamente, escrevemos uma resenha sobre seu funcionamento. Para quem não conhece, o League Pass é um serviço por assinatura que permite assistir pela internet a todos os jogos da temporada da NBA. Nem precisa dizer que achamos o serviço fantástico, mas na temporada passada existiam várias versões do produto (uma mais simples e uma mais cara, e cada uma delas com ou sem playoffs) e foi necessário explicar as diferenças dos pacotes. Agora, para desespero de alguns que queriam pagar mais barato, os pacotes foram unificados – há apenas a opção nova de assistir aos jogos de apenas um time, se você quiser. Vamos explicar então exatamente como esse pacote fodão disponível funciona, quais são as vantagens e os valores, pra todo mundo assinar e ser feliz para sempre. Ao fim do post, ensinamos também a assinar o serviço gratuitamente até o dia 9 de janeiro, para testar e ficar com água na boca.

League Pass (completo)
Preço: 160 dólares (300 reais)
Preço parcelado: 5 vezes sem juros de 32 dólares (60 reais)

Pagando esse valor uma única vez (ou parcelado em 5 vezes), você tem acesso a todos os jogos dessa temporada da NBA, ao All-Star Game e aos playoffs inteiros. Mas quando queremos dizer que você tem acesso a todos os jogos, queremos dizer todos os jogos mesmo. Isso porque o League Pass é uma fantástica ferramenta mística capaz de moldar o espaço-tempo. Todos os jogos ficam disponíveis para serem vistos quando você quiser a partir do segundo em que começam. Então se você passou uma semana sem poder acompanhar a NBA e quer ver um jogo que aconteceu semana passada, pode assistir normalmente. Mês passado? Tranquilo. Mas o mais legal é que se você chegar 15 minutos atrasado para um jogo que queria ver, pode acompanhá-lo do começo! Fiz isso centenas de vezes na temporada passada, chegava em casa com jogos já começados, assistia do começo mas avançava o jogo na hora dos intervalos para cortá-los, alcançando rapidamente a transmissão ao vivo. Mas e se você chegou atrasado e está vendo um jogo do começo, mas aí vê no nosso Twitter que o final está emocionante e você quer acompanhar esse final ao vivo? Basta apertar um botão (“Live”) e o League Pass te coloca a transmissão ao vivo. Se quiser voltar para o ponto no passado em que você assistia, basta arrastar uma barra de tempo (daquelas que estamos acostumados em vídeos do YouTube) para o ponto em que você quiser.

Aliás, essa barra de tempo abaixo do jogo é um espetáculo à parte. Nela é possível ver pequenos ícones indicando todos os eventos que aconteceram na partida: assistências, enterradas, cestas de 3 pontos, rebotes, etc, tudo com o rosto do jogador que efetuou o lance. Quer ver apenas as enterradas do Blake Griffin em um jogo antigo? Basta abrir o jogo, escolher para ver apenas as enterradas do Clippers num menu, e aí passar o mouse pela barra de tempo esperando a cara do Blake Griffin aparecer. Ao clicar nela, o League Pass te manda para aquele lance imediatamente.

O League Pass é a ferramente de liberdade absoluta. Para nós, que sofremos com o fuso-horário, pode ser meio complicado ficar acordado a madrugada inteira esperando um jogo começar, ou então ter que correr para casa porque algum jogo vai começar mais cedo. Mas agora é possível ver o jogo que você quiser na hora que você quiser, sem problemas. Existem opções no próprio League Pass para que você acompanhe com o jogo que assiste as estatísticas da partida, o boxscore, e a barra de tempo que indica tudo que aconteceu no jogo até então. Mas se você está vendo um jogo velho e não quer nenhum tipo de informação que te dede o resultado, basta desligar a barra temporal e não utilizar as estatísticas. Você estará livre para ver o jogo que quiser, quando quiser, e fingir que está vendo ao vivo sem saber quem ganhou.

Para quem não conseguiu ver algum jogo que queria mas não tem tempo de vê-lo inteiro, é possível usar a barra temporal para pular pedaços que você não quer, usar o botão de “avançar” (que avança 10 segundos o jogo) para cortar lances livres, pular os intervalos comerciais e toda a enrolação de uma partida comum. Se mesmo assim você não tiver tempo, o League Pass te oferece um resumo de cerca de 5 minutos de cada jogo acontecido no dia anterior. Na temporada passada esse resumo às vezes era ótimo e às vezes parecia ter sido feito por um computador, escolhendo como melhores momentos erros de contra-ataque, tempos técnicos e cobranças de lateral, mas quando funciona é uma bela ajuda para quem tem pouco tempo.

E para quem não está interessado em moldar o tempo, assistindo aos jogos quando bem entender, é possível moldar o espaço: o League Pass deixa você estar em até quatro lugares ao mesmo tempo. Vendo jogos ao vivo, isso é espetacular. Numa barra no alto da tela, é possível ver os placares de todos os jogos que estão acontecendo em tempo real. Algum jogo interessou? Basta clicar no placar e arrastá-lo para a área em que você assiste aos jogos, e ele começa a passar imediatamente. Mas é possível fazer isso com até 4 jogos ao mesmo tempo! Muita gente diz que não consegue ver 4 partidas ao mesmo tempo, que isso é ridículo e que não serve pra nada, que é frescura. Mas funciona diferente do que se pensa: você pode escolher um dos 4 jogos para ser o “principal”, você vai ouvir o som dele e pode com um clique pedir para que ele tome a tela inteira. Mas assim que esse jogo for para o intervalo, você pode espiar os outros 3 jogos na sua tela para ver se algo interessante acontece em algum deles, e aí basta um clique para que esse jogo passe a ser o principal. Mas você continua acompanhando com o canto do olho o jogo mais importante para ver quando exatamente ele volta do comercial. Para quem é fã de NBA, isso permite que você assista a todos os finais disputados de partidas – não ao mesmo tempo, claro, mas poder ver 4 jogos ao mesmo tempo é o que te permite ficar de olho em qual jogo está ficando disputado para que você escolha ele como principal e veja em tela cheia se quiser.

