Fim de feira

Fim de feira

Após o período de trocas os times não podem mais fazer negócios entre si, mas podem catar lixo pelos cantos para continuar mexendo nos seus elencos. Alguns times tentam trocar certos jogadores e quando não conseguem, ao invés de segurá-los, já dispensam de uma vez. Os outros ficam de urubu só esperando isso acontecer para buscar um último empurrão rumo aos playoffs. Vamos a uma análise rápida das últimas aquisições dessa semana:

Boris Diaw (San Antonio Spurs) – Depois de conseguir Stephen Jackson, o Spurs agora adiciona outro veterano ao grupo, o armador/ala/pivô/garoto-da-água (e gordo) Boris Diaw. Apesar da forma física, Diaw sempre soube jogar mais com a cabeça do que com o físico, enxerga o jogo como poucos e atua em qualquer posição. Talvez só Lamar Odom seja tão versátil e tão bom passador entre os jogadores de sua altura. Sua notória preguiça se dava mais por jogar pelo Bobcats do que qualquer outra coisa, quando ele esteve em times bons (em Phoenix e até alguns anos em Charlotte) ele soube se esforçar e fazer a diferença.

Sem um armador reserva decente, o Spurs poderá colocar Diaw com os outros jogadores do banco e rodar o ataque através dele durante alguns minutos. Colocar pivôs de bom passe na cabeça do garrafão ou mesmo perto da cesta e espalhar bons chutadores ao redor da quadra não é novidade para o Spurs, Tim Duncan sempre fez isso. Diaw também fez parceria relativamente vitoriosa com o próprio Captain Jack no Bobcats, muitas vezes os dois dividiam as funções de organizar o time no ataque. Não é sempre que jogadores se adaptam rápido ao Spurs, mas eles fizeram certo ao tentar, se der certo pode fazer a diferença nos playoffs.

Ryan Hollins (Boston Celtics) – O Celtics não tinha muita opção. Chris Wilcox precisou operar o coração e está fora da temporada, Jermaine O’Neal se machucou pela 100ª vez na carreira (vai ganhar bolo por isso) e possivelmente não joga mais também. Precisavam de algum pivô, deixar a rotação do garrafão só com Brandon Bass, Kevin Garnett e Greg Stiemsma tava foda. Hollins pula muito, mas só isso, diria que (argh!) é uma versão piorada do JaVale McGee. Tirem suas conclusões.

JJ Hickson (Portland Trail Blazers) – Essa seria uma opção mais talentosa para o Celtics, mas de pouca cabeça também. Ele chegou com moral no Cavs, diziam que o time pós-LeBron James seria montado baseado nele. Mas JJ decepcionou, apesar dos 14 pontos e 9 rebotes de média do ano passado, ótimos números, não foi o líder que eles esperavam em quadra, errava horrores na defesa e não era de tomar boas decisões. Bom, mas dispensável.

Quando o Cavs conseguiu Tristan Thompson no Draft, toparam se livrar do ala quando o Sacramento Kings ofereceu coisas boas: Omri Casspi e uma escolha futura de Draft. Bom para o Cavs, péssimo para o Kings, que poucos meses depois o dispensou. Foram jogos fraquíssimos pelo Kings, onde não conseguiu ganhar vaga num garrafão com DeMarcus Cousins, Chuck Hayes e Jason Thompson. No Blazers chega em um time em desconstrução/reconstrução que topa qualquer um para ser um reserva bom para o LaMarcus Aldridge. Hickson tem um mês para pelo menos voltar a jogar o que jogava no Cavs.

Derek Fisher (OKC Thunder) – Desde que o Eric Maynor se machucou o Thunder queria um armador reserva, mas sem querer mexer no resto do elenco, acabou usando Royal Ivey mesmo, torcendo pra algo sobrar mais barato. Com Derek Fisher eles conseguem alguém para atuar alguns minutos e que ao mesmo tempo pode passar experiência para o jovem time. Um estudo recente divulgado na Sloan Sports Conference diz que elencos mais experientes não resultam, necessariamente, em times mais vencedores, como reza a lenda. O que costuma fazer mais diferença, dizem eles, é um elenco que atua junto há muito tempo. Por via das dúvidas o Thunder tem agora as duas coisas: Adicionou um veterano com experiência em playoff sem desmontar o time que já joga junto há anos.

Ronny Turiaf (Miami Heat) – O Miami Heat é apenas o 16º time da NBA em Rebounding Rate, uma estatística que considera o número total de rebotes por jogo junto com o número de situações de rebote que cada time enfrenta. É um número ruim para um time que ambiciona ser campeão. Ronny Turiaf não vai salvar eles sozinho, mas o garrafão do time ainda não é grande coisa e não machuca ter um bom reboteiro no elenco. O fato dele sempre fazer dancinhas engraçadas também é um fator que a Equipe Bola Presa acha relevante:

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Além desses, Rasual Butler (Raptors), Jason Kapono (Cavs) e Andres Nocioni (Sixers) foram dispensados. Butler parece que tem grandes chances de ir para o Bulls, Kapono ainda está desempregado e Nocioni acabou de acertar com o Baskonia da Espanha. Terrence Williams (Rockets) está a caminho do Kings, mas assinou apenas um contrato de 10 dias, não é provável que fique por muito tempo. Dos que já estavam sem time faz tempo, Kelenna Azubuike assinou contrato com o Dallas Mavericks e Kyrylo Fesenko está perto do Indiana Pacers, que essa semana anunciou a aposentadoria do mago dos rebotes ofensivos Jeff Foster.

>As trocas discretas

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A arte de achar os jogadores trocados na mesma foto

Eu sei que vocês estão esperando a análise da troca do Kendrick Perkins pelo lado do Thunder, mas deixei esse prazer para o Danilo, que está fora no fim de semana. Amanhã esse é o assunto então, certo? Hoje vou falar de duas trocas um pouco menores, que não chamaram a atenção no dia mais movimentado da temporada regular até agora. Mas nem por isso não são assuntos interessantes, muito pelo contrário.

Para ver todas as trocas que ocorreram na data-limite de negociações, clique aqui.

