[Resumo da Rodada – 02/05] O Jogo da Coxa

A série entre Clippers e Spurs foi certamente a Série das Séries nessa primeira rodada dos playoffs, e todo mundo já sabia disso mesmo antes do Jogo 7 por conta do alto nível jogado, dos jogos inesperados e de um par de finais eletrizantes. Teve até um jogo-surra só para mostrar que a gente achar que a série estava parelha não iria impedi-la de ser inteiramente inesperada. Para consagrar essa série só faltava mesmo um Jogo 7 épico, daqueles pra entrar pra história. E dessa vez, tivemos exatamente o que a gente esperava.

Embora seja comum sermos presenteados com jogos históricos nos playoffs, dificilmente eles acontecem na primeira rodada dos playoffs, quando os confrontos são supostamente menos parelhos. Mas o Oeste desta temporada foi uma anomalia no espaço-tempo: uma mísera derrota no último jogo da temporada regular tirou o Spurs da segunda colocação da Conferência e o derrubou para a sexta vaga nos playoffs, sem mando de quadra. É triste que dois times tão espetaculares como Spurs e Clippers sejam obrigados a se eliminar tão cedo nos playoffs, mas o resultado foi um confronto épico que, embora seja doravante conhecido como “O Jogo da Coxa”, teve presença de todas as principais peças de cada equipe, até mesmo aquelas que não haviam aparecido no restante da série até aqui. Foi um jogo para não ser esquecido.

Resumo da Rodada – 26/4

O Boston Celtics defendeu como um time que sabia que estava com as costas contra a parede, mas arremessou como um time de NOVATOS que sabia que estava a uma derrota da eliminação. Não faltou dedicação aos verdinhos, que atuaram com aquele ~senso de urgência~ de quem sabe que deve mostrar resultado, mas o nervosismo foi tamanho que só resultou num jogo cheio de faltas grosseiras, discussões, dúzias de cadeiras caindo no chão, dedos na cara e um péssimo, péssimo aproveitamento de arremessos.

Para se ter uma ideia, o Celtics teve 18 situações de catch and shoot na partida, que é aquela onde o cara recebe a bola e já arremessa, sem driblar. Dos 18 chutes, apenas 3 caíram! Isso dá 16% de aproveitamento, contra 35% que eles tiveram ao longo da temporada nesse tipo de jogada. Ao todo o Celtics acertou 38% de seus arremessos gerais e patéticos 13% (3/23) em bolas de 3 pontos. Assim não dá pra ganhar de ninguém.

Miami Heat campeão de novo

Miami Heat campeão de novo

O pessoal do ótimo HoopsHype no Twitter foi quem cravou melhor o sentimento pós-Jogo 7 da Final da NBA. Disseram eles: só jogadores de tênis que perderam match points no 4º set e que foram derrotados no tie-break do 5º set sabem como o San Antonio Spurs está se sentindo agora.

E não é à toa, embora o Miami Heat tenha seus muitos méritos na conquista do título, foi tudo disputado demais e não dá pra ignorar as inúmeras chances que o time de Gregg Popovich teve para o penta campeonato da franquia. Naquelas cruéis entrevistas coletivas após a partida, Manu Ginóbili disse que não conseguia parar de pensar no Jogo 6, enquanto Tim Duncan, visivelmente deprimido e arrasado, falou que nada seria pior do que esse Jogo 7, onde ele perdeu uma bandeja quase sem marcação, para empatar o jogo, a menos de um minuto do fim da partida. Aliás, pra mim, acabaram as piadas de Duncan não ter ou demonstrar emoções.

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Mas muita coisa aconteceu antes da bandeja errada de Tim Duncan e o Jogo 7, se não foi tão épico quanto a partida anterior, chegou perto e foi de altíssimo nível, especialmente considerando o nível de nervosismo que até os jogadores mais experientes demostraram desde o primeiro minuto de disputa. Não foram só questões táticas, mas bastante emocionais, que fizeram Chris Bosh, Mike Miller e Ray Allen saírem de quadra zerados, assim como os outrora heróis Gary Neal e Danny Green terminarem combinando para 3 acertos em 19 arremessos.

O caso de Chris Bosh acho o mais interessante, claramente fora do jogo ofensivamente, nem se deu ao trabalho de forçar o jogo. Com LeBron James e Dwyane Wade inspirados, com Shane Battier pegando fogo da linha dos 3 pontos, ele deixou o ego de lado e ralou nos bloqueios, na movimentação de bola e, mais importante, em gastar toda sua energia marcando Duncan. Com 2 títulos em 3 anos, fica parecendo fácil montar um time de sucesso como o Heat, que é só juntar estrelas e correr para o abraço. Mas muita coisa aconteceu para isso dar certo e lidar com o ego de jogadores mimados e acostumados aos holofotes foi uma delas. Alguns anos atrás Chris Bosh estava fazendo campanhas no YouTube porque se sentia no mesmo nível de LeBron James e Kevin Garnett na luta por votos populares em um All-Star Game, hoje ele sai de um dos maiores jogos da sua carreira tentando apenas 5 arremessos. E saiu feliz, comemorando e com sensação de missão cumprida. Bosh chegou no Heat como jogador soft, com medo de garrafão e conhecido por ser versátil ofensivamente, mas nessa Final foi ótimo coadjuvante e se destacando por seus rebotes e tocos no Jogo 6.

