Como curar Derrick Rose

Como curar Derrick Rose

Não sei se só estou num momento emotivo da minha vida, mas essa nova lesão do Derrick Rose me deixou muito arrasado. Pensa bem, nos últimos cinco anos, só ele conseguiu tirar de LeBron James o título de MVP da temporada; somente ele, depois de Michael Jordan, conseguiu fazer a gigantesca torcida do Chicago Bulls sonhar com o título. Ele era a face e o melhor exemplo, o mais completo, de uma geração de armadores atléticos, agressivos e pontuadores. De um jeito estranho, com seu rosto sem emoções e as entrevistas quase mudas, ele tinha o seu carisma e seu apelo para o público. Derrick Rose era a história perfeita, o cara perfeito, para ser um dos ícones da NBA pelos próximos 10 anos.

Mas o que vemos é ele andando de muleta pra lá e pra cá. Desde aquela temporada de MVP e sua participação na final do Leste, Rose só jogou 50 partidas, apenas uma de Playoff, sofreu seguidas lesões no joelho e vai agora para mais uma temporada de fora. Lembramos na hora de Penny Hardaway, Grant Hill, Brandon Roy, Gilbert Arenas e Greg Oden, afinal não é o primeiro grande jogador a ter a carreira arruinada por lesões, mas poucos fazem tanta falta.

Rose

É claro que Grant Hill fez falta e que tinha tudo param ser um dos grandes nomes da NBA pós-Jordan, uma época sedenta por ídolos, ao lado de Kobe Bryant, Vince Carter, Allen Iverson e outras estrelas do fim dos anos 90. Mas Hill não tinha o apelo ao público de nenhum destes que citei, mesmo sendo o mais completo tecnicamente naquela época. Derrick Rose não é só um All-Star, um grande atleta, ele é um dos raros casos de jogadores que nos fazem gostar de basquete.

Imagino que todos os leitores aqui tem um ou um grupo de jogadores que foram os responsáveis por esse primeiro passo da paixão pelo esporte. Se você começou a ver basquete nos anos 80, até poderia reconhecer que Moses Malone era um monstro no garrafão, mas vai dizer que não foi Magic Johnson e Larry Bird que o fizeram gostar da bola laranja? Do mesmo jeito que Michael Jordan tinha um apelo milhares de vezes maior que alguns de seus adversários de final como Clyde Drexler ou Gary Payton. E nas vacas magras após a Jordan, Malone e cia., quantos de nós não foram fisgados pela juventude e enterradas de Vince Carter e Kobe Bryant? Certamente era mais atraente para os olhos leigos do que os fundamentos de Tim Duncan, um tipo de jogador que aprendemos a admirar quando já conhecemos mais como funciona o basquete com detalhes.

O conjunto de Derrick Rose era perfeito para conquistar torcedores: joga num time conhecido, de nome; faz impressionantes jogadas de efeito; impressiona com a técnica e com o físico; joga em um time que disputa Playoff e, por fim, seu time tinha tudo para ser o grande rival do outro time grande e conhecido do momento, o Miami Heat. Quem não daria tudo o que tem para voltar no tempo e ver mais duas séries entre Bulls e Heat em 2012 e 2013, com Rose em quadra?

Mas quem, além do azar e dos deuses, podemos culpar por essa broxada coletiva do basquete? Alguma coisa pode ser feita, não? Bom, provavelmente não totalmente. Contusões vão acontecer e, dentro da minha ignorância no assunto, imagino que alguns corpos simplesmente sejam mais frágeis que outros. Isso sem contar momentos de puro azar, contusões bizarras acontecem. Por outro lado, estamos em 2013, já mandamos o homem a lua, criamos um grande colisor de hádrons e clonamos uma ovelha, não podemos consertar joelhos?

Não me entendam errado, não estou negando o avanço perceptível e impressionante da medicina esportiva nas últimas décadas. É claro que hoje atletas duram mais, fazem mais, são mais preparados, mas me incomoda que essa evolução ainda pare em algumas barreiras éticas que pouco são discutidas. Felizmente existem pessoas como Mark Cuban, dono do Dallas Mavericks e uma das cabeças mais abertas da NBA, que finalmente trouxe o assunto à tona: Cuban quer a liberação do uso de hormônios de crescimento (doping puro e simples pelas regras atuais) para atletas em recuperação.

roy oden

Em teoria a coisa é simples. Enquanto o cara está em recuperação, ele não está se aproveitando do doping para ter vantagem sobre outros atletas, não está ganhando jogos, mas apenas acelerando sua volta às quadras. Por outro lado, podemos definir quando as substâncias param de causar efeito? O assunto é novo o bastante para que não haja consenso científico no caso. O uso dos hormônios de crescimento, os chamados HGH, são vistos até por alguns como prejudiciais para os atletas! Um estudo dinamarquês indica que atletas que usam HGH sofrem perda de resistência, tendo resultados até piores em provas ou exercícios de longa duração. E mesmo o crescimento aparente dos músculos não tem relação comprovada com aumento de força destes. A ciência não tem certeza e o esporte, para não dar margem pra nada, proíbe.

Enquanto os benefícios (e até problemas) causados por essas substâncias não forem resolvidos, provavelmente os esportes, sempre tão tradicionais e medrosos em relação a mudanças, elas continuarão proibidas. Mas isso não significa que não devam ser discutidas seriamente e até incentivadas. A NBA é um exemplo muito bem sucedido de como o esporte virou um mercado zilionário, mas quanto desse dinheiro é usado para estudar o doping? Eu só conheço investimentos feitos para contê-lo, para flagrá-lo, e mesmo assim estão sempre um passo atrás. O tal doping genético, que ninguém tem ideia de como detectar, seria a derrota definitiva.

trouxemos o assunto à tona em outro texto e repito aqui, que outro lugar, além do esporte, evita o doping de performance? Artistas usam qualquer substância, legal ou ilegal, em busca de inspiração. Médicos, advogados e qualquer estudante por aí usa remédios que o deixem mais focado, acordado, concentrado. O esporte, com a sua suposta busca da igualdade de oportunidades, dribla isso com assessórios: supermaiô, chuteira leve, tênis com amortecedor especial, suplemento alimentar. Retomo aqui a frase que usei no texto linkado acima, do professor de política comparada da Universidade de Michigan Andrei Markovits: “Me horroriza este ambiente inquisitorial à la Torquemada que cerca a questão do doping hoje em dia. Podemos tomar Viagra, antidepressivos, essa pílula, aquela outra – tudo o que quiser. Só os atletas não podem. E por quê? Devido ao ultrapassado ideal de amadorismo e virtude no esporte – conceitos desenvolvidos pela classe dominante inglesa de Oxford e Cambridge, no século XIX”.

