Preview 2012/13 – Oklahoma City Thunder

Continuamos aqui o melhor preview da temporada já escrito por um blogueiro gordo. Veja o que já foi feito até agora:

Leste: Boston CelticsCleveland CavaliersBrooklyn NetsIndiana PacersAtlanta HawksWashington WizardsChicago Bulls e Orlando Magic

Oeste: Memphis GrizzliesSacramento KingsDenver NuggetsGolden State WarriorsSan Antonio SpursLos Angeles Clippers e Phoenix Suns

Até o esperado dia 30 de Outubro, quando teremos a rodada inicial da Temporada 12/13 da NBA, todos os times terão sido analisados profundamente aqui no Bola Presa.

Nesse ano vamos repetir uma ideia de uns vários anos atrás. Ao invés de só comentar as contratações e fazer previsões, vamos brincar de extremos: O que acontecerá se der tudo certo para tal time, qual é seu teto? E o que acontecerá se der tudo errado, onde é o fundo do poço? Em outras palavras, como seria um ano de filme pornô, onde qualquer entrega de pizza vira a trepa do século? E como seria um ano de novela mexicana, onde tudo dá errado e qualquer pessoa pode ser o seu irmão perdido em busca de vingança?

Hoje é dia de falar do time da cidade de Uukuhuuwasiri, ou, para você que não fala Pawnee, Oklahoma City. Preview do vice-campeão da NBA, o Thunder.

Oklahoma City Thunder

 

 

 

 

 

Acho que nenhum time mudou menos do que o OKC Thunder da última temporada para essa. Eles praticamente só perderam um jogador, Derek Fisher, e ganharam outro, o bom novato Perry Jones III, que surpreendentemente sobrou nas mãos do Thunder no fim da 1ª rodada do Draft 2012.

Mas não pensem que a pouca atividade do time é falta de ambição ou conformismo, é o resultado de um trabalho muito bem feito, uma das maiores e mais rápidas histórias de sucesso da história da NBA. Há 5 temporadas, quando a franquia saiu de Seattle e chegou em Oklahoma City, o time teve apenas 23 vitórias na temporada de 82 jogos. No ano seguinte pularam para 50 vitórias e perderam na 1ª rodada dos Playoffs para o futuro campeão Los Angeles Lakers. Em 2011 alcançaram a Final do Oeste e lá perderam para outro futuro campeão, o Dallas Mavericks. Na temporada passada, finalmente, passaram pelos 3 times que venciam o Oeste desde 1999 (Spurs, Lakers e Mavs) para vencer a Conferência. Na Final, porém, foram derrotados pelo Miami Heat.

Seria muito perfeitinho se nessa temporada fosse dado o próximo passo e o time conseguisse o título, mas temos que admitir que essa última etapa é a mais complicada. Não faltam times que empacaram na parte decisiva ao longo da história. Para parar a evolução do Thunder,  Lakers adicionou Steve Nash e Dwight Howard e Miami Heat agora tem Ray Allen, Rashard Lewis e as costas bem mais leves depois da conquista do primeiro título. Não vai ser nada fácil.

Ultimamente todos os gastos e preocupações do Thunder tem sido em manter esse ótimo time intacto. Antes da temporada passada confirmaram contratos renovados com Kendrick Perkins e Kevin Durant, depois com Russell Westbrook e aquele polêmico enorme, gordo e rico acordo com Serge Ibaka. Segurar todos foi tão trabalhoso, que para o time confirmar a permanência de James Harden ao fim da temporada 12/13 terá que entrar no tenebroso mundo das multas para quem ultrapassa o teto salarial. Será que conseguem? Será que o barbudo topa ganhar um pouco menos do que poderia, por exemplo, no Phoenix Suns ou no Orlando Magic? Discussão para daqui muitos meses, porque para agora não muda nada. Todos os jogadores citados acima estão no Thunder por pelo menos mais um ano e enquanto estiverem juntos, esse time luta por título. Vale citar também que esse grupo é praticamente imune a lesões: Nas últimas 4 temporadas, Durant perdeu apenas 9 jogos por problemas físicos, Harden10. Westbrook milagrosamente não se machuca naquelas infiltrações suicidas que tenta todo jogo, nunca perdeu uma partida de NBA por contusão em seus 4 anos de carreira.Serge Ibaka jogou em todos os jogos do Thunder nas últimas 2 temporadas. 

A exceção é Kendrick Perkins, que volta e meia (incluindo nessa pré-temporada) fica de fora de jogos por causa de seu joelho, punho ou qualquer outra coisa. Pensando nisso que o Thunder trouxe Hasheem Thabeet para essa temporada. O pivô foi uma das grandes decepções da NBA nos últimos anos, mas saiu barato e tem feito até alguns jogos aceitáveis na pré-temporada. Mas não tem jeito, o time só podia contratar gente barata para não se comprometer ainda mais financeiramente. Sem contar que eles ainda tem outras apostas para cobrir Perkins no elenco, o sempre bom Nick Collison (excelente defensivamente nos Playoffs) e Cole Aldrich, se bem que esse só não é tão decepcionante quanto Thabeet porque foi pego mais embaixo no Draft.

Mas se os substitutos temporários de Perkins não são os ideais, isso não importa tanto. Alguns dos melhores momentos do Thunder na última temporada foi quando Perkins descansava, Ibaka virava pivô e o time jogava com Durant, Westbrook, Harden e mais um aberto. Esse outro já foi Derek Fisher, Thabo Sefolosha e nessa temporada poderá ser Eric Maynor. O bom armador se recupera de lesão que o tirou da última temporada e poderá impôr um pouco mais de organização para um time que algumas vezes se perde na ânsia de atacar. O novato ala Perry Jones III também pode entrar nessa brincadeira, ele tem 13 pontos por jogo de média nessa pré-temporada, incluindo uma atuação de 17 pontos. Não será surpresa se tiver minutos importantes logo de cara.

Jogadores que sabem pontuar não são novidade no Thunder. Apesar de ser uma das equipes que menos dá assistências na NBA, o ataque foi o 2º mais eficiente da liga na última temporada. Pois é, são devastadores assim individualmente. Isso se reflete também em lances-livres:  O Thunder é o time que mais bate lances-livres por jogo e, para desespero dos rivais, o que tem melhor aproveitamento. Um time pode saber tudo sobre o Thunder e mesmo assim ser incapaz de parar as infiltrações de Westbrook e os chutes de Durant, cestinha da NBA nas últimas 3 temporadas. A defesa é boa, 11ª da NBA no ano passado, mas não figura lá no topo ao lado de Celtics, Heat e Bulls. Em compensação o Thunder é o 4º time que mais pega rebotes de defesa por jogo e geralmente também se posicionam bem nos tocos, tudo por causa do monstruoso Serge Ibaka, que, embora não seja perfeito, só deve melhorar defensivamente ano após ano.

Todos nós já conhecemos esse OKC Thunder e não vale a pena ficar repetindo tudo de novo. A gente sabe o que esperar e só improváveis contusões ou brigas no elenco tirariam o time da luta pelo título. E se tudo parece meio repetitivo em comparação ao que falamos nos últimos anos, pelo menos tiramos a palavra “experiência” das análises. O grupo ainda é jovem, mas bem rodado: 3 anos seguidos de Playoffs, duas finais de conferência, uma final de NBA e 4 jogadores disputaram a última final olímpica.

