As primeiras trocas

A “trade deadline”, data limite para realizar trocas nessa temporada, se aproxima. No fim da tarde de quinta-feira, times não poderão mais realizar nenhuma troca até a temporada seguinte. A tendência é que a maioria das trocas aconteça na quinta-feira, já que todos os times querem garantir a melhor situação possível e supostamente conforme o horário limite for chegando, a ganância vai dando lugar ao desespero e times admitem trocas mesmo em situações fora do seu ideal almejado. É no estouro do cronômetro que as trocas realmente impactantes acontecem.

Nessa temporada com a tabela de classificação tão embolada, com tantos times querendo um ou outro jogador para melhorar ou consolidar suas chances de playoff e tão poucos times dispostos a abrir mão de bons jogadores e reconstruir, é perfeitamente possível que nenhuma grande troca se consolide. Mas as pequenas trocas sempre acabam rolando e dessa vez começaram com antecedência: dois dias antes já temos duas trocas interessantes para analisar.

Podcast Bola Presa – Edição 13

Será que teremos azar na edição 13? Bom, misticismo e superstição não foram assuntos tratados no Podcast 13 do Bola Presa.

Nesta semana falamos de como o Miami Heat está zoando com a cara da NBA ao continuar a vencer jogos mesmo quando descansa todos seus principais jogadores ao mesmo tempo. Também falamos sobre o jogo surreal entre Orlando Magic e Milwaukee Bucks ocorrido na última quarta-feira. Sabiam que foi a primeira vez desde 1967 que dois jogadores do mesmo time conseguiram pelo menos 30 pontos e 19 rebotes em um jogo? E esses caras foram nada menos que o novato Tobias Harris e o segundo anista Nikola Vucevic, o maior jogador de todos os tempos.

Depois brincamos de previsões para os Playoffs. Quais os melhores matchups para cada time? E que séries divertidas e emocionantes deveríamos torcer para acontecer? Eu e o Danilo tentamos criar cenários fantasioso onde nossos times, Lakers e Rockets, possam pelo menos passar da primeira rodada. No Both Teams Played Hard falamos sobre o ENEM, triple-doubles, Coréia do Norte e escritores convidados no Bola Presa.

Como afundar com estilo

Como afundar com estilo

Todo ano, mais ou menos nessa época do ano, começam as discussões sobre se os times que não tem chance de Playoff devem perder de propósito ou não. Para os iniciantes que não entendem o conceito, explico: na NBA os times de pior campanha na temporada são os que tem mais chance de vencer o sorteio que define quais equipes terão as melhores escolhas no Draft de novatos que acontece em Junho.

A discussão começa mais ou menos agora em Março por dois motivos: primeiro que é quando fica ainda mais claro quais são os times que não tem chance de classificação, depois porque é quando começa o mata-mata do basquete universitário, momento em que todos ficam mais empolgados com os talentos que irão para a NBA no ano seguinte.

Eticamente acho que a maioria concorda que ninguém deve perder de propósito, certo? O esporte só é divertido porque todos os lados estão competindo, dentro de um conjunto de regras, por algo que só um pode ter, a vitória. Mas por outro lado, uma boa posição no Draft pode definir muita coisa na história de uma franquia. Imaginem a vida pós-LeBron do Cleveland Cavaliers se eles tivessem tido um time mediano no ano seguinte ao The Decision e acabassem sem Kyrie Irving, mas com, sei lá, Derrick Williams ou Brandon Knight. Nada contra os dois, que são bons jogadores e ainda bem jovens, mas nada que se compare ao que Irving oferece. Se o Cavs tem algum sonho de futuro promissor é porque federam tão fedido sem LeBron que conseguiram a primeira escolha do Draft 2011.

Mas se a ética esportiva manda não perder e o futuro da franquia manda perder, o que fazer? Acho que a resposta está no que o Orlando Magic fez nesta temporada. Com a saída de Dwight Howard e do técnico Stan Van Gundy, o Magic estava obviamente reconstruindo. Ainda sem ter um grande jogador e com um técnico novato, Jacque Vaughn, a temporada fracassada era previsível. Mas isso não significa que eles tentaram perder, muito pelo contrário. Colocaram na cabeça de seus jovens jogadores que era uma temporada de teste, todos lá queriam provar que tinham lugar na NBA e consequentemente no plano de reconstrução do Orlando Magic. Se não tentassem ganhar, estariam fora da liga.