Cito o caso de Chris Bosh porque ele é o mais simbólico, já que outros jogadores chegaram em Miami em momentos de decadência em sua carreira, sabendo que estavam abrindo mão de minutos, arremessos e protagonismo em nome de títulos. Méritos para Pat Riley e LeBron James por recrutar esses caras: Mike Miller, Chris Andersen, Shane Battier e Ray Allen, que sabendo de suas funções foram decisivos em diversos momentos da campanha, em especial nessa final. É perceptível e natural que LeBron James tenha evoluído desde os tempos de Cleveland Cavaliers, mas esse título mostra como é difícil ganhar títulos da NBA e que vai muito além de se ter um ou dois grandes jogadores. A temporada de LeBron James foi a melhor que você pode imaginar de um jogador, mas mesmo assim ele precisou daquele arremesso do Ray Allen, dos muitos ajustes táticos de Erik Spoelstra nas séries contra Pacers e Spurs, de um pouco de sorte, de Dwyane Wade saudável nos momentos certos, da precisão de Mike Miller e Shane Battier nos 3 pontos e, como já citado, do sacrifício do Chris Bosh.

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Lembro disso tudo para reatar um post que escrevi uns tempos atrás, o Paradoxo Spurs. No texto, entre outras coisas, falo sobre o sentimento ambíguo que tinha em relação ao sucesso do Spurs durante toda a Era Duncan/Popovich. Por um lado eles ganharam mais jogos de temporada regular e Playoffs que qualquer outro time no mesmo período, também viraram exemplo e modelo para montagem de times dentro de um orçamento razoável, mas por outro, se tudo deu tão certo, não é pouco ter vencido “só” 4 títulos? O Los Angeles Lakers, por exemplo, no mesmo período, venceu 5 campeonatos e o fez com bem menos organização. Em outras palavras, apesar do sucesso claro dos últimos 15 anos, fica uma sensação de que eles poderiam mais?

Eu acho que certamente eles poderiam ter vencido mais vezes. Aquela derrota no Jogo 7 para o Dallas Mavericks em 2006 custou uma vaga na Final contra o mesmo Miami Heat, ano passado eles tinham condições de passar pelo OKC Thunder e, antes disso, teve aquela derrota imperdoável contra o Memphis Grizzlies na primeira rodada. Mas a Final deste ano contra o Miami Heat mostra bem como é complicado vencer um título da NBA. Às vezes tem um outro time num momento ainda mais iluminado que o seu, ou tá tudo tão disputado que é uma ou outra bola que decide, e às vezes é sorte. Tem muito time bom na NBA, muitas superestrelas, muitas contusões e os Playoffs são mais cruéis que pontos corridos. Pelo jeito, apesar das frustrações, o negócio mais seguro a se fazer é ser o Spurs: mantenha um time forte, entrosado e vá com tudo todo ano, de vez em quando vai dar certo.

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Confesso que eu fiquei arrasado com o erro do Duncan no fim da partida. Um giro daquele, embaixo da cesta, sobre o nanico do Shane Battier, é algo que ele acerta em 99% das vezes e que ele merece acertar, Duncan merece todo o sucesso que tem e mais um pouco. Mas por outro lado, se tem um jogador que não teria a carreira manchada por um erro em um momento tão decisivo, esse cara é o Duncan. Não consigo imaginar qualquer torcedor do San Antonio Spurs o xingando ou o condenando por alguma coisa, se fosse um bandeja errada por Gary Neal ou Danny Green, por outro lado, poderia ser algo para marcar pro resto da vida. Era um erro que LeBron James, por exemplo, não podia se dar ao luxo de cometer.

Também podemos citar aqui o turnover custoso de Manu Ginóbili no último minuto de partida, após o arremesso certeiro de LeBron James, e a decisão de Gregg Popovich de deixar Tony Parker, que fazia partida ruim, no banco nesta jogada para ter mais arremessadores. Ou seja, no fim das contas as coisas foram decididas, por bem ou por mal, por quem o Spurs mais confiava: Duncan, Manu, Parker e Pop. Nem sempre dá pra ganhar e não acredito que serão crucificados.