 

Temporada Filme Pornô

A fase do melhorar o grupo já foi. A fase de ganhar experiência é passado. A parte de lutar de igual para igual com os grandes foi superada. Nada menor que um título da NBA sossegará Kevin Durant e o OKC Thunder. Já que a analogia é pornográfica, eles querem orgia com dez mulheres. Essa coisa de se satisfazer com mãozinha no peito é coisa de Orlando Magic. Ou do Thunder de 5 anos atrás.

 

Temporada Drama Mexicano

Já que citamos o Orlando Magic, seria um drama bem desagradável se a extensão de contrato de James Harden virasse novela à la Dwight Howard. Acho que tanto time como jogador são inteligentes para saber que rixas iriam prejudicar os dois, mas nem sempre o pessoal é racional nessas horas.

Não que o time não consiga vencer mesmo sem o melhor de James Harden, mas certamente ficaria mais difícil. Lembram da final do ano passado quando ele fez jogos patéticos contra o Heat? Tirando o Jogo 5, todos foram decididos nos minutos finais, qualquer jogador um pouco mais inspirado poderia ter feito toda diferença. E isso vale para Harden e seu contrato, Perkins e suas lesões, Thabeet, Maynor e Reggie Jackson e seus pouco confiáveis minutos vindos do banco de reservas. Nenhum deles pode afundar esse time, mas podem atrapalhar.

 

Top 10 – Melhores jogadas do Thunder em 2012

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Análise do Draft – Parte 4

Análise do Draft – Parte 4

Ainda tem muito time pra analisar, então sem enrolação, mano!

Parte 1: Hornets, Bobcats e Wizards
Parte 2: Cavaliers, Kings, Blazers, Warriors, Raptors e Pistons
Parte 3 – Rockets, Suns, Bucks, Sixers, Magic, Nuggets e Hawks

 

E se você não nos prestigiou é sinal que precisa lembrar quais são nossos já tradicionais Selos de Qualidade™ que servem para avaliar as decisões de cada time na noite da última quinta-feira.
Twitter: Eu sei que o Twitter pode ser um porre, acredite, já me irritei muito com comentários idiotas durante jogos desses Playoffs. Mas ele é o que junta as melhores coisas das redes sociais: Pode ser engraçado, é o melhor jeito de acompanhar eventos ao vivos e informa bem. E você nem tem essa obrigação de ficar seguindo amiguinho. Lugar onde fakes ainda são respeitados e isso é bom. Selo para os times que mandaram bem demais, que tem jogadores completos na mão e que vão olhar pra trás com orgulho do Draft 2012.

Orkut: Nem me venham falar em Orkutização, elitismo social não tem vez no Bola Presa, mano! Admitam que o Orkut tem bem menos frescura que o ~Feice~ e comunidades geniais como “Uma rodada de suco pra galera” e “Qualquer coisa with lasers”. Bons tempos da internet malandra, moleque e menina. Sem frescuras, cutucadas e com muito stalk. Selo para os times que fizeram como o Orkut: não brilharam, mas fizeram a coisa certa.

4square: Tal pessoa acabou de dar check-in no aeroporto para, sutilmente, dizer que está viajando para o estrangeiro. Aquela mala sem alça se marcou na baladinha X para mostrar que tem amigos. Idiota, mas não chega a ofender. Selo para os times que não pegaram nenhum grande jogador, mas fizeram o que dava na hora.

Instagram: Parece o máximo, parece que vale 1 bilhão, mas cedo ou tarde vão perceber que é só o maior cardápio do mundo e todas as comidas parecem velhas. Tantos anos de evolução tecnológica para as fotos parecerem velhas e borradas? Tá muito errado e não vai demorar para sacarem isso. É o selo para o time está achando que fez uma coisa boa, mas que vai quebrar a cara em breve.

Facebook: O cu das redes socias. A mais popular também. Por que a gente gasta horas da nossa vida vendo as pessoas postarem indiretas para amigas falsas, frases motivacionais e versos de Caio F. Abreu? Não sei. Mas aprendi que tenho muitos amigos felizes, bonitos, que viajam para a Europa e não veem a hora de chegar sexta-feira. Selo para os times que erraram feio e deveriam se envergonhar disso.

….

 

Boston Celtics
(21) Jared Sullinger, SF/PF
(22) Fab Melo, C
(51) Kris Joseph, SF

Tenho minhas dúvidas se manter Kevin Garnett (já confirmado) e Ray Allen (uma possibilidade) é uma ideia tão boa assim, mas falo disso depois. O fato é que o Boston Celtics conseguiu bons jogadores no Draft 2012. Não só de talento puro, mas são jogadores que tem características que podem contribuir com o que faltou no time que ficou a uma vitória da Final da NBA.

A primeira escolha foi Jared Sullinger, um cara que tinha tudo para ser um dos 10 primeiros selecionados não fossem as preocupações com suas dores nas costas, sua hérnia de disco o custou alguns milhões de dólares. Alguns sites especializados fazem listas pré-Draft com os melhores jogadores disponíveis, ignorando idade, potencial, saúde e comportamento, é só técnica. Em nenhuma lista que eu vi Sullinger ficou fora do Top 8! Entre todos os jogadores selecionados, Sullinger foi quem teve os melhores números de porcentagem de rebote defensivo e ofensivo na última temporada universitária. Vale ou não vale o risco para o pior time em rebotes na última temporada da NBA?

A outra escolha do time na 1ª rodada foi o brazuca Fab Melo. No ano passado em Syracuse ele teve problemas de comportamento e mostrou talento nulo no ataque, mas comento essa escolha com um nome: Kendrick Perkins. Há alguns anos o Celtics draftou um pivô enorme, grosso, que não sabia atacar e que vinha direto do colegial, era o homem-que-não-sorri, Perkins. Depois de começo de carreira discreto, ele deslanchou quando encontrou a combinação perfeita: Tom Thibodeau, assistente, e Doc Rivers, técnico, são especialistas em defesa e souberam ensinar isso ao pivô. Além disso Kevin Garnett chegou à equipe e adotou Perkins como seu pupilo. O gigante pouco melhorou no ataque, embora saiba fazer uma coisa ou outra, mas se tornou um dos melhores defensores de garrafão da NBA.

O brasileiro Fab Melo, se tiver cabeça, pode traçar o mesmo caminho. Seu físico é de dar inveja, seus 2,13m de altura são ideais para um pivô e ele já tem boa noção defensiva, sendo especialmente bom nos tocos. Acho que vai fazer muitas faltas no seu primeiro ano, mas se não tiver cabeça pequena (dizem que Garnett torna um inferno a vida dos pirralhos que não querem aprender com ele) pode seguir o mesmo caminho de Perkins e em poucos anos se tornar o pivô titular do time mais tradicional da NBA.

Na 2ª rodada o Celtics pegou Kris Joseph, atlético ala que foi companheiro de Melo em Syracuse. Na última temporada o Celtics sentiu falta de jogadores com físico melhor na hora de enfrentar times mais novos (todos), então ter Joseph pode acabar sendo útil. Apesar de minutos limitados, deve ser uma aposta barata.

 

Dallas Mavericks
(24) Jared Cunningham, SG
(33) Bernard James, PF
(34) Jae Crowder, SF/PF

Tem muito torcedor do Dallas Mavericks que sofreu na última temporada toda vez que via Brendan Haywood como pivô da equipe. Ele já teve bons momentos na NBA, mas deixa a desejar. Por isso era animadora a ideia de ter Tyler Zeller no elenco. Mas aí, de repente, trocaram a escolha 17 (Zeller) pelas 24, 33, e 34 com o Cleveland Cavaliers. Por que quantidade foi mais importante que qualidade?

