Preview 2012/13 – Toronto Raptors

Continuamos aqui o melhor preview da temporada já escrito por um blogueiro gordo. Veja o que já foi feito até agora:

Leste: Boston CelticsCleveland CavaliersBrooklyn NetsIndiana PacersAtlanta HawksWashington WizardsChicago Bulls e Orlando Magic

Oeste: Memphis GrizzliesSacramento KingsDenver NuggetsGolden State WarriorsSan Antonio SpursLos Angeles ClippersPhoenix Suns e OKC Thunder

Até o esperado dia 30 de Outubro, quando teremos a rodada inicial da Temporada 12/13 da NBA, todos os times terão sido analisados profundamente aqui no Bola Presa.

Nesse ano vamos repetir uma ideia de uns vários anos atrás. Ao invés de só comentar as contratações e fazer previsões, vamos brincar de extremos: O que acontecerá se der tudo certo para tal time, qual é seu teto? E o que acontecerá se der tudo errado, onde é o fundo do poço? Em outras palavras, como seria um ano de filme pornô, onde qualquer entrega de pizza vira a trepa do século? E como seria um ano de novela mexicana, onde tudo dá errado e qualquer pessoa pode ser o seu irmão perdido em busca de vingança?

Hoje é dia de falar do time do único time que não fica nos EUA, o Toronto Raptors.

Toronto Raptors

 

 

 

 

 

Ninguém dá muita bola para o que acontece ou deixa de acontecer com o Toronto Raptors. E, vamos ser sinceros, existem motivos para isso: A imprensa americana não é de dar atenção para o único canadense da liga e há anos que o Raptors não dá motivo para que isso mude. Desde que entraram na NBA em 1996, foram para os Playoffs apenas 5 vezes e só passaram da 1ª rodada em 2001, quando o time liderado por Vince Carter foi eliminado pelo Sixers de Allen Iverson em 7 jogos na semi-final do Leste.

Uma das dificuldades do Raptors é que ninguém quer ir jogar lá. Mais ou menos como acontece com times como o Milwaukee Bucks, os jogadores preferem morar em uma cidade grande e vibrante como Nova York do que em outras consideradas tranquilas demais. E morar em outro país, embora seja só a um lago de distância, não anima muitos atletas também. A solução encontrada pelo Raptors para superar isso foi se transformar realmente no time mais internacional da NBA, não por acaso que nessa temporada o time terá 5 nã0-americanos. Desde 2009 que o Raptors tem pelo menos 5 gringos no elenco. Nessa temporada o garrafão titular terá o italiano Déia Bargnani e o lituano Jonas Valanciunas.

Mas ao mesmo tempo que o time se enchia de estrangeiros, seus números defensivos eram péssimos todo santo ano. Foi uma combinação cruel: Os jogadores europeus já tinham essa fama de, apesar de técnicos, fracos defensivamente. Quando o time com mais europeus na liga é ridículo na defesa, foi como se o mito não fosse mais mito. Pensando em corrigir isso que na temporada passada chegou ao time o técnico Dwane Casey, que na temporada anterior havia introduzido, como assistente técnico, a defesa por zona que guiou o Dallas Mavericks ao título da NBA. Era uma cartada precisa, Casey é especialista em defesa e gostava de um sistema muito mais comum na Europa do que nos EUA.

A missão, porém, não era nada fácil. O Toronto Raptors tinha sido a pior defesa da NBA em 2010-11 e Dwane Casey tinha que implementar um sistema de defesa novo justamente na temporada do locaute, quando o período de treinos e pré-temporada foi minúsculo e os jogos do campeonato todos embolados. Casey disse no começo da temporada passada que esperava uma melhora mínima, talvez levando o Raptors da 30ª para a 25ª melhor defesa da liga.

Mas para surpresa geral de todos, o Raptors virou uma potência defensiva. Em pontos sofridos por posse de bola, pulou da 30ª para a 14ª posição entre todos os times da NBA. Em total de pontos sofridos e em aproveitamento de arremesso dos adversários, acabou a temporada no Top 10.  Não deu Playoff porque aí apareceu a síndrome do cobertor curto. Andrea Bargnani se machucou, o ataque ruiu e o time teve a 2ª pior marca de pontos por posse de bola da liga.

Que fique claro, porém, que esses times que gostam de marcar por zona não o fazem durante todo o jogo. Isso não existe na NBA. Talvez em um jogo ou outro, com o outro time arremessando mal, ela possa ser usada por mais tempo, mas em geral é, como diz o próprio Dwane Casey, uma segunda opção. Algo que você faz no meio do jogo para forçar o adversário a sair de sua zona de conforto. Segunda dados do SynergySports, do meio da temporada passada, o time que mais usava a defesa por zona era o Golden State Warriors, que o fazia em 10% das posses de bola que defendia. O Raptors aparecia em com 7.5%. Então a zona ajudou o Raptors a melhorar defensivamente, mas não foi a única coisa responsável. Mas esse pouco tempo já serviu para irritar algumas pessoas. Após um jogo contra o Utah Jazz, Paul Millsap deu uma de Nezinho e disse “Zona é para times de escola, faculdade. Sejam homens, marquem homem a homem”. 

Para a temporada 2012/13 o objetivo é continuar a melhora defensiva, já que Casey disse que no último ano o time tinha pegado ” apenas uns 85% das complexidades da zona”. Mas, como citei antes, o ataque ainda é uma merda daquelas bem fedidas. Para ajudar com isso Casey conta com algumas novas contratações. Kyle Lowry, excelente armador que estava no Houston Rockets tem fama de ótimo defensor, mas nos últimos anos foi também espetacular na Princeton Offense de Rick Adelman. Ao contrário de José Calderón, antigo titular, faz bastante estrago atacando a cesta.

Outro que chegou foi Landry Fields. O ex-melhor amigo do Jeremy Lin teve dois anos de altos e baixos na carreira, basicamente foi bem quando era bastante usado por Mike D’Antoni e quando jogou ao lado de Lin, foi mal no time mais lento de Mike Woodson. Tecnicamente ele não é grande coisa, mas tem ótima percepção de jogo e se jogar em um esquema de jogo bem definido deve ajudar bastante. Falta saber também se veremos em Toronto o Fields que acertou 40% das bolas de 3 pontos na temporada 2010/11 ou que fez só 29% em 2011/12. Defensivamente Fields chega para a vaga deixada por James Johnson, que foi ótimo na temporada passada e recebeu pouquíssimo reconhecimento. Sabiam que JJ foi um dos apenas 8 jogadores a acabar a temporada passada com pelo menos 1 roubo e 1 toco de média? Kevin Durant, Kenyon Martin, DeMarcus Cousins, Andrew Bogut, Josh Smith, Dwight Howard e Dwyane Wade foram os outros.

