Denis

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

[Resumo da Rodada] A Virada

[Resumo da Rodada] A Virada

Depois de duas das lavadas mais humilhantes dos últimos tempos fora de casa, o Cleveland Cavaliers voltou para sua cidade natal para tentar matar de vez o Boston Celtics. Se vencesse, o time de LeBron James se tornaria apenas o 4º da história a começar uma pós-temporada com 11 vitórias seguidas, igualando feitos do LA Lakers (1989 e 2001) e do Golden State Warriors (neste exato momento). Pois bem… NÃO ROLOU. Contra qualquer previsão, o Celtics, que perdia por 21 pontos no terceiro quarto, VIROU O JOGO e com uma bola de 3 pontos de Avery Bradley no último segundo conseguiu a reviravolta mais improvável em uma única partida desde AQUELE jogo do Corey Brewer e do Josh Smith contra o Clippers em 2015.

Apostar numa vitória do Celtics já era difícil por termos visto o que rolou nos últimos jogos, mas ela foi ainda mais maluca. Veja o que mais aconteceu neste jogo:

  • O Cavs vencia por 21 pontos no meio do terceiro quarto
  • O Cavs acertou NOVE bolas de 3 só no primeiro quarto
  • O Cavs bateu 24 (!!!) lances-livres a mais que o Celtics
  • O Celtics estava desfalcado de seu melhor jogador, Isaiah Thomas

[Resumo da Rodada] O jogo da vergonha

[Resumo da Rodada] O jogo da vergonha

Confesso que não sei bem o que dizer sobre o Jogo 2 entre Cleveland Cavaliers e Boston Celtics. A gente sabia que o Cavs poderia ser muito melhor do que o que mostraram ao longo da temporada regular, sabia que LeBron James vinha fazendo sua melhor pós-temporada, ao menos em números, da carreira e que o Boston Celtics estava na história como um dos piores primeiros colocados da história da Conferência Leste (em total de vitórias, saldo de pontos, etc.). Tudo bem, tudo isso era de conhecimento geral, mas OLHA ISSO:

BOS-CLE

O primeiro tempo acabou com vantagem de QUARENTA E UM PONTOS. Em Boston. Isaiah Thomas acabou o jogo com DOIS PONTOS, os dois em lances-livres. É impensável e inaceitável um time sofrer uma derrota assim nessa altura do campeonato, especialmente após já ter sido surrado monstruosamente no Jogo 1. Não há análise tática a ser feita de um jogo assim, o Celtics estava inseguro, entregue, lento, envergonhado e só rezando para a partida acabar. Enquanto isso olha com o LeBron tava desconfortável…

Aliás, falando em confiança, existe lance mais desmoralizante do que o Chasedown-Block-Do-LeBron™?

Se algo valeu a pena nessa partida foi acompanhar o Twitter, que se dividiu em fazer piadas, reverenciar LeBron James, dar risada do Boston Celtics e apontar em como esses Playoffs não estão lá muito disputados. Vamos então aos melhores momentos da partida!

RECORDES E MAIS RECORDES

A conta do ESPN Stats & Info teve trabalho compilando tudo o que rolou na partida de ontem:

Foi a maior vantagem no placar no intervalo NA HISTÓRIA DOS PLAYOFFS!

O que nos lembra uma obviedade que fica engraçada quando a gente pensa assim: o Celtics poderia ter começado o segundo tempo em uma sequência de 40-0 e ainda assim estaria perdendo! Novamente, ÓBVIO, mas aproveite quando você pode escrever essa frase.

Mas não é impossível, já vimos uma virada parecida em um jogo bem famoso:

Não à toa quem, como eu, assistiu ao jogo na reprise ficou se questionando se valeria a pena ver ao segundo tempo:

Assistindo com atraso. Estou no intervalo. Existe alguma razão para assistir ao segundo tempo? NOTA: Já aceitei LeBron como meu senhor e salvador

Voltando aos recordes, essa derrota foi a pior de toda a história por um time classificado em primeiro lugar na história dos Playoffs:

E foi o maior saldo de pontos de LeBron James em qualquer jogo da sua vida, seja em temporada regular ou Playoffs. Assustadores +46 em 32 minutos de jogo. Ainda não me conformo que ele conseguiu 30 pontos, 7 assistências e 4 roubos em só 32 minutos! Ah, com esses 4 roubos ele se tornou o segundo maior ladrão de bolas da história dos Playoffs, tirando o lugar de Michael Jordan e ficando atrás apenas de Scottie Pippen:


POBRE CONFERÊNCIA LESTE

Nosso amigo Fábio Balassiano fez uma boa indagação ontem:

Pense que aqui a questão é dupla. Não só LeBron James estaria elevando outro time a um patamar espetacular como o Cleveland Cavaliers se tornaria um time mais comum e a conferência ficaria aberta. De verdade, até o New York Knicks pode virar um candidato ao título da conferência com o King James por lá. Ele tem jogado tudo isso mesmo e o Leste tem falhado há alguns anos em revelar times espetaculares.