E falando em LeBron James, a coisa mais legal desse Jogo 7 não foi o título do Miami Heat ou o fato de LeBron, mais uma vez, ter feito um jogo histórico quando seu time estava contra a parede. Sim, foram 37 pontos, 12 rebotes e 4 assistências, mas o mais legal foi como ele conseguiu esses números. Primeiro as 5 bolas de 3 pontos e os arremessos de meia distância, justamente as bolas que o

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Spurs dava a LeBron de graça para impedir suas infiltrações. Depois que mesmo assim ele ainda infiltrou um bocado e, por fim, ainda fez um desses chutes no minuto final, onde ainda tinha gente o pentelhando por falhar. Mas tem mais: ele fez tudo isso ao mesmo tempo em que marcava Tony Parker, a principal arma ofensiva do San Antonio Spurs! Todos estavam exaustos, morrendo com a língua de fora e LeBron era o principal jogador no ataque, na defesa e fazia tudo isso com sucesso.

No maior jogo de sua carreira, LeBron James teve uma atuação impecável, completa e decisiva. Todos estão livres, como sempre estiveram, para odiá-lo porque ele é feio, bobão ou porque abandonou o Cavs, mas dentro de quadra não tem muito o que dizer nesse momento de sua carreira. Dois títulos, dois troféus de MVP da temporada, dois de MVP das Finais e algumas atuações para a história. O negócio é aproveitar esse momento mágico de LeBron James e torcer para que continuem aparecendo caras como Paul George e Tim Duncan para levá-lo a seu limite a cada ano.

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Um ótimo final de temporada para uma temporada bem divertida e cheia de histórias, não? Algumas contusões demais, mas isso acontece. Não acompanhamos tudinho aqui no Bola Presa, mas nos esforçamos para fazer um trabalho bom. Para a temporada que vem tentaremos manter a qualidade (já que quantidade tá difícil) dos textos, voltar com a regularidade dos podcasts e até arriscar algumas novidades que eu não anuncio senão é certeza que não darão certo.

Dentro de quadra, o Miami Heat tentará ser o primeiro time desde o Los Angeles Lakers (1981 até 1984) a alcançar 4 finais consecutivas e o primeiro desde o mesmo Lakers (2000 até 2002) a conquistar 3 títulos seguidos. Contra eles teremos a volta de Russell Westbrook, o Pacers ainda mais forte e experiente, Chicago Bulls com Derrick Rose, o New York Knicks tentando manter a constante melhora dos últimos anos e, por que não, o San Antonio Spurs aproveitando o possível último ano da carreira de Tim Duncan. E será que o Warriors era fogo de palha? O LA Clippers consegue segurar Chris Paul agora que contrataram Doc Rivers? Histórias nunca faltam.

Mas antes teremos muitas trocas, Ligas de Verão e, antes de mais nada, Draft 2013! Nesta semana postaremos o tradicional Draft de Força Nominal e, se der tempo, um pequeno preview do que acontecerá nesta quinta-feira. Boa offseason para todos nós, que agora temos que ralar para decidir o que fazer todo dia à noite ao invés de ver jogos de basquete.

A história acontecendo

A história acontecendo

O San Antonio Spurs estava no motel com a garota de seus sonhos, mas saiu sem nem um cafuné. Alguma coisa aconteceu, algo que falado na hora errada, uma frase mal colocada, uma lembrança estranha. Alguma coisa quebrou o clima. E faltava tão pouco!

Não sei se eu tenho experiência pessoal ou a imaginação necessária para descrever o nível de frustração que os torcedores do Spurs devem estar sentindo hoje. Os jogadores? Eles também devem estar sofrendo um bocado, mas já ouvi uns ex-atletas dizendo no Twitter que profissionais não são assim, que enquanto existir outro jogo, outra chance, enquanto existir perspectiva, ninguém se desespera. Mas se, por acaso, eles não saírem de quadra com um troféu do Jogo 7, Tim Duncan, Gregg Popovich e cia. vão pensar neste Jogo 6 para o resto de suas vidas. E quer saber? Nós também.

Ray Allen

Eu sei que vocês já assistiram o jogo, que leram sobre o assunto, mas é preciso explicar de novo. O San Antonio Spurs tinha 4 pontos de vantagem sobre o Miami Heat a 28 segundos do fim da partida quando Manu Ginóbili foi para a linha de lance-livre. Tudo desenhado para uma vantagem de 6 pontos (duas posses de bola de 3 pontos, três posses de 2 pontos) contra um time que tem sofrido para ser regular nas bolas de longe, e a favor de um time que tem sua melhor média de lances-livres nos últimos 33 anos. O Spurs, além de tudo, ainda é o time mais rodado da NBA, o que alia experiência de idade, experiência de quadra e, talvez mais importante, experiência em vencer. Como disse Bill Simmons após a partida, em 100 ocasiões assim, 99 vezes o time que está na frente não perde a vantagem. E era o Spurs. O San Antonio Spurs.