O melhor pontuador do time, Andrea Bargnani, está de volta de contusão e sem se esforçar muito deve fazer seus 20 pontos por jogo. Se bem que, como Fields, ele teve uma boa carreira como arremessador de 3 pontos mas na temporada passada empacou nos 29%. O Raptors precisa de Fields, Bargnani e do novato Terrence Ross (já um dos arremessos mais bonitos da NBA, eu recomendo) para conseguir mais pontos de longa distância. No ano passado foram apenas 34% de aproveitamento de 3 pontos, 10ª pior marca da NBA.

Ao lado de Bargnani no garrafão estará o novato Jonas Valanciunas, uma das grandes promessas da NBA. O jovem lituano brilhou em todos os campeonatos internacionais de base, já jogou muito bem na Lituânia e teve alguns bons jogos nas últimas Olimpíadas. Na pré-temporada, onde tem média de 6.3 pontos e 6.5 rebotes em 22 minutos de jogo, já fez algumas jogadas que fizeram os olhos dos torcedores brilharem. Talvez falte consistência para ele nesse primeiro ano, mas dará ao time uma presença ofensiva de garrafão que eles não tinham desde… er… o Raptors já teve um grande pivô em sua história? Só lembro de Antonio Davis e Chris Bosh sendo improvisados na posição e preferindo jogar longe do aro. Só para vocês se prepararem: Essa é uma enterrada do Valanciunas sobre o Andrei Kirilenko, aqui uma sobre o pobre time da Islândia. E abaixo o que ele fez com o Emeka Okafor na pré-temporada:

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Temporada Filme Pornô

Nada seria mais perfeito para o Raptors do que ver Jonas Valanciunas se adaptando rapidamente à NBA. Ter um grande pivô ajudaria o time nos rebotes, onde não são grande coisa, no ataque de costas para a cesta e ajudaria bastante a vida dos pontuadores do time: Andrea Bargnani e DeMar DeRozan, esse com motivação extra de estar no último ano de contrato. Com espaço e atenção dividida os dois podem fazer um certo estrago.

O elenco, no papel, é um dos mais fortes que o Raptors já teve. Se Kyle Lowry repetir a liderança dos tempos de Rockets e se as lesões não atrapalharem Bargnani, o time canadense deve voltar aos Playoffs. Repetir o resultado de 2001 e passar da 1ª rodada parece demais, o que não falta no Leste são times especialistas em defesa, mas já dá pra brincar de pós-temporada.

 

Temporada Drama Mexicano

A contratação de Landry Fields foi aquela caríssima, com a intenção de atrapalhar os planos do New York Knicks de contratar o Steve Nash, estão lembrados? Deu certo, mas o Raptors também ficou sem o armador canadense. Será que o salário alto por um jogador só mediano vai perturbá-los depois? O elenco ainda não é tudo isso e o banco de reservas ainda não passa tanta segurança.

E se a defesa do Raptors tem tudo para melhorar nesse ano, o ataque precisa de uma verdadeira revolução para figurar na camada intermediária da NBA. Se o frágil Andrea Bargnani se machuca de novo o time fica bem magro de opções de ataque e isso pode custar uma vaga nos Playoffs. E o drama deles seria ficar na posição mais desconfortável da NBA: Não são bons o bastante para ficar lá em cima, não são ruins o bastante para lutar por uma boa posição no Draft do ano que vem.

 

Top 10 – Jogadas do Raptors em 2012

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=o5hrhFiYdW4[/youtube]

O time do momento

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A difícil vida de Blake Griffin

Não deixem a antepenúltima posição do Oeste e a 7ª pior colocação na NBA te enganarem, o LA Clippers é hoje um dos grandes times da liga. Talvez não dure muito tempo, a maldição está aí para acontecer a qualquer segundo e estragar tudo, mas temos que aproveitar o momento para enaltecer como esse time está jogando bem. E eu estou falando do time mesmo, não só do novo queridinho do público, Blake Griffin.

Se formos olhar no calendário e buscarmos os jogos desde exatamente um mês atrás, eles tem 11 vitórias e 5 derrotas nesse período, se lembrarmos que eles tem hoje 16 vitórias e 26 derrotas no total fica fácil fazer a conta e descobrir como o time era horripilante antes dessa boa fase. E a pergunta que não quer calar é o que diabos aconteceu para o time começar a vencer de lá pra cá?

Certamente não foi um calendário fácil como aqueles que motivaram o começo de temporada forte do Lakers ou aquela sequência de vitórias do Knicks, só lembrar que no meio do caminho eles bateram o Bulls, o Heat e o Lakers, sendo o primeiro em Chicago! E se você olhar os números, dá pra ver que eles melhoraram em tudo. O número de pontos sofridos caiu de 105 por jogo em novembro para 95 em dezembo, nesse período o número de pontos marcados caiu um pouco de 98 para 96, mas em compensação em Janeiro pulou para 106 por partida. O número de assistências também sobe mês a mês, junto com a dos tocos e tudo mais que pode ser mensurado em um jogo de basquete.

O primeiro instinto é celebrar a temporada maravilhosa que fazem dois jovens jogadores, Eric Gordon e Blake Griffin. O Eric Gordon é a estrela silenciosa da equipe, sem ninguém dar muita atenção pra ele (afinal joga no Clippers e tem a sombra colossal do Griffin) tem média de 24 pontos por jogo, o que faz dele o 8º cestinha da temporada atrás de Durant, Amar’e, Kobe, LeBron, Wade, Ellis e Rose. Ou seja, juntinho de todo mundo que está todos os dias aparecendo nas listas de MVP da temporada. Completando o Top 10 de cestinhas estão Dirk Nowitzki e Carmelo Anthony, o que faz de Eric Gordon, disparado, o cara mais desconhecido entre os grandes pontuadores da NBA na atualidade.

O Eric Gordon é mais um dos jogadores que chegaram cheios de confiança depois do mundial da Turquia vencido pelos EUA, junto com Russell Westbrook, Kevin Durant, Steph Curry e outros que vão ser exemplo por anos de como jogar na offseason pode render bons frutos ao invés de ser apenas risco de contusão. O Luis Scola já disse que jogar durante as férias ajuda ele a não perder o ritmo e eu não tenho dúvidas de que seria bom para o Tiago Splitter jogar pela seleção no pré-olímpico só para se mexer depois de tantos meses esquentando banco. Mas além disso, Gordon funciona no Clippers porque ele é o tipo de jogador perfeito para atuar ao lado de jogadores do tipo de Blake Griffin e Baron Davis. Ele é bom arremessador, abre espaços na quadra e não precisa ter a bola na mão o tempo inteiro para ser efetivo. Gordon já seria útil só arremessando, que era basicamente o que ele fazia até o ano passado, mas agora ele também está batendo pra dentro e se movimentando muito bem sem a bola. Com esse tipo de jogo você dificilmente vê ele forçando bolas idiotas, o que é raro para alguém que faz tantos pontos. É um daqueles casos de role players que são tão bons que são estrelas, mas com as características de role players. Confuso? É como aquela garota que nem é tão bonita, mas se veste tão bem e é tão engraçada que parece uma Miss Universo. Sim, você pensou naquela menina da sua classe e agora entendeu.

