McGee e Nenê brilham nas estreias, Knicks ainda embalado

Pelo menos por um dia a troca deixou todo mundo feliz. Ontem aconteceram as estreias de Nenê pelo Wizards e de JaVale McGee pelo Nuggets, os dois saíram de quadra não só com vitórias, mas com atuações de destaque. Comecemos pelo fácil jogo do Washington Wizards, que venceu com certa tranquilidade o New Jersey Nets fora de casa, com Jay-Z assistindo e tudo. O jogo estava disputado até o 3º período, mas aí o técnico Avery Johnon e o armador Deron Williams foram expulsos por, nas palavras do filósofo Tite, “falarem muito”. Depois disso o Wizards passeou. Nenê fez ótimo jogo com 22 pontos e 11 rebotes! O brasileiro é uma enorme melhora no time sobre o McGee, disso eu nunca tive dúvida. Ele dá mais opções ofensivas, tem jogo mais completo, melhor passe, tudo. Meu medo é se ele estaria interessado em jogar lá, se teria disposição, após 10 anos de NBA, para jogar em um time medíocre. Pois o armador Roger Mason Jr. deu uma entrevista dizendo que o brazuca já chegou falante, dando dicas para outros jogadores, orientando os seus companheiros de garrafão e tudo mais. Já o ala/pivô Kevin Seraphin disse: “É ótimo jogar com ele, se você se posiciona bem ele te dá a bola”. Pois é, no Wizards isso é algo novo.

O Wizards tem hoje um grande armador, John Wall, e um grande pivô, Nenê, que pode ser um dos melhores do Leste na posição quando saudável e interessado. Se ele abraçar essa ideia de ser líder e levar o Wizards para algum lugar, pode ter sido um bom negócio até para o jogador, que parecia meio acomodado em Denver. Quando se tem bons jogadores nessas posições montar o resto do time é mil vezes mais fácil, se Jordan Crawford não comprometer e Jan Vesely se desenvolver o Wizards poderá ser um dos times mais legais de se acompanhar na próxima temporada. Começo promissor.

Pelo Nuggets, McGee, claro, não foi tão protagonista quanto Nenê durante a partida, mas foi ele quem a decidiu. O Nuggets perdia por 3 pontos quando Arron Afflalo conseguiu infiltrar, sofrer falta de Ben Gordon e fazer a bandeja. O Pistons poderia ter feito a falta antes, mas Gordon hesitou e quando a fez Afflalo já estava dando as passadas. O armador, porém, errou o lance-livre que empataria o jogo. No rebote JaVale McGee se livrou de Greg Monroe como se ele fosse um anão magrelo e enterrou, virando o jogo a 5 segundos do fim. Na última posse de bola do jogo Gordon recebeu, arremessou e a bola bateu duas vezes no aro antes de cair fora, vitória de McGee, que acabou o jogo com 15 pontos, 7 rebotes e 3 tocos em 24 minutos disputados.

Você deve estar pensando que o Ben Gordon é um merda, né? Ele fez a falta que não devia, errou a bola final e só foi titular porque o Rodney Stuckey, que estava marcando pontos a rodo, se machucou. Mas não foi bem assim. Após perder o 1º período por 40 a 18, o Pistons voltou ao jogo e chegou a liderar por 6 graças aos, prepare-se, 45 pontos de Ben Jordon! Se vocês acham que o Kobe força arremessos, precisam inventar um nome novo para o que o Gordon faz, mas quando dá certo, uau, dá gosto de ver. Ele acertou 13/22 arremessos e não errou nenhuma das 9 bolas de 3 pontos que tentou. Recorde da NBA. Mas não recorde isolado, empate triplo. Os outros dois jogadores a acertarem 9 bolas de 3 em um jogo sem errar nenhuma foram Latrell Sprewell em 2003 e, acreditem, o próprio Gordon em 2006. Não sei se os torcedores fanáticos perdoam os erros fatais depois dessa, mas só teve final emocionante por causa de BG.

Vale ver o resumo inteiro do jogo por todas as bolas de Gordon e a enterrada vencedora de McGee. Mas acho que ficou faltando uma bola impossível do Wilson Chandler, no fim do 4º período, que foi essencial para a virada. Vejam ela aqui.

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Números interessantes sobre o Philadelphia 76ers. Eles perderam os 4 jogos que disputaram que foi decidido com diferença de 3 ou menos pontos. Em compensação, 22 de suas 26 vitórias na temporada foram por mais de 10 pontos de diferença. É surra ou derrota pra eles. Ontem, com jogo apertado contra o Kincks, portanto, foi derrota, 5ª vitória seguida de Mike Woodson. Depois de começar o jogo errando seus primeiros 14 arremessos, o Sixers se recuperou e chegou a liderar no 3º quarto. Mas no último, sempre ele, Jeremy Lin marcou 16 de seus 18 pontos e comandou a vitória de seu time, que ainda teve Amar’e Stoudemire jogando bem (até na defesa!!!) com 21 pontos e 9 rebotes. Carmelo acertou só 5/15 arremessos, mas enquanto o time estiver ganhando a culpa não é dele. Importante para o Knicks vencer um jogo em que acertaram só 36% de seus arremessos, mostra como a defesa está funcionando. Uma cena bizarra fechou o jogo: perdendo por 3 e com ainda 5 segundos no relógio, o Sixers não fez falta no Knicks e simplesmente deixou o jogo acabar com derrota. Doug Collins quase pariu um filho no banco, mas não deu em nada.

Se conforta Collins, sempre pode ser pior. O Cleveland Cavaliers esteve duas vezes muito próximo de roubar uma vitória do Hawks em Atlanta, mas erraram e deixaram Joe Johnson, que não acertava nem bolinha de papel no lixo no resto do jogo, meter bolas decisivas. Eles venciam por 3 pontos após várias bandejas espetaculares (a maioria de canhotinha) de Kyrie Irving (29 pontos, 9 rebotes, 9 assistências), mas aí não trocaram a marcação em um bloqueio na última posse de bola e Joe Johnson teve tempo e espaço para acertar a bola de 3 pontos que levou o jogo para a prorrogação. Lá o Cavs abriu 6, mas tomou outra bola de 3 de JJ, fizeram falta em uma bandeja de Josh Smith (monstro com 32 pontos, 17 rebotes e 5 assistências) e com o jogo empatado viram Johnson mais uma vez acertar uma bola vencedora. Dessa vez ainda puderam responder, mas o arremesso de Irving e o rebote ofensivo de Alonzo Gee rodaram no aro e caíram do lado de fora.

