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Aproveitamento de arremesso dessa foto: 8/57

Dois dos times com mais torcida, mais fãs e mais “haters” estão com um começo cambaleante de temporada. São o New York Knicks e o Los Angeles Lakers. Os dois tem diversas coisas em comum: estão rendendo menos do que o esperado, são formados por um trio de grandes jogadores, o ataque não flui em nenhum caso e os dois times tem um All-Star que quer resolver os problemas sozinho arremessando por jogo o que o Ben Wallace arremessa em uma temporada. Ultimamente eles também tem tido em comum o fato de toda culpa cair nas costas de seus técnicos.

Vamos começar com o Lakers. O novo técnico Mike Brown prometeu duas coisas para essa temporada. Uma era um esquema tático que iria misturar algumas jogadas do triângulo ofensivo que levou o time aos dois últimos títulos (não como se usassem em toda jogada também, que fique claro) e algumas jogadas que o próprio Mike Brown viu em execução quando era assistente técnico de Greg Popovich no Spurs. Ele usaria Pau Gasol e Andrew Bynum como Pop usou Tim Duncan e David Robinson. A outra promessa era de melhorar o time defensivamente.

Uma delas ele conseguiu, a segunda. O Lakers, assim como no ano passado, tem a 6ª defesa mais eficiente da NBA. Mas em números gerais melhorou no aproveitamento dos arremessos do adversário (43% para 41%) e em bolas de 3 pontos (33% para 31%). Também permite 6 pontos a menos e força mais turnovers. Mas a melhora não tem dado tanto resultado porque o ataque piorou demais. Sim, às vezes usam os triângulos, mas pouco e sem muita eficiência. Assim como têm dificuldade em usar os dois pivôs o número de vezes que gostariam.

E acho que existe um bom motivo para as duas coisas não estarem dando certo: Tanto o triângulo como o uso da dupla Gasol/Bynum exigem que um dos jogadores do time esteja posicionado no pivô, de costas próximo à cesta. Os outros jogadores devem se movimentar em volta disso ou simplesmente se afastar e dar espaço. É o chamado espaçamento da quadra, posicionamento dos atletas de uma forma que atrapalhe a defesa adversária a fazer seu trabalho. O espaçamento só dá certo se esses jogadores se posicionarem em um local onde são um risco ao adversário, obrigando um marcador a se afastar de quem tem a bola para defender uma possível ameaça. Em outras palavras, se o Metta World Peace continuar com 12% de aproveitamento nas bolas de 3 pontos o seu marcador sempre vai deixá-lo livre para embolar a defesa sobre os pivôs.

E embora o outrora conhecido como Ron Artest seja o pior, o resto do elenco não se salva. O Lakers já não era lá uma maravilha no ano passado, com 35% de acerto nas bolas de 3, mas nesse ano caiu para 25%! O que vemos no ataque do Lakers é um time que não tem velocidade para sair no contra-ataque, que não tem bolas de 3 para espaçar a quadra e nem um armador bom o bastante para ser uma real ameaça no pick-and-roll. E mesmo quando Kobe Bryant tenta ser o homem do pick-and-roll, a defesa tem dobrado nele e ajudado no pivô, deixando alguém livre na linha dos 3 pontos com a certeza do erro. Não jogo a culpa em Pau Gasol ou Andrew Bynum, é simplesmente muito difícil marcar pontos em um ataque devagar e embolado.

O Kobe Bryant tentou fazer o que pode para ajudar. Em alguns jogos tentou ser herói e usou a estratégia Allen Iverson: Vocês defendem tudo e eu ataco sozinho arremessando bolas que se qualquer outro jogador tentar fica no banco pra sempre. Venceu alguns jogos contra times mais fracos, mas contra os fortes não chegou nem perto. Nos últimos dois jogos (contra Heat e Magic) tentou ficar mais sem a bola, se movimentou sem ela e forçou menos o jogo individualmente. Foi mais eficiente, aumentou seu aproveitamento e chutou menos bolas. O Lakers continuou mal da mesma forma, não mudou nada. O buraco é mais embaixo.

Segundo os boatos da imprensa americana o Lakers ainda insiste em querer trocar por Dwight Howard. Certamente não seria ruim ter aquela potência toda ao lado de Kobe, mas não resolveria os problemas que o time tem hoje. A não ser que por um milagre divino o Ryan Anderson viesse junto na troca (um favor improvável do Orlando Magic) o time continuaria sem ameaça de longa distância. Iriam dobrar a marcação no Dwight Howard assim como fazem no Andrew Bynum e a produtividade dele iria cair. Se o Kobe vai mesmo jogar mais tempo sem a bola, deveriam procurar um armador, assim como um ala que chuta de três pontos. O problema? Mandar quem em troca disso tudo? Que time em sã consciência vai querer Steve Blake, Metta World Peace, Troy Murphy ou o assassino Josh McRoberts para mandar alguém de qualidade? Ninguém. Tem outros times por aí precisando das mesmas coisas e com peças de troca mais interessantes.

Restam para o Lakers duas opções: A primeira é trocar Pau Gasol ou Andrew Bynum por alguém numa tática cobertor curto. Resolve-se a armação ou o chute de longa distância piorando o garrafão (era o que a troca Gasol/Odom por Chris Paul pretendia). A segunda é colocar Matt Barnes e outros jogadores para arremessar 900 bolas de 3 pontos por dia e ver se eles aprendem. Com um bom aproveitamento nos tiros de longe o time não vai virar o melhor ataque da liga, mas tudo vai ficar mil vezes mais fácil.

Agora o Knicks. O problema é o mesmo? Pior que é. Vocês devem pensar “Não, imagina. O Knicks tem uma defesa ridícula, Carmelo e Amar’e não marcam ninguém! Como é a mesma coisa que o Lakers?”. Pois veja bem, o Knicks tem atualmente a 11ª melhor defesa de toda a NBA. Pois é, eu também não esperava. Volta e meia o Amar’e deixa uns caras passarem batidosou faz várias faltas bobas, o Carmelo não sai na ajuda de ninguém, mas o time tem se adaptado bem e permite apenas 101 pontos a cada 100 posses de bola, 10 a menos que na última temporada.

Não é uma defesa perfeita ou sufocante, isso é óbvio. Vimos ontem como não tiveram resposta pra o Brandon Jennings, mas estão na parte de cima da tabela nesse quesito, beirando o Top 10 da liga. Seria o bastante para eles se o ataque fosse como todos imaginaram que seria. Ano passado eram o 7º melhor ataque da NBA com 110 pontos a cada 100 posses de bola, nesse ano são apenas o 24º time ofensivo da liga, com 98 pontos a cada 100 posses. A queda é absurda.

A teoria ainda é a mesma do ano passado. O Mike D’Antoni manda seu time ser veloz e eles ainda são o 3º com mais posses de bola por jogo, mas a execução está péssima. O culpado é o excesso de jogadas de isolação, ou seja, com os jogadores indo no mano a mano. D’Antoni pede que Carmelo Anthony comande boa parte do ataque, sendo o jogador com a bola em pick-and-rolls. Mas ele faz isso com Tyson Chandler, não com Amar’e Stoudemire, que se posiciona do outro lado da quadra para o arremesso de meia distância. O resultado é que Melo não é um grande passador e dificilmente faz boas jogadas com Chandler (uma ou outra ponte aérea que vai pro Top 10 mas não resolve nada) e Amar’e é pouco usado. Sem confiança para passar, Melo tenta resolver sozinho. Quando passa para Stoudemire, este faz sua jogada mano a mano com quem o marca. É simplesmente o pior jeito de usar essas duas estrelas.