A primeira envolve o Atlanta Hawks e o Wahsington Wizards. Nela o Hawks mandou o Mike Bibby, uma escolha de Draft e os reservas Jordan Crawford e Maurice Evans em troca de Kirk Hinrich e Hilton Armstrong. Essa troca do Hawks foi muito, digamos, Hawks. Desde que contrataram o Joe Johnson em 2005 eles nunca foram um time de fazer loucuras para mudar o elenco, a maior, se vocês pensarem bem, foi gastar uma nota preta na renovação do mesmo JJ justamente com o intuito de não mudar o time. Depois de fracassar por tanto tempo nos anos 90 e no começo dos anos 2000 eles sossegaram agora que estão satisfeitos com a posição que estão: Não são bons o bastante para brigar com Miami Heat, Chicago Bulls, Boston Celtics e Orlando Magic pelo topo, mas ainda estão bem à frente de quem corre atrás como New York Knicks, Indiana Pacers, Milwaukee Bucks e etc.

A ambição para ser melhor até existe, mas eles não estão prontos para implodir o time atrás disso, então vão comendo pelas beiradas, pouco a pouco, quando a oportunidade aparece. Foi assim em 2008 quando aproveitaram um momento de reconstrução do Sacramento Kings para trocar por Mike Bibby, o tipo de armador que eles procuravam faz tempo. A chegada dele melhorou o time, mas não durou muito tempo, desde o  fim da temporada passada o jogador tem mostrado sinais de envelhecimento: está lento, defendendo mal e, como eu até mostrei no gráfico do Buraco Negro, hoje até atua mais sem a bola, como um arremessador. Com isso, para a armação o Hawks tinha três shooting guards, Bibby, Joe Johnson e Jamal Crawford. Não é o ideal.

A solução foi negociar com um time que tinha armador sobrando, precisava de arremessadores e queria economizar um pouco. A economia foi pouca para os padrões da NBA, mas é alguma coisa. O Hawks pega o contrato do Hinrich, que ganha 9 milhões nesse ano e 8 milhões na próxima temporada, junto com Hilton Armstrong que ganha menos de 1 milhão esse ano, o último de seu contrato. O Wizards pega o Bibby, que tem contrato ainda por essa e mais uma temporada, ganha 5 milhões nessa e 6 na próxima. Os 2,5 milhões do Maurice Evans fizeram a troca viável, mas o contrato é expirante, acaba ao fim dessa temporada. O Wizards salva uma graninha ano que vem, nada mal.

Com poucos riscos para os dois lados é de se surpreender que tenham deixado a troca pra última hora. O Wizards é um dos piores times em bolas de três pontos mesmo tendo trocado pelo Rashard Lewis há algum tempo, ter o Bibby para atuar alguns minutos ao lado do John Wall é um bom jeito de abrir espaço para infiltrações, além de manter a mesma estratégia de deixar um armador experiente treinando e jogando do lado do garoto. É pouco, claro, mas Kirk Hinrich não estava fazendo muito diferente e na troca eles ainda receberam duas coisas para investir: Uma escolha de Draft, que sempre pode virar alguma coisa, e Jordan Crawford. O cara ficou famoso no mundo todo por ter enterrado na cabeça do LeBron James no infame caso do vídeo confiscado, mas depois disso ainda fez carreira como impressionante pontuador no basquete universitário. Pode acabar virando um bom reserva para o Nick Young, nunca se sabe.

O Hinrich não ajudava muito o Wizards porque para quê serve um cara que defende bem no 1-contra-1 se na cobertura dele está o Rashard Lewis que não se dá ao trabalho de se mexer, o Andray Blatche que está ocupado demais comendo seu Danoninho Ice e o JaValle McGee, que é capaz de cometer 18 erros de rotação seguidos só para conseguir um grande toco que apareça no Top 10 do dia? Era desnecessário ele por lá. E convenhamos, o rapaz merece a chance de jogar em um time melhor. Captain Kirk foi o rosto que simbolizou o Bulls dos últimos 10 anos: Bom, mas longe de ser espetacular. Ele ficou em Chicago por muito tempo sendo o melhor jogador ou pelo menos o líder de equipes que deveriam ser melhores do que foram. Quando eles finalmente conseguem um técnico espetacular, um jogador de garrafão que sabe pontuar (meu deus, depois de uma década pedindo!) o pobre do Kirk é trocado para, lembrem-se, abrir espaço para contratar LeBron James e/ou Dwyane Wade. Se o Bulls hoje é o 6º time que menos gasta com salários, um dos motivos foi por ter se livrado dele.

Por ter sofrido tanto em times ruins ele merece a chance de jogar em uma equipe que tem chance de brigar (o que não quer dizer vencer) com equipes do alto escalão da liga. O técnico Larry Drew desde o começo da temporada tenta implantar um novo sistema ofensivo em que os jogadores se movimentam mais e eles usam menos isolações do Joe Johnson. No começo da temporada eles estavam voando e todos os jogadores elogiando a mudança, mas alguns meses depois e eles, que eram o segundo ataque mais eficiente da temporada passada, são hoje só o 15º. Muito da dificuldade está na criação das jogadas, sem um armador nato eles acabam tendo um ataque estagnado e mesmo tendo dois bons jogadores no garrafão, Josh Smith e Al Horford, marcam mais pontos longe do que perto da cesta. É um time que por mais que tente mudar ainda vive de pontos oriundos de jogadas individuais, ter o Hinrich comandando os pick-and-rolls pode mudar um pouco isso.

Por outro lado creio que a maior mudança será mesmo no outro lado da quadra, se a defesa deles não é espetacular um dos motivos é que todo armador um pouquinho mais rápido voava pelo Mike Bibby. O Hinrich em compensação é um ótimo marcador e pode dar conta do recado por lá. Eu acho que para ir além da posição que está agora o Hawks deveria trocar Josh Smith e/ou Marvin Williams por um grande pivô, alguém que possa parar o Dwight Howard (provável adversário de primeira rodada e que tem o hábito de almoçar o Hawks com molho da própria carne e purê de maçã) e que deixasse o Al Horford usar seu talento e força para torturar outros alas de força ao redor da liga. Mas acho que isso seria um risco muito grande para o conservador Hawks, talvez na próxima temporada.
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Mark Cuban faz o que melhor sabe: reclamar

A outra troca é praticamente insignificante para o resto da NBA. O New Orleans Hornets mandou o Marcus Thornton em troca do Carl Landry, que estava no Sacramento Kings. A troca é engraçada por um lado porque ela até poderia ter sido relevante se tivesse sido realizada há, sei lá, 10 meses. Nessa época o Landry havia sido trocado do Rockets para o Kings e era um dos líderes da NBA (é sério!) em pontos no quarto período, a sua força e seus insanos rebotes ofensivos era o que muito time por aí queria. Já o Marcus Thornton era, junto com Darren Collison, os pontos positivos de uma temporada desastrosa do Hornets. Ele tinha um arremesso de três preciso e liderou o time em pontos muitas vezes.