Para acompanhar ao vivo, é perfeito porque você tem à disposição estatísticas, boxscore, os placares de todos os jogos, pode voltar o jogo para rever algum lance legal, e pode ver 4 jogos ao mesmo tempo para ter certeza de acompanhar como jogo principal aquele que estiver mais interessante. Para quem não vai ver jogos ao vivo, é perfeito porque você pode ver os jogos quando quiser, fica livre de ter que seguir os horários do mundo e corta os pedaços de jogo que não interessam. E para quem se dedica à NBA, tem blog, quer analisar os jogos, é ferramenta fundamental porque te permite encontrar os lances de algum jogador específico, pausar, tirar printscreen, e mandar o espaço-tempo à merda!

O pacote ainda permite que você assista aos jogos no seu celular ou tablet favorito através de qualquer conexão com a internet. Não sabemos ainda a qualidade do serviço, como funciona com o 3G nacional, mas assim que o Denis testar no brinquedinho modernex dele, atualizará esse post com todas as informações.


Team Pass (pacote para apenas um time)
Preço: 120 dólares (220 reais)


O pacote é idêntico ao anterior, mas você pode assistir apenas aos jogos de um time específico, à sua escolha quando assina o pacote. Esse é para quem quer ver só jogos do seu Lakers, do seu Houston, ou que é muito alternativo e quer ver apenas o Bucks. É legal para quem é muito fã e não se interessa muito pelo resto da liga, mas pelo preço vale bem mais a pena comprar a liga inteira com todos os times e se divertir com alguns jogos do Clippers só porque você merece ver o Blake Griffin enterrando!

O que é preciso para o League Pass funcionar

Hoje em dia, qualquer computador consegue rodar o League Pass numa boa, sem maiores problemas. A transmissão só depende mesmo é da qualidade da internet. Nos nossos testes, internet de 1MB já é o bastante para ver os jogos sem nenhuma travada e com qualidade superior à maioria dos links “genéricos” espalhados pela internet. Caso a velocidade da internet varie muito, ao invés do jogo travar o que acontece é a queda da qualidade da imagem, então o jogo pode ficar um pouco borrado mas você garante que terá o mínimo de travamentos possíveis. Com internet de 3MB (mesmo a minha, que é compartilhada com cerca de uma dezena de usuários), é possível assistir aos jogos quase sempre em qualidade HD, que é a máxima disponível. Quando tem mais gente usando a internet, ou estou vendo 4 jogos ao mesmo tempo, a qualidade da imagem cai um pouco mas nunca vira aqueles quadros do Monet como nos links genéricos. Um jogo de cada vez, com uma internet de 3MB ou mais só pra você, dá pra ter quase certeza de que os jogos estarão em qualidade HD – especialmente se você tiver uma televisão adequada para ligar no seu computador com um cabo HDMI, que é o que eu faço por aqui.

Como faço pra usar de graça?

O League Pass está disponível de graça do dia 25 de dezembro até o dia 9 de janeiro para quem quiser testar. Isso significa que você pode ver a lendária rodada de Natal na mamata mesmo se não puder bancar os pacotes. Como fazer? É simples, jovem padawan:

1. Clique aqui para ir para o site do League Pass.
2. Clique então na faixa vermelha no meio da tela, que berra “Free Preview”.
3. Preencha um rápido cadastro ou então use o seu cadastro antigo se você alguma vez já assinou o serviço.
4. Ganhe acesso instantâneo ao League Pass. Mesmo se você decidir comprar, o seu cartão é aceito na hora se tiver crédito (não leva nem 1 minuto) e você tem acesso imediato aos jogos que estiverem acontecendo ou já tiverem acontecido.

É tudo rápido, fácil, e mesmo que pareça caro a primeira vista (300 reais é salgado para qualquer um), lembrem-se que dá pra dividir em 5 vezes sem juros, e que vale para a temporada inteira – playoffs inclusos! É tanto basquete que você vai ter uma overdose, babar, seus olhos vão pular das órbitas e você vai acabar sofrendo um aneurisma. E quer saber? Vai ser o aneurisma mais feliz da sua vida!

Abaixo, os jogos da rodada de Natal com os horários no Brasil pra todo mundo testar o League Pass e nos dizer o que achou:

15h: Celtics e Knicks
17h30: Heat e Mavs
20h: Bulls e Lakers
23h: Magic e Thunder
1h30: Clippers e Warriors

E quem não ficar acordado até uma e meia da madrugada para ver o novo Clippers é a mulher do padre!

