Spurs líder, Sixers ladeira abaixo

Acho que boa parte das pessoas passaram o feriado longe de casa, certo? Praia, campo, 14 horas de trânsito, não importa. Para salvar essas almas que passearam para merecido descanso, um resumo de tudo o que aconteceu desde a rodada de sexta-feira até esse domingo à noite. Foram 27 jogos e, claro, não falaremos de todos. Mas o que aconteceu de importante está aqui.

Sexta-Feira Santa no Trânsito indo para a Praia Grande

Como sobreviver a um dia sem comer carne? O Danilo está sobrevivendo há 3 semanas, então perguntem pra ele, eu não tenho ideia ainda. Carne, NBA e bacon (que não é carne, é algo especial e divino) são essenciais para minha vida. Na sexta-feira um dos jogos mais importantes foi logo o primeiro da rodada, a vitória do Indiana Pacers sobre o Oklahoma City Thunder. O Pacers impressionava no começo da temporada por vencer os jogos mais feios da liga, atuavam mal, forçavam o outro time a serem ainda piores e venciam por desgosto. Mas aos poucos melhoraram, Danny Granger está sendo espetacular desde o All-Star Break e eles bateram o líder do Oeste. Digo, o ex-líder do Oeste. Depois de liderar a conferência por toda a temporada, essa derrota, somada a mais uma vitória do Spurs, mudou a cara da conferência mais forte da NBA.

Não foi por falta de esforço de Kevin Durant. Com seu time perdendo por 20 ele resolveu fazer o que faz de melhor: arremessar sem parar não importa de onde. Assim fez 24 de seus 44 pontos nos últimos 15 minutos de jogo, fazendo a diferença de 20 do Pacers cair para apenas 5 no minuto final de partida. Só que foi tarde demais, o time de Frank Vogel soube manter os nervos no lugar e segurar a vantagem nos últimos segundos. O Pacers é um dos times mais fortes da NBA quando seu ataque funciona, ainda mais quando Danny Granger (26 pontos) e Roy Hibbert (21 pontos) estão em dias bons ao mesmo tempo, pena que não é sempre. O Thunder parecia imparável até pouco tempo, mas ultimamente parecem um tiquinho mais humanos, podem se ferrar se pegarem um time que sabe explorar seus defeitos nos playoffs.

A liderança do Spurs foi garantida na mesma noite quando eles bateram em casa o Hornets. Foi a 10ª vitória seguida do time de Popovich, que não deixou nenhum jogador seu atuando por mais de 22 minutos em quadra. O Spurs sempre vai bem, isso não é surpresa, mas ao contrário do ano passado, está dando medo de verdade. Chegaram naquele ponto em que fazem tudo direitinho, tudo certo e parecem uma máquina de basquete que já está no automático. O pobre Hornets apanhou de 128 a 103! E sem Eric Gordon (31 pontos) era capaz de ter tomado de ainda mais. Após o jogo o técnico Monty Williams disse que seu time “não seria capaz de defender uma bicicleta mesmo se tivesse montado nela”. É… vou torcer para ser uma expressão idiomática que eu não conheço.

O dia ainda teve outros jogos importantes para os playoffs do Oeste: O Mavs, atual campeão, por incrível que pareça, ainda corre muito risco de ficar fora da pós-temporada. Estão 1.5 jogos na frente do Suns, 9º colocado. Entre eles o Denver Nuggets na última vaga. O Mavs pegou o Blazers em casa e acabou derrotado. Estavam indo bem até Raymond Felton, provavelmente o cara mais odiado pela torcida de Portland desde Zach Randolph, fazer 16 de seus 30 pontos (!!!) no terceiro período. No último quarto Jason Terry foi Jason Terry e mostrou porque tem pós-graduação, mestrado, doutorado e curso online em 4º período e levou o jogo para a prorrogação. Mas lá, com o jogo empatado no segundo final, o nativo de Dallas LaMarcus Aldridge selou o jogo em um arremesso sobre o lento Brendan Haywood.

O time de Dirk Nowitzki respirou aliviado porque na mesma noite o Suns também perdeu, mas foi para o Nuggets. Melhor ter o 8º colando na sua bunda se for para o 9º ficar para trás? Acho que sim, mas esse fim de temporada no Oeste vai ser uma confusão só. Arron Afflalo fez 30 pontos, Andre Miller fez 13 de seus 15 no último quarto para o Nuggets na vitória apertada sobre o Suns. Detalhe: JaVale McGee já virou reserva lá, é difícil ter paciência com ele.

O Miami Heat recebeu o Memphis Grizzlies e cometeu apenas 4 desperdícios de bola nos últimos 3 quartos de jogo. Impressionante! Uma pena que nos primeiros 12 minutos de partida tenham tido 10 turnovers e perdido a parcial por 13 pontos de diferença. Os dois times tiveram altos e baixos desde então, mas em geral a diferença ficou nisso e o Heat nunca se recuperou. LeBron James é excelente defensor, mas por algum motivo ele é péssimo contra Rudy Gay, vai entender. Não ajudou o time de Miami que Gilbert Arenas fez seu melhor jogo na temporada e acertou 4 das 5 bolas de 3 que tentou, acabando o jogo

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com 12 pontos. Fechando o dia, Bola Presa Bowl: Lakers x Rockets! Infelizmente, meu Lakers perdeu de novo. O jogo estava disputado até o começo do último quarto, mas aí Andrew Bynum (19 pontos) foi expulso (de novo, já tinha acontecido no último duelo entre os dois) e logo depois Marcus Camby acertou uma bola de 3 pontos, vi que não era dia. Ainda dava no final, mas depois de uma bola de 3 de Chandler Parsons com Kobe (28 pontos) na cara dele e duas daquelas bandejas mezzo Manu Ginóbili mezzo Derrick Rose de Goran Dragic (26 pontos, 11 assistências), o jogo já era: 112-107 Rockets.

Top 10 da Rodada (Destaque para a ausência da ponte aérea do Jason Terry para o Brandan Wright, coisa de Vince Carter!)

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Sábado de Aleluia torrando no sol e comendo camarão no espeto

Sabe os elogios do texto acima? Esqueçam tudo. Ativar memória de torcedor. Depois de vencer o Thunder, o Pacers foi massacrado pelo Boston Celtics: 86 a 72. Lembra como o Pacers foi bem no ataque antes? Foi péssimo nesse dia, acertando horríveis 35% de seus arremessos e não lembrou em nada o time que antes soube variar ataque de garrafão e de perímetro. O Celtics é assim, traz o pior de cada ataque, cada vício e defeito. Estão não só sobrevivendo como crescendo na hora certa com essa defesa. Em um momento do 3º período o Pacers chegou a encostar, mas aí o Celtics decidiu que era 2008 de novo, anulou o adversário na defesa e o trio de Garnett (15 pontos), Ray Allen (19) e Paul Pierce (24) fez os 20 pontos seguintes para os verdes, fim de jogo.