O caso mais explícito disso é o do pivô Nikola Vucevic. Ele teve uma temporada cheia de altos e baixos no Philadelphia 76ers na temporada passada, fazia alguns jogos bons, mas sumia no banco em outros devido a erros que o técnico Doug Collins não conseguia aceitar em um time que brigava por vaga nos Playoffs. Em muitos momentos ele foi substituído por Spencer Hawes porque o pivô do Sixers (que outro dia quase fez um quadruplo-duplo com 18 pontos, 16 rebotes, 8 assistências e 7 tocos!) oferecia mais ataque, passe e arremesso que o novato. Em um time de ataque frágil como aquele do Philadelphia, Vucevic às vezes atrapalhava.

Mas no Orlando Magic ele pode errar à vontade. Não só as derrotas podem ser benéficas para o time, mas eles querem ver o pivô se acostumar a jogar na NBA. Como Phil Jackson bem sabia, nada faz um jogador crescer mais do que jogar em situações complicadas. O ex-técnico de Lakers e Bulls adorava ver seu time ser massacrado sem pedir tempo, gritar instruções ou fazer substituições, eles tinham que aprender e superar, especialmente durante a temporada regular. Em entrevista recente Vucevic disse que nesta temporada está se sentindo mais à vontade em quadra, sem medo de ser punido por errar e que por isso está jogando melhor. Depois de médias de 5.5 pontos e 4.8 rebotes em 15 minutos na temporada passada, tem médias de 12.4 pontos e 11.5 rebotes em 33 minutos de quadra no Orlando Magic. É um dos principais candidatos ao prêmio de jogador que mais evoluiu na temporada.

Embora o caso do pivô Suíço-montenegrino seja o mais relevante, outros jogadores podem sentir a mesma liberdade. Não tenho nenhuma dúvida que para Moe Harkless tenha sido melhor fazer sua temporada de novato no Magic do que sob a pressão de Doug Collins no Sixers, principalmente por ele ter sido um jogador a chegar na NBA com muito a aprender e evoluir. E Tobias Harris, que tinha 11 minutos de média no Bucks, pulou para 30 desde que chegou no Orlando Magic na troca de JJ Redick. O arremessador branquelo, por sua vez, ganhou um presente ao ser trocado de Orlando. Ele já está numa idade onde ficar em um time em reconstrução é desperdício de tempo, onde pode mostrar frustração e insatisfação, provavelmente está mais feliz indo disputar os Playoffs ao lado de Monta & Brandon.

Isso poderia valer também para Arron Afflalo, mas o especialista em defesa está aproveitando bem seu tempo de Magic para mostrar para o resto da NBA que ele é mais do que isso. São 17 pontos por jogo em 44% de aproveitamento num time que sofre horrores para conseguir boas oportunidades de ataque. De repente Afflalo passou de um bom defensor do estilo Tony Allen e Shane Battier para um grupo de jogadores mais completos e pode ser importante peça de troca para o Magic num futuro próximo caso ele não queria gastar seus 27 anos em um time sem chance de nada.

O legal é que os elogios não são para disfarçar nada, o time é bem ruim mesmo. Mas o Orlando Magic encontrou um jeito honesto e produtivo de ser ruim. Eles não fizeram trocas infundadas para afundar a equipe de propósito (como fez por exemplo o Denver Nuggets de 2002 antes de conseguir Carmelo Anthony em 2003) e nem um monte de contrato de aluguel com jogadores que eles não tinham o menor interesse em renovar (como fez o Miami Heat antes de conseguir LeBron James e Chris Bosh). Ao invés disso, montaram um time de jovens jogadores que estão desesperados por mostrar serviço. Quem conseguir, segue na reconstrução, quem não conseguir vai dar o fora. E no meio do caminho eles vão ser ruins e conseguir uma boa escolha no Draft de qualquer jeito.