Até o Moondog, mascote do Cavs, tirou uma com a cara do Celtics na festa que eles fizeram no ginásio em Cleveland para assistir ao jogo no telão. Pensando bem, essa foto é um melhor resumo do jogo do que jamais poderíamos fazer aqui.

Para quem é fã de flow charts, este aqui explica se você tem chance de chegar a uma final da NBA:

O engraçado é que o Boston Celtics não é um time ruim, muito longe disso. Ele tem mais falhas (e mais derrotas para outros bons times) do que nos acostumamos a ver em times que lideram sua conferência, mas é uma equipe bem treinada, com talentos em diversas posições e um elenco grande, com diversas opções em muitas posições, isso sem contar um ótimo técnico em Brad Stevens. O Washington Wizards também é bom, assim como o Toronto Raptors tem diversas qualidades. A minha pergunta é: o quanto desse domínio é que o Leste é ruim, o quanto é que este Cleveland Cavaliers é um time muito acima da média para qualquer época?

Na dúvida, porém, poderíamos ter deixado o Wizards jogar o segundo tempo ontem só pra ver se eles teriam mais chance né?

Mas falando sério, acho que é um pouco dos dois. O Cavs conseguiu colocar o elenco que mais combina com LeBron James, um dos melhores jogadores de todos os tempos, em toda sua carreira. É uma combinação que, ao longo da história, sempre foi sinônimo de dominância no basquete. Junte-se a isso o fato de que nos últimos anos o Leste tem revelado vários bons times, mas todos eles têm falhado naquele próximo e difícil passo de realmente se tornar um candidato ao título. São basicamente três anos contando os mesmos defeitos do Raptors, por exemplo. O Indiana Pacers, o time que mais fez o Miami Heat de LeBron suar, desmontou de uma hora para a outra. O Chicago Bulls se perdeu em lesões e, depois, em conflitos internos. O Atlanta Hawks jogou em nível altíssimo por uma única temporada, depois só deu passos para trás.

O Boston Celtics só é o próximo da lista. A sua reconstrução tem sido eficiente e veloz até, mas ainda não terminou. Além de todos os ativos e jovens jogadores que a equipe possui, o time ainda ganhou na loteria em trocas improváveis por Jae Crowder e Isaiah Thomas e conseguiu atrair Al Horford como Free Agent. Chegaram ao pontos que os outros chegaram –apanhar de LeBron– precisam mostrar se vão ser os primeiros a conseguir vencê-lo.

De qualquer forma, não tem sido legal para a NBA a quantidade de pessoas discutindo se estes são os Playoffs mais sem graça dos últimos tempos. Justamente depois de uma das temporadas regulares mais legais da HISTÓRIA. Torcemos para que, daqui um mês, a gente lembre disso apenas como o preço de uma final inesquecível. Até lá…

Podcast Bola Presa – Edição 111

Podcast Bola Presa – Edição 111

Bem amigos do Bola Presa, podcast com número cabalístico no ar!

Nesta edição discutimos o Jogo 7 entre Boston Celtics e Washington Wizards e tentamos descobrir o que rolou com John Wall e Kelly Olynyk. Depois falamos da série seguinte dos verdes, dessa vez contra o temido e imparável LeBron James. Também comentamos a final do Oeste entre Warriors e Spurs e discutimos –para encerrar logo o assunto chato– a fatídica falta de Zaza Pachulia em Kawhi Leonard.

UPDATE: O vídeo que eu citei sobre o Warriors vilão, feito no começo da temporada

No Both Teams Played Hard respondemos perguntas sobre nossa aparição no ESPN League, recebemos DOIS casos sobre respostas nossas que causaram um BEM MAIOR ao mundo e ainda deu tempo de comentar Lonzo e LaVar Ball, finais do NBB e a estranha relação entre times campeões e Shaquille O’Neal

Assine o feed do nosso podcast no iTunes ou no agregador de podcasts de sua preferência =)

[Resumo da Rodada] Quem para LeBron James?

[Resumo da Rodada] Quem para LeBron James?