Sábado marcou uma das maiores decepções da temporada para mim. O divertido, defensivo e obediente Philadelphia 76ers está caindo pelas tabelas. Pegaram, em casa, o Magic (que está no meio de uma crise) e conseguiram perder mais uma. Depois de chegar a ser 3º colocado no Leste, agora nem mais lideram a divisão do Atlântico e com a derrota do sábado para Dwight Howard (20 pontos, 22 rebotes) estão em 8º no Leste, sendo caçados pelo Bucks, que derrotou o exausto Blazers no mesmo dia com um 4º período de 30 a 11. O Sixers começou bem, forçando erros e sendo impecáveis no contra-ataque, mas não deslancharam. No 2º tempo o Magic melhorou na defesa e no ataque contaram com grande atuação de Glen Davis (23 pontos). O Big Baby está numa sequência ótima de partidas, lembrando mais o grande jogador do Celtics do que o pedaço de carne desforme e imprestável do começo da temporada. Uma das melhores frases do dia foi de Doug Collins, técnico do Sixers, sobre o drama de estar perto de perder a vaga nos playoffs: “Todo time da liga vive dramas, menos o San Antonio Spurs”.

A disputa louca pelo fim do Oeste ficou um tiquinho mais interessante no sábado porque o Nuggets, 8º colocado, não aguentou o back-to-back e perdeu para o Golden State Warriors de Brandon Rush (20 pontos). O Nuggets, líder da NBA em pontos de contra-ataque por jogo (19) fez só 10 e tomou 25 do Warriors! “Tem sido assim a temporada inteira. Ganhamos do Chicago e aí perdemos para o Toronto. Vencemos Orlando e perdemos de New Orleans, isso já está ficando ridículo”, disse o sábio Ty Lawson sobre a inconstância de seu Nuggets.

E a coisa piorou para eles quando o Suns, que está na cola do Denver, bateu o Los Angeles Lakers, que jogou sem Kobe Bryant pela primeira vez desde abril de 2010. Com dores na tibia da perna esquerda, Kobe decidiu descansar por um jogo. Curiosamente o time não teve problema nenhum para marcar pontos: Devin Ebanks, seu substituto, fez 12 pontos, 10 só no primeiro quarto. Pau Gasol fez 30, Andrew Bynum 23 e o Lakers como um todo 105. Mas de que adianta tudo isso se é pra tomar 38 pontos no 2º quarto, 37 no 3º e 125 pontos no jogo todo? Péssima defesa de transição, da linha dos 3 pontos, de tudo, foi um nojo. Pelo Suns, 23 pontos do zumbi Michael Redd! Espero que o Suns primeiro dê um aumento pra toda área médica do time, depois que contratem Steph Curry e Andrew Bogut do Warriors.

Ainda no sábado, dois jogos interessantes: Primeiro o Grizzlies se manteve na 5ª posição do Oeste ao derrotar o Dallas Mavericks. Foi a mesma receita da vitória deles sobre o Heat na noite anterior: Venceram o 1º quarto com gosto (29 a 10 dessa vez) e só seguraram a peteca o resto do jogo. Mas não graças à grande inteligência de OJ Mayo e sua homenagem a JaVale McGee:

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Pelo Mavs, Lamar Odom jogou só 4 minutos e não voltou mais à quadra. Nessa segunda anunciaram que ele estará fora do grupo e não joga mais até o fim da temporada. Clássica troca que foi ruim pra todos os lados: Mavs, Lakers, Odom e Kardashian.

O outro jogo interessante foi a revanche entre DeMarcus Cousins e Blake Griffin, depois do primeiro ter chamado o segundo de ator fingidor, que finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente. Bom, não sei se Griffin provou que não é um ator, mas mostrou que seu time é bem melhor. Clippers bateu o Kings por 109 a 94 com 27 pontos e 14 rebotes de Griffin contra 15 pontos e 20 rebotes de Cousins. Vamos torcer para o Kings ser relevante um dia e isso virar um duelo de verdade! Vocês tem noção que o Clippers deu 13 enterradas no jogo inteiro?! Juro que nunca vi isso em um jogo que não fosse o das estrelas. Abaixo 3 dessas enterradas nas 3 primeiras posições do Top 10.

Top 10 da Rodada

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Domingo de Páscoa comendo chocolate mole na estrada

Se não fosse a queda de produção do Sixers, que perdeu de novo no domingo, dessa vez para o Celtics por 103 a 79, o confronto entre Knicks e Bulls de ontem à tarde poderia ser um preview da 1ª rodada dos playoffs. Mas o time de Mike Woodson agora é 7º do Leste e ganhou muita moral ao derrotar o líder da conferência no dia da volta de Derrick Rose. Não que tenham feito uma apresentação impecável, foi um misto de sorte e heroísmo, mas é o tipo de coisa que enche um time de confiança.

Eles começaram arrasando com o Bulls no primeiro período, em que Rose (29 pontos) parecia estar tropeçando nas próprias pernas depois de tanto tempo sem jogar. Mas aos poucos ele e o resto do time voltaram para o jogo. Sem se desesperar com os quase 20 pontos abertos pelo time da casa, se recuperaram. No finalzinho da partida ainda chegaram a abrir 9 pontos de vantagem depois de uma cesta de 3 pontos seguida de falta de Rose, mas aí o jogo virou uma loucura. No minuto final Carmelo Anthony (43 pontos, seu máximo com a camisa do Knicks) cortou a vantagem, Steve Novak quase empatou em uma bola de 3 que girou dentro da cesta, chegou a tocar a redinha e depois pulou fora, o Bulls pode matar o jogo mas perdeu 4 lances-livres seguidos com Derrick Rose e Luol Deng, só então Melo acertou uma bola forçada e maluca de 3 pontos na cara de Taj Gibson para levar o jogo para o tempo extra. Ufa. Só vendo pra entender tudo.

No tempo extra, mais Bulls na frente com infiltrações que só Derrick Rose (e Dragic!!!) poderiam fazer. Mas mesmo assim, deu Knicks. Faltando 9 segundos para o fim da partida, Carmelo Anthony mandou outra bala de 3 pontos do mesmo lugar do tempo normal, dessa vez sobre Deng, para virar o jogo. Defesa forte e Carmelo herói no ataque é um bom roteiro para um time que perdeu seu melhor armador, Jeremy Lin, e seu pontuador no garrafão, Amar’e Stoudemire, mas ainda não sei o limite disso, parece algo bem limitado.