Um dos argumentos contra o doping, especialmente em esportes que não são fechados como as ligas americanas, é sobre dinheiro e oportunidade. O corredor americano e rico teria mais acesso a drogas que aumentam performance do que um mané que luta para conseguir treinar sem uma pista no quinto dos infernos da Oceania. Por outro lado, isso já não acontece? Quem tem mais dinheiro tem mais aparelhos, treinadores, nutrição, chance de competir e etc. A igualdade no esporte, assim como seu amadorismo, não existe faz tempo. E, extrapolando o assunto, o doping não poderia ser uma maneira de igualar ainda mais as coisas? Por que, num futuro distante, não dar algo que faça alguém ficar mais alto? Os Nate Robinsons da vida vão adorar a chance de ser mais iguais a seus oponentes.

O que quero mostrar é que a tão sonhada equidade nos esportes é só um sonho. Dentro de campo, quadra ou pista, a regra é a mesma para todos, mas tudo o que acontece antes disso é, como reflexo de uma sociedade capitalista e competitiva, desigual. Por que tanto drama em relação ao doping, portanto? Posso estar sendo extremista demais muito cedo, mas imagino que eventualmente a discussão irá chegar nesse ponto. A princípio eu acho que podemos nos focar em Derrick Rose, ou seja, nas lesões. A NBA, a NFL, a FIFA, a UEFA, todos esses monstros dos bilhões de dólares esportivos, deveriam se importar mais e investir pesado num “doping de recuperação” ou “doping de prevenção”. Que substâncias os jogadores poderiam tomar, nem que seja na offseason, que os deixariam mais resistentes a lesões? O que poderia ser feito para que os machucados voltem mais rápido? É interesse dessas ligas e organizações que seus atletas estejam sempre bem e atuando no melhor nível possível. Imaginem um processo médico que deixasse LeBron James atuando em alto nível até os 50 anos!

Grant Hill

Como ninguém faz nada, anos atrás Kobe Bryant foi, por conta própria, tratar seu joelho na Alemanha. Ele fez parte de um tratamento diferente onde o seu próprio sangue é retirado e manipulado para que crie, sozinho, o material necessário para acelerar a cura. Sendo depois injetado de novo no corpo do atleta. O negócio é tão experimental que ele é feito na Alemanha porque nos EUA ainda não existe uma regulamentação clara e específica sobre a manipulação em laboratório de sangue e tecidos humanos. Mas o negócio parece que funciona: Kobe ficou anos mais jovem com seu novo joelho e não precisou usar o tratamento tradicional que seria demorado, doloroso e cheio de efeitos colaterais. A questão é, o que Kobe fez foi doping? A sua definição não é parecida com a do doping genético, que não usa substâncias externas e proibidas? E se o resultado do tratamento sanguíneo fosse o mesmo do HGH, por que um vale e o outro não? São perguntas demais para um texto e pouca gente importante tentando responder.

Em geral são poucas pessoas tentando responder porque as perguntas são difíceis e as respostas não são óbvias. A NBA, por exemplo, não vai se arriscar ao investir em coisas que não tem aceitação moral da maioria de seu público consumidor. Uma pena, porque a inovação científica me parece a única alternativa para que possamos minimizar casos como o de Derrick Rose e de outros futuros jogadores que poderiam estar lá fazendo outras pessoas gostarem de basquete.

Uma segunda solução, esta sim discutida a exaustão, seria diminuir o calendário. Menos jogos por semana, mais tempo de recuperação e descanso, jogos mais importantes e com melhor qualidade técnica. É um assunto tão óbvio que já dá pra encerrar ele aqui na terceira linha da conversa. Mas por enquanto o dinheiro ganho pela liga e distribuído entre os próprios atletas, que nunca lutaram

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por mudanças, vai falando mais alto. Joelhos que se explodam.

>Preview 2010-11 / Utah Jazz

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Se tem o Deron tem que ter o CP3

Objetivo máximo: Vencer o Oeste (e encher o saco de todo mundo durante isso)
Não seria estranho: Perder uma série disputada na primeira rodada ou cair na segunda (e encher o saco depois que perderem)
Desastre: O Al Jefferson não se entender com o Deron Williams (e encher o saco criticando a saída do Boozer)

Forças: Um dos melhores armadores da NBA, time entrosado e ataque poderoso
Fraquezas: Defesa de garrafão ridícula e os torcedores mais malas da liga

Elenco:

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Técnico: Jerry Sloan



São benditos 22 anos como técnico do mesmo time! Quando Jerry Sloan entrou no Jazz ainda existia União Soviética, o Brasil ainda não tinha um presidente eleito democraticamente depois da ditadura militar, a Microsoft tinha acabado de anunciar o Windows 2.1, Super Mario 3 era lançamento e ainda estavam para nascer pessoas importantes do mundo contemporâneo como Selena Gomez, Vanessa Hudgens, Rihanna e quase 40% dos nossos leitores!

Não vou me dar ao trabalho de reescrever toda a história dele, então vai um “Ctrl+C – Ctrl+V” no texto da semana dos técnicos:

“Dois times marcam a carreira de Jerry Sloan. O primeiro, claro, é o Utah Jazz. Ele é técnico do Jazz desde a temporada 88-89, ou seja, completará 20 anos como técnico do mesmo time e foram 20 anos brilhantes. Desde 89 até 2003, Sloan não deixou nem por um ano de ir para os playoffs, chegando em 5 finais de conferência e duas finais da NBA.