Façam um exercício de imaginação. Tudo aconteceu dessa mesma maneira na Final, mas, ao invés do Spurs, o time representando o Oeste é o OKC Thunder ou o Memphis Grizzlies. O que você diria ao fim do jogo? Eu diria “Heat deu sorte de pegar esses caras, contra o Spurs não teriam essa segunda chance”. Essa é a imagem que temos deles. E não é à toa, claro, a regularidade do Spurs nos últimos 15 anos criou esse mito/verdade, mas o ponto é que, no fim das contas, ninguém está tranquilo a segundos de um título. E pior, sem aquele desespero encorajador que a eliminação traz. A luta pela sobrevivência é mais feroz que a da vitória, sempre.

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Mas vamos aos fatos, que são difíceis de lembrar já que eu só me lembro das sensações, mas vamos tentar um pouco de frieza.

O primeiro tempo teve um jogo disputado, mas com domínio tático e técnico do San Antonio Spurs. Antes do jogo Chris Bosh prometeu, em entrevista, que Danny Green não teria um arremesso sem marcação durante a partida. Ele teve um completamente livre após erros na troca de marcação entre Mario Chalmers e Chris Andersen que atrasaram toda uma rotação defensiva, mas foi só, uma posse de bola em todo jogo. Porém, para conseguir isso o Heat precisou de muita movimentação sem a bola na linha dos três pontos, fechando as linhas de passe que chegariam a Green (ou Neal, Leonard e etc). Com isso o Spurs puxou outra de suas mil armas, Tim Duncan. Com mais espaço, ele pode escolher um de seus mil movimentos de costas para a cesta a cada vez que queria torturar Chris Bosh, e foi um massacre. Duncan fez mais da metade de seus 30 pontos no primeiro tempo! Aliás, Duncan jogou como se fosse o último jogo de final da sua vida: 30 pontos, 17 rebotes e uma defesa fora da realidade. Estava fazendo história até o jogo se tornar uma história maior do que qualquer jogador.

O Miami Heat sobreviveu ao primeiro tempo destruidor de Duncan porque conseguiu marcar bem o resto do time. Nada de bolas de 3 pontos, poucas infiltrações de Tony Parker, que dessa vez viu LeBron James o marcando por boa parte da partida, e nada de Ginóbili, que depois de seu melhor jogo na temporada, fez um dos piores. Seus 8 turnovers igualaram Hakeem Olajuwon e Kenyon Martin como máximo de um jogador num jogo de final. Some-se isso a arremessos precisos de Mario Chalmers e fomos para o intervalo com um jogo a favor do Spurs, mas longe de parecer decidido.

No segundo tempo parecia que o Miami Heat tinha que decidir um dilema complicado, como marcar Tim Duncan sem puxar o cobertor curto e abrir as portas e as pernas para todo o resto do elenco do Spurs? Individualmente a melhor solução vinha sendo Udonis Haslem, mas ele faz o time, já empacado no ataque, ficar tão fraco ofensivamente que praticamente isso anulava os benefícios de sua defesa. Enquanto isso Chris Bosh não dava conta do recado e colocar Chris Andersen ao lado dele significaria deixar o time com menos defensores de perímetro para lidar com o small ball falso que o Spurs usa quando tem Boris Diaw em quadra.

A resposta do Miami Heat,no fim das contas, não envolveu mudanças no quinteto, mas em postura e tática na defesa individual. Chris Bosh conseguiu se superar fisicamente para deixar de sofrer bullying de Tim Duncan, forçou o jogador do Spurs a receber a bola mais longe da cesta e não teve medo do jogo físico. A defesa em Tony Parker por LeBron James, não ficando preso em nenhum bloqueio sequer ao longo do jogo, também foi exemplar. Ele minou o pick-and-roll com Duncan e forçou o Spurs a um jogo lento, com poucos passes e poucas oportunidades de arremesso. O problema é que o próprio Heat não estava muito melhor lá do outro lado e o 3º período que começou com o Spurs vencendo por 9, acabou com eles liderando por 10.

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Mas antes de falar do último quarto, precisamos lembrar do começo do terceiro período de novo. Dwyane Wade demorou para voltar do vestiário e perdeu cerca de 3 minutos de jogo, possivelmente fazendo algo em seu joelho, que o incomodava depois de uma pancada com Ginóbili no primeiro tempo. Sem Wade, o Heat foi obrigado a jogar com LeBron James, Chris Bosh e mais três arremessadores de três pontos: Mike Miller, Ray Allen e Mario Chalmers. Nas três posses de bola sem Wade, o Heat conseguiu uma infiltração de LeBron (falta e 2 lances-livres), um acerto de 3 pontos e Chalmers e um de 2 pontos de Bosh. Nenhum erro.