A principal preocupação do Mavs nessa offseason é usar o dinheiro aberto por fim de contratos (Jason Terry, Jason Kidd) para contratar bons jogadores. Quanto mais alta a escolha de Draft, mais dinheiro gasto e mens espaço para contratações. Até por isso correu um boato que o Mavs tentou trocar também essa escolha 24 por mais algumas de 2ª rodada, que são contratos não garantidos, ou seja, não contam imediatamente na folha salarial. Acabou não acontecendo e com a negociação da posição 17 pela 24 o Mavs economizou singelos 400 mil dólares.

Se a economia foi pouca (dentro do mundo bizarro dos contratos da NBA), pelo menos deu espaço para o Mavs apostar em diferentes tipos de jogadores. Jared Cunningham é explosivo, sabe atacar a cesta e pode formar uma boa combinação no banco de reservas ao lado de Rodrigue Beoubois, não custa arriscar. Na 2ª rodada pegaram Bernard James, um jogador de garrafão estupidamente forte e com história de vida curiosa: Ele vai ser o novato mais velho da NBA com 27 anos de idade e não jogou basquete competitivo até 2003, que foi quando entrou nas Forças Armadas dos EUA. Serviu no Iraque, Afeganistão, Qatar para só depois ir estudar em Florida State, jogar os 4 anos de basquete universitário e aí ser escolhido no Draft. Mark Cuban, patriota dono do Mavs, se apaixonou pela história de James e não duvidem que isso influenciou a escolha.

Legal o que James disse antes de ser escolhido. “Sou muito diferente desses garotos que estão comigo hoje. Muitos deles não viram muito da vida, só jogaram basquete desde sempre, não sabem como é ter um emprego comum. Eu sei como ser profissional, sou disciplinado e sei ser parte de uma equipe. Alguns dos mais jovens são individualistas, treinaram sozinhos desde criança para chegar aqui. Eu não, tive uma vida inteira antes de disso. O basquete veio depois”. Certamente é uma das histórias mais únicas que eu já vi na NBA. E não acho que algum técnico vai reclamar da disciplina militar de seu comandado.

Por fim, escolheram Jae Crowder também na 2ª rodada. Vi alguns analistas bem empolgados com a escolha, mas outros parecem ter dúvidas se com sua baixa estatura e físico fraco poderá ter o mesmo impacto defensivo que teve em Marquette. Como o Mavs era todo sobre apostas baratas, não custa tentar. Draft discreto do campeão de 2011.

 

Memphis Grizzlies
(25) Tony Wroten, PG/SG

 

O Memphis Grizzlies continua dando chance para os renegados. Depois de dar apoio para Allen Iverson, Zach Randolph e Gilbert Arenas, escolheram no Draft um dos jogadores que todos temiam selecionar por ser preguiçoso, difícil de ser treinado, indisciplinado e meio doido dentro de quadra, Tony Wroten. Sim, eles precisam de um reserva para Mike Conley, mas Marquis Teague não era a escolha mais segura? Até entendo pegar jogadores “arriscados” nesse ponto do Draft, mas acho que tinham uma melhor opção a mão.

De qualquer forma, o que pode ajudar Wroten na NBA é que ele é alto e pode jogar na posição 2 também. Caso suas decisões dentro de quadra não o deixem ser reserva imediato de Conley, terá uma chance de entrar no lugar de Tony Allen, já que OJ Mayo que deve deixar a equipe. Com ótimo físico e velocidade, pode se beneficiar do sistema do Grizzlies, muito bom em contra-ataques.

 

Indiana Pacers
(26) Miles Plumlee, C
(36) Orlando Johnson, SF

Essa foi, sem dúvida alguma, a escolha mais criticada do Draft 2012. Por mais que digam que Terrence Ross ou Dion Waiters saíram cedo demais, tem gente que pensa que Miles Plumlee nem tem talento para ser um jogador da NBA. Não dá pra condenar, quantos branquelos desengonçados de 2,13m que nem foram tão bem na faculdade já brilharam na NBA? Pois é.

O comparam com um dos caras mais adorados pela torcida de Indiana, Jeff Foster, um pivô branquelo e sem jogo ofensivo que fez carreira no Pacers. Mas Foster era um dos melhores reboteiros de ataque da NBA (embora fizesse só isso) e chegou a ter 25 pontos por jogo quando jogava na faculdade, Plumlee não chegou nem nos 14. Teria sido uma escolha comum na 2ª rodada, uma aposta para fim de banco, mas usar um contrato garantido de 1ª rodada nele foi demais.

Na segunda rodada, para compensar, compraram a escolha 36 do Sacramento Kings e selecionaram o ala Orlando Johnson. Ele jogou todos os anos da faculdade e chega na NBA com alguma experiência, pode ajudar mas não salva o Draft do Pacers.

 

Oklahoma City Thunder
(28) Perry Jones III, SF/PF

 

Peguem o que escrevi sobre Jared Sullinger na escolha do Celtics e coloquem aqui. Perry Jones também era idolatrado pelo seu talento, mas problemas no joelho fizeram todo mundo pensar 10 vezes antes de escolher o versátil ala. Mas o Thunder, com seu elenco já prontinho para o título, não tinha nada a perder. Por que não arriscar?

O grande problema do Thunder é que será praticamente impossível manter esse elenco nos próximos anos. Eles precisam renovar com James Harden e Serge Ibaka, mas se os dois receberem valores de mercado compatíveis com o que jogam (cerca de 9 a 11 milhões por ano para cada um), o Thunder extrapola absurdamente o teto salarial e pagaria multas gigantescas. A solução seria arranjar um substituto para um dos dois o mais rápido possível. Bizarramente Perry Jones pode se encaixar em qualquer lado. Ele tem as características de ser bom controlando a bola e criando situações de ataque

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por conta própria como Harden, mas tudo isso com o tamanho do Ibaka! Uma aberração. Ele tem boas chances de ser um cara muito bom se seus joelhos deixarem, ótima escolha do Thunder.

 

Chicago Bulls
(29) Marquis Teague, PG

 

O Bulls tem um problema enorme em mente agora, precisa decidir se iguala a oferta mirabolante que o Houston Rockets fez pelo seu bom pivô reserva Omer Asik. Mas enquanto não decidem o que fazem com o garrafão, já resolveram o problema no outro extremo das posições.

A contusão séria de Derrick Rose no joelho irá o tirar de um pedaço da próxima temporada e mesmo quando ele voltar, será aos poucos. CJ Watson fez boa temporada, mas nos Playoffs mostrou como é limitado, além de ser Free Agent e poder ir embora. Ou seja, o Bulls precisava de um armador. Não botava fé que iriam conseguir um na 29ª posição do Draft, mas Marquis Teague, armador do time campeão de Kentucky sobrou e foi selecionado. Parece o cara ideal: Tem boa infiltração, sabe criar seu próprio arremesso, mas melhorou muito no jogo de meia quadra com o passar da última temporada. Se compreender bem o ataque do Bulls pode dar certo desde o início. Se até John Lucas rendia armando para o Bulls na última temporada, por que Teague não pode? Ah, o sobrenome não é coincidência. Ele é irmão de Jeff Teague, armador do Atlanta Hawks.