O time, como todos sabem, era liderado pela dupla John Stockton e Karl Malone, dois dos melhores jogadores de basquete em todos os tempos. O esquema tático do Sloan era conhecido e usava e abusava do talento dos dois craques. O principal artifício era o “pick and roll”, jogada que se utilizava do entrosamento dos dois, da visão de jogo do Stockton e da combinação de bom arremesso de meia distância e de infiltração do Malone. Então soma-se a isso bons arremessadores e jogadores sempre usando a força para cortar em direção à cesta para receber os passes de Stockton e você tem um time eternamente competitivo. Todos os anos o Jazz estava lá incomodando todo mundo, não tinha erro, podiam entrar e sair jogadores mas se tinha Malone, Stockton e Jerry Sloan, o Jazz estava na briga. O título só não veio por causa do outro time na vida de Jerry Sloan.

Por dois anos seguidos, o Jazz perdeu a final da NBA para o Chicago Bulls de Michael Jordan. O mesmo Chicago que tem a camiseta número 4 aposentada por causa de Sloan.

Sloan nasceu no estado de Illinois, onde fica Chicago, e jogou apenas uma temporada no Baltimore Bullets antes de se transferir para o Chicago Bulls no ano em que o time nasceu, até por isso o seu apelido era “O Bull original”. Lá ele fez fama defendendo como um doido, indo para dois All-Star Games, levando o time para os playoffs e como líder do único título de divisão do Bulls fora da era Jordan.

Em uma história parecida com a do Nate McMillan, Sloan logo que se aposentou (por causa de contusões no joelho) virou olheiro do time e logo depois técnico, treinou por 2 temporadas e meia, depois foi mandado embora. No Jazz, depois de perder os títulos para o Bulls, não conseguiu mais repetir o sucesso de antes e mesmo sem Jordan na liga, o Jazz já não conseguia mais passar pelas novas potências do Oeste, como Spurs e Lakers. Aí foi a hora de Stockton se aposentar e do Malone levar seu pé frio para Los Angeles.

Todo mundo pensava que era a desculpa certa para o Sloan pedir as contas e ir embora, mas não, ele permaneceu fiel ao time e comandando um elenco ridículo não foi para os playoffs pela primeira vez em 2004. Não foi de novo em 2005 e 2006, mas nesse tempo ele não abandonou aquele mesmo velho esquema tático que deu certo durante mais de uma década e aos poucos foi montando o time com as peças necessárias para o esquema dar certo de novo. Veio o armador com visão de jogo (Deron Williams), o ala de força com potência e arremesso (Boozer), os arremessadores (Okur e Korver) e os jogadores de força que estão sempre cortando em direção à cesta (Brewer, Kirilenko, Harpring).

Se fosse pra definir Sloan com uma palavra, seria “estabilidade”. Sempre o mesmo esquema, a mesma calma, a mesma cobrança por defesa e jogo físico. O título pode não vir nunca, mas enquanto ele tiver jogadores nas mãos vamos ver ele e seu Jazz nos playoffs. E acho que ele só pára quando morrer.”

Para esse ano é mais do mesmo! Raja Bell é o arremessador-defensor-pentelho no lugar de Ronnie Brewer, Paul Millsap é o cara físico e agressivo do banco ao invés de Harpring, Al Jefferson é o jogador de garrafão que brinca com o armador ao invés do Carlos Boozer. E uma coisa nunca mudou no Jerry Sloan, ele tem mãos muito grandes. 

…..
Nas duas últimas temporadas o Jazz foi um time estranho. Em alguns momentos eles deram a entender que estavam em plena decadência e em outros foram, sem dúvida alguma, o melhor time da  NBA. É sério, durante pelo menos um mês na temporada passada e duas na retrasada eles foram o time mais empolgante da NBA, tanto no estilo de jogo quanto na qualidade e importância das vitórias. O motivo dessa regularidade digna de humor de mulher na TPM é um mistério.

No ano passado começaram a temporada jogando um basquete sem vergonha. Parecia um time previsível e sem aquela vontade e gana que todo time do Jerry Sloan usa para cobrir eventuais defeitos. Até cheguei a decretar aqui o fim do time. Alguns meses depois eles estavam voando em quadra e assumiram a segunda colocação do Oeste, chegando a ameaçar a liderança do Lakers. Depois perderam alguns jogos importantes e acabaram caindo, na última semana, para o 5º lugar. Hora de enganar todo mundo de novo: Embalaram aquele fim de temporada ridículo com uma série dominante e espetacular sobre o Nuggets, derrotando Carmelo e Billups por 4 a 2. E aí, quando todo mundo voltou a achá-los um dos times mais empolgantes da liga, foram varridos pelo Lakers.

Ou seja, o Jazz é um time tão mala que nem previsão deles dá pra fazer! Mas vou me arriscar: Eu acho o Al Jefferson um baita jogador, um dos que mais tem recursos e jogadas quando joga de costas pra cesta. Ele não tem o arremesso de meia distância como o do Carlos Boozer e isso vai mudar um pouco como funciona o pick-and-roll do time, mas em compensação dá outras opções de jogada. E embora ele não seja um pivô nato (e reclamava de jogar na posição 5 quando estava no Wolves) não deve dar piti se jogar um pouco mais lá dentro se fizer dupla com o Paul Millsap. Entre Boozer, Okur, Millsap e Al Jefferson o meu jogador favorito é o Boozer, mas entendo que o atual trio do Jazz é mais completo sem ele, hoje tem opções mais diferentes de combinação.

Uma coisa ruim desse trio é que eles continuam fracos na defesa. O Danilo acha o Boozer um inútil na defesa, eu não acho tanto assim, ele pelo menos sempre foi esforçado e ajuda sendo um bom reboteiro, mas não o bastante para fazer do Jazz um time forte na defesa do garrafão. Com o Al Jefferson não muda muita coisa. É meio broxante trocar de jogador e ver os mesmos problemas, mas os torcedores do Jazz, que pena, vão ter que lidar com isso.

Outras perda que pode machucar o time está também no Bulls, Kyle Korver. Ele era o arremessador de três que vinha do banco para acabar com o jogo. Poucos jogadores se adaptaram tão bem e tão rápido ao estilo do Jerry Sloan e por ser um branquelo do bem ainda era queridinho da torcida. Outro que vai fazer falta é o Wesley Matthews, o novato apareceu do nada no ano passado para virar titular absoluto que defendia o Kobe Bryant em momentos decisivos! Mas não culpo o Jazz por perdê-lo, eles estavam certos de dar um contrato de só um ano quando ele era só um Zé Ninguém e igualar a oferta descomunal (34 milhões por 5 temporadas, com 9 milhões no primeiro ano!) que o Blazers fez por ele seria burro para um time que já até fez trocas idiotas para economizar alguns trocados.