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O resto do domingo não chegou aos pés desse jogo. Teve um jogo com prorrogação e emoção, mas a essa altura da temporada alguém ainda dedica tempo da sua vida pra ver Nets e Cavs?! Mas vale lembrar que com 32 pontos de Gerald Green podemos dizer que ele é, oficialmente, o grande achado da D-League na temporada. Outros jogos fáceis incluem a 11ª vitória seguida do Spurs, dessa vez sobre o Utah Jazz, e uma pausa na boa fase de Raptors e Pistons. Não há momento bom que resista a confrontos contra Thunder e Heat. Kevin Durant meteu 23 pontos para cima do time canadense e LeBron James fez 26 para derrotar seu ex-inimigo Pistons.

Top 10 da Rodada (MEUDEUS como o Gerald Green pula e meus pêsames, Tiago Splitter!)

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>Insistência premiada

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Afflalo melhorou até na arte de sair em fotos estranhas

Pessoal, como disse essa semana, a coisa anda corrida no fim do semestre e os posts vão ser mais escassos nessa semana, mas aos poucos vão saindo. Até o fim de semana tem Filtro e uma promoção de Natal da adidas. E agradecemos a todos que comentaram sobre as camisetas, vamos pensar em alguns modelos e postar aqui no blog para vocês escolherem as que a gente vai colocar pra vender. Quer dizer, se a gente conseguir botar pra vender, é melhor não prometer nada antes de saber os preços. Vai que o Cavs é campeão antes da gente vender camisetas. Nunca brinque com a maldição de Dan Gilbert!

O post de hoje é uma continuação desse aqui. Antes tinha falado dos jogadores que tinham melhorado em relação à temporada passada depois de mudar de time (aliás, perdão por ter esquecido do metamorfoseado Marco Belinelli!), agora vou falar dos que melhoraram ficando no mesmo lugar, venceram pela insistência (a palavra bonita usada para designar a teimosia).

Talvez a história mais impressionante e interessante sobre os que ficaram no mesmo lugar já tenha sido contada aqui, é a do Richard Jefferson. Ele recebeu um ultimato do técnico Gregg Popovich, ou treinava como um desgraçado e melhorava o seu jogo ou já poderia começar a pensar em mudar de time. Resolveu treinar, hoje tem um arremesso de três maravilhoso e está ajudando o Spurs a ser o melhor time desse primeiro quarto de temporada. Para ler a história inteira sobre a mudança do Richard Jefferson, clique aqui.

Mas é interessante notar algo que não falei naquele post, que é como o Spurs está jogando diferente dos últimos anos. Dos últimos muitos anos. Explico, o Spurs é o terceiro melhor ataque da temporada até agora e a oitava melhor defesa. É a primeira vez desde que Tim Duncan chegou ao time, em 1997, que o Spurs é melhor ranqueado no ataque do que na defesa. Pra quem acompanha a NBA há pouco tempo pode parecer normal, mas quem viu o Spurs desses últimos quase 15 anos acha isso uma aberração. O Spurs atacando mais do que defendendo é insano como ver o Barcelona retranqueiro, no mínimo. E tem o ritmo de jogo, eles são hoje o 10º time mais veloz da NBA, nas outras temporadas da “Era Duncan” (adoro chamar períodos esportivos de “Era”, me sinto falando de algo importante. Meu Corinthians só perdeu o Brasileirão por causa da “Era Adílson Batista”) o Spurs ficou duas vezes com o 19º ataque mais veloz e depois disso sempre depois da casa dos 20, algumas vezes beirando as últimas posições.

A mudança de um jogo lento e defensivo para um mais focado na velocidade e no ataque devem ser levados em consideração também na hora de explicar porque o Richard Jefferson melhorou tanto em comparação à temporada anterior.

Outro que tem melhorado também é o Elton Brand. Nos números a mudança é discreta: Passou de 13 para 15 pontos de média, melhorou em dois rebotes e em 3% no aproveitamento dos arremessos. Mas na prática ele tem jogado muito melhor, o novo Sixers do técnico Doug Collins está deixando a bola menos tempo na mão do Andre Iguodala (o que não ajuda meu sofrido time de fantasy) e tentando envolver mais o Elton Brand. Depois de dois anos patéticos (e muito bem pagos) o ala está finalmente parecendo mais confortável em quadra, tem feito ótimas partidas em que participa do jogo e até tem jogadas desenhadas pra ele. É finalmente a opção que o time buscava no jogo de meia quadra, já que passaram os últimos anos vivendo só dos contra-ataques.

O problema é só que isso não é o bastante. Embora a defesa do Sixers seja aceitável, o ataque ainda é um dos piores da NBA. Sim, o Jrue Holiday melhorou, o Elton Brand melhorou e mesmo assim eles são bem ruins, é esse o tamanho do buraco em que está o Sixers. O problema parece ser mesmo as peças que não se encaixam e a solução acaba sendo fazer coisas idiotas como deixar o Thaddeus Young no banco para colocar o Jason Kapono só pela necessidade de ter pelo menos um arremessador em quadra, é perda absurda de talento para cobrir alguns buracos. E pior, Brand está jogando bem, mas não o bastante para que algum outro time se sinta tentado a pegar o seu contrato que ainda tem esse e mais dois anos de duração e quase 18 milhões por temporada. Elton Brand parecia destinado a não funcionar no Sixers, mas melhorou, uma pena que ainda não justifica um décimo do que recebe.

Merece atenção pela evolução também o Nate Robinson. Critiquei a troca do Eddie House por ele no ano passado porque não via o que o Nate poderia acrescentar que o House não fazia. Os dois são jogadores que sempre entram e, no linguajar americano esportivo, em referência ao beisebol, vão para o home run. Eles não tentam rebatidas simples e seguras para fazer o time andar, querem o mais difícil e valioso. Quando dá certo são os heróis do jogo, quando dá errado, é patético. A diferença está no estilo, Eddie House faz isso com bolas de três, Nate Robinson faz engolindo a bola só pra ele.

No entanto, ele mudou nessa temporada. Não é o Jason Kidd que parece dar um sorriso de Mona Lisa toda vez que descobre um jeito de finalizar uma jogada sem precisar arremessar, mas o Nate está passando a bola, entendendo o ataque do Celtics e servindo mesmo como um bom reserva para o Rajon Rondo. Parece ser o típico caso do jogador que chegou no meio da temporada e não entendia nada, mas que agora, depois de um training camp e tempo de estudo, conseguiu sacar o que estava fazendo em quadra. E nunca pensei que ia dizer que o Nate Robinson sabe o que faz em quadra, ele é o cara que arremessou contra a própria cesta só por diversão!