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Enquanto todos esses jogos foram muito interessantes, outros dos qual esperávamos bastante foram bem menos emocionantes. No começo da temporada muito se falava de Thunder e Clippers disputando a final do Oeste, mas hoje o time de Blake Griffin e Chris Paul está numa fase tão ruim que ficamos mais céticos em relação a isso. Ultimamente ou é derrota ou é Paul tirando uma vitória da cartola. Ontem foi derrota, e feia, para o Thunder: 114-91 e apenas o 4º jogo da temporada inteira em que Blake Griffin não conseguiu uma enterrada. Ele também marcou apenas 7 pontos, sua pior marca na carreira. Pelo Thunder 32 pontos de Kevin Durant e estreia do recém-assinado Derek Fisher. Parece que não demorou 5 minutos entre ele escolher o Thunder, viajar pra OKC, assinar o contrato e já jogar. Foram 20 minutos com 5 pontos e 1 assistência. O ex-time de Fisher, o Lakers, fez uma grande partida para bater o Mavs em Dallas. Para um time que joga mal fora de casa, nada mal os jogos de Kobe Bryant (30 pontos, 11/18 arremessos), Pau Gasol (27 pontos, 13/16 arremessos) e Ramon Sessions (17 pontos, 7/8 arremessos). Meus momentos

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favoritos do jogo: (1) Quando Andrew Bynum passou para Gasol arremessar de 3 na zona morta e nem olhou para ver o resultado, apenas levantou os braços comemorando e voltou para a defesa. (2) Isso aí embaixo:

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O Bulls venceu mais uma sem Derrick Rose, dessa vez com virada de impressionar, fora de casa. Perdiam por 7 pontos no começo do último período, viram John Lucas marcar todos os 13 pontos nesse quarto e saíram de quadra com vitória de 94-82. Merecido, porque se não fosse isso o Raptors venceria o jogo usando o uniforme mais feio da temporada. E não estou esquecendo das homenagens à antiga CBA e o da Seleção Brasileira que o Grizzlies inventa de usar às vezes. O Raptors usou um uniforme camuflado para homenagear o dia do exército canadense! Camuflado! O próximo é usar um com pêlos para homenagear os ursos?

No resto da rodada, o Orlando Magic fez o Phoenix Suns sair de sua viagem à Flórida com duas derrotas. Destaque para a 3ª vez na temporada que Ryan Anderson (29 pontos) acertou pelo menos 7 bolas de 3 em um jogo. Dwight Howard (28 pontos, 16 rebotes) recebeu elogios de seu antigo reserva: “Ele foi ele mesmo, basicamente me destruiu”. Palavras

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sábias de Marcin Gortat. Já em New Orleans, um ginásio vazio (não) viu a vitória do Golden State Warriors sobre o Hornets. Jarret Jack, por essa você não esperava, conseguiu um triple-double (17 pontos, 10 rebotes, 11 assistências) e Klay Thompson (27 pontos, 5 rebotes, 5 assistências) se tornou o primeiro novato além de Kyrie Irving a ter conseguir um jogo de 25-5-5 nessa temporada.

Fechando o dia o San Antonio Spurs passou por cima do Minnesota Timberwolves. Sem Nikola Pekovic e Darko Milicic, o Wolves usou Kevin Love de pivô, que ficou abaixo da sua média com 17 pontos e 12 rebotes. Vitória tranquila do time da casa, que teve Stephen Jackson com 16 pontos (3 bolas de 3 pontos), Tim Duncan jogando muito (21 pontos, 15 rebotes) e, claro, a aposentadoria oficial da camiseta 12 de Bruce Bowen, que apareceu lá de gravata borboleta e meias coloridas:

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Fotos da Rodada

Com quem você aprendeu essa bobagem, Amar’e?

 

…não precisa responder

 

7 vezes 8? Sem ideia.

 

Gasol incomodado com as alucinações que vem tendo

 

Se esconder na toalha para um jogador é o bater a porta do quarto de um adolescente

 

Se um T-Rex jogasse basquete arremessaria assim

 

Ele pode ser velho, mas eu atravessaria a rua se visse Ben Wallace

 

O uniforme mais feio desde esse aqui…

>Divergências sobre o Bulls

>

Toda geração tem seu Tim Duncan (tirinha do Garbage Time All-Stars)
Cole Slaw = salada de repolho (N.T.)

Acalmem-se torcedores do Bulls. Pela primeira vez em um bom tempo quem vai falar do time de vocês não é o Danilo, então podem ficar tranquilos que eu não vou pegar tanto no pé do Derrick Rose quanto o meu parceiro de blog. Nós dois costumamos concordar na maioria dos assuntos quando se trata de NBA, seja logo de cara ou até um conseguir convencer o outro, mas com o Chicago Bulls acho que não tem jeito, é onde temos mais diferenças.

A primeira delas vocês já conhecem, é o Derrick Rose. Enquanto o Danilo não acha ele o deus que muita gente por aí considera, eu me impressiono cada vez mais com o garoto. Sempre foi muito rápido, compete com o Russell Westbrook pelo título de armador com mais impulsão (e mais enterradas fora de série) e desde que foi para a seleção americana no mundial aprendeu a arremessar como se fosse um Ray Allen de bigode. Sério, olha esses números: em bolas de três pontos o aproveitamento dele era de 22% no seu primeiro ano, 26% no ano passado e hoje é de 42%! O Ray Allen tem 1% a mais, 43. Tá bom que o Ray Ray tenta bolas mais complicadas e tem marcação especializada para pará-lo da linha dos três, mas mesmo assim é impressionante.

Curioso que embora às vezes tenhamos uma impressão diferente durante os jogos, o aproveitamento do Rose em todas as outras posições da quadra é basicamente o mesmo de antes ou não mudou o bastante para ser relevante. Seus arremessos tentados por jogo subiram em 3 em relação à temporada passada e as bolas de 3 tentadas subiram de pouco mais de 0 para 4 por jogo. Ou seja, em termos de pontuação o Derrick Rose é o mesmo jogador do ano passado mas agora tentando (e acertando) bolas de três pontos.

Mas chamo mais a atenção para outra estatística, que mostra uma melhora do Rose no quesito que ele mais me incomoda, os passes. Ele melhorou de 6 assistências por jogo para 8.3, o que o coloca no top 10 da NBA pela primeira vez na carreira. Chamo a atenção para isso porque eu sempre achei que o maior problema do Rose é que ele era bom demais, mas não conseguia transformar esse talento em um time melhor, o Bulls era um time estagnado no ataque que vivia de umas infiltrações e do tipo de assistência mais básico que existe, o kick-out, que é quando o armador entra no garrafão e toca para alguém arremessar de fora. Todo time precisa disso, mas é pouco.

Nessa temporada, porém, com um novo técnico, Tim Thibodeau, o Bulls começou a ameaçar novas movimentações ofensivas. Foi aos poucos, o técnico está mais preocupado com a defesa (atualmente a quinta melhor da NBA), mas o ataque está mudando. Além da contribuição do técnico, estão contribuindo os novos jogadores, em especial Kyle Korver e agora Carlos Boozer.