O responsável por cobrir o espaço que os dois deixaram no time vai ser o Raja Bell. Ao mesmo tempo ele vai ter que ser o defensor que era o Wes Matthews e fazer as bolas de três do Korver. Ele é capaz disso se jogar o que jogava no seu auge no Suns, mas depois de um ano parado por contusão é bom ter um pé atrás. Outro que pode ajudar é o Gordon Hayward, novato que veio da mesma escola Bieber de garotos branquelos do Kyle Korver e teve alguns momentos muito empolgantes na pré-temporada.

O Jazz sempre achou caras para substituir as suas perdas, sempre montou times bons. Sempre deu trabalho pra todo mundo. E sempre chegou perto do título e perdeu. Não deve ser diferente nesse ano. E só porque eu falei pouco de um dos meus jogadores favoritos, um bom mix de jogadas do Deron Williams:

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Brandon Roy entrega seu filho para adoção


Objetivo máximo: Final de conferência
Não seria estranho: Perder na primeira rodada de novo
Desastre: Ficar fora dos playoffs

Forças: Jogadores bons em todas as posições e forte banco de reservas
Fraqueza: Inúmeras contusões. Há anos não jogam com o time completo.

Elenco:


Portland Trail Blazers
Titulares
Reservas
Resto
PG
Andre Miller
Jerry Bayless
Patrick Mills
SG
Brandon Roy
Wes Matthews
Rudy Fernandez
SF
Nicolas Batum
Luke Babbitt*
Dante Cunningham
PF
LaMarcus Aldridge
Jeff Pendegraph
C
Greg Oden
Marcus Camby
Joel Pryzbilla


Técnico: Nate McMillan

Como descobrimos no último post, a maior parte dos nossos leitores tem entre 20 e 24 anos. Foi no mesmo ano que os mais velhos desse grupo nasceram que Nate McMillan foi draftado pelo falecido Seattle Supersonics. Sua carreira não foi espetacular, mas marcou os torcedores locais, que chamavam de Big Mac o trio que ele fazia com Xavier McDaniel e Derrick McKey. Logo depois da sua aposentadoria, 12 anos depois do draft, já virou assistente técnico e, em 2001-02, técnico principal até 2005. Seus 19 anos de serviços ao time renderam o apelido que ainda persiste de Mr. Sonic.

Foi como técnico em Seattle que ele conseguiu o maior feito de sua carreira. Em 2005 comandou o elenco mais limitado que já vi chegar em uma semi-final de conferência. Perderam em 6 jogos (e o jogo 6 foi decidido no último segundo) para o futuro campeão San Antonio Spurs. O forte do time estava nas posições 2 e 3 com Ray Allen e Rashard Lewis, máquinas de três pontos, mas tinha como armador principal Luke Ridnour, o homem que não defende, e o garrafão era uma piada: o agarrador de bolas Reggie Evans e o cara que é mais gordo que Eddy Curry e Zach Randolph juntos depois da feijoada, Jerome James. Os dois estavam em ano de contrato e jogaram uma defesa forte e suja que era a marca do time.

Aproveitando o embalo, McMillan surpreendeu a todos e pela primeira vez na carreira serviu a outro time na NBA, justamente o rival local do Sonics, o Blazers. Após disso o Sonics desabou de qualidade e seus jogadores aos poucos foram saindo (Jerome James ganhou na loteria ao ir para o Knicks por uma fortuna, Evans foi para o Nuggets e Rashard Lewis virou o Bill Gates da NBA com seu contrato com o Magic) Alguns torcedores do Sonics se sentiram traídos e a saída foi um pouco polêmica, mas ele foi bem recebido em Portland, onde era visto como o cara que levaria o jovem time a algum lugar depois dos anos do Jail Blazers. Nos últimos anos tem feito um bom trabalho, o time melhorou um pouco a cada ano e só no ano passado caiu de nível, mas mais pelas contusões do que por qualquer outra coisa. O próprio McMillan se machucou quando corria em um treino no começo da temporada passada!

Ele na verdade deve receber créditos por fazer o time funcionar mesmo com Jeff Pendegraph e Juwan Howard no time titular. McMillan é bom em tirar o melhor de seus jogadores: sabia usar bem a dupla Sergio Rodriguez e Rudy Fernandez quando os dois estavam por lá, sempre viu o potencial da defesa de Nicolas Batum e conseguiu achar um jeito de introduzir o fominha Jerryd Bayless na rotação sem estragar o conjunto da equipe. Não é um estrategista ou um gênio da motivação, mas é um dos bons técnicos da NBA. Não custa lembrar que ele também fazia parte da comissão técnica campeã olímpica em 2008 com Mike Kryzewski e Mike D’Antoni.

…..

Há anos que a gente sempre baba ovo nas offseasons do Blazers. Eles sempre pareciam não perder nada de mais e ganhar jogadores espetaculares. Mas em compensação durante a temporada tinham resultados abaixo do esperado. Não é que jogavam mal, longe disso, mas é que a expectativa era sempre a de um time forte que pudesse ir longe nos playoffs, não um time remendado que perde na primeira rodada.

O motivo desse desempenho bom mas abaixo do esperado pra mim é um só: contusões. E não estou pensando só no Greg Oden que perde a temporada inteira, mas das pequenas contusões que tiram LaMarcus Aldridge por uma semana, Brandon Roy por um mês, Rudy Fernandez por 10 dias, etc, etc, etc. Com esses problemas o McMillan está sempre improvisando. Lembram no ano passado dele usando o Juwan Howard de pivô ou o Jerryd Bayless de armador principal titular? Coisas que ele nunca faria numa situação normal. Aposto que o McMillan preferiria usar o Luke Ridnour com uma mão amarrada nas costas como armador ao invés do Bayless. Por isso ao invés de achar que o Blazers jogou abaixo do esperado nas últimas duas temporadas eu prefiro dizer que nunca vimos de verdade o que aquele time poderia ter feito.

