Adeus, Serge Ibaka: o Thunder não tem medo

Se você é como a gente e sempre gosta de um pouquinho de bagunça para chacoalhar a NBA, deveria estar empolgado antes do início do Draft 2016, que rolou na quinta-feira. Eram poucas as escolhas entre as dez primeiras que não fossem alvo de sérias especulações. O Philadelphia 76ers, claro, iria manter sua primeira e assegurar Ben Simmons, mas eles mesmos pareciam tarados pelo armador Kris Dunn e pareciam dispostos a oferecer bastante coisa para Boston Celtics, Phoenix Suns ou Minnesota Timberwolves para entrar na jogada.

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Os problemas de rico do OKC Thunder

Não tente falar para alguém cheio da grana que o dinheiro é a solução para tudo. Eles vão correr para falar que as verdinhas não compram felicidade, que não trazem o amor, que não resolvem os problemas familiares ou os traumas de infância. E nessas os endinherados têm razão, o dinheiro não cura tudo. Os problemas de primeiro mundo soam ridículos para muita gente, mas ainda são problemas para quem vive esse mundinho.

No universo dos times da NBA a riqueza não se mede em dinheiro, o teto salarial minimiza a diferença financeira entre as franquias, mas em talento. Os bilionários são os times que conseguem garimpar os grandes jogadores do planeta: se você tem LeBron James, Steph Curry ou Anthony Davis, parabéns, ganhou na loteria. Por isso, difícil achar um time com a vida financeira mais bem resolvida do que o OKC Thunder, que tem no seu elenco dois dos jogadores que muitas franquias procuram há décadas: Russell Westbrook e Kevin Durant. Com esses dois em quadra, são favoritos contra 90% da NBA, sempre.

A chance de Scott Brooks

A chance de Scott Brooks

O sonho acabou, amigos. Se havia um único lado bom na contusão de Kevin Durant, era que ela nos daria a experiência de assistir um Russell Westbrook completamente livre durante um mês. Imagina, galera: o cara mais agressivo, impulsivo e intenso da NBA tomando conta de todo um ataque durante um mês. Ele nem teria que se preocupar no longo prazo, de se adaptar à liderança do time, era só atacar, atacar, atacar e esperar Durant voltar. Seria um mês de recordes, atuações históricas e um bocado de cansaço. Vimos isso na estreia do OKC Thunder na temporada: Westbrook marcou 38 pontos, mas depois de simplesmente tomar conta da partida no primeiro tempo, perdeu fôlego na etapa final, quando foi melhor marcado e não conseguiu contornar a marcação na marra. A Westbrook Xperience, porém, durou apenas essa partida. Logo depois, contra o Los Angeles Clippers, ele fraturou a mão e teve de ser operado. Provavelmente fica pouco mais de um mês fora e deve voltar mais ou menos junto de Kevin Durant, até lá o Thunder fica órfão de pai e mãe. Se essa foi a derrota do entretenimento, o que pode significar para a franquia? Pensei muito sobre isso e minha conclusão é que não há meio termo: ou o time está ferrado e passará por um período difícil de mudanças, ou pode ter sido uma bênção que irá os fazer evoluir em pontos onde estão estagnados há algumas temporadas.