Lembrei desse episódio porque o Heat voltou para o último período com uma formação quase idêntica, mas com Chris Andersen no lugar de Chris Bosh. O resultado foi uma reviravolta no placar e uma atuação épica do até então apagado LeBron James, que desde que perdeu sua testeira em uma enterrada, simplesmente pegou fogo e entrou em modo preciso-vencer-isso-de-qualquer-maneira-para-a-internet-não-explodir. A ansiedade e senso de urgência, sobrevivência, no rosto (estranho sem a faixa) do LeBron era claro, mas nenhuma atitude individual vêm sem a parte tática. Sem Wade em quadra, de repente abriram espaços para LeBron James conseguir pelo menos pisar no garrafão para tentar jogadas. Uma estatística mostra bem o que aconteceu: LeBron tentou 7 arremessos na área do semi-círculo sob a cesta durante os 16 minutos que jogou sem Wade; nos 33 minutos (!) que jogou ao lado do companheiro, só 3 arremessos tentados lá. Simplesmente não tem espaço quando os dois estão junto, o Spurs paga pra ver o arremesso e se encaixota no garrafão.

Foi com essa formação que o Miami Heat cortou os 10 pontos de frente e virou a partida, exatamente com a mesma formação que começou aquela sequência de 33 a 5 no Jogo 2. E uma formação quase igual a da vitória no Jogo 4, com a diferença que lá era Wade em quadra infiltrando e LeBron James no banco. Enquanto Mike Miller (que ontem acertou um arremesso sem estar usando um tênis), Mario Chalmers e Ray Allen estiverem afiados de longe, o Spurs tem que dar pelo menos um tiquinho de espaço. E legal que Erik Spoelstra teve as bolas no saco de perceber a reação e deixou D-Wade sentadinho no banco de reservas até os últimos 3 minutos de jogo.

Mas se tudo isso já era uma história espetacular, aí vieram os minutos finais. E lembrem-se, um TÍTULO DA NBA estava em jogo, e o que aconteceu foram coisas que nos deixariam empolgados e pulando da cadeira em um jogo da segunda semana da temporada regular envolvendo o Charlotte Bobcats! Bom, primeiro Manu Ginóbili, usando um corta-luz de judô de Tim Duncan, cortou a diferença do Heat para 1 pontinho a 2:31 do fim da partida. O Heat respondeu em um ataque desorganizado, desesperado, mas que acabou com falta sobre Dwyane Wade, que fez seus lances-livres. Com o Spurs atrás por 3 pontos e angustiantes 1:30 no relógio, Tony Parker fez de tudo para passar pela marcação de LeBron James. Nada feito. Uma, duas, três vezes. Impossível contornar aquele monumento que nessa altura já beirava seu triple-double, que tinha dado um toco fenomenal em Tim Duncan e que marcou 14 pontos no período final. O que o francês fez então? Step back, arremesso de três pontos e caixa. Jogo empatado e já não fazendo mais sentido.

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No ataque do Heat, turnover de Mario Chalmers, que tentava mais um pick-and-roll bem sucedido com LeBron James. Nada feito dessa vez e nada de LeBron marcando Parker no contra-ataque, aí mais dois pontos para o francês sobre Chalmers. Depois de jogo apagadíssimo, o francês apareceu com cestas milagrosas que poderiam ser do título. E parecia que iam ser porque as duas posses de bola seguintes do Heat acabaram com turnovers de um exausto e já inconsciente LeBron James, e com lances-livres de Ginóbili entre esses erros. Aí chegamos no ponto que eu citei antes: Spurs liderando por 4 pontos, 28 segundos no relógio, Manu Ginóbili no lance-livre.

O narigudo-safado errou o primeiro e fez o segundo, vantagem em 5. No ataque, entra Mike Miller no lugar de Chris Bosh e, pelo Spurs, uma surpresa, entra Boris Diaw por Tim Duncan, para proteger a linha dos 3 pontos. O resultado é que LeBron James dá uma tijolada numa bola de 3 pontos, mas Mike Miller acha um rebote de ataque e James não perdoa da segunda fez. São 2 pontos de frente a 20 segundos do fim do campeonato. O Spurs pede um tempo e Tim Duncan tem uma frieza e paciência assustadoras ao esperar o momento certo de cobrar o lateral e colocar a bola nas mãos de Kawhi Leonard. O pivete de 21 anos, porém, sente a pressão e acerta apenas o segundo lance-livre. São 3 pontos de frente e possivelmente a última posse de bola do Heat na temporada. E o que acontece é isso aí embaixo:

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Se seu time estivesse perdendo por 3 pontos a ponto de ser eliminado, quem você queria que arremessasse a bola da salvação? De todos os Steph Currys e Danny Greens da atualidade, nenhum tem a experiência e a frieza de Ray Allen. Acho que 95% das pessoas escolheriam ele e o Miami Heat pode levantar as mãos aos céus porque eles tem esse cara no elenco e porque a bola achou a mão dele no momento certo. É uma jogada que nos faz pensar em nossas discussões sobre ser melhor, sobre títulos e sobre legados. É tanta coisa, tanta coisa enorme, e tudo decidido por jogadas tão pontuais, rápidas. Tudo poderia ter acontecido, tudo. O que não poderia ter acontecido, dizem os torcedores do Spurs, é perder dois rebotes de ataque nas posses de bola final. De novo, escolha de Gregg Popovich tirar Tim Duncan de quadra. Compreensível, mas deu muito errado.