Para essa temporada, algumas mudanças importantes. Primeiro no comando do time, o General Manager Kevin Pritchard, o responsável pela criação de todo esse elenco, foi demitido uma hora antes do Draft 2010 começar e fez nesse dia suas últimas movimentações. Pois é, vai entender essa cartolagem da NBA! Há anos ele é considerado o melhor e mais criativo GM da liga e aí chutam o cara no dia em que ele tem mais trabalho no ano.

Depois, no elenco, perderam Martell Webster numa troca com o Wolves e Rudy Fernandez ainda continua dando piti e dizendo que ou é trocado para um time que o use como titular ou volta para a Europa. Frescura e bichisse de moleque mimado. Nunca jogou com regularidade o bastante para ser titular e não é com showzinhos como esse que outros times irão fazer loucuras para tê-lo no time. Várias equipes se mostraram interessadas, como Knicks, Celtics e Bulls, mas ninguém quis correr o risco de dar uma de Spurs com o grego Vassilis Spanoulis. Há alguns anos o Spurs mandou os direitos de Luis Scola para o Houston para ter o insatisfeito Spanoulis, o grego decidiu que voltaria para a Europa mesmo assim e o Spurs ficou de mãos abanando, enfrentando o Scola quatro vezes por temporada enquanto usavam o Antonio McDyess no time titular.

A perda de Webster eu não acho que será tão sentida. O Luke Babbitt tem tudo para ser o melhor ou um dos melhores arremessadores de três dessa classe de novatos e só precisa acertar as bolas de longe para fazer qualquer torcedor achar que Webster é só mais um dicionário.

Já com o espanhol a sua ausência vai ser sentida só por aqueles torcedores que não entendem muito de basquete e querem ver enterradas, dribles e contra-ataque fulminantes, as especialidades de Rudy. Para o seu lugar, na reserva de Brandon Roy, foi contratado a peso de ouro (ou de uns 900kg de ouro) Wesley Matthews. Na temporada passada ele surpreendeu todo mundo ao ser um jogador que passou em branco pelo draft, ganhou um contrato mínimo de um ano e poucos meses depois era titular do Utah Jazz. Um ano depois é o jogador mais bem pago da classe de novatos do ano passado, com seu novo contrato está fazendo mais grana que Tyreke Evans, Blake Griffin ou Brandon Jennings. Matthews é ótimo defensor, tem um arremesso confiável de três pontos (38% na temporada passada) e logo no seu primeiro treino com o novo time recebeu trocentos elogios pela sua inteligência dentro de quadra. E acredite, se você é inteligente, sabe se movimentar e está no mesmo time que Andre Miller, vai se dar muito bem.

Como o time dessa temporada está montado e nenhuma troca é necessária até o próximo ano, não vai ser agora que eles vão sentir falta de Pritchard. Com Matthews e Babbitt também acho bem possível que Rudy e Webster não sejam lembrados. Nicolas Batum como titular também não deve fazer feio, muito pelo contrário, acho mais provável vê-lo recebendo votos de jogador que mais evoluiu na temporada. Portanto, eles simplesmente voltam à posição do ano passado: com um ótimo elenco e bom técnico, será que conseguem ficar inteiros?

Eu já não espero mais que Greg Oden seja o melhor pivô defensivo da NBA e justifique ter sido escolhido antes do Kevin Durant, nem penso mais nisso. Sinceramente só espero que ele vire um jogador de basquete. Quero ver ele jogar mais de 70 jogos em uma temporada e está ótimo. Se jogar mal, paciência, vira reserva do Marcus Camby, mas que jogue, esse time não suporta mais tanta gente com pequenas, médias ou grandes contusões. É ridículo, um ano depois da polêmica contratação, não poder ter uma opinião totalmente formada sobre se a combinação Andre Miller e Brandon Roy funciona bem. Tudo porque Roy perdeu muitos jogos e jogou outros tantos baleado no último ano. Se Oden jogar o tempo inteiro e as pequenas contusões não assombrarem o time de novo, poderemos, finalmente, ser capazes de ver não só as reais chances do Blazers, mas também seus reais problemas.

>Efeito Dominó

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Tyreke? Curry? Jennings? Eis o homem mais bem pago dos novatos de 2009