Mas acho que o meu favorito nessa brincadeira de pokémon de quem mais evoluiu é o Arron Afflalo. Ele precisa agradecer ao papai do céu (ou ao Joe Dumars) todos os dias por ter sido mandado do Pistons para o Nuggets em troca de fraldas usadas e um vale CD (também conhecido como uma escolha de 2º round de 2011).

No Pistons ele estaria brigando por posição com o Richard Hamilton e o Ben Gordon em um time que está completamente perdido e historicamente investe em jogadores velhos ao invés de apostar na pirralhada. E ao invés disso está em um time que precisava de um jogador com a suas características para o time titular e está no playoff todo ano. Quando ele chegou em Denver só pediram que ele defendesse bem o ala-armador adversário e, eventualmente, acertasse uns arremessos de três quando ficasse livre. No ano passado, seu primeiro ano no Nuggets, ele subiu de 16 para 27 minutos por jogo e dobrou sua média de pontos de 4 para 8. Foi um ótimo defensor e teve um aproveitamento de 43% nas bolas de 3 pontos, número de especialista.

Se ele só continuasse assim já seria muito bom e ele teria meu voto no inexistente prêmio Gilberto Silva de Role Player do ano. Mas não, ele melhorou ainda mais. Aos poucos o Chauncey Billups está piorando com a idade, o Carmelo Anthony, dependendo do seu humor, pode ser só mais um cara na quadra ou a melhor máquina ofensiva da NBA, e entre esses altos e baixos o Afflalo viu uma chance para chamar o jogo e ser mais que um simples arremessador. Ainda acerta suas bolas de longe, são 42% de aproveitamento nesse começo de temporada, mas aumentou o número de arremessos próximos à cesta (de 0,3 para 1,2 por jogo) e no aro (de 1,8 para 2,2), melhorando significativamente o aproveitamento nessas posições. Com isso sua média de pontos subiu de novo, de 8.8 para 12.8 por jogo. Ele também melhorou nos rebotes e dobrou sua média de tocos, de 0,4 para 0,8 por jogo. Parece pouco, mas para alguém de 1,96m e segundo armador, beirar a média de 1 toco por jogo é algo especial. Entre os jogadores da sua posição ele só fica atrás de Dwyane Wade (1,05) e Chicão Garcia (0,9).

Ou seja, o Afflalo invadiu partes do jogo que não eram lugar dele até o ano passado e tem surpreendido todo mundo por estar fazendo isso de maneira tão confiante e eficiente. Outro dia vi ele fazer várias infiltrações e puxando contra-ataques como quem sempre tivesse feito isso. É tão bizarro como ficar vendo o Kevin Love meter uma bola de três atrás da outra. Uma coisa é saber fazer, outra é fazer bocejando. Se o Melo sair mesmo do Denver em um futuro próximo eu espero que o Afflalo ganhe ainda mais espaço e melhore ainda mais seu jogo e estatísticas.

Alguns outros jogadores melhoraram sem mudar de time, mas ao contrário dos citados aqui, eles não estão exatamente na mesma situação de antes. Mesmo ficando na mesma franquia, estão em outras realidades. No Toronto Raptors, por exemplo, a evolução nítida de Sonny Weems, Reggie Evans e Andrea Bargnani se dá em muito porque agora eles tem mais tempo de quadra e mais responsabilidades nas mãos. Mesma coisa com Andray Blatche e JaValle McGee no Wizards, desde o fim da temporada passada eles receberam as duas vagas no garrafão do time e é natural que estejam melhorando. São novos, tem talento e pouco a pouco vão melhorando, embora ainda não o bastante para fazer o Wizards botar medo em alguém.

Mas dentre todos os que melhoram e os que foram citados nesse texto, só um tem uma chance clara e real de mostrar seu basquete melhorado no All-Star Game, o destruidor de brasileiros Luis Scola. E o engraçado é que eu acho que ele não mudou em nada o seu jogo dele em relação aos últimos anos, é o mesmo Scola de sempre. As mesmas qualidades e defeitos estão lá, mas agora o time finalmente se tocou do quão bom esse safado é. E ele também ganhou mais confiança e tem atacado mais o adversário. O resultado são os mesmos minutos de antes, o mesmo aproveitamento, mas os arremessos tentados aumentaram, os lances livres dobraram e sua média de pontos subiu de 16 para 21 por partida! O talento para ser um All-Star na NBA não é novidade pra quem já viu o Scola jogar na Europa e pela seleção argentina, mas só agora virou realidade nos EUA e ainda com um fator importante na América, apoio estatístico: 21 pontos e 9 rebotes por jogo é número de respeito. Entre os alas de força só Dirk Nowitzki e Amar’e Stoudemire pontuam melhor que Scola. Falta só o time ganhar um pouquinho mais dos seus jogos.

O assunto é bem grande e daria pra achar mais jogadores que estão melhorando, mas teremos mais chance para isso ao longo da temporada. Falaremos da evolução do Shannon Brown quando comentarmos do Lakers e da melhora do Joakim Noah (já posso dizer que ele é um dos melhores passadores entre os pivôs sem assustar ninguém?) quando falarmos do novo Bulls com Carlos Boozer.

O próximo post é para comentar o oposto, quem piorou. Mas preciso de mais tempo para meditar e entender porque Tyreke Evans, Darren Collison, Jason Thompson e Robin Lopez me fizeram ir no Google descobrir se a palavra “involuir” existe nos dicionários.

>Montanha Russa (Canadense)

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Vestido para dar o fora desse time bizarro, Bosh?