Vejam esses números: O Knicks é o time que mais faz jogadas de isolação na NBA, fazendo em 16% de todas as suas posses de bola. Porém faz apenas 0.67 pontos a cada uma dessas posses, a 3ª pior marca entre todos os times. O aproveitamento dos arremessos nessas situação é de apenas 29.3%, o pior entre as 30 equipes da NBA. Não faz sentido insistir naquilo em que você é o pior.

Outra tentativa foi de deixar a bola na mão dos armadores do time para eles tentarem construir jogadas. Primeiro Toney Douglas e agora o novato Iman Shumpert. Douglas tem tomado decisões horríveis e logo perdeu a vaga para Shumpert, que também não sabe o que faz no ataque, mas compensa com forte defesa e roubos de bola. A dupla Shumpert e Landry Fields tem sido responsável pela melhora defensiva, mas no ataque só atrapalham. O novato não é armador nato e muitas vezes, sem saber para quem passar, tenta resolver sozinho e arremessa demais.

É bem fácil jogar a culpa no técnico Mike D’Antoni, mas a culpa não é só dele, não é como se ele pedisse para forçarem jogadas de isolação, isso é o oposto do que ele gosta, aliás. Pense em um técnico de futebol ofensivo, que gosta de montar times com 3 atacantes e meias que sabem passar a bola e avançar. Aí a diretoria vai lá e contrata o Williams do Flamengo que não sabe dar um passe de 3 metros e chama Souza e Aloísio Chulapa pra fazer a dupla de ataque. Como o cara vai montar o time dele? Das duas uma, ou vai tentar fazer os jogadores se adaptarem ao jeito dele, o que provavelmente não dará certo por falta de talento, ou vai fazer o que não sabe. E como disse o Larry Brown na clínica que deu aqui no Brasil“nunca ensine para seus jogadores algo que você não sabe“. Mike D’Antoni não é o Rick Carlisle, ele não é uma enciclopédia de basquete pronto para fazer jogadas de todo o tipo, ele tem um estilo de jogo, uma filosofia e o Knicks sabia disso quando o contratou.

E insisto nessa questão do estilo porque já estão colocando a culpa nele em coisas que não tem nada a ver. Quando eles perderam para o Suns cornetaram o D’Antoni porque ele pediu para o pivô e o armador sempre trocarem no pick-and-roll do Steve Nash com o Marcin Gortat, ou seja, ficou Tyson Chandler marcando Nash e Shumpert ou Fields acompanhavam o pivô polonês. “Um absurdo” que foi justamente a tática usada pelo Spurs em diversos momentos de todas as vezes em que eles eliminaram o Suns nos anos áureos do armador canadense. Com Duncan marcando Nash eles fechavam ângulos para passe e o forçavam a jogar sozinho. Muitas vezes ele arremessava na cara de Duncan e fazia, mas a longo prazo valia a pena. Dava certo também porque Tony Parker não ficava isolado contra Stoudemire, a ajuda vinha de todos os lados. Ou seja, é uma estratégia perfeitamente normal se bem executada. E, como já afirmamos antes, a defesa do Knicks tem melhorado nesse ano desde que o assistente técnico Mike Woodson chegou com essa responsabilidade.

O ponto é que os olhinhos do time brilharam com a chance de contratar Carmelo Anthony e depois com a possibilidade de ter um pivô que já levou um time ao título em Tyson Chandler. São bons jogadores, claro, mas não tem nada a ver com o estilo de jogo de D’Antoni e ainda não se entrosaram entre si. Para o Knicks sair desse marasmo as soluções podem ser duas: Uma é demitir o D’Antoni e achar um técnico que saiba o que fazer com o elenco (Phil Jackson e Larry Brown já são nomes sonhados), a outra é uma troca que traga um armador que saiba conduzir o time. Baron Davis pode ser ele, mas ainda demora para voltar da contusão, e outro ponto é o mesmo do Lakers, trocar quem? Eles não vão trocar seus queridos Melo ou Chandler, e Stoudemire tem uma cláusula de contrato em que pode vetar qualquer troca com o seu nome. O mais provável é que D’Antoni tenha vida curta no banco de Nova York.

Não quero com esse post defender D’Antoni e Mike Brown, que já critiquei durante anos por serem limitados. Têm o defeito de justamente não saber se adaptar ao elenco e precisar das coisas muito certinhas para darem certo. Mas pense bem, se eu que sou um blogueiro idiota sei disso, vai dizer que Knicks e Lakers não sabiam? Apostaram e não deram as peças necessárias. No caso do Lakers é ainda pior, já que tiraram Lamar Odom dizendo que era a primeira parte de uma troca maior que nunca aconteceu, o elenco é pior do que aquele que já ralou um bocado sob o comando de Phil Jackson no último ano, cobrar um time pronto para o título e ainda sem tempo de treino é pedir demais.

Lakers e Knicks, dois times grandes que, ao lado do Boston Celtics, eram exemplos de como equipes de mercado grande conseguiam se fortalecer mais do que os de cidade pequena, mas estão na sombra de Indiana Pacers, Philadelphia 76ers e Denver Nuggets até agora nesse começo de temporada e as perspectivas de melhora não são das mais animadoras.

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– Pode chorar. Chora. 

Se eu pudesse definir o Philadelphia 76ers em uma palavra, seria “correto”. Ele é aquele aluno certinho que faz tudo o que o professor manda, na hora que ele manda, do jeito que o mestre quer. Não questiona muito, respeita os horários e consegue os resultados. Não sou muito fã de alunos assim, ele seria jogado no lixo e tomaria cuecão na maioria das escolas que eu conheço, mas com o Sixers é mais legal por causa do professor que tem o saco puxado, Doug Collins.

O Collins era o meu comentarista de jogos favorito por anos e anos, nunca mais engraçado que o imprevisível Jeff Van Gundy, mas sempre com análises muito precisas dos jogos. Talento de técnico mesmo. Uma coisa é fazer o que a gente brinca de fazer no blog: ver uma dúzia de jogos do mesmo time, ler sobre ele e depois opinar sobre o que viu e estudou, outra é ser um técnico que tem que perceber tudo durante a partida, ao vivo, e fazer os ajustes necessários. Perdemos com ele voltando a treinar no ano passado, mas o Sixers ganhou muito.

O Doug Collins sempre gostou de montar boas defesas, foi assim em todos os times que trabalhou. Primeiro no Chicago Bulls do começo da carreira de Michael Jordan no fim dos anos 80, onde chegou a ter a 2ª defesa mais eficiente da liga em 1987-88. No Detroit Pistons do meio dos anos 90 sempre manteve eles dentro dos 10 melhores na categoria. Só com o Washington Wizards do Jordan quarentão que os números foram fracos, mas com aquele time era difícil fazer milagre. Outra característica de Collins foi de usar alas na função de armar o jogo, chamar jogadas e deixar armadores livres para outras funções. Deu certo com Michael Jordan no Wizards e Bulls e também com o Grant Hill no Pistons.