Queridos deuses do basquete, o que vocês estão aprontando? É tudo isso um teste? Estamos assistindo tantas e tantas lavadas resolvidas no primeiro tempo em nome de qual bem maior? Se for tudo pela maior final de todos os tempos, o grande duelo definitivo entre Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors, tudo bem, a gente aguenta mais um pouco, mas saibam que estamos ficando um pouco emburrados. Se vocês estão lendo isso, deem um sinal. E por sinal eu só quero que os próximos jogos das finais de conferência –no Leste e no Oeste– sejam decididos só no último quarto. Em nome de Jordan, Magic e Bird, amém.

Um dia depois do Warriors vencer o Spurs por TRINTA E SEIS pontos no Oeste, o Cavs finalmente voltou à quadra para a decisão do Leste. Fora de casa, LeBron James e cia. ANIQUILARAM o pobre Boston Celtics por 13 pontos de vantagem. Mas não se enganem, a diferença chegou a 10 em poucos minutos, foi para 20 pouco depois e beliscou o 30 lá no miolo da partida. Com tudo decidido que o Celtics esquentou e transformou o placar em algo menos humilhante. Foi embaraçoso. LeBron James marcou 38 pontos em 41 minutos para se manter como cestinha da pós-temporada e com domínio absoluto da conferência: ele e seu Cavs venceram 16 dos últimos 19 jogos que disputaram FORA DE CASA nos Playoffs no Leste. Perderam só uma vez para o Bulls (aquele game-winner do Derrick Rose) e duas para o Raptors na final de conferência do ano passado.

[preview] Boston Celtics x Cleveland Cavaliers

[preview] Boston Celtics x Cleveland Cavaliers

[1] Boston Celtics x [2] Cleveland Cavaliers

Quando perguntado sobre as chances do Boston Celtics contra o atual campeão da NBA, o ala Jae Crowder invocou o discurso eterno do jogador injustiçado: “Ninguém acredita na gente. Ninguém acreditou nas outras duas séries também”.

Ele não está totalmente certo nem totalmente errado. Contra o Chicago Bulls, TODOS os colunistas da ESPN gringa apostaram nos verdinhos. Tá bom que vários colocaram vitória em 7 jogos e previram uma série sofrida, mas eles erraram? Pois é. Contra o Washington Wizards a maioria realmente escolheu o time da capital, mas foi por pouco, 11 a 10. Não dá pra dizer que estavam todos contra e duvidando. E contra o Cavs? Aí sim, não houve um apostando no time com mando de quadra. Finalmente você está certo, Crowder. Agora é zebra!

Um bom começo para o time verde nesta disputa é usar o coitadismo como motivação. Nos primeiros jogos contra o Bulls o time parecia realmente com medo que as dúvidas sobre eles fossem reais, só depois começou a soar mais como um time que parecia disposto ao bom e velho “calar os críticos”. A postura é ainda mais importante neste caso porque o Cleveland Cavaliers é um ótimo time na arte de pisar e humilhar seus adversários. Eles vão ter sequências absurdas de pontos, LeBron James e Kyrie Irving irão parecer indefensáveis e tem dias que vão chover bolas de 3 pontos. Times como o Toronto Raptors acabam aceitando a inferioridade e fazem ainda menos do que podiam, é preciso ter confiança, cabeça e casco grosso para saber sobreviver aos momentos de dominância do Cavs e responder quando eles estiverem mais vulneráveis.

O Celtics soube fazer isso após os momentos de domínio na série contra o Wizards. Nos Jogos 1 e 2 voltaram de buracos fundos cavados no primeiro quarto, no Jogo 5 a equipe se mostrou forte após ser SURRADA duas vezes em Washington. Pode ter sido um bom teste para um time que precisa saber que tem forças para reagir quando for agredido. Mas a mentalidade e a confiança são detalhes que só fazem a diferença quando há talento, técnica e tática funcionando. Será que nesse ponto os verdinhos dão conta?

Toda série que envolve o Cleveland Cavaliers envolve a pergunta mais básica de todas: alguém consegue marcar LeBron James? Nas últimas 5 finais, três foram vencidas por ele, que foi MVP da decisão. Nas duas que perdeu o jogador mais valioso foi o cara cuja única função era defendê-lo: Kawhi Leonard e Andre Iguodala. Eles não anularam LeBron ou nada assim, mas impediram o domínio completo e absoluto, era o bastante para que seus times tivessem chance. Se formos mais atrás no tempo, dá pra lembrar de Paul Pierce ou até Mickael Pietrus tendo papeis decisivos em impedir King James de colocar jogos e times inteiros no bolso.

No Celtics esse papel deve ser, a princípio, de Jae Crowder. O ala é bom defensivamente, mas não sei se é bom o bastante para aguentar o tranco de marcá-lo sem muita ajuda. A ideia de não mandar marcação dupla ou tripla é importante para não deixar todos os mil arremessadores do Cavs sem marcação, LeBron SEMPRE encontra eles. Mas o Celtics costuma variar a marcação sobre ele. Certamente veremos momentos de Avery Bradley, Marcus Smart e até, acredito, Jaylen Brown. Alguém precisa causar dor de cabeça, ou já era.

