As prorrogações em números

As prorrogações em números

A partida de 4 prorrogações entre o Atlanta Hawks e o Utah Jazz na noite desse domingo chamou algumas perguntas: Qual o recorde de prorrogações em um jogo da NBA? E quem jogou mais minutos em um jogo? E nos playoffs? Então seguem as estatísticas mais interessantes sobre prorrogações na NBA.

Mais prorrogações em um jogo
O recorde de prorrogações em um jogo é de 6. Foi na partida entre Indianapolis Olympians e Rochester Royals, vencida pelo Olympians por 75 a 73 em 1951. É importante lembrar que nessa época não existia relógio de 24 segundos definindo a posse , então os times podiam segurar a bola por mais tempo e correr menos riscos. Por isso o placar baixo mesmo com tanto tempo extra.

Mais minutos jogados
O recorde de minutos disputados em uma partida aconteceu no jogo com maior número de tempos extras na era dos 24 segundos. O Seattle Supersonics perdeu para o Milwaukee Bucks após 5 prorrogações em novembro de 1989! Quem mais deve ter sofrido com a derrota foi o ala do Sonics Dale Ellis (foto), que jogou 69 dos 73 minutos possíveis. Ele saiu de quadra com 53 pontos, 20 deles marcados só nas prorrogações, e com a derrota. O segundo lugar da lista é de seu companheiro de Sonics, o pivô Xavier McDaniel, que no mesmo jogo atuou por 68 minutos, conseguindo 37 pontos e 13 rebotes. Entre os jogadores ainda em atividade o recorde é de Vince Carter. Em 2001 ele jogou todos os 63 minutos na derrota de seu Toronto Raptors para o Sacramento Kings por 119-118, a partida teve 3 prorrogações e Vinsanity (na época ele mais que merecia o apelido) fez 38 pontos e pegou 10 rebotes.

Na partida de ontem Gordon Hayward jogou 57 minutos, recorde do Utah Jazz empatado com a marca de Karl Malone de 1992 em um jogo de tripla prorrogação contra o Chicago Bulls. Quem mais jogou pelo Hawks foi Joe Johnson, com 55. O recorde da franquia é do mesmo JJ, que jogou 57 em uma derrota após dupla prorrogação para o Kincks em 2006.

Mais pontos marcados em uma prorrogação
Curiosamente o dono desse recorde foi, por um pequeno período de tempo, o anão Earl Boykins. Em 2005 ele quebrou um recorde que durava 21 anos e marcou 15 dos 21 pontos do Denver Nuggets em uma prorrogação contra o Sonics. O jogador de 1,65m só perdeu o posto quando Gilbert Arenas fez 16 pontos em uma prorrogação sobre o Los Angeles Lakers em 2006. Naquele jogo o Agent Zero marcou 60 pontos!

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Se falarmos de times, não jogadores, o recorde de pontos marcados em uma prorrogação é do New Jersey Nets. Eles fizeram 25 pontos no tempo extra de uma vitória sobre o Clippers em 1996. O time do Nets daquele ano era treinado pelo John Calipari que agora brilha pela Universidade de Kentucky na NCAA e tinha nomes conhecidos como Sam Cassell, Jayson Williams, Shawn Bradley, o já citado Xavier McDaniel e Kendall Gill, o cestinha daquele jogo com 29 pontos.

O recorde negativo é de 0 pontos em uma prorrogação. 10 times já fizeram isso na história, o último foi o próprio Atlanta Hawks no último jogo de 3 prorrogações antes do de ontem. Foi quando o Hawks perdeu para o Heat (sem Wade e LeBron) em janeiro desse ano. Os 5 minutos em branco foram na última e decisiva prorrogação.

 

Nos playoffs
Jogos de playoff já são tensos por natureza, quando tem muitas prorrogações viram coisas de outro mundo. No passado recente tivemos dois jogos históricos. No ano passado mesmo o Memphis Grizzlies e o Oklahoma City Thunder fizeram um jogo de tirar o fôlego: Foram 3 prorrogações, viradas, bolas complicadas, heróis. Foi sensacional e decisivo. Para o Thunder, vencer o jogo 4 fora de casa e recuperar o mando de quadra foi essencial para vencer a série.