No Sixers ele teve a chance de repetir tudo isso. O time abraçou seus conceitos defensivos e se dedica ferozmente a marcar demais. Hoje os adversários do Sixers acertam, em média, apenas 40% dos seus arremessos, melhor marca da NBA. Individualmente eles também tem grandes defensores, especialmente Thaddeus Young (que Collins disse que merece consideração como um dos melhores defensores da NBA) e Andre Iguodala (que merece ganhar o prêmio de defensor do ano ao fim da temporada se continuar assim). Iggy é também o ala que arma o jogo para o time, como nos outros times de Collins. Mas que fique claro que o sistema do Sixers não é tão focado em drible e um jogador controlando a bola e o jogo. Eles funcionam mais com passes, com todos participando e se mexendo sem parar. Mas se alguém segura a redonda mais tempo são Iguodala no time titular e Evan Turner com os reservas.

Os esquema de passes dão certo porque ninguém no time age como estrela. Na prática apenas Iguodala e Louis Williams tem liberdade total para forçar arremessos durante os jogos, mas eles não costumam fazer isso a não ser que seja realmente necessário. O Sixers na maioria das vezes parece um time universitário que, com respeito (e um pouco de medo) do treinador, faz tudo o que é ordenado. Essa obediência até tem indicado uma melhora deles no jogo de meia quadra. No ano passado eles eram muito dependentes dos pontos de contra-ataque, mas hoje podem fazer mais. Ainda são o 4º time que mais faz pontos na transição (18 por jogo), mas estão conseguindo oferecer mais. Os constantes pick-and-rolls, às vezes uns 3 ou 4 na mesma jogada, tem sido muito eficientes. As jogadas que envolvem hand-offs (quando um jogador recebe a bola e solta para o companheiro na sua mão) com o Spencer Hawes são uma grata novidade em relação ao time do ano passado também.

Na última temporada esse time se construiu aos poucos, com melhora gradativa mês após mês, nesse ano já começaram voando. Além do entrosamento, um dos responsáveis por um começo tão bom, uma melhora só seria possível com evolução individual dos atletas. Com o elenco basicamente idêntico ao que foi 7º no Leste em 2010-11, era necessário crescer dentro do próprio elenco. A nova jogada usando Hawes não é por acaso, ele é um dos que abraçaram a ideia.

O pivô, que depois de animador começo de carreira no Sacramento Kings havia estagnado, voltou a mostrar jogo nessa temporada. Está com médias de 10.4 pontos, 8.7 rebotes, 3 assistências e 1.6 tocos, as últimas três são as melhores da carreira e em pontos está um abaixo do que fez no seu segundo ano na NBA. A diferença é que hoje ele o faz com 59% de aproveitamento nos arremessos, quase 15% a mais do que em qualquer outro ano seu na liga. Hawes é o 3º que mais evoluiu em rebotes em comparação ao ano passado (+3.2), o 6º que mais cresceu em tocos (+0.6), o 10º que mais melhorou em porcentagem de arremessos (+14%) e o terceiro que mais cresceu em eficiência (+10.3). É um claro candidato a jogador que mais evoluiu em relação à última temporada.

Uma história legal é como ele treinou para melhorar isso. Primeiro, fisicamente, ele adotou o programa que o próprio Sixers oferece a seus jogadores e o manteve durante o locaute. O programa inclui desde yoga e natação até boxe. Dizem que desde que ele entrou de vez no programa, na metade da última temporada, ganhou mais explosão, velocidade e sua gordura corporal desapareceu. Com o físico perfeito ele resolveu treinar a parte técnica. Garoto de Seattle que é, usou o contato que tinha com um dos maiores ídolos da história da cidade e foi treinar com Shawn Kemp.

Em uma matéria da CSNPhilly.com Hawes comentou o que o fez correr atrás de melhora. “Quando eu cheguei na NBA eu tinha expectativas maiores do que aquilo que eu produzi, especialmente no último ano. Individualmente e estatisticamente. Decidi que nesse ano algumas coisas tinham que mudar, eu deveria começar a evoluir e mudar para o caminho certo”. Shawn Kemp disse que já havia um tempo que ele estava na orelha de seu pupilo, e durante o locaute os dois juntos decidiram que era a hora de fazer algo. Nada muito técnico como quando vemos o Hakeem Olajuwon ensinando jogadas de garrafão para alguns interessados, o negócio era jogar 1-contra-1 do jeito mais agressivo possível.

Eles se reuniam em um ginásio, pisavam no garrafão e começavam a se empurrar, cotovelar e mostrar o arsenal de jogadas que cada um tinha. Foi o jeito que eles encontraram para dar a confiança para Hawes voltar a jogar próximo à cesta e não viver apenas do seu arremesso de longa distância, que é bom mas é pouco para um pivô. Hawes com confiança no garrafão melhora a defesa do time, os rebotes e dá uma opção nova de ataque. Era um tipo de jogador que eles não tinham na última temporada e que ganharam mesmo sem contratar ninguém.

Porém, a questão que não quer calar: Tudo isso vai levá-los até onde? O bom começo pode dar uma posição melhor que o 7º lugar do ano passado. A decadência do Celtics e a demora do Knicks em embalar podem dar para eles umas posições extras, o Pacers ainda está se acertando e o Magic pode quebrar no meio a qualquer ponto da temporada. Ou seja, a chance é até de que consigam ficar entre os 4 primeiros.

Mas temos que lembrar que até agora eles não enfrentaram grandes times. Suas 3 derrotas na temporada vieram para Blazers, Jazz e Knicks, enquanto venceram apenas Suns, Warriors, Hornets, Pistons, Raptors, Kings, Wizards (2 vezes) e Pacers, esse sim um time que também vai bem na tabela. Ou seja, ainda não sabemos como eles vão se sair contra os times mais fortes. Um bom desafio acontece nessa semana. Após pegar o Bucks na segunda-feira, os próximos adversários são Nuggets, Hawks e Heat. Vai ser a hora da verdade.

O Sixers está jogando muito, não é culpa deles pegar times mais fracos no começo, mas vai ser nesses jogos mais complicados que vai dar pra medir até onde vão as chances deles. Times sem nenhum All-Star como o Sixers só conseguem ir muito longe quando não só estão muito entrosados, mas quando os antigos role-players começam a agir como estrelas. Foi assim que o Pistons de 2004 passou de um time-sem-estrelas para um com 4 jogadores no All-Star Game do ano seguinte. É raro, mas possível.

Alcançar esse patamar é uma combinação de entrosamento, bom técnico, esquema tático definido e jogadores interessados em melhorar individualmente. No caso citado do Pistons: Larry Brown, defesa eficiente, Ben Wallace se tornando o melhor defensor do mundo e Chauncey Billups acertando todos os arremessos decisivos. Ou seja, o que vimos em Spencer Hawes precisa acontecer com todo mundo. Para o Sixers encarar os momentos de brilhantismo de, sei lá, Derrick Rose ou LeBron James em séries de playoffs, por exemplo, precisa que seus próprios jogadores sejam capazes de crescer e até, por alguns momentos, serem um pouco menos obedientes a seu mestre para improvisar quando necessário. Já sabemos que o Sixers vai complicar a vida de qualquer time que passar na frente deles, acompanharemos de perto para saber se podem mais do que só incomodar.

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Rubio enfia o dedo na bola para que ela o obedeça. Funciona.