A verdadeira garota mais linda da escola é o Blake Griffin. Não dá pra descrever o impacto que o garoto está tendo na NBA e o quanto ele é espetacular. As enterradas impressionam mais do que tudo, é claro, daria pra fazer um Top 50 de melhores jogadas dele todas de altíssimo nível e só estamos no meio da temporada! Mas tem muito mais além disso, ele tem um bom arremesso de meia distância e sabe usar a tabela como o Tim Duncan, tem um giro para infiltrar que é muito eficiente, é rápido e, o que mais me surpreendeu, bate a bola como um armador, dribla como o bom e jovem Kevin Garnett. E se eu usei Duncan e Garnett para dar parâmetros do estilo e qualidade de jogo de um novato já deu pra sacar, ele é um absurdo de bom! Vale lembrar, para mostrar o nível do rapaz, como ele foi anulado por Gasol e Odom no primeiro tempo da partida contra o Lakers e voltou no segundo tempo com outro jogo, outras jogadas, outra estratégia e ganhou o jogo para o Clippers. Essa capacidade de adaptação para um novato é coisa de outro mundo.

Só pra não dizer que ele é perfeito e o melhor de todos desde já, como algumas pessoas insinuam, ele tem seus defeitos. Muitas vezes ele falha no posicionamento de rebote defensivo (embora no ataque seja fantástico) e para alguém com esse tamanho e impulsão a média de apenas 0.6 tocos por jogo é decepcionante. Como vimos ontem contra o cada vez melhor LaMarcus Aldridge, ele ainda tem uns macetes para pegar na defesa também. Mas sinceramente, é o tipo de comentário focado nos detalhes, uma coisinha ou outra para ajustar com o tempo e em poucos anos se tornar incontestável.

Um blog gringo que eu sempre recomendo aqui é o Basketbawful, que é sem dúvida o mais engraçado sobre NBA. Uma das características do blog, a principal na verdade, é apontar tudo o que de ruim acontece na liga, todo dia tem um resumo deixando claro as merdas que cada um faz. Mesmo quem é bom e joga muito tem aquele detalhe negativo exposto para o nosso entretenimento. Sem contar que eles são sempre céticos e pessimistas, não dão elogios de graça para ninguém além do ídolo máximo do blog, Larry Bird.

Porém, eis o que eles escreveram há poucos dias quando Blake Griffin marcou 47 pontos contra o Indiana Pacers, maior marca de um jogador nessa temporada:

“Pense em todos os jogadores que deveriam dar uma reviravolta no Clippers: Bill Walton, Danny Manning, Antonio McDyess, Michael Olowokandi, Lamar Odom, Darius Miles, Elton Brand, Shaun Livingston… tantos fracassos.

Mas o Griffin é de verdade. O garoto é impressionante. E eu digo isso mesmo sendo o mais cínico da blogosfera em relação a tudo dentro da NBA. Não é só o seu talento, mas a sua atitude também. Eu sou um fã de Blake Griffin, ele me fez assistir ao Clippers. E eu nunca achei que isso fosse acontecer. Nunca.”

Esse pequeno texto deixa claro como é difícil se destacar no Clippers, não basta ter talento. E foca também na atitude do Griffin. Ele não é medroso e aceita derrotas como todos dentro da franquia, ele é agressivo, encara depois da enterrada, infla os companheiros de motivação a cada jogada, chama o jogo no final das partidas (e com sucesso, ao contrário do DeMarcus Cousins). Foi essa atitude positiva do Griffin, a mensagem que ele passa de que é um jogador que tem talento e quer vencer, que provocou a grande mudança na temporada Clipperiana.

O recorde patético mudou para um dos melhores da NBA quando Baron Davis voltou ao time e começou a jogar o seu melhor basquete desde que ainda não brigava com Don Nelson no Golden State Warriors. No começo dessa temporada o B-Diddy foi afastado do time pelo técnico Vinny Del Negro por estar fora de forma e não ter treinado na offseason. Até fizemos piada aqui quando ele disse que quando era novo ficava em forma rapidinho e agora se surpreende em como demora para ficar magro, é duro ficar velho. Mas depois do período fora ele recuperou (um pouco) a boa forma e, mais do que isso, voltou a ter vontade de jogar. Baron Davis é um daqueles jogadores com o ego difícil de controlar e que se acha o centro do mundo, se as coisas não são do jeito dele, dá o fora, ignora. Quando o resto do time não era bom ele não se dava ao trabalho de tentar melhorar as coisas, simplesmente deixava pra lá, mas agora, vendo que esse elenco com Eric Gordon, Blake Griffin e outras promessas como Al-Farouq Aminu e especialmente DeAndre Jordan está jogando bem, quer fazer parte da festa.

Dá pra questionar suas atitudes, sua personalidade, mas não o seu basquete. Quando ele tem aquele arremesso de meia distância funcionado ele é imparável nos pick-and-rolls e quando não está bocejando pensando no que vai comer quando voltar pra casa pode defender como um dos melhores. É mais um como Lamar Odom ou Vince Carter, é um dos melhores, mas só se valer a pena o esforço e a fadiga.

Para esse ano provavelmente não vai dar para ir para os playoffs. No Oeste é provável que os times precisem de 48 a 50 vitórias para estar em oitavo lugar e o Clippers tem 16 vitórias faltando 40 jogos. Se eles conseguirem 32 vitórias em 40 jogos não só se classificam como já entram favoritos a ganhar de todo mundo, porque seria heróico. Mas não só fica a boa impressão para o próximo ano como vale a pena vê-los em ação só pelo prazer de ver um time que agora tem padrão de jogo, jogadas bonitas e jogadores criativos. O resto dos times bons você vê nos playoffs, para a temporada a melhor pedida é pegar o League Pass e procurar o jogo do Clippers. E, juro, não estou sendo irônico.

Os 47 pontos de Griffin contra o Pacers:

E só pra lembrar que o Eric Gordon faz mais do que só bolas de 3

Ah, o Clippers tem um lado sombrio que vai além da sua maldição de fracassos. O dono do time Donald Sterling, para saber mais dele vai ter um perfil do cara por aqui nesse fim de semana. E vocês sabem, promessa do Bola Presa… (é furada, mas vou me esforçar!)

Atualização: Me avisaram nos comentários que o Blog Grandes Ligas fez um texto sobre o Donald Sterling. É muito bom, conta bastante dos absurdos que esse cara faz por aí! Ótima leitura.

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“Dá um abraço no titio!”

Só de brincadeira, imagine que os 15 times de cada Conferência fossem aos playoffs no mesmo formato em que ele é hoje em dia: o melhor time enfrentando o pior, o segundo melhor enfrentando o segundo pior e assim por diante. Se os playoffs começassem hoje, teríamos o melhor time do Oeste, que é o Spurs, enfrentando o pior da  Conferência, que é o Clippers. Enquanto isso, o Lakers em má fase, que caiu para a quarta colocação, enfrentaria o Houston em fase tenebrosa, amargando a quarta pior campanha do Oeste. E, ainda assim, Clippers e Rockets saíram vitoriosos ontem. As duas zebras mostram não apenas que o Lakers anda tropeçando nas próprias pernas e que o Spurs não é esse time imbatível que se comenta por aí, mas também que Rockets e Clippers são equipes muito melhores do que suas campanhas indicam.