O Korver me chamou a atenção quando chegou na NBA em 2003 primeiro porque parecia o Ashton Kutcher, depois porque poucas vezes tinha visto um novato ser tão bom nos arremessos de três, e por fim porque o Marcel (sim, o ex-jogador da seleção brasileira) o odiava. Naquela época a NBA era transmitida na TV aberta pela RedeTV, com comentários do Marcel, jogadas-show, a delícia da Cristina Lyra fazendo parte do programa, e por algum motivo estranho todo mundo aparecia na transmissão com um PSP na mão. Sempre que tinha jogo do Sixers (e tinha bastante, pelo horário favorável da costa leste americana e pelo Allen Iverson) era um festival de ódio ao Korver. Não sei se é birra que um arremessador tem com o outro ou se o Marcel tinha medo que as pessoas achassem que se ele tivesse jogado na NBA teria sido só um reserva em um time médio, sei lá, o psiquiatra dele que explique, mas pra mim era motivo para prestar mais atenção no novato branquelo.

Nos anos seguintes foi possível ver o Korver melhorar em muita coisa, até na sua pouco conhecida defesa, mas ele virou mestre mesmo em se movimentar sem a bola. Vindo da escola Reggie Miller de correr como um rato num labirinto, ele aprendeu a sempre achar um lugar para arremessar e hoje vive não só das bolas de três, mas de chutes de todos os cantos da quadra. Ele é o jogador perfeito para a “Motion Offense”, o sistema de ataque que o Bulls usa e que, embora tenha um milhão de variações, todas tem os mesmos princípios: Poucas jogadas desenhadas para serem seguidas à risca, espaçamento entre os jogadores, muitos passes e movimentação constante dos jogadores. Se um está correndo para o seu lado você não pode ficar lá e embolar tudo, todo mundo precisa dar espaço um para o outro. É isso que faz o Rose ter espaço para driblar e infiltrar, os arremessadores ficam longe dele, os jogadores de garrafão saem da frente e tudo fica mais fácil.

E é aí que eu volto para os problemas do Derrick Rose com os passes. Ano passado tinha a desculpa do ataque que tinha correntes nas pernas, mas nesse ano com todo mundo se mexendo ainda acho que o Rose segura demais a bola. Ele não é ruim por causa disso, não tiro ele da briga de MVP e nem nada do tipo, mas é algo que eu não consigo ver sem me incomodar. Às vezes eu tenho a impressão de que o time mesmo pára de se mexer de tanto que o Rose fica driblando pra lá e pra cá, e ele dribla tão bem que eu faria o mesmo se jogasse lá, parece que o maior problema do cara é excesso de talento. Mas falando sério, o Bulls tinha que dar um jeito de balancear isso. Deixar tudo nas mãos do Rose em um quarto período de um jogo apertado ou quando o time está mal e precisa dar uma empolgada é normal, estrelas estão aí pra isso, mas acontecer durante o jogo todo só serve para deixar outros jogadores fora de ritmo e o Rose cansado.

E o pior é que eu acho que essa situação só tende a ficar ainda mais evidente. Tudo porque o Joakim Noah ficará fora do time por 2 meses depois de operar o dedo, pelo jeito ele não é nenhum Kobe Bryant ou Lula para fazer seu trabalho do jeito que quer mesmo com dedos a menos. Ele reclamou que não conseguia fazer as coisas do mesmo jeito, que não estava jogando no nível que ele esperava e decidiu perder esses meses ainda na temporada regular para operar. Embora ele seja um pivô, pareça desengonçado e tenha o único arremesso da NBA que pode ser comparado ao do Shawn Marion, é bizarramente o melhor passador do time depois de Derrick Rose.

Abaixo um vídeo com o “Tornado”, a estranhíssima mecânica de arremesso do Noah, que melhorou consideravelmente o seu arremesso de meia-distância.

O Noah era o cara que depois de fazer o corta-luz para o Derrick Rose podia receber a bola e não parar a jogada, é tipo raro e útil de pivô. A maioria ou recebe a bola pra enterrar, pra arremessar ou para chorar por não saber o que fazer com aquele estranho objeto laranja, mas o Noah tem esse arremesso que é bom (mas não deveria) e uma visão de jogo acima da média para encontrar companheiros livres para o arremesso.

Para compensar, o Bulls finalmente tem o Carlos Boozer, que passou o começo da temporada machucado e não chegou a disputar 10 partidas ao lado do seu parceiro de garrafão. Boozer vai compensar um dos talentos do Noah, os rebotes, além de ter um arremesso melhor e 100 vezes mais bonito. Mas em compensação ele não tem o mesmo tamanho, defesa e passe. Boozer recebe a bola pra definir.

Mas falando da defesa do Boozer, esse é outro ponto chave em que eu e o Danilo discordamos. Ele acha que o Carlitos é um peso morto na defesa, eu acho que ele tem alguns talentos que precisam ser reconhecidos, como o esforço, a dedicação em bolas perdidas e principalmente os rebotes de defesa. Uma defesa só é boa de verdade quando todo o esforço para forçar o erro adversário resulta em um rebote na sua mão, se eles pegam de novo não serve pra nada. E o Boozer é excelente na proteção do rebote defensivo.

Mas ele está longe de ser perfeito, eu sei. Uma jogada do último jogo deles contra o Clippers, quando foram destruídos pelo Blake Griffin, mostra como é o Boozer. Ele voltou mais rápido que toda a defesa do Bulls de um ataque mal sucedido para interceptar um passe e jogar a bola para lateral. Esforço inteligente e digno de aplausos, longe de ser um JR Smith desinteressado que vemos por aí. Mas em compensação, assim que o Clippers botou a bola em quadra o Boozer foi abusado pelo DeAndre Jordan, que deu uma enterrada impressionante. Vai ser por falta de tamanho e capacidade, mas não de vontade, que o Bulls deve piorar na sua defesa sem Noah.

Vai ser complicado pra eles manter essa posição no Top 5 da NBA em defesa improvisando Boozer ou Taj Gibson de pivô ou dando minutos demais para o Omer Asik. Mas no ataque eles devem se dar bem, se perdem o passe do Noah, ganham algo que não têm desde… desde… alguém lembra a última vez que o Bulls teve um jogador bom ofensivamente no garrafão? Ah, Elton Brand há exatamente 10 temporadas atrás!
Ter um cara com bom jogo perto da cesta deixa tudo mais simples, ele faz meia dúzia de ganchinhos fáceis, umas enterradas, uns arremessos de média distância e dois minutos depois já está recebendo marcação dupla e liberando alguém para um arremesso sem marcação. Tá bom que o Derrick Rose não sabe o que é ter um cara com essas características no seu time, mas tá na hora de aprender e é mais uma oportunidade para soltar a bola um pouquinho mais, até porque ele mesmo pode receber a bola de volta para um chute limpo e claro de três.