>Feio mas limpinho

>

Ufa, não era só eu que queria beijar o Fisher ontem

Podemos eleger a partida de ontem como a mais feia de uma final desde aquela série entre Spurs e Nets em 2003? Podemos? Eu já votei. Emoção não faltou, longe disso, minha gastrite pode dizer como o jogo de ontem foi sofrido do primeiro até o último minuto, mas é impressionante como estamos muito longe de ver os dois times jogarem o seu melhor.
Se no jogo 2 nós assistimos o Celtics vencer fora de casa mesmo com um dos piores jogos da vida do Kevin Garnett e o Paul Pierce completamente anulado, ontem foi a vez do Lakers vencer em um jogo ruim de Kobe Bryant (10-29 arremessos), Pau Gasol (13 pontos) e Ron Artest (2 pontos). Aliás, Andrew Bynum (9 pontos, 10 rebotes) também não foi tão bom como no jogo 2. A pergunta que não quer calar é: como diabos o Lakers venceu o jogo 3?
Depois de muito pensar, cheguei a três respostas: defesa, banco de reservas e Derek Fisher. Pois é, o mundo mudou muito desde 2008.
A defesa foi a responsável por fazer o Lakers vencer um jogo marcando menos de 100 pontos. Até um tempo atrás os jogos com placares mais baixos favoreciam o Celtics, mas hoje o Lakers consegue vencer partidas comandadas pelas defesas. O maior diferencial de uma equipe forte na defesa sobre uma focada no ataque é que o setor ofensivo vive de altos e baixos, as defesas costumam ser mais estáveis. Então, se não dá pra controlar que o Kobe, Gasol e Artest serão bons todos os dias no ataque, pelo menos são sempre bons na defesa.
Nos últimos dois jogos Artest foi tão útil quanto eu ou você no ataque do Lakers. Ou até pior, já que eu estou com zero turnovers até agora nessa série final. Mas em compensação são dois jogos seguidos em que o Paul Pierce não consegue embalar uma sequência de bons arremessos. Mas o que talvez tenha sido tão decisivo quanto a defesa do Lakers foi a mão de gelo do Ray Allen. Depois de quebrar o recorde de bolas de 3 em uma final ele conseguiu a proeza de errar todos (T-O-D-O-S) os seus arremessos. Nenhum acerto em 13 tentativas, sendo 8 de três pontos. E o Lakers não mudou a marcação sobre ele, não foi tão fácil como no jogo anterior, mas não faltaram bolas de três livres com o seu marcador parado no peito suado do Kendrick Perkins.
O único que não parou na defesa do Lakers foi, finalmente, Kevin Garnett. Devem ter dado cogumelo do sol para o rapaz e ele foi para a primeira partida em casa renovado e parecendo bem mais ágil. Aí, ao invés de ficar dando arremessos longos e sem direção, foi pra cima de Gasol e fez diversas cestas bonitas, técnicas, no maior estilo vintage Garnett. O Phil Jackson foi esperto ao colocar mais no fim do jogo o Andrew Bynum para marcá-lo, pelo menos a altura do pivô do Lakers diminuiu um pouco o ímpeto ofensivo do KG. E ao mesmo tempo o Gasol ficou marcando e sendo marcado pelo Glen Davis, o jogador mais regular do Celtics nessa série, que estava dando muito trabalho até ter que sair do jogo por estar tomando muitas cestas do espanhol.
O segundo aspecto do Lakers foi o banco de reservas. Não que eles tenham sido geniais e comandando o jogo à lá banco do Suns, quem me dera poder trocar de esloveno com o Phoenix, mas no pouco tempo que jogaram no fim do primeiro quarto e no começo do segundo fizeram a diferença do jogo. Foi com Jordan Farmar, Shannon Brown e principalmente Lamar Odom, que resolveu parar de amarelar, que o Lakers abriu 17 pontos de vantagem sobre o Celtics. Desse momento pra frente o jogo foi sempre feio e amarrado, mas com o Lakers no controle porque soube conservar essa vantagem.
O mais próximo que o Celtics chegou de empatar foi no quarto período, quando a vantagem ficou em dois pontos em algumas posses de bola, mas aí apareceu o Derek Fisher. O arremesso é um dos mais esquisitos da NBA, ele parece não fazer bandeja e não só parece como é realmente velho. Mas e daí? Parece que como bom vovô de NBA ele sacou que temporada regular não vale nada, o que importa e fica na memória das pessoas são os playoffs. Aí, como se não bastasse já ter marcado muito bem Deron Williams e Steve Nash, voltou a acertar arremessos importantes em todas as séries. Alguns não são decisivos, de último minuto, mas quem está vendo o jogo sabe como são essenciais. Ele é aquele cara que faz um arremesso difícil quando o ataque não consegue funcionar, o que acerta uma bola de 3 no último período para responder uma bola de 3 do adversário.
Em uma entrevista ele disse que gosta de tentar arremessos decisivos porque são eles que importam, é para eles que todo jogador treina por tantas e tantas horas, dias, meses e anos. Mas eu valorizo outra coisa além dessa tal coragem do Fisher. Coragem para dar arremessos decisivos não é difícil ter, tenho certeza de que o Nate Robinson, o JR Smith e até o Sasha Vujacic tem, o negócio é que o Fisher acerta esses arremessos. É impressionante a precisão dele quando não pode errar.
O quarto período do Lakers ontem tinha tudo pra ser um desastre. A diferença de 17 tinha caído pra 2, o Kobe resolveu ser burro e parar de tentar infiltrar (não estava errando as infiltrações, nem estava tentando) e não acertava um dos arremessos contestados que tentava, Artest é Papai Noel no ataque, não existe, e Gasol e Bynum estavam bem marcados. Com a bola na mão e o relógio de 24 segundos se aproximando do fim, o Fisher resolveu ser agressivo. E assim marcou 15 pontos, 11 no último quarto. Incluindo a jogada decisiva, uma bandeja com falta a menos de um minuto do fim jogo que abriu 7 pontos de vantagem para o Lakers.
Aqui os melhores momentos do Fisher no 4º período:
Mas os dois minutos finais não tiveram só o Fisher como protagonista, tiveram também a juizada. Eles conseguiram errar três vezes seguidas em menos de 30 segundos e ainda precisam agradecer por terem sido salvos pelo replay duas vezes. Primeiro marcaram uma posse de bola para o Celtics quando o Garnett tinha sido o último a tocar na bola, viram o replay e corrigiram. No ataque seguinte deram bola do Lakers quando a bola tinha tocado no Odom, a TV salvou os juízes mais uma vez. Aí a terceira foi uma palhaçada: a bola tocou por último no Odom antes de sair para fora depois de um lance livre errado do Perkins, mas o Odom só não conseguiu segurar a bola porque sofreu uma falta do Rondo, que deu um tapa na mão do ala do Lakers. Mas acontece que a regra diz que o replay não permite aos juízes corrigirem marcações de falta, só de posse de bola. E aí deram bola para o Celtics.
Para a sorte dos juízes, o Garnett não foi muito inteligente nessa posse de bola. Quando o Ray Allen partia para a cesta para tentar diminuir a diferença, KG deu um empurrão no Gasol, que se jogou no chão como um bom aprendiz exagerado do Ginóbili e deram a falta de ataque. Os juízes sabiam que tinham errado e estavam babando por uma chance para compensar, o que o Garnett tinha na cabeça para dar o motivo? Fair Play?
Até agora os jogos tem sido decididos por que time consegue ter menos jogadores em dias péssimos e pelos que tem seus poucos bons jogadores pegando fogo no fim das partidas. Aguardo ansiosamente pelo dia em que os dois times vão conseguir ter todos os seus jogadores em um bom dia, talvez só assim para vermos com um pouco mais de clareza qual é o melhor time da final.
Não esqueça de participar da nossa promoção das Finais. São 7 prêmios! Clique aqui para ver as regras, os prêmios e lá no fim do post algumas respostas às dúvidas dos leitores.