O efeito dominó é até bastante comum no mercado de Free Agents da NBA. Um time consegue o jogador mais desejado e os outros, que tentavam este, vão pegando os próximos da lista. Mas a história que eu vou contar agora é interessante porque não só envolve jogadores da mesma posição, são também quase do mesmo nível, não tem nenhuma estrela e nenhum pé rapado. A escolha de um time por um deles e as substituições podem mostrar mais do que a gente imagina sobre as equipes.
Vamos começar com o Boston Celtics, que tinha dois de seus shooting guards, os jogadores da posição 2, como Free Agents: Tony Allen e Nate Robinson. Os dois são bons, agressivos, mas pecam por não ter muita cabeça. Quando decidem ir pra cima, vão sem pensar nas consequências. Os dois são daqueles jogadores que podem te ganhar um jogo num dia e perder no outro pelas mesmas atitudes.
Já que o Celtics havia confirmado a permanência de Ray Allen, nenhum dos dois poderia ser titular. E quem escolher entre Allen e Robinson para o banco? Tony Allen não tem arremesso, é mais fácil o Ben Wallace acertar uma bola de 3 (merda!) do que ele acertar um jumper de meia distância sem marcação. Mas compensa com bons contra-ataques, infiltrações e marca bem até jogadores mais altos, basta lembrar dele enchendo o saco do Kobe nas finais. Já o Nate Robinson não defende grande coisa (embora seja bastante esforçado e dedicado), mas por mais de uma vez foi a única fonte de inspiração ofensiva do time verde nos playoffs. Em dias em que o Rondo não consegue suas bandejas e o Ray Allen está frio, é importante ter um desafogo como o Nate, que pode fazer bolas de três consecutivas a qualquer momento.
Para o Celtics o ideal era manter os dois, para ter mais opção, mas na hora da preferência, assinaram primeiro com o Nate Robinson, para garantir algum ataque no banco. O Nate também é mais útil porque pode brincar de substituir o Rondo às vezes, por pouco tempo, coisa que o Tony Allen não faz por ter menos controle de bola. Só achei que o Nate Robinson ficou dispensável quando eles assinaram o Von Wafer um tempo depois, mas melhor ter jogadores demais do que de menos.
Ao se ver sem espaço no Celtics, Tony Allen assinou um contrato com o Memphis Grizzlies. Disse que gostava de Boston, sabia que estava saindo de uma franquia vencedora para outra sem a mesma história, atenção e elenco, mas que lá poderia ter mais espaço e jogar mais. Isso é fato. O Grizzlies não confia em Mike Conley na armação e por isso está se esforçando para deslocar OJ Mayo para a posição 1. Na posição 2, concorrendo com Allen, está o novato Xavier Henry, que apesar de todo o talento que pode ter, ainda é um novato. Por fim o Grizzlies sentia falta de um especialista em defesa. Não será nada estranho se o Tony Allen não for titular mas ficar em quadra sempre nos finais de jogos para marcar o armador ou segundo armador adversário.
A necessidade de um defensor no Grizzlies era percebida claramente nos jogos e foi explicitada por uma troca que fizeram no meio da temporada passada e que acabou sendo um dos piores negócios já feito pelo time, incluindo ter mandado o Pau Gasol para o Lakers em troca de um cadarço de tênis. Eles mandaram uma escolha futura de 1ª rodada para o Jazz em troca do Ronnie Brewer. Aí ele chegou em Memphis, jogou exatos 5 jogos, se machucou, ficou fora do resto da temporada, virou Free Agent e deu o fora. Ou seja, uma escolha de 1ª rodada em troca de 80 minutos de jogo.
O Ronnie Brewer faz parte desse efeito dominó esquisito. Ele deixou claro que não queria ficar em Memphis e deu a entender que poderia ir para o Bulls ou voltar para o Jazz. Mas ficou num limbo esperando atitudes dos dois times. O Jazz ainda decidia se igualava ou não a proposta que o Portland Trail Blazers havia feito para o Free Agent restrito Wesley Matthews e o Bulls esperava para ver se o Orlando Magic igualava a oferta feita ao JJ Redick.
O Bulls deixou claro que estava em busca de arremessadores para essa disputada posição de shooting guard. Assinou primeiro com o Kyle Korver e depois foi atrás do JJ Redick, mais do mesmo. O Korver, aliás, era do Jazz (tá começando a virar enredo de Malhação, né?) e foi sua saída que motivou a dúvida frente à proposta milionária para o Wes Matthews, que a princípio nunca seria igualada pelo Utah.
O Orlando Magic surpreendeu todo mundo quando igualou a proposta de 19 milhões por 3 temporadas pelo Redick. Ele nunca foi tão bom para valer tudo isso e parecia pouco provável que o time pagasse isso para um reserva. Mas o técnico Stan Van Gundy, já pensando na provável perda do Matt Barnes e na possível saída de Vince Carter no ano que vem, pressionou, cobrou e conseguiu o seu jogador de volta. Apesar da saída do Barnes, acho que o Redick não tem chances de ser titular. A vaga deve ficar com Mickael Pietrus e o branquelo continua vindo do banco, o que dá pra esperar são mais minutos de quadra. Faz sentido pensar nisso se lembrarmos da ótima série que ele fez contra o Boston Celtics (foi o melhor jogador do time em diversos momentos de apagão) e, claro, se levarmos em consideração a pressão violenta que o treinador fez para a direção do time colocar a mão na carteira. Não que ele seja o salvador da pátria, mas para enfrentar Heat e Celtics no Leste o Magic vai precisar de toda e qualquer ajuda vinda do seu banco de reservas, foi um ótimo gasto exagerado.
O Bulls não ficou em desespero porque ainda haviam outras opções na mesa, e partiu para a oferta a Ronnie Brewer, que ainda contou com incentivos de Kyle Korver e Carlos Boozer, companheiros dele de Jazz que até usaram o termo “Chicago Jazz” para levar o rapaz pra lá. Tentado a abrir a franquia do Jazz no Leste, assinou um contrato de 12 milhões por 3 temporadas com o Bulls.