 

Brooklyn Nets
(41) Tyshawn Taylor, PG/SG
(54) Tornike Shengelia, SF
(57) Ilkan Karaman, SF

O Nets está torrando grana em super estrelas. Renovou por 10 milhões por ano com Gerald Wallace, trocaram pelo caríssimo Joe Johnson e ainda querem oferecer um contrato máximo para Deron Williams. Gastando tanto assim com o time titular é capaz que sobre espaço para umas escolhas de 2ª rodada que ganham uma mixaria. Por mixaria entenda “Salário mínimo da NBA, mais do que eu ou você iremos ganhar na vida”. A nota baixa vai pelo fato de terem trocado a 6ª escolha por Gerald Wallace, um cara que virou um Free Agent caro poucos meses depois.

O armador Tyshawn Taylor é bom individualmente, sabe atacar a cesta e cavar faltas. Se conseguir isso na NBA já terá espaço no banco de reservas. Tornike Shengelia tem uma Força Nominal perturbadora, o que não sei se é boa ou ruim. Jogou pouco na última temporada no Valência, difícil prever o que pode render na NBA. Por fim, o que dizer de Ilkan Karaman? Nada, só posso colocar a reação de um torcedor do Nets no momento de sua escolha:

….
A parte importante do Draft já acabou, os times que tiveram escolhas na 1ª rodada já foram avaliados. Mas voltamos mais tarde para fechar a conta, faltam apenas New York Knicks, Utah Jazz, Los Angeles Lakers, San Antonio Spurs, Los Angeles Clippers e Minnesota Timberwolves.

>A fantasia de um mundo sem patrão

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O Itaquerão da Flórida

Hoje aconteceu mais uma reunião entre a Associação dos Jogadores e os donos de equipes da NBA. O clima para antes do encontro era ótimo, o pessoal dos boatos já dizia que o Derek Fisher, presidente da Associação, já havia mandado até mensagens para os jogadores dizendo para eles irem se preparando fisicamente para a temporada, notícia que ele desmentiu depois. De qualquer forma os dois lados pareciam mais dispostos do que antes e existia um ar de otimismo.

Mas o final não foi de conto de fadas. Derek Fisher e Billy Hunter, o advogado que negocia em nome dos jogadores, saíram da reunião dizendo que poucos progressos foram feitos e que não existe razão para achar, hoje, que o Training Camp e a Pré-Temporada vão ocorrer no final de Setembro e começo de Outubro como previsto. Se a temporada começar na hora certa, será com o sacrifício dessas duas fases. Pelo jeito alguns avanços foram feitos nas questões econômicas, mas que além delas ainda existem questões da estrutura e formato da liga (que também influenciam a questão econômica) que os jogadores não aprovaram.

As razões e ambições dos dois lados a gente já discutiu aqui. Falamos da briga entre a divisão da renda, do hard cap/soft cap, garantia de salários e tudo mais. E já que falamos dos problemas, que tal agora uma solução? Propostas de novos formatos pipocam a toda hora, mas um deles foi o que mais me chamou a atenção e o que vou reproduzir aqui. É uma liga sem donos, criada pelos jogadores e gerenciada por eles com o apoio de governos municipais.

A proposta nasceu em um texto do economista David Berri, e vale a pena um parênteses para falar sobre o cara. Ele é formado em Economia e é especializado em esportes, ganhou fama ao escrever o livro “The Wages of Win“, que analisa de forma racional, econômica e estatística os 4 grandes esportes americanos: Beisebol, Basquete, Hóquei e Futebol Americano. Lá o autor discorre, por exemplo, sobre o quanto a folha salarial influencia nas vitórias de um time de beisebol, o quanto o desempenho de um quarterback define o sucesso de um time de futebol americano e, no basquete, ele cria uma nova maneira de medir o quanto um jogador, individualmente, contribui para a vitória da sua equipe, é o “Wins Produced”, que é algo impossível de entender e mais ainda de explicar, mas os resultados podem ser vistos aqui. O importante é que ela vai completamente contra as formas acumulativas de medir eficiência, aquelas que simplesmente somam pontos, rebotes, assistências e outros números que vemos no box score.

Todo mundo vê David Berri como alguém que analisa a NBA da forma mais diferente possível. Concordando ou não, é interessante que ele tenta ver o esporte por outra perspectiva que vai além do lugar comum que jornalistas e comentaristas esportivos veem. Provavelmente por ele ser um economista, não alguém da imprensa ou ex-atleta, claro.

No texto que Berri fez para o Huffington Post, ele dispara a pergunta: Os jogadores e as cidades dos EUA realmente precisam dos donos?

A primeira coisa que ele traz à tona são histórias conhecidas: A mudança do Sacramento Kings para Anaheim, que quase aconteceu na temporada passada, e que é muito parecida com a história do fim do Seattle Sonics e sua mudança para Oklahoma City. Nos dois casos a NBA pressionou as franquias para a construção de novos ginásios, construções maiores, com mais lugares, ingressos mais caros e maior área de entretenimento e alimentação. Em outras palavras, mais formas dos torcedores saírem de casa e ir lá torrar dólares mesmo que o time seja ruim.

Mas tanto o Sonics como o Kings não tinham dinheiro para bancar arenas milionárias e foram então correndo atrás da prefeitura da cidade atrás de financiamento. A de Seattle votou e decidiu que não iria gastar dinheiro público com arenas esportivas para uso de equipes privadas, já a de Sacramento, onde o prefeito é o ex-jogador da NBA Kevin Johnson, decidiu tirar a mão do bolso e prometer que vai construir um novo ginásio em um futuro próximo, fazendo a NBA e os donos da franquia, os irmãos Maloof (façam vocês as piadas), esquecerem temporariamente a ideia de mudar de cidade.

Não são fatos isolados, isso aconteceu mais vezes. O Orlando Magic tinha uma das arenas mais velhas da liga, então logo a NBA pressionou o time e cidades como Oklahoma City (na época sem o Thunder), Kansas City e Las Vegas estavam babando para pegar o Magic. Então a franquia foi falar com a prefeitura da cidade e negociaram uma maneira da cidade bancar o projeto: Dos 450 milhões de dólares que o ginásio custou, o Magic pagou 50 milhões, a prefeitura e uma nova taxa cobrada em hotéis da cidade (se você é um turista que foi pra Disney, ajudou a pagar) bancaram o resto. Como compensação a cidade recebeu uma parte dos direitos de nome (Amway Center, que custou 40 milhões à empresa de vendas diretas) e 1 milhão de dólares por ano pelos próximos 30 anos do Orlando Magic.

E tem mais: A arena do Charlotte Bobcats foi 100% paga com dinheiro público, assim como as do Memphis Grizzlies, Phoenix Suns e Oklahoma City Thunder. A do San Antonio Spurs foi 85% paga pela prefeitura, a do Houston Rockets 81% e a do Dallas Mavericks, 50%. Todas essas arenas construídas nos últimos 10 anos.

Isso está soando bem familiar, não é? Estádios da Copa do Mundo estão sendo feitos pelo governo para depois serem entregues a clubes privados e Andrés Sanchez está sorrindo em algum lugar. Os argumentos usados aqui são os mesmos usados lá: fará bem para a cidade, dará lucros para todos a longo prazo, irá movimentar a economia da região, gerar empregos e etc, etc, etc que ouvimos de todos os políticos que decidem bancar a brincadeira.

Esse assunto é tratado em dois outros textos que li recentemente, um é o já citado Soccernomics, livro que é um Wages of Win do futebol, e em uma matéria da revista piauí sobre a Copa do Mundo da África do Sul, “A Copa do Cabo ao Rio” da Daniela Pinheiro. Ela até cita o Soccernomics no texto dela quando o assunto é a construção de obras em cidades que vão sediar Olimpíadas ou Copas do Mundo. Ambos os textos concluem que o custo de infraestrutura e construção de obras sempre supera a receita da competição, e que o tal aquecimento da economia da região (cidade, bairro, entorno da arena) é impossível de medir já que as projeções são sempre feitas a longo prazo e, logo, influenciadas por outras trocentas mil coisas. Como saber se a economia de Phoenix foi beneficiada pela arena nos últimos 10 anos se a crise econômica mascarou tudo?