O Raptors é um dos times mais esquisitos da temporada. No ano passado eles foram uma espécie de Nets, tinham um elenco decente (ainda mais para o Leste) e federam bem fedido. Para essa temporada abriram a carteira e levaram o Hedo Turkoglu pra lá, era o parceiro de perímetro que o Chris Bosh precisava.
Começou a temporada e o Raptors não. As primeiras semanas do time canadense foram desastrosas! Pra começar temos o próprio Turkoglu, que teve alguns jogos em que mal arremessou a bola e não chegava nos 10 pontos, ficou durante muito tempo aquela dúvida entre se ele estava com dificuldade de se adaptar ao novo esquema tático ou se era mais um caso de Erick Dampiers e Bobby Simmons que desistem de jogar basquete depois de assinar um contrato grande e gordo.
Se fosse só isso tava bom, mas ele não era o único a começar mal. Ao contrário de aberrações como Brandon Jennings e Tyreke Evans, o novato do DeMar DeRozan demorou um bom tempo para começar a se acertar na liga. Ainda hoje ele tem dificuldades de se destacar, mas pelo menos ele participa mais das jogadas, acerta arremessos de meia distância, no começo ele só fazia pontos em enterradas de contra-ataque, nada mais.
Agora imagina o que era um trio com Hedo Turkoglu, DeMar DeRozan e Jose Calderon! O armador espanhol se destaca pelos passes, pelo controle de jogo, pelos poucos erros, nunca pelo número de pontos que marca. Se ele não faz ponto, o Turkoglu também não e nem o DeRozan, dá pra imaginar a carga que ficou nas costas do Chris Bosh e da garotinha Andrea B. O Bosh lidou bem com isso, claro, ele é monstruoso. Mas ficou na sua vidinha de Marbury, fazendo 25, 30 pontos e vendo seu time perder. A Andrea não dominou jogos como o Bosh, mas foi uma das poucas gratas surpresas do time no começo da temporada, melhorando nos rebotes e sendo uma ameaça constante nas bolas de 3.
Uma contusão do Jose Calderon forçou o técnico Jay Triano a trocar de armador, no lugar dele colocou o Jarret Jack. Foi quando o time começou a se acertar no ataque, o estilo mais agressivo e pontuador do Jack funcionou melhor para um time que precisava de pontos vindo de seus jogadores mais baixos e a equipe ameaçou uma reação. Só ameaçou, porque não dá pra fazer muita coisa tendo a pior defesa de toda a NBA. Sério, a menina desse vídeo faria cestas no Raptors de olhos vendados. Era impressionante como eles não tinham resistência nenhuma a infiltrações (nem Bosh e nem Bargnani são grandes bloqueadores) e qualquer armador mais rapidinho já costurava o time inteiro.
Mas defesa é algo que pode ser treinado. Mesmo sem grandes especialistas em defesa um time esforçado, dedicado e principalmente entrosado pode sair do status de medíocre para regular, e foi o que o Raptors fez para começar a crescer na temporada. Junto disso o Turkoglu começou a jogar bem melhor, foi quando ele deu a fatídica entrevista em que respondeu “Bola”.
Para quem não lembra, vou colar aqui o escrevi no dia que postei da primeira vez esse episódio:
-Depois de três meses de temporada o Turkoglu finalmente jogou uma partida boa. Tá bom que foi contra o Knicks e não contra o Cavs ou o Celtics, mas é um começo. Marcou 26 pontos, seu máximo na temporada, e foi entrevistado ao fim do jogo.

Repórter: Você ditou o ritmo do jogo desde o começo nessa noite, o que aconteceu de diferente?
Turkoglu: Bola.”



Meus anos de estudo e de dedicação à interpretação de textos, aliados ao conhecimento do estilo de jogo do Turkoglu me fizeram interpretar essa aberração de entrevista da seguinte maneira: Ele quer a bola na sua mão, não quer ficar assistindo o Jack e o Calderon armarem enquanto ele fica quieto esperando um arremesso, ele precisa ter a bola com ele para criar seu próprio arremesso e armar jogadas para outros jogadores. Algo como ele fazia no Magic na temporada passada, em especial nos quartos períodos.
A gente nunca vai ter certeza disso porque ele só disse “bola”, mas beleza, vamos com a minha interpretação porque ela até faz bastante sentido. Tanto que durante algum tempo o Raptors jogou assim, com mais atenção para o Turko e foi quando eles tiveram mais sucesso. Emendaram uma sequência de vitórias, ganharam do Lakers e de outros times grandes e alcançaram o quinto lugar do Leste. Durante algumas boas semanas eu tinha certeza que com esse elenco e com a melhora deles durante o ano era certeza que ficariam em quinto até o fim da temporada regular, podendo até engrossar contra o Hawks ou o Celtics na primeira rodada dos playoffs.
Então, do nada, a defesa entrou em colapso de novo. No começo de março eles tiveram uma sequência de 7 jogos em que perderam 6, veja o número de pontos sofridos nas derrotas: 114, 109, 113, 124, 109 e 115. A única e solitária vitória veio quando conseguiram tomar “apenas” 105 do Atlanta Hawks. O Raptors tem hoje, oficialmente e numericamente, a pior defesa da NBA mais uma vez. São 112 pontos sofridos a cada 100 posses de bola! Nets, Wizards, Warriors, Clippers, Wolves, todo mundo consegue ser melhor que o Raptors, é assustador!
O recorde do time por mês mostra como foi essa temporada montanha russa:
Novembro: (6 vitórias, 10 derrotas)
Dezembro: (9 vitórias, 6 derrotas)
Janeiro: (10 vitórias, 5 derrotas)
Fevereiro: (5 vitórias, 5 derrotas)
Março: (5 vitórias, 10 derrotas)
Como se não bastasse a queda do time desde novembro agora eles lidam com problemas disciplinares. O Turkoglu pediu para não jogar uma partida porque estava com dores fortes no estômago e foi poupado, o time perdeu e horas depois da partida ele estava numa balada de Toronto jogando seu xaveco (“Bola”) para todas as canadenses firmeza de Toronto.
Os próprios torcedores do time dedaram o Turko para os dirigentes do Raptors, que puniram o jogador deixando-o no banco de reservas no jogo seguinte. Quando questionado sobre a situação o Turko foi bem humorado mas pareceu também de saco cheio:
“Tá tudo bem. Eu tenho lidado com isso o ano todo. Eles tem ficado em cima de mim sobre esse negócio de sair à noite desde que eu cheguei aqui. Mesmo se eu não estivesse doente eles falariam alguma coisa do mesmo jeito. Eu que não vou falar nada, temos 10 jogos até o fim da temporada e vou tentar terminar jogando bem”.
Ele falou bem mais que “Bola” dessa vez, mas já que eu sou o intérprete oficial do Turkoglu no Brasil, vou dizer o que eu li disso tudo:
“Tá tudo bem, eu não me importo com o que esse bando de guarda florestal fala de mim. Eu saio quando eu quero e jogo quando eu quero, a temporada regular tá acabando e no fim das contas só vão lembrar do que eu fiz nos playoffs. Bola”.
O problema no que esse Turkoglu estilizado que eu criei falou é que eles estão correndo sérios riscos de não irem para os playoffs. Depois de chegar ao quinto lugar e parecer um time bom, estão em oitavo e apenas uma vitória na frente do Chicago Bulls. Sim, o Bulls!!! O time do Derrick Rose trocou um monte de cara bom, perdeu jogadores machucados, chegou a perder 10 jogos seguidos e mesmo assim está na boca dos playoffs. Isso é o Leste, senhoras e senhores. No Oeste bastou uma sequência de 6 derrotas seguidas do Houston e do Grizzlies para que os dois dessem adeus a qualquer chance de classificação, são conferências muito desiguais.
Eu ainda aposto no Raptors para essa última vaga porque o Bulls está muito mal e porque o Raptors tem a vantagem no confronto direto e se classifica em caso de empate, mas se classificar será apenas algo simbólico, um jeito menos humilhante de acabar essa temporada. Na prática qualquer um dos times que passar para a pós-temporada tem tudo pra ser varrido sem dó nem piedade pelo Cavs. Um final melancólico para um ano cheio de expectativas altas e que, embora estejamos longe de qualquer definição, pode ser o último de Bosh por lá.