Apesar do time estar em busca de arremessadores, Brewer não vai fazer feio por lá. Ele tem um bom arremesso de meia distância (não tão bom quanto a do seu companheiro Luol Deng, no entanto), defende muito bem, tem bom aproveitamento em todas as bolas, comete poucos erros, é ótimo e inteligente em contra-ataques (especialidade do Derrick Rose) e saiu incrivelmente barato para o talento que tem. Aliás, li na gringolândia um artigo bem legal um tempo atrás (esqueci o link, perdão) questionando o porquê do contrato do Travis Outlaw (35 milhões por 5 temporadas) ter sido tão maior que o do Brewer. Um é uma eterna promessa de basquete individualista e o outro um jogador sólido, bom em tudo que faz, que não inventa e já consolidado na NBA. Contratos da NBA não são uma ciência exata, amigos.
Pausa pra respirar? Vamos resumir nossa estrada até aqui: O Celtics escolheu o Nate Robinson, que deixou o Tony Allen na mão, que foi para o Grizzlies, liberando o Brewer para o Bulls, que tinha conseguido o Korver e perdido o Redick para o Magic. Anotou tudo? Vamos continuar.
O Jazz ficou sem a volta de Brewer e sem Korver, o queridinho da torcida mórmon. O que fazer? A decisão mais óbvia seria manter o Wesley Matthews, jogador que não foi sequer draftado no ano passado e é mais um achado do Jerry Sloan. Em pouco tempo virou titular, se mostrou um defensor muito acima da média e ainda acertava seus arremessos. Por nem ter sido draftado, ganhou só um contrato minúsculo de 1 ano e logo virou Free Agent, abocanhado pelo Blazers por uma oferta de 34 milhões por 5 temporadas. Vocês tem noção de que isso faz do Wes Matthews o jogador que mais vai ganhar dinheiro entre todos os novatos do ano passado? Mais que Tyreke Evans, Steph Curry, Brandon Jennings, Blake Griffin e etc. Se você não lembra do jogo de Wes Mat, achei um bom mix no VocêTubo:
A proposta do Blazers parece ter duas motivações: a primeira é uma pequena vingança, já que no ano passado eles fizeram uma oferta gigante pelo Paul Millsap que eles tinham certeza que o Jazz não iria igualar, mas se enganaram feio. A segunda é que o Rudy Fernandez está implorando para ser trocado e deve ter seu pedido atendido. Quando ele sair o time fica sem reservas para Brandon Roy. Sem contar que o único reserva do ala Nicolas Batum é um novato que ainda não provou que pode ajudar, o Luke Babbitt, e Matthews poderia quebrar um galho na posição 3 também.
Apesar do preço exorbitante e exagerado, ele vai ser uma boa para o Blazers. Infelizmente é baixo para jogar o tempo todo de ala, mas vai ajudar muito na marcação e para acertar os arremessos de três que Martell Webster, Travis Outlaw e Rudy Fernandez não vão mais chutar.
Lembram do poema “Quadrilha” do Carlos Drummond de Andrade?
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história
O J.Pinto Fernandes da história é o Raja Bell. Esquecido em toda essa saga dos shooting guards, foi o responsável para não deixar o Jazz chupando o dedo. Ele passou toda a temporada passada machucado no Golden State Warriors mas se diz pronto e saudável para voltar a infernizar os adversários com sua boa defesa, trash talk, empurrões e cotoveladas marotas. O Kobe chegou a trocar uma idéia com o Bell para ele ir para o Lakers, mas contrato pequeno por contrato pequeno, resolveu pegar o do Jazz, onde ele já havia jogado nas temporadas 2003-04 e 2004-05. Com a diferença que naqueles anos o Jazz tinha um time horrível, era justamente o intervalo entre a era Malone-Stockton para a Deron-Boozer e Bell foi obrigado, por um tempo, até a jogar de armador principal, onde, por incrível que pareça, se saiu muito bem.
O Raja Bell não está mais na flor da idade, mas na única vez que teve problemas físicos tirou um ano inteiro de folga para se recuperar. Passou nos testes físicos, tem inteligência em quadra para saber como se movimentar no agitado esquema tático do Jazz e é um exímio arremessador de três, irá saber tirar proveito dos passes do Deron Williams e da atenção dada ao Al Jefferson no garrafão. Jerry Sloan é bom, mas é chato, se aceitou Bell de volta é porque gostou do tempo que treinou o jogador. Pagar 10 milhões por 3 anos para o Jazz foi muito mais inteligente do que igualar os 34 milhões para o Wes Matthews, até porque não custa lembrar que as trocas do Eric Maynor e do Ronnie Brewer no ano passado tiveram motivações exclusivamente econômicas, o Jazz tem sofrido com a falta de grana.
No fim das contas essa Quadrilha funcionou melhor que a do Drummond (até porque ninguém se suicidou). O Celtics tem alguém para incendiar o jogo, o Magic manteve o favorito do técnico, o Bulls conseguiu titular e reserva para sua posição mais carente, o Grizzlies o seu especialista em defesa, o Jazz uma opção tão útil quanto e mais barata que o Wes Matthews e o Blazers o reserva que procurava. A saga agora continua com quem parou, o Blazers. Para onde vai Rudy Fernandez? Dizem que o Knicks e o Raptors estão babando para ter o espanhol. Ou o Rudy vai ser a Lili que não ama ninguém?
O Wolves cansou de fazer estoque de armadores e resolveu fazer de jogadores de garrafão. Eles já tem Darko Milicic, Kevin Love, Michael Beasley, Kosta Koufos, Nikola Pekovic e agora contrataram o Anthony Tolliver, que estava sendo disputado também por outros times.
A contratação do fraco Tolliver só merece menção no blog porque ele a anunciou no maior estilo LeBron James. The Decision – Parte 2