Russell Westbrook, Kevin Durant

A primeira hipóteses é possível porque o OKC Thunder, como todos sabemos, joga na impossível Conferência Oeste. É no Oeste onde você precisa alcançar a sempre simbólica marca de 50 vitórias para, com sorte, se classificar em oitavo e encarar o San Antonio Spurs na primeira rodada. Até agora o Thunder tem 1 vitória em 4 jogos, e é possível que Durant e/ou Westbrook fiquem fora de pelo menos mais 20 partidas. O aproveitamento desse grupo nesses jogos pode transformar a temporada da equipe em um eterno Playoff de jogos decisivos. Se eles vencem 7 jogos e perdem 13, por exemplo, teriam 8 vitórias e 19 derrotas com 55 jogos restantes na temporada. Para alcançar os 50 jogos que garantem vaga no Oeste, teriam que vencer 42 desses 55 jogos, 76% de aproveitamento. Ano passado eles tiveram 72% para conseguir a 2ª melhor marca do Oeste. Ou seja, com Westbrook e Durant pegando o time no meio da temporada, eles teriam que ter um desempenho de primeiro colocado para chegar em uma marca que pode garantir apenas a última vaga nos Playoffs! Para isso eles jogam do meio de Dezembro até o meio de Abril sem poder relaxar, descansar ou pensar em poupar jogadores. E vamos ser sinceros, se o Thunder não se classificar para os Playoffs as coisas vão mudar por lá. Provavelmente Durant vai resmungar, Kendrick Perkins vai ser criticado por não saber jogar basquete, Sam Presti vai ter que responder de novo e de novo, pelo terceiro ano seguido, a razão de ter trocado James Harden e, o ponto em que eu queria chegar, provavelmente o técnico Scott Brooks vai rodar. Sem Brooks, o Thunder teria que contratar um técnico novo para mudar o time justamente no possível último ano de Durant no time, em 2015-16. Dá pra sentir as coisas desmoronando ou estou sendo muito fatalista? OKC2 Estou mesmo vendo tudo do pior jeito possível, mas não estou inventando nada. Todas essas questões já foram levantadas no passado e apenas vão se intensificar se o time fracassar nessa temporada, mesmo que as lesões não tenham sido culpa de ninguém. Existe uma versão otimista para o futuro próximo do OKC Thunder, porém. Nele, o Thunder consegue vencer um número bem maior de jogos no próximo mês e, no caminho, descobre uma porrada de jogadores que podem ajudá-los a longo prazo. Isso já aconteceu quando Reggie Jackson apareceu nos Playoffs de 2013 quando Westbrook machucou o joelho, e agora é a chance do mesmo Jackson se consagrar como titular e outros jogadores ganharem espaço, especialmente no ataque. Serge Ibaka tem arriscado ainda mais arremessos de longa distância do que no ano passado, o promissor Perry Jones está com média de quase 20 pontos por jogo nessa primeira semana de temporada e Steven Adams, que ganhou a vaga de titular de Perkins, terá espaço para realmente mostrar que pode ser uma preocupação para os outros times. E é aí que aparece a chance de ouro da carreira de Scott Brooks. Nos últimos anos se convencionou dizer que o Thunder é bom APESAR do seu técnico. Acho que a internet, para variar, exagera nas críticas, mas elas certamente tem algum fundamento. Enquanto víamos Miami Heat e o San Antonio Spurs dominarem a NBA com um jogo coletivo e baseado em passes, o Thunder ainda se via com um time parado e individualista mesmo (ou ainda mais) nos momentos mais críticos dos jogos difíceis. Se até o Heat aprendeu que não dava pra ganhar só com mano a mano, por que o Thunder não conseguia arrumar esse problema? Eram poucos passes e, o realmente preocupante, pouca movimentação sem a bola. As críticas ao ataque do Thunder escondem um pouco do mérito de Scott Brooks, que pegou esse time quando eram apenas um bando de pivetes e conseguiu transformá-los em equipe. Ajudou no desenvolvimento individual de cada um, incluindo o de Serge Ibaka, que chegou na NBA bastante cru, criou um dos ambientes que, dizem, é dos mais saudáveis da liga e, mais importante, formou uma baita de uma defesa. Todo santo ano eles estão lá entre os 5 melhores times em pontos sofridos por posse de bola. Oklahoma City Thunder v Los Angeles Clippers Mas dito isso, não dá pra ignorar aqueles momentos cruciais de jogos decisivos onde o time fica parado, perdido e apavorado até Westbrook driblar, driblar e forçar um arremesso idiota. Ou quando Kevin Durant só vive nos extremos: arremessa tudo de muito longe e sem preparação, ou fica longe da bola e some do jogo. A minha maior decepção na vida adulta foram os próprios adultos. Eu os via, quando criança ou adolescente, como pessoas sérias, competentes, responsáveis e maduras. Não precisei de muito para descobrir que o mais sério dos ambientes de trabalho é um grande colegial de pessoas infantis fazendo o mínimo possível e só torcendo para não serem desmascaradas. Mas tenho ainda esperança de que em alguns lugares não é assim, e a NBA é um deles. Não é possível que um técnico da NBA seja realmente ruim no que faz! Ele pode não ser bom o bastante para durar muito tempo na liga, pode não dar certo nesse nível da carreira, mas é simplesmente impensável que a gente, a galerinha corneteira do Twitter, enxergue problemas no time e que Scott Brooks não veja. Não dá pra imaginar Scott Brooks vendo o vídeo da partida e aprovando aquele ataque estagnado. Ele não é burro ou cego, apenas não conseguiu achar a fórmula certa para fazer as coisas funcionarem. Em entrevista ao Grantland, o Nick Collison disse que não é fácil simplesmente começar a rodar mais a bola, passar e se mexer sem parar. Fazer isso exige muito treino, tempo e fôlego. Ele também lembra que o time tem dois jogadores jovens que podem ganhar de qualquer adversário no mano a mano, é aquele velho veneno-remédio: todo time precisa de jogadores talentosos que possam fazer tudo, mas a tentação de só assisti-los jogar pode ser a morte da equipe. O desafio de todo super time é esse, arranjar uma maneira natural de encaixar os talentos individuais na identidade coletiva da equipe. É onde Scott Brooks e o Thunder ainda falham, talvez pelo fato dos astros serem muito novos, talvez por eles terem surgido antes do time já ter uma identidade de ataque. A situação no próximo mês, porém, é diferente. Sem os dois pilares do ataque, a ÚNICA escolha do Thunder é dividir a bola, se mexer bastante e usar muitas jogadas ensaiadas, trabalhadas e treinadas. Por melhor que seja Perry Jones, não dá só pra largar ele no mano a mano com todo mundo. No desespero, por falta de super estrelas, o time está finalmente 100% nas mãos de Scott Brooks, sem nenhuma tentação de largar na mão de um cara para decidir. Se o técnico quer ~calar os críticos~ e mostrar que tem bala na agulha para montar um grande ataque, será agora, com pouco tempo de preparação e com elenco limitado, que ele tem que mostrar o seu valor. Difícil demais, claro. Um possível sucesso nesse mês pode até influenciar a chegada de Kevin Durant e Russell Westbrook (mais provável que só o Durant) quando voltarem, talvez eles precisem ver o time funcionando com menos individualidade para que abram mão de algumas coisas, assim como os coadjuvantes podem precisar ver que eles mesmos podem resolver de vez em quando para ganhar essa confiança e cobrar mais espaço no time.

