Brasil perde no final; EUA trucidam Nigéria

Brasil perde no final; EUA trucidam Nigéria

Coisas que só as Olimpíadas podem fazer por nós: Ontem, pela primeira vez na vida, escutei pessoas conversando sobre basquete no transporte público de São Paulo. Em anos e mais anos de trem, metrô e ônibus nunca tinha escutado um mísero comentário sobre NBA, NBB ou Seleção, mas ontem ouvi uma animada conversa sobre a emocionante partida entre Brasil e Rússia da tarde dessa quinta-feira. Se o Brasil perdeu em quadra, 75 a 74, pelo menos ganhou atenção, algo que não tinha há muitos e muitos anos.

A partida foi certamente a melhor do torneio olímpico até agora. Na hora da empolgação, fazendo comentários ao vivo no Twitter, nós (e muita gente também) acaba exagerando num excesso de análise. Muita atenção para um arremesso forçado, para uma bola perdida, para uma desatenção na defesa. Erros comuns de todo jogo que pela ansiedade da análise imediata acabamos transformando em grandes defeitos da Seleção brazuca. Vendo o jogo depois e analisando os números dá pra ver que às vezes exageramos. Por exemplo: O Brasil, depois de bom 1º quarto, foi terrível no 2º. Mas não durante os 10 minutos onde ficamos os cornetando, apenas nos 2 minutos iniciais e nos 2 últimos. Foi quando Andrei Kirilenko marcou boa parte de seus 19 pontos e quando Marcelinho Machado provou de uma vez por todas que não tem mais condição de jogar partidas desse nível. Não achei os números certos, mas o que comentaram foi que o Brasil tomou 15 pontos a mais do que fez nos míseros 5 minutos de Machadão em quadra. A crítica extensa à seleção se deu mais a um placar causado por 4 minutos de apagão.

Não é só culpa do Marcelinho, claro. Tem a culpa do Rubén Magnano que o coloca em quadra, de uma geração limitada que não tem nomes à altura dele (só ver o NBB pra saber disso), e de todos os outros jogadores que estavam em quadra com o Marcelinho e não estavam produzindo bulhufas no ataque. Mas, voltando, foram poucos minutos de apagão em um primeiro tempo e um jogo muito, muito igual. A partida começou com Alex simplesmente anulando o Kirilenko, o que era uma cena hilária já que Kirilenko tem o dobro da altura do ala brasileiro. Mas deu certo demais! Enquanto a Rússia não deslanchava, o Brasil também errava muito no ataque, mas compensava com Anderson Varejão nos rebotes ofensivos. A liderança de 5 pontos do 1º quarto virou desvantagem de 8 na ida ao intervalo.

 

Durante o 3º quarto é que vimos o auge do desespero de quem estava analisando o jogo. Falo isso de nós, blogueiros, e de quem comentava na televisão. O Brasil cometeu apenas 2 turnovers em todo o 2º tempo, e a Rússia não deslanchou, mas também seguia consciente no seu basquete coletivo e de muitos passes para manter sua frente. Mas a impressão era de um desastre: quando a Rússia abriu 11 de vantagem parecia que não tinha mais volta. Mas por sorte dessa vez Magnano não errou e não pediu medidas desesperadas: Nada de defesa pressionada quadra inteira, nada de quinteto que nunca treinou antes. Apenas continuou o plano de jogo e a rotação que sempre faz, com a única diferença de não usar o Machadão, claro.

Depois de Marcelinho Huertas distribuir 2 de suas míseras 3 assistências no jogo para manter o Brasil perto do placar, entrou o banco brazuca em quadra: Nenê como pivô solitário lá no meio para suprir o baile inexplicável que Splitter tomou de Timofey Mozgov, nas alas Marquinhos e Guilherme bem abertos na linha dos 3 pontos (ambos somaram 3 bolas de longe para o Brasil) e Leandrinho e Larry Taylor comandando a criação das jogadas. Justamente o banco do Brasil, o que menos vinha dando certo desde a fase de preparação, foi principal responsável pela virada sensacional que vimos a partir dos 4 últimos minutos do 3º quarto até o fim do jogo.

O principal nome foi Larry Taylor, que fez seu melhor jogo desde que virou brasileiro. O segredo foi que dessa vez ele não tentou ser uma versão com sotaque esquisito do Huertas, organizando o jogo, pedindo pick-and-rolls e passando a bola. Ao invés disso foi aquele armador agressivo e driblador que faz sucesso em Bauru. Foi atacando a cesta que ele fez seus 12 pontos, quase todos em lances-livres, penetrações ou tiros curtos vindos de dribles desconcertantes. Seu ritmo ofensivo abriu espaço também para Leandrinho (16 pontos), que acertou um par de bolas de 3 pontos e fez algumas bandejas para virar a partida a favor do Brasil. Tudo parecia lindo quando o placar marcava 72 a 67 para o Brasil a 1:52 do fim do jogo. Mas aí a coisa fedeu.

Primeiro o Brasil sofreu cesta do ótimo Alexey Shved (17 pontos, 6 assistências) que fez lindo arremesso de meia distância. Aí logo depois Larry Taylor errou dois lances-livres que colocariam a vantagem novamente em em 5 pontos. O armador tomou bronca épica de Magnano e depois de quase 15 minutos seguidos em quadra saiu novamente para a volta de Huertas. Splitter e Alex voltaram do banco também. Começou dando errado, mas com uma dose de sorte: Shved sofreu falta e, como Taylor, errou os 2 lances-livres. No ataque seguinte, frio depois de tanto tempo no banco, Huertas andou numa tentativa de infiltração e devolveu a bola aos russos. Foi aí a hora da redenção: De um lado Shved compensou os lances-livres errados com uma bola de 3 pontos na cara de Nenê, depois Huertas compensou o turnover com a bandeja mais espetacular e esquisita desde George Gervin. Lindo! Brasil 2 pontos na frente a 6 segundos do fim.

Mas aí veio o balde de água fria:

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Sim, o Leandrinho deu um carrinho no russo e deveria ser pênalti e cartão amarelo. Pois é, não é hora de cair no chão. Mas é um jogo perdido numa bola de 3 pontos da zona morta, caindo para trás feita por um cara que não era a primeira opção de arremesso. Acontece nas melhores famílias. E o Brasil deu azar que Rubén Magnano gastou o último tempo do time antes desse arremesso, justamente acertando a defesa. Apostou tudo na defesa correta e ficou sem ter como armar uma última posse de bola para vencer o jogo. Não foi um erro, mas deu errado. O que, aliás, resume o jogo: O Brasil jogou bem, desperdiçou a bola pouco no segundo tempo e viu seu banco fazer ótima partida. Faltou, diria Parreira, o detalhe do gol, da vitória. Faltou, como disse Huertas após a partida, errar menos nos 2 minutos finais. Que não se repita num jogo de quartas-de-final apenas, seria legal as pessoas comentarem uma vitória na próxima conversa de trem.

VÍDEO: Sofra de novo, mas dessa vez vendo tudo com comentários do Oscar

 

O outro bom jogo da rodada foi a estranha vitória daEspanha sobre a Grã-Bretanha por 79 a 78. Estranho pelo placar apertado, não pelo vencedor, e bizarro pelo fim do jogo. A Espanha vencia com tranquilidade até tomar 30 pontos só no último quarto e ver sua liderança diminuir para 4 pontos. Aí Luol Deng (26 pontos) fez uma bola de 3 pontos, cortou a vantagem para 1 pontos e… e o jogo acabou. A Grã-Bretanha poderia fazer falta, sofrer os lances-livres e ainda teria a chance de empatar, mas assistiu José Calderon driblar a bola até o cronômetro zerar sem conseguir fazer uma mísera falta. Difícil explicar, mas foi o final de jogo mais broxante imaginável para uma quase-virada tão sensacional.  Destaque também para o novo pivô do Portland Trail Blazers, Joel Freeland, que fez 25 pontos e algumas boas cestas decisivas na quase-virada-broxante. Pela Espanha 17 pontos para Pau Gasol e 19 para Calderon, que fez 8 desses só em lances-livres nos últimos 44 segundos de partida.