Alguns meses depois e o Kings afundou Landry no banco atrás de Jason Thompson, DeMarcus Cousins e até Donte Greene algumas vezes. Uma das peças de troca mais importantes deles foi sabotado pela própria equipe. Coisa parecida aconteceu no Hornets: enquanto trocaram Collison a peso de ouro, Thornton foi para o banco, perdeu espaço para Marco Belinelli e Trevor Ariza e aos poucos foi morrendo na rotação do novo técnico Monty Williams. Com os dois valendo metade do que valiam há pouco tempo, foram trocados um pelo outro.

O Hornets está satisfeito com sua rotação de armadores com Chris Paul, Jarret Jack, Marco Belinelli e Willie Green, fazia sentido trocar por um jogador de garrafão melhor que o Jason Smith para dar uma força vindo do banco. Em compensação o Kings era o oposto, com tanta gente no garrafão era desnecessário ter um cara como o Landry e eles estavam rezando para ter um shooting guard melhor que o Luther Head pra usar quando o Tyreke Evans se machuca, o que tem sido constante nessa temporada. Uma troca que teria sido útil e discreta se não fosse por uma pessoa, Mark Cuban.

O Mark Cuban é dono do Dallas Mavericks, mas também se considera um pouco dono do New Orleans Hornets. E não sozinho, mas junto com os outros 28 donos de times na liga. Como explicamos nesse post, o Hornets foi vendido e agora é gerido pela própria NBA, ou seja, todos os outros times da liga, por fazer parte da Associação, são um pouco responsáveis pelo Hornets até arranjem um novo dono. Cuban se mostrou insatisfeito com a troca porque ela não foi financeiramente boa para o Hornets, que teoricamente está nessa situação por falta de dinheiro. Eles mandaram o contrato de menos de 1 milhão de dólares de Thornton e pegaram o de 3 milhões do Landry em troca, fazendo o negócio funcionar apenas por usar uma daquelas “trade exceptions” que explicamos no post do Carmelo Anthony.

As trade exceptions fazem a troca funcionar, mas não mudam a questão financeira. A folha salarial e os gastos do Hornets aumentam. Nas palavras do Mark Cuban:

“Se o New Orleans está pagando 2 milhões a mais, o time está perdendo dinheiro e eu sou dono de 1/29 da equipe, vou contra a maré e digo que isso está errado. Eles estavam dispensando jogadores por causa de salário antes de serem vendidos para a gente e agora querem pegar jogadores mais caros. Está errado em todos os sentidos. A NBA deveria criar um orçamento para o time e nunca me ocorreu que esse orçamento diria para eles gastarem ainda mais para trazer novos jogadores.”

O Mark Cuban ainda afirma que outros times tinham interesse no Carl Landry, mas que não o pegaram por causa do salário e que agora esses times, de certa forma, estão pagando para ele jogar em outra equipe. As críticas dele fazem todo o sentido do mundo e começam a mostrar a dor de cabeça que é a NBA ser dona de uma de suas franquias. É torcer para aparecer algum milionário logo para encerrar essa situação que era uma polêmica esperando para acontecer. Quem está certo ou errado nem tem muita importância nessa caso, aposto que a NBA não jogaria dinheiro no lixo, mas o problema é existir essa situação que inevitavelmente vai criar questões difíceis de serem respondidas.

É torcer para acabar logo ou para o Hornets pegar o Dallas na primeira rodada dos playoffs e o Carl Landry fazer uma cesta no último segundo. Só pra ver a entrevista do Cuban depois.

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Aos poucos estou atualizando a nossa planilha de Elencos da temporada com todas essas trocas. Consultem sempre, fica na nossa barra lateral.

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Sabe que o “Both Teams Played Hard“, apesar de estressante porque tem um número infinito de perguntas, tem sido muito útil nesse fim de temporada regular? Depois de tantos meses de temporada a gente vai ficando sem assunto e o que queremos mesmo é que os playoffs comecem logo pra gente voltar a sentir alguma emoção nesses jogos. Claro que sempre vai ter um assunto a mais pra falar, mas não tão empolgante assim. Como no outro dia que pediram pra eu falar do Jazz, que mudou completamente de postura desde que eu disse que eles pareciam um time já acabado.

