[Resumo da Rodada] A bola mais importante dos playoffs não pera

O Hawks é instável, o Hawks não tem estrelas, o Hawks entrega a paçoca, o Hawks não vai vencer a NBA, o Hawks é o Hawks. Todas essas afirmações são verdadeiras, mas já passou da hora de entendermos o Hawks como um time que sabe vencer adversidades.

Talvez nosso erro tenha sido a irreal expectativa de que o Hawks continuasse a dominar jogos como se ainda estivesse na temporada regular, especialmente com um estilo de jogo que é notoriamente cheio de altos e baixos e que está sendo testado em séries de melhor de 7, com os adversários dissecando sua movimentação ofensiva e explorando as limitações da defesa. É normal que o Hawks oscile, e normal que algumas movimentações ofensivas simplesmente não funcionem com a mesma eficiência depois de 12 jogos de pós-temporada.

[Resumo da Rodada] De tabela também vale

Não quero parecer repetitivo, mas se um time repete seus erros, eu insisto nos comentários: até quando o Atlanta Hawks vai errar os ótimos arremessos que cria ao longo dos jogos? Depois de 9 jogos disputados nesta pós-temporada, estou achando que o problema não é mais só uma fase. Usando o linguajar de nossos comentaristas ludopédicos, o Hawks SENTIU O JOGO.

Como dissemos em nosso último Podcast, o sistema de um time se garante até certo momento. Depois disso é o talento individual que vai resolver: o cara acerto o arremesso criado? Ganha o duelo individual onde foi colocado? Acerta os benditos lances-livres? Nestes Playoffs o Hawks tem tido altos e baixos, nos baixos eles perdem nessa parte individual. Jeff Teague não cria jogadas, Kyle Korver é um arremessador “normal”, Paul Millsap e Pero Antic viram casos estranhos de arremessadores que não arremessam. Dez minutos depois tudo pode mudar e eles podem atropelar, é uma montanha-russa com muito vômito.

Resumo da Rodada – 26/4

O Boston Celtics defendeu como um time que sabia que estava com as costas contra a parede, mas arremessou como um time de NOVATOS que sabia que estava a uma derrota da eliminação. Não faltou dedicação aos verdinhos, que atuaram com aquele ~senso de urgência~ de quem sabe que deve mostrar resultado, mas o nervosismo foi tamanho que só resultou num jogo cheio de faltas grosseiras, discussões, dúzias de cadeiras caindo no chão, dedos na cara e um péssimo, péssimo aproveitamento de arremessos.

Para se ter uma ideia, o Celtics teve 18 situações de catch and shoot na partida, que é aquela onde o cara recebe a bola e já arremessa, sem driblar. Dos 18 chutes, apenas 3 caíram! Isso dá 16% de aproveitamento, contra 35% que eles tiveram ao longo da temporada nesse tipo de jogada. Ao todo o Celtics acertou 38% de seus arremessos gerais e patéticos 13% (3/23) em bolas de 3 pontos. Assim não dá pra ganhar de ninguém.

Resumo da Rodada – 24/4

O Mavericks mostrou até agora na série contra o Rockets que não faz a menor ideia de como tornar esse confronto competitivo. Em geral vemos no Oeste ajustes táticos sendo feitos partida após partida que arrumam um problema na quadra apenas para que o adversário descubra outro, num eterno cobertor curto acontecendo nas pranchetas. Mas o Mavericks foi destruído no primeiro jogo por não criar espaço para o Nowitzki, não encontrar infiltrações, não conseguir marcar o Harden e não dominar o garrafão; e no segundo jogo, NENHUM desses problemas deu qualquer sinal de ser solucionado. Terceiro jogo em Dallas o Mavericks precisava de soluções desesperadas, mas é difícil acreditar que algo efetivo surgiria do nada quando o elenco não mostrou progresso até agora.

Para roubar o show

O Draft da noite de ontem foi um dos mais fantásticos e divertidos de todos os tempos. A escolha de Tony Bennett na primeira posição foi provavelmente a mais surpreendente da história; a queda de Nerlens Noel para o 6º lugar foi igualmente de cair o queixo, sua troca para o Sixers pelo All-Star Jrue Holiday fez a gente correr em círculos sem rumo e, como se não bastasse, ainda tivemos dois brazucas entrando na liga. Lucas BAYBAY com contrato garantido no Atlanta Hawks e Raulzinho, escolhido também pelo Hawks, na segunda rodada, mas então trocado para o nosso idolatrado Utah Jazz. Quem mais está ansioso para o Jazz todo dia na mídia brasileira? Eu estou.

E isso ainda teve a sombra de David Stern, que na beirada de sua aposentadoria deu um show à parte na apresentação das escolhas. Vibrou com as tradicionais vaias que recebe, pediu mais barulho e ainda disse que eles tinham que explicar que, na cultura dos EUA, vaiar significa uma coisa boa. Fantástico! Mas a melhor parte foi quando ele anunciou sua última escolha em 30 anos. Ao invés de ser vaiado como nas outras 800 vezes, foi aplaudido e ovacionado; e Adam Silver, o vice que vai assumir, que sempre ganhava aplausos, recebeu as vaias que acompanham a posição de comissário da liga. Por fim, Hakeem Olajuwon, primeiro aperto de mão de Stern em um Draft, apareceu lá com um terno idêntico ao de 1984 para fechar o ciclo de Stern. Entre muitos erros e ainda mais acertos, fará falta.