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Shawn Marion mostra o número de
meses em que jogará no Raptors
Existe um joguinho ocorrendo entre os dirigentes da NBA para se divertir um pouco que não tem necessariamente nenhuma relação com ganhar partidas de basquete. Numa espécie de “Jogo do Mico” da vida real, o último time que ficar com o Marcus Banks perde. O Celtics se livrou dele na grotesca troca com o Wolves pelo Olowakandi. O time de Minessota não renovou o seu contrato mas o Suns quis continuar a brincadeira (dirigentes são entediados, sabe como é), assinou o Banks e mandou ele para o Heat na troca do Shaq. Agora, Marcus Banks acaba de ser trocado de novo, dessa vez para o Raptors – junto com Shawn Marion. A equipe de Toronto, por sua vez, manda para Miami o Jermaine O’Neal e o campeão de força nominal, Jamario Moon.
O Banks praticamente não jogou em todas as equipes em que foi parar, mas seu valor como piada interna, como jogo secreto, é inegável. Talvez sem ele a troca não tivesse saído, já que era cogitada há muito tempo mas faltava alguma coisa para que finalmente ocorresse de fato. Resta agora saber para qual time o Raptors vai mandar o Marcus Banks, e quem vai morrer com o mico na mão. Aposto que alguns sites de aposta devem estar criando uns bolões agora mesmo. Levando em conta que os jogadores que vão para o Clippers costumam morrer ou encerrar a carreira, eu acho que o Banks morre nas mãos deles e todos os outros dirigentes da NBA vão se divertir e voltar aos seus afazeres normais (coçar a bunda, claro).
Dado meu palpite, é hora de falar dos jogadores secundários nessa troca: Marion e Jermaine O’Neal. Para o Heat, a troca era óbvia. O Shawn Marion não deu muito certo por lá, pra começo de conversa. Não que ele estivesse fedendo, longe disso, mas você não contrata a Monica Mattos pra ficar na sua casa lavando louça, por mais que ela deixe seus pratos brilhando. O Marion até fazia o serviço bem feito, mas o Heat trocou por uma grande estrela capaz de fazer estrago no Leste, coisa que não aconteceu. Como o contrato do Marion acaba ao fim dessa temporada, o Heat tinha duas escolhas: trocar o Marion por qualquer coisa, nem que fosse uma paçoca para não sair de mãos vazias, ou então renovar com ele e mantê-lo na equipe por vários anos. É como dizem, em time que está ganhando não se mexe, então o Heat – que não está ganhando porcaria nenhuma – não podia manter o mesmo elenco e achar que Joel “Quem?” Anthony iria tapar o buraco no garrafão. O mais irônico dessa história é que, com Dwyane Wade plenamente saudável, Mario Chalmers saindo melhor do que a encomenda, e Beasley melhorando seu jogo, tudo que o Heat precisava agora para ter chances no leste era de Shaquille O’Neal, aquele que estava em fim de carreira e eles trocaram por um Marion que não deu certo. O time do Heat é baixo, sem nenhum jogador no garrafão capaz de acertar o próprio nome, e sem defesa alguma debaixo da cesta. Como uma troca Marion por Shaq de novo seria admitir o fracasso, o jeito foi trocar pelo outro O’Neal, aquele que está sempre contudido e tem um contrato ridículo.
Eu era um baita fã do Jermaine quando ele chutava traseiros lá em Indiana, mas até para mim assinar um contrato de 126 milhões por 7 anos (uma média de 18 milhões por ano, mas que na verdade lhe paga 23 milhões em seu último ano de contrato) pareceu completamente débil mental. Havia potencial, ele era uma estrela, mas alguém se empolgou demais na hora de assinar os cheques. Com tantas contusões, lembrar quanto dinheiro o Jermaine vai enfiar nas orelhas beira o ridículo, mas ele ainda é um jogador impressionante, principalmente no setor defensivo. Infelizmente ele nunca mais recuperou o ritmo nos arremessos que uma vez teve no Pacers, mas ainda é ao menos competente na hora de pontuar. Acontece que ele e o Bosh na verdade têm estilos similares, ou seja, não gostam muito de jogar muito próximos da cesta, e o Raptors rende melhor quando apenas um deles está em quadra e a posição de ala de força vai para o Andrea Bargnani, que anda jogando cada vez melhor apesar do nome de miguxa.
Trocar o Jermaine era meio inevitável, portanto. O Raptors deu trabalho para o Orlando Magic na temporada passada e agora, após perder o porra-louca TJ Ford e adicionar Jermaine O’Neal (o que deveria ter melhorado o time, se o Universo fosse lógico), foi parar no grupo de piores times do Leste. E convenhamos, é mais difícil ser o pior time do Leste do que ser o melhor, porque a disputa é mais acirrada. Deixar como estava não podia, o Bargnani merece passar mais tempo em quadra, e o Jamario Moon não estava numa boa fase: após uma ou duas jogadas bastante idiotas, se queimou com o técnico e com o Chris Bosh, e chegaram a cogitar que ele perderia numa partida de damas para o Kwame Brown, dado seu intelecto não muito privilegiado. O Raptors, então, não sai perdendo muito e ganha uma possível estrela em Shawn Marion. Se ele vai ser o mesmo dos tempos de Suns não se sabe, mas se não funcionar o contrato dele acaba e pronto, dinheiro para o time de Toronto gastar contratando algum urso ou guarda florestal.
Boto uma fé no Marion por lá, no entanto. O manager do Raptors, Bryan Colangelo, foi o responsável por montar o Suns da era corra-por-sua-vida e parecia determinado a repetir a dose no Canadá. Com TJ Ford e Bosh, tinha as bases de um time veloz e desencanado dessa tal defesa, mas aos poucos o projeto foi se desvirtuando: o ex-técnico Sam Mitchell foi diminuindo a velocidade e o time quase que deu certo antes de desmoronar. Com a saída de Jermaine e Shawn Marion podendo jogar em sua posição natural, de 3, pela primeira vez nos últimos 50 anos, o Raptors tem tudo para impôr uma correria amalucada e é bem capaz que dê certo. Como todo jogador de basquete, o Marion vai querer escapar de Toronto bem rápido e jogar num lugar que exista de verdade, mas se tudo estiver dando bem certo por lá até consigo vê-lo reassinando com a equipe. O próprio Marion, que assim que ouviu a troca deve ter pensado em se matar, disse que agora está mais calmo e talvez renove seu contrato com o Raptors para a próxima temporada. Quer dizer, isso se alguém convencer o Bosh a ficar por lá também, já que vazou um depoimento dele praticamente contando os dias para se livrar do Canadá. O negócio é o seguinte: se o time de Toronto quer ser uma equipe minimamente relevante pela próxima década, essa segunda metade da temporada tem que ser perfeita. Tudo tem que se encaixar perfeitamente, em total sincronia, para Marion e Bosh continuarem por lá. Ou seja, acho que já era.
Os ares em Miami parecem bem melhores, em parte por causa de milhares de gostosas de biquini, mas também porque o Heat passa a ser uma força legítima no Leste se o Jermaine ficar saudável. Jamario Moon pode trazer defesa para a equipe se o Beasley continuar vindo do banco, mas mais para frente deve ser uma opção na reserva com Beasley titular. E Jermaine cuidará da defesa do garrafão – tudo que ele fizer além disso será lucro. Talvez seja um pouco tarde para contar com o Heat chutando traseiros nos playoffs, é preciso um pouco de química, de tempo, de saúde. Mas as chances nessa temporada são muito boas e, para a temporada que vem, talvez dê para considerá-los até um time de verdade. Só o que melhor fica por vir: o contrato do Jermaine acaba na já lendária temporada de 2010, então o Heat vai ter grana para reassinar o Wade com um contrato máximo e de brinde assinar outro jogador com um contrato similar. Se o Jermaine não der certo, abraço no cara e não esqueça de escrever. Ironicamente, em 2010 poderemos ver um Heat com Wade e Bosh, por exemplo. O que já dá para babar um pouco, e é bem mais realista do que feder por anos e ficar contando com a boa vontade do LeBron de mudar de time, não é mesmo, Knicks?