Muita gente questiona se a regra da NBA não deveria ser mudada para evitar que times percam de propósito ou até que montem times propositalmente fracos. Mas se você pensar bem, isso já existe. Não é o time com pior resultado que ganha automaticamente a escolha número 1, ele apenas tem mais chance no sorteio. É um jeito de não forçar uma corrida para a última colocação, o que tem dado resultado. Nos últimos anos a maior parte dos times que se desmontou foi pensando em economizar dinheiro e em entrar na briga por algum Free Agent, não para conquistar alguma posição vantajosa no Draft. E também é bem comum o time de pior campanha não sair vitorioso no sorteio, só perguntar para o Charlotte Bobcats.

E tem outra coisa, se a regra não for essa, será qual? Um sorteio geral, que não valorize os times ruins poderá render aberrações como o Miami Heat ganhando uma escolha Top 3 no ano que vem, já pensou? Imagina o estrago que o Spurs faria se pudesse usar seus super poderes de olheiros com escolhas Top 10 nas mãos. Os entusiastas da NBA sem times grandes iriam chorar e largar o esporte.

Gosto da regra do jeito que ela é e vejo que os times a encaram do jeito certo, sem foco na derrota. Eu não consigo imaginar uma direção de equipe dizendo para um técnico que eles devem perder, também não imagino isso sendo dito aos jogadores. Não é bom para a carreira de ninguém, que vai muito além do que acontecerá com aquele time na temporada. Sem contar que uma das coisas mais cultuadas no esporte americano é o que eles chamam de “cultura da vitória”. É o que eles dizem que é a grande diferença do Los Angeles Lakers para o Los Angeles Clippers, por exemplo. Uma franquia, segundo o que se diz por lá, sempre foi vencedora, é formada por pessoas acostumadas a ganhar e a outra estava sempre satisfeita com os resultados medíocres. Isso iria desde o dono do time até os jogadores contratados, influenciados pelo ambiente.

Não sei o quanto disso é verdade, lenda ou verdade influenciada por uma lenda, mas é fato que os times se preocupam muito em montar esse ambiente onde a vitória seja comum e a derrota inaceitável. E como fazer isso num time que perde de propósito? Como fazer isso numa franquia onde todos os jogadores passam os primeiros anos de suas carreiras somente com campanhas medíocres pensando em ganhar na loteria do Draft? E digo “loteria” pensando na mega-sena, não numa tradução mais ou menos de Lottery. Sinceramente não vejo necessidade de mudanças de regra e muito menos de uma mudança mais brusca na liga, como já sugeriram alguns com a criação de uma segunda divisão.

Mas se as regras estão boas, não quer dizer que todos os times estão lidando com elas da melhor maneira. O Orlando Magic achou um jeito de fazer um misto de vestibular e estágio com seus jovens jogadores enquanto espera os contratos de Hedo Turkoglu e Al Harrington virarem farofa. Mas o Detroit Pistons, por outro lado, parece um time completamente perdido. Nem vou repetir pela milésima vez como eles ferraram com a vida deles ao gastarem o PIB de um país médio contratando Charlie Villanueva e Ben Gordon há alguns anos, mas digo em relação aos jovens jogadores. Depois de todos esses anos, o quem é Rodney Stuckey? Passaram tantos anos e ele não se estabeleceu na liga e durante anos ninguém soube nem em que posição ele deveria jogar. O mesmo acontece agora com Brandon Knight, o coitado já foi assassinado por Kyrie Irving, enterrado por DeAndre Jordan e nem sabe a posição que joga. É armador? Ou essa experiência dele jogando ao lado do José Calderon indica que querem ele jogando na posição 2 no futuro?

E o mesmo parece estar acontecendo com o excelente Andre Drummond. O jovem ala-pivô parece ótimo, assim como o pivô Greg Monroe. Mas dos 20 quintetos mais usados pelo Pistons na temporada, só um, unzinho (0 mais usado pelo menos) tem os dois jogando um ao lado do outro. A base do crescimento do Pistons é um armador que não sabe se é 1 ou 2 e dois jogadores de garrafão que não jogam juntos? Aonde isso vai dar? O poeta dos garrafões está machucado, mas assim que ele voltar deveria jogar todos os minutos possíveis ao lado de Greg Monroe. Até porque este quinteto com os dois juntos tem saldo positivo: 1,05 pontos feitos por posse de bola e 0,97 pontos sofridos, melhor quinteto defensivo do time na temporada.