Podemos criticar quando há expectativas demais sobre um jovem atleta, mas às vezes não há como evitar. Como ignorar o Neymar jogando tudo o que joga com menos de 20 anos? Sabemos que ele é jovem, que não tem cabeça e que ainda pode melhorar muito ou empacar, como já empacaram tantos talentos promissores e precoces. Mas gostamos de futebol, queremos ver o próximo gênio, é difícil controlar a excitação e a empolgação.

No basquete não é diferente. O assunto mais comentado desse começo de temporada no Bola Presa e qualquer outro site de NBA no mundo é o novato Ricky Rubio. O armador espanhol tem nos encantado e não poupamos elogios para as primeiras 10 partidas do espanhol no Minnesota Timberwolves. Mas por que tanta babação de ovo, né? O que ele faz de tão especial além de dar passes lindos, curar o câncer e ajudar velhinhas a atravessar a rua?

O mundo ficou boquiaberto quando o armador espanhol levou a seleção de seu país ao título Europeu Sub-16 em 2006 com os seguintes números na final contra a Rússia: 51 pontos, 24 rebotes, 12 assistências, 7 roubos e uma bola de 3 do meio da quadra que levou o jogo para a prorrogação. Sim, Ricky Rubio fez tudo isso. Liderou o torneio em todos esses quesitos, registrou 3 triple-doubles ao longo da competição e um quadruple-double. Nesse mesmo ano ele já jogava entre os profissionais e no ano seguinte era o líder da ACB Espanhola em roubos de bola. Dois anos depois foi titular da sua Seleção Adulta na final Olímpica contra os EUA. E pior, jogou bem aquela partida. Tem como não criar expectativas enormes?

A comparação com o Neymar que fiz no começo tem também outra razão. Os dois começaram chamando a atenção não só pelo talento, mas pelas jogadas de efeito. O Rubio adolescente adorava um passe diferente, um enfeite que rendeu comparações (exageradas e precoces, como sempre) com o lendário Pete Maravich, cara que foi grande jogador mas ficou mais famoso por dar os passes mais malucos da história da NBA. Porém, assim como cobraram que Neymar aprendesse a chutar, ser objetivo e amadurecer, pediram o mesmo de Rubio. E para sobreviver no basquete europeu isso era essencial. Assim, Rubio, com míseros 18, 19 anos, era um armador cauteloso, cerebral e eficiente. Bem mais chato do que a gente esperava, mas conquistava seu espaço.

Aí de repente ele empacou. Desde que foi draftado em 2009, quando decidiu ficar na Espanha por mais algum tempo, pareceu não evoluir mais. Virou, com razão, coadjuvante no Barcelona e na seleção espanhola. Era difícil explicar sem teorias inventadas como “Deve ser algo na vida pessoal” ou “Ele sentiu a pressão e a expectativa”. Sei lá, mas estava mal e burocrático demais nas suas últimas temporadas europeias.

Mas como uma boa palestra motivacional que é a vida, isso parece ter feito bem para o Rubio. Em entrevista ao Adrian Wojnarowski do Yahoo!, Rubio disse que foi uma temporada em que “o jogo me testou e eu precisava disso”. E, falando sobre seus vídeos na adolescência, o jovem adulto falou com certa nostalgia: “Eu vejo aquele jogador e ele não parece se incomodar com o que os outros dizem. Não se importa com o que vai acontecer caso cometa um erro. Naqueles jogos de quando eu era jovem pareço não me importar com nada”. 

E as coisas pareciam não melhorar com ele indo para a NBA. Ao contrário de Luis Scola, Pau Gasol, Dirk Nowitzki ou, indo mais para trás, Vlade Divac e até jogadores mais consagrados como Arvydas Sabonis, nenhum outro europeu chegou na NBA com tanta expectativa. Nem Andrew Bogut e Andrea Bargnani, que foram escolhas 1 de Draft, tiveram tanta mídia em cima quanto Rubio. O único gringo de atenção comparável antes de sua estreia foi Yao Ming, e sabemos como ele sofreu com a pressão no seu começo de vida nos EUA.

O curioso é que acabou sendo o oposto. Ricky Rubio também sentia muita pressão na Europa, até demais. E segundo ele na mesma entrevista já citada, o tempo que ele passou treinando na Califórnia durante o locaute foi essencial para que ele se transformasse. Lá ele pode treinar sozinho, sem outros assistindo e julgando, poderia errar, arriscar, relaxar e voltar a ser o Rubio adolescente. Também aproveitou o locaute para treinar com outros jogadores da NBA (a matéria cita Kevin Garnett, Paul Pierce, Derek Fisher e Chauncey Billups) e ganhar tranquilidade e confiança para essa nova fase da carreira.

O que vimos até agora nesses primeiros jogos é muito mais o Rubio de 17 anos do que o do ano passado. A apreciação que a NBA dá a quem joga bonito, o incentivo para que se arrisque, é justamente o que ele precisava. Na Europa (e no Brasil, diga-se de passagem) as jogadinhas bonitas recebem aplausos quando dão certo, claro, mas é uma frescura, não um recurso, e os técnicos pegam no pé de quem se arrisca demais. Claro que na NBA as coisas precisam dar resultado e os técnicos cobram vitória, mas uma enterrada ou ponte aérea que não dê certo não é motivo de bronca ou punição. E quando dá certo vira notícia, vídeo mais visto do YouTube e os companheiros de time te amam e te respeitam mais.

O Ricky Rubio estava com vontade de mudar e não foi só para um liga onde a mudança seria mais aceita, mas para o time que buscava isso. Contei esse causo no nosso último Podcast, mas repito aqui. O David Kahn, criticadíssimo General Manager do Wolves, disse que uma das coisas que ele busca é fazer da franquia um lugar onde os jogadores queiram ir. Ele sabe que o time não tem tradição, fama e nem fica em uma cidade onde todos querem viver. Então para compensar eles querem tratar bem os jogadores, ter um ambiente agradável de trabalho e ter um estilo de jogo que os atletas sintam prazer em atuar. Por isso que eles trocaram o Jonny Flynn, que ficaria sem espaço no time e precisava jogar. Por isso contrataram o Rick Adelman como técnico também. O experiente treinador sabe lidar com jovens e sempre dirigiu os times mais velozes, criativos e ofensivos da NBA.

A entrevista completa em que o David Kahn explica isso é justamente para um de seus maiores críticos, o Bill Simmons da ESPN, e vale a pena ser ouvida. Lá ele também comenta sobre o Rubio e de como não se assustava com ele jogando mal na Europa, que uma má fase era normal para um garoto tão jovem. A aposta deu muito certo. O Wolves voltou a aparecer positivamente na mídia, o time joga bonito, com velocidade e não é difícil imaginar Free Agents cogitando ir para lá para poder atuar sob o Rick Adelman, jogar ao lado do Kevin Love e parecer bom por receber passes de Ricky Rubio. Assim como Channing Frye e Jared Dudley devem seus contratos a Steve Nash, e Kenyon Martin e Richard Jefferson sua fama a Jason Kidd, Rubio vai fazer uns companheiros milionários também.