Oklahoma City Thunder v Memphis Grizzlies - Game Six Um bom mês sem Durant e Westbrook pode consolidar Scott Brooks como uma grande treinador, fazer ele ganhar a confiança da torcida e de seus jogadores em um novo sistema ofensivo. O fracasso pode significar que a temporada toda, mesmo quando os dois All-Star chegarem, pode ir para o ralo mais cedo que o planejado, e se alguém vai rodar nessa brincadeira é o próprio Brooks. É um momento importante demais para um técnico, e ele terá que fazer Andre Roberson e Sebastian Telfair jogarem bem para ver o melhor lado dessa moeda. Boa sorte, Brooks! [author title=”Defenestrado por” author_id=Denis””]

Fator Ibaka

Fator Ibaka

Nada como uma boa lesão para mostrar a importância de um jogador, não é? Acho que hoje é um bom dia para lembrar que o Oklahoma City Thunder, com sua questionável política de não querer exagerar nos gastos e ultrapassar o limite do teto salarial, ficou numa situação de optar entre Serge Ibaka e James Harden há duas temporadas. Tentaram oferecer um salário menor para Harden, que não topou e acabou trocado por Jeremy Lamb, Kevin Martin (que já saiu do time) e uma escolha de Draft, que acabou se tornando o pivô Steven Adams. 

A justificativa da época passava por dois pontos: o primeiro era que eles não queriam se livrar de Harden, mas era uma necessidade econômica; a segunda era que Ibaka era um tipo de jogador mais único, difícil de encontrar, do que Harden. O argumento foi contestado quando Harden deixou a sua horrível série final de 2012 para trás e virou uma máquina de marcar pontos pelo Houston Rockets, mas cada vez mais fica claro de que é difícil demais encontrar alguém como Ibaka na NBA.