É uma pena a gente ter que demorar tanto tempo para poder analisar o Bulls completo, com seu quinteto ideal em quadra, mas o começo de temporada do time foi pra deixar otimista e o Boozer só fez bons jogos depois da estréia patética. Para eles as críticas não são mais estruturais, do tipo “precisam de um jogador com tal característica”, agora os comentários são focadas nos detalhes. Têm defeitos, são capazes de perder em casa para o Clippers, por exemplo, mas é o melhor time do Bulls em muito tempo. Tem o técnico, os jogadores, um sistema definido de ataque e defesa, então é esperar as contusões darem uma trégua pra ver se estão um pouco ou muito longe atrás de Miami Heat e Boston Celtics. Do Orlando eu não sei porque nem consigo falar o elenco deles de cabeça agora, eles ainda jogam de azul, né?

– Apesar do que está escrito abaixo, o post foi feito por mim, Denis, não pelo Danilo, que não é esquizofrênico. 

>Preview 2010-11 / Utah Jazz

>

Se tem o Deron tem que ter o CP3

Objetivo máximo: Vencer o Oeste (e encher o saco de todo mundo durante isso)
Não seria estranho: Perder uma série disputada na primeira rodada ou cair na segunda (e encher o saco depois que perderem)
Desastre: O Al Jefferson não se entender com o Deron Williams (e encher o saco criticando a saída do Boozer)

Forças: Um dos melhores armadores da NBA, time entrosado e ataque poderoso
Fraquezas: Defesa de garrafão ridícula e os torcedores mais malas da liga

Elenco:

…..
Técnico: Jerry Sloan



São benditos 22 anos como técnico do mesmo time! Quando Jerry Sloan entrou no Jazz ainda existia União Soviética, o Brasil ainda não tinha um presidente eleito democraticamente depois da ditadura militar, a Microsoft tinha acabado de anunciar o Windows 2.1, Super Mario 3 era lançamento e ainda estavam para nascer pessoas importantes do mundo contemporâneo como Selena Gomez, Vanessa Hudgens, Rihanna e quase 40% dos nossos leitores!

Não vou me dar ao trabalho de reescrever toda a história dele, então vai um “Ctrl+C – Ctrl+V” no texto da semana dos técnicos:

“Dois times marcam a carreira de Jerry Sloan. O primeiro, claro, é o Utah Jazz. Ele é técnico do Jazz desde a temporada 88-89, ou seja, completará 20 anos como técnico do mesmo time e foram 20 anos brilhantes. Desde 89 até 2003, Sloan não deixou nem por um ano de ir para os playoffs, chegando em 5 finais de conferência e duas finais da NBA.

O time, como todos sabem, era liderado pela dupla John Stockton e Karl Malone, dois dos melhores jogadores de basquete em todos os tempos. O esquema tático do Sloan era conhecido e usava e abusava do talento dos dois craques. O principal artifício era o “pick and roll”, jogada que se utilizava do entrosamento dos dois, da visão de jogo do Stockton e da combinação de bom arremesso de meia distância e de infiltração do Malone. Então soma-se a isso bons arremessadores e jogadores sempre usando a força para cortar em direção à cesta para receber os passes de Stockton e você tem um time eternamente competitivo. Todos os anos o Jazz estava lá incomodando todo mundo, não tinha erro, podiam entrar e sair jogadores mas se tinha Malone, Stockton e Jerry Sloan, o Jazz estava na briga. O título só não veio por causa do outro time na vida de Jerry Sloan.

Por dois anos seguidos, o Jazz perdeu a final da NBA para o Chicago Bulls de Michael Jordan. O mesmo Chicago que tem a camiseta número 4 aposentada por causa de Sloan.

Sloan nasceu no estado de Illinois, onde fica Chicago, e jogou apenas uma temporada no Baltimore Bullets antes de se transferir para o Chicago Bulls no ano em que o time nasceu, até por isso o seu apelido era “O Bull original”. Lá ele fez fama defendendo como um doido, indo para dois All-Star Games, levando o time para os playoffs e como líder do único título de divisão do Bulls fora da era Jordan.

Em uma história parecida com a do Nate McMillan, Sloan logo que se aposentou (por causa de contusões no joelho) virou olheiro do time e logo depois técnico, treinou por 2 temporadas e meia, depois foi mandado embora. No Jazz, depois de perder os títulos para o Bulls, não conseguiu mais repetir o sucesso de antes e mesmo sem Jordan na liga, o Jazz já não conseguia mais passar pelas novas potências do Oeste, como Spurs e Lakers. Aí foi a hora de Stockton se aposentar e do Malone levar seu pé frio para Los Angeles.

Todo mundo pensava que era a desculpa certa para o Sloan pedir as contas e ir embora, mas não, ele permaneceu fiel ao time e comandando um elenco ridículo não foi para os playoffs pela primeira vez em 2004. Não foi de novo em 2005 e 2006, mas nesse tempo ele não abandonou aquele mesmo velho esquema tático que deu certo durante mais de uma década e aos poucos foi montando o time com as peças necessárias para o esquema dar certo de novo. Veio o armador com visão de jogo (Deron Williams), o ala de força com potência e arremesso (Boozer), os arremessadores (Okur e Korver) e os jogadores de força que estão sempre cortando em direção à cesta (Brewer, Kirilenko, Harpring).

Se fosse pra definir Sloan com uma palavra, seria “estabilidade”. Sempre o mesmo esquema, a mesma calma, a mesma cobrança por defesa e jogo físico. O título pode não vir nunca, mas enquanto ele tiver jogadores nas mãos vamos ver ele e seu Jazz nos playoffs. E acho que ele só pára quando morrer.”

Para esse ano é mais do mesmo! Raja Bell é o arremessador-defensor-pentelho no lugar de Ronnie Brewer, Paul Millsap é o cara físico e agressivo do banco ao invés de Harpring, Al Jefferson é o jogador de garrafão que brinca com o armador ao invés do Carlos Boozer. E uma coisa nunca mudou no Jerry Sloan, ele tem mãos muito grandes. 

…..
Nas duas últimas temporadas o Jazz foi um time estranho. Em alguns momentos eles deram a entender que estavam em plena decadência e em outros foram, sem dúvida alguma, o melhor time da  NBA. É sério, durante pelo menos um mês na temporada passada e duas na retrasada eles foram o time mais empolgante da NBA, tanto no estilo de jogo quanto na qualidade e importância das vitórias. O motivo dessa regularidade digna de humor de mulher na TPM é um mistério.