Existe, portanto, algum lado bom em sediar uma Copa do Mundo ou, no caso dos Estados Unidos, ter uma franquia da NBA em sua cidade? Sim. De acordo com pesquisas realizadas nas cidades com essas características dá pra ver que a população local fica mais feliz, que o sentimento de patriotismo ou bairrismo aumenta e que a auto-confiança da cidade transparece. Vale a pena pelo intangível, não por questões econômicas. O Soccernomics chega a ir além ao mostrar que seleções nacionais disputando grandes torneios e equipes que criam identificação com cidadãos de sua cidade são capazes de prevenir suicídios.

Voltamos então à questão de uma liga criada pelos jogadores. As cidades já gastam muito com os times e os jogadores são o material imprescindível para a qualidade do espetáculo, onde entram os donos na história? Como bem lembra o David Berri, no capitalismo os donos entram com o capital (prédios, instalações, maquinário) e os trabalhadores com a sua força de trabalho, a renda depois é distribuída entre as duas partes. Mas na NBA o governo está bancando uma parte enorme do capital (os ginásios onde eles jogam, a parte mais cara de ser um time) e o resto (viagens, salários) podem ser pagos por qualquer fonte de renda, como direitos de TV que os jogadores receberiam em sua totalidade se fossem donos das próprias equipes. Outra coisa, na NBA os trabalhadores não podem ser substituídos por quaisquer outros, é um negócio completamente diferente se você trocar o Kobe Bryant pelo Nezinho no Los Angeles Lakers. 

A ideia, portanto, é: Os jogadores, unidos, procuram um grupo de cidades que não tem times de basquete profissional e oferecem a ideia de uma liga. As cidades bancam o ginásio, os jogadores entram com sua força de trabalho. O lucro gerado por ingressos, TVs e produtos é distribuído entre os jogadores da maneira que eles acharem mais justa (isso dá pano para discussão, mas aí é jogador contra jogador até virar uma Revolução dos Bichos, pelo menos) e outra parte vai de compensação para a cidade, que está investindo na sua população, como já o faz, mas dessa vez até recebendo financeiramente em troca, já que não existe o dono do time para tirar um pedaço.

Essa liga perderia coisas muito importantes, primeiro o nome “NBA“, uma marca muito forte ao redor do mundo, além dos direitos à história da liga (nada mais de clipe de abertura das finais com cenas do Michael Jordan fazendo falta de ataque no Byron Russell) e de outras marcas famosas como Los Angeles Lakers e Chicago Bulls. Seria como começar do zero, o dinheiro seria menor, mas quem é fã de basquete provavelmente não iria deixar de assistir se, no fim das contas, mesmo em outros uniformes, estivessem Kobe Bryant, LeBron James, Tim Duncan, Derrick Rose e Kevin Garnett dentro de quadra.

Porém, mais do que o funcionamento e rendimento dessa liga, que poderia ser até temporária na minha opinião, o David Berri argumenta que seria uma forma dos jogadores mostrarem na prática o seu lado e sua importância. Que eles podem viver sem os donos, mas que os donos não podem viver sem os jogadores, e assim ganhar espaço e apressar as negociações.

A criação da liga em si é ainda uma fantasia. Não deve chegar perto de acontecer a não ser que a temporada seja realmente cancelada, e mesmo assim eu vejo mais os jogadores indo para a Europa ou China do que se dando ao trabalho de criar uma liga própria. Mas o mérito do raciocínio do David Berri é questionar o quanto os jogadores realmente necessitam dos donos e trazer à tona a questão da ajuda pública para esses times. Trazer as cidades para a questão foi importante, mas por enquanto, como o exemplo de Sacramento mostrou, os prefeitos ainda são obedientes aos donos para não ter que arcar com o mico de dizer a seus eleitores que deixaram o seu time querido fugir da cidade.

A greve parece que vai ser longa, bastante tempo pra gente divagar sobre esses assuntos.

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Algum assunto que você quer ver abordado aqui no Bola Presa? Faça sua sugestão nos comentários. Não prometemos obedecer, claro, mas não custa tentar.

>Como perder um jogo em 5 minutos

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Estão falando mal do Perkins? Abraça ele, Tyson!

Meu apelo por séries de sete partidas está indo para o ralo. Os jogos estão disputados, as séries interessantes e tem muita coisa para comentar, muitas decisões e atuações dignas de comentários, mas no fim das contas esses jogos apertados renderam duas séries em 3 a 1, um buraco difícil de sair em qualquer situação, ainda mais contra times embalados e visando uma vaga na final. Não vale nem a pena discutir se as séries já acabaram ou não, mas é óbvio que se algo mudar drasticamente será um milagre. O que vale muito a pena é discutir como essas coisas aconteceram, comentar o passado é muito mais produtivo do que futurologia barata.

Aliás, esse assunto de comentar passado ou futuro me faz criar aqui um parênteses para falar sobre como a imprensa esportiva em qualquer lugar do mundo comenta esportes. Quando estamos bem perto do assunto, lendo bastante e acompanhando de perto e sempre lendo tudo que é comentarista, vemos como esse lado do jornalismo é muitas vezes amador e patético, é tanta bobagem que dá até desgosto de fazer parte desse grupo às vezes. Vejamos o caso do Dirk Nowitzki que está fazendo chover nesses playoffs. Ele era um jogador limitado que não sabia defender quando jogava pelo Don Nelson no começo da última década, depois virou um amarelão quando perdeu a final para o Miami Heat em 2006, um jogador decadente quando o Dallas passou a ser eliminado no começo dos playoffs e agora, com seu time a uma vitória da final, um dos 30 maiores jogadores de todos os tempos, o mais próximo do estilo de Larry Bird desde os anos 80. Sim, o Dirk mudou um pouco do seu jogo com o passar dos anos, evoluiu em alguns aspectos, alterou estilo em outros, mas os rótulos, adjetivos e o reconhecimento de fãs e dos mais conceituados jornalistas esportivos são todos baseados nos resultados dos times. Ele era um mal defensor quando todo o Dallas não defendia nada, era amarelão quando todo Dallas perdeu e é um gênio agora que o time como um todo tem jogado demais. Essa memória curta e a desastrosa mania de querer fazer rankings criam absurdos que só olhando com uma certa distância dá pra reparar. Outro dia um cara no Twitter postou algo simples e que mostra o que estou dizendo, ele disse assim: Melhor ala de força da história – Costumava ser o Duncan, nos dois últimos anos foi o Gasol, no começo dos playoffs foi o Zach Randolph e agora é o Nowitzki. E detalhe, ele ainda esqueceu de dizer do Kevin Garnett em 2008!