A rodada ainda teve a fácil vitória da Austrália sobre a China por 81 a 61. O time asiático ainda teve que ver Yi Jianlian, seu melhor jogador e porta-bandeira, sair de quadra nos minutos finais com uma contusão no joelho. Sempre pode piorar, né? Cestinha australiano foi Patty Mills com 20 pontos. Outro jogo fácil foi o da Argentina, que derrotou a Tunísia por 92 a 69. Mas foi fácil só no 2º tempo, que fique claro! Antes do intervalo o time africano chegou a liderar e o pivô Salah Merji (19 pontos) deu uns 5 tocos só no 1º período! Coisa feia. Mas nada que o trio Ginóbili (24 pontos), Scola (20) e Delfino (21) não pudesse resolver com aquele clássico “agora vamos jogar sério” que todo mundo já disse quando perdia do irmão mais novo no video game.

Nesse mesmo grupo a França continuou mostrando força e derrotou a Lituânia por 82 a 74. O jogo não foi fácil, mas em momento algum parecia que a França não tinha a partida sob controle, mesmo quando sofreu no 2º quarto com péssimo ataque. Quando o jogo complicava ou o sono batia (eita troço cedo da porra!) aparecia Tony Parker costurando todo mundo para suas bandejas impossíveis que ainda parecem impossíveis depois de tantos anos. Ele fez 27 pontos, boa parte dele na arrasadora parcial de 20-9 do 3º período que deu a liderança definitiva aos franceses. Outros NBA foram bem no jogo: Nicolas Batum fez 21 pontos, Boris Diaw teve um jogo de Boris Diaw com 10 pontos, 6 rebotes e 8 assistências (e barriguinha do Douglas-Tufão) e pela Lituânia Linas Kleiza fez 17 pontos.

 

Ah, teve EUA pegando a Nigéria também, né? Acho que uma listinha de números e recordes resume o jogo:

– Os 156 pontos marcados pelos americanos quebraram o recorde de mais pontos marcados em um jogo Olímpico. A marca era de 138 pontos feitos pelo Brasil contra o Egito em 1988.
Carmelo Anthony não errou nenhum arremesso e fez 37 pontos (recorde americano em Olimpíadas) em apenas 14 minutos.
– Os EUA acertaram 81% dos seus arremessos de 2 pontos e 63% (29/46) em bolas de 3 pontos.
– O time deu 41 assistências em 59 arremessos feitos.
– Somente os pontos marcados no primeiro e último quartos (88 pontos somados) já seriam mais que suficientes para vencer os 73 marcados pelos Nigerianos.
– A vantagem de 83 pontos é, com sobra, a maior da história olímpica.
– Para a Nigéria o dia valeu só por isso. Só.

Precisa falar mais alguma coisa? Maior surra que eu já vi em qualquer esporte, incluindo esportes onde o intuito é justamente dar uma surra no adversário. Surreal.

 

Fotos da Rodada

Minha vida por um close na cara do Mozgov

 

O velório de Nicolas Francesco Ernesto Batum será na próxima sexta-feira

 

Parker com óculos de fazer palavras-cruzadas

 

LeBron metendo medo no Antoine Walker cover

 

Olimpíadas 2012 – Grupo B

Olimpíadas 2012 – Grupo B

Ontem já falamos do Grupo A das Olimpíadas, que tem favoritos como os Estados Unidos e Argentina e as zebras Nigéria e Tunísia. Hoje é dia de falar do grupo do Brasil, o B. Como já explicamos ontem, falar de basquete internacional não é nossa especialidade, muitos dos campeonatos internacionais acompanhamos esporadicamente, como fãs, não como maníacos bitolados como fazemos na NBA. Mas estamos tentando compensar tudo com muita pesquisa e, quando começarem as Olimpíadas, assistindo todo santo jogo (a não ser que seja no mesmo horário dos saltos ornamentais, isso não perco por nada).

E também descobrimos que no fim das contas a gente conhece boa parte dos jogadores das Olimpíadas sim. Além dos figurões que estão em todo torneio internacional, 36 jogadores inscritos (1/4 de todos os atletas) estarão na NBA na próxima temporada! E isso sem contar caras que ainda estão sem contrato como Ronny Turiaf, (próximo de fechar com o Clippers), Andrei Kirilenko (pretendido pelo Wolves) e o brazuca Leandrinho Barbosa.

 

Grupo B

Austrália
Melhor resultado: Bronze em Sydney 2000, Atlanta 1996 e Seul 1988
Técnico: Brett Brown
Jogadores na NBA: Patrick Mills (Spurs)
Jogadores que já passaram pela NBA: David Andersen

 

 

 

 

 

A Austrália é mil vezes campeã continental, um feito tão espetacular quanto…. bom, quanto vencer a Nova Zelândia mil vezes. Mas embora os seus números internacionais não sejam grande coisa, o time é sim muito bom. Não muito bom nível Espanha ou Argentina, mas se vencer algum time desse Grupo não será uma zebra de assustar. O destaque da equipe é o bom armador Patrick Mills, mais um representante do Spurs nos Jogos Olímpicos. Quem viu só os Playoffs não viu muito de Mills, que só jogou 30 minutos de pós-temporada, mas antes disso, nos 16 jogos que fez na temporada regular, impressionou com média de 10 pontos por jogo em 16 minutos de quadra. Rendeu um novo contrato para a temporada 2012/13. O cara é liso e sabe criar o próprio arremesso, vai ser um pesadelo em qualquer confronto mano a mano nesses jogos.

Mas não é só ele que tem talento nesse time. Joe Ingles, que joga no Barcelona junto de Marcelinho Huertas, é ótimo jogador e pode se dar muito bem com a atenção que Mills vai concentrar. Outro que pode se dar bem é Brad Newley, jogador que já disputou algumas Summer Leagues na NBA e é o principal jogador do banco da Austrália. E falando em NBA, alguém lembra do David Andersen? É um pivô branquelo que jogou relativamente bem no Houston Rockets e no Toronto Raptors nas temporadas 09/10 e 10/11. O cara tem um bom arremesso de 3 pontos, mas na NBA não bastava isso, ele apanhava dos outros pivôs quando a briga era lá perto da cesta. É baixo e pouco ágil no garrafão, mas seu arremesso pode causar muitos problemas.

O curioso é que o time da Austrália é bom, mas tinha chance de ser muito melhor. Primeiro se eles pudessem contar com seu melhor jogador, o pivô Andrew Bogut do Golden State Warriors que ainda se recupera de sua lesão número 100. Outro que poderia ter levado esse time a outro nível é, como Bogut, um jogador escolhido na 1ª posição do Draft: Kyrie Irving. O espetacular armador do Cavs nasceu em Melbourne na Austrália, onde seu pai jogava basquete, mas logo aos 2 anos de idade foi para os EUA. Com cidadania dupla, Irving tinha o direito de escolher onde jogar, mas decidiu ficar com os EUA, onde já treinou com o time antes dessas Olimpíadas. Saca só nesse vídeo o absurdo das jogadas que ele fez em um jogo-treino contra o time de Londres-2012. Um cara desse vestindo amarelo e a Austrália era favorita pra ir longe.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=OH9euZg0HzU[/youtube]

 

Brasil
Melhor resultado: Bronze em Londres 1948, Roma 1960 e Tóquio 1964
Técnico: Rubén Magnano
Jogadores na NBA: Tiago Splitter (Spurs), Nenê (Wizards) e Anderson Varejão (Cavs)
Jogadores que já passaram pela NBA: Leandrinho, Alex e Marquinhos

 

 

 

 

 

O Brasil tem uma chance de salvar essa geração. Veja bem, Raulzinho tem 20 anos de idade, Caio Torres tem 25 e o resto já tem 27 ou mais, chegando ao ápice dos 37 anos de Marcelinho Machado, herói da torcida brasileira. É um geração muito experiente, rodada e com vivência (e sucesso) internacional nas melhores ligas do mundo, mas que de alguma maneira só tem estreantes em Jogos Olímpicos. Até hoje todas as tentativas, seja por incompetência, azar ou contusões, não tinham dado em nada. Essa época de ausência do Brasil dos jogos calhou com a decadência das ligas nacionais (que estão crescendo de novo, ainda bem), queda do interesse popular no esporte e uma péssima e encalhada geração de treinadores. Todos esses jogadores que apareceram ou brilharam numa década perdida no basquete nacional tem essa chance para fazer bonito e colocar seus nomes na história da Seleção com um saldo positivo.