Fim de temporada de time ruim é feito para se experimentar, testar, ver no que dá. É para Dion Waiters armar o jogo, para Kemba Walker tentar jogar como líder do Bobcats, para o Kings descobrir se Isiaiah Thomas pode ser titular sem comprometer a defesa e por aí vai. Equipes como estas irão ser ruins e ter poucas vitórias de qualquer jeito. A posição boa no Draft é sorte e consequência, os times só precisam estar bem e prontos para quando o momento chegar.

Pelas beiradas

Pelas beiradas

“Recebi alguns conselhos ruins. Peço desculpas pelo circo que causei aos fãs da nossa cidade. Eles não mereciam nada disso. Eu sinto muito, do fundo do meu coração. Farei o que puder para consertar isso e fazer aquilo que vim para Orlando fazer.”

Foi assim que Dwight Howard terminou uma longa novela melodramática mexicana que durou por toda a temporada passada. Descontente com seu Orlando Magic, Dwight havia publicamente pedido para ser trocado, mas vetou algumas equipes envolvidas no processo de trocas com medo de ir parar em algum time ainda pior, e por fim acabou resolvendo ficar no Magic por mais um ano, sem no entanto aceitar uma extensão de contrato. Seu pedido público de desculpas foi uma tentativa de minimizar os danos causados tanto ao Orlando Magic quanto à sua própria imagem.

O Magic, tendo construído um time inteiro em volta de seu pivô, não sabia que rumos tomar frente à indecisão e às exigências de sua estrela – acabou se tornando espécie de refém, tipo um desses relacionamentos românticos em que uma das partes fica “cozinhando” a outra, sem terminar o namoro até arrumar outra pessoa, e aí fica todo mundo no limbo sem conseguir pular do barco. Mas embora o maior dano tenha sido para o Magic, para o Dwight as coisas não foram muito melhores: sua imagem de jogador brincalhão, divertido e carismático tão firmemente construída durante suas participações em All-Star Games foi sendo substituída pela de jogador marrento, reclamão, em constante conflito com seu técnico, exigindo mais a bola, mais destaque, melhores companheiros, um outro time. Obviamente, começou a ser odiado.

A saída de LeBron do Cavs, “cozinhando” sua namorada até literalmente o último segundo quando enfim lhe deu um pé na bunda em rede nacional para trocá-la por uma modelo gostosa, deixou ao menos uma grande lição para os jogadores da NBA: ser um escroto com sua ex-equipe é um desastre comercial de proporções apocalípticas. É claro que Dwight percebeu que havia enfiado o pé na merda e tentou diminuir o estrago, mas já era tarde. Mesmo com sua decisão de ficar mais um ano em Orlando, mesmo com a demissão de Stan Van Gundy, acabou trocado. A bomba foi passada para outras mãos.

Quem é leitor de longa data do Bola Presa sabe que tenho uma relação difícil com o Dwight Howard desde o primeiro minuto. Sua condição física sempre me impressionou, mas sua lenta evolução no jogo ofensivo já rendeu vários posts por aqui. Sou fã do seu humor, do seu jogo alegre, mas por vezes me vejo assustado com sua falta de profissionalismo. Acho sua defesa de cobertura simplesmente impressionante, mas considero sua defesa no mano-a-mano ruim o suficiente para que ele nunca tivesse tocado num prêmio de Melhor Defensor do Ano. Mas, acima de tudo, vejo que sua exigência por participar mais do ataque torna seus times piores, cria problemas no elenco, compromete o plano tático e derruba técnicos. É por isso que quando o meu Houston Rockets começou a abrir espaço salarial (se livrando do todo-poderoso Kyle Lowry, um absurdo) e colecionar novatos para se tornar o time favorito a receber o Dwight em uma troca, tremi. Passei a ter pesadelos terríveis com o pivô, em que ele exigia a bola nas mãos na última jogada para ganhar o campeonato para o Houston e deixava ela escapar como se suas mãos estivessem besuntadas de manteiga, enquanto na arquibancada a Alinne Moraes apontava e ria de mim vendo o jogo apenas de cuecas. Confesso que quando o Dwight foi trocado para o Lakers, suspirei de alívio. E justamente por isso me neguei a pular no trem do “essa troca é injusta, o Lakers está montando um time apelão”. Mesmo o Denis, ciente de que jogar ao lado de Nash seria a chance de Dwight finalmente render ofensivamente, sabia que as coisas não seriam tão fáceis para o Lakers.