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Em toda a história dos playoffs já aconteceram 200 jogos com prorrogações, apenas 35 vezes (17%) o jogo teve mais de um tempo extra e somente 5 vezes uma partida alcançou 3 prorrogações ou mais. Além desse Grizzlies/Thunder, o outro jogo do passado recente que eu citei é aquele épico Bulls/Celtics, o jogo 6 da série de 1ª rodada de 2009 que teve 7 prorrogações disputadas em 7 jogos. Os jogos 1 e 4 tiveram prorrogação, o jogo 5 teve uma dupla e o jogo 6 essa tripla. Vale ver o vídeo inteiro: Ray Allen com 51 pontos, Derrick Rose cobrando lateral para o Ben Gordon decidir, o toco do novato Rose sobre Rajon Rondo, um clássico:

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Os outros jogos de 3 prorrogações ou mais foram esses:
Boston Celtics 111 Syracuse Nationals 105 – 4 OT (Jogo 2, Semi-Final do Leste/1953) – Recorde de prorrogações na história dos playoffs. Bob Cousy fez 30 de seus 50 pontos na linha do lance-livre

Phoenix Suns 126 Boston Celtics 128 – 3 OT (Jogo 5, Final da NBA 1976) – Esse é chamado de “O melhor jogo de todos os tempos”. O Celtics vencia por 20 pontos em casa a grande zebra dos playoffs, o Suns que, liderados pelo ex-técnico do Kings Paul Westphal, empatou o jogo. No final do tempo normal John Havlicek errou um lance-livre decisivo e o jogo foi para a prorrogação. Novo empate no tempo extra e o jogo foi para uma prorrogação dupla. Lá, a poucos segundos do fim, Havlicek dessa vez acertou e deu 1 ponto de liderança para o Celtics. Pensando que o jogo tinha acabado, a torcida invadiu a quadra. Muito tempo depois, com o pandemônio resolvido, o Suns pediu tempo mesmo sem ter um disponível. A estratégia era: Deixar o Celtics bater o lance-livre de falta técnica e depois ter a bola no meio da quadra, não na linha de fundo. Deu certo, saindo do meio o Suns conseguiu colocar a bola na mão de Garfield Heard, que levou o jogo à 3ª prorrogação. Lá, finalmente, o Celtics venceu.

New Jersey Nets 127 Detroit Pistons 120 – 3 OT (Jogo 5, Semi-final do Leste: 2004) No caminho para ser campeão da NBA de 2004, o Pistons perdeu esse jogo histórico para, acreditem, Brian Scalabrine. Você quer mais drama do que o normal para um jogo com tantas prorrogações? Aí vai: O Nets perdeu seus 4 jogadores de garrafão (Kenyon Martin, Jason Collins, Rodney Rogers e Aaron Williams) com 6 faltas, o Pistons perdeu 4 de seus titulares (Rip Hamilton, Tayshaun Prince, Ben Wallace e Rasheed Wallace) e a última prorrogação de um jogo decisivo de playoff tinha Darvin Ham, Mike James, Corliss Williamsom, Lucious Harris e Brian Scalabrine em quadra! O Ginger Ninja acertou as 4 bolas de 3 pontos que tentou no jogo e saiu de quadra com 17 pontos. Herói.

Mas a coluna é sobre estatísticas, certo? Então vamos a elas com ajuda do SportsDelve: Nas 158 vezes que um jogo de playoff não fechou uma série, o que aconteceu no jogo seguinte? Venceu o time empolgado com a vitória anterior, certo? Poucas vezes. O time vencedor de um jogo de prorrogação nos playoffs venceu apenas 38% das sequências. Venceu então o time da casa? Não necessariamente. O time da casa tem aproveitamento de 51% em jogos com prorrogação, praticamente nada.