A última posição na tabela para o Clippers, em especial, é muito cruel. Isso porque um dos responsáveis pela péssima campanha é a famosa “maldição do Clippers”, que sempre dá um jeito de contundir todo mundo caso o time seja bom: dentre os titulares, Chris Kaman está com uma torção e só jogou metade das partidas até agora, e Baron Davis tem problemas nos joelhos – fora que seus reservas também estão baleados, com o Eric Bledsoe voltando de uma torção no tornozelo e o Randy Foye ainda fora com uma lesão na coxa.

Com Kaman e Baron Davis em plenas condições no quinteto titular, o Clippers certamente teria mais algumas vitórias para sair do fundo do poço. No caso do Kaman, ele é um melhores pivôs da NBA e sua presença embaixo do aro certamente diminuiria a marcação em cima de Blake Griffin – além, claro, de ajudar o time na defesa do garrafão, em que eles fedem. Mas no caso do Baron Davis, o negócio é mais complicado. Quando ele entra bem em quadra, como foi o que aconteceu na partida de ontem contra o Spurs, o Clippers é um timaço. Não faz muito tempo que o Baron Davis era considerado um dos melhores armadores da liga, levando nas costas aquele Warriors que desclassificou o Mavs, dono da então melhor campanha na temporada regular. O problema é que, mesmo quando as contusões não aparecem, é muito difícil ver o Baron Davis entrar bem em quadra, simplesmente porque ele não se importa.

Quando jogava no Warriors, jogava com intensidade, enterrava na cabeça de todo mundo e chamava para si a responsabilidade. Às vezes, até demais. Por ser fominha demais em jogos cruciais que decidiriam a vaga para os playoffs, Don Nelson começou a deixar o Baron Davis de molho no banco de reservas nos momentos importantes das partidas. Não demorou para que ele desse o fora de lá, por conta própria, e escolhesse jogar em Los Angeles para estar mais próximo de sua empresa, uma produtora de filmes. Mas o arrependimento veio logo: Baron Davis descobriu que todas as outras equipes de basquete não comandadas pelo técnico-biruta Don Nelson eram times de verdade, com horários, treinos, defesa, regras de alimentação, jogadas planejadas. Em mais de uma ocasião, Davis foi a público dizer como as coisas eram mais “suaves” no Warriors, e que ele não se dava bem com o clima rígido e pesado do Clippers. Aos poucos foi se desinteressando, focado na produção de filmes nas suas férias, e deixando o basquete de lado.

A troca de técnico talvez pudesse renovar o interesse do Baron Davis, mas o primeiro passo foi catastrófico: ele se apresentou ao time completamente gordo, sem ter jogado um único minuto de basquete nas férias, e o novo técnico Vinny Del Negro ficou puto da vida. Esse é o Baron Davis, senhoras e senhores: um jogador que poderia estar chutando traseiros mas que já torrou o saco, apenas aguarda sua aposentadoria pra poder parar com essa bobagem de basquete. Tipo quem trabalha em banco.

O curioso é que o Baron Davis gordo e desinteressado já seria o bastante para que o Clippers se tornasse um time respeitável. É por isso que, tirando as lesões, a culpa é quase toda do Vinny Del Negro, que de bom só tem o nome de boxeador. Quanto mais vejo o Clippers jogar, mais lembro dos problemas do Bulls na temporada passada e mais acho o Vinny Del Negro um técnico medonho. No Clippers, quando a bola gira no ataque para um dos lados da quadra, ela simplesmente morre por lá. É como se o time tivesse uma jogada para levar a bola para a zona morta, mas quando não surge com isso uma oportunidade de arremesso, a jogada congela. Fica um jogador com cara de bunda segurando a bola bem marcado, 15 segundos sobrando no relógio de arremesso, e aí vai forçando caminho contra a defesa até fazer alguma merda. Essas jogadas que simplesmente “morrem” se extendem a qualquer jogada planejada pelo Clippers. Quando eles fazem um corta-luz na cabeça do garrafão, por exemplo, e não surge uma oportunidade de cesta, o armador sobra com a bola nas mãos e o time inteiro fica parado – provavelmente pensando algo como “nós só planejamos até aqui”. As jogadas não tem nem ritmo, nem continuidade, e nem um “plano B”. Provavelmente por isso o Derrick Rose era obrigado a se virar tanto sozinho, naquelas jogadas de abaixar a cabeça e correr pra frente que eu tanto critiquei na temporada passada. Pronto, tá aí: depois de ver o Clippers jogar e de ver o Derrick Rose acabar com o meu Houston Rockets uma semana atrás, posso dizer que ele chuta mesmo traseiros e que a culpa era do Vinny Del Negro.

Por isso mesmo o Baron Davis é tão importante para esse Clippers: só ele pode fazer o que o Derrick Rose fazia, que é conseguir espaço à força na defesa e conseguir uma situação de cesta. Ontem contra o Spurs, parecia até brincadeira de criança: o gordinho ia com seus movimentos em câmera lenta adentrando no garrafão da equipe de San Antonio e aí passava pro Griffin só porque era legal. Foi assim que o Griffin deu mais enterradas livres do que em qualquer outro jogo da carreira, e contra uma defesa que deveria ter engolido o novato vivo (pensando melhor, o Griffin já jogou contra o Knicks, então com certeza já deu mais enterradas livres, sim). O Blake Griffin anda despirocando a cabeça da molecada, já diriam essas gírias que eu não faço ideia do que significam. Ele já virou queridinho de uma grande parte do pessoal que acompanha a NBA e tinha saudades de ver tanta enterrada de um cara que não chame Dwight Howard. E tem mais, o Blake Griffin cria os próprios arremessos, arranja na marra o espaço para enterrar, e pode finalizar com as duas mãos sem ter que enterrar em toda jogada. Ou seja, sua inteligência no ataque é o bastante para vencer alguns jogos sozinho, enquanto a inteligência ofensiva do Dwight consegue no máximo fazer cruzadinhas no nível “É sopa!”.

Mas é claro que o Dwight dá um pau quando o assunto é defesa, e é nesse ponto que os novos fãs do Clippers precisam respirar fundo e entender que o time ainda fede. Recebemos perguntas e comentários no formspring o tempo inteiro dizendo que o Griffin vai ser MVP, que o time só precisa de um armador para ser campeão, que o Clippers vai para os playoffs. Vamos parar com as “dorgas”, por favor. Se não bastasse o ataque do Vinny Del Negro ser um desastre e depender justamente de um jogador que não está nem um pouco interessado em jogar basquete, a defesa é ainda pior. O posicionamento para os rebotes é péssimo (inclusive por parte do Griffin), a cobertura é mal feita porque a marcação não roda, e faltam defensores no perímetro. No garrafão, DeAndre Jordan é muito cru e, mesmo tendo muito potencial, não deixa de ser simplesmente uma anta. Suas falhas defensivas são assustadoras, coisa que um gorila treinado não faria, mas aí ele dá alguns tocos espetaculares porque ele conseguiria pular até a Lua se quisesse e todo mundo esquece das cagadas. Kaman precisa voltar logo, pena que os joelhos dele são feitos de farinha.