Entender como os três, Adelman, Love e Rubio, se encaixam é essencial para explicar esse sucesso. Rick Adelman incentiva seus times a correr. Logo após o rebote (do Love, claro) já é possível ver Rubio batendo palmas para receber logo a bola e partindo em velocidade para o ataque. Lá ele encontra jogadores que podem se posicionar em qualquer lugar da quadra: Wayne Ellington, Michael Beasley, Derrick Williams e até Anthony Tolliver, todos, são velozes, sabem infiltrar e tem um arremesso de longa distância. Eles podem se espalhar pela quadra e só esperar que a visão de jogo do Rubio faça o resto. Ou melhor, quase todo o resto. Depois de enxergar é preciso que o passe chegue na medida e nisso Rubio é excepcional. Poucos na NBA, só caras do nível de Steve Nash e Rajon Rondo, conseguem dar passes com uma só mão, na corrida, com a mesma precisão de Rubio. E falo isso sem exagero, por observação pura.

A habilidade de passar a bola assim deixa o time mais rápido. Ele só precisa ver para quem quer passar e um segundo depois a bola está lá, um armador mais comum precisa diminuir a velocidade, colocar as duas mãos na bola e se esforçar para fazer o passe chegar na altura certa.

Outros detalhes fazem Rubio chamar tanta atenção, e isso temos que creditar a seus anos de rigidez na Europa. Ele tem paciência. Quer correr, é incentivado a correr, mas para no meio do caminho se não existe boa oportunidade. Sua paciência também tem dado resultado na outra jogada essencial do Rick Adelman, os intermináveis pick-and-rolls. Por entender bem o jogo, sabe reconhecer quando não passar para o Darko Milicic se o garrafão está congestionado, ou passa a bola do outro lado da quadra se a defesa adversária se fechou toda para evitar a jogada. Também sabe usar bem o pick-and-pop com o Kevin Love e o espaço no garrafão que essa jogada abre. E, pasmem, até está fazendo a defesa pagar quando não o defendem na jogada, indo por baixo do bloqueio. Se o deixam livre ele chuta mesmo de 3 pontos e tem 50% de aproveitamento na temporada.

Outra coisa muito Steve Nash (um dos maiores elogios que um armador pode receber) do Rubio é que ele não desiste do drible por qualquer coisa. Isso, junto com a ótima visão de jogo, são essenciais para que os times sempre pensem mil vezes antes de tentar pressionar ou dobrar a marcação sobre ele. E aí acontece o mesmo que com Rajon Rondo: quanto mais espaço dão, mais passes incríveis ele acha.

Os arremessos, que todos achavam que ele não acertaria, já vimos que estão caindo. Outra coisa que achavam que ele não saberia fazer bem é defender, mas até agora ele tem se saído bem. Nada fora de série, não anula ninguém, mas já enfrentou gente de alto nível, mais forte e mais rápida, e ele se garantiu. Curioso que isso se explica porque ele entende o jogo e sabe se posicionar. E pensem bem, compensar deficiências técnicas ou físicas com entendimento de jogo não é o tipo de comentário que fazemos para caras com 35 anos e uma vida de experiência na NBA? O NBA Playbook fez uma análise tática completa dos primeiros jogos do Rubio e postou um vídeo rápido de jogadas em que ele defende o Russell Westbrook e o Brandon Jennings. Não se sai nada mal.

Ricky Rubio não é perfeito, mas merece todos os elogios que recebeu até agora e em breve deve curar o câncer.

O que fazer com Dwight Howard

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Dwight Howard tem cosquinha

Minha relação com o Dwight Howard é cheia de altos e baixos: já cansei de criticar o pivô pela falta de evolução no seu jogo, mas já cansei de babar pela sua recente capacidade de mudar os rumos de uma partida sozinho. Tem sido assim entre nós mesmo antes dele entrar na NBA: com os relatos de olheiros antes do seu draft, fiquei preocupado com os avisos de que ele era muito sério e religioso, mas assim que se acostumou com as quadras da NBA fiquei fascinado com o modo como ele se diverte em quadra. Sua capacidade atlética sempre foi impressionante, mas o avanço de aspectos básicos do seu jogo é mais lento do que o Ilgauskas correndo embaixo d’água.

Hoje em dia, mesmo com nossa relação de novela mexicana, já não posso mais negar que Dwight Howard seja o melhor pivô da NBA, independente de quais defeitos possa ter em quadra. O que eu posso negar, e com prazer, é a função de Dwight nesse Orlando Magic e as premissas básicas do time. Por isso é que, antes de mais nada, é importante colocarmos na mesa as facilidade e as dificuldades do pivô para sabermos como funciona a parceria entre o Magic e ele.

Pra começar, Dwight Howard não é um grande defensor individual. Quando outros pivôs jogam de costas para ele, Dwight é facilmente enganado, comete muitas faltas e tem certa dificuldade em manter sua posição. Mas com sua capacidade atlética alienígena e velocidade lateral absurda, é um excelente defensor na cobertura, bloqueando ou ao menos alterando grande parte dos arremessos de jogadores que partem em direção à cesta ou que passaram pelos outros defensores. Não vou entrar nos méritos do Dwight merecer ou não o prêmio de melhor defensor da NBA, basta apenas que entendamos que ele joga bem um tipo de defesa e é bastante fraco em outro. Cabe ao Magic, portanto, saber explorar isso. Jogadores grandes mas pouco atléticos, como Yao Ming era, são excelentes para defender o aro quando o resto da equipe afunila a defesa em dua direção. Dwight, ao contrário, é excelente quando a defesa não leva os jogadores para ele, permitindo que ele venha do lado oposto para bloquear os arremessos. Disso percebemos que o Magic se beneficiaria de uma defesa por zona que permitisse ao Dwight se movimentar para os dois lados do garrafão cobrindo os outros defensores. Não é o que acontece no Magic dos últimos anos.

No ataque, o Dwight é uma força da natureza (como um tsunami ou a Alinne Moraes) quando briga por rebotes ofensivos e pontua em seguida, quando recebe passes logo abaixo da cesta ou então acima do aro, e quando recebe a bola em movimento após fazer um corta-luz na cabeça do garrafão. Nessas situações o pivô pode usar sua explosão, pular por cima de seus defensores ou então ganhar espaço com sua força física antes de pular para pontuar. Quando está de costas para a cesta, ou com um pé para fora do garrafão, aí ele encontra sua kryptonita: seus insistentemente treinados arremessos usando a tabela não são nem um pouco confiáveis, seus movimentos batendo em direção à cesta geram muitos desperdícios de bola e acima de tudo lhe falta uma visão de jogo capaz de passar a bola para o perímetro quando a marcação aperta. O que concluímos com isso, crianças? Que isolar o Dwight Howard com um pé fora do garrafão é furada, que ele não pode ser o principal foco do ataque, e que é verdadeiramente efetivo quando recebe bolas apenas quando bem posicionado abaixo do aro ou nos rebotes ofensivos.