>

Se não dá no jeito, vai na força

É hoje! Às 22h começa a primeira partida da final da NBA entre Los Angeles Lakers e Boston Celtics. Esperem por um STAPLES Center bombando de tensão e de celebridades, em Los Angeles não falta gente famosa querendo aparecer por alguns segundos em rede nacional. Nem precisa gostar muito de basquete, só precisar estar em LA e ter grana. Como já disse o Paul Pierce para apimentar as finais, “Lá são celebridades indo assistir celebridades, em Boston o pessoal entende mais do jogo”. A essa altura qualquer opinião inocente já cria discussões e mais rivalidade para a partida.

Nessa semana já falamos das diferenças entre os dois times de hoje em relação aos que se enfrentaram em 2008 e fizemos uma análise da superação do Celtics, o que o Danilo chamou de “time de pagodeiro”. Para finalizar essa primeira parte de previews, o que os dois times devem fazer para se consagrar como campeões da temporada 2009-10.

O que o Lakers precisa fazer para vencer a série:
Dificilmente o Celtics irá usar por tanto tempo uma defesa por zona como o Suns usou, não é a característica deles, mas depois de ver a dificuldade que o Lakers sentiu, talvez o Celtics use essa tática em determinados momentos do jogo e eles o farão com jogadores mais talentosos defensivamente do que o Suns. O primeiro passo para o Lakers vencer essa série é saber furar a defesa verde. Tarefa ingrata que Heat, Cavs e Magic ainda pensam em como realizar.
O Celtics teve, desde a temporada regular, uma das melhores marcas da NBA em aproveitamento de arremessos do adversário. Mesmo quando perde os jogos costuma segurar o oponente na casa dos 45% de acerto e é sonhar alto demais para o Lakers imaginar que irá conseguir superar essa marca em todos os jogos. Talvez em um ou dois dias mais felizes, mas só isso. Deve-se saber que os placares não serão altos, que a defesa do Celtics é agressiva e saber lidar com isso sem desespero e afobação. Quando se enfrenta uma defesa forte, é fácil alguém querer resolver tudo sozinho (estou olhando pra você, Sr. Bryant) ou ser obrigado a ficar lançando arremessos de três com marcação na cara. Essas duas coisas resultam em turnovers e rebotes longos, as duas coisas que o Lakers mais deve evitar.
Os turnovers deixam a vida do Celtics mais fácil, impulsionam os contra-ataques em que o Rondo e o Tony Allen finalizam com velocidade e o Ray Allen tem um arremesso livre de 3 pontos na transição. Os rebotes longos causam os mesmos contra-ataques e ainda impossibilitam os pivôs do Lakers de brigarem pelo rebote ofensivo. Ofensivamente, portanto, o Lakers deve ter paciência para atacar a cesta e forçar pouco os arremessos, vai precisar de paciência e de calma para aceitar que contra o Celtics não dá pra ganhar jogos fazendo 120 pontos. Também será essencial o trio Lamar Odom, Pau Gasol e Andrew Bynum lutar por boas posições para o rebote ofensivo, esses rebotes podem render os pontos mais fáceis do Lakers na série.
Ainda no ataque será importante desde cedo explorar o duelo entre Pau Gasol e Kevin Garnett. O KG teve uma vantagem impressionante nesse matchup em 2008 e o Lakers precisa que isso não se repita, o negócio é botar o Gasol pra trabalhar desde o começo do jogo e deixar ele ser agressivo. O espanhol precisa de confiança e de uma quantidade decente de arremessos para descobrir o caminho das pedras contra a defesa bem física do KG. Para o técnico Phil Jackson essa disputa entre os dois pode ser o que irá definir a série.
Eu não vejo da mesma forma, acho que o Lakers tem a chance de ganhar essa série na defesa, chance que nunca teve em 2008. Na época, ou eles achavam um jeito de furar o muro do Boston ou estavam ferrados, porque não tinham talento individual para segurar na defesa. Hoje, porém, o Lakers evoluiu demais na defesa e tem vencido nos playoffs ao se focar nesse lado da quadra. Contra Thunder e Suns, os confrontos mais complicados da pós-temporada, o time se acertou quando conseguiu limitar a produção ofensiva de Russell Westbrook, Kevin Durant, Steve Nash e Amar’e Stoudemire. Segurá-los deixou o Lakers vencer mesmo em dias em que o ataque não estava inspirado. Agora é a vez do mesmo esquema defensivo parar Rondo e Pierce.
O confronto mais importante, portanto, acaba sendo Ron Artest contra Paul Pierce. Enquanto Rondo lidera a equipe durante quase todo jogo, o ala é quem chama o jogo no quarto período. Se o Artest conseguir parar o Pierce, o Celtics terá que abusar das infiltrações do Rondo e só, virando um time ainda difícil, mas previsível. E para parar Rondo, tarefa que ninguém chegou perto de conseguir nesses playoffs, o segredo é não apostar no mano-a-mano.