Time pra isso o Brasil tem. Embora a geração não seja brilhante, foi o bastante para conseguir pelo menos um bom nome em cada posição. Algumas não foram tão abençoadas, como a de ala, onde só Marquinhos se salva e onde Alex deve jogar improvisado, mas outras estão bem servidas: Marcelinho Huertas é um dos melhores armadores da Europa e parece jogar ainda melhor na Seleção Brasileira, onde abraçou a ideia de ser o líder do grupo, algo que Leandrinho nunca conseguiu assumir. Já no garrafão o time tem um trio assustador: A finesse de Tiago Splitter, a força de Nenê e a defesa de Anderson Varejão, que até acerta arremessos de meia distância quando joga no Brasil, vai entender!

O otimismo de muita gente por aí é justificável. O grupo é bom, está finalmente completo e tem se apresentado bem contra outras forças do mundo. Também não custa lembrar que no banco de reservas está Rubén Magnano, um cara doente por basquete que volta e meio está viajando pelo Brasil para assistir aqueles jogos e campeonatos que ninguém tem coragem pra ver. Ele sabe ajustar o time aos mais diferentes adversários e isso pode ser um grande diferencial na hora de decidir os Jogos Olímpicos. Existem pelo menos umas 6 ou 7 seleções que podem facilmente ir para a final ou morrer nas quartas-de-final, o Brasil é uma delas. O time não ter um matador no final dos jogos (Huertas arma para os outros, não para si mesmo) e isso pode prejudicar muito em um último quarto apertado, como já aconteceu nos amistosos contra Argentina e França, mas sempre pode aparecer um herói. Quem iria esperar, por exemplo, que Rafael Hettsheimeir iria resolver tanto no último Pré-Olímpico? É a hora do Brasil achar seu Emerson Sheik no último período. Com isso talvez exista medalha a vista.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=hBj9VKKiLrU&feature=relmfu[/youtube]

 

China
Melhor resultado: 8º lugar em Atlanta 1996, Atenas 2004 e Pequim 2008
Técnico: Bob Denowald
Jogadores na NBA: Nenhum
Jogadores que já passaram pela NBA: Yi Jianlian, Sun Yue, Wang Zhizhi

 

 

 

 

 

A Seleção Chinesa paga, por incrível que pareça, pela riqueza de sua liga. Com o bom dinheiro dado por lá, além da clara cultura de manter os ídolos por perto, os melhores jogadores chineses nunca saem do país. Os poucos que se arriscam em viajar só o fazem se for para a NBA.

Foi o caso de Wang Zhizhi, pivô fraquíssimo que só esquentou banco e Sun Yue, que nunca conseguiu deslanchar como reserva de Kobe Bryant. Quem conseguiu jogar por mais tempo foi Yi Jianlian, que foi draftado pelo Milwuakee Bucks mesmo depois de ter implorado para a monótona cidade. Mas não é que até criaram na China um canal só para passar jogos do Bucks por causa dele? País pirado por basquete. Yi chamou atenção quando chegou na NBA porque é estupidamente rápido e ágil para um cara de 2.13m, assim como tem um arremesso suave para fazer o Ray Allen aplaudir. Mas foi só. Fraco nos rebotes, perdido dentro do garrafão e nunca conseguiu juntar altura e bom arremesso em combinação mortal, não frequentou as mesmas aulas de Dirk Nowitzki. Aos poucos ele foi caindo no esquecimento da NBA e na temporada passada mal teve espaço no então campeão Dallas Mavericks.

Mas não ser bom para a NBA não quer dizer que os caras são ruins, sabem jogar e comandam a Ásia há tempos. Aliás a China vive hoje a situação que Angola viva até ser destronada pela Tunísia no último Afrobasket (melhor nome de torneio da história): O time domina em seu continente, mas não tem chance de brigar por coisa grande em torneios mundiais. Acho, de novo, que limitar a experiência de seus atletas apenas para dentro da China (com a adição de uns ex-NBA velhacos como Stephon Marbury) não ajuda em nada ao crescimento deles. Um sinal de alerta já foi dado no último campeonato asiático quando a China venceu a Jordânia na final por apenas 70 a 69, precisando de uma atuação espetacular do MVP Yi Jianlian, 25 pontos e 16 rebotes, para vencer o título em casa. Bizarramente não achei um resumo dessa partida no YouTube, mas sim ela INTEIRA! Abaixo o último quarto:

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=dmB5M750mDM[/youtube]

 

Espanha
Melhor resultado: 2º lugar em Los Angeles 1984 e Pequim 2008
Técnico: Sergio Scariolo
Jogadores na NBA: Pau Gasol (Lakers), Marc Gasol (Grizzlies), Serge Ibaka (Thunder), Victor Claver (Blazers) e José Calderon (Raptors)
Jogadores que já passaram pela NBA: Juan Carlos Navarro, Rudy Fernandez e Sergio Rodriguez

 

 

 

 

 

Tirando o elenco dos EUA, o da Espanha é o único que você olha e pensa que, porra, só tem craque. Não é à toa que o time é o atual vice-campeão Olímpico e chegou na final das últimas 3 edições do Eurobasket, vencendo as últimas duas. Pior que é até difícil comentar algo novo da seleção porque ela também é basicamente a mesma há muitos anos, além do talento individual tem entrosamento e estão na idade certa. Ninguém é muito novo e inexperiente, nenhum é veterano em decadência: Claver e Ibaka são os pirralhos com 23 anos, Pau Gasol e Navarro são os vovôs com apenas 32.

Claro que chama a atenção a ausência de Ricky Rubio, a namoradinha do Bola Presa, mas o armador faz mais falta pelo show do que por eficiência. Sem ele a Seleção Espanhola tem o ótimo José Calderon, que comanda a equipe com cabeça faz tempo e tem até mais poder de fogo que Rubio. No banco dele ainda tem o ultra agressivo Sergio Rodriguez e seu entrosamento quase homossexual com Rudy Fernandez e como última opção Victor Sada, bom reserva de Huertas no Barcelona. Dói dizer isso de nosso amado, mas em termos de resultado não acredito que a Espanha sinta tanto a falta de Rubio. Nós, fãs, que vamos ficar pensando em todos os passes de costas que não vamos ver em Londres. Já estava sonhando com o passe sem olhar para La Bomba Navarro na zona morta ou a ponte aérea do meio da quadra para Rudy Fernandez. Ai ai…

Mas ao falar da Espanha não dá pra não falar nesse garrafão ignorante. Felipe Reyes é muito bom, experiente, perigoso no pick-and-roll e ninguém nem fala dele só porque em volta do cara estão os irmãos Gasol e Serge Ibaka, o super espanhol do Congo. No amistoso contra os EUA Ibaka chegou a fazer 10 pontos seguidos quando foi marcado pelo baixo Carmelo Anthony, e isso porque ele não tem metade dos recursos de Pau ou Marc. Só o Brasil chega perto da Espanha em potência do garrafão, mas os brazucas nem ameaçam ter o poder de fogo desses caras. Não foi só naquele jogo contra o Spurs que Ibaka acerta bolas de meia distância com naturalidade, e os irmãos são conhecidos na NBA por serem ótimos no passe e visão de jogo. A bola da Espanha vai lá dentro, passa por esses três e não há nada que o resto do mundo possa fazer a respeito disso. O time da Espanha é tão bom que é o único que pode ganhar um bônus sobre o resto do mundo: Não está no mesmo nível que os Estados Unidos, mas está bem claramente acima de Brasil, Argentina, Rússia, França e Lituânia.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=UBP532Ht4QI[/youtube]