No entanto, esse Magic não foi criado com isso em mente – e mesmo assim tem tido enorme sucesso, o que é assustador. Vale uma breve retrospectiva: quando Dwight começou a ser fodão, especialistas começaram a dizer que faltava apenas um grande arremessador de três pontos para tornar o Magic um forte candidato ao título. Com isso em mente os engravatados começaram a investir em vários jovens arremessadores e ofereceram uma grana absurda para o Rashard Lewis, na época um excelente arremessador que segurava o Sonics nas costas junto com o Ray Allen. O contrato de 124 milhões por 6 anos foi absurdo, mas as equipes pagam qualquer coisa por aquela última peça que finalmente levará o time ao anel de campeão. Na temporada seguinte à chegada do Rashard Lewis, o Magic foi campeão do Leste, mesmo com o Rashard não jogando lá grandes merdas, e perdeu para o Lakers na grande final. Com um jogador dominante no garrafão e bons arremessadores, faltava então um jogador capaz de criar o próprio arremesso para decidir os jogos no final, tarefa que Dwight não conseguia executar. Contrataram o Vince Carter, que havia transformado sua imagem na liga, e que era capaz de dar os arremessos finais. Mesmo com o Carter atrapalhando o ritmo da equipe às vezes e não tendo medo de dar uns arremessos idiotas, o Magic chegou na final do Leste de novo e perdeu para o Celtics.

O Magic não insiste nunca no mesmo erro, sempre muda alguma coisa. Trocaram então por Jason Richardson e Gilbert Arenas, fortalecendo o perímetro e em busca sempre de alguém capaz de criar o próprio arremesso. Aí o time foi um desastre, perdeu na primeira rodada dos playoffs passados, e pior de tudo é que foi para o Hawks, que nem é uma equipe de basquete de verdade.

A equipe de Orlando tem bagos de jumentinho, sem medo de arriscar, de contratar, de trocar. Percebe suas falhas e tenta conseguir peças que arrumem o que está quebrado. Mesmo com alguns problemas óbvios, conseguia chegar longe nos playoffs porque é um baita time, mas isso não basta. Ao chegar na Final da NBA mas perder feio feio, resolveu colocar tudo em risco para aumentar sua chances de título. Não é um time disposto a ficar no “quase”. Genial, ponto pra eles, eu também queria ter oito testículos quando eu crescer. O único problema é que eles mudam tudo, menos a base em que a equipe foi formada: um jogador forte no garrafão que abra espaço para arremessadores. E o Dwight Howard não é o jogador ideal para esse estilo de jogo pelos motivos que vimos acima: dificuldade em colocar a bola nas mãos dos arremessadores e dificuldade de criar pontos de costas para a cesta.

Como resultado disso, temos um time que usa demais os arremessos de três pontos. Quando a bola chega no Dwight e gera desperdícios (ou então, cada vez mais frequentemente, lances livres errados porque todo mundo aprendeu que é melhor encher o Dwight de porrada), o elenco perde o ritmo e começa a despencar no placar. É normal que o perímetro então acabe segurando a bola, esperando o momento certo de um chute de três, acione pouco o Dwight e acabe até perdendo as melhores chances de usar o pivô, quando ele consegue espaço abaixo do aro, afinal os jogadores são todos arremessadores e não armadores capazes de reagir às defesas. É um efeito dominó: bolas de três pontos são inconstantes, podem vencer um jogo ou perdê-lo de um minuto para o outro, e não são o arremesso certo quando você precisa de uma bola de segurança em um jogo disputado nos playoffs. Como todo mundo no Magic está focado nos arremessos de três, o Dwight se acha o mais indicado para essa “bola de segurança” e portanto quer receber a bola no final dos jogos, quer ser mais acionado no ataque, quer ser o foco ofensivo. Quando isso acontece, no entanto, o resto do elenco fica lá no perímetro olhando e o Magic perde sua maior arma, que são os arremessos de longe.

O Dwight está de saco cheio, já há duas temporadas dizendo que não é usado ofensivamente como gostaria. Mas nas vezes em que foi usado, o Magic se desmonta e é um time muito mais frágil, que comete muitos erros, de ritmo truncado e sem jogo no perímetro. Nesse modelo, o Dwight sempre vai estar descontente: ou ele recebe pouco a bola e o time ganha mas é inconstante, ou ele recebe mais a bola e o time é mais fácil de ser vencido.

Contra equipes com garrafão muito fraco, como o Houston, o Bobcats ou o Raptors atuais, o Dwight pode vencer o jogo sozinho numa boa, como fez nessa temporada. Mas contra as equipes de garrafão mais forte, e por 7 jogos no caso dos playoffs, o Dwight simplesmente não pode receber a bola constantemente no ataque sem sua equipe ser punida duramente. As derrotas do Magic até agora na temporada  vieram para a marcação do Kendrick Perkins e ontem para o Pistons, com Ben Wallace e Jonas Jerekbo.
Mas o Dwight Howard está descontente ao ponto de pedir para ser trocado. Se quiser, o pivô pode encerrar o seu contrato ao fim dessa temporada e aí dar o fora para um lugar em que ele se sinta mais querido e melhor utilizado no ataque. O que o Magic pode fazer então?

A situação é ainda pior porque o trauma de perder Shaquille O’Neal ainda é fresco na carne. Draftado em 1992, Shaq levou o Magic para uma final da NBA (em que perderam feio para o Rockets de Hakeem) e para uma outra final do Leste (em que perderam feio para o Bulls de Jordan). Depois disso, em 96, o contrato de Shaq terminou e ele se pirulitou para o Lakers onde julgava ter mais chances de título e supostamente não teria que dividir o papel de líder da equipe com ninguém (no Magic, havia um jovem Penny Hardaway). O Magic levou uma década para se recuperar da saída do Shaq, e foi justamente com a chegada de outro pivô dominante e bonachão, que os levou de novo a uma derrota na final do Leste e outra na final da NBA. Coincidência? E você que pensava que o mundo real não era igual a novela da Globo…

Manter o Dwight a todo custo, tentando convencê-lo de que esse elenco atual pode ser campeão em breve,  é o que o Magic decidiu fazer. Ignorou seus pedidos de troca, estreitou a comunicação com o jogador, e está focado na atual temporada. Mas e se der tudo errado e o Dwight der o fora ao fim da temporada? E se o Dwight fizer o que fez Shaquille O’Neal, ou LeBron James com o Cavs, que foi um trauma mais recente? O Magic fica sem nada a não ser um bizarro elenco formado apenas de arremessadores. Para evitar esse tipo de coisa é que o Nuggets trocou Carmelo Anthony e o Hornets trocou Chris Paul, ninguém quer sair com as mãos abanando como saiu o Cavs.

O Magic só tem duas coisas que pode fazer. A primeira é trocar o Dwight até a data limite permitida para trocas na NBA, que será 15 de março nessa temporada. Ofertas por ele já estão na mesa, especialmente uma do Nets que incluiria o jovem pivô Brook Lopez. Outras ofertas devem aparecer, especialmente de times novos e ruins, mas o Dwight pode dizer que não assinará contrato com essas equipes, e aí o Magic não conseguirá trocá-lo. O pivô já avisou que gostaria de ir para os times de sempre, Knicks e Lakers, mesmo se esses times não tiverem nada especial para mandar em troca. É claro que as duas equipes podem esperar o contrato do Dwight acabar para que ele vá para lá por livre e espontânea vontade, mas sempre há a chance de um time aleatório conseguir uma troca e convencer o Dwight a ficar, como aconteceu com o Clippers e o Chris Paul. O Magic pode esperar até a data limite para que times desesperados façam melhores ofertas, mas se nada bom surgir é possível que Knicks e Lakers não mandem nada esperando que o Dwight vá para lá sozinho na temporada que vem.