Depois desse momento surreal, Tim Duncan entrou em quadra ilegalmente para a última posse de bola. Enquanto os juízes viam se a bola de Allen era mesmo de 3 pontos, Duncan entrou no lugar de Diaw. Mas sem um pedido de tempo ou falta, ele deveria continuar fora. De qualquer forma, Tony Parker não conseguiu a bola do título e fomos para uma sofrida prorrogação.

O tempo extra foi sofrido e feio. Os dois times estavam visivelmente cansados e Tony Parker chegou a ser poupado de posses de bola defensivas só para ter fôlego para atacar. Alguns momentos épicos deste fim de jogo? É, tem alguns: Danny Green roubando a bola de LeBron James num contra-ataque que James finaliza com enterrada em 99% das vezes; tocos de Chris Bosh em Tony Parker e Danny Green nos dois últimos arremessos do Spurs no jogo; os roubos de bola de Parker e Ray Allen no final da partida. Devem ter existido mais, mas minha mente entorpecida já não lembra.

Alguns comentários sobre o final de jogo do Spurs (editado às 16h): Não acho que o Manu Ginóbili errou ao forçar uma infiltração quando o Tony Parker estava no banco nos segundos finais da prorrogação. Ele tinha o garrafão aberto e estava sendo marcado pelo Ray Allen, era uma ótima chance. Não acho que foi falta no lance. A última posse de bola do Spurs foi questionável também, ótimo desenho de jogada para Danny Green, mas o Heat sabia que podia ignorar Splitter para a bola de 3 pontos e foi o que Bosh fez para ir para o toco. Ter Tony Parker em quadra poderia causar mais dúvida.

O Miami Heat sobreviveu e ninguém ainda sabe como. Último período histórico, triple-double de LeBron James, tocos e rebotes de Chris Bosh, o arremesso de Ray Allen. Foram tantas coisas dificílimas de ser alcançadas, e tudo para uma vitória magra, pela sobrevivência. E quando a organização da NBA já cercava a quadra com uma fita de segurança para a possível cerimônia de entrega do troféu.

O San Antonio Spurs estava com a garota dos sonhos, no motel, de cinta-liga e dedinho na boca. Alguma coisa surreal aconteceu e eles ficaram na mão por mais uma noite. Poucos sabem a frustração de estar tão perto de um sonho e não conseguir realizar, mas também não são todos que tem o privilégio de uma segunda chance. O Miami Heat vai para o jogo achando que estão com sorte de campeão, mas alguém realmente duvida do San Antonio Spurs? A parte tática está na ponta da língua de todos, sabem o que fazer. Só precisamos sentar a bunda na cadeira e ver mais um espetáculo. E independente de quem vença, já foi por pouco.