O que vimos no jogo de ontem, na volta heroica de Ibaka, ainda claramente com dores musculares e mesmo assim se sacrificando pelo time, é o arsenal inteiro do congolês: tocos, arremessos de meia distância, um time mais ágil e muito menos pontos marcados próximos ao aro. Ele foi essencial para que o Thunder batesse o Spurs por 106 a 97 na noite deste domingo.

Ibaka 600

 

Tocos

Embora tocos não sejam necessariamente sinônimo de boa defesa, é um número importante quando se enfrenta um time como o Spurs, que deita e rola nas bandejas simples em volta do aro. O time de Gregg Popovich sabe passar a bola e conseguir pontos fáceis em volta da cesta, contra eles é essencial cortar as linhas de passe ou, em último caso, dar um tapa na bola no último momento. Nos Jogos 1 e 2, o Thunder conseguiu 3 tocos em cada confronto. Ontem foram 4 só de Ibaka, que passou apenas 30 minutos em quadra. Coloque mais 4 tocos do ótimo Steven Adams na troca e já temos 8 bandejas a menos para Tony Parker e companhia.

 

Pontos próximos à cesta

Mais do que os tocos, o que mais mostra a influência de um bom pivô na defesa, como explicado nesse post, é a nova estatística da NBA que mostra a porcentagem de acerto de arremessos do adversário quando um certo defensor está próximo à cesta. Some isso aos números de pontos no garrafão, pontos no semi-círculo e teremos uma geral do desempenho de um time e da influência de um certo jogador na performance.

O Spurs marcou, em média, 60 pontos dentro do garrafão nos dois primeiros jogos da série. Ontem foram 40! Contando só a tal restricted area, a área do semi-círculo próxima ao aro, o aproveitamento do time de San Antonio caiu de 76% para 50%. Neste Jogo 3, o Spurs tentou 31 arremessos próximos ao aro e acertou apenas 13. Com Ibaka próximo ao lance, foram 6 acertos em 13 tentativas!

Para se ter um critério de comparação, no Jogo 2 foram 45 tentativas (!) e 21 acertos na restricted area, e só Perry Jones (2/8 arremessos contra ele) deixou os adversários acertarem menos de 50% de arremessos na região mais próximas da cesta.

 

Arremessos de meia distância

No Jogo 3, Serge Ibaka fez 15 pontos e acertou 6 de seus 7 arremessos. O gráfico abaixo mostra como foram distribuídos estes arremessos.

Shotchart Ibaka

E essa imagem mostra o aproveitamento e distribução de todo o time do Oklahoma City Thunder no Jogo 2

Thunder shotchart

Reparem no horripilante aproveitamento do time nos arremessos próximos ao aro. Isso é explicado, em parte, pelo fato do San Antonio Spurs concentrar toda a sua defesa para impedir as infiltrações de Kevin Durant e Russell Westbrook. Após os bloqueios que o Thunder, invariavelmente usados para abrir espaço para suas estrelas, o Spurs vai se fechando para trás, abrindo os arremessos de meia distância e povoando o garrafão. Sabendo disso (e também para dar uma moral para Ibaka), o Thunder fez suas primeiras jogadas na partida atacando a cesta e usando o espaço aberto na meia distância para dar arremessos sem marcação para seu ala. Ele acertou e o Spurs foi obrigado a se preocupar mais com esse tipo de jogada.

Reparem como o Spurs dá os arremessos de meia distância para Russell Westbrook e para Serge Ibaka. Eles querem Westbrook chutando de longe, sem passar a bola, ao invés de vê-lo atacando a cesta. E preferem Ibaka chutando do que Durant, por exemplo, mas Ibaka fez o Spurs pagar pela decisão.

 

Agilidade

Mas além do potencial físico e do tempo perfeito para os tocos, Serge Ibaka é também um dos raríssimos pivôs que conseguem fechar o garrafão e mesmo assim ter a agilidade e potência para contestar arremessos dados na linha dos 3 pontos. Ele também faz um bom trabalho atrapalhando armadores que ficam sob sua responsabilidade em trocas de marcação.