 

Grã-Bretanha
Melhor resultado: 2oº lugar em Londres 1948
Técnico: Chris Finch
Jogadores na NBA: Luol Deng (Bulls), Joel Freeland (Blazers)
Jogadores que já passaram pela NBA: Pops Mensah-Bonsu, Robert Archibald e Eric Boateng (D-League)

 

 

 

 

 

É a segunda vez que a Grã-Bretanha se classifica para uma Olimpíada, e a segunda vez que ganha a vaga só porque é país sede. Sigo o site e o Twitter do inglês Mark Deeks, um dos caras que mais manja da parte financeira e salarial da NBA no mundo, e sempre leio as piadinhas que ele faz sobre a Inglaterra não curtir nem um pouco de basquete. Até estive em Londres em Abril de 2011 por uma semana e não consegui achar um lugarzinho que se desse ao trabalho de mostrar uma partida dos Playoffs da NBA. Não é à toa que até alguns anos atrás ainda se cogitava a possibilidade da Grã-Bretanha, mesmo como país sede, não ter representante no basquete. Sim, esse é o nível da coisa.

Mas aí eles resolveram investir. Primeiro conseguiram trazer a estrela do time, Luol Deng. O jogador nasceu no Sudão, mas fugiu da guerra indo para Londres e lá ganhou cidadania inglesa. Ele topou o desafio. Depois, a partir do Eurobasket 2009, a Federação Britânica contratou o treinador Chris Finch, um nome não muito famoso mas que já ralou muito no basquete mundial: Treinou times na Bélgica, Alemanha, Inglaterra e acabou conseguindo em 2009 uma vaga na D-League, de onde logo pulou para ser assistente técnico do Houston Rockets, onde está até hoje. Depois disso foi só caçar alguns nomes como o ex-Mavs Pops Mensah-Bonsu, uma aberração física que já chegou a ter média de 25 pontos por jogo na D-League, e o ex-Grizzlies Robert Archibald para montar um time de verdade.

O primeiro sucesso foi ter se classificado para o Eurobasket 2009, na Polônia. Lá, sem Luol Deng, perderam as 3 partidas que fizeram contra Eslovênia, Sérvia e Espanha, mas contra esses últimos fizeram jogo ótimo e até lideraram no último quarto. Vale a pena ver os melhores momentos desse jogo com a narração do André Henning britânico, mais emoção impossível: “Será a maior zebra da história do basquete internacional!”. Em 2011 se classificaram de novo para o Eurobasket e na Lituânia conseguiram sua primeira vitória na história dos torneios europeus principais. Antes só haviam ganhados nas divisões inferiores. Eles venceram Portugal e Polônia para acabar em 13º lugar da Europa, melhor marca deles. A missão de montar um time decente para a Olimpíada em casa foi cumprida e

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com sorte podem até roubar uma vitória sobre a China ou surpreender a Austrália. Muito para quem penava para bater em Estônia ou Suíça até alguns anos atrás. Abaixo uma matéria legal sobre o crescimento ainda bem discreto do basquete na Inglaterra. Já pensaram em como é difícil para os caras lá? Tem poucas quadras e as que tem são descobertas, aí chove todo santo dia.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=khL-a00Bitk[/youtube]

 

Rússia
Melhor resultado: 8º lugar em Sydney 2000 / Ouro em Seul 1988 e Munique 1972 como União Soviética
Técnico: David Blatt
Jogadores na NBA: Timofey Mozgov (Nuggets) e Alexey Shved (Wolves)
Jogadores que passaram pela NBA: Andrei Kirilenko, Victor Khryapa e Sergey Monya

 

 

 

 

Esse é o time que todo mundo não quer enfrentar. A Rússia joga com muita movimentação de bola, não tem medo de dar umas porradas, tem garrafão alto, sabem usar seu tamanho para dominar os rebotes e defendem bem. Sabe aquele time que cansa jogar contra, que faz tudo certo e você precisa ralar e não se desconcentrar um segundo para poder bater? São eles. Foram surpreendidos pela França em ótima forma na Semi-Final do Eurobasket 2011, mas foi um dia que as coisas não deram certo, em geral eles estão voando faz tempo. Me arrisco a dizer que só a Espanha (talvez) joga com mais entrosamento no mundo.

A derrota na Semi-Final forçou a Rússia a disputar o Pré-Olímpico Mundial na Venezuela. Eles venceram com a mão nas costas e impressionaram no caminho: Na semi-final contra a Nigéria o time acertou 29 arremessos de quadra, 26 deles vindos de assistência. Contra Angola nas quartas-de-final foram 24 assistências em 26 arremessos certos. Na vitória sobre a República Domincana foram 28 assistências em 32 arremessos. Vocês tem noção de como esses números são surreais?! Isso em basquete FIBA, onde o pessoal não é nem um pouco bonzinho na hora de contabilizar uma assistência. Basta o cara pensar em driblar que já dizem que foi jogada individual. Para ver o mundo de diferença, na NBA o time que mais deu assistências na última temporada foi o Denver Nuggets, 23.7 por jogo. O mesmo Nuggets acertava, em média, 38.9 arremessos por jogo. A proporção assistência por arremesso desse time russo é histórica.

Esses números provam o entrosamento e o jogo coletivo, mas é bom não esquecer que estão recheados de talentos individuais. Viktor Khryapa não embalou no Portland Trail Blazers quando teve sua chance, mas é ótimo ala. Timofey Mozgov ficou famoso por tomar A enterrada de Blake Griffin, mas desde os tempos de Knicks se mostra um pivô decente e com recursos. E não podemos esquecer, claro, do genial Andrei Kirilenko. Talvez o ala mais versátil da Olimpíada depois de LeBron James, o cara faz de tudo: arma o jogo (quem lembra dele armando o Jazz com o Deron Williams machucado?), pega rebotes, dá tocos, marca do armador ao pivô. E ele pode estar próximo de voltar à NBA, o Minnesota Timberwolves está fazendo de tudo para abrir espaço salarial e oferecer um contrato por ele. Eles prepararam o caminho contratando antes o ala/armador Alex Shved, russo de excelente arremesso de 3 pontos que deve fazer barulho em Londres.

Posso ter exagerado na babação, mas juro que ficarei muito surpreso se a Rússia for embora de Londres sem alguma medalha. Acho até que tem o estilo de jogo (não o talento, isso quem tem é a Espanha) que mais pode incomodar o time americano.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=nP7l_R3TZVs[/youtube]

Thunder/Wolves histórico, Raptors troca camuflado por amarelo

Ontem não consegui publicar o Resumo da Rodada. Aí ficou aquela dúvida, coloco alguma coisa da sexta no resumo do sábado ou ignoro e sigo em frente? Eu seguiria em frente se na sexta não tivesse acontecido um dos jogos mais malucos e legais da temporada. Então é hora de mini-resumo da sexta (vou ignorar alguns jogos) e do resumo do sábado. Beleza? Beleza.

Sexta-feira

O grande motivo de eu estar escrevendo sobre a sexta-feira é o Oklahoma City Thunder e sua habilidade de estar presente em jogos espetaculares. Lembra da prorrogação dupla do ano passado contra o Grizzlies? Eles repetiram a dose em qualidade, prorrogações e cestas decisivas. Só perderam em timing, poderiam ter esperado pela segunda rodada dos playoffs de novo. O jogo foi contra o Minnesota Timberwolves e teve de tudo. O Wolves começou pegando fogo e chegou a abrir 13, o Thunder em um certo momento tomou conta do jogo e abriu 7. Nenhum dos dois times tinha muita ideia de como parar seu adversário e o jogo foi um show ofensivo, ou um terror defensivo, depende se você quer elogiar ou criticar.