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Surras

Surras

Não consegui vir aqui após o Jogo 2 da Final da NBA para comentar o dia que Mario Chalmers foi o cestinha e um dos melhores jogadores em quadra num jogo que tinha LeBron James, Tim Duncan, Tony Parker e cia. Mas o destino resolveu ser bonzinho conosco e nos dá a chance de falar sobre uma partida em que Danny Green e Gary Neal entraram para a história da liga. Repito, Danny Green e Gary Neal são agora imortais e serão para sempre comentados ao longo da história das finais da NBA. Aprendam a viver com isso. Danny Green é deus Vai soar estranho o que vou dizer, mas explico. Nestes três primeiros jogos, apesar das duas lavadas históricas nas últimas partidas, os jogos foram bastante disputados. Pelo menos disputados até um certo ponto, quando uma equipe disparou como se estivesse enfrentando uma versão piorada do Charlotte Bobcats. No Jogo 2 foi um período de apenas 5 minutos que transformou um jogo empatado em uma humilhação de 20 pontos de vantagem a favor do Miami Heat. Para surpresa de ninguém foram justamente os melhores 5 minutos de LeBron James na série até agora. Muita defesa dele e do resto do time, inúmeros turnovers forçados, arremessos de três pontos na transição ofensiva e adeus San Antonio Spurs. No jogo de ontem, o terceiro, a história foi um pouco parecida, com a diferença de que o San Antonio Spurs não parou nos 20 pontos de vantagem, não acalmou a partida e continuou espancando o Miami Heat até eles ficarem irreconhecíveis. O Spurs abriu uma vantagem considerável no final do primeiro tempo, que o Heat igualou após, surpresa, forçar turnovers do adversário. Aí bolas de 3 pontos de Tony Parker e Gary Neal nos segundos finais deram 6 pontos de frente no intervalo. No terceiro quarto aconteceu a varrida de vez, o Heat parecia frustrado, não acertava arremessos de fora do garrafão, não achava espaço para infiltrar e do outro lado a movimentação do Spurs era rápida, tão rápida, que Danny Green e Gary Neal sempre acabavam relativamente livres para uma bola certeira de três pontos. A liderança disparou e quando o Heat ameaçou cortar, novamente nos 5 minutos bons de LeBron James no jogo, quando marcou 9 de seus 15 pontos, Gary Neal respondeu com duas bolas de 3 que nem Steph Curry deveria tentar. Mas ele tentou, acertou e matou o jogo ainda no começo do período final. [youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=dZauUjCtGHY[/youtube] Nesses momentos temos que saber atribuir, ou pelo menos tentar, o que é fruto de esquema tático, domínio do estilo de jogo e o que é coisa de ocasião, ou seja, que dificilmente poderá ser repetida em ocasião futura. O San Antonio Spurs quebrou, ontem, o recorde de mais bolas de 3 em um jogo de final de NBA. Foram 16 acertos, 13 deles divididos entre Gary Neal (6/10 acertos) e Danny Green (7/9). Isso é algo que provavelmente não vai se repetir tão cedo. Green vêm tendo ótimo aproveitamento durante toda a pós-temporada, aos poucos se tornou um dos mais precisos arremessadores de toda a NBA, mas mesmo os melhores não acertam 7 bolas todo jogo. Ainda mais no mesmo jogo que outro bom arremessador também está pegando fogo! Isso é coisa pra uma vez aqui e outra ali e o Spurs aproveitou para conseguir uma vitória categórica em um dia que seu melhor jogador na temporada, Tony Parker, não jogou bem por estar com muitas dores musculares. Por outro lado, mesmo que o Spurs não tenha outro jogo de quebrar recordes de 3 pontos, eles tem algo que provavelmente vai se repetir mais vezes: as chances de arremessar de 3 pontos. Nos jogos anteriores, como neste último, a movimentação de bola do San Antonio Spurs funcionou perfeitamente e chances para as bolas de longe não faltaram, foi com Kawhi Leonard na outra partida, Matt Bonner no começo do jogo de ontem, Manu Ginóbili basicamente quando ele bem entender. Os espaços estão ali e essa é uma vitória tática do Spurs que vai continuar existindo até que o Miami Heat crie uma solução, então mesmo sem recorde é algo que o time de Gregg Popovich pode contar para as próximas partidas. O mesmo vale para a atuação de LeBron James. Ele explodiu durante um curto período de tempo no Jogo 2 e durante alguns minutinhos assustadores do Jogo 3, mas a vitória tática no quesito também é do San Antonio Spurs. O melhor comentário sobre a defesa do Spurs em cima de Dwyane Wade e LeBron James veio de Jeff Van Gundy, que comenta os jogos na TV americana: “eles estão os marcando como se fossem o Rajon Rondo. O Los Angeles Lakers começou a exagerar na defesa sobre Rondo desde as Finais de 2008, quando davam a quadra inteira para Rondo trabalhar porque sabiam que ele não sabia arremessar. Era o jeito de cobrir o garrafão, ajudar nos bloqueios à Ray Allen, não se perder nos pick-and-rolls com Kevin Garnett. Estratégia que não rendeu o título, mas que foi inteligente o bastante para inúmeros times a copiassem ao longo dos anos. O San Antonio Spurs resolveu chutar o pau da barraca e fazer isso, ao mesmo tempo, com dois dos melhores jogadores do planeta. LeBron James e Dwyane Wade não são conhecidos por seus arremessos de longe e então o Spurs decidiu que iria deixá-los arremessar quando quisessem. Podem acertar, mas não vão conseguir enterradas, bandejas e muito menos lances-livres. Até nos contra-ataques é engraçado como o Spurs não está seguindo aquela regra clássica que aprendemos velho programa Fantasia do SBT, o “para a bola”. Ao invés de o defensor partir para cima de quem puxa o contra-ataque para tentar pará-lo, eles correm todos diretamente para o garrafão e lá param e levantam os braços. Tentar parar LeBron durante corrida é pedir pra levar um passe por cima, um drible, uma enterrada. Mas com o garrafão empacotado de 5 negos, fica mais difícil. [youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=xlkOk9g2pCY[/youtube] Não quero desvalorizar a defesa que Kawhi Leonard faz em LeBron James, mas acho que tem muita gente lambendo até demais as bolas do jovem ala do Spurs. Ele é forte, inteligente, se posiciona bem, é bonito e, como disseram ontem no Twitter, tem aspirador de pó nos dedos para sugar a bola e forçar turnovers. Mas o sucesso da defesa do Spurs sobre LeBron é totalmente coletivo! O que frustra o King James é que ele nunca tem espaço para dar a primeira passada no garrafão, os espaços estão sempre ocupados. Se congelarmos as imagens quando ele tenta atacar a cesta, dá pra ver 4 ou 5 jogadores dentro da área pintada prontos para encher o saco dele. Com bom passe e boa visão de jogo, James acha Mike Miller (o deus que não erra dos 3 pontos em finais), Chris Bosh e Mario Chalmers, mas o Spurs está mais do que feliz em passar 48 minutos assistindo esses caras