No ano passado começaram a temporada jogando um basquete sem vergonha. Parecia um time previsível e sem aquela vontade e gana que todo time do Jerry Sloan usa para cobrir eventuais defeitos. Até cheguei a decretar aqui o fim do time. Alguns meses depois eles estavam voando em quadra e assumiram a segunda colocação do Oeste, chegando a ameaçar a liderança do Lakers. Depois perderam alguns jogos importantes e acabaram caindo, na última semana, para o 5º lugar. Hora de enganar todo mundo de novo: Embalaram aquele fim de temporada ridículo com uma série dominante e espetacular sobre o Nuggets, derrotando Carmelo e Billups por 4 a 2. E aí, quando todo mundo voltou a achá-los um dos times mais empolgantes da liga, foram varridos pelo Lakers.

Ou seja, o Jazz é um time tão mala que nem previsão deles dá pra fazer! Mas vou me arriscar: Eu acho o Al Jefferson um baita jogador, um dos que mais tem recursos e jogadas quando joga de costas pra cesta. Ele não tem o arremesso de meia distância como o do Carlos Boozer e isso vai mudar um pouco como funciona o pick-and-roll do time, mas em compensação dá outras opções de jogada. E embora ele não seja um pivô nato (e reclamava de jogar na posição 5 quando estava no Wolves) não deve dar piti se jogar um pouco mais lá dentro se fizer dupla com o Paul Millsap. Entre Boozer, Okur, Millsap e Al Jefferson o meu jogador favorito é o Boozer, mas entendo que o atual trio do Jazz é mais completo sem ele, hoje tem opções mais diferentes de combinação.

Uma coisa ruim desse trio é que eles continuam fracos na defesa. O Danilo acha o Boozer um inútil na defesa, eu não acho tanto assim, ele pelo menos sempre foi esforçado e ajuda sendo um bom reboteiro, mas não o bastante para fazer do Jazz um time forte na defesa do garrafão. Com o Al Jefferson não muda muita coisa. É meio broxante trocar de jogador e ver os mesmos problemas, mas os torcedores do Jazz, que pena, vão ter que lidar com isso.

Outras perda que pode machucar o time está também no Bulls, Kyle Korver. Ele era o arremessador de três que vinha do banco para acabar com o jogo. Poucos jogadores se adaptaram tão bem e tão rápido ao estilo do Jerry Sloan e por ser um branquelo do bem ainda era queridinho da torcida. Outro que vai fazer falta é o Wesley Matthews, o novato apareceu do nada no ano passado para virar titular absoluto que defendia o Kobe Bryant em momentos decisivos! Mas não culpo o Jazz por perdê-lo, eles estavam certos de dar um contrato de só um ano quando ele era só um Zé Ninguém e igualar a oferta descomunal (34 milhões por 5 temporadas, com 9 milhões no primeiro ano!) que o Blazers fez por ele seria burro para um time que já até fez trocas idiotas para economizar alguns trocados.

O responsável por cobrir o espaço que os dois deixaram no time vai ser o Raja Bell. Ao mesmo tempo ele vai ter que ser o defensor que era o Wes Matthews e fazer as bolas de três do Korver. Ele é capaz disso se jogar o que jogava no seu auge no Suns, mas depois de um ano parado por contusão é bom ter um pé atrás. Outro que pode ajudar é o Gordon Hayward, novato que veio da mesma escola Bieber de garotos branquelos do Kyle Korver e teve alguns momentos muito empolgantes na pré-temporada.

O Jazz sempre achou caras para substituir as suas perdas, sempre montou times bons. Sempre deu trabalho pra todo mundo. E sempre chegou perto do título e perdeu. Não deve ser diferente nesse ano. E só porque eu falei pouco de um dos meus jogadores favoritos, um bom mix de jogadas do Deron Williams:

>Preview 2010-11 / Chicago Bulls

>

O Boozer é muito mal, até tropeçar sozinho em casa e se contundir feio



Objetivo máximo: Semi-final de Conferência, ou seja, se enfiar no meio do grupinho dos fodões com Heat, Celtics e Magic

Não seria estranho: Perder na primeira rodada dos playoffs de lavada
Desastre: Não se classificar para os playoffs mesmo com todo mundo feliz e saudável
Forças: Um garrafão finalmente completo e um armador que saberá acioná-lo
Fraquezas: Um elenco com muitas caras novas e sem reservas na armação
Elenco:














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Técnico: Tom Thibodeau

O Thibodeau é um dos raros casos de técnico nerd legítimo, daqueles que chegou à posição por ser um gênio, não por ser um ex-jogador. Desde 1989, quando entrou na NBA, Thibodeau já foi olheiro, assistente técnico, treinador de novatos e responsável pelo setor defensivo. Sua fama de gênio da defesa vem desde os tempos de Knicks, como assistente técnico do Jeff Van Gundy, que arrastou o Thibodeau junto quando foi treinar o meu Houston em 2003. Ao todo, Thibodeau passou 11 anos ao lado de Van Gundy aprendendo suas famosas táticas defensivas – ou, dependendo de com quem você conversa, ensinando ao Van Gundy como montar uma boa defesa enquanto o Van Gundy dizia que o trabalho era seu e ficava com o crédito. De um modo ou de outro, o Houston com os dois tinha uma das melhores defesas da NBA e a movimentação defensiva usada pelo time até hoje é aquela que Thibodeau ajudou a implementar. Quando foi para o Celtics ser novamente assistente técnico, a defesa implementada foi um pouco diferente, ainda mais eficiente graças ao material humano, e de novo quem levou o crédito foi o técnico da equipe, Doc Rivers, que ganhou o prêmio de Técnico do Ano apesar de ser um bunda que não saberia cortar as próprias unhas do pé. Apenas depois de ganhar o prêmio é que os vários críticos do Doc Rivers começaram a aparecer e alertar que o real responsável pela defesa da equipe, amplamente dada como a responsável pelo anel de campeão, era na verdade o Tom Thibodeau. Quanto mais famoso o assistente ficava recebendo autoria da defesa fantástica que colocou o Celtics de volta ao mapa, mais assediado por outras equipes ele passava a ser. Não demorou muito para que passasse a receber convites para ser técnico de verdade, não assistente, e por fim resolveu escolher uma equipe já montada, cheia de potencial, ao invés de começar do zero com equipes como o Knicks. Apesar de não ter o mesmo material humano, defensivamente falando, que o Celtics pode se gabar de possuir, vários reforços defensivos chegaram à equipe e é possível imaginar que Thibodeau seja capaz ao menos de montar uma defesa sólida como era a do Houston Rockets, o que já será suficiente para que o Bulls tenha a melhor defesa das últimas décadas. A dúvida permanece é do outro lado da quadra, no que se refere ao ataque, mas como o Bulls tinha um ataque bastante improvisado e estagnado, podemos lembrar do “teorema do Tiririca”: pior do que está, não fica. 
Quando o Bulls contratou Carlos Boozer, o Denis escreveu um longo post sobre a equipe que vale ser relido, e que copiarei longos trechos abaixos:
“A reação natural para os torcedores do Bulls depois da decisão de LeBron James de ir para o Miami Heat só pode ser de decepção. Não só porque ganhou um concorrente fortíssimo no Leste pelos próximos cinco anos, mas porque o time estava confiante de que ele poderia ser a bola da vez. O Bulls foi atrás dos três astros do Heat, Wade, Bosh e LeBron, com a esperança de conseguir pelo menos um. Não deu, perdeu os três, mas também não saiu de mãos abanando, contratou mesmo antes de LeBron anunciar a sua decisão um antigo companheiro de Cavs dele, Carlos Boozer. O contrato é de 75 milhões por 5 temporadas.
A segunda reação dos torcedores do Bulls é decepção. De novo. Pra quem sonhava com LeBron, Wade e/ou Bosh, ganhar Boozer não é lá muito espetacular. Mas pense bem, crianças, não é porque você achou que ia ganhar um carro no aniversário de 18 anos que um Playstation 3 não é legal. Eu não acho que o Carlos Boozer revolucione um time na NBA, que vá ter um jogo de 50 pontos nos playoffs e salvar a pele do Bulls contra um time difícil, mas ele vai dar 20 pontos, 10 rebotes, um ótimo posicionamento de quadra, poucos erros e uma boa defesa todos os dias. Lembra como o Bulls foi bom naquela série contra o Celtics quando o Tyrus Thomas acertou uma meia dúzia de arremessos de meia distância? O Boozer faz isso com a mesma dificuldade de respirar ou preparar um miojo.
Já escrevemos muitas vezes (muitas mesmo, é um tema básico do blog, tipo Artest, Yao Ming e Alinne Moraes) sobre como o Bulls peca por não ter um bom pontuador no garrafão. Falamos isso deles desde que o blog nasceu e o problema é ainda anterior a isso. Pensem bem, puxem da memória, qual é o melhor pontuador de garrafão da história recente do Chicago Bulls? Não estou falando jogador de garrafão, já que o Bulls teve bons defensores como o Tyrus Thomas, Joakim Noah e até um restinho mínimo da boa fase do Ben Wallace. Mas quero saber de ataque: Drew Gooden? Hakim Warrick? Malik Allen? O melhor jogador ofensivo da última década foi o Eddy Curry! Sim, o pivô gordo que demorou para embalar na NBA e embalou por tão pouco tempo que deveria tomar remédios para ejaculação precoce.
Essa peça que faltava comprometeu o Bulls em diversos momentos das últimas tentativas do time em ser grande. É difícil demais ganhar jogos, especialmente séries de playoff, sem alguém para pontuar perto da cesta. É um preceito básico do basquete. Alguém no garrafão tenta arremessos de aproveitamento maior e tira a defesa do perímetro, facilitando a vida dos outros jogadores. Pouquíssimos times na história da NBA tiveram sucesso sem uma boa presença ofensiva na área pintada. Uma exceção, curiosamente, foi o próprio Bulls nos últimos três títulos do Jordan. Mas a falta de um jogador nato para isso era compensado pelo próprio Jordan, que atuava mais perto da cesta, mais ou menos como o Kobe fez no começo do ano passado quando o Gasol estava machucado.
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Ao lado de Boozer o Bulls já tem o Joakim Noah, que tem melhorado ano a ano e na última temporada se mostrou um dos melhores reboteiros e defensores da NBA. Dá pra deixar o Boozer com a finesse e o Noah com o trabalho sujo. E, por fim, ainda há o Luol Deng, que o Bulls tanto tentou trocar para abrir mais espaço salarial para contratações e hoje deve agradecer aos céus por não ter conseguido. Talvez ele receba mais dinheiro do que deveria, mas é um dos melhores (se não O melhor) arremessadores de meia distância na NBA.
É um quarteto muito bom, com características que se encaixam e eles ainda podem ter uma dupla de jogadores All-Star em Rose e Boozer. O time dos sonhos do Bulls era épico, mas o da realidade está longe de ser motivo de lamentações. Eu estaria feliz demais se torcesse para o Chicago! O Bulls já montou bons times várias vezes nos últimos anos e eu me animei mais do que devia com alguns deles, mas nenhum tinha a perspectiva de dois jogadores nível All-Star e nem um jogador forte no garrafão.”
Realmente, a animação do Denis é justificada. Já faz muito tempo que o Bulls sofre por não ter uma jogada de segurança, uma bola simples para os momentos mais complicados. Em geral, cabia ao Ben Gordon dar um jeito de pontuar com seu cérebro pouco desenvolvido (e ele em geral conseguia), mas desde que ele deu o fora, cabe ao Derrick Rose forçar uma jogada estabanada. Boozer e Derrick Rose serão muito mais eficientes juntos, e Boozer será o responsável pelas bolas de segurança que Rose deverá colocar em suas mãos. Tenho uma certa birra com o armador (para horror de tantos dos nossos leitores) porque o Derrick Rose nem sempre toma as melhores decisões, força muito o jogo, e é previsível por ter um arremesso muito inconstante. Mas preciso ser justo com ele: seu jogo só fica previsível e só é preciso forçar tanto o jogo porque não havia alguém a que a bola pudesse ser plenamente confiada no ataque. A presença de Boozer camuflará várias das dificuldades de Derrick Rose, inclusive permitindo que ele penetre mais quando o Boozer quiser ficar apenas nos arremessos de média distância.
O único problema do time, segundo o post, era a posição 2, e o Denis aconselhava o Bulls a colocar suas economias no Ronnie Brewer. Batata, o Brewer tem tudo para ser titular em nome da defesa que Thibodeau está tentando implementar e será companheiro de Derrick Rose nos contra-ataques, que são seu ponto forte. Para os arremessos de três, que sofreram tanto com a saída de Ben Gordon, o time adicionou Kyle Korver (que será o Sexto Homem ideal para esse elenco) e CJ Watson, além de Keith Bogans que é excelente arremessador da zona morta e ainda é especialista defensivo. Foram várias contratações acertadas que tornam o banco do Bulls bastante versátil e ajudam em dificuldades que ficaram muito óbvias nesse time durante a temporada passada. Mas ainda há um enorme buraco nesse elenco: a armação. O garrafão tem Taj Gibson para os arremessos, Kurt Thomas para dar cabeçadas, até o turco Omer Asik nos rebotes, e o perímetro tem um belo mix de arremessadores e defensores, mas não há um único armador reserva na equipe. A função de levar a bola pro ataque acaba ficando com Brewer ou CJ Watson, por vezes até com o Kyle Korver, e se você ainda não morreu de dar risada pode esperar que uma hora o óbito virá. Não dá pra levar a sério uma equipe em que, quando sua estrela vai para o banco de reservas, não tem um armador para acalmar o jogo. O desespero por abrir espaço salarial para conseguir LeBron, Wade ou Bosh está cobrando juros agora, já que para isso se livraram do armador Kirk Hinrich que cairia como uma luva para esse time. 
Por enquanto, o Bulls pareceu um time paciente e disposto a rodar a bola, mas ainda comete enganos muito engraçados na defesa, típicos de jogador que faz merda e já sai correndo para tentar concertar porque sabe exatamente o que deveria estar fazendo. Vai demorar um tempo para essa defesa se entrosar, especialmente sem um líder defensivo no elenco, e o ataque vai continuar sem uma jogada de segurança até o Carlos Boozer voltar de sua contusão só em dezembro – ele tropeçou numa mala em casa e quebrou a mão, típica contusão do Los Angeles Clippers. Dá pra esperar grandes coisas desse Bulls, mas até tudo estar funcionando direitinho, entrosado, pode ser tarde demais para pegar uma vaga no topo do Leste, o que pode ser terrível caso Derrick Rose chegue aos playoffs sem mando de quadra e muito cansado – algo muito provável enquanto ele não tiver um reserva à altura e tenha que voltar à quadra sempre que um armador improvisado fizer merda ou o time desandar.