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Da série “acho que fiz caca”

Alguns times têm que decidir o que fazer com o Kwame Brown, outros o que fazer com o Eddy Curry. Portanto, decidir o que fazer com o Jermaine O’Neal é um luxo para poucos, mesmo que ele seja um problema em muitos aspectos e, às vezes, mais atrapalhe do que ajude.

Das 43 partidas do Raptors na temporada até agora, Jermaine jogou apenas 29, isso contando os jogos em que passou meia dúzia de minutos em quadra antes de sair mancando. É impossível contar com ele, montar um esquema consistente, depender de sua presença. Suas lesões têm destruído sua promissora carreira desde os tempos no Pacers, que eventualmente foi obrigado a decidir o que fazer com o rapaz. O pessoal de Indiana tinha em mãos um All-Star, um jogador técnico e dominante capaz de liderar um time para granfes feitos, mas como lidar com seu salário de mais de 20 milhões de dólares quando ele mal entrava em quadra? Sua ausência, aliada a terríveis decisões do pessoal engravatado, levaram o Pacers a feder – e muito. Jermaine pediu para ser mandado para um lugar onde pudesse ser aproveitado, onde pudesse fazer a diferença. Sua saúde dava sinais de melhoras no final da temporada e a produção em quadra parecia razão para esperança. Rapidamente, foi parar em Toronto numa troca que aparentava envolver duas estrelas potenciais em Jermaine e TJ Ford. Agora, olhando com mais calma, parece que as duas equipes simplesmente queriam se livrar o mais depressa possível da bomba que tinham em mãos, estrelas cujas contusões tornaram-nos um fardo grande demais para suas equipes.

É aquela velha história da galinha do vizinho ser sempre melhor do que a nossa, principalmente se a galinha do nosso vizinho é uma de raça, tipo a Mari Alexandre. O TJ Ford parece um excelente armador, jovem, veloz, reboteiro, joga demais, mas quem conhece de perto sabe todos os podres. O TJ é frágil, teve lesões graves na coluna, ameaçou se aposentar do esporte depois que médicos alertaram que ele quase ficara aleijado após uma queda feia. Além disso, é agressivo demais no ataque, o que compromete tanto sua condição física quanto a capacidade de controlar o ritmo da equipe, sabendo quando atacar a cesta e quando passar a bola. Os times de TJ Ford são muitas vezes obrigados a ficar parados, assistindo o nanico correr de um lado para o outro da quadra sozinho.

O Pacers queria se livrar do contrato exagerado do Jermaine O’Neal e de sua presença que não permitia que o time fosse bem – já que ele estava sempre machucado – nem que fosse absolutamente mal, porque acabava sempre dando uma força. Para se renovar e colocar o controle em novas mãos, mais jovens, é necessário ter a coragem de feder um pouco, por uns tempos, e às vezes se livrar dos jogadores que impedem esse processo natural e obrigatório. Dois times querendo se livrar de dois estorvos que pareciam ser bastante apetitosos aos olhos alheios: um casamento perfeito que só poderia ter como resultado final dois times insatisfeitos. Afinal, casamento em que as duas partes estão satisfeitas, só naqueles casamentos arranjados em que uma russa quer nacionalidade americana, e um americano rico quer comer uma russa. Fora isso, a gente sabe que vai dar merda.

O TJ Ford jogou 34 dos 41 jogos do Pacers até agora. Ou seja, sofreu novamente com contusões. O time está fedendo como nunca e está lá no fundo da tabela do Leste. E, pra ser bem sincero, às vezes parece que o Pacers joga até melhor sem ele, com a bola mais nas mãos do Danny Granger e mais oportunidades para Marquis Daniels (por quem tenho um estranho Complexo de Drew Barrymore desde os tempos dele no Mavs) e para Jarret Jack.

Com o Jermaine, a história é mais complicada. Quando está em quadra, não há dúvidas de que torne o Raptors um time melhor. O problema é que talvez ele não melhore o time o suficiente. A situação acaba lembrando mais ou menos a do próprio Pacers, quando decidiu trocar sua estrela para dar espaço para o “Granny Danger”: o Raptors não fede nem cheira, não está dando certo, muito provavelmente ficará fora dos playoffs, mas não estará entre os piores times. Não há chances mínimas de título e nem planos de tacar tudo no lixo e começar de novo, o que acaba deixando o time inteiro no limbo, sem saber para onde correr. Jermaine não resolve todos os problemas do Raptors, mas resolve alguns. Ele tem seus dias de estrela, mas em geral está no banco vestindo um terninho – que aliás não combina em nada com sua eterna cara de bebê.