Embora os estilos não sejam iguais, uma boa comparação é o que o Lakers fez com o Deron Williams. Já que o Fisher não podia pará-lo no 1-contra-1, o Phil Jackson montou uma defesa em que os pivôs estavam sempre com um olho no Deron, fechando sua passagem para a infiltração sempre que o armador tentava o bote. Caras que não podem ser marcados individualmente pedem atenção do resto do time e assim eles podem ser controlados. O que o próprio Celtics fez com o LeBron James é o que o Lakers precisa fazer com o Rondo. E considerando o sucesso que essa estratégia deu com Deron Williams e Nash, não vejo porque não pode pelo menos minimizar a eficiência do Rajon Rondo.
O que o Celtics precisa fazer para vencer a série:
Lembra desse post do Danilo comentando as defesas do Celtics contra o Cavs? Nele, está postado um depoimento do Garnett dizendo “Ataque? Que ataque? Só pensamos em defender”. Podem pensar a mesma coisa para essa série contra o Lakers. O ataque do Celtics é bem simples: algumas isolações do Paul Pierce, Ray Allen vai tentando se livrar da marcação sem a bola para ficar livre e Garnett faz bloqueios e pick-and-rolls. Rondo assiste a tudo isso e cabe a ele tomar as decisões corretas. É tudo bem simples, não marca 130 pontos em ninguém, mas costuma ser eficiente o bastante quando a defesa funciona.
Outro motivo para o ataque poder ser simples é que quando a defesa pára o adversário, eles nem sempre precisam confiar no seu ataque de meia-quadra. Tem jogada mais mortal do que o contra-ataque do Celtics? Rondo é rápido como o diabo, Paul Pierce nunca termina uma infiltração sem a cesta ou pelo menos uma falta, e ainda tem o Ray Allen que escapa para um arremesso de três livre. Não tem nada mais Celtics do que deixar um jogo amarrado e, de repente, em 5 posses de bola, forçar 5 erros e abrir uns 10 pontos de vantagem.
Eu não sou ninguém pra dizer o que o Celtics deve fazer pra defender, eles sabem mais que qualquer um na NBA, mas conhecendo bem o meu Lakers, pensei em algumas coisas. A primeira delas é não confiar na marcação mano a mano na defesa. Sim, eu sei que Garnett é capaz de parar o Gasol e o Perkins é capaz de parar o Bynum, mas pra quê correr o risco? O Suns teve enorme sucesso em anular os dois pivôs do Lakers ao dobrar a marcação neles e forçar os arremessos longos de 2 ou as bolas de 3, duas coisas em que o Lakers não é especialista. Na série contra o Suns, principalmente no jogo 6, Derek Fisher, Kobe Bryant e Ron Artest acertaram a pontaria e garantiram a vitória, mas foi exceção, não regra. O Celtics poderia obrigar o Lakers a jogar fora do garrafão com as dobras de marcação e se por acaso as bolas começarem a cair, aí sim confiar na marcação individual.
Na teoria é bem mais fácil que na prática, afinal não é sempre que dobrar a marcação é uma boa idéia, não é só correr em direção ao cara com a bola, ainda mais contra um time que passa a bola tão bem como o Lakers, mas no momento certo é uma tática ótima. Por exemplo, é mais útil o Paul Pierce ajudar na dobra do que o Rajon Rondo. Pierce é mais alto, atrapalha mais o passe do espanhol (que é ótimo) e deixa livre o Ron Artest, pior arremessador do Lakers. Já Rondo atrapalha menos pela altura (embora seja um bom ladrão de bola) e deixa livre o Derek Fisher, que pela milésima vez na carreira está acertando arremessos decisivos na pós-temporada.
Também é mais inteligente dobrar a marcação quando o Gasol estiver numa posição da quadra onde seja mais difícil acertar um passe, ou quando ele já tiver parado de driblar e correr o risco de andar com a bola. São vários detalhes básicos do basquete que todo jogador do nível da NBA sabe (ou pelo menos deveria saber) e que podem decidir se essa escolha de dobrar a marcação vai ser um sucesso ou não. Minha aposta é que isso pode machucar muito o jogo de garrafão do Lakers e ser uma das soluções para o Celtics vencer essa batalha. O Celtics pode se beneficiar muito se o ataque do Lakers for parado por turnovers ao invés de arremessos errados, assim eles correm menos risco de sofrer pontos com os rebotes ofensivos. Não custa lembrar que o Celtics foi um dos piores times da NBA (sim, perto de Wizards e Nets) nos rebotes de defesa na temporada regular.
Com o garrafão do Lakers menos participativo, o ataque fica bem mais previsível. Claro que o Kobe vai tentar fazer milagres e eventualmente vai fazer, mas nunca que ele, sozinho, vai ganhar uma série de 7 jogos contra um time tão bom quanto o Celtics. Pode ganhar um jogo, mas não 4. E com Kobe não tem segredo, é colocar um cara para marcá-lo, provavelmente Pierce, com Tony Allen vindo do banco, e não cair nos fakes que ele faz antes de arremessar. Para marcar Kobe Bryant o negócio é não sair do chão, não tentar ser herói, e aceitar que vez ou outra você vai tomar um arremesso humilhante no meio da fuça. O que o Celtics precisa saber, e sabe, é que mesmo que Kobe faça 30 pontos por jogo o Celtics pode vencer.
Palpite: Lakers 4 x 3 Celtics. Como eu já disse no meu último post, sempre considero o time da casa favorito em uma final por causa do sistema 2-3-2, em que o time sem mando é obrigado a vencer 3 jogos seguidos para manter seu domínio em casa. Nesse nível disputado é muito difícil qualquer time vencer três partidas seguidas.