O Thunder começou perdido na defesa por causa da escalação do Wolves. Sem Nikola Pekovic ou Darko Milicic, machucados, o técnico Rick Adelman optou por mais uma vez usar Kevin Love como pivô, embora ele tivesse rendido muito pouco na posição na última partida. A diferença é que dessa vez ele foi escalado como pivô, mas continuou jogando como ala, circulando mais longe da cesta. Sem mobilidade ou velocidade, Kendrick Perkins não conseguiu acompanhar Love no perímetro e o ala do Wolves começou a partida pegando fogo: Com 5 minutos de jogo ele já tinha 3 bolas de 3 pontos e 11 pontos.

O small ball do Wolves, junto com a incapacidade de Perkins e Ibaka de pararem Love forçou o Thunder a jogar com quatro jogadores abertos também: Russell Westbrook, Thabo Sefolosha (depois Derek Fisher), James Harden e Kevin Durant, e Nick Collison como pivô defendendo Love. Essa formação vocês devem conhecer, é o que para o Thunder quer dizer “Foda-se a defesa, faremos 200 pontos se preciso”. Explico: O Thunder não tinha ideia de como defender JJ Barea. Ele sendo marcado pelo Fisher? Funcionou TÃO bem para o Lakers nos últimos playoffs que eu ainda tenho pesadelos com aqueles jogos. Kevin Durant marcando Anthony Tolliver? Pode parecer estranho, mas foi patético. Westbrook marcando qualquer um? Não está afim. Collison marcando Love? Esforçado, mas não o bastante. Mas o contrário também era assim, ninguém no Wolves chega perto de conseguir incomodar um pouquinho o Durant, Westbrook ou Harden. Virou pelada de alto nível.

Com o placar já bem alto e os times trocando cestas, chegamos ao fim do último quarto. Com poucos segundos restando no cronômetro Russell Westbrook tenta salvar uma bola que iria para fora, mas ao colocá-la na quadra a dá nas mãos de JJ Barea, que empata o jogo. Logo depois Kevin Durant acerta uma bola de 3 pontos de muito longe para dar a liderança para o Thunder a 3 segundos do fim. Mas a 1 segundo Kevin Love solta uma bola de 3 sobre Westbrook e sai gritando “Na sua cara, na sua cara” para o ex-companheiro de UCLA. Prorrogação. Lá parecia que o Wolves iria ganhar. Com o jogo empatado a 58 segundos para o fim, JJ Barea (sim, aquele anão) pegou seu único rebote ofensivo no jogo e em seguida deu uma assistência para Tolliver, que fez a cesta e sofreu a falta de Durant. Na jogada seguinte, em um rebote espirrado, Barea deu um tapa/soco/assistência na bola que virou enterrada de Tolliver, 5 pontos de vantagem a 46 segundos do final da partida. Mas aí entrou o talento bruto do Thunder atropelando tudo. Russell Westbrook primeiro acertou uma cesta caindo para trás, com marcação dupla na cara dele. E após uma andada de Love, Kevin Durant meteu uma bola de 3 pontos na zona morta, ignorando a marcação. Jogo mais uma vez empatado, segunda prorrogação.

No segundo tempo extra o Wolves estava exausto, cometeu erros e não conseguiu fazer pontos na transição. Mas o Thunder? Westbrook estava correndo como se tivesse acabado de se aquecer! Fez pontos em contra-ataque como se não houvesse amanhã. O Thunder como um todo acertou 7/8 arremessos na segunda prorrogação e não deu mais chances no jogo mais maluco da temporada: 149 a 140. 

Vamos às estatísticas? Essa parte é impressionante: Anthony Tolliver teve 23 pontos pelo Wolves, James Harden 25 pelo Thunder. Eles não chegaram perto de ser destaque de seus times. Kevin Love quebrou o recorde de 47 pontos de Kevin Garnett e com 51 é o maior cestinha do Wolves em um jogo em toda a história do time. Também pegou 14 rebotes e acertou 7 bolas de 3 pontos. Russell Westbrook conseguiu 45 pontos e 6 assistências, Kevin Durant teve 40 pontos e 17 rebotes. Foi a segunda vez na temporada que a dupla passou de 40 no mesmo jogo! Antes dessa temporada a última vez que dois caras do mesmo time alcançaram 40 na mesma partida havia sido em 1996 com Michael Jordan e Scottie Pippen. Por fim, JJ Barea teve um triple-double. Sim, o primeiro triple-double da história dos anões. 25 pontos, 10 rebotes e 14 assistências. Como Barea pegou 10 rebotes? Eu vi o jogo e não sei começar a explicar. Um jogo para a história, vale a pena ver todo o resumo.

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Falei de sexta-feira só para falar desse jogo, não espere mais muita coisa. Nos outros jogos os destaques foram a primeira derrota de Mike Woodson no comando do Knicks, para o Raptors, em um jogo em que deu tudo errado desde o começo. O San Antonio Spurs teve Boris Diaw em quadra e mesmo sem armador algum no elenco, Tony Parker machucado e Gary Neal não conta, derrotaram com autoridade o Dallas Mavericks. O Sixers voltou a jogar bem e atropelou o Celtics, já o Lakers, mesmo com jogos mais ou menos de Kobe e Gasol, passou pelo Blazers liderados pelos 28 pontos de Andrew Bynum. No único duelo entre times de conferências diferentes, vitória apertada e emocionante do Phoenix Suns sobre o Indiana Pacers, que quase teve Paul George pegando o próprio rebote do lance-livre para empatar o jogo no último segundo!

 

Sábado

O jogo mais emocionante do sábado à noite foi o duelo entre Toronto Raptors e Chicago Bulls. O líder do Leste venceu e o Raptors deve estar pensando até agora em como eles perderam essa mamata. Punição do deus fashion por terem usado aquele uniforme camuflado no outro dia? Espero que sim, assim como espero que ele puna toda mulher que usa calça boyfriend, não aceito! O Bulls estava sem Derrick Rose, de novo, e ainda no 2º quarto viram Joakim Noah tomar duas faltas técnicas e ser expulso. Como Rip Hamilton está machucado também, era o Raptors contra só 2 titulares do Bulls.

Foi o bastante para o Raptors dominar os rebotes (58 a 44) e ter melhor aproveitamento de arremessos (44% a 39%), mas com o dobro de erros (18 a 9) não conseguiu vencer. Chances não faltaram. Estavam vencendo quando deixaram CJ Watson (23 pontos, 10 rebotes) livre para um arremesso de 3 a 3 minutos do fim do jogo. Estavam também na frente quando Calderón imitou Westbrook e salvou uma bola que ia para fora e deu nas mãos do mesmo Watson, que fez a bandeja. E sabe quem fez outro arremesso de 3 sem marcação no último minuto? CJ Watson. O Raptors ainda passou na frente com linda ponte aérea de José Calderón (20 pontos, 10 assistências) para Amir Johnson, mas logo depois fizeram falta em (um doce pra quem acertar) Watson, que fez 1/2 lances-livres e empatou o jogo. Com a última posse de bolas em mãos, o Raptors teve 4 chances para vencer! Primeiro na bandeja de James Johnson, bloqueada por Omer Asik, depois em um arremesso de Andrea Bargnani, aí no rebote ofensivo de Gary Forbes e, finalmente, em novo arremesso do italiano Bargnani, que parecia certeiro mas bateu no aro duas vezes antes de cair fora. Prorrogação.