Eric Gordon está chutando traseiros, voltou espetacular de seu tempinho com a seleção gringa, mas o aproveitamento nas bolas de três pontos tem sido um problema. Eric Gordon tem problemas para se livrar da marcação no perímetro, e as jogadas do Clippers nunca lhe deixam livre. Falta um bom passador no garrafão (coisa que o Griffin, só às vezes, consegue ser) e jogadas que girem a bola atrás de um jogador livre, não que morram nas mãos do Eric Gordon bem marcado e ele não possa fazer nada a não ser forçar uma bola de três pontos horrorosa. Contra defesas de perímetro mais vagabundas, o Clippers é um time bem mais eficiente.

Coisa similar acontece com o Houston Rockets, que também não merece amargar a quarta pior campanha do Oeste. Já falei deles num post recentemente, abordando a dificuldade do time em conseguir um padrão de jogo, mas ainda assim formam uma equipe muito perigosa quando as bolas de três pontos estão caindo. As movimentações ofensivas do técnico Rick Adelman se focam muito em cortes em direção à cesta, seja pelo meio do garrafão, seja pelo fundo da quadra. As equipes que defendem bem o garrafão acabam diminuindo a movimentação do Houston, e as bolas de três pontos precisam cair porque sobra muito espaço para arremessar nesse esquema. Bons arremessadores o time até tem, mas além da maioria não arremessar tanto quanto deveria (deve ser resultado de muita lavagem cerebral do tipo “passem primeiro para o garrafão, procurem primeiro o Yao Ming“, que vai resultar em cedo ou tarde alguém passando a bola para o Yao de terno no banco de reservas), o aproveitamento também tem sido péssimo. Minha sugestão é que se trata, agora, de uma questão de confiança. Após perder os primeiros jogos por placares apertados, não ter mais Yao Ming, e ver a posição na tabela caindo cada vez mais, os arremessos de três ganham outro peso, ficam mais difíceis de converter. Especialmente porque o melhor arremessador da equipe, que é o armador titular Aaron Brooks, passou a maior parte da temporada fora lesionado. Quando ele acerta um par de bolinhas o time acalma, respira, e fica mais fácil para os jogadores secundários acertarem as deles. Depender de bolas de três de quem está tremendo e não quer arremessar fica muito complicado.

É por isso que o Houston venceu o Lakers ontem na experiência do Shane Battier, que sempre foi um bom arremessador de três da zona morta mas que pouco arremessa nesse time, executando outras funções – especialmente defensivas porque o resto do Rockets fede e muito na defesa. Quando as bolas de três caem o Houston é muito perigoso, e isso agora significa – sem Aaron Brooks – que o Battier precisa usar seu sangue frio para arremessar mais. O time coloca cada vez mais a bola nas mãos do Kevin Martin nos momentos difíceis, e ele é um bom arremessador, mas sua tendência é sempre de bater para dentro. Dá pra ver que ele força arremessos de três que não queria dar apenas porque sabe que o time precisa deles, mas sua especialidade é outra – e os próprios arremessos de três que dá seriam mais eficientes se ele pudesse chutar apenas quando está realmente livre, sem a pressão de ter que arremessar a toda hora.

Quando Brooks e Yao voltarem, a situação melhora e o fundo da tabela vai ser coisa do passado, mas a falta de padrão de jogo vai acompanhar para sempre esse time enquanto o Yao for peça central. Assim como o Clippers, que sabe muito bem como é depender de um jogador como o Baron Davis que você nunca sabe se estará lá de verdade, se você poderá ou não contar com ele. O potencial para que os times escalem rumo aos playoffs existe, mas as chances beiram ao ridículo graças à essa dependência de jogadores inconstantes e o quanto isso destrói o padrão de jogo de uma equipe.

Sobre o Lakers e o Spurs, que perderam, a gente comenta nos próximos dias. Mas não antes de comentar a partida de hoje à noite entre Cavs e Heat, que é também um jogo entre um dos quatro melhores do Leste contra um adversário mais fraco – mas que estaria indo para os playoffs, em oitavo, com seus próprios méritos. E tudo isso sendo bem pior do que Clippers e Rockets, vale ressaltar. O mistério do rendimento do Cavs e a reação da equipe – e da cidade – à presença de LeBron James serão nosso post de amanhã. E, antes disso, não deixe de acompanhar a partida (que começa às 23h) através do nosso twitter, que vai estar bombaaaando, cheio de curtição e azaração para a nossa galerinha irada!

Primeiras confusões

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UConn + Pistons = Foto brega

A temporada mal tem duas semanas de vida e já temos confusões entre técnico e jogadores e times em crise. Se fosse o Brasileirão já tinha técnico no olho da rua. Felizmente não temos demissões de treinadores após cada rodada na liga como no futebol brazuca, imagina 82 técnicos demitidos por temporada! Daria para um mesmo técnico passar por todos os times mais de uma vez. Só não damos a idéia para os donos de time, porque é bem capaz deles acharem que é uma solução moderna e inovadora. Times estão em crise e perdendo dinheiro, uns podem culpar a economia, outros eles mesmos.

Mas uma coisa o basquete e nosso futebol sagrado de cada dia tem em comum, crises estão sempre relacionadas a derrotas. Só ver o Detroit Pistons, que junto com o Houston Rockets são os únicos times que ainda não venceram na temporada. O Pistons não tem jogado muito mal, mas tem perdido. A dupla de armadores com Rodney Stuckey e Ben Gordon pareceu, durante uns dois ou três jogos, a mais empolgante da NBA. Não a melhor, claro, mas divertia pelos dois serem agressivos e por se completarem com infiltrações e arremessos. Dava pra ver essa dupla ganhando vários jogos por conta própria. Só que não ganharam.

Das cinco derrotas que eles tem na temporada a primeira foi por 3 pontinhos e a segunda por um mísero ponto. A terceira foi por 10, para o Bulls, mas durante 3 períodos eles foram o melhor time disparado e chegaram a liderar por 15. E, por fim, perderam para o poderoso Celtics e para o Hawks, que é o melhor time do Leste nesses primeiros 5 jogos. São derrotas compreensíveis e no meio do caminho o time teve momentos ótimos, mas ainda assim são derrotas e elas irritam a torcida, técnico e jogadores. Como em quase tudo atualmente, não importa se o processo está indo bem se o resultado não é positivo.