Creio que o Raptors não está em condições de aceitar soluções pela metade. A crença de que o time estava apenas a uma peça de alcançar grandes feitos no Leste ainda permanece, embora eu ache ela tão pertinente quanto achar que a Terra está flutuando em cima de uma tartaruiga espacial. Então, se o Jermaine não é a peça que faltava, existem duas opções: trocá-lo imediatamente pela peça que falta, pois a data limite para trocas termina em 19 de fevereiro, ou então mantê-lo e esperar seu contrato terminar para liberar espaço na folha salarial para a lendária temporada de 2010 (LeBron, Wade, Bosh, dizem que talvez até Jesus Cristo e Buda).

Como antigo fã de Jermaine O’Neal que se achou velho quando ele parecia não ser mais capaz de ficar em pé, confesso que fiquei surpreso com seu rendimento em Toronto. Sua defesa continua impecável, embora os arremessos não tenham conseguido voltar ao velho ritmo e seu corpo não aguente mais o jogo físico de trombada que ele, com muito custo, havia desenvolvido em Indiana. Agora, é um jogador que pode ao menos contribuir sempre que consegue levantar da cama, e acho que ainda há espaço para ele na NBA se a natureza deixar. Ainda assim, concordo que o melhor a fazer é deixar Jermaine ir embora, por troca ou fim de contrato. Não que outra peça venha suprir aquilo que ele não conseguiu, é apenas que o Raptors também tem um Danny Granger que precisa de espaço para se desenvolver. Trata-se de uma versão com nome de garota e hábitos alimentares de uma Tartaruga Ninja: Andrea Bargnani.

Quando o Jermaine está desmontado como se fosse feito de Lego, o Bargnani é titular e tem médias excelentes de 17 pontos, 6 rebotes, 1.3 tocos e acerta 45% dos seus arremessos de três pontos. Jogar com o Bosh permite a “tática Rashard Lewis” de obrigar o defensor adversário a sair do garrafão e acertar arremessos de fora se ele não o fizer. Quando Jermaine joga, Bargnani joga em outras funções, passa menos minutos em quadra, e com isso faz apenas 8 pontos, pega 3 rebotes e acerta somente 34% dos arremessos de fora. A diferença é grande demais e é hora do conterrâneo do Super Mario ganhar confiança. Pra mim, todo time que não parece ir a lugar nenhum deveria começar a pensar em suas futuras estrelas, e o Raptors deveria estar distribuindo minutos para o Bargnani, para o Ukic (o armador que volta e meia tanto me impressiona) e para qualquer urso ou guarda florestal que parecer promissor lá no Canadá. Até porque eu duvido muito que o Chris Bosh continue por lá quando seu contrato se encerrar.

Pelo que parece, o pivô perdeu a paciência com a equipe. Na última partida contra o Hawks, surtou por completo com os erros de seu coleguinha Jamario Moon (que merecia respeito ao menos pela sua força nominal). Com o Raptors na frente e 90 segundos para o final, Moon deixou Joe Johnson livre para uma bandeja em que sofreu falta, diminuindo a diferença para um ponto. Com 55 segundos para o final, caiu na “tática Billups” de “eu vou fingir que arremesso pra ver se você é imbecil e vai pular no meu cangote” usada pelo Mike Bibby e cometeu uma falta, que resultou em dois lances livres e o Hawks liderando por um ponto. Em seguida, com 36 segundos para o final, deu um arremesso idiota de três pontos precipitado e bem, bem errado, que terminou de vez com o jogo. O Bosh arrancou os cabelos e, assim que a partida terminou, criticou o Moon abertamente, tanto pelas falhas defensivas quanto pelo arremesso desnecessário. Acrescentou que a mentalidade do time está errada, que no final dos jogos eles fazem tudo equivocado, e que não dá pra vencer assim.

Desconfio que, com essa equipe, o Bosh não queira ficar em Toronto. Como o contrato do Jermaine acaba potencialmente junto com o do Bosh, talvez acabe sendo tarde demais para usar a grana para contratar alguém de peso e convencer o pivô com pescoço de dinossauro a ficar. A lógica, portanto, se os engravatados estiverem dispostos a manter sua maior estrela, seria trocar Jermaine imediatamente – por alguém que, preferencialmente, não comprometa os minutos do Bargnani.

Os Nelsons Rubens do mundo da NBA falam constantemente de uma troca de Jermaine por Shawn Marion. Esse é um dos meus boatos preferidos, só perdendo para aquele que diz que a Maísa é na verdade uma anã e tem mais de 40 anos. Para o Raptors, essa troca traria uma defesa mais do que necessária, uma ajuda nas bolas de três pontos, daria uma força nos rebotes e permitiria que o Bargnani fosse titular ao lado do Marion. Além disso, o Jamario Moon iria para o banco de reservas, lugar a que ele pertence, já que contribui e muito para uma equipe mas jogar os minutos decisivos já é demais. Para o Heat, a troca traria tamanho – simples assim. Assistir Houston e Miami foi hilário, porque o Yao Ming podia fazer o que quisesse, incluindo pegar rebotes ofensivos no meio de 4 defensores enquanto dançava a macarena, e acabou o jogo com 12 arremessos convertidos em 12 tentados. Com Jermaine O’Neal, o Heat não teria que usar como titular o pivô Joel “Quem diabos?” Anthony, e o novato Beasley receberia muito mais minutos – coisa que ele está precisando urgentemente para pegar o jeito da brincadeira.

Por que essa troca não seria feita? Bem, provavelmente porque o Heat não é otário de pegar um jogador que tenha que entrar em quadra de cadeira de rodas. Antes de mais nada, é preciso que o Jermaine prove que pode jogar, que está saudável, e isso é como pedir para que o Clippers não tenha ninguém contundido no elenco. No entanto, há sempre uma possibilidade. Como acho que a temporada do Raptors já era, a prioridade deve ser mostrar que o Jermaine ainda dá pro gasto e forçar uma troca. Se não for pelo Marion, será por qualquer outra coisa que convença o Bosh a ter um pouco de fé, nem que seja uma troca por uma cinta pra dar na bunda do Jamario Moon. Mas nesse mundo de casamentos que são perfeitos porque dão errado, fico torcendo para ver o Marion no Raptors. Seria uma combinação ideal, ainda que – pode apostar – o time de Toronto não vá chegar a lugar algum do mesmo jeito.