?O time que não sabe perder

?O time que não sabe perder

Com 11 vitórias e 30 derrotas, incluindo 10 derrotas nas últimas 11 partidas, além da contusão de Justise Winslow, o jovem jogador mais promissor do elenco, estava bem claro que a temporada do Miami Heat já tinha descido privada abaixo. Até mesmo Pat Riley, diretor da franquia e famoso por não desistir de temporadas fracassadas, foi a público falar em “reconstrução”. O elenco, assolado pelas lesões, teve que recorrer a um jogador da D-League, Okaro White, nunca draftado e que jamais havia jogado um minuto de basquete na NBA. E desde então o Miami Heat venceu 11 jogos consecutivos, incluindo vitória em cima do Golden State Warriors, e está apenas a duas vitórias de entrar na zona de classificação para os Playoffs. O projeto de reconstrução, pelo jeito, está dando muito errado. Okaro, amuleto da sorte, já conseguiu um contrato oficial pelas próximas duas temporadas.

Não é a primeira vez que um Miami Heat preparado para o fracasso simplesmente não consegue perder. Depois do fracasso da temporada 2007-08, em que o Heat terminou em último lugar da NBA com apenas 15 vitórias e desmontou todo o elenco, efetivamente se livrando de um Shaquille O’Neal em fim de carreira, o time estava pronto para um processo de reconstrução.

A separação

A separação

Há alguns anos, pensar em Dwyane Wade fora do Miami Heat era uma piada. Algumas coisas na NBA nunca mudam: Kobe Bryant joga no LA Lakers, Tim Duncan no San Antonio Spurs, Dirk Nowitzki no Dallas Mavericks e Wade, claro, no Heat. Em uma franquia relativamente jovem, ele era o seu principal rosto, nome, recordista e dono de três anéis de campeão. Se hoje a franquia é considerada um exemplo de gestão vitoriosa, Wade é parte essencial disso. Falar de Wade fora dessa franquia era, repetimos, uma piada. Uma que o próprio jogador resolveu fazer na televisão:

https://www.youtube.com/watch?v=_yZj_yZ6m1o

Quando aconteceu, foi um choque diferente da decisão de Kevin Durant deixar o seu OKC Thunder. Naquele caso o seu destino impressionou mais que a saída em si, mas com Wade nem importava onde ele iria jogar, a notícia do dia era que ele não era mais do Miami Heat. Só isso. Como foi possível?!

Um Joe Johnson a menos

Um Joe Johnson a menos

Quando o Brooklyn Nets mandou Joe Johnson embora a troco de nada (a não ser uma pequena economia, já que Joe Johnson aceitou receber 3 milhões a menos do seu contrato de 24 milhões como “incentivo” para ser liberado), cogitou-se que o time iria afundar de vez. Se o time já era o terceiro pior time da NBA com ele (na frente apenas de Sixers, Lakers e Suns), imagina sem ele. Não que Joe Johnson seja, hoje, uma grande estrela que carregue o Nets nas costas, claro. Seu contrato gordíssimo atual ainda é resquício de uma época em que Joe Johnson era visto como um dos jogadores mais completos da NBA, uma máquina de pontuar que precisava apenas da oportunidade certa para liderar um time rumo a um título. Essa promessa nunca se realizou, seu estilo de jogo nunca foi capaz de decidir jogos sozinho, a oportunidade não se concretizou e Joe Johnson foi rebaixado ao numeroso grupo de jogadores talentosos-porém-esquecíveis – e ao seleto grupo de piores contratos da NBA. Ainda assim, Joe Johnson era um dos últimos bastiões de talento e versatilidade numa equipe completamente carente de qualquer coisa, de um jogador capaz de fazer a diferença, de um futuro, de um chamego. Sem ele, o que restaria?

Hora de apostar

Hora de apostar

Quando os jogos de pôquer começaram a aparecer na TV, muitos e muitos anos atrás, gostei da brincadeira e aprendi as regras. Serviu para descobrir que sou muito ruim, que não tenho paciência para jogos longos, não sei ler os meus adversários e nem disfarçar quando estou frustrado com as minhas cartas. Mas essa minha vida de derrotas na mesa me serviu para uma coisa que eu uso com regularidade, conhecer o conceito de all in.

O all in é quando um dos jogadores coloca todas suas fichas na mesa no mesmo lance, uma aposta decisiva que pode tirá-lo do jogo imediatamente em caso de derrota. Seja porque sua mão é ótima ou porque ele quer que seu adversário pense que esse é o caso, ele arrisca todo o seu jogo e dinheiro de uma vez. Passei muito tempo sem sacar direito qual era a dessa jogada, parecia às vezes excesso de confiança, às vezes saco cheio com o jogo ou, claro, total falta de noção. Acontece porém, que além do simples blefe, existem situações onde o all in é racionalmente a melhor decisão.

Os que ficaram

Os que ficaram

Quando LeBron James resolveu voltar para Cleveland e abandonar a equipe com a qual jogou quatro finais em quatro anos, ganhando dois anéis de campeão no processo, seus parceiros de time precisaram decidir também seus futuros na franquia. Dwyane Wade mostrou o desejo de se aposentar no mesmo Miami Heat que o draftou em 2003, e no qual ele ganhou três campeonatos. Por mais triste que fosse ver seu último par de bons anos numa quadra de basquete sendo gastos em um time em reconstrução, depois de construir esse legado em Miami já não lhe fazia sentido ir embora e tentar se manter relevante em outro lugar. Mas para Chris Bosh, decidir seu futuro era muito mais difícil, especialmente porque o meu Houston Rockets colocou na mesa um contrato máximo de quatro anos para que ele se juntasse a James Harden e Dwight Howard rumo a uma chance real de título. Bosh ter recusado a oferta do Rockets e decidido continuar em Miami é algo que mostra muito de sua personalidade, mas também o modo como a NBA lidou com seu talento desde que foi draftado pelo Toronto Raptors.

Quando chegou à Liga, Bosh já era um protótipo do que viriam a ser os “novos alas de força“, com arremessos de média distância, bom controle de bola e a capacidade de driblar seus marcadores em direção à cesta. Lembrava o Kevin Garnett do começo de carreira, com potencial para armar o jogo e arremessar de fora. Mas por conta do seu tamanho e das limitações do elenco daquele Raptors, Chris Bosh foi improvisado como pivô e apesar de todas as dificuldades físicas pelas quais passou no processo, foi incrivelmente bem sucedido. Estando no Canadá, Bosh aprendeu rapidamente os pontos positivos e negativos de não se localizar no centro da atenção da mídia.

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