No tempo extra, placar baixo e jogo empatado até Amir Johnson acertar um lance-livre a 15 segundos do fim. Aí o Bulls foi para a vitória com bandeja de Luol Deng (23 pontos, 10 rebotes), mas tomou toco de Johnson. Gary Forbes pegou o rebote, sofreu e falta e aí entregou a rapadura: errou os 2 lances-livres. Mais uma chance para o Bulls, que viu CJ Watson ser muito bem marcado e tentar um arremesso que poucos acertariam. Deu airball. Mas é um ariball contra o Raptors. Então Luol Deng pegou a bola do lado do aro e a soltou a um milésimo de segundo antes do estouro do cronômetro, acertando e vencendo o jogo por 102-101. A bola de Deng está no vídeo abaixo.

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Se faz o Raptors se sentir melhor, deveria ter sido marcada uma falta de Carlos Boozer (24 pontos, 10 rebotes)  nesse último lance, já que ele empurra o Gary Forbes e o tira de uma posição onde poderia ter tirado o rebote de Deng. Isso não apaga as mil chances e erros do Raptors, mas foi bem injusto.

Outro jogo com prorrogação foi o duelo entre Houston Rockets e Dallas Mavericks. O jogo foi importantíssimo. Entre o Mavs, 5º do Oeste, e o Rockets, 9º, existem um monte de times praticamente empatados. Uma ou duas vitórias colocam uma equipe lá em cima ou fora dos playoffs, os confrontos diretos podem fazer diferença também. Sabendo disso os dois times jogaram pesado. O Rockets apelou nas bolas de longa distância e 3 de seus titulares (Parsons, Lee e Dragic) tentaram 7 bolas de 3 pontos cada! O Mavs ficou na segurança de passar o último período todo revezando entre arremessos difíceis do Jason Terry (24 pontos) e impossíveis do Dirk Nowitzki (31 pontos), e como sempre, deu certo. O Mavs só não levou o jogo ainda no tempo normal porque o espetacular novato Chandler Parsons (12 pontos, 11 rebotes, 6 assistências) acertou uma bola de 3 digna de Kevin Durant nos últimos segundos do último quarto.

No tempo extra o Mavs continuou com sua dupla, mas teve uma importante ajuda: Brandan Wright contribuiu com 7 tocos, incluindo um sobre Courtney Lee em uma posse de bola decisiva. Ele já tinha antes acertado um arremesso importante no fim do tempo normal também. O Rockets chegou a ter uma outra chance no final do jogo depois de forçar o Mavs a demorar mais de 8 segundos para ir para o campo de ataque, mas na última bola Chase Budinger acertou só aro em um chute da zona morta. O resumo do jogo abaixo serve para 3 coisas: (1) A ponte aéra de Scola para Parsons, (2) a bola de 3 pontos de Parsons e (3) a bola que Dirk Nowitzki acerta usando a tabela com o seu defensor grudado na sua pele.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=DMdlGf4KyFc&feature=related[/youtube]

Juro que acabaram as prorrogações. Quase teve na vitória do Atlanta Hawks sobre o Washington Wizards, mas o John Wall errou a bola de 3 no último segundo. Nenhuma surpresa já que ele tinha acertado só 1 das 9 bolas anteriores que chutou. Foi o melhor jogo de Nenê na sua curta carreira de Wizards, 21 pontos, 11 rebotes e 3 tocos, mas o time não soube segurar a vantagem e tomou a virada. Além do péssimo jogo de Wall, Jordan Crawford é uma negação defensiva e foi humilhado por Joe Johnson. Enquanto o Wizards não tiver um bom defensor de perímetro vai ser difícil ter bons resultados. Outra coisa, alguém sabe quem é esse tal de Edwin Ubiles que jogou seu 3º jogo pelo Wizards ontem?! Juro que tento sempre me manter informado, mas às vezes aparecem uns caras… ele veio da D-League, curiosamente também do Wizards, do Dakota Wizards. Se alguém souber no que ele é bom, avise, ontem fez 10 pontos em 18 minutos jogados.

Outros jogos que aconteceram enquanto vocês estavam na baladenha tomando muito Ice: O Knicks voltou a vencer, atropelou o Pistons como se fosse time grande. O Nets venceu o Bobcats em um desses jogos que simplesmente não valem um minuto do seu fim de semana. Já o Bucks chegou ao extremo do descaso defensivo e tomou 125 pontos do Indiana Pacers, o 6º pior time da NBA em aproveitamento de arremessos. Quem é você e o que você fez com o Scott Skiles, seu farsante?!

No jogo entre San Antonio Spurs e New Orleans Hornets, mais um motivo pra gente ter medo do Spurs: Eles jogaram mal, não se acertaram o jogo inteiro, o Hornets jogou melhor e mesmo assim o time de Tim Duncan saiu com a vitória. Nos anos em que eles foram campeões eu enjoei de ver essas coisas acontecerem. Chegou até o ponto do Danny Green errar dois lances-livres no fim do jogo e mesmo assim o Hornets não aproveitar sua segunda chance de empatar a partida. Quem também ganhou com um basquete mais ou menos foi o LA Clippers, que finalmente voltou a vencer e derrotou o Memphis Grizzlies, esse também em crise. Desde a volta de Zach Randolph o Grizzlies está penando para voltar a jogar da maneira que fazia com o ala/pivô, de maneira mais lenta. O jogo teve várias enterradas legais do Blake Griffin, mas nada tão divertido quando o Chris Paul brincando com o Marc Gasol:

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=C_JUgmvjoOE[/youtube]

Sabe que as ausências seguidas de Derrick Rose me custou uma série de playoff, estou oficialmente eliminado e não tenho chance de ser bi-campeão da Liga Bola Presa de Fantasy. Mas o Danilo segue forte rumo a seu primeiro título e boa parte de sua boa campanha se dá à decisão de ter draftado o novato Klay Thompson antes da temporada. Lembro que conversávamos sobre isso e eu disse pra ele minha opinião: “Se o Monta Ellis acabar sendo trocado ele pode estourar, mas também pode ficar encostado no banco”. Não só Ellis foi trocado como Stephen Curry está machucado, isso quer dizer que Thompson é a principal arma ofensiva do Warrios. Ontem seu time venceu de novo o Sacramento Kings e o novato saiu de quadra com 31 pontos, seu máximo na carreira e que ajudam muito o São Bernardo Furnitures do Danilo, que agora é o Bola Presa na Libertadores.

O jogo foi disputado, corrido e bem divertido, típica diversão de fim de noite do Warriors. O Kings vinha sendo liderado pelos 28 pontos e 18 rebotes de DeMarcus Cousins, mas não conseguiu colocar a bola na mão dele no fim do jogo. Isaiah Thomas, o novato que vem fazendo ótima temporada, perdeu o controle do seu drible de maneira infantil a 4 segundos do fim do jogo e seu time perdendo por apenas 1. Broxante. Na posse de bola seguinte Richard Jefferson conseguiu enterrar a bola antes de sofrer falta, abriu a vantagem para 3 e o Kings não conseguiu empatar em arremesso desesperado de Tyreke Evans.

 

Fotos da Rodada

Tom Thibodeau: Uma estranha mistura de tiozão do churrasco e um sub-gerente frustrado

 

MONTINHO!!!!!!

 

Talvez se eu voar ele pare de fazer cestas na minha cara
(o que é o Carlos Delfino deitado no sofá coçando o saco de fundo?!)

 

Em homenagem a quem já jogou basquete de óculos

 

Yao Ming e filha do Yao (Awnnn!)

 

Ajudem-me nessa: Com que personagem de desenho parece o Chandler Parsons?

 

Cara-de-Dragic é a nova cara-de-Gasol?

 

O time mais macho da NBA

Kobe salva o Lakers, Pistons volta a perder

Depois do Lakers x Celtics que iluminou nossa bela noite de quinta-feira, os dois times tinham pela frente o Toronto Raptors. Primeiro o Celtics, logo na sexta, quando perdeu para o time canadense. A vez do Lakers foi nesse domingo, e por pouco não tomam na cabeça também.