Mas se vocês lembrarem bem, tiveram algumas jogadas, como umas bolas de 3 pontos do Boris Diaw, em que Ibaka tentou se recuperar na defesa mas não mostrou muita força física para realmente dificultar o arremesso. O francês até errou suas três tentativas no jogo, todas semi-contestadas por Ibaka, mas poderia ter acertado.

Não é que de repente Serge Ibaka virou o melhor jogador do mundo, calma lá, mas é que os seus talentos são os mais importantes para se jogar contra o San Antonio Spurs. Lembra que dissemos aqui que a única maneira de bater o Spurs é com movimentação de bola, muita potência física e cobertura na defesa? E que dissemos que somente Miami Heat e OKC Thunder tem o pacote completo para poder jogar com os caras? Pois é, o Thunder só tem o pacote completo com Ibaka no elenco.

A volta do ala deixa a série mais divertida e emocionante, mas não podemos esquecer do basquete quase perfeito que o Spursjogou nas últimas semanas. E nem que ainda lideram a série por 2 a 1 e que tem o mando de quadra. O Thunder ainda precisa de muita coisa pra voltar à decisão da NBA.

Grizzlies e Pacers vencem feio

Fim de semana geralmente não dá pra postar, mas achei um tempinho para fazer comentários (espero que curtos) sobre o dia com jogos mais feios destes Playoffs. Bora? E não esqueçam de comprar nossa camiseta. 

 

Pacers

O Indiana Pacers venceu o Jogo 3 com um placar que deve ter feito seu técnico, Frank Vogel, chorar de emoção: 82 a 71. Vejam bem, o Knicks teve o 3º melhor ataque da NBA na temporada regular, com 111.1 pontos a cada 100 posses de bola, ou 100 pontos por jogo, e o Pacers conseguiu segurar esse time a míseros 71 pontos! Foram só 35% de acerto dos arremessos e 14 turnovers! Mas sabe o que é mais legal? O Pacers errou ainda mais, 17 turnovers, também só fez 35% de seus arremessos e só se salvou porque tiveram mais bolas de 3 (10 a 3) e rebotes ofensivos (18 a 10). Jogam feio e com orgulho.

Os únicos jogadores do Knicks que acertaram um número decente de arremessos foram os pivôs Kenyon Martin (4/7) e Tyson Chandler (3/4), mas isso só porque só arremessam quando são obrigados com uma arma na cabeça. E eles não podem sair como bonzinhos da história, ambos tomaram uma surra de Roy Hibbert, que fez 24 pontos e 12 rebotes para compensar qualquer (merecida) crítica negativa que recebeu ao longo da temporada regular.

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A verdade é que ao longo da temporada o NY Knicks deu a impressão que poderia marcar pontos sobre qualquer time. Carmelo Anthony e JR Smith acertavam arremessos absurdos sobre qualquer marcador e não parecia ser algo que qualquer time poderia fazer a respeito. Porém o que vemos nessa série não é nada disso. Nos Jogos 1 e 3 o Knicks foi simplesmente anulado ofensivamente e, embora a defesa seja boa, não consegue parar Roy Hibbert de jeito nenhum mesmo com o excelente Tyson Chandler no garrafão. Quando tentaram afobar o pivô, abriram a linha de 3 pontos, onde o Pacers chutou incríveis 33 vezes para acertar 10. Só com um pivô e bolas esporádicas de 3 não dá pra fazer 120 pontos, mas é o bastante quando seu adversário mal passa dos 70.

O Knicks teve sucesso no Jogo 2 com mais agressividade de Carmelo Anthony, que invadiu o garrafão, quebrou a defesa do Pacers e forçou todo mundo a se mexer mais. Porém não é só ter a ideia, é preciso executá-la e tenho minhas dúvidas se o Knicks vai ser capaz disso em 4 jogos desta série. E o quanto é bizarro o Knicks só ter tentado 11 bolas de 3 no jogo depois de quebrar o recorde de bolas de 3 chutados ao longo da temporada? Talvez seja a hora de Jason Kidd, zerado nos últimos 7 jogos, voltar a arremessar mais. Em 55 jogos nessa temporada em que o Knicks tentou mais arremessos de 3 que os adversários, eles venceram 44.