Vocês realmente acham que o Pau Gasol mudou muito desde que foi do Memphis Grizzlies para o Los Angeles Lakers? O que mudou foi ter um time melhor em volta e ter gente assistindo aos seus jogos pela primeira vez na vida com alguma atenção. E o Garnett, idolatrado em 2008, não estava jogando metade do que fazia, sem nenhuma atenção da mídia, quando era mais jovem no Minnesota Timberwolves. A verdade é que a grande parte de quem comenta esportes só comenta uma coisa: resultados. E os resultados imediatos, o do mês passado, não querem dizer mais nada. Outro exemplo? A troca do Kendrick Perkins. Algumas semanas atrás estavam idolatrando o Perk, agora tem gente chamando de troca “Spy vs. Spy” em que os dois lados se envenenaram e se mataram simultaneamente. O que fez o pessoal mudar de opinião assim foi que nessa série contra o Mavs o Perkins tem sido inútil e os números do time são bem piores quando ele está em quadra. Mas quem assiste basquete com calma ou simplesmente só lê sobre o assunto deve saber quem é o Kendrick Perkins. Ele é um especialista. Assim como o Kyle Korver é um especialista em três pontos ou o Arron Afflalo um especialista em defesa, o Perkins é muito bom em só uma coisa, só uma, mas talvez o melhor da liga nisso; ele defende pivôs embaixo da cesta, lá na área pintada, contra caras pesados que jogam de costas para a cesta. Ele também é bom ocupando espaço no garrafão, fechando espaço para infiltrações com bom posicionamento, e é isso, nada mais.

Acontece que eles estão enfrentando o Dallas Mavericks. O garrafão deles é formado pelo Dirk Nowitzki, que apesar do tamanho joga longe da cesta e tem muita mobilidade, e pelo Tyson Chandler, que só recebe a bola no ataque em algumas ponte aéreas, uma jogada que pode passar um jogo inteiro sem acontecer. O reserva é o Brendan Haywood, também nulo no ataque. O Mavs é também um estranho time que só tem um jogador com a característica de infiltrar, ele é um armador porto-riquenho de um metro e dez de altura, o resto vive e morre de seus arremessos. Sem um jogador de post-up ou infiltrações para proteger, o Kendrick Perkins é tão útil quanto uma nota de 100 reais na Lua. Isso não quer dizer que a troca foi péssima, que ele é horrível ou qualquer bobagem do tipo, apenas não é o cara certo para esse matchup. Eu imagino se essas pessoas lembram do começo da temporada quando qualquer timinho mais ou menos que tivesse um armador rápido estava costurando a defesa do Thunder e fazendo bandejas sem contestação no meio do garrafão, ou se lembram como o Scott Brooks estava quebrando a cabeça para conseguir dar minutos merecidos para Serge Ibaka e James Harden, que elevaram demais o seu jogo desde a saída de Jeff Green. A troca foi um sucesso para o Thunder mesmo que não funcione em uma série de playoff.

Com isso meio que fechei o meu parênteses-desabafo sobre essa cobertura esportiva idiota que a NBA recebe em todo lugar. E já embalei falando da série Thunder/Mavs. Na última partida o Thunder foi o primeiro time nos últimos 10 anos (dez malditos anos! 5.016 jogos) a estar liderando por 15 ou mais pontos a menos de 5 minutos para o fim do tempo regular e perder a partida. É algo único e difícil de explicar, até porque até esses minutos finais dava pra fazer um post dizendo tudo o que o time tinha arrumado em relação ao jogo anterior e que tinha rendido essa vantagem confortável.

A primeira coisa foi que eles acharam o seu quinteto ideal. O Perkins começa o jogo mas teve seus minutos reduzidos devido a todas as razões que explicamos acima, no lugar dele entra o Nick Collison, que foi um monstro marcando Zach Randolph e agora faz um trabalho espetacular contra Nowitzki, se o alemão acerta arremessos de costas, com a mão esquerda enquanto morde uma maçã e recita um poema de Goethe isso já está fora da alçada do Collison, melhor do que ele faz é impossível. Além dele, no lugar do Thabo Sefolosha entrou o James Harden, e essa foi a grande sacada do técnico Scott Brooks. Ao invés de deixar Harden apenas atuando com os reservas, deixou ele em quadra ao mesmo tempo que Kevin Durant e Russell Westbrook (além de Serge Ibaka, que fecha o quinteto) para dar mais uma opção ofensiva.

O Thunder estava sofrendo porque não conseguia deixar os seus dois principais pontuadores, KD e Westbrook, em condições de fazer cestas. Como em quase todos os jogos dessa série, estavam penando contra Jason Kidd e Shawn Marion. Westbrook não tem lá tanta dificuldade de passar pelo Kidd em velocidade, mas não sabe o que fazer depois disso quando lida com a cobertura do resto da equipe, especialmente Tyson Chandler. É muita velocidade e pouco cérebro ainda para o Westbrook que, não custa lembrar, não era armador principal antes de chegar na NBA. Já o Durant tem tido dificuldades para receber a bola quando marcado pelo Shawn Marion e fica meio de lado no ataque, ele só consegue receber com tranquilidade quando recebe um corta-luz de Westbrook, quando o Dallas tem trocado a marcação. Veja as imagens (clique para ampliar):

Isso parece bom na teoria para o Thunder. O Westbrook é marcado por um cara mais alto, Marion, e o Durant por um anão de jardim, Kidd, mas na prática tem sido um desastre. O Kevin Durant não tem a velocidade e o controle de bola para passar pelo Kidd no drible, além de ainda não ter desenvolvido um jogo de costas para a cesta (próximo passo óbvio na evolução dele como jogador) prefere usar o tamanho para arremessar por cima do Kidd, mas como recebe a bola longe da cesta são sempre arremessos longos e complicados. Já o Westbrook não tem trabalho fácil contra a velocidade impressionante do Shawn Marion, que é capaz de marcar qualquer jogador adversário. Pela habilidade defensiva dos dois, o Mavs fica bem à vontade em trocar a marcação, não dar espaço e fazer o Thunder continuar bem longe da cesta.

E é aí que o James Harden entra em ação, ele tem sido o único capaz de criar mais ataque em jogadas individuais. Seu arremesso vindo do drible, a infiltração e os passes vindos dessas infiltrações têm sido a inspiração que Westbrook não foi capaz de produzir, é ele que envolve Ibaka no ataque e são suas infiltrações que fazem Tyson Chandler sair da sua zona de conforto e deixam o Nick Collison fazer a festa nos rebotes ofensivos (foram mais de 20 no último jogo!).

O James Harden é meio que um Nowitzki do Thunder. Não que seja o melhor jogador ou algo assim, o que eles têm em comum é o fato de suas características obrigarem a defesa adversária a se adaptar de uma maneira que cria espaços e assim eles são responsáveis por jogadas em que tocam pouco na bola ou só se movimentam do jeito certo. Quando o barbudo-mor da NBA foi eliminado com 6 faltas faltando 5 minutos para o fim do jogo 4 é que tudo desmoronou. Veja o box score da partida a partir do momento que ele saiu eliminado:

Em 5 minutos de tempo normal mais 5 de prorrogação, eles acertaram 3 arremessos em 15 tentados! O Durant errou todos e o Westbrook fez só um, foi horrível. E a defesa não foi ruim, eles mantiveram um bom trabalho. O Dirk fez 4 arremessos mas pelo menos 3 foram de um nível de dificuldade Ninja Gaiden, o que é aceitável para uma defesa, enquanto os arremessos do Kidd e do Jason Terry foram resultado de jogadas envolvendo o alemão que podem e sempre acontecem normalmente em um intervalo de 10 minutos. O que machucou de verdade foram os 12 lances livres cobrados pelo Mavs. Acho que pelo menos seis deles vieram de faltas bobas cometidas ainda no campo de ataque do Thunder quando eles já tinham ultrapassado o limite de faltas e se arriscaram tentando pegar bolas perdidas.