O segredo para a vitória do Lakers foi o primeiro quarto, quando não pararam de alimentar Pau Gasol e Andrew Bynum e os dois foram responsáveis por destruir a defesa do Raptors e abrir vantagem de 34 a 19. Porém de pouco em pouco o Raptors foi cortando a diferença. Como acontece desde que o mundo é mundo, o Lakers tem problemas marcando os armadores adversários. Nessa temporada já sofreram nas mãos de Chris Paul, Jeremy Lin, Andre Miller e ontem foi a vez de Jose Calderon, que fez o máximo de pontos na sua carreira, 30. 

No último período o Raptors, claramente melhor no jogo, passou na frente graças a arremessos de Calderon e uma assistência dele para Ed Davis. Mas aí apareceu Kobe Bryant (27 pontos). Com menos de 1 minuto no relógio ele primeiro cortou a vantagem de 4 para 1 ponto com uma cesta de 3 pontos. Depois roubou uma bola e deu uma assistência para o atleta outrora chamado de Ron Artest, colocando o Lakers a frente. Calderon ainda acertou mais uma para deixar o Raptors na frente por 92 a 91, mas então Kobe Bryant fez a cesta da vitória a 4 segundos do final em um lindo fade-away da zona morta. Curioso que Kobe já tentou 13 arremessos de 3 da zona morta na temporada e errou 12 deles, mas basta um passinho para dentro e esse arremesso do canto, mas valendo 2, é uma de suas armas mais mortais.

O Raptors ainda teria a chance de empatar, mas não conseguiu sequer colocar a bola em jogo. Sem ter para quem passar eles cometeram uma violação de 5 segundos e perderam a chance que tinham para a conquistar a vitória. No resumo do jogo tem tudo: Bynum e Gasol dominando, algumas bolas de Calderon, o game-winner do Kobe e os 5 segundos que renderam uma certa polêmica ontem, mas que foi marcado corretamente:

O Celtics também jogou e venceu, mas seu adversário era um tiquinho mais difícil. Ao invés de pegar o Raptors sem Dedé Bargnani, enfrentaram o Chicago Bulls sem Derrick Rose. Rose está com problemas nas costas que estão preocupando muito o time e os torcedores, mas a verdade é que essa defesa do Bulls é sufocante e pode muito bem dar conta do recado e deixar o Rose voltar só quando estiver 100%. Mas tem uma coisa, sem ele o CJ Watson fica sobrecarregado e por melhor que seja nunca vai conseguir marcar o Rajon Rondo. O armador do Celtics conseguiu seu 2º triple-double na temporada com 32 pontos, 10 rebotes e 15 assistências. É o primeiro jogador do Celtics a conseguir pelo menos 30 pontos e 15 assistências em um jogo desde Larry Bird. Sobre a defesa do Bulls: Repararam com Carlos Boozer se posiciona bem para os rebotes e como Joakim Noah pode trocar em qualquer corta-luz e mesmo assim consegue marcar os jogadores de perímetro? É impressionante. Só não deu conta do bom momento no 4º período quando Rondo embalou passes para Paul Pierce, Ray Allen e Chris Wilcox. Boa partida dos verdinhos.

Outro dia estávamos aqui todo surpresos com a sequência de 4 vitórias seguidas do Detroit Pistons. Não tinha enfrentado nenhum grande time na sequência, mas mesmo assim tava valendo. Mas só pra torcida não se animar demais, ontem eles perderam em casa para o Washington Wizards (irgh!) por 22 pontos de diferença. Podem chamar isso de choque de realidade. Curioso que o jogo estava empatado até os últimos minutos do 3º período, aí o Wizards disparou e não olhou mais pra trás, foi bem estranho. Não é coincidência que o time tenha jogado um de seus melhores jogos da temporada bem quando JaValle McGee fez 22 pontos, o novato-pegador Jan Vesely tenha feito sua melhor partida no ano (10 pontos, 8 rebotes) e John Wall tenha dado 15 assistências ao invés de tentar ser o cestinha do time. Menos isolações, mais jogadas de verdade e esse talentoso elenco pode chegar em algum lugar. Os 2/12 arremessos de Jordan Crawford denunciam os velhos hábitos.

Da última vez que o Heat foi até Atlanta enfrentar o Hawks eles estavam sem LeBron James e sem Dwyane Wade. Ganharam mesmo assim após 95 prorrogações. Dessa vez com Big 3 inteiro em quadra foi uma mamata. Beiraram os 30 pontos de vantagem ainda no 3º período e venceram por 20. LeBron James comandou o time com 23 pontos, 15 rebotes e 6 assistências. Ele é tão bom que tem gente fazendo homenagens pra ele por aí. Quer dizer, dá pra chamar isso de homenagem? Deveriam colocar isso em Cleveland em dia de malhação de Judas.

Olha esse passe que o Chris Bosh pegou no jogo. Quem mais na NBA pegaria esse passe? Tayshaun Prince? Lamar Odom? Alguma criança dos anos 80?

O Jazz conseguiu uma impressionante vitória fora de casa contra o Grizzlies no seu primeiro jogo de um back-to-back-to-back. Os próximos jogos são fora de casa contra Hornets e Thunder. No jogo de ontem o destaque foi o ultra agressivo pré-adolescente Gordan Hayward, que fez 23 pontos e deu 5 assistências e acertou algumas bolas importantes, assim como Paul Millsap, toda vez que o Grizzlies ameaçava encostar no placar. Importante vitória.

Fechando a rodada. Em Oakland o Warriors tirou no palitinho e decidiu que ontem era a vez do Monta Ellis pirar e marcar uma caralhada de pontos. Steph Curry ficou triste em não poder arremessar mil bolas, mas é a democracia do palito. A dupla de armação do Warriors está com média combinada de 50 pontos em 55% de aproveitamento nos últimos 5 jogos. A vítima da vez foi o pobre Rockets, que vinha muito bem com 3 vitórias seguidas. Mas não dá pra ganhar do Warriors acertando apenas 41% dos arremessos, deus não permite. Kevin Martin fez 28 pontos, mas só ele se destacou.

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Fotos da Rodada

Marc Gasol, ao contrário de Nenê, defende a seleção brasileira
Kirk Hinrich tem óculos do futuro
Sabiam que Josh Smith tem “Team” tatuado na mão? Garanto que JR Smith também tem
Erik Spoelstra um dia ainda rasga as calças
Randy Wittman, técnico do Wizards, sorri pela primeira vez na temporada
A defesa-baiacu de Omer Asik
Esses fãs não sabem se controlar
O incrível toco que DeRozan deu com a mente

>Ah, como não amar essas rodadas retardadas com 13 jogos? Que coisa de louco. Pelo menos assim é mais chance de vermos jogos bons, o que tem sido raro em alguns dias. O meu jogo favorito de ontem foi mais um capítulo da Batalha de Los Angeles entre Lakers e Clippers. Se existir um deus do basquete ele está nos preparando para uma série de playoff entre os dois times nessa temporada. Vamos orar!

O jogo de ontem foi o melhor do Lakers na temporada e um dos que mais teve clima de playoff até agora no ano. O Clippers começou melhor, com Caron Butler fazendo 11 pontos nos primeiros 3 minutos de jogo e dando a entender que seria outra lavada do Clippers. Mas aos poucos o Lakers voltou para a partida e empatou tudo ainda no primeiro quarto. Méritos não só da defesa, que melhorou, mas do ataque. O armador novato Andrew Goudelock entrou no jogo durante o primeiro período e já meteu 10 pontos, incluindo duas bolas de 3 pontos, que era tudo o que o Lakers precisava no ataque. Destaque também para Pau Gasol, que foi ultra agressivo no primeiro tempo e não parou de atacar a cesta e fazer grandes jogadas.