Outro problema de trocar o Dwight é que o Magic não é uma equipe em reconstrução, pelo contrário, é uma equipe preparada para disputar títulos imediatamente. O Magic está atolado em contratos longos com jogadores secundários e arremessadores, tudo na crença de que o Dwight fique para sempre como força no garrafão. Sem Dwight, o que fazer com esse monte de jogador mais-ou-menos e essa coleção imensa de arremessadores? É por isso que faria sentido para o Magic não trocar por pirralhada, como é o costume, mas sim por outra presença no garrafão – talvez uma que até se adeque mais a esse esquema “isolar um pivô lá embaixo para abrir espaço para os arremessos”. Andrew Bynum seria perfeito (embora oficialmente o Lakers diga que nunca, nunca, nunca ofereceu Bynum por Dwight) e, para mim, Brook Lopez seria fantástico nesse esquema. Ele sabe criar o seu espaço, tem um arremesso de média distância completamente mortal, e poderia ser isolado ali com um pé para fora do garrafão onde o Magic insiste em isolar o Dwight. Na defesa o Brook Lopez é muitíssimo pior, quase medonho, mas se sairia muito bem no esquema atual do Magic de só usar o pivô como um cara grande lá embaixo para intimidar as infiltrações. A oferta do Nets parece permitir que o Magic mantenha o esquema atual, as chances de título, e o Brook Lopez até se encaixa melhor nessa bagunça que o Magic quer fazer. O maior obstáculo para essa troca é que o Brook Lopez quebrou o pé direito e deve voltar muito próximo da data limite para trocas – mas andei lendo por aí que ele não deveria voltar antes de junho, e que se estiver em quadra antes será algo perigoso e forçado apenas para tentar a tal troca pelo Dwight. O Magic teria que trocar sabendo que essa temporada foi pro saco, que o Brook Lopez não está em condições. Se for pra fazer isso, então é melhor trocar agora mesmo, imediatamente, e jogar a temporada no lixo mesmo em busca de uma escolha de draft.

Se não trocar o Dwight, que é outra opção possível, o Magic precisa ir longe nos playoffs para provar para o pivô que ele está no lugar certo. Como fazer isso? Muita coisa precisa mudar. A primeira, e mais óbvia, é instaurar uma defesa por zona constante, o tempo todo mesmo, que permita ao Dwight ser verdadeiramente a maior força defensiva da NBA. Mesmo que leve uma temporada inteira para que ela funcione direito, seria algo mortal nos playoffs – e seria particularmente eficaz contra o Heat, atualmente o pior time em aproveitamento contra essa defesa. No ataque, todo o foco precisa mudar. O Dwight não deve mais ser isolado, e a bola não deve ficar girando no perímetro. O Magic precisa virar um time de pick-and-rolls constantes, como era o Suns de D’Antoni, com Jameer Nelson e Turkoglu atacando a cesta sem parar com corta-luz do Dwight, e soltando a bola para ele quando o espaço existir. Os arremessadores de três estarão a postos para o espaço criado pelo pick-and-roll, e não pelas movimentações de costas do Dwight Howard. Ryan Anderson é melhor do que o Rashard Lewis jamais foi nessa equipe e precisa ser envolvido no ataque, com jogadas para ele e o Dwight apenas nos rebotes. É uma mudança bem drástica de estilo de jogo, o Dwight precisa topar não ser isolado o tempo todo, mas vai perceber logo que receberá bem mais a bola do que jamais imaginou se seu jogo se concentrar em corta-luz na cabeça do garrafão. Resumindo: para o Magic ter reais chances e ter alguma chance do Dwight ficar, é preciso mudar de técnico. Adeus, Stan Van Gundy, você fede. Se o seu estilo de jogo continuar sendo executado, é melhor você se acostumar com a ideia de executá-lo com o Brook Lopez. Com o Dwight, o negócio é esse: defesa por zona e corta-luz. O resto pode até levar a equipe a uma outra final da NBA, mas de uma coisa temos certeza: não será o bastante.

Água no feijão

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Garnett vai dar pipoco em quem fez o calendário dessa temporada

Numa temporada convencional da NBA, cada uma das 30 equipes joga 82 partidas, metade delas em casa e metade delas na casa dos adversários. Adversários de conferências diferentes (um do Leste e outro do Oeste) se enfrentam duas vezes durante a temporada, uma em casa e outra fora. Mas os adversários da mesma conferência se enfrentam uma tonelada de vezes: são 4 jogos entre todos os times da mesma divisão, 4 entre times de divisões diferentes, mas quatro adversários de divisões diferentes só se enfrentam 3 vezes. Resumindo: enfrenta-se os 15 times da conferência rival duas vezes cada, 10 times da sua conferência quatro vezes cada, e 4 times da sua conferência mas de outra divisão três vezes cada. Ou seja, é uma bagunça.

Os motivos para essa zorra são principalmente dois: primeiramente, a NBA quer ter mais de 80 jogos na temporada para lucrar o máximo possível com ingressos e jogos transmitidos na televisão. O outro motivo é que os Estados Unidos são um país absurdamente grande, as viagens para que as equipes se enfrentem são muito complicadas, e ficam ainda mais complexas porque um time não pode visitar o outro caso ele também não esteja em casa, caso o ginásio esteja sendo usado para um evento de rodeio, ou caso times de hóquei estejam jogando no mesmo ginásio. Por isso os times que moram em lados diferentes do país se enfrentam menos, e os times que moram perto uns dos outros se enfrentam o máximo possível, já que precisam viajar apenas pequenas distâncias. Quando um time vai para a conferência oposta, é melhor que enfrente o máximo de adversários por lá e que volte aos poucos para casa, enfrentando outras equipes no caminho.

O homem responsável por encaixar os encontros de todas as equipes, garantir que possam se enfrentar nas datas certas e minimizar o número de viagens que cada equipe faz é um só: Matt Winick. O Denis escreveu um post fantástico analisando o trabalho do sujeito, que faz tudo sozinho com o auxílio apenas de um computador que, diz, o impede apenas de cometer alguma grande cagada.

Matt Winick faz o melhor que pode tendo que conciliar as viagens das equipes, os ginásios disponíveis, as requisições dos canais de televisão, as datas mais importantes para cada time, o cansaço dos jogadores e algum tipo de equilíbrio para que nenhuma equipe saia muito prejudicada. É impossível evitar alguns problemas, portanto: às vezes ocorrem jogos “espelhos” (times que se enfrentam duas vezes em sequência), “back-to-backs” (ter que jogar em dois dias consecutivos) ou até o temido “4-in-5” (quatro jogos em cinco dias, com um “back-to-back”, um dia de descanso, e aí outro “back-to-back”). Com décadas de experiência, Matt Winick diminuiu o número de “back-to-backs” e “4-in-5” ao que considera o mínimo possível: cada time joga no máximo 23 “back-to-backs” e 4 “4-in-5” por temporada.

Essas situações são reduzidas ao mínimo porque exigem demais fisicamente das equipes e podem ter interferência no resultado de um jogo. Enfrentar uma equipe que descansou por 3 dias seguidos é bem diferente de enfrentá-la no último jogo de um “4-in-5”, especialmente se a equipe correr muito, jogar em velocidade ou tiver jogadores mais velhinhos.