A média de vantagem de vitória nos playoffs em prorrogações é de 4.5 pontos. A menor margem foi, claro, 1 e a maior, empatada por 5 times, de 11. Curiosamente as séries de playoff que mais tem prorrogações são as que tem os times com recorde mais distante: A Primeira Rodada e as Semi-Finais de Conferência. 38% das prorrogações foram nas Semi, 34% na 1ª rodada e só 15% nas Finais. Abaixo a estatística do SportDelve que mostra em que jogo da série costumam aparecer mais as prorrogações:

Muito legal que o miolo da série seja o mais disputado. Mas faz sentido: Geralmente um time começa melhor que o outro, que precisa se ajustar, os jogos 4 e 5 costumam ser quando os times já estão acostumados com o que o outro tem a oferecer. No final já prevalecem mais as equipes que fizeram as melhores mudanças. São linhas gerais, não vale para toda série, mas números também amplos comprovam essa teoria.

O time que mais disputou prorrogações em playoffs foi o Lakers. Em 43 jogos foram 24 vitórias e 19 derrotas. O time com melhor aproveitamento é o Miami Heat, 5 vitórias em 5 prorrogações.

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Devin Harris apela para o “ora que melhora”

O Nets nem é tão ruim assim. No ano passado dissemos como o time era promissor, e quando eles apertaram o botão do apocalipse e trocaram Vince Carter para o Magic, apoiamos a decisão e cheguei a afirmar que a equipe não passaria muito tempo fora dos playoffs. No entanto, eles estão prestes a fazer história: perdendo para o Mavs na quarta-feira, o Nets terá o pior início de temporada de todos os tempos, tendo perdido suas 18 primeiras partidas.

Devin Harris, estrela do time, lesionou feio a virilha e só jogou 7 partidas na temporada. Yi Jianlian, que impressionou a imprensa com seus treinos públicos em New York durante suas férias, ferrou o joelho e está fora por tempo indeterminado. Jarvis Hayes jogou muito bem na pré-temporada mas lesionou o punho nos primeiros dois minutos da estreia do Nets na temporada (isso é que eu chamo de ejaculação precoce) e não jogou desde então. Keyon Dooling e Tony Battie, que vieram na troca do Carter, se machucaram na pré-temporada e ainda não jogaram oficialmente pelo Nets. Chris Douglas-Roberts, que finalmente estava se tornando a arma ofensiva que se esperava dele na noite do draft, pegou gripe suína. O Courtney Lee, que ficou tão puto de ser trocado pelo Magic que jurou vingança contra toda a humanidade, também se machucou e passou uns jogos fora. O Bobby “só jogo em ano de contrato” Simmons ficou gripado e não jogou, mas pelo menos era uma gripe comum. Até o Eduardo Najera, que é tão secundário que nem as lesões lembram dele, acabou contundindo as costas. O Trenton Hassel teve problemas pessoais e passou um tempo afastado. Ou seja, o Nets está mais amaldiçoado do que o set do “Poltergeist”.

O time chegou ao cúmulo de jogar apenas com o Brook Lopez da lista de titulares, e apenas dois jogadores no banco de reservas. Todo o resto do elenco estava de terno, fazendo o Nets parecer mais uma reunião de executivos ou vendedores de seguro do que um time de basquete. Tendo isso em vista, não é surpresa que tenham perdido tanto. Já vi time pior jogando e ganhando uma vez ou outra, esse Nets só tem um azar descomunal que lembra bastante o Clippers e sua lendária maldição. Mas é claro que o técnico, o Lawrence Frank, não ajuda. A gente sempre bateu na tecla de que ele era um dos piores técnicos da NBA (o que imediatamente coloca ele na lista de prováveis ganhadores do prêmio de Melhor Técnico do Ano, vai entender!), jovem demais, nerd demais e incapaz de lidar com a equipe. Estava na hora de mandar o sujeito empilhar coquinho na descida, mas ao menos tiveram a decência de se livrar dele antes que seu nome ficasse para sempre como o dono do recorde de pior começo de temporada.