Também pesa o fato do Lakers estar invicto em casa nessa pós-temporada. Acredito que em 7 jogos o Lakers vença pelo menos três em casa e um fora. O Celtics até arranca um em Los Angeles como em 2008, mas precisa ou vencer duas em LA ou faturar as três seguidas em casa, bem difícil.

E apenas para reforçar a igualdade nessa série vale lembrar dos confrontos da temporada regular: uma vitória do Lakers em Boston por 1 ponto de diferença e uma vitória do Celtics em LA por um ponto de diferença. Vai sair sangue!

>

O amor move montanhas e ganha jogos


Eu disse que o Lakers precisava melhorar o ataque. O Kobe Bryant disse que o Lakers precisava melhorar a defesa. Adivinha quem o Phil Jackson escutou? Pois é, não dá pra culpá-lo, acho que o Kobe entende um pouco mais de basquete que eu. Mas só porque ele é mais velho, claro.

O ajuste defensivo do Lakers deu certo durante quase todo o jogo. A estratégia era trocar o marcador sempre que houvesse um corta-luz. Ou seja, se o Amar’e, marcado pelo Gasol, faz um bloqueio para o Nash, o Gasol marca o Nash e o Fisher tenta impedir o passe para a continuação da jogada. Essa estratégia faz com que o Nash fosse obrigado a passar mais tempo com a bola na mão e que ele fosse obrigado a arremessar mais e passar menos. O Steve Nash fez uma partida espetacular dentro dessa situação que o colocaram, com 29 pontos, a maioria arremessando sobre Gasol, Bynum, Odom ou qualquer gigante que fizesse a troca em cima dele.

Mas aqui vale a mesma observação que fizemos ontem sobre o Dwight Howard. Assim como o Magic joga melhor quando o Dwight toca menos na bola no ataque, o Suns joga melhor quando todo mundo participa, não quando o Nash faz tudo. Só com o Nash, o ataque fica mais previsível e todo mundo se movimenta pouco, deixando tudo mais fácil para o Lakers. Mas não foi só isso, o time de LA também jogou com mais inteligência, fechando o garrafão nas tentativas de infiltração do Suns, causando faltas de ataque e bem menos lances-livres.

Foi com essa defesa forte que o Lakers chegou a abrir 17 pontos no primeiro tempo. Mas não foi só assim, o ataque melhorou demais em relação aos últimos dois jogos. Para enfrentar a zona o Lakers resolveu, finalmente, atacar a cesta. O Odom fez a festa saindo do perímetro ou de trás de seu marcador para se posicionar no ponto fraco da defesa zona 2-3, entre as duas linhas de defesa, e então fazendo bandejas. Outra coisa que mudou foi o posicionamento dos pivôs, especialmente de Pau Gasol, que conseguiu ficar mais perto da cesta, aí era só receber a bola e finalizar rápido, antes que aquela marcação dupla ou tripla fizesse ele jogar a bola para fora do garrafão de novo.

Outro mérito enorme no ataque do Lakers vai para o Derek Fisher. Passamos a temporada inteira comentando como ele está velho, como não consegue mais marcar ninguém e repetimos tudo isso aqui mesmo nos playoffs, quando ele foi esmagado pelo Russell Westbrook na primeira rodada. Mas depois disso o Fisher se revolucionou. Na segunda rodada fez um ótimo trabalho marcando o Deron Williams e nessa série está marcando muito bem o Nash, em especial nos jogos 1 e 2. Ontem foi a hora de contribuir no ataque e toda vez que o Lakers se perdia naqueles passes sem objetividade ele aparecia para resolver acertando um arremesso longe. Foram 22 pontos e sempre nos momentos mais importantes e tensos do jogo.

Não faltaram momentos importantes nessa partida. Mesmo depois de abrir 17 pontos no primeiro tempo, o Lakers não conseguiu manter a diferença e o Suns respondeu diminuindo para 7. Depois, no segundo tempo, o Lakers abriu ainda mais, 18, mas de novo o Suns voltou. As corridas do Suns de volta no placar sempre aconteceram quando o centro do jogo não foi o Nash, que mantinha o time no jogo mas não era capaz de virar o placar só com seus arremessos de meia distância. Eles tiraram a vantagem quando conseguiam parar o ataque do Lakers e atacar na velocidade, na transição. Foram em jogadas assim que sairam os arremessos de 3 do Channing Frye, o arremesso de 3 com falta para o Jared Dudley e a bandeja com falta do Jason Richardson. Como disse o comentarista (e recém-contratado para a vaga de técnico do Philadelphia 76ers) Doug Collins, “Times que arremessam tão bem de 3 nunca estão completamente fora do jogo”.

A reação do Suns nasceu na defesa, virou ataque e em poucos minutos os 18 pontos de diferença viraram 3 e o relógio marcava um minuto para o fim da partida. Então o Ron Artest deu um arremesso, errou e o Gasol pegou o rebote. O Lakers poderia matar 24 segundos do relógio e manter a diferença em 3 pontos, mas ao invés disso o Artest resolveu que era a hora de um segundo arremesso seguido e, tendo gastado só 2 segundos de posse de bola, chutou de 3, errando feio.