Acontece que comentamos, no meio de outros posts, que o Jazz tinha ressurgido das cinzas. Assim como comentamos que os maiores adversários deles eram eles mesmos, que trocaram Eric Maynor e Ronnie Brewer por um cacho de bananas e um bem-casado. Ou seja, até do Jazz que a gente nem gosta tanto já falamos mal, bem e mal de novo, é sinal de que a gente precisa de inspiração.
E é aí que entram as perguntas que vocês mandam pelo BTPH. Com tantas perguntas é possível sentir uma tendência de interesse dos leitores, o que querem saber da gente. E percebi que, assim como eu, vocês tem interesse por um prêmio de fim de ano em especial, o de jogador que mais evoluiu na temporada. Não tem uma pergunta sobre MVP, nenhuma de jogador de defesa, nenhuma de técnico, uma ou duas de novatos e uma caralhada querendo saber em quem votaríamos para jogador que mais evoluiu. Eu até já respondi uma vez, me criticaram por não ter citado o Joakim Noah e mesmo assim perguntam de novo e de novo.
Não gosto de só opinar porque não sou eu quem voto. A NBA ainda não se tocou que somos importantes e que devemos ter poder de palpitar oficialmente, mas beleza, até lá eu uso os números para saber quem mais melhorou em que em relação à temporada passada. Bora abrir o Oswald de Souza que vive dentro de cada um de nós!
Pontos
Carl Landry +8.1
Aaron Brooks +7.8
Channing Frye +7.3
Chris Kaman +6.9
Corey Brewer +6.8
Levando em consideração os pontos por jogo esse é o Top 5 de jogadores que mais evoluíram em relação à temporada passada. Na lista oficial vocês ainda podem encontrar Gilbert Arenas, Martell Webster e Anthony Tolliver, mas os três jogaram tão pouco na temporada passada que de qualquer maneira entrariam na lista. Oficialmente o Webster é o líder com +9.7, mas isso porque só jogou um jogo na temporada passada, em que não fez nenhum ponto. Assim até o Baby Araujo!
Curioso nessa lista que apenas um dos jogadores evoluiu bastante em pontos ao mudar de time, o Channing Frye. Chegar no Suns revolucionou o seu jogo, ele começou a arremessar de três e começou uma nova fase na sua carreira, em um time que sabe usar o seu grande trunfo que é ser um cara alto que sabe arremessar.
São dois jogadores do Rockets no Top 5, Brooks e Landry. O segundo foi trocado para o Kings mas os seus números da temporada ainda refletem a grande parte do ano que passou em Houston. Os dois souberam se aproveitar do momento da equipe: eles perderam Yao, machucado, T-Mac não voltou e o Artest deu o fora. O Ariza foi contratado para essa função e até arremessou bastante, mas mesmo assim sobrou espaço para Brooks e Landry, ambos aumentaram seus números de arremessos tentados por jogo em mais de 6 por partida.
Porém, nesse quesito eu daria destaque para dois jogadores que não aparecem no Top 5: Monta Ellis e Kevin Durant. Ellis melhorou em 6.6 pontos sua marca e Durant em 4.4. A diferença dos dois em relação aos outros foi que eles saíram de números já muito altos para alcançar outros maiores ainda! Uma coisa é melhorar em 4.4 como Courtney Lee, que saiu de 8.4 para 12.8 pontos por jogo, outra é conseguir sair de uma marca já impressionante, 25.3, para 29.8, caso do Durant. Tanto Durant como Ellis fizeram o que Danny Granger fez na temporada passada, continuaram evoluindo mesmo quando seus números já pareciam estar chegando ao limite de seus potenciais. Na hora de votar em quem mais evoluiu vale a pena reparar em quem sai do zero como o Webster e quem sai de 25, como o Durant.
Rebotes
Kris Humphries +3.7
Kenyon Martin +3.6
Ben Wallace +3.3
Joakim Noah +3.3
Nazr Mohammed +3.2
A grande surpresa da lista é ver o fedido do Humphries no topo, mas ele tem feito uma boa temporada para os seus padrões, principalmente desde que chegou no Nets. Porém, seus minutos aumentaram bastante em relação à temporada passada, caso bem diferente do Kenyon Martin, que pega 3.6 rebotes a mais com apenas 2 minutos a mais de quadra em média. Aliás, seus 9.6 rebotes por jogo já são sua segunda maior média da carreira, atrás apenas dos 10.0 do seu primeiro ano no Nuggets. É sempre legal quando um cara continua evoluindo alguma coisa em seu jogo mesmo quando já está na liga há 10 anos, e ainda mais simbólico para um cara que sempre foi conhecido mais pelo seu físico do que pela técnica.
Não dá pra dizer a mesma coisa de Ben Wallace porque melhorar em relação a temporada passada era o mínimo que ele poderia fazer, já que no ano passado foi tão útil para o Cavs quanto eu sou para a economia brasileira. O caso do Noah, que vem em seguida, é interessante porque todo o seu aumento de rebotes veio no lado defensivo, o número de rebotes ofensivos é idêntico, legal porque é na defesa que o Noah vem construindo uma reputação de bom pivô e excelente reboteiro. É um forte candidato a jogador que mais evoluiu na temporada, uma campanha que infelizmente perdeu um pouco de força com sua contusão e a saída do Bulls da zona de playoff.
Assistências
Russell Westbrook +2.6
Aaron Brooks +2.1
Will Bynum
Trevor Ariza
Josh Smith +1.8
A liderança de Westbrook era esperada. O moleque já jogou muito como novato e dava a entender que seria grande em um futuro breve, era só ser mais regular. Bastou mais um ano para que suas esporádicas grandes atuações fossem mais constantes e aí está ele com boas médias e clara evolução, é um candidato claro e óbvio ao prêmio. Ter o Kevin Durant acertando tudo ao seu lado não atrapalhou, claro.
A primeira figurinha repetida das nossas listas é Aaron Brooks. Ele foi o segundo que mais evoluiu em pontos e em assistências, mas não custa lembrar que está entre os que mais cresceu em números de turnovers, ou seja, tudo isso só mostra que o Brooks é hoje um jogador mais importante para o Rockets. Com mais tempo de bola na mão ele arremessa mais, pontua mais, assiste mais e, logo, erra mais. Eu diria que ele foi o jogador que mais evoluiu na NBA em quantidade, não necessariamente em qualidade. Com Will Bynum a explicação não é muito diferente, só por ele estar no Pistons e não estar na enfermaria já explica muitas evoluções estatísticas.
Um grande destaque da lista são os não-armadores. Legal ver Trevor Ariza e Josh Smih entre os que mais evoluíram em assistências. O Ariza é fácil de explicar, ele foi contratado pelo Rockets para ser o líder de um time que compartilha muito a bola e fez isso quando chegou lá. Aumentou bastante o seu número de erros também e é o segundo entre os que mais arremessam de três em relação ao ano passado, deixou de ser só um coadjuvante para ser o maestro de um time de coadjuvantes.
Já o Josh Smith ganhou nas assistências, um campo onde nunca foi destaque, a maior prova numérica de como ele evoluiu em relação ao ano passado. Mas poderíamos também sustentar o óbvio fato de que hoje ele é um jogador mais inteligente vendo que ele aumentou seu número de tocos em 0.5 por jogo sem fazer mais faltas e, principalmente, ao ver que ele chuta -1.1 bola de três por jogo. Isso quer dizer que no ano passado ele chutou 87 bolas de 3 e nesse ano apenas 6. Josh Smith merece grande consideração ao prêmio de jogador que mais evoluiu simplesmente porque descobriu os seus talentos e suas funções no time. Raríssimos são os jogadores que aceitam suas limitações e se tornam melhores jogadores assim, juro que não esperava isso de um jogador tão impulsivo como o Josh Smith.
Roubos
Carl Landry e Chris Douglas-Roberts +0.7
Ninguém melhorou muito em roubos, os dois maiores destaques pouco passaram do 0.5 por jogo e fizeram isso com 15 minutos a mais de jogo do que no ano anterior, o que deixa tudo bem explicável.
Tocos
Andrew Bogut +1.5
Esse número é alucinante! Tirando o infame Greg Oden que na sua meia dúzia de jogos melhorou em 1.1, o resto da liga comemora se chega a uma melhora de 0.5 como o Josh Smith. O Bogut deixou de ser um pivô que tinha os tocos como defeito para brigar pela liderança da categoria! Não estou brincando quando digo que Scott Skiles e Larry Brown sabem fazer milagres com seus times, o Skiles fez o Bogut dar tocos! O próximo passo é fazer o Luke Ridnour liderar a liga em enterradas.
Turnovers
Stephen Jackson -0.7
Nenhum número chamou a atenção nos poucos décimos de diferença nos erros por jogo, a não ser no caso do Stephen Jackson. Ele é o único jogador a diminuir o número de erros por partida ao mesmo tempo que teve mais minutos por jogo em relação à temporada passada. O Bobcats é o novo Pistons.
Arremessos por jogo
Trevor Ariza +7.2
Carl Landry +6.3
Chris Kaman +6.2
Aaron Brooks +6.2
Corey Brewer +5.7
Precisa explicar Ariza, Landry e Brooks de novo? O Rockets causou uma revolução nessas estatísticas, basta dizer isso. Já Kaman ganhou esses arremessos na marra, com o Baron Davis jogando cada vez menos, a decadência inexplicável do Al Thornton na equipe e até algumas contusões do Eric Gordon foi bem lógico que o Kaman fosse ter mais arremessos, e como ele começou a acertar boa parte deles, virou a primeira opção ofensiva. Pra falar a verdade me surpreende que são apenas 6 arremessos a mais por jogo, imaginava que fossem mais.
Minutos
Carl Landry +16.2
Channing Frye +15.8
Chris Douglas-Roberts +14.9
Sonny Weems +12.6
George Hill +11.9
Interessante ver que de todos os nomes que foram citados várias vezes durante o post apenas o de Carl Landry tem grande destaque entre os que mais tiveram minutos adicionados nessa temporada. Claro que outros tem números significativos, como o Brooks que tem 9 minutos a mais, mas a lista prova que não são apenas os minutos a mais na quadra que são sinônimos de melhores estatísticas, assim como não são só estatísticas que mostram como um jogador melhorou. Sonny Weems e George Hill não ganharam um quarto a mais de jogo só porque são bonitos, alguma coisa que os números não mostram eles estão fazendo.
Considerando agora os minutos a mais de todo mundo, as novas oportunidades e as dificuldades de se melhorar certos aspectos do jogo fica um pouco mais fácil votar. Em quem você votaria? Josh Smith e seu grande cérebro? Aaron Brooks, Carl Landry e as toneladas de estatísticas? Kevin Durant e o passo mais difícil da evolução? Andrew Bogut? Westbrook? Acho que os números deixaram os candidatos mais fáceis, escolher ainda é difícil, e idiota. Aguardo o convite oficial do David Stern para dar meus palpites.