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“Parem tudo, parece que tem um torcedor legal do Jazz para aquele lado!”
O final da série entre Lakers e Thunder teve um clima muito pouco comum nos playoffs. A torcida derrotada aplaudiu de pé o seu time e os jogadores se cumprimentaram com muitos sorrisos e abraços do tipo “Até a temporada que vem, manda um beijo para a mulher e as crianças”. Mas apesar de diferente, dava pra entender.
O Lakers estava mais aliviado do que feliz em ver a série acabar em 4 a 2. Um jogo 7 seria pressão demais e teriam que enfrentar um time jovem, confiante e com absolutamente nada a perder. Com a vitória no jogo 6 ficou aquela sensação de missão cumprida e sem nenhuma raiva do Thunder, nenhum dos jogos, mesmo os que a torcida esteve mais envolvida, teve situações de provocação ou raiva. E para o Thunder a única razão de raiva seria o movivo dessa única derrota em casa: um arremesso sem marcação que o Westbrook errou, seguido de um rebote ofensivo do Gasol, que fez a cesta da vitória no último segundo do jogo. Se o Nick Collison tivesse bloqueado o espanhol ao invés de bloquear um ser invisível que só ele viu na quadra, o Thunder teria vencido o jogo.
Passada essa raiva é uma sensação de missão cumprida. No ano passado o Thunder foi um dos piores times da NBA e o Lakers o time campeão, um ano depois, sem nenhuma grande mudança nos dois elencos, e o Thunder estava lá jogando de igual pra igual.
E igual pra igual mesmo, a vitória do Lakers deve-se basicamente a duas coisas: garrafão mais forte e elenco com mais capacidade de adaptação. Acho que aqueles campeonatos com final em jogo único tem todo o seu charme, é legal saber que tudo será decidido em um jogo, mas ao mesmo tempo é ainda mais legal uma série de 7 partidas. É jogo demais e dá tempo dos times se conhecerem de verdade e serem obrigados a mudar de características para continuar vencendo. Vencer os dois primeiros jogos com facilidade não é necessariamente sinal de que tudo continuará assim, existem as adaptações.
O Lakers soube se adaptar à surra que estava tomando do Russell Westbrook, a solução foi colocar o Kobe para marcá-lo ao invés do Derek Fisher. Kobe não deixou o Westbrook infiltrar e limitou o jogo do pivete a alguns arremessos de meia distância. O mesmo Kobe soube se adaptar à marcação do Kevin Durant que estava tão complicada nos primeiros jogos, abusou dos cortas para mudar a marcação e forçou mais as infiltrações do que os arremessos de giro, em que a altura do Durant estavam atrapalhando. O mesmo Durant não soube o que fazer com a marcação do Artest, que o dominou em todos os 6 jogos. Na última partida o Durant ao invés de achar uma solução, acertou 3 dos 20 arremessos que tentou. O Thunder é um timaço e tem muito futuro, mas essa série serviu ao mesmo tempo para provar isso e para mostrar que o time ainda tem muitas limitações.
No mesmo dia acabou a série entre Denver Nuggets e Utah Jazz. Também por 4 a 2 mas em um clima bem diferente. Ao contrário dos empolgados jogadores do Thunder, o Nuggets jogou a partida inteira com cara de bunda, tentando provar para eles mesmos que poderiam virar a série, coisa que, no fundo, nem eles acreditavam. O Billups parecia frustrado e forçando o jogo (o Billups! Forçando o jogo!), o Carmelo perdido nas falta de ataque e o JR Smith discutindo até com as cheerleaders se elas passassem na frente dele.
O jogo nem foi tão fácil assim, mas em nenhum momento realmente pareceu que o Nuggets tinha um time melhor. Mesmo sem o Okur desde o começo do jogo 1, o garrafão do Jazz dominou toda a série, aliás me arrisco a dizer que essa contusão foi boa, porque obrigou o Jerry Sloan a usar mais o Paul Millsap, que conseguiu a proeza de ter mais energia que um garrafão que sempre pareceu pilhado, de Chris Andersen, Nenê e Kenyon Martin.
Com as atuações monstruosas do Millsap e o Boozer atacando mais a cesta do que se conformando com o seu arremesso que bate no teto do ginásio, o Jazz venceu a batalha do garrafão. Sobrava para o Nuggets vencer a batalha da armação com o Billups, mas ao invés disso o Deron Williams foi o melhor jogador da primeira rodada dos playoffs e arrasou com qualquer um que tentou marcá-lo. Infiltrou quando quis e acertou as bolas de longe quando deu na telha, dominante!
Faltava mais o quê para o Nuggets tentar? Carmelo Anthony. Mas nem isso deu certo. Mais uma contusão deu certo para o Jazz e sem Andrei Kirilenko o Jerry Sloan teve que colocar o novato Wesley Matthews para marcar o Melo e deu certo demais. Matthews incomodou, sofreu faltas de ataque e ainda foi útil no ataque. Sem Melo em seu melhor nível, sem Billups vencendo o duelo com Deron e sem o garrafão dominante pode-se dizer que o Nuggets foi até longe demais com esse jogo 6. Vitória mais que merecida do Utah Jazz, e olha que eu não falo isso porque sou puxa-saco deles.
Com tudo isso dito, preview da série que começa daqui a pouco!
O que o Lakers precisa fazer para vencer:
Já são dois anos seguidos derrotando o Jazz nos playoffs, o Lakers sabe o que fazer para derrotar seu adversário, a pergunta é se o corpo vai obedecer a mente.
Nos últimos dois anos o Lakers venceu primeiro porque dominou todos os jogos em Los Angeles. Nos jogos em casa o ataque fluiu, o time rodou bastante a bola e o Pau Gasol ganhou todas as batalhas contra Boozer e Okur. Ao mesmo tempo o mesmo garrafão obrigou o Jazz a viver de bolinhas forçadas de longa distância. Para vencer o Utah você precisa obrigá-los a ficar longe do garrafão, onde eles conseguem cestas fáceis e as dezenas de lances livres que cobram por jogo.
O problema do Lakers contra o Jazz sempre foi repetir essas atuações em Salt Lake City. Lá a torcida pressiona, o Jazz joga melhor, ataca mais a cesta e o Lakers acabou dependendo mais do Kobe Bryant, aliás algumas das atuações mais impressionantes do Kobe nos últimos dois anos foram contra o Jazz em Salt Lake. Mas quem está acompanhando o Lakers de perto nessa temporada está vendo que o Kobe está mais irregular que o normal, misturando jogos incríveis com atuações típicas de jogadores comuns. Sem o Kobe ser espetacular é difícil de imaginar o Lakers roubando um jogo em Utah, obrigando o time a vencer todos os jogos em Los Angeles.
Por fim a parte mais difícil para essa série: parar Deron Williams. O Lakers tem um problema crônico com armadores velozes e tomou uma surra do Russell Westbrook, o que esperar do Deron, que está na melhor fase da sua carreira? É bem plausível imaginar que o Jazz rouba um jogo em LA só com ele carregando o time nas costas. Talvez a solução seja colocar o Kobe marcando ele, como fizeram com o Westbrook, mas a estratégia de deixar arremessar é suicídio contra o armador do Jazz. Será que o Ron Artest, mesmo sendo bem lento, salva o Lakers dessa?
O que o Jazz precisa fazer para vencer:
De maneira simplista daria para dizer “Dê a bola para o Deron Williams e assista”. Mas acho que é melhor deixar isso para o quarto período, até lá é melhor jogar basquete de verdade.
O Jazz já venceu o Lakers várias e várias vezes em Salt Lake sem maiores dores de cabeça. Basta um ataque agressivo, que deixa o garrafão do LA com problemas de falta e cobra um monte de lances livres, foi o que eles fizeram com o Denver. Talento eles tem de sobra também, não vão perder porque não tem elenco. Nesses dois anos de derrotas para o LA nos playoffs o grande problema foi que nos jogos fora de casa não foram metade do time que são em casa. Acredito de verdade que o problema do Jazz seja mais psicológico do que tático ou técnico, isso eles tem de sobra para lutar pelo título.
E se nos anos anteriores eu achava que era bem improvável o Jazz vencer porque não tinham o mando de quadra, hoje acho que eles podem superar isso por causa dessa fase especial do Deron Williams. Mesmo que continuem jogando mal longe de Utah, basta um joguinho mais inspirado do seu armador para roubar esse mando de quadra e decidir em casa, lá eles sabem o que fazer. Também vai ser bem importante ver como o Wes Matthews marca o Kobe Bryant, já que nos anos anteriores era o Ronnie Brewer e o Kirilenko que tomaram as surras. Se ele fez um bom trabalho no Melo é possível que também faça contra o Kobe.
Palpite: Lakers 4 x 3 Jazz. Acho que o Jazz tem mais chance do que nunca de vencer o Lakers, aliás acho o Jazz favorito se levarmos em consideração apenas o fim da temporada regular e a primeira rodada dos playoffs. Mas meu coração Lakeriano e a confiança quase cega no Kobe me fazem pensar que a série vai chegar no jogo 7 e que o Lakers não irá perder um jogo 7 em casa.