Os atuais recordistas são o Clippers de 1999 e o Heat de 1988, com 17 derrotas para começar a temporada com o pé esquerdo. Quando o Nets perdeu sua décima sexta partida, o Lawrence Frank ganhou o respiro de que precisava: foi demitido, escapou do recorde negativo, fugiu pela famosa saída pela direita. Quem assumiu o Nets contra o Lakers fora de casa, na certeza óbvia de que iria igualar o recorde, foi um técnico interino de que nunca lembraremos o nome, tipo os oitocentos novos presidentes de Honduras. Ou seja, o fardo da vergonha ficou meio diluído e ninguém vai ter sua foto na Wikipedia do lado do verbete “fracasso”.

Mas agora o negócio começa a ficar sério: se perder a próxima partida, dessa vez contra o Mavs, o pobre-coitado do Nets vai ter o pior começo de temporada já visto pelo homem. Essa sim é uma vergonha que faria até o Clippers corar constrangido, e é preciso ao menos uma tentativa de evitar o vexame. Para isso, assume o Nets o Kiki Vandeweghe. Além do nome filho-da-mãe que exige uma consulta no Google toda vez que se quer escrever, um fato curioso sobre o Kiki é que ele é justamente o responsável pelo pior time que eu já vi jogar.

Infelizmente não tenho muitas memórias basquetebolísticas em 1988, mas eu acompanhava NBA a fundo em 1999 quando o Clippers igualou o recorde de 17 derrotas para começar a temporada. O problema é que naquela época não era tão fácil acompanhar partidas pela internet, ainda havia até aquela coisa bizarra conhecida como “net discada”, o modem fazia barulho ao se conectar, quase como se fosse uma robô prenha dando a luz, e a gente ficava nas mãos basicamente das transmissões para a tevê brasileira. Isso significava, na época, que a gente só via jogos da chatisse do Spurs, ninguém em sã consciência iria transmitir para o Brasil uma partida do Clippers. Isso quer dizer que aquele Clippers pode ter sido um dos piores times de todos os tempos e eu infelizmente não pude ver o elenco jogar. Por isso, o pior time que já presenciei foi o Nuggets de 2002: o Nenê tinha acabado de ser draftado e a televisão brasileira adorava a ideia de mostrar o novato tupiniquim. O resultado foi uma tortura em massa que deve ter afastado milhares de brasileiros do basquete e causado uma série de suicídios coletivos, porque aquele Nuggets fedia demais! A estrela do time era Juwan Howard, que seria terceira opção ofensiva em qualquer timezinho razoável, e todos os outros jogadores desapareceram em pouquíssimo tempo, incluindo um dos maiores desastres da história do draft da NBA, o lendário Nikoloz Tskitishvili, o “Skita“. Draftado antes do Nenê, o pivô da Geórgia faz o Kwame Brown parecer um gênio do basquete e da física quântica.

O Kiki Vandeweghe montou aquele Nuggets terrível, mas também draftou Carmelo Anthony e levou o time para os playoffs. Mas como o elenco nunca melhorava e a torcida queria sua cabeça, acabou indo pra rua, para enfim ser acolhido pelo Nets para dar palpite na reconstrução do time. Por mais polêmico que o cara seja, por mais que ele feda, conseguiu pegar o pior time que eu já vi jogar e levar para os playoffs alguns anos depois. Era exatamente do que o Nets precisava. Mas agora, no desespero, ele assumirá o cargo de técnico do Nets – um nome ao menos conhecido o bastante para receber o peso de perder para o Mavs, e que talvez tenha um nome a zelar o suficiente para tentar impedir o desastre. Ele não tem experiência como técnico, embora tenha sido assistente no Dallas por uns tempos, mas o negócio dele é reconstruir, cuidar da meninada e lidar com jovens talentos. Foi ele quem lidou pessoalmente com o Nowitzki no começo de carreira, e o Nets precisa mesmo se focar mais na parte administrativa, indo com calma com os jovens talentos, do que se preocupando com um baita técnico de ponta para ganhar partidas agora. Olha, já foram 17 partidas pelo ralo em sequência, a temporada já foi pras cucuias, não resta nada para o time além de sentar na guia, chorar as pitangas, tomar uma pinga e esperar pela próxima escolha de draft. Então, que se lasquem as próximas partidas, o negócio é cuidar do núcleo jovem e tentar não queimar ninguém nem permitir que a depressão se instaure no ambiente fracassado do time. Convencer todo mundo de que as derrotas são normais, de que em dois anos eles vão estar nos playoffs, que as lesões foram apenas azar. E impedir, a todo custo, que a décima oitava vitória seguida venha. Esses garotos não merecem seus nomes injustamente na história da NBA, eles não fedem o bastante e isso pode complicar suas pretensões futuras.