Então o Thunder jogou melhor que o Mavs por 43 minutos, achou soluções boas para atacar a zona do adversário e para segurar o ataque e mesmo assim perdeu o jogo por causa de 10 minutos horripilantes em que tudo veio abaixo de uma vez só, o Nowitzki acertou arremesos impossíveis e eles fizeram todas as faltas que não poderiam. Não sei se chamo de injusto ou só de cruel, talvez um meio termo sobre o qual o Thunder não quer nem parar para pensar. O ruim é pra gente que não torce pra ninguém, uma série tão boa e disputada, com tantas alternativas táticas, agora está mais perto de um fim precoce.

E antes de ir embora, um vídeo com tudo o que o Nowitzki fez nesse jogo 4. Simplesmente perfeito.

Gastei mais tempo e espaço do que eu imaginava com esse post. A análise da prorrogação entre Heat e Bulls fica para amanhã. E você sabe, no Bola Presa promessa é… é promessa.

Pós-view da Final do Oeste – Mavs X Thunder

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Mesmo marcado por alguém que não sai do chão, o Nowitzki pula pra trás como bailarina

Deu tudo errado nos nossos planos e não conseguimos postar nosso já tradicional preview antes de começar cada nova série dos playoffs. Mesmo que muitas vezes ele vá ao ar em cima da hora, minutinhos antes do jogo, dessa vez nem isso conseguimos fazer. Thunder e Mavs ficou sem uma apresentação, sem uma introdução. Mas já que nos acostumamos a moldar o espaço-tempo com o League Pass (que permite que você assista ao jogo já começado ou terminado quando quiser, voltar a jogada, pausar, cortar os intervalos), vamos fazer uma viagem temporal: retornaremos ao passado, faremos as perguntas que eram fundamentais para entender a série, e então viajaremos de volta para o futuro (!) para mostrar como essas questões foram respondidas no jogo de ontem à noite.

– Como o Thunder fará para marcar Nowitzki? Quem receberá essa função? Usarão marcação dupla?

Essa eu nunca teria adivinhado. O Thunder usou nada mais, nada menos do que 6 marcadores no Nowitzki: foram Serge Ibaka (na maior parte do tempo), Nick Collison, Kendrick Perkins, Kevin Durant, Thabo Sefolosha e James Harden. O Westbrook também acabou marcando o alemão, mas foi numa troca de marcação desastrada. O Ibaka já tinha mostrado contra o Grizzlies todas as suas especialidades e todas as suas dificuldades, e eu esperava que o Nowitzki fosse mesmo uma dor de cabeça ainda maior. O Ibaka deu muito espaço para o Zach Randolph arremessar e, quando tentou jogar de forma física, cometeu muitas faltas ou foi batido em giros rumo à cesta. Seu grande trunfo é a velocidade, então ele é excelente na ajuda defensiva, cobrindo seus companheiros, ou fechando o pick-and-roll. Contra o Nowitzki, dar espaço para o arremesso é loucura, e o alemão tem muitos recursos girando em direção à cesta. Jogando menos na força bruta, que era o caso do Randolph gordinho, imaginei que o Ibaka teria mais problemas para contê-lo, mas que ele estaria ao menos constantemente na frente do Nowitzki para atrapalhar. O que aconteceu foi que assim que recebeu espaço para arremessar no começo do jogo, Nowitzki converteu seus arremessos e entrou num ritmo. Percebendo que precisaria pular mais para contestar os arremessos bizarros do alemão, que pula para trás como se fosse uma mola, Ibaka começou a sair do chão na defesa – cometendo assim muitas faltas e ficando vulnerável para o Nowitzki bater pra dentro. Quando começou o terceiro período, Ibaka já tinha 4 faltas e foi pro banco. Não deu certo. O Perkins se saiu ainda pior, porque para contestar os arremessos tem que mover toda sua massa corporal feita de concreto e o Nowitzki apenas fingia os arremessos para cortar livremente rumo à cesta. Cagada. Então o Thunder tentou o Durant, que é mais rápido e tem braços mais compridos estilo Dhalsim, mas como ele não tem físico para segurar o jogo de costas para a cesta do alemão, acabou cometendo faltas e teve que abandonar a função. Thabo Sefolosha tentou colocar em prática a defesa ideal contra o Nowitzki, que é estabelecer uma posição sólida bem perto do corpo do alemão e obrigá-lo a colocar a bola no chão. Mas o Nowitzki arremessou facilmente por cima do Sefolosha, que é muitíssimo mais baixo do que todos os outros marcadores, e ainda cavou faltas fazendo algo inédito para ele: combatendo a defesa estabelecida do seu marcador com força, usando as costas sem medo do jogo físico. James Harden tentou a mesma tática e se saiu um pouco melhor, mostrou um físico que eu não imaginava que ele tivesse, mas Nowitzki continuou arremessando por cima de todos esses nanicos. Foi um massacre. Quem se saiu melhor foi o Nick Collison, o homem que lascou com a vida do Zach Randolph no jogo final entre as equipes, mas também cometeu muitas faltas tentando evitar os arremessos de arco gigante do alemão. Ao todo, o Nowitzki cobrou 24 lances livres e converteu todos, recorde da história dos playoffs.

É claro que o Thunder tentou dobrar a marcação assim que o Nowitzki começou a acertar arremessos, mandando o Wetbrook para a dobra. É sempre uma boa sacada para pará-lo, porque ele passa a bola toda vez que a dobra chega (a não ser que a dobra venha muito tarde, quando ele já se dirigia para a cesta, como aconteceu algumas vezes). Mas existe uma coisa bizarra a respeito do Mavs: eles são um time com pouca variação ofensiva, que não gira a bola, e que se baseia muito em jogadas de isolação – a não ser que a bola saia de dentro do garrafão. Quando o Nowitzki recebe marcação dupla, ele invariavelmente passa a bola para o perímetro e lá a bola gira com maestria para encontrar um arremessador livre. Por que eles não giram a bola constantemente eu nunca saberei, mas bastou o Thunder dobrar para que o Mavs convertesse uma bola de três pontos. Foram cestas de Jason Kidd, de DeShawn Stevenson, de Peja Stojakovic (a década passada manda lembranças), e principalmente do Jason Terry (que inclusive fez a cesta de três que garantiu a vitória, numa dobra no Nowitzki, quando o Thunder apertava no minuto final). Bastaram alguns desses arremessos convertidos para que o Thunder parasse de dobrar, voltando apenas no quarto período quando a água estava batendo na bunda. E a verdade é que muitos arremessos de três pontos nessas circunstâncias não caíram, mas os que caíram decidiram o jogo.

Voltamos então a uma questão que monopolizava os debates táticos na época em que o Duncan dominava o jogo: deve-se dobrar ou não a marcação num ala de força que sabe passar a bola para um time que é bom arremessador de três? Sempre achei que a marcação deveria dobrar no Duncan e forçar os outros jogadores a decidir no perímetro, mas o Suns perdeu muitos jogos para o Spurs porque estava dobrando – e muitos outros por não estar dobrando, também. O Thunder vai passar por essa questão filosófica durante a série, “dobrar ou não dobrar, eis a questão”, e essa pode ser a escolha mais decisiva do confronto.

Vale ressaltar também a paciência absurda do Nowitzki quando sofre a marcação dupla. Ele respira, segura a bola mais um pouco, e aí passa para o perímetro. Apenas uma vez, no jogo inteirinho, recebeu a bola de volta para atacar de novo o garrafão, lá no fim do terceiro quarto. Ele passa para fora mesmo sabendo que a bola não voltará, confia inteiramente no time e o Mavs é feito para isso. Mesmo nos contra-ataques, o que o Mavs quer é arremessar do perímetro, e funciona.