O pessoal do NBAstuffer tem um gráfico fantástico para medir o impacto do descanso no rendimento das equipes durante a temporada passada. Em geral, quanto maior o tempo de descanso, melhor é a eficiência ofensiva; e quanto mais cansadas as equipes estão, maior é a eficiência defensiva. Existem algumas aberrações nos gráficos, equipes com dois dias de descanso foram menos eficientes no ataque do que times no segundo dia de um “back-to-back”, mas times com 3 dias de descanso são os que rendem mais e os no terceiro jogo em 4 dias são os que rendem pior ofensivamente. Em termos de ritmo e de velocidade de jogo, o papel do descanso aparece ainda mais óbvio: com 3 dias de descanso as equipes saltam do gráfico soberanas, deixando muito para trás equipes que já vem de partidas jogadas.

É claro que o descanso por si só não ganha partidas e com uma temporada de 82 jogos todas as equipes estão sempre exaustas. Há uma tentativa clara de que haja equilíbrio, então um time que joga mais back-to-backs terá algum outro momento da tabela em que terá mais dias de descanso, o problema é que como os oponentes serão outros nos dois momentos, existe uma pequena influência.

Bem, os dados acima e o número de vezes que cada equipe se enfrenta funcionam para uma temporada comum na NBA, com 82 jogos. Mas como sabemos, a NBA acaba de sair de um locaute entre donos e jogadores que quase acabou com a estrutura do espaço-tempo, e portanto teremos uma temporada ultra-super-giga condensada, com apenas 66 jogos feitos na menor quantidade de tempo possível: 120 dias.

Não é a primeira vez que isso acontece: Matt Winick teve que criar outra temporada encurtada pela greve em 99, com 50 jogos em 89 dias. O grande problema dessas temporadas curtas é que ao invés de simplesmente poder cortar fora os jogos que ocorreriam no tempo perdido com as negociações da greve, interessa aos donos que seja jogada a maior quantidade possível de jogos no período que resta. Então se numa temporada de 82 jogos temos vários “back-to-backs” e “4-in5”, nessas temporadas condensadas temos ainda mais problemas com o calendário.

Pra começar a encrenca, a temporada 2011-12 de 66 jogos teve que repensar o número de vezes que as equipes se enfrentarão. As partidas entre equipes da mesma conferência ficam como eram, porque o grande problema da temporada encurtada é conseguir lidar com as viagens longas. Mesmo se fossem apenas todos-contra-todos duas vezes, como no nosso Campeonato Brasileiro por exemplo (e o modelo que tanto queremos pra NBA um dia), seria quase impossível admnistrar todas as viagens entre equipes que moram tão longe. Então as equipes de conferências diferentes se enfrentarão apenas uma vez – enfrentando apenas 3 equipes da outra conferência duas vezes. Quais equipes? Depende, é aleatório.

Além disso, a temporada terá 42 novíssimos “back-to-back-to-backs”, em que as equipes jogarão 3 partidas em 3 dias. Cada equipe terá pelo menos um desses durante a temporada. A quantidade de “4-in-5” também decolou, sendo que agora é possível jogar três jogos seguidos, descansar um dia, e aí jogar mais um jogo – além do que acontecia antigamente, em que se jogava dois dias, descansava-se um, e jogava-se mais dois. Com isso temos também os novíssimos “5-in-6”, com 5 jogos em 6 dias (reservado para apenas algumas equipes sortudas). É uma tabela cheia de aberrações.

Dentre essas bizarrices, temos 9 jogos em 12 dias para o Atlanta Hawks, o Celtics tem 8 jogos em 13 dias fora de casa, e o Raptors joga 19 jogos em 31 dias. Nessa tabela aqui, dá pra ver exatamente o que cada time vai enfrentar, para ver se sua equipe foi favorecida. Algumas jogam mais back-to-backs, outras mais back-to-back-to-backs, outras tem mais 4-in-5, alguns tem 5-in-6, mas só há uma certeza: não importa para qual time você olhe, tá uma merda. Todo mundo pode choramingar que sua equipe tá com um calendário pior do que a outra, mas a verdade é que não tá fácil pra ninguém. É como cobertor curto: quem tem mais dias de descanso tem sequências piores depois, quem joga em três dias seguidos não precisa enfrentar tantas sequências de quatro jogos em cinco dias, e assim por diante.

O que dá mais margem para reclamação é o fato de que todos os times só enfrentam duas vezes três equipes aleatórias da conferência rival. Afinal, enfrentar duas vezes o Cavs é bem diferente de enfrentar duas vezes o Heat. O blog “Eye on Basketball” analisou a diferença entre o aproveitamento na temporada passada de cada equipe e das equipes que ela enfrentará duas vezes nessa temporada, para ver quem em teoria pegou as maiores mamatas. Claro que as equipes não continuarão tão boas (ou tão ruins) quanto eram na temporada passada, mas dá pra ter uma ideia da disparidade que pode existir. Segundo o blog, os grandes favorecidos são o Spurs (que enfrenta duas vezes Cavs, Magic e Sixers) e o Bulls (que enfrenta duas vezes Hornets, Grizzlies e Kings). Os que mais se lascaram, por sua vez, são o Celtics (que enfrenta duas vezes Lakers, Mavs e Thunder) e o Thunder (que enfrenta duas vezes Celtics, Heat e Magic).

Juntando o calendário de cada equipe com os times diferentes que cada um enfrentará duas vezes, dá pra encontrar bastante disparidade. Cavs com 3 dias de descanso ou Heat no último dia de um 4-in-5? No fim, isso pode decidir uma colocação importante para os playoffs. Mesmo assim, o trabalho do Matt Winick é fantástico. Muitas das equipes de conferências diferentes que se enfrentam duas vezes têm uma rivalidade forte, terão esses confrontos televisionados e isso de algum modo deixa o calendário mais equilibrado para ambas. O único problema grave com o trabalho do Matt Winick é, bem, a porcaria da greve da NBA ter acontecido. Deixando de lado um pouco a questão de quais equipes são favorecidas pela bagunça do calendário, a certeza que temos é que todas as equipes estarão exaustas e jogando inúmeras partidas em dias seguidos. Como vimos nas estatísticas, a qualidade ofensiva e o ritmo dos jogos vai despencar, nos restando então equipes exauridas que focarão exclusivamente na defesa e que diminuirão ao máximo a velocidade do jogo. Esse será o ano das defesas – mas também será o ano das contusões (que devem começar em breve e se alastrar como praga pela liga) e dos jogos feios, das decisões ruins em quadra, dos desperdícios de bola. No começo estamos vendo muitíssimos erros porque as equipes não treinaram juntas; no final veremos muitíssimos erros porque as equipes estarão exaustas. A tentativa é de nos dar o máximo de NBA possível no tempo que resta, mesmo que a qualidade despenque no processo – sem treinamento, e sem descanso. Ninguém pensou em como será para os times velhinhos, como o Celtics, e nem qual será o nível de jogo quando a temporada estiver chegando no final e as colocações para os playoffs estiverem se decidindo.

Muito pior do que essas gambiarras em que nem todas as equipes se enfrentarão o mesmo número de vezes é essa diluição da qualidade das partidas: os engravatados simplesmente colocaram mais água no feijão pro prato render mais. Legal, estávamos todos famintos, mas a comida com certeza será menos saborosa esse ano. Vamos ao menos torcer para que algumas equipes cheguem vivas nos playoffs, senão vai ficar todo mundo arrebentado no sofá decidindo a temporada no videogame – bendito seja o NBA2K12.