>Aceitando feder

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Al Jefferson e sua cara de alegria ao conhecer os torcedores do Jazz

Quando o Wolves resolveu finalmente trocar o Kevin Garnett, parabenizei a franquia. Não tem nada mais horrível para um time da NBA do que ser exageradamente mediano, ter um elenco grotesco, uma baita estrela que consegue segurar as pontas, brigar desesperado por uma classificação para os playoffs e perder sem chances na pós-temporada. O formato da NBA é brutal com os medianos, com os times que não estão brigando por título e nem são ruins o bastante para conseguir bons jogadores no draft. Basta uma ou duas cagadas com contratações desesperadas para sair desse limbo e uma equipe pode ficar trancada por anos a fio nesse grupo intermediário que não fede nem cheira. É preciso muito culhão para desmontar um time desses, no entanto. Uma equipe que vai aos playoffs todo ano, mesmo sem chances de fazer estragos por lá, tem dificuldades em explicar para os torcedores que o time vai feder de vez por uns tempos. Pior ainda é quando a equipe quase vai para os playoffs mas não consegue por uma ou duas posições, e fica aquela impressão de que só falta um jogador para que eles cheguem lá. Mas se chegarem finalmente aos playoffs, vão conseguir ganhar por lá? Essas equipes ficam condenadas à uma esperança que não se transforma em nada até que alguém jogue tudo fora e resolva começar de novo.

Se o David Stern tem razão e nenhuma equipe da NBA conseguiu ter lucro nos últimos tempos, não faz sentido manter uma equipe que não vencerá títulos, te dá prejuízo e não tem esperanças de melhora. A melhor saída é feder bastante para conseguir boas escolhas de draft, encerrar todos os contratos longos e imbecis que foram assinados, esperar a pirralhada amadurecer, e então assinar grandes estrelas para formar um elenco decente. Trocentas equipes da NBA seguiram esse plano especialmente esse ano, com vários times liberando muito espaço salarial para assinar grandes estrelas em elencos formados por novatos e outros jogadores baratinhos, como o Heat ou o Knicks. Algumas outras franquias apostam nos novatos para formar um elenco jovem e forte, até que possam contratar alguma estrela consagrada para levar o time ao campeonato, como é o caso do Bulls e do Nets, por exemplo. Outras apostam inteiramente no draft e em trocas por jogadores inexperientes e montam um time do nada, como o Blazers e o Thunder, fazendo contratações maiores e trocas por jogadores caros apenas para dar uma arrumadinha no elenco bem depois. Imaginei que o Wolves, ao trocar o Garnett, conseguiria um núcleo bastante jovem com uma futura estrela em Al Jefferson, e que a reconstrução duraria pouco tempo. Era só esperar a pirralhada pegar o jeito e depois conseguir um ou outro jogador para fechar algumas posições. Mas não funcionou.

Por um lado, promessas como Corey Brewer demoraram demais para se firmarem na NBA. Por outro, Al Jefferson tornou-se uma estrela rápido demais, num elenco incapaz de acompanhá-lo. Como todo time apostando em novatos, algumas escolhas não deram muito certo, alguns jogadores não souberam jogar juntos. Foi então que o engravatado David Kahn apareceu para pisar no freio e fazer todo mundo entender que reconstruções não podem ser feitas às pressas. Basta ver o Pistons: ao demolir acertadamente um time em declínio que não ganharia mais nada, assinou correndo dois jogadores disponíveis na hora para não ficar com um elenco furado e deu no que deu, o time fede, não tem flexibilidade para assinar outros jogadores porque torrou tudo em dois meia-bocas, e está fadado a ficar entre os medianos por muito, muito tempo. Falha épica, já diriam os gringos. É melhor assumir a bosta, no famoso “pisou na merda abre os dedos”, e deixar o time fedendo com calma do que correr e assinar qualquer um.

O projeto de reconstrução do Wolves começou do zero. Primeiro um técnico novo, o Kurt Rambis, para usar o sistema de triângulos do Lakers. Depois, escolhas de draft com o sistema em vista. O problema é que vai levar anos para os pirralhos entenderem o sistema, criarem consistência, amadurecerem ao lado do técnico – que também é meio iniciante. A suposta estrela do time, Ricky Rubio, só deve vir na próxima temporada porque preferiu ficar na Europa do que jogar num time lixo. O processo é lento, o Wolves tem que ir com calma testando todos os jogadores, dando minutos para os novatos apanharem e aprenderem, aguardar o Rubio, consolidar o sistema de jogo. Mas enquanto isso lá está o Al Jefferson, estrela consolidada, querendo vencer agora, querendo um time de verdade. Foi trocado mais rápido do que o SBT cancela seus telejornais.

Pelas escolhas duvidosas no draft, em que pega vários jogadores de uma mesma posição, David Kahn está ganhando fama de ser uma anta, quase um Isiah Thomas que pelo menos sabe contar usando os dedos. A troca do Al Jefferson não ajudou muito sua causa. Mas a lógica está bem clara: ele não tem pressa nenhuma. Se o time vai perder, feder, ser uma droga, tudo enquanto espera a pirralhada ganhar uns pelos no saco, por que ficar pagando o contrato monstruoso do Al Jefferson? Quando o Wolves se tornar um time decente, o Al Jefferson já teria dado o fora por conta própria mesmo. O melhor a se fazer é economizar umas verdinhas até lá.