É por isso que não importa quantos jogos bons estejam passando na quarta-feira, quantas estrelas estejam em quadra, o jogo a se assistir é o Nets e Mavs. Se o Kiki conseguir uma vitória, será um feito histórico de um time que não merecia se lascar tanto e que em um par de anos estará maduro e brigando com os grandes. E se o Nets perder, será uma chance de ver história sendo feita, algo que maculará para sempre o ânimo dessa equipe. Não perca história sendo feita, você não quer ficar como eu, lamentando não ter assistido o Clippers de 1999, não é mesmo?

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Brian Cardinal mostra o ano em que ele vai dormir na rua: 2010

A temporada da NBA está prestes a começar, dia 27 de outubro, mas antes mesmo do início da primeira partida já tem gente olhando desesperado para o futuro, para a temporada que começa lá em outubro de 2010. Tudo porque vamos acompanhar agora o último ano de contrato de uma série de estrelas que assinarão novos contratos para a temporada 2010. Ou seja, tudo quanto é time mequetrefe já está sonhando em poder contratar jogadores como Joe Johnson, Rajon Rondo, Paul Pierce, Ray Allen, LeBron James, Shaquille O’Neal, Dirk Nowitzki, Kobe Bryant (se não assinar uma extensão com o Lakers), Rudy Gay, Dwyane Wade, Michael Redd, Amar’e Stoudemire, Manu Ginóbili, Richard Jefferson, Chris Bosh e Carlos Boozer (isso sem falar nos jogadores mais-ou-menos cotados, como Iverson, LaMarcus Aldridge, David Lee, Al Harrington, Udonis Haslem, Yao Ming bichado, Tracy McGrady bichado, Luis Scola, Josh Howard, Kenyon Martin e Tyson Chandler, por exemplo).

É tanto nome importante que, se todos eles assinarem com novos times, a NBA vai parecer uma liga completamente nova. É quase como gibi de super-herói quando zera a numeração, tem várias mudanças, é legal pra quem é pirralho começar a acompanhar, mas no fundo continua a mesma coisa. Algumas equipes, no entanto, dependem dessa safra de 2010 para renascerem. O caso mais evidente é o Knicks, que planejou tudo para que os contratos de quase todo o elenco terminem em 2010 para que possam usar essa grana para contratar novas estrelas e começar a equipe de novo. Muito se fala dos jogadores que poderão ser assinados, das possibilidades do LeBron assinar com o Knicks, e a gente também vai falar muito disso porque está no nosso contrato de dono de blog de basquete começado com a letra “B”. Mas agora vamos tentar uma coisa um pouquinho diferente: de volta a falar no futuro, vamos dar uma olhada nos maiores contratos que acabam nessa temporada e não vão fazer falta, liberando um monte de dinheiro para suas equipes gastarem como quiserem em 2010. Esses contratos antes eram grandes cagadas, burrisses, “no que diabos eu estava pensando pra pagar trocentos milhões pra esse babaca?”, mas agora eles são espaço salarial esperando pra acontecer e vários times vão brigar por eles. É tipo ver gente se estapeando por cocô, é bizarro mas tem seu charme.

Quentin Richardson ($9.352.500)
Tem uns velhos por aí que dizem com orgulho que são da época do Wilt Chamberlain. Eu sou outro tipo de velho, sou um velho da época em que o Quentin Richardson era um bom jogador e tinha o apelido carinhoso de “Quentinho”, excelente nome para personagem de um musical gay. Antigamente ele era um bom arremessador, reboteiro e parte essencial do Suns que jogava na correria. Agora, foi trocado mais vezes desde a temporada passada do que horário de programa do SBT: passou por Clippers, Grizzlies, Wolves e foi parar no Heat. Deram uma mentidinha por lá dizendo que ele será útil para a equipe de Miami com seus arremessos de fora, mas a verdade é que o contrato dele vira farofa e permite à equipe contratar uma estrela para jogar ao lado do Wade (ou então contratar duas estrelas caso o Wade vá embora).