Depois da derrota para o Bulls, a da virada, uma série de três declarações mostrou como o clima não foi nada bom no vestiário. Primeiro Ben Gordon, que disse que “Não fizemos os ajustes certos como time (…), precisávamos ter feito algo diferente”. Depois o técnico John Kuester, “Precisamos achar uma outra voz de liderança no time além da minha” e, pra fechar com fatality, Tayshaun Prince, “Isso vale para os dois lados. Ele diz que precisamos de mais voz dentro do time e ele precisa fazer algumas coisas melhor também, se não ganhamos até agora não é culpa só do time”.

Não dá pra achar que um jogador dizendo em público que o técnico precisa fazer um trabalho melhor é boa coisa. No fundo todos tem razão: o time não se ajustou bem ao segundo tempo forte do Bulls, faltou liderança dentro da quadra para acalmar o time e o técnico é parte do grupo de quem errou. O problema está no fato de que nenhum deles disse exatamente o que deveriam ter feito para mudar, ficaram jogando a culpa uns nos outros e ainda o fizeram em público. É a velha história de que não é o que você fala, mas como você fala.

Os problemas do Pistons são vários e todos juntos os levaram a essa situação de já ter discussão digna de Big Brother na segunda semana da temporada. O primeiro é que o time não ganha nada desde que eles trocaram o Chauncey Billups para o Nuggets em 2008. De lá pra cá o time que tinha ido para a final do Leste em todos os anos desde 2003 virou saco de pancadas. E uma coisa é você jogar no Wolves e achar que perder é normal, outra é disputar playoffs todo ano e de repente tomar de 20 de time mediano. Não ajuda que o técnico não tem muita moral, se fosse com alguém com a fama de Larry Brown ou Phil Jackson nunca que o Tayshaun Prince iria se atrever a dizer algo assim, mas com Kuester, que está no seu primeiro trabalho como treinador principal, é mais fácil.

Além disso ainda tem um fator que é muito comum ao do Rockets, o outro time que perdeu todas, excesso de jogadores. O Rockets tem excesso de bons jogadores em todas as posições e parecem estar tendo dificuldades em achar a rotação certa com espaço pra todo mundo jogar bem, no fim das contas tentam dividir muito os minutos e ninguém pega o embalo durante o jogo. O Pistons não está com tanto luxo assim, mas tem excesso em algumas posições. Tentar dividir os minutos nas posições de armação entre Rodney Stuckey, Ben Gordon, Richard Hamilton, Will Bynum e Tracy McGrady não tem sido fácil. Imagina como ficou a cabeça de todos esses quando Gordon se perdeu na conta e nem arremessou a última bola no jogo que perderam por um ponto para o Thunder.

E como desgraça pouco é bobagem, ontem teve mais problema. No meio do terceiro quarto do jogo contra o Hawks, quando o placar estava bem apertado, o jogo estava parado (por causa de algum lance livre ou algo assim) e Kuester chamou Stuckey para dar instruções, mas o jogador não atendeu. O técnico insistiu, o chamou de novo e nada do armador ir até lá. Imediatamente Kuester chamou DaJuan Summers no banco, fez a alteração e Stuckey, o Nezinho de Auburn Hills, não entrou mais em quadra. Questionado sobre o caso depois do jogo ele só disse que “É o que é”. Esclarecedor, Stuckey.

Pelo o que comentam em Detroit, o comportamento do armador tem a ver com o fato de que ele estava negociando uma extensão de contrato e não conseguiu nada, saiu de mãos vazias. Agora, como não obedecer o técnico ajuda ele a conseguir fazer dar certo é um mistério.

O John Kuester, para quem não lembra, foi a única pessoa que conseguiu fazer o Cavs da era LeBron James ter um ataque realmente bom e eficiente. Ele era assistente de Mike Brown e foi o responsável por fazer o time ser mais veloz, aproveitar o Mo Williams no que ele é bom e fazer o time ser mais completo. Claro que quando a água batia na bunda o Mike Brown corria para mandar eles só isolarem o LeBron, mas tudo bem, não era culpa do assistente.

Em Detroit, porém, nada feito. No ano passado eles foram o penúltimo time em pontos por jogo e o 21º em pontos a cada 100 posses de bola. Eles não tem nenhum jogador que seja uma ameaça no garrafão, Richard Hamilton não é sombra do que já foi um dia e até o Ben Gordon, que foi colocado no mundo para fazer pontos, só teve média de 13 no ano passado.

Quer mais desgraça? Então vamos lá. Um repórter de Detroit disse que o clima entre os jogadores também não é dos melhores, que o grupo de jogadores mais velhos como Ben Wallace, Richard Hamilton e Tayshaun Prince não se bica com os mais jovens como Charlie Villanueva e Ben Gordon. O Pistons deu sinais de que poderia não ser o pior time do Leste, mas durou só dois e meio jogos. Com tanta crise já no começo do ano é de se esperar que em breve eles já estejam em busca de algumas trocas. Que o General Manager Joe Dumars tenha mais cabeça do que teve quando trocou Billups e do que quando pagou uma nota preta para Gordon e Villanueva.

Um outro time parecia que iria ter problemas, mas as coisas até que deram certo. E por incrível que pareça esse time é o Clippers! Lembra que no preview deles eu disse que eles dependiam do Baron Davis para ser um time de verdade? Pois o cara nem se esforçou. Apareceu gordo na pré-temporada, jogou partidas ridículas com mais turnovers que assistências e aí o técnico Vinny Del Negro disse que estava decepcionado com o seu jogador fora de forma. Por incrível que pareça, Baron Davis disse que ele tinha toda razão.

Segundo o armador ele nunca fez exercícios nas férias durante toda sua carreira. A temporada acabava, ele esquecia de tudo e só ia se exercitar de novo em agosto. Acontece que agora ele está velho e isso não funciona mais. O Baron Davis pelo menos admitiu e disse que irá fazer diferente daqui pra frente, só não sabemos se em Los Angeles. No jogo de ontem o novato Eric Bledsoe foi titular e jogou muito, botou um ritmo veloz no jogo, se entendeu perfeitamente com o Eric Gordon e eles venceram o Thunder. Menos de um segundo depois do jogo já pipocavam os primeiros rumores de troca do Baron Davis. Tudo boato, claro, mas garanto que lá dentro do Clippers já cogitam a mesma coisa.

Entrando no desnecessário mundo da especulação daria pra pensar em incluir o Chris Kaman com o Baron Davis para fazer um pacote mais atraente ao redor da liga, afinal pivôs são raros. E ele nem faria muita falta ao Clippers, o garrafão com Blake Griffin e Chris Kaman consegue ser um dos melhores da liga no ataque e o mais frágil na defesa. O problema dessa idéia é que os dois juntos recebem 24 milhões de dólares nessa temporada, quem pode arcar com isso? Talvez o próprio Pistons mandando Hamilton e Prince? Joe Dumars foi questionado há alguns parágrafos. Ok, ok, já parei. Muita coisa para pouca temporada.