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Mas vocês acham que vamos comentar isso? Naaah! O Draft ganhará sua análise detalhada na próxima semana, David Stern terá um post especial em Fevereiro do ano que vem, sua despedida de verdade. Hoje eu venho aqui para falar do Brooklyn Nets e do Boston Celtics, que roubaram o show no dia do Draft mais maluco de todos para anunciar uma troca igualmente bombástica. Segura aí: Kevin Garnett, Paul Pierce e Jason Terry vão para Brooklyn em troca de 3 escolhas de Draft, Kris Humprhies, Gerald Wallace, MarShon Brooks e Keith Bogans.

Sim, Paul Pierce, que ao lado de Kobe Bryant, Dirk Nowitzki e Tim Duncan era um raríssimo jogador com mais de 10 anos de carreira que nunca havia trocado de equipe. Levou junto Kevin Garnett, que até poucos meses atrás “sangrava verde”. Posso estar exagerando, mas acho que uma pessoa decisiva para essa troca foi Ray Allen. Pierce e KG ficaram decepcionados quando a terceira perna do Big 3 original foi para Miami, mas devem ter repensado as coisas quando eles estavam de férias num estourado Celtics enquanto Allen acertava o maior arremesso de sua carreira no Jogo 6 da final da NBA. Talvez Allen não estivesse tão errado assim.

A decisão do Brooklyn Nets é acertada. O time abre mão de seu (fraco) banco de reservas e de escolhas de Draft, mas quando o bilionário russo Mikhail Prokhorov comprou a equipe, a ideia não era pensar num futuro distante e em jogadores medianos, a proposta era ser um time de impacto, de mercado grande, sem medo de gastar com grandes estrelas. Vão pagar multas? Sim, mas dinheiro do petróleo russo é feito para se gastar. Somente o novo quinteto do Nets, Deron Williams, Joe Johnson, Paul Pierce, Kevin Garnett e Brook Lopez, ganhará 82 milhões de dólares na próxima temporada. Surreal!

Talento esse time tem, de sobra, mas eles vão ser Miami Heat ou Los Angeles Lakers? Impossível saber, até porque o técnico deles também é uma novidade, Jason Kidd. Qual será o estilo dele? Será que os jogadores o respeitam como um líder após tantos anos o vendo como adversário apenas? Ele leva jeito pra coisa? Um lado bom para as coisas darem certo é a personalidade das estrelas envolvidas. Joe Johnson é um cara sossegado, que gosta de dar o arremesso final e tal, mas nunca causa problemas ou atritos. Deron Williams pode ser mais babaca, especialmente com técnicos, mas seu foco nos últimos anos tem sido a vitória, está se borrando de medo de ver seu auge passar sem chances de título e não deve ter estrelismo pra jogar essa chance no lixo. Já Pierce e Garnett são exemplos de como deixar o ego de lado em nome da equipe, podem levar tudo o que viveram no Celtics para criar um ambiente com foco e ambição de título. Garnett, além disso, tem tudo para ser o melhor mentor que Brook Lopez poderia sonhar em ter (ou seu maior pesadelo se ele for um preguiçoso, né Blatche?).

O lado negativo desse time é que, por enquanto, eles não tem banco de reservas. Mas Jason Terry ainda pode quebrar um galho e hoje já apareceram boatos de que Kyle Korver e Jason Collins, que jogou com Kidd no mesmo Nets, podem aceitar uma grana curta pra tentar o título por lá. Atrair veteranos por salários simbólicos é essencial em um time que não terá nada de flexibilidade financeira.

Não acho que seja garantia de sucesso, mas o Nets vêm tentando atrair estrelas nos últimos anos e finalmente deu certo. Muita água pra rolar, mas agora é a maior chance do time realmente ser grande. Pelo menos no papel é elenco para brigar de frente com um Leste que finalmente parece ter ficado forte também em quantidade: o Miami Heat defende o título, o Indiana Pacers mantém o time que quase derrotou LeBron James, o Chicago Bulls terá Derrick Rose de volta e o New York Knicks, mesmo correndo risco de perder importantes Free Agents, é um time que pode incomodar bastante.

Mas se a perspectiva é boa para o Nets, o que dizer do Boston Celtics? A reconstrução vai ser dura. A dupla Rajon Rondo e Avery Bradley deve ser mantida como base do futuro do time, mas que Jeff Green veremos agora que ele carrega tanto peso nas costas? Ainda há também a dúvida sobre o novo técnico, se eles vão anistiar o longo e caríssimo contrato de Gerald Wallace e em que posição irão cair as escolhas de Draft futuras que receberam. O Celtics é agora um time sem perspectivas muito promissoras, mas que mesmo assim não é ruim o bastante pra ficar lá atrás na tabela e nem é uma equipe que gasta pouco, pelo contrário. Os próximos meses e o próximo ano em geral serão importantes para o Celtics  não ficar preso no limbo dos times mais ou menos.

Pensando no lado moral, de lealdade e essas baboseiras sentimentais, fico realmente triste de ver Paul Pierce fora do Celtics. E olha que sou torcedor do Lakers! Sei que é bobagem, mas acho realmente bonito quando um jogador cria um vínculo com a cidade e a franquia e passa toda sua carreira lá. Por outro lado, às vezes é melhor deixar o sentimentalismo de lado. A carreira de jogador de basquete é curta e as de KG e Pierce estão chegando no fim, os caras prestaram seus serviços ao Celtics e tem todo direito de ir para onde tem chance de fazer alguma diferença. É o que LeBron James fez indo para o Miami Heat e deu certo, ele alcançou seu maior desejo na carreira,  o título da NBA. Posso resmungar e achar feio, mas nunca vou condenar quem deixa um lugar em decadência para outro onde as perspectivas são melhores.

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