Esse erro do Artest poderia ser fatal, mas Channing Frye respondeu errando outra bola de três. Foi a vez do Lakers ir para o ataque e errar de novo, dessa vez Pau Gasol tentou enterrar na cara de Amar’e Stoudemire e acertou o aro. Para a sua última posse de bola no jogo o Suns foi de novo para a bola de três, aí Nash errou uma bola de 3, o Suns pegou o rebote, Jason Richardson errou outra bola de 3 e quando parecia que esse seria o minuto final mais desastroso dos playoffs, a bola caiu de novo para Jason Richardson, que acertou um arremesso de três usando a tabela (quem joga basquete sabe que isso não deveria valer!) e empatou o jogo.

Se já deixavam os outros arremessarem para marcar o Kobe antes, imagina o que o Suns ia fazer no último arremesso do jogo? Pois é, mandaram um monte de gente pra tentar parar o Kobe e conseguiram pará-lo. Saiu uma air ball feia da mão dele, mas assim como um erro do Kobe rendeu a cesta da vitória de Pau Gasol no jogo 6 contra o Thunder, ontem foi a vez do rebote ofensivo ser de Ron Artest, que fez a cesta no estouro do cronômetro. Nunca um minuto final com tantos erros foi tão emocionante e divertido!

Sério, as únicas duas cestas desse período foram um rebote de air ball e uma bola de três rabuda usando a tabela. Mas era exatamente esse tipo de emoção que a gente estava pedindo na pós-temporada. Mesmo com erros no final, o jogo foi bem jogado, Nash e Kobe jogaram muito e o jogo foi decidido no último segundo possível, os fãs não tem do que reclamar.

Quem tem é o Suns, que perdeu um jogo que tinha boas chances de ganhar e o fez tomando uma cesta do pior jogador ofensivo do Lakers. Muita gente tem falado que o Suns deve estar se matando porque perdeu um jogo simplesmente por não ter colocado um corpo na frente do Ron Artest, o famoso “box out”. Essa crítica valia para o Thunder no jogo 6, na cesta do Gasol que eu citei, mas ontem nem tanto. Todo mundo que está no rebote sempre espera a bola bater no aro, pegar o rebote de um arremesso que passa reto é bem mais complicado, dá pra entender a falha.

Espero mais uma partidaça no jogo 6. O Lakers melhorou, se ajustou ao Suns, que vinha sendo o melhor time nos últimos jogos, e mesmo assim o jogo foi disputadíssimo. Não dá pra esperar que seja diferente no próximo, só esperaremos um final de acertos, não de erros.

Abaixo o vídeo da cesta do Ron Artest:

E tem outro vídeo, o do técnico Alvin Gentry, que não aguentou ver tantos erros do seu time.

>Os substitutos

>

Vida de juiz é tranquila

Se tem um assunto que ninguém gosta de falar é de juiz. Às vezes vendo algumas mesas redondas de futebol pode parecer o contrário, mas se você ver bem a cara de desgosto de cada um daqueles comentaristas irá ver que eles sofrem quando fazem aquilo. Juiz só é assunto quando erra e tem vida pior que vida de goleiro.

Mas não tem jeito, o assunto mais importante atualmente da NBA é uma possível e iminente paralisação dos árbitros da liga, os da National Basketball Referees Association. Assim como os jogadores, de tempos em tempos os árbitros negociam com a NBA um contrato que define o quanto eles vão ganhar e seus benefícios em relação aos lucros totais da NBA. O último contrato venceu no início do mês e os dois lados não chegaram a um novo acordo.

Não é a primeira vez que isso acontece, já houve uma paralisação semelhante em 1995. Naquela época a NBA foi obrigada a buscar árbitros de outras ligas para cobrir o buraco e não precisar adiar a temporada. O resultado foi desastroso mas com lados bons também. O começo foi terrível: os jogadores questionaram muito as atitudes dos novos árbitros e duvidavam de todas suas marcações, Charles Oakley chegou a dizer que precisavam de cinco árbitros novos para dar um antigo.

Depois de 68 dias de paralisação um acordo foi definido e os juízes voltaram para o seu trabalho, ganhando um sonoro “Aleluia” do jovem Chris Webber, feliz de poder voltar a xingar os juízes com quem tinha mais intimidade.

Para se ter idéia da preparação dos árbitros que herdaram a NBA naquele momento, um dia um juiz disse ao Chris Mullin que tinha apitado pouco tempo antes um jogo de seu irmão, Terrence Mullin, jogador de uma liga amadora de basquete.

Mas estranhamente a paralisação foi também boa. Hoje, 12 dos 60 árbitros ativos na NBA entraram para a liga durante essa paralisação de 95. Outros entraram como substitutos durante outras paralisações e greves, que já ocorreram em 83 e 77. As paralisações, apesar das dores de cabeça, acabaram sendo, na história da NBA, o momento em que houve mais renovação no quadro de árbitros.

Isso tudo aconteceu com paralisações em que os substitutos vieram de tudo quanto é lugar, agora é diferente. Se em 95 foram caçados caras até em ligas amadoras, dessa vez a grande maioria dos 60 escolhidos tem experiência na D-League, a liga de desenvolvimento da NBA, e na WNBA. Duas ligas que tem a chancela da NBA e que contam com programas rígidos de treinamento de árbitros. Também foram atrás de juízes experientes da NCAA. Joel Litvin, presidente de operações de basquete da NBA, disse que se os árbitros da NBA são os 60 melhores do mundo, os subsitutos são os 60 seguintes.