>O símbolo de uma seleção

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Rajon Rondo fingiu dor de barriga e foi cagar em casa

A seleção dos Estados Unidos precisava tomar uma última decisão: quem cortar do grupo de 13 jogadores que restaram até agora no elenco? Após uma série de contusões, desistências e fedor (caso específico do JaVale McGee), acreditava-se que três jogadores estavam com a corda no pescoço: Eric Gordon, Russell Westbrook e Stephen Curry. Para entender o motivo, vamos dar uma olhada em todos os jogadores do elenco e em que posições estão jogando pela seleção:

PG

Rajon Rondo: Foi titular em todos os amistosos e só perdeu a vaga nos dois últimos. Joga nessa seleção como o Kidd jogava na seleção campeã olímpica, ou seja, sem dar um único arremesso sequer e se encarregando de armar o jogo o tempo inteiro, pegar rebotes e puxar o contra-ataque. Não acertaria um arremesso nem pra salvar a mãe, mas num elenco sem pivôs sua capacidade de pegar rebotes é fundamental e mantém o time jogando em contra-ataques. Além disso, jogou duas finais de NBA e apesar de não ter um pelo sequer na cara, seria a voz da experiência nesse time assim como o Kidd foi para a seleção olímpica. Fora que ele é, disparado, o melhor defensor dessa equipe e poderia cancelar a armação adversária. Contra os times mais estabanados, a seleção poderia vencer apenas com a marcação do Rondo, mas contra as seleções mais fortes, sua falta de arremesso pode ser explorada.

Stephen Curry: Teve minutos limitados por lesão e atuações muito inconstantes, mas soube como vencer a zona driblando por entre defensores e arremessando de três sem dificuldades. Apesar de só ter jogado um ano de NBA e ter mais cara de bebê do que o Jermaine O’Neal (vale dar uma olhada nessa camiseta “Baby Faced Assassin”), o Steph Curry já é um dos melhores arremessadores da liga e sabe correr no contra-ataque como só um jogador do Warriors saberia fazer. A lesão e a inexperiência limitaram muito seu papel na equipe.

Derrick Rose: Um gênio da infiltração, forte como oito touros selvagens, mas com bom arremesso e visão de jogo. Pessoalmente não acho ele tudo isso, mas confesso que é provavelmente o armador mais completo dessa seleção, faz tudo bem e não tem nenhuma falha aparente. Acabou ganhando o posto de titular no último amistoso da seleção.

Russell Westbrook: Provavelmente o melhor jogador no contra-ataque dessa seleção, mortal quando defendido no mano-a-mano, mas limitadíssimo contra zonas porque não tem um arremesso de três pontos decente. A equipe tem armadores demais e ele parecia o mais desnecessário, até que mostrou serviço na defesa, nos rebotes, e provou que tem um arremesso mortal de média-distância que nem a mãe dele conhecia quando começou o segundo tempo do penúltimo amistoso como titular.

SG

Chauncey Billups: O vovô da equipe, essencial para manter a calma (e os bocejos) do elenco mesmo quando estiverem perdendo por 40 pontos como acontecia nos seus tempos de Pistons. Curiosamente, na seleção ele não joga armando o jogo, mas sim finalizando no perímetro. É forte e inteligente o bastante para saber levar armadores adversários até o garrafão e jogar de costas para a cesta, tem fama de acertar os arremessos decisivos quando o time precisa, e pode armar o jogo se precisar. É titular absoluto.

Eric Gordon: Limitado por lesões, também jogou pouco. É baixinho, um defensor esforçado mas não espetacular, não tem nenhuma experiência na NBA, e não estaria nessa conversa se não fosse um dos melhores arremessadores de três do planeta. Ele tem aquela síndrome de Sasha Vujacic, a gente vê ele arremessando nos jogos e acha que ele é só bom, mas quem lhe vê treinando diz que ele é de outro planeta. Sempre esteve para ser cortado da seleção, mas aí deixava todo mundo babando nos treinamentos e tinha um ou outro momento fantástico nos jogos. Não é consistente, mas pode vencer um jogo sozinho de repente.

SF/PF

Kevin Durant: Agora o Durant não é mais surpresa, todo mundo sabe quão bom ele é, e podemos então começar a odiá-lo por ser estrelinha e dizer que ele é “muito 2009”. Vai levar essa seleção nas costas quando o negócio apertar, é impossível marcá-lo, pode jogar tanto tão bem dentro quanto fora do garrafão, e com seus braços de Tayshaun Prince ainda é um monstro na defesa, venceu o jogo contra a Espanha com dois tocos seguidos nos segundos finais.

Rudy Gay: Na seleção, vai jogar dentro do garrafão. É forte e técnico o bastante para saber jogar contra os jogadores mais altos do resto do mundo, mas tem um arremesso de três confiável pra burro. É um dos jogadores mais consistentes daquele Grizzlies em que todo mundo quer garantir seus pontinhos e sabe jogar bem sem a bola. Deve ser titular ao lado do Durant.

Danny Granger: Um dos melhores pontuadores da NBA, vai ser cestinha da temporada regular mais cedo ou mais tarde, é um dos melhores arremessadores de três pontos, e forte o bastante para, como LeBron fez na seleção olimpica, jogar dentro do garrafão. O “Granny Danger” também teve sua situação na seleção abalada por uma contusão, mas assim que seu dedo lesionado melhorou um pouquinho, já voltou pontuando como um maluco. Não dá pra abrir mão dele especialmente contra defesas por zona.

Andre Iguodala: Um dos melhores defensores da equipe, pau a pau com o Rondo, ideal para anular a estrela adversária. Só por isso já merecia estar no banco, mas o Iguodala também tem um arremesso de três pontos bacaninha o bastante para conseguir se garantir no ataque, fora que é um monstro nos contra-ataques e é uma das armas principais da defesa sufocante que a seleção colocou em prática nos amistosos.

C

Tyson Chandler: O único pivô de verdade no elenco, mas quando está em quadra o time perde bastante poder ofensivo. Ele está no time apenas porque é o único cara realmente grande que sobrou depois que David Lee, Brook Lopez, Robin Lopez, JaVale McGee e Amar’e Stoudemire deram o fora da seleção ou foram chutados pra longe. Seu papel é puramente defensivo desde que perdeu o posto de titular para o Lamar Odom, e deve ser assim durante o Mundial. Carta na manga apenas para ser usada para marcar os melhores pivôs adversários. E convenhamos, na FIBA, com os melhores da posição não jogando por suas seleções, isso nunca será sequer necessário.

Lamar Odom: Virou pivô nessa seleção, o que é muito esperto. O Odom finge saber arremessar de três pontos como deve-se fazer no basquete internacional, é grande o bastante para atrapalhar pivôs adversários, e é imarcável porque bate bola como armador, infiltra como armador, e nenhum jogador de garrafão será capaz de correr atrás dele. No contra-ataque ele sempre acaba sobrando livre, sem no entanto comprometer nos rebotes. Vai ser o titular acertadamente.