– O banco do Dallas Mavericks prometeu desequilibrar a série. Jason Terry chegou a dizer que queria marcar sozinho mais pontos do que todo o banco do Thunder. Como o banco do Thunder vai responder a isso, e como Jason Terry se sairá?

Pois é, o Jason Terry quase fez o que prometeu. Sozinho marcou 24 pontos, com 4 bolas de três pontos, enquanto o banco inteirinho do Thunder somou os mesmos 24 pontos. Jason Terry se aproveitou um absurdo da dobra de marcação no Nowitzki, e soube também usar isso para fingir arremessos contra a defesa do Thunder afoita por cobrir os buracos, batendo para dentro do garrafão com o caminho livre. O Nowitzki teve uma partida absurda, mas a calma do alemão só foi possível porque ele não teve que forçar arremessos, podia colocar a bola no perímetro para o Jason Terry se aproveitar. De certo modo, foi ele quem decidiu o jogo e permitiu a partida do Nowitzki.

Mas o banco do Dallas teve também os 21 pontos do JJ Barea, que também quase fez tantos pontos quanto o banco do Thunder inteiro. E o JJ Barea nem precisou ficar arremessando, ele atacou a cesta numa boa se aproveitando dos espaços criados pelo Nowitzki. Foi quase uma imitação do que o Devin Harris fazia por lá uns anos atrás. Vamos dar uma olhada em uma imagem do jogo, tirada diretamente de um print screen do meu League Pass.

Reparem primeiro na qualidade da imagem, que parece um quadro pintado pelo Monet (é o espírito do pintor, que às vezes invade meu League Pass). Mas depois, vamos dar uma olhada naquele bolo de jogadores na cabeça do garrafão. Parece uma suruba, mas na verdade é o Brandan Haywood ameaçando fazer um corta-luz para o Nowitzki. Só essa ideia já deixa a defesa do Thunder louca, então tanto o marcador do Nowitzki (o Ibaka) quanto o marcador do Haywood (que é o Perkins) precisam impedir a jogada. Mas vejam, é uma defesa inteira comprometida com isso sendo que a bola sequer está naquela parte da quadra. Enquanto isso, o Nate Robinson está marcando o homem com a bola mas defende seu lado direito, que é onde está o Nowitzki, para tentar impedir um passe para o alemão. O JJ Barea, que tem a bola, pode então caminhar de costas em direção à cesta se quiser, porque ninguém está lhe dando bola. O único homem por perto é o James Harden que, como vimos analisando taticamente as jogadas do Grizzlies, nunca – NUNCA – abandona seu homem na zona morta. E foi assim que o JJ Barea marcou 21 pontos sem nunca ser marcado por ninguém. O Nowitzki muda o jogo mesmo quando está só parado, lendo um gibi.

O banco de reservas também se segura sem o alemão, mesmo que seja capengando. As jogadas que o Mavs chama continuam idênticas (em geral é o Shawn Marion que é isolado de costas para a cesta), o que me enlouquece, é muita burrice e tem resultados mequetrefes. Mas os jogadores são bons o bastante para ao menos segurar as pontas. Com 3 minutos para acabar o primeiro quarto, Nowitzki já estava descansando no banco numa boa com a garantia de que o time não iria se demolir.

O banco do Thunder, por sua vez, não tem esse poder ofensivo. Ontem até o Nate Robinson, que mora de castigo no banco, entrou em quadra para correr atrás do Barea e dar uma força no ataque. O único reserva que ajudou pra valer foi o James Harden, que cada vez se mostra um jogador mais completo. Contra o Grizzlies, mostrou que consegue armar o jogo e passar a bola nas infiltrações, o que lascou muitas vezes o plano defensivo da equipe dos ursinhos. Contra o Mavs, ele foi o único jogador capaz de costurar a defesa por zona da equipe de Dallas e finalizar na bandeja ou então acionar os jogadores do Thunder embaixo da cesta. Se o Westbrook conseguisse ter essa frieza do Harden, seria um gênio.

– O Mavericks vai usar sua famosa defesa por zona? Se usar, o Durant não vai matá-los no perímetro? Como diabos vão marcar o Durant?

Essa pra mim foi a maior surpresa do jogo. Não teria adivinhado nunca, teria mesmo que viajar de volta para o futuro. O Mavericks usou bastante sua defesa por zona e com isso deu um espaço considerável para o Durant arremessar toda vez que recebia a bola vindo de um corta-luz. Mas essa defesa por zona tornou impossível para o Westbrook usar sua velocidade e colocar a bola no chão na cabeça do garrafão! A defesa por zona do Mavs exige um post à parte, que teremos muito tempo para fazer nesses playoffs, o que importa por enquanto é que o Westbrook foi obrigado a acalmar o ritmo, costurar a defesa, lidar com mais de um marcador, e ele é um desastre nessas coisas. Quando finalmente encontrava o caminho livre para o aro (em geral no contra-ataque, porque a defesa de transição do Mavs fede), tomava sopapo dos trogloditas do garrafão: Tyson Chandler e Haywood. O Mavs que fez Kobe Bryant não finalizar praticamente nenhuma vez perto do aro apareceu ontem, mandando Durant e Westbrook pro chão, pra linha de lances livres, e forçando erros com vários defensores em cima da bola ao mesmo tempo. Durant cobrou 19 lances livres, Westbrook cobrou 18. Parece algo desastroso para o Mavs, não? Além disso, Durant marcou 40 pontos, acertando arremessos fáceis. Parece uma merda, não? Aí está a genialidade do Mavs, o sinal de que eles assistiram a todos os jogos da série entre Thunder e Grizzlies e fizeram a lição de casa. A defesa por zona foi colocada em prática para deixar o Durant jogar, mas aloprar com o Westbrook. Quem foi o gênio maligno que pensou nisso? Além disso, é melhor deixar os dois na linha de lances livres do que fazendo bandejas. Como o Lakers mostrou, uma hora o time cansa de apanhar, cansa de ter todas as bandejas contestadas, e passa a arremessar só de longe. O Thunder é pior quando fica nos arremessos (venceu o Grizzlies fácil com o Durant cortando mais em direção à cesta) e depende muito do Westbrook não cometer cagadas e controlar o ritmo de jogo (quando ele armou o jogo com calma, passou a bola e não forçou arremessos, o Grizzlies virou farofa no Jogo 7). Com uma defesa para forçar o Westbrook a não poder bater para a cesta, o Mavs só teve que se preocupar em cometer faltas nas penetrações que passavam e ver os arremessos de fora choverem. O Thunder só encontrou uma bola de segurança nas infiltrações ou espaços dentro da zona que procuravam então passar a bola para alguém embaixo da cesta, como Ibaka ou Perkins. Quem mais fez isso foi o Harden, porque o Westbrook não consegue.

Essas questões foram então bem respondidas, e está dada a tônica da série. Mas e quando os arremessos de fora do Thunder caírem? E quando o Durant marcar 60 pontos porque tem espaço para jogar? Será que o Westbrook consegue vencer a defesa por zona, acalmar o jogo, levantar a cabeça, e acionar o garrafão? E quem diabos, mantemos a pergunta, vai marcar o Nowitzki pra valer? Haverá dobra ou não? São novas questões que resolveremos no próximo jogo, quinta-feira. E você acompanha a análise aqui, num horário aleatório mas no mesmo bat-canal.

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