Larry Hughes ($13.655.268)
Quando jogava ao lado do Arenas, o Hughes era incrível. Jogava bem na defesa, pegava muitos rebotes, interceptava linhas de passe e atacava a cesta com agressividade. Era perfeito pro Wizards, enquanto ele se ocupava de infernizar o garrafão, o Arenas ficava arremessando como maluco. O salário de estrela não foi tão absurdo, mas era um daqueles casos de jogador que só funciona num esquema de jogo único. No Cavs, em que era essencial ter arremessadores, o Hughes provou que nunca tinha tacado uma bola para cima. Lesões na mão também comprometeram suas infiltrações, e aí o desastre estava feito: ficou rico e ruim. Tem gente tentando descobrir se o técnico D’Antoni vai dar minutos para o Hughes no Knicks, mas a verdade é que ninguém se importa, ele está lá apenas para depois ir embora e deixar o dinheiro para contratar o LeBron. Quase todo o elenco do Knicks é composto por jogadores que a equipe não quer, apenas está esperando o contrato expirar. É sempre legal de assistir jogadores que sabem como são queridos e que têm futuro na equipe, com isso o Knicks tem tudo pra dar certo – na série B do Brasileirão.

Bobby Simmons ($10.560.000)
Ele fedia, mas aí no último ano de contrato jogou bem pelo Clippers, e todos nós sabemos como é difícil jogar bem numa equipe tão amaldiçoada. Com isso, ganhou o prêmio de jogador que mais evoluiu na temporada e um contrato gordo com o Bucks, que descobriu que gordo era o próprio Simmons também. Nunca mais jogou porcaria nenhuma, teve atuações horrendas pelo Nets nos últimos anos, e ainda assim embolsa dez milhões de verdinhas pra enfiar nas orelhas. Podemos esperar muito do novato Terrence Williams nessa temporada, porque não há qualquer intenção de colocar o Simmons pra jogar sendo que ele está lá só para ir embora mesmo.

Jerome James ($6.600.000)
Mais um caso de jogador que produziu só no último ano de contrato, mas esse é mais ridículo porque o Jerome era uma droga e só produziu num par de jogos de playoffs, quando se saiu bem marcando o Duncan. Com isso, o ganhador do Prêmio Nobel da Física, senhor Isiah Thomas, ofereceu um contrato enorme para o pivô – que aparentemente gastou tudo em comida. Se apresentou ao time obeso, se contundiu em todas as pré-temporadas porque o único movimento seguro para ele é telefonar pro disk-pizza, e nunca entrou em quadra. Legal hoje em dia é reler o Isiah dizendo que o Jerome era o melhor pivô defensivo da NBA – e pensar que o Bulls, que trocou por ele só pra se livrar do contrato, vai ganhar uma grana pra investir ano que vem.

Mark Blount ($7.962.500)
Era pra ser o pivô do futuro do Celtics, tiveram paciência, investiram, treinaram, aceitaram, e até que ele começou a mostrar que talvez um dia desse certo. Mas aí surgiu o Kendrick Perkins e, antes que qualquer um pudesse imaginar do que o Perkins seria capaz, o Blount foi perdendo espaço até ser mandado para o Wolves, que acreditou que ele seria o pivô que complementaria Garnett. Não é que não tenha dado certo, é que deu tão errado que o Garnett até saiu da equipe depois pra jogar no Celtics – ou seja, o Blount foi uma das melhores coisas que aconteceram para o time de Boston, e tudo isso porque ele fede. Agora, é o Heat quem tem a bomba na mão apenas esperando o contrato acabar.