Kevin Love: Por ser um ótimo arremessador, inclusive de três pontos, e passar a bola melhor do que qualquer um dos armadores dessa seleção, é um achado para jogar contra zonas. Além disso, é um ótimo reboteiro e com seus passes de “quarterback” liga rapidamente os contra-ataques. Deve ter um papel limitado no Mundial, mas como o time não tem outros pivôs, tem lugar garantido.

Como pudemos ver, todos os jogadores de garrafão estão garantidos na seleção porque não sobraram muitos otários para a função. Nas alas, todos os quatro jogadores arremessam de três, são bons defensores, e podem jogar tanto dentro quanto fora do garrafão. Na armação, o Billups é o único que tem cadeira cativa, pode até comer a filha do dono se quiser, mas Derrick Rose e Rajon Rondo receberam mais confiança e tiveram papéis importantes durante os amistosos. Westbrook não arremessa de três, Eric Gordon é muito baixo e não sabe armar o jogo, Stephen Curry arremessa demais e não tem nenhuma experiência, e todos eles sofreram com alguma contusão durante o preparamento. Um dos três deveria ser cortado eventualmente. No último amistoso da seleção dos Estados Unidos, o Rajon Rondo não jogou e a comissão técnica disse que queria ver o que Curry, Gordon e Westbrook poderiam produzir. Para mim, uma clara indicação de que os três estavam com a água na bunda e que quem se saísse pior iria voltar pra casa, no maior estilo prova de “Big Brother”.

Mas o Rajon Rondo entendeu diferente. Frente às alegações da comissão técnica de que não dava pra jogar no basquete internacional com dois jogadores que não sabem arremessar, ele entendeu que não jogar na última partida foi apenas a confirmação de que com Curry, Gordon e Westbrook, a seleção iria se sair melhor do que com ele em quadra. Enquanto todo mundo pensou que a alegação era apenas a justificativa final para colocar Tyson Chandler no banco, Rondo achou que tudo se referia a ele. Típico de menina com mania de perseguição que acha que todo mundo está dando indiretas sobre ela estar gorda.

No entanto, pouco tempo depois saiu o comunicado de que Rajon Rondo pediu para sair da seleção por questões pessoais, familiares. A comissão técnica agradeceu os serviços do armador, ficou feliz da vida e não teve que fazer corte nenhum. Talvez a paranóia do Rondo tenha ido longe demais e ele tenha se sentido tão pouco querido que preferiu pedir pra cagar e ir embora. É possível que, depois de ter jogado como titular tantos jogos na NBA e ter assumido tão bem a posição de armador titular da seleção, Rondo tenha ficado verdadeiramente ofendido com a indireta sobre jogadores que não arremessam, com ter sido substituído no quinteto titular pelo Westbrook no segundo tempo de um jogo, e por não ter jogado nenhum minuto sequer no último amistoso. Mas se foi isso que aconteceu, é culpa dos engravatados por não terem explicado direito, bastava sentar e dizer para o Rondo que só estavam testando os outros jogadores, mas que ele estava garantido. Se não fizeram isso, começo a desconfiar que não era paranóia do Rondo mesmo. Ele tem razão de se sentir pouco querido e ter pedido para sair porque, pelo jeito, a comissão técnica não tinha certeza de sua vaga apesar da qualidade dos serviços prestados. Parto do pressuposto que eles são espertos o bastante para deixar o Rondo contente e seguro se realmente quisessem ele na equipe.

Para confirmar essa hipótese, começaram a surgir boatos de que a comissão se reuniu com o Rondo, anunciaram que ele seria cortado, e aí deram um tempo para que o Rondo anunciasse que estava deixando a seleção por conta própria, só pra não ficar feio, do tipo “fala que teu cachorro comeu a lição de casa”. Acho isso um tanto difícil, mas possível. Mas, independente do que realmente aconteceu entre eles, o que importa é que a titularidade do Rondo nunca foi garantida para a comissão técnica como parecia para nós, torcedores, e ninguém fez questão de tranquilizar a situação do armador, trataram o Rondo como alguém que poderia ser cortado a qualquer momento mesmo sendo titular – algo que não aconteceu com Billups, Durant, Odom, e até com o Kevin Love, que é mais “B” do que o resto.

Não consigo pensar em prova maior da inteligência do técnico Mike Krzyzewski. Postei recentemente sobre as defesas por zona internacionais e as diferenças das regras da NBA e da FIBA, e a conclusão óbvia é que não interessa levar os melhores jogadores da NBA, os jogadores mais famosos e mais fodões. O que importa é levar os jogadores mais competentes para competir dentro das regras da FIBA, ou seja, arremessadores de três pontos. Um garrafão forte sem arremessadores não ganhará um Mundial para o Brasil e também não funcionaria para os Estados Unidos. Odom e Kevin Love são pivôs perfeitos dentro das regras da FIBA, e eu estava achando muito idiota alguém pensar em cortar Stephen Curry ou Eric Gordon, dois dos melhores arremessadores da NBA. Se alguém tinha que ir embora, que fosse o Russell Westbrook, que não sabe arremessar de três, mas no fim das contas seu arremesso de média distância se provou muito útil contra zonas. A incapacidade de Rajon Rondo de acertar arremessos tornou sua presença cada vez mais nociva, e as boas atuações dos outros armadores na hora de chamar as jogadas provaram que sua capacidade de armar o jogo não era tão essencial assim.

O Rajon Rondo é um gênio em quadra, faz tudo certo, sempre com o mínimo de esforço. Mas se as defesas da NBA já se beneficiam de seu arremesso mequetrefe, nas regras da FIBA ele passa a ser uma piada, o cara que não precisa ser marcado e que torna a defesa por zona ainda mais eficiente porque pode se concentrar nos outros. Quando bate para dentro, sofre faltas e tem péssimo aproveitamento de lances livres, não dava pra deixá-lo em quadra nos momentos decisivos, então cabia a ele não pontuar e apenas armar para um time em que quase todo mundo pode armar, até o próprio Lamar Odom, e em que até os jogadores menos talentosos sabem passar bem a bola, como o Kevin Love. Aqui está a prova de que os Estados Unidos devem ser campeões mundiais: Rajon Rondo é um dos melhores jogadores desse elenco e mesmo assim foi para casa sem dó, inventando desculpa ou não, porque os outros se encaixam melhor nas regras, no plano, na tática. Esse tipo de culhão e foco garante que os melhores fiquem em casa enquanto os mais adequados para o torneio estejam em quadra. Quero ver alguém vencer uma equipe com tantos arremessadores dentro de regras em que o garrafão é tão prejudicado. Não existe mais prepotência dentro da seleção americana, agora eles encaram a realidade da FIBA de frente, como algo diferente que deve ser compreendido e dominado, e assim podem vencer tranquilamente. O Rondo é o grande símbolo dessa seleção, de como os nomes são menos importantes do que a eficiência, de como talento não significa necessariamente vitória. Com um quinteto titular de Derrick Rose, Billups, Durant, Iguodala e Odom, o trabalho está feito. Em nome da vitória, Rondo assistirá de casa.