A declaração tem até fundamento, considerando a origem desses substitutos, mas é incoerente já que nessa lista está Michael Henderson, árbitro demitido da NBA em 2004. O Denver vencia por dois pontos o Los Angeles Lakers a 27 segundos do fim, e depois de um arremesso errado do Andre Miller o Carmelo Anthony pegou o rebote ofensivo que mataria o jogo. Porém, o Henderson não viu a bola batendo no aro e deu violação de 24 segundos. O Lakers então ganhou a posse de bola e virou o jogo num arremesso de 3 do grande Kareen Rush.

Na época foi uma polêmica grande essa demissão porque erros acontecem sempre e nunca haviam sido punidos de tal forma. Como protesto, dias depois, 28 dos 30 árbitros em ação naquele dia usaram suas camisetas do avesso com o número 67, usado pelo Henderson, desenhado nas costas.

Como resposta, Litvin disse simplesmente que convidou Henderson por ser um cara com experiência em arbitrar jogos da NBA. Comentários sobre essa e outras atitudes só de parte dos jogadores; a NBA proibiu donos de times e General Managers de comentarem qualquer coisa relacionada à paralisação.

Entre os jogadores, a opinião sobre o uso de substitutos é dividida. O Chris Paul disse que acha que não vai mudar em nada, seu rival de armação Jason Kidd acha que haverá um tempo de ajustes que pode render algumas polêmicas. Outro armador, o Derek Fisher, disse que os fãs da NBA merecem o melhor produto que se pode oferecer e por isso merecem os melhores árbitros.

Dos jogadores concordo mais com o Fisher. Não é que os 60 novos não podem dar conta do recado por um tempo, parece que são capacitados, mas se a NBA se orgulha de ser a melhor liga do mundo e o próprio Joel Litvin acha que os 60 atuais juízes são os melhores, deve fazer de tudo para mantê-los e não usar os 60 seguintes.

Como disse antes, é nas paralisações que se renovaram sempre o quadro de árbitros. E não é que isso seria uma boa agora? Claro que não é o jeito ideal, mas de alguma forma pode ser bom para a NBA. Assistindo aos jogos você percebe que muitos juízes estão condicionados a fazer a mesma coisa: marcar faltas em cada infiltração do Wade, faltas a cada movimento corporal do Oden, não marcar andadas óbvias do LeBron e por aí vai. Reclamações sobre a arbitragem estavam a toda na temporada passada, será que caras novas não podem mudar isso? Vale a tentativa.

Só vale a pena ressaltar que essa necessidade de paralisações para se buscar novos juízes é um bocado estúpida.

Talvez o lado mais decisivo dessa questão toda seja o lado financeiro, afinal é o que desencadeou todo o processo de paralisação. Pelo o que eu pesquisei, os números do antigo acordo eram de que um árbitro novato ganha em média 80 mil dólares por ano e um veterano chega a ganhar entre 300 e 400 mil dólares.

Eles também ganham muita grana a cada rodada de playoff que são escolhidos para apitar, mas essa é uma tarefa difícil. A NBA chega a esperar um juiz ter quase uma década de experiência para liberá-lo para os playoffs. Além disso tudo, os juízes tem na faixa as viagens, hospedagem, refeições e uniformes.

Dinheiro pouco obviamente não é, mas se você pensar que os juízes são parte fundamental de um jogo que movimenta números zilionários, faz sentido eles pedirem um pouco mais. Os dados das negociações que estão empacadas não foram divulgados por ninguém, mas o que dizem é que eles chegaram em um acordo sobre o salário mas que têm divergências ainda na área de pensões e indenizações. Não sei ao certo o que isso quer dizer no mundo dos juízes profissionais mas é o que está ainda em aberto.

Como em quase toda greve, o que piora o problema é a falta de comunicação. Dizem que a NBA tinha feito uma proposta que os árbitros tinham aceitado em parte, mas depois de uma contra-proposta da liga, os árbitros voltaram atrás em coisas que já tinham aceitado, o que deixou o David Stern furioso. A associação dos árbitros então ficou mais brava ainda com uma “proposta irrisória” do David Stern e a briga ficou pessoal, com nenhum dos lados querendo ceder.

A proposta irrisória é, segundo o Stern, fruto da crise econômica, que fez com que todos na liga tivessem cortes financeiros, portanto os juízes teriam que entrar na onda dos cortes.

Vimos que isso é verdade com o desespero de vários times em não pagar multas por ultrapassar o limite salarial. Também foi óbvio que jogadores disponíveis como Allen Iverson, Raymond Felton, Lamar Odom e Ron Artest teriam conseguido salários bem maiores em um tempo em que os times não estivessem com o dinheiro tão contado.

A sugestão de algumas pessoas é que os juízes façam o que alguns desses jogadores fizeram. Assim como o Felton fez ontem mesmo com o Bobcats, os juízes poderiam topar a proposta do Stern mas por um período curto, de um ou dois anos, e depois voltar para cobrar mais quando a crise não for mais desculpa.
Embora esse conselho faça sentido, é difícil comentar esse lado financeiro sem saber de cifras ao certo. O que dá pra saber é que para o bem da imagem da NBA era bom o Stern arranjar um jeito de agradar os juízes. Ver resultados questionados com árbtiros substitutos não é o tipo de manchete que o Stern quer ver sobre sua liga. Para os árbitros também é melhor chegar em um acordo rápido. Eles obviamente precisam do trabalho para continuar com suas vidas e estão com esses substitutos babando por suas vagas.

Por fim há os jogadores e nós, torcedores. Para esses o melhor é ter a melhor das arbitragens, sejam os titulares ou os substitutos. Mas só saberemos se vamos ter saudade daqueles que xingávamos até alguns meses atrás quando observarmos os substitutos em ação.

E tudo começa já no dia 1 de outubro, com o início da pré-temporada. Quem diria que além de novas escalações estaríamos ansiosos para ver os árbitros? A história de que ninguém paga pra ir assistir ao juiz foi para o ralo.
1 2 3 4