O plano lembra um pouco o Grizzlies, que ia para os playoffs todos os anos mas nunca ganhou uma partida sequer de pós-temporada. Ao trocar o Pau Gasol por escolhas futuras e feder pra burro, criou um time muito jovem, cheio de novatos, levou uns anos para que começassem a render juntos, e aí contratou um ou outro veterano para ajudar. Sem estourar o teto salarial, economizando uma grana, o Grizzlies tem grandes chances de ir para os playoffs na próxima temporada apesar de todo mundo ter chamado a troca de burrada. Ter mantido o Gasol seria cagada, o salário era grande demais e ele queria vencer imediatamente enquanto o time precisava feder um pouco durante uns anos para se reconstruir. E não dá pra feder muito se você tem o Gasol, claro.

Como sabemos, a troca do Gasol para o Lakers desequilibrou a liga. A troca do Al Jefferson, que vai permitir que o Wolves feda de verdade enquanto espera seus pirralhos virarem estrelas, não deve desequilibrar tanto. Mas com certeza tornou o Jazz um time muito melhor que vai fazer mais estrago do que nunca nos playoffs. Ou seja, podem esperar uma legião de torcedores do Jazz fazendo muito barulho por aqui, torrando nosso saco e eventualmente descobrindo onde eu moro e queimando minha família na fogueira, amém.

Eu adoro o Carlos Boozer, acho seu arremesso espetacular e ele funciona perfeitamente bem com Deron Williams. Mas como maluco que sou por perder vários dias da minha vida acompanhando os jogos do Wolves, posso afirmar que o Al Jefferson vai ser ainda mais útil para o Jazz. O cara é um monstro embaixo da cesta, justamente onde o Boozer era menos efetivo. Seu arremesso é consistente, vai funcionar perfeitamente bem nas jogadas com o Deron Williams, mas seu trabalho de pernas e pés muito rápidos vai simplesmente dominar o garrafão ofensivo. Ele é um monstro refinadíssimo, do tipo que bebe sangue mas arrota em francês, e vai pontuar horrores com muitos movimentos diferentes no esquema tático rígido e cadenciado do Jazz. Quando o Wolves corria demais, o Al Jefferson ainda rendia bem, mas é de costas para a cesta num jogo lento que ele mostra que pode vencer jogos sozinho. Na defesa também é muito inteligente, tem bom tempo de bola, distribui seus tocos e não compromete muito – algo que já é um avanço frente ao Boozer, que é um dos piores defensores da NBA, disparado.

É cedo demais para chamar o Kahn de burro. Ao menos ele tem os bagos de deixar o time fedendo sem ficar pagando salários absurdos desnecessariamente. Vai se focar na pirralhada, ir com calma, esperar o Rubio e não vai deixar ninguém descontente por lá. Veteranos que querem vencer só devem chegar muito depois, quando o elenco já estiver maduro o bastante. E o Jazz aproveitou essa barbada para conseguir um assalto a mão armada nos moldes do Gasol-para-o-Lakers, capaz de fazer muito estrago se o resto do time jogar bem. Levante a mão quem é o doido que viu o Al Jefferson jogar nas temporadas passadas. Se você não levantou, pode ter certeza de que ele é um dos melhores jogadores de garrafão da NBA, muito mais versátil do que o Boozer, muito mais físico embaixo da cesta, e vai chutar muitos traseiros. Se você levantou a mão, então já sabe o tamanho da encrenca que o Jazz vai causar na liga. Os mórmons foram abençoados, vai ver rezar dá resultado.

No Wolves, o garrafão agora tem Kevin Love e Darko Milicic – por mais bizarro que seja, é um dos garrafões que mais valerá a pena acompanhar na temporada que vem. O Love é um dos jogadores mais inteligentes da NBA, faz cruzadinhas no nível “Putaquemepariu”, passa a bola como poucos armadores e é famoso por dar assistências de um lado da quadra para o outro, é espetacular. Arremessa também de todos os cantos, inclusive da linha de três (e até da quadra de defesa).

Além disso, sempre toma a decisão certa, é até chato. Vai ser uma estrela na liga, sem dúvidas, e tendo muito mais minutos em quadra sem Al Jefferson, nos dará mais chances de vê-lo atuando. Seu parceiro de garrafão será o Darko, também conhecido como “um dos maiores fracassos da história do draft”. Desde que foi escolhido com a segunda escolha do melhor draft de todos os tempos, passou de um time para o outro sem nunca render grandes coisas. Mas isso depende do que se espera dele, claro. Todo time que contrata o Darko espera um jogador que domine o garrafão e mostre o potencial que justificou sua segunda escolha no draft, mas o que todo time encontra é um jogador de apenas 25 anos, excelente defensor, com problemas para manter a calma dentro de quadra. A maior dificuldade do Darko sempre foi sua cabeça, ele precisava ouvir o pagodinho “deixa acontecer naturalmente”, porque desde que entrou na NBA – novo demais para conseguir sequer cortar as próprias unhas – queria mostrar que merecia ter sido escolhido tão cedo no draft no lugar do Carmelo Anthony. Dê a bola para Darko e ele vai tentar fazer milagre, errar uma bola, ficar puto da vida, forçar uma outra bola para compensar, errar de novo porque está nervoso e forçando o jogo, se desesperar porque esperam mais dele, forçar de novo, e assim por diante. Ele fica tão puto consigo mesmo que chegou até a rasgar a própria camiseta:

Também deu aquela clássica entrevista jogando pela sua seleção nacional, em que afirma que vai foder as mães dos três juízes que “lhe roubaram o jogo” (e foder a filha deles se tiverem também). Mesmo tão descontrolado, nas poucas vezes em que ganhou minutos e conseguiu manter a calma em quadra mostrou seu talento defensivo e seu jogo refinado perto da cesta. Se tivesse sido escolhido na segunda rodada, teria jogado a vida toda, nunca teria sido trocado e seria tido com uma baita sorte do time que o pegou. Para ele, assim como para Kwame Brown, a merda é o medo da expectativa dos outros. O David Kahn disse recentemente que convenceu Darko a ficar na NBA ao invés de voltar para a Europa, como pretendia, dando-lhe estabilidade, segurança, um papel limitado em quadra (puramente defensivo) e muita confiança. Deu uma longa entrevista apenas falando sobre o que ele vê no Darko que os outros não percebem. É difícil imaginar que aquele jogador afoito e nervoso pra burro renderá no Wolves com carinho e paciência, mas é nisso que o Kahn aposta e é mais um motivo para acompanharmos esse garrafão. Love e sua genialidade nos passes, Darko e sua cabeça-de-bagre tentando não arrancar sua própria cabeça. Não vai ser tão legal quanto o Al Jefferson destruindo com o Deron Williams, mas é um dos poucos motivos para acompanhar a pirralhada do Wolves na temporada que vem. E se der certo, pelo menos vão parar de xingar tanto o Kahn. Ele, ainda, não merece.

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