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Kevin Martin e Artest agora têm algo em comum além do sorriso bobo:
deixaram de ser estrela para ser coadjuvante em Houston
Nessa temporada, o Houston Rockets não é o time de Yao Ming ou de Tracy McGrady: ele é o time do técnico Rick Adelman. Pela primeira vez em sua carreira, Adelman tem um time inteiro nos seus moldes, capaz de executar com perfeição suas loucuras tática, um elenco profundo, recheado de especialistas e sem uma estrela sequer. A equipe surpreendeu no começo da temporada chutando um punhado de traseiros, escalando rumo ao topo do Oeste e provando que a filosofia de jogo do Adelman poderia levar à vitória um time visto como mais-ou-menos. Mas esses não são os Jogos Escolares de São Bernardo, e sim a conferência Oeste da NBA. O nível é cada vez mais alto, os times mais emparelhados, e uma sequência simples de vitórias ou derrotas é a diferença entre ser líder da conferência e estar fora dos playoffs. Sem um líder em quadra, sem uma estrela capaz de trazer tranquilidade ao time e garantir cestas fáceis e decisivas nos finais dos jogos, o Houston foi de fininho escorregando para fora da zona de classificação. De repente, o Rick Adelman não parecia mais tão genial – e nem tão feliz – assim.
Por essa razão, o técnico do Houston foi entregando cada vez mais liberdade e responsabilidade nas mãos de Aaron Brooks e Carl Landry. O armador Brooks é o único disposto a arremessar sem parar nos finais de partida, e o Landry é simplesmente o líder em pontos no quarto período de toda a NBA. No entanto, abrir essa exceção tática para os dois deixava Rick Adelman cada vez mais frustrado, tudo porque o Brooks não tem muito cérebro e dá arremessos bastante idiotas, enquanto o Landry compromete o time na defesa. Ainda assim, parecia melhor do que deixar Tracy McGrady entrar em quadra com sua falta de ritmo, falta de defesa e postura de estrela. Não importa que T-Mac tivesse treinado como um maluco nas férias com os melhores treinadores do mundo, ao lado de Dwyane Wade. Não importa que T-Mac estivesse se dizendo saudável pela primeira vez em anos. Rick Adelman não queria comprometer sua visão de um time coletivo e perfeito, não queria sujeitar seu elenco de carregadores de piano à dúvida de McGrady jogar ou não jogar todas as noites, graças às suas incessantes contusões. Preferiu tentar salvar a temporada desde o começo retirando o mal pela raíz. Sobrou pro T-Mac, que não tinha nada com isso.
Sua troca era inevitável. Tracy McGrady está no último ano de um contrato que lhe paga 23 milhões de doletas, ou seja, deixa salivando qualquer time interessado em liberar espaço salarial para a temporada que vem com poluções noturnas pelo LeBron James. Mas a troca não poderia ser por alguma outra estrela, por um jogador que comprometesse o trabalho do Adelman. Os engravatos de Houston acreditam no técnico, o elenco de ajudantes de luxo em quadra acredita nele, então o poder está nas mãos do homem. Durante vários dias, os boatos indicavam que T-Mac seria trocado por mais uma série de ajudantes de luxo: se fosse para o Knicks traria Jared Jeffries e Al Harrington, se fosse para o Sixers traria Iguodala e Dalembert. Chega a ser engraçado imaginar uma equipe com Trevor Ariza, Shanne Battier e Andre Iguodala, três dos melhores defensores da NBA, capazes de se encaixar em qualquer equipe e ajudar uma estrela a ser campeã. Mas conseguiriam ganhar alguma coisa ajudando apenas uns aos outros? Seria um excelente experimento sociológico, quase tão bom quanto Big Brother, mas sem sexo debaixo do edredom.
Na última hora, o Sixers vetou a troca. Parece que eles ainda estão convencidos de que o Iguodala pode ser campeão sozinho, sem uma estrela, e preferiram viver em seu mundo de fantasia com o Coelhinho da Páscoa, o Papai Noel, a Alinne Moraes e todas essas coisas que não existem. Restou então mandar o T-Mac para o Knicks, mas aí o Kings apareceu.
O Sacramento virou um dos meus times favoritos nessa temporada. Sempre fui fanático pelo jogo pouco ortodoxo do Kevin Martin (por “pouco ortodoxo”, é claro que eu quero dizer “ridiculamente bizarro”) e fiquei muito interessado em descobrir o porquê do time vencer com ele fora, contundido. Foi aí que o Tyreke Evans começou a jogar um absurdo, cravou seu nome como o calouro do ano antes mesmo do meio da temporada, conquistou o coraçãozinho do Denis e transformou o Kings numa das equipes mais divertidas de se assistir em toda a NBA. Declarei em outro post meu amor súbito pelo Kings e como abandonei jogos do Houston para acompanhar a equipe do Evans (mas não contem pra ninguém!), e depois assisti atento ao Kevin Martin voltar de contusão e tentar se encaixar com o futuro novato do ano. Eu não fiquei convencido de que a dupla não funciona, ficou bem claro que os dois têm problemas para se encaixar em quadra mas pareciam estar aprendendo aos poucos. Mas a verdade é que os dois jogam melhor quando não estão juntos, tendo o jogo armado pelo Beno Udrih, e é compreensível que com as derrotas acontecendo em massa desde a volta do K-Mart, o Kings não quisesse sentar e ficar assistindo ao apocalipse. Até porque, poucas semanas atrás, eles estavam indo para os playoffs, exatamente como o Houston.
A troca então foi a seguinte: o Kings mandou o Kevin Martin para o Houston e o Sergio Rodriguez para o Knicks. O Knicks mandou o Jared Jeffries, o Larry Hughes e o Jordan Hill para o Houston. E o Houston mandou o Tracy McGrady para o Knicks e Carl Landry e Joey Dorsey para o Kings.