 

Marc Gasol

No outro jogo do dia, o Memphis Grizzlies também usou a técnica do Pacers de jogar feio e ganhar, sabe-se lá como, mesmo assim. Nenhuma surpresa, os dois times não só são conhecidos, como se orgulham e colocaram em sua identidade o estilo de jogo físico, defensivo, lento e focado em pivôs durões. O lema do Grizzlies, aliás, é o divertido Grit and Grind, algo como “triturar e moer”, que é algo como um Muricybol do basquete.

Na partida de ontem o OKC Thunder tentou, com relativo sucesso, aceitar o estilo de jogo do Grizzlies. Apesar de sempre tentarem apressar o jogo através de contra-ataques para não enfrentar a defesa adversária, não tiveram medo de ir para o jogo físico, especialmente Kendrick Perkins e Nick Collison. E deu certo! Nós às vezes esquecemos, mas o Thunder é um baita time defensivo e continuam assim mesmo sem Russell Westbrook. Com boa defesa o time conseguiu o que queria, segurou o Grizzlies a 40% de aproveitamento, surpreendentemente venceram a batalha dos rebotes ofensivos (14 a 5!!!!) e chegaram no fim da partida com o placar empatado: 81 a 81 a 2 minutos do final.

Pensa bem, de um lado existe um time com dificuldade de criar situações de cesta e sem grandes arremessadores de longa distância, do outro tem Kevin Durant, um dos melhores arremessadores e pontuadores da história da NBA, que cria situações de chute quando bem entende. Quando o jogo chega nos minutos finais, para ser decidido em um punhado de posses de bola, você apostaria em quem?

Mas esqueçam, foi um desastre. Nos minutos finais Reggie Jackson fez duas faltas bem tolas que resultaram em pontos fáceis, de lance-livre, para Mike Conley. Kevin Durant, que beira os 90% de acerto de lance-livre, errou dois que teriam cortado a diferença para 2 a 39 segundos do final e, para terminar, Derek Fisher queimou um arremesso de 3 pontos simplesmente IMBECIL a 18 segundos do fim do jogo. Durant roubou uma bola e Fisher arremessou a uns 2 metros da linha dos 3, com o time perdendo por 4, sem nem procurar um companheiro mais bem posicionado. Em resumo: o jogo estava empatado em 81 a 2 minutos do fim e daí pra frente o Thunder só fez merda e o Grizzlies marcou 6 pontos de lance-livre. Pior jeito de se fechar um jogo.

Pior que não dá nem pra falar que o Grizzlies se safou dessa, que venceu num dia que deu tudo errado. Não deu tudo certo, mas também não deu errado. É assim que eles jogam, é desse jeito pouquíssimo convincente que vencem nos últimos três anos. Na base do Grit and Grind que eles vencem mesmo quando os arremessos não caem. Porém, se fosse eles, tentaria entrar nos minutos finais com o placar um pouco mais favorável. Durant e Fisher não costumam cagar tanto em finais de partida.

E por mais que o Grizzlies seja tenha uma excelente defesa, uma das melhores (talvez A melhor) da NBA, não é só ela a responsável por segurar tanto Serge Ibaka quanto Kevin Martin a 6/17 arremessos. Ambos muitas vezes foram deixados livres devido as eventuais dobras na marcação sobre Durant e simplesmente não estavam com confiança alguma para acertar. Ibaka fez uma de suas piores partidas ofensivas nos últimos tempos, errando duas enterradas e tantos outros arremessos de meia distância, sem marcação, que acertou o ano todo. Chegou um momento do jogo que não atacava defensores mais baixos, hesitava em chutar só faltou chorar e pedir pra sair. Os 10 rebotes e 4 tocos fazem sua presença na quadra valer a pena, mas espera-se mais dele lá na frente agora que chega a arremessar DEZESSETE vezes numa partida. Curiosidade: Ibaka tentou 7 bolas longas de 2 pontos e errou todas.

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