A troca que não aconteceu para o Rockets nos ajuda a ver algo muito significativo. Ainda precisando de um pivô, pagaram 5 milhões pelo Omer Asik, então reserva do Bulls, um jogador esforçado e disposto a fazer o trabalho sujo – e que, agora, tem médias de 10 pontos, 11 rebotes e 1 toco em menos de 30 minutos de quadra, e que comete pouquíssimos erros ou faltas no processo. Não pede a bola, não exige jogadas, mas quando a recebe tem um toque sutil e habilidoso embaixo da cesta. Asik compreende suas limitações e ajuda onde pode, o que torna seu time melhor. É com ele titular que o Houston se mantém entre os melhores do Oeste.

De modo algum quero dizer, com isso, que o Asik é melhor do que o Dwight – muito pelo contrário, Dwight é bem melhor jogador. Mas ser “bem melhor jogador” nem sempre ajuda, às vezes acaba virando um grande obstáculo. Explico: por ser essa força da natureza, ter músculos de titânio até no maxilar, uma velocidade lateral absurda e a capacidade atlética de pular por cima de prédios, Dwight é colocado (e coloca-se) em situações em que não tem como ser bem sucedido. Ele é bom demais para o seu próprio bem.

O Orlando Magic dos últimos anos foi criado pensando em ter o Dwight embaixo da cesta para dominar o garrafão e uma baciada de arremessadores em volta dele para punir as defesas que teriam que se concentrar no pivô. Afinal, é isso que se espera de um pivô dominante, não é mesmo? É isso que se espera de um pivô que pode devorar ônibus escolares no café da manhã, não é mesmo? Ele é bom o bastante para dominar o garrafão sozinho, então só é preciso colocar as peças certas ao seu redor, não? Todos nós sabemos como esse experimento terminou: foi um fracasso.

Primeiramente porque Dwight não é um bom passador e tem problemas em conseguir manter a bola quando sofre marcação dupla. Quando as defesas fechavam no pivô, a bola nunca chegava a alcançar as mãos dos arremessadores livres esperando no perímetro. Dwight sempre se viu obrigado a forçar um arremesso com seus movimentos mecanicamente adquiridos, sem qualquer talento para improviso, inteligência, jogo de cintura. Passar a bola para ele sempre impedia os arremessadores de participarem, quebrava o ritmo do jogo, gerava muitos desperdícios e resultava em trocentos lances-livres errados. Nada pior para um armador do que passar várias posses de bola vendo o seu pivô errar lance-livre atrás de lance-livre – era comum ver jogadores do Magic saindo mentalmente do jogo, ou então boicotando o pivô especialmente no fim dos jogos, nas posses de bola mais importantes.

Dwight Howard é um excelente jogador. Por muitas vezes, ele é até espetacular. O problema é que por conta disso insistem no fato de que ele precisa ser Shaquille O’Neal, dominar ofensivamente, pontuar em cima dos outros jogadores “mais fracos”, dar tocos espetaculares que vão parar na arquibancada (ou nas mãos do Gallinari), acertar bolas decisivas. Esquecem que os tempos mudaram e que até Shaquille O’Neal teve dificuldades em ser Shaquille O’Neal nessa nova NBA, com defesas por zona, semi-círculo embaixo do aro e faltas marcadas a cada espirro (assuntos que abordaremos em outro post).