Pro Knicks, a troca é simples. O contrato gigante do Larry Hughes ia acabar mesmo, o essencial era se livrar do Jared Jeffries. Não que ele seja ruim, pelo contrário, o Mike D’Antoni sempre disse que o Jeffries foi o jogador que mais lhe deixou impressionando quando ele chegou em New York. Mas é que o burro do Isiah Thomas deu pro Jeffries um contrato de quase 7 milhões por ano apesar dele ser simplesmente um jogador secundário, versátil porque pode jogar em todas as posições (todas mesmo, de armador a pivô), bom defensor, mas irrelevante no ataque. No Knicks que não defende, que fede inteiro, de que serve um carregador de piano que ganha uma fortuna? Seu contrato duraria ainda mais uma temporada, e se livrando dele o Knicks fica finalmente pelado como queria, pronto para oferecer toda a grana disponível para as estrelas desempregadas na temporada que vem. Restaram apenas 4 jogadores com contratos para a próxima temporada no Knicks: o Danilo Gallinari, o Toney Douglas, o Wilson Chandler e o gordo do Eddy Curry, que o time tentou desesperadamente trocar mas ele está tão gordo que não passou pela porta e não conseguiu sair do ginásio. Como o contrato do T-Mac termina também, o Knicks abriu mão do novato Jordan Hill (que o D’Antoni odiava) e de uma escolha de primeira rodada para se livrar do Jeffries e nadar em dinheiro para a próxima temporada. Dá pra oferecer dois contratos máximos, ou seja, segundo a política do Isiah Thomas dá pra oferecer dois contratos com valores máximos para gênios como o Kwame Brown e o Sasha Vujacic.
Para o Kings, a troca foi um belo jeito de se livrar do contrato gigante do Kevin Martin, dar o time inteiro nas mãos do Tyreke Evans, contratar outro jogador que se encaixe melhor com ele na temporada que vem, e de quebra ainda levar o Carl Landry. Já faz um tempão que o Kings tem problemas para pontuar no garrafão, já que o pivô Spencer Hawes prefere arremessar de três e o James Thompson é genial mas prefere o arremesso de média distância. O Landry é um cara que não defende, não pega rebotes, não assobia, não lava a louça, não conta até dez, mas se você lhe der a bola debaixo da cesta, ele dará um jeito de pontuar. Chega a ser surreal, ele arruma um jeito dando porrada, na força, no jeitinho, com ganchos, na marra, reverses, pagando propina para o juíz, qualquer coisa, mas ele consegue. Será perfeito para vir do banco do Kings assim como fazia no Houston e pontuar no quarto período, momento em que o Kings tem perdido a imensa maioria dos seus jogos. O time é imediatamente melhor agora, dá espaço pra molecada e arruma um antigo problema. É com dor no coração e lágrimas nos olhos que eu vejo o Carl Landry ir embora, mas ele estará numa equipe que precisa dele e que, com sua presença, só tende a melhorar.
Mas para o Houston a troca tem tudo para dar certo também. Dia desses me perguntaram que estrela poderia ir para o Rockets sem lascar com a química e a visão do Adelman, e sugeriram o Joe Johnson por ser um armador completo e pontuador que não é individualista. Eu sempre achei que o jogador perfeito para o Houston seria o Michael Redd, que ele seria o par perfeito para o Yao, que permite tão bem que os seus companheiros arremessem livres de três pontos. Na falta dele, não consigo imaginar um jogador melhor do que o Kevin Martin para cumprir esse papel. Não só é um dos meus jogadores favoritos, ele também é um excelente arremessador de três pontos, quieto, discreto, sem problemas com ego ou com companheiros de equipe, e é especialista em cavar faltas e cobrar lances livres quando o time precisa de pontos fáceis ou não tem nada caindo. Se o K-Mart jogar minutos limitados e sempre estiver em quadra ao lado de Ariza ou Shane Battier (ou até de Jared Jeffries, mais um grande defensor nesse time cada vez mais defensivo e versátil), sua defesa patética não será um problema tão grande, ele será muito útil impedindo que o Aaron Brooks arremesse tanto, tornará o perímetro mais perigoso e cavará mais faltas nos momentos de pânico, quando o Houston não consegue manter o plano do Adelman porque os arremessos não caem e o Brooks se desespera. É exatamente o que o Rick Adelman queria: um jogador secundário, especialista, disposto a cumprir uma simples função em quadra ao invés de ser uma estrela, cargo que o Martin nunca quis assumir em Sacramento. É um ajudante perfeito para um time formado por ajudantes, com a diferença de que ele ganha quase 10 milhões de doletas por ano. No Kings pagavam e esperavam que ele fosse o líder da equipe, assim como no Knicks pagavam para o Jeffries e esperavam que ele evoluísse ano a ano. No Houston, os dois podem encher as orelhas de dinheiro para ser simples coadjuvantes, do mesmo modo que o todo o resto da equipe. Sem essa cobrança, os dois vão logo se sentir em casa, o coitado do Kevin Martin nunca quis ser nada além de coadjuvante e o Kings resolveu lhe pagar um contrato de 55 milhões, completamente inesperado, achando que ele levaria a franquia para algum lugar – justo ele, o cara menos vocal do mundo, o único cara do planeta que não gostaria de ser líder no Big Brother. Além disso, se o Jordan Hill souber pontuar um pouco e não der motivos para o Aldeman odiá-lo tanto quanto o D’Antoni odiava, a troca terá sido perfeita, com mais um carregador de piano para substituir o Landry nem que seja um pouquinho. Até o Larry Hughes tem jogado bem e, se tiver minutos bem limitados, pode quebrar um baita de um galho enquanto o Kyle Lowry está contundido. Aliás, a troca terá sido perfeita para todas as partes. Até para o Knicks, que com tanto nome e fama vai conseguir levar duas estrelas de peso na temporada que vem. Pode não ser o LeBron, mas alguém topa a brincadeira. Afinal, eles não são o Clippers. E o Kings continua sendo um dos times mais divertidos de acompanhar, dessa vez com o líder de pontos no quarto período. Será o bastante para levar a pirralhada para os playoffs?
EDIT: Pois é, ao contrário do que algumas fontes apontaram, o Larry Hughes foi para o Kings e não para o Houston. Então ao invés de ser um reserva quebra-galho pro Lowry, ele vai ser só um contrato de 13 milhões que expira e deixa o Kings com grana pra fazer o que quiser, gastar com estrelas, jogos, bebidas ou mulheres. Se ele entrar em quadra, ainda mais depois que o Francisco Garcia está de volta de contusão, é porque alguém tomou um tiro em quadra.