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chutarem de média e longa distância. É mais uma daquelas estratégias simples do Spurs que a gente assiste, pensa, pensa mais um pouco e no fim só fica indignado porque parece tão fácil e mesmo assim ninguém conseguiu fazer igual até hoje. A verdade é que parece simples quando a gente escreve em uma linha “fecha o garrafão e não deixa o LeBron entrar”. Mas não é bem assim. O entrosamento e o talento individual para saber quando fechar as portas, quando sair do seu jogador para tumultuar o garrafão, como fazer isso sem faltas, como se recuperar para atrapalhar o arremesso inevitável de 3 pontos que vai surgir do passe de LeBron, tudo isso é difícil e exige muito treino e disciplina. Até porque as situações não são sempre iguais. Como fechar o garrafão quando LeBron ataca sozinho? Como fechar quando ele ataca em um pick-and-roll? E quando o pick-and-roll é feito com um jogador baixo ao invés de um pivô? E quando o ataque vêm da zona morta e não do centro da quadra? A ajuda sai mesmo se o defensor estiver marcando Mike Miller ou Ray Allen? A gente adora ir lá e falar que o LeBron tem que ser homem e atacar a cesta, ou dizer que o Spurs precisa fechar o garrafão. Mas esses são os comentários óbvios, que qualquer pessoa que acompanha basquete há pouco tempo pode dizer. A questão é sempre o como fazer isso. E uma das soluções mais interessantes que o Miami Heat achou no Jogo 2 foi deixar de usar LeBron James como o cara que segura a bola e usá-lo, ao invés disso, como o homem do bloqueio. Ele fazia o corta na cabeça do garrafão, Mario Chalmers atacava e então procurava LeBron, que estava “rollando” no pick-and-roll já perto da cesta. Não foram muitas vezes, mas pareceu dar certo quando tentado. O sucesso de Dwyane Wade, por outro lado, se deu em duas situações: a primeira quando ele atacou a cesta partindo da zona morta, apesar de não parecer o ângulo perfeito para se infiltrar, foi quando ele enfrentou menos resistência e ajuda defensiva. A outra jogada foi a movimentação sem a bola, aproveitando a defesa 100% focada em LeBron para entrar por trás e receber a bola sob a tabela. Eficiente, mas que depende pelo menos de um princípio de infiltração de seu companheiro de time.   A vantagem até agora é do San Antonio Spurs e não só porque vencem a série por 2 a 1 e não só porque Danny Green está jogando como se fosse o Ray Allen em seu auge físico e técnico. Mas porque das estratégias dos dois times, as do Spurs tem dado mais resultado prático. O Miami Heat vêm tendo um sucesso pouco comentado em segurar as infiltrações de Tony Parker, em transformar Manu Ginóbili em coadjuvante (um bom coadjuvante, porém) e marcar Tim Duncan no mano a mano, com pouca ajuda. O aproveitamento de TD contra Udonis Haslem é ridículo até o momento na série. Ou seja, a defesa do Heat sobre o Big 3 do Spurs é quase tão eficiente a do Spurs sobre o Big 3 de South Beach. A diferença é que o Spurs tem descoberto muito mais alternativas para contornar esses problemas. Como disse no começo do texto, a movimentação de bola está alcançando níveis impressionantes de velocidade e as bolas de 3 pontos, muitas sem marcação, aparecem a qualquer momento do jogo. Tiago Splitter, apesar daquele toco devastador, tem sobrado muitas vezes livres durante as blitze de dobra de marcação no pick-and-roll e até pontos em contra-ataque com Kawhi Leonard tem desafogado o ataque do Spurs. E essas alternativas do Spurs já começam a gerar, pelo menos aparentemente, uma vantagem psicológica. LeBron James e Dwyane Wade sabem que precisam acertar mais arremessos de média e longa distância para fazer o Spurs pagar pela estratégia que adotaram, mas hesitam tanto em fazer isso que muitas vezes só chutam depois de quatro ou cinco fintas, e mesmo assim o fazem sem nenhuma naturalidade. É como se não soubessem se estão desafiando Gregg Popovich ou caindo no armadilha ao tentar aquele arremesso. Ainda dá tempo do Miami Heat encontrar alternativas para machucar mais o San Antonio Spurs, dá tempo de Tony Parker agravar sua contusão e dá tempo de Danny Green voltar a ser só o Danny Green. Mas também é bem possível que a confiança do Spurs aumente ainda mais depois da surra do Jogo 3 e que o aproveitamento de 3 pontos continue altíssimo. E quem garante a vitória de Udonis Haslem sobre Tim Duncan por mais tempo? Spurs na frente, mas muitas coisas ainda em aberto.

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