Se o Celtics precisar dobrar sobre LeBron em todos os lances, as bolas de 3 do atual campeão vão começar a voar, aí é difícil de acompanhar. Nos 4 jogos contra o Toronto Raptors, o Cavs acertou 61 bolas de 3 pontos (183 pontos!), o time canadense fez 27 (81 pontos). É muito ponto de diferença! Mesmo que o Raptors tivesse respondido cada bola de longa distância com uma enterrada, não seria o bastante para dar conta do ponto extra. Então para o Celtics entrar no jogo eles precisam limitar os arremessos do Cavs (na medida do possível ao menos!) e eles mesmos precisam acertar os seus. O time tenta bastante, isso não deve ser problema, mas precisam igualar o adversário também no aproveitamento. Contra o Wizards vimos Avery Bradley pegando fogo, Al Horford acertando insustentáveis 60% de longa distância e até Marcus Smart, péssimo nos arremessos de longe, acertando bolas decisivas no Jogo 7. Vão precisar de todo mundo.

Outra questão importante acontece quando esses arremessos não entram: rebotes. Falamos isso em todos os previews e até agora tem sido realmente um problema. O Celtics sofre com os rebotes de ataque do adversário e só alivia a barra quando joga com Amir Johnson ao lado de Al Horford, o que acaba prejudicando o ataque. Nessa série eles enfrentarão Tristan Thompson, que simplesmente ENGOLIU Al Horford nas séries entre Cavs e Hawks nos últimos anos e que é o segundo melhor da NBA em aproveitamento de rebotes ofensivos de média nestes Playoffs. O primeiro? Robin Lopez, que maltratou o Celtics na primeira rodada. Se já estamos dizendo que o Cavs faz pontos de 3 em 3, é importante não deixar que eles ainda por cima arremessem mais.

Na semi do Leste, o Celtics transformou esse problema em solução na segunda metade da série. O Wizards comprometeu a sua defesa de transição por pedir para Marcin Gortat, Markieff Morris e Otto Porter sempre lutarem por rebotes de ataque. Quando o Celtics conseguia impedi-los de garantir a posse de bola, o caminho estava livre para o contra-ataque. Se no começo da série o ataque rápido de transição era a grande arma do Wizards, liderados pela velocidade da luz de John Wall, no final foi o que fez a diferença a favor do Celtics. Espero um Celtics bem agressivo na defesa, tentando forçar erros e saindo correndo desesperadamente quando tiver a chance.

Mas tem alguma área onde o Celtics tem real vantagem? Não sei se é vantagem, mas o time é talvez o mais equipado da NBA para marcar Kyrie Irving no mano-a-mano. Ninguém para o melhor jogador da NBA em jogadas individuais, mas o Celtics pode ao menos não ser DILACERADO como foi o Raptors, que não sabia mais o que fazer para impedir Irving de entrar no garrafão quando queria. Com Avery Bradley e Marcus Smart eles podem causar problemas. Com os quintetos mais baixos ainda podem se dar ao luxo de trocar a marcação a cada pick-and-roll e manter bons defensores sempre na frente dele.


MALDIÇÃO BOLA PRESA

O Boston Celtics, até por ter mando de quadra, tem uma chance de causar problemas, empurrar essa série para os últimos jogos e lá tentar ver o que acontece, mas só um MALUCO apostaria contra LeBron James do jeito que ele está jogando. O Cavs mostrou alguma melhora defensiva na última série (muito é culpa do Raptors, é verdade) e ainda esperamos pra ver como atuam agora, mas mesmo que não defendam tão bem, ninguém parece ter resposta para o veneno de LeBron James e Kyrie Irving fatiando defesas enquanto eles são cercados por alguns dos melhores arremessadores do mundo. O poder dos rebotes de Kevin Love e Tristan Thompson só deixam tudo mais complicado para o Celtics.

Torcemos, porém, para Al Horford e Isaiah Thomas jogarem no nível altíssimo da última série para que esse duelo vá longe. Se o pivô jogar bem quando estiver longe da cesta, armando o jogo às vezes, como fez contra o Wizards, poderá forçar o Cavs a dar até menos minutos para Thompson.

Como já dissemos, não temos nenhum problema com um novo Cavs/Warriors na Final, mas seria bem legal vê-los serem desafiados de verdade antes disso. Será que o Celtics, que venceu um Jogo 7 na segunda-feira e garantiu a primeira escolha no Draft deste ano na terça, consegue manter a semana dos sonhos?

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