Jermaine O’Neal ($22.995.000)

O coitado do Jermaine já foi um dos alas de força mais legais da NBA, um dos mais talentosos e certamente o que tem mais cara de bebê. Era pra estar por aí dominando a liga como Duncan, Garnett e o resto da elite, mas os joelhos e a porcaria do Pacers não deixaram. O contrato dele é de estrela que carrega o time todo nas costas, e por um tempo foi até verdade, mas agora é uma vitória quando ele ao menos consegue entrar em quadra. Ainda é um bom jogador, quebra um baita de um galho, principalmente para o Heat que não tem um pivô desde que o Shaq debandou. Mas por 23 milhões o Jermaine teria que ser o melhor pivô do Universo e ainda descobrir a cura do câncer! Com o fim do contrato do Jermaine, do Quentinho e do Blount, o Heat pode reconstruir o time por completo – se o Wade sair, aí dá até pra pegar toda essa grana, desistir da NBA e comprar a Alinne Moraes.

Darko Milicic ($7.500.000)
Já escrevemos aqui que essa temporada é a última chance do Darko, se não der certo agora com o Knicks, jogando de frente pra cesta e na correria como ele sempre sonhou, então é melhor ele ir ver o filme do Pelé mesmo. Mas no fundo o Knicks nem se importa: se ele jogar bem e topar renovar por uma miséria, ótimo, tão no lucro; mas se ele jogar mal e não der certo, o salário do Darko soma-se com o do Hughes para garantir a vinda de um LeBron da vida.

Tracy McGrady ($23.239.561)
Como torcedor do Houston, sou o primeiro a dizer que o T-Mac chuta traseiros, domina partidas, é excelente mesmo quando decide armar o jogo e merece um salário de estrela. Mas ele nunca jogou uma temporada completa na vida dele, graças às lesões, e só participou de 35 partidas na temporada passada – e todas elas sentindo dores e tendo que se poupar. Nessa temporada o Houston está sem o Yao Ming, que também virou farofa, e precisa de alguém pra segurar as pontas. Que tal o McGrady? Nada feito: apesar de estar treinando pesado e prometer voltar com a melhor forma física da carreira, seu retorno só está previsto para o meio da temporada. Até lá o astro do time é o Trevor Ariza, que nessa pré-temporada não acertou nem o nome da mãe, enquanto o T-Mac leva 23 milhões pra casa. O Houston quase deu certo, mas não deu, é tipo o Sérgio Mallandro – parecia que ia engrenar e aí foi apresentar pegadinha e sumiu. Tá na hora de usar essa grana pra reconstruir e criar um time que, no mínimo, consiga ficar de pé pra entrar em quadra.

Brian Cardinal ($6.750.000)
Deixei meu favorito pro final. O Cardinal sempre foi um jogador qualquer, desses que está aí só para ser mandado em pacotões de troca de jogadores. Problemas pra conseguir um time, teve que ir jogar um pouco na Europa, mas aí teve uma temporada mais-ou-menos com o Warriors e um par de jogos realmente bons. Era o último ano de contrato e ele seguiu os passos do Jerome James e do Bobby Simmons, impressionando alguém só quando a água bate na bunda. Mas o Grizzlies foi burro o bastante para dar 7 milhões para um jogador que teve DOIS jogos bons – e que, pior ainda, é branco e careca! Essa contratação leva o famoso “selo Isiah Thomas de qualidade”, mas pelo menos o contrato dele acaba esse ano e o Wolves economiza uma graninha pra dar pro Ricky Rubio quando ele deixar de frescura e quiser ser milionário na NBA.

>O lado D da NBA

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O Vince Carter dos pobres

A liga de desenvolvimento da NBA, a D-League, foi criada em 2001 e desde então não pára de crescer. Tudo começou com 8 times e hoje já são 14, David Stern disse que ainda planeja a criação de mais um último time, aí serão 15 na D-League, cada um deles sendo relacionado a dois times da NBA, que tem 30 equipes. Assim dois times da NBA comandariam uma equipe da D-League, podendo mandar seus jogadores mais novos pra lá e podendo pegar jogadores dela para compor o elenco de sua equipe.