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Os da ponta defendem, o do meio não joga

Dois anos atrás, 0 Houston estava com dificuldade de colocar em prática o basquete livre e complexo proposto por Rick Adelman em sua primeira temporada com o time. O técnico pedia paciência, explicando que aos poucos a equipe estaria plenamente familiarizada com o esquema tático. Quando a água bateu na bunda e o Rockets começou a escorregar na tabela, finalmente o elenco pareceu abraçar o que era proposto. Com um basquete de velocidade, passes rápidos no jogo de meia quadra, arremessos do perímetro e um pivô na cabeça do garrafão chamando as jogadas ofensivas, o Houston ganhou 12 partidas seguidas e provou que era um time de verdade. Mas como nós sabemos que o Yao Ming parece “made in Taiwan”, que é o Paraguai do oriente, o pivô chinês quebrou a perna e ficou fora pelo resto da temporada.

Sem espaço para desespero, tudo que Rick Adelman fez foi aumentar o ritmo ofensivo, focar ainda mais no contra-ataque e pedir passes mais velozes e mais arremessos de três. Sem o Yao pra ficar correndo de um lado para o outro com a língua pra fora, o time passou a jogar numa porra-louquisse e mesmo assim finalizar com calma. Mesmo sem o pivô, ganharam mais 10 partidas seguidas, conseguindo a segunda maior sequência de vitórias de todos os tempos e classificaram-se em quinto lugar no Oeste, para então serem eliminados (mas disso não quero falar, hunf).

Na temporada seguinte, Ron Artest foi adicionado à equipe e todo mundo começou a achar que talvez o Houston tivesse chances de título. No entanto, Tracy McGrady passou a maior parte da temporada contundido. Foi sem ele que o time passou finalmente da primeira rodada dos playoffs e foi enfrentar o Lakers na semi-final. Perdendo por 2 a 1 na série, Yao Ming se arrebentou de novo, todo mundo bocejou porque era óbvio que isso eventualmente iria acontecer, e então a série foi dada como encerrada. No entanto, aquela equipe cheia de carregadores de piano e nenhuma estrela venceu mais duas partidas e levou o embate com o Lakers para o sétimo jogo, aliás o único time a levar o Lakers para um jogo 7 naqueles playoffs.

Chegamos então ao Houston de agora. A lesão do Yao Ming, que ainda pode encerrar sua carreira, garante que ele não volta para o time nessa temporada. McGrady, que operou seu joelho pela nonagésima vez (graças a um plano fidelidade com o cirurgião, dessa vez saiu de graça), volta só no ano que vem. Ron Artest, que segurou o time nos playoffs passados, foi concretizar seu sonho de infância e jogar com seu ídolo Kobe Bryant. O que sobrou? Trevor Ariza, que era a quinta opção ofensiva no Lakers, exemplifica a equipe: um monte de jogadores secundários, sólidos, carregadores de piano, que seriam capazes de ajudar qualquer equipe que contasse com um par de estrelas. Mas sem as estrelas, cabe ao Rick Adelman tornar esse bando de coadjuvante um time de verdade.

“Às vezes você tem alguns times que talvez não sejam tão talentosos quanto outros times, mas certamente dá para tirar deles o mesmo que você tiraria de times melhores. Se você consegue com que joguem com todo seu potencial, e joguem duro todas as noites e se esforcem todas as noites, isso já é satisfação. Você não vai ter sempre o melhor time.”

A frase de Rick Adelman pelo menos nos mostra que ele está satisfeito. O time pode ser uma droga, mas se ele tirar o melhor do elenco já poderá dormir de noite. Na primeira partida da temporada, deu pra perceber que o time não teria chances de chutar traseiros nos playoffs mas que ganharia muito mais partidas do que se imaginava. É sempre assim, quando o Houston perde as estrelas e precisa depender de correria e de jogadores mais-ou-menos, especialistas em aspectos específicos do jogo, as coisas acabam dando estranhamente certo. No primeiro jogo eu tive uma crise de diarreia porque foi asqueroso ver o time jogando só na raça, na unha, sem saber o que fazer, mas foi só o susto. A derrota na estreia para o Blazers foi devolvida, com uma vitória fácil em cima do mesmo time de Portland, e misteriosamente o Houston se tornou um time delicioso de se assistir. Não tem estrela, não tem showzinho de LeBron ou Kobe, mas tem um grupo de oito jogadores que toma as decisões certas, dá sempre um passe a mais, não força arremessos e joga com velocidade. É um tesãozinho de assistir, dá tanta água na boca quanto o ensaio da Alinne Moraes de lingerie.