Se Dwight tivesse apenas as funções do Omer Asik, faria tudo com perfeição: rebotes ofensivos, pontos fáceis em bolas que sobram dentro do garrafão, corta-luz para os companheiros, defesa. Mas como ele é melhor que Asik e, portanto, lhe exigem mais do que exigem do Asik, ver Dwight em quadra é uma eterna decepção: alguém com potencial mas incapaz de fazer direito as coisas que não estão naturalmente no seu jogo. Dá pra ver na cara dele a dificuldade que é pegar um passe mais elaborado de Nash, ter que cobrar um lance-livre importante ou ter que bater para dentro da cesta quando lhe dão o espaço. É um jogador em constante sofrimento que acreditou que deve ser mais do que um simples pivô, que comprou toda essa pataquada de “superestrela”, e que nunca vai se conformar de passar um jogo inteiro sem participar ofensivamente em nome do time.

Agora no Lakers, as coisas não mudaram em nada. Só tem ainda a dificuldade adicional de estar mais em exposição em Los Angeles, de ter que lidar com os torcedores exageradamente críticos/chororôs da equipe, e do time estar perdendo a rodo. Então só há mais pressão para que ele domine, para que ajude ofensivamente, para que acerte seus lances-livres, para que receba a bola. E a culpa para o fracasso dessa empreitada cai imediatamente no esquema tático. Já foi culpa do StanVan Gundy que supostamente não sabia aproveitá-lo, Mike Brown caiu logo no comecinho da temporada, e agora é a vez de culparem Mike D’Antoni. Ninguém nunca vai admitir que talvez Dwight simplesmente esteja tentando fazer demais, e que o melhor para o Lakers é que ele participe menos. Jogos em que ele cobre mais de 20 lances-livres precisam ser algo impensável – foram dois nessa temporada contra times mais fracos, Magic e Cavs, e não aleatoriamente foram duas derrotas.

Mesmo esperar dele o que o Lakers tinha com Andrew Bynum é irreal, já que Bynum era incapaz de pular uma gilete mas sabia cuidar bem da bola, cometia poucos desperdícios e era bom cobrador de lances-livres. Por isso Dwight não pode ser um foco do ataque como Bynum era em muitas partidas, ele deve simplesmente estar lá, pronto para aproveitar os passes e os rebotes que certamente virão se o ataque estiver funcionando com os outros elementos do elenco. Nash encontrará o pivô livre em momentos inesperados e, assim, ele terá sucesso. Qualquer coisa além disso é querer aproveitar Dwight nos pontos errados, é ceder à pressão por torná-lo uma estrela que ele não pode ser, e com isso comprometer aquilo que ele pode ser.

Percebo cada vez mais que os torcedores do Lakers esperavam algo diferente dessa troca, algo completamente irreal. Mas o Dwight de verdade, esse aí todo atrapalhado com a bola que às vezes parece passar azeite nas mãos, pode ser justamente a peça necessária para levar o Lakers a um campeonato. Desde que ele faça o que sabe pelas beiradas, de mansinho, sem tentar carregar o mundo nas costas. E quer saber? Funcionou para o Chris Bosh, cujo ego de superestrela (e com ele a vontade de fazer o que não sabia) foi pelo ralo em nome de um bem maior, um título conquistado comendo pelas beiradas.

Stan Van Gundy na rua

Stan Van Gundy na rua

Nessa tarde o Orlando Magic mandou para o olho da rua o técnico Stan Van Gundy, junto com ele foi embora o General Manager Otis Smith. O primeiro era técnico do time desde 2007, o segundo era manager desde 2005. Nada disso é realmente inesperado, o treinador não se dava bem com Dwight Howard, que por sua vez criticava também as contratações e movimentações do elenco. Com a decisão do Magic de não trocar o pivô nessa temporada e ainda assinar com ele por mais um ano, normal que os dois tivessem que sair.

 

A impressão que tenho agora é que o Orlando Magic virou, com o perdão da expressão chula, a putinha do Dwight Howard. Quer mudar todo o esquema tático para receber mais a bola? Ok. Quer mais um ano de contrato para decidir o que fazer? Ok. Quer técnico e GM na rua? Ok. Agora é ver se ele será parte importante da decisão dos novos contratados também. Tudo que faça o pivô se sentir confortável no time e confiante no futuro da franquia é essencial para que ele assine uma extensão de contrato a longo prazo. Atualmente parece que o medo do Orlando Magic não é perder um dos grandes técnicos da NBA ou um bom manager, mas em perder um grande pivô.