Entre o público, a D-League ainda é desconhecida. Poucas pessoas se interessam pelos resultados, pelas equipes, playoffs e tudo mais, mas em compensação cada vez mais as atuações de lá têm sido reconhecidas. Sempre que alguém começa a se destacar (como o novato Morris Almond, do Jazz, que já marcou mais de 50 pontos duas vezes na D-League), alguns jornalistas, comentaristas e fãs já abrem os olhos pensando se o jogador poderia dar certo na NBA. Alguns jogadores que deram ou estão dando certo na liga vieram de lá. Alguns deles são Kelenna Azubuike, do Warriors; Smush Parker, que foi dois anos titular (irgh!) do Lakers; Jamario Moon; Mikki Moore; Matt Carrol, do Bobcats; e o Most Improved Player de 2005, Bobby Simmons.

Mas por que eu estou falando da D-League bem no meio do All-Star Weekend?

Porque desde o ano passado a D-League também faz parte da festa. Para ajudar na popularização da liga, a NBA colocou a sua liga menor pra dar show também. No ano passado foi um jogo das estrelas, que teve Pops Mensah-Bonsu como MVP. Nesse ano foram ainda mais eventos, que aconteceram ontem antes do jogo dos novatos.

O primeiro foi o H.O.R.S.E. Esse é um jogo bem tradicional nos EUA, jogado nas ruas por quem só quer uma diversão, um desafio. O jogo é um duelo de um contra um, em que um dos jogadores faz uma jogada e depois desafia o concorrente a fazer igual. Por exemplo: você arremessa uma bola de três usando a tabela e, se acertar, claro, é a vez do seu concorrente tentar. Se ele conseguir copiar, é a vez dele de criar algo. Se ele errar, ele recebe a letra “H”, quando alguém erra cinco vezes, completa a palavra HORSE e é eliminado.
Lance Allred, do Idaho Stampede, foi o vencedor da competição ontem. Ele usou o meu exemplo (ou eu usei o dele?) de arremessar uma bola de três usando a tabela. Mas também tiveram jogadas de arremessar sentado e de costas. Criatividade é tudo, amigos.

O jogo seguinte foi o chamado “Hot-Shot”. Nesse jogo participaram quatro jogadores da D-League e cada um deles usou como companheiro uma fã – pelo o que eu vi, em todos os casos, uma criança. Nesse jogo a dupla tem que marcar o maior número possível de pontos em determinado tempo. Pode-se arremessar debaixo da cesta por um ponto, da linha do lance-livre por dois, da linha dos três para três pontos (jura?) ou do meio da quadra valendo cinco. Mas os fãs só podiam arremessar do lugar de valor de um ponto.
O vencedor foi Carlos Powell do atual campeão da D-League, Dakota Wizards. Seu companheiro, o fã Will Clap, ganhou o direito de ser um dos jurados do campeonato de enterradas da D-League.

Depois foi a vez do tradicional campeonato de três pontos. Nesse, nada a ser explicado, são as mesmas regras do torneio da NBA, com as bolas coloridas valendo 2 e tudo. O campeão foi Adam Harrison do Tulsa 66ers, com 19 pontos na final. Lembrando que no ano passado Jason Kapono foi pra final do campeonato de 3 pontos marcando os mesmos 19. Foi só na final que ele deslanchou e marcou o recorde de 24 pontos.

Para terminar a noite, foi a vez do campeonato de enterradas. Não consegui ainda ver todas as enterradas, mas pelo o que eu vi na parte de vídeos da NBA.com, não deixou nada a desejar. Algumas enterradas foram mesmo de tirar o fôlego e mereceriam notas altíssimas mesmo no campeonato da NBA. Uma delas foi essa aqui de Mike Taylor, a única no YouTube até agora. Mas a melhor de todas, que tiraria uma nota máxima de 50 na NBA facilmente, foi do campeão Brent Petway. Ele ficou parado embaixo da cesta, colocou a bola no chão e aí, sem passos de impulsão, pegou a bola no chão, pulou e fez um windmill doentio!

Vou continuar fuçando por aqui até achar mais vídeos dessas competições pra vocês, mas por enquanto podem aproveitar esse vídeo com algumas enterradas do campeão Brent Petway. Dá pra entender porque ele foi o campeão…


E continuem entrando no Bola Presa hoje e amanhã, porque tem muita coisa acontecendo, vai ter texto novo o dia todo!