O ataque é o sexto melhor em pontos marcados na NBA até agora, atrás apenas de Suns, Nuggets, Magic, Raptors e Grizzlies. No entanto, dessa lista apenas o Magic tem uma defesa que toma menos pontos do que o Rockets. Ofensivamente a ideia é correr bastante, apostar no contra-ataque, e abusar dos arremessos de três quando é preciso um basquete de meia quadra. Defensivamente, a ideia é colapsar todos os jogadores juntos rumo ao garrafão frente a qualquer infiltração, e depois morder na defesa de perímetro com jogadores especialistas nisso como Shane Battier e Trevor Ariza. O vídeo abaixo dá um bom exemplo da defesa que o Houston anda aplicando:

Chega a ser engraçado, parece futebol feminino amador em que todo mundo corre pra cima da bola. Isso torna o Houston exposto a times que penetram e depois passam para fora, e também complica nos rebotes mais longos típicos dos arremessos de três, mas é a única chance de defender o garrafão num time sem nenhum pivô sequer. O titular na posição é o Chuck Hayes, que não tem sequer dois metros! Com 1,98m de altura, o Hayes é de longe o pivô mais baixo que a NBA já viu, seria até o pivô mais baixo do campeonato amador de Catanduva, e por isso precisa de toda ajuda do mundo na marcação. No entanto, o Hayes é um defensor pentelho pra burro, ele estabelece sua posição, intercepta passes e fica cutucando a bola antes de chegar no pivô adversário. Não consegue impedir uma cesta, só sai do chão usando escada rolante, mas inferniza qualquer um e é um dos seis melhores ladrões de bola da temporada, com mais de dois roubos de bola por jogo. O Dwight Howard comeria ele com um pouco de azeite e sal, talvez uma salsinha pra dar gosto, mas é certeza de que o Hayes vai encher um pouco o saco e o Houston inteiro vai pular no cangote do Dwight na cobertura. Aí os arremessos de três do Magic vão trucidar o Rockets, claro, mas é um plano melhor do que se lascar em todo jogo tipo o pobre do Warriors.

O Ariza faz um serviço cada vez melhor na defesa, mas o andamento das partidas depende muito dele ofensivamente. No contra-ataque ele é veloz e explosivo, seus roubos de bola viram enterradas, e mantém o Houston no jogo. Mas é nas suas bolas de três que fica a esperança do time. Ele ainda não tem a capacidade de decidir o jogo criando seus próprios arremessos, e ainda tem muitos problemas batendo para dentro. Na hora do desespero, quando o Houston precisa de uma infiltração, prefere isolar o Aaron Brooks e deixar ele partir pra cima. Mas o Ariza é inteligente, sabe quando arremessar (coisa que o Artest nunca soube), e quando tem bom aproveitamento prova que pode segurar um time nas costas volta e meia. Na pré-temporada e no primeiro jogo do Rockets, Ariza forçou o jogo, ainda bitolado nessa ideia de que ele precisa ser uma estrela, a primeira opção no ataque. O Kobe deu uns conselhos, disse que conhece bem essa transição, e que ele só precisa ir com calma. Agora, parece que ele finalmente entendeu que tem que liderar os contra-ataques, se focar na defesa, nos arremessos de fora, ser um jogador especialista como todos os outros do elenco. Numa equipe em que cada um tem uma função e a mistura precisa ser maior do que a soma das partes, o Ariza não tem que ser estrela coisa nenhuma, tá muito bom se ele fizer seu papel também e todo mundo confiar no trabalho coletivo planejado pelo Rick Adelman. Ele já tirou de letra a perda do Yao, a perda do T-Mac, e não está em busca de um jogador fora de série para se destacar nesse grupo. Quando o McGrady voltar, provavelmente deve ter também minutos reduzidos e um papel secundário, armando jogadas, sem forçar seu físico destruído indo para a cesta.

Por enquanto, a rotação é pequena, com apenas oito jogadores. Battier e Ariza defendem e arremessam de fora, Aaron Brooks bate para dentro mas também é bom arremessador, Luis Scola é o único com um jogo sólido dentro do garrafão, e o Hayes torra a paciência dos pivôs adversários. No banco, Kyle Lowry defende bem como armador, o novato Chase Budinger arremessa bem de três e confunde os adversários por ser loiro e mesmo assim jogar basquete, e Carl Landry prova que veio da máquina de faser Jason Maxiells e leva sua vida nos rebotes ofensivos e marcando pontos fáceis. Qualquer um deles, num dia bom, pode vencer uma partida sozinho. Mas é a junção de todos eles que torna o time tão perigoso. David Andersen é um pivô que veio da Europa dar uma força mas na verdade é só um ala improvisado e envergonhado demais para arremessar, e o Pops Mensah-Bonsu ainda não teve oportunidades, então a rotação é bem limitada mesmo e vai receber de braços abertos o McGrady para dar uma força. Mas até lá, o time vai estar muito bem.

Contra o Lakers, no já lendário “Clássico Bola Presa”, Kobe teve que marcar 41 pontos para permitir a derrota do Houston por um mísero ponto na prorrogação. No Houston, seis jogadores marcaram pelo menos 14 pontos e Chuck Hayes saiu de quadra com 14 rebotes mesmo enfrentando Andrew Bynum no garrafão. Se tem como dar canseira no atual campeão com um time desses, cheio de caras secundários, então não tenho dúvidas de que o Houston vai se sair bem na briga pelas vagas de playoffs no Oeste. Por enquanto o time está na frente de Mavs e Spurs e é líder de sua divisão, e esse absurdo tem ainda mais valor quando a gente pensa em como o Houston está conseguindo esse sucesso: sem suas estrelas, nas mãos de um dos melhores técnicos que a NBA já conheceu, e com um basquete bonito, solidário, veloz e que deixa aquela lagriminha de saudade do Kings de uns anos atrás, quando o Stojakovic ainda sabia arremessar. Para quem gosta de torcer pelo mais fraco e para quem gosta de ver um jogo coletivo e metido a porra-louca tipo o Knicks mas com regularidade e sem tanto fracasso, o Houston Rockets merece sua audiência. Aplaudamos o Rick Adelman agora, enquanto ele tira água de pedra, porque é bem possível que com as estrelas de volta ele não consiga a mesma mágica. Tanto ele quanto a equipe só rendem de verdade nas adversidades. E não há nada mais bonito do que ver um grupo de pessoas lutando contra as adversidades, ainda que para isso tenhamos que ver um nanico jogando de pivô e morrer de vergonha.

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