Eles não estão tão errados assim. Eu sou fanático pelo Stan Van Gundy, ao contrário do Danilo e de um monte de gente por exemplo, mas é mais fácil achar um novo técnico do nível do SVG do que um novo pivô. Jerry Sloan está sem emprego e talvez queira voltar a treinar, Mike D’Antoni não é unanimidade mas é bom, Nate McMillan fez bom trabalho com Sonics e Blazers antes de ser mandado embora nessa temporada e Brian Shaw, assistente do Indiana Pacers, é um de vários novos bons nomes que tem aparecido na NBA nos últimos anos. Como General Manager o Magic pode tentar a volta a ativa de Kevin Pritchard, o antigo GM do Blazers que arrasava em todos os Drafts, ou talvez arriscar Troy Weaver, assistente de Sam Presti no

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OKC Thunder, o herói dos managers na atualidade.

Por outro lado, talvez isso não seja o bastante para Dwight Howard. E se ele enxergar essas mudanças como um sinal de reconstrução do time a longo prazo? E se não tiver paciência para esperar? Ou vendo por outro lado, talvez o Magic não seja putinha de ninguém e apenas quer apertar o reset. Pode ter sido apenas primeiro passo de uma reconstrução total que agora terá a troca de Dwight Howard como ação seguinte. Seria mais ou menos como fez o Cleveland Cavaliers, que mandou todo mundo embora depois da decisão de LeBron James de levar seus talentos para South Beach.

Tenta prever o que irá acontecer no futuro geralmente é furada, mas em um time que nem sequer tem General Manager é mais impossível ainda. Provavelmente eles irão contratar alguém antes do Draft e talvez suas primeiras ações deem dicas do que irá acontecer por lá. Mas independente do que irá acontecer, minha opinião é que o Orlando Magic errou ao mandar embora Stan Van Gundy. Nada garante que eles irão conseguir um desses bons nomes disponíveis no mercado e SVG já provou ser muito bom: É ótimo em fazer ajustes defensivos dentro de uma série de Playoff, sabe usar as poucas habilidades de um jogador para fazê-lo render mais que o esperado (Rafer Alston, JJ Redick, Ryan Anderson…) e criou uma identidade para o seu time que faz a equipe render mesmo quando está desfalcada. Até foi humilde o bastante para reconhecer que seus gritos durante o jogo não passavam segurança e prometeu mudar. Foi Van Gundy, junto com Mike D’Antoni, que fez a NBA acreditar que dá pra ter um time sério que chuta bastante da linha dos 3 pontos.

Eu sei que mante SVG significaria perder Dwight Howard, mas é que eu acho que vão perdê-lo de qualquer jeito. Com o elenco e os salários que o Orlando Magic tem, é muito complicado fazer uma reestruturação a curto prazo. Isso cansaria o pivô que pode, no fim das contas, sair em troca de nada. Difícil comentar sem saber as propostas concretas, mas acho que eles ganham mais mantendo um bom técnico e trocando Howard pelo melhor que conseguirem enquanto é tempo. É achar um manager que saiba tirar o melhor da situação.

Isso me faz dizer que a demissão de Otis Smith não me incomoda tanto assim, acho que ele errou muito de 2005 pra cá. Durante sua gestão o Magic gastou uma escola 11 do Draft com o espanhol Fran Vásquez, que nunca foi para a NBA. Ele também gastou uma escolha de 1ª rodada (que viria a ser Rodney Stuckey) para ter Darko Milicic durante meia temporada. Além disso trocou Trevor Ariza com o Lakers em troca de Brian Cook e Maurice Evans e, no desespero, aceitou pegar Hedo Turkoglu pela fortuna que havia se recusado a pagar um ano antes. Smith acertou algumas vezes, mas não acho que o Magic esteja perdendo alguém especial com sua saída. Um novo nome, com nova cabeça, tem mais chances de solucionar o quebra-cabeça.

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