Mas passar à frente do Clippers estava difícil. Chris Paul estava de volta e embora não agressivo e atacando como no último jogo entre as duas equipes, estava distribuindo bem o jogo entre as milhares de armas ofensivas que o Clippers tem. Uma hora era Butler fazendo pontos, depois Blake Griffin começou a acertar arremessos de meia distância, Randy Foye de 3 pontos, Mo Williams de qualquer lugar imaginável. Ufa, é difícil demais parar o ataque do Clippers. E pior, quando erram ainda tem DeAndre Jordan, o próprio Griffin e o chato do Reggie Evans atrás de todos os rebotes ofensivos.

Como o Clippers era claramente o melhor time em quadra, o Lakers foi para vencer na raça e na vontade, coisa de time pequeno, mas que funciona. Às vezes exageraram e irritaram os jogadores do Clippers, que naturalmente já são todos nervosinhos. Em uma jogada Josh McRoberts e Reggie Evans se empurraram, se xingaram e tomaram faltas técnicas. Na posse de bola seguinte McRoberts soltou o cotovelo contra Evans e foi expulso. Era certeza que iria acontecer algo assim, misturar esses dois é como colocar dois lutadores em um octógono, eles vão brigar porque acham que o esporte deles funciona assim. Com a diferença que os lutadores estão certos, claro.

A raça que fez diferença foi do jogador outrora conhecido como Ron Artest. Além de bizarramente liderar o time em assistências (7), ele acertou uma bolinha de 3 pontos num momento decisivo e fez todas as jogadas decisivas no último quarto. Roubou bola de Griffin, ganhou bola ao alto, deu toco em Chris Paul e levantou a galera quando batia no peito como King Kong após cada grande jogada. No finalzinho, com o jogo apertado ainda, foi Andrew Bynum quem decidiu a parada. Primeiro recebendo bom passe de Kobe Bryant para fazer uma cesta e depois dando um tocaço em DeAndre Jordan para selar o resultado. Mais uma coisinha para apimentar a rivalidade? Até Pau Gasol e Chris Paul se desentenderam no final! Gasol passou a mão na cabeça de CP3 após um trash talk básico e o armador ficou maluco. Depois do jogo Paul disse que não é filho do espanhol para ele ficar passando a mãozinha na cabeça. Chega, playoff, chega!

Outros dois jogos também foram recheados de emoção e até renderam prorrogações. O Raptors foi até Salt Lake City pegar o Jazz e não é que inesperadamente foi um jogaço? Andrea Bargnani liderou o Raptors, mas aí voltou a se machucar, saiu da partida e ficou com uma cara de cu no banco. Foi então a vez de Linas Kleiza e Jose Calderon acertarem arremessos decisivos nas duas prorrogações que decidiram a parada. O armador espanhol acertou um arremesso de 3 no estouro dos 24 segundos no segundo tempo extra que matou com quase todas as chances do Jazz. Digo quase porque eles ainda poderiam empatar com Devin Harris, mas ele errou 3 lances-livres no último minuto. Assim não pode, champs. Pegue aulas de “decisibilidade” (valeu, Tite) com o Paul Millsap, por favor.

A outra partida com prorrogação foi New Jersey Nets e Philadelphia 76ers. O Sixers entrou no jogo muito sonolento e depois teve que correr atrás. Conseguiu levar para o tempo extra, mas lá pecou muito na defesa (um erro pouco comum para eles) e deixou Deron Williams (34 pontos) tomar conta do jogo. Inexplicavelmente o Sixers aceitou as trocas de marcação nos bloqueios para Williams, então o armador acertou as duas cestas que deram a vitória para o Nets sendo marcado por Jodie Meeks ao invés de Andre Iguodala. Na segunda bola, de 3 pontos, não dá pra entender porque não dobraram a marcação nele para obrigá-lo a passar a bola. Custou muito caro.

Enquanto o Nets vai melhorando, o Bobcats aos poucos se torna o pior time da liga. Nada mais simbólico do que perder um jogo para o Wizards para receber essa afirmação. E pior, perderam por quase 20 pontos de diferença marcando apenas 72 pontos. Depois de algumas boas semanas no começo da temporada o Bobcats vai tendo os resultados que a gente esperava ver. Com esse elenco vai ser difícil ir muito longe. Outro que vai de mal a pior é o New York Knicks. Depois de uma animadora vitória na rodada anterior eles agora perderam para o Cavs! E mais uma prova de que o ataque é o problema deles é que fizeram apenas 81 pontos, acertando 42% dos arremessos. Carmelo Anthony, com 5/14 arremessos, vive uma das piores fases que eu já vi em sua carreira. E nem dá pra colocar a derrota nas costas do Kyrie Irving, o novato-estrela do Cavs fez apenas 7 pontos e não jogou bem.

Um jogo emocionante aconteceu em Detroit, onde o Pistons recebeu o Heat. Era difícil esperar algo disputado já que o Pistons fede mais que esgoto e ainda estava sem Tayshaun Prince. Mas não é que colocar a pivetada (como todo mundo no mundo inteiro pede faz tempo) deu certo? Nos melhores momentos do Pistons no jogo, em especial quando tomaram a liderança no último quarto, o time era quase juvenil: Brandon Knight, Rodney Stuckey, Austin Daye, Jonas Jerebko e Greg Monroe. Por alguns minutos parecia que o Pistons até tinha um futuro pela frente! Mas tudo foi por água abaixo quando eles tremeram na hora H. Vencendo por 3 pontos, Brandon Knight errou dois lances-livres. Logo depois eles tomaram 4 pontos seguidos de lances-livres de LeBron James porque não tinham ideia de como marcá-lo. E em um arremesso decisivo o Austin Daye, que estava com 28 pontos, máximo de sua carreira, deu um airball. O pivô Greg Monroe, um dos jogadores que mais faz ponto no garrafão nessa temporada, também errou bolas importantes no final. Que pelo menos o técnico Lawrence Frank continue dando tempo de quadra para a pirralhada, eventualmente eles aprendem a fechar jogos.

No resto da extensa rodada o Indiana Pacers fez um jogo impecável na defesa para bater o Chicago Bulls. O time do MVP Derrick Rose até teve chance de empatar o jogo no final com uma bola dele, Brian Scalabrine, mas o arremesso sem marcação saiu curto. Bizarro que o White Mamba estava em quadra por causa de sua defesa em David West. Sim, Carlos Boozer perdeu a vaga no time nos momentos finais do jogo para o Scalabrine. Fim de carreira. Em Houston o Rockets finalmente parou de ganhar e foi estranhamente em um jogo contra o Bucks! Pela primeira vez em séculos o Bucks teve um ataque balanceado e produtivo, passando dos 100 pontos, e viraram um jogo que parecia nas mãos do Rockets após o segundo quarto. Tem de tudo acontecendo nessa temporada da NBA.

Com bocejos o Thunder nem precisou suar tanto assim para vencer o New Orleans Hornets e continua o time mais regular da temporada até agora. Sem jogos emocionantes, simbólicos e eletrizantes (a não ser contra o Grizzlies) eles vão se encaminhando para ter mando de quadra contra todo mundo na pós-temporada. Em Dallas o Mavs-Sem-Nowitzki aproveitou a visita de JJ Barea e fez finalmente sua cerimônia de entrega do anel de campeão. Mas em quadra não sobreviveu a Kevin Love (31 pontos), que arrasou mais uma vez e provou merecer cada milhão de seu novo contrato. Já o Spurs venceu o Hawks (que contou com a estreia de Kirk Hinrich na temporada) com mais um bom jogo de Tiago Splitter (16 pontos, 8 rebotes). Está virando rotina, tava na hora, né? Já o Nuggets atropelou sem dó o Kings por 122 a 93. Danilo Gallinari fez todos os seus 23 pontos no primeiro tempo e liderou 7 jogadores do Nuggets com dígitos duplos. É o ataque mais versátil da liga hoje em dia.

No último jogo da rodada o Golden State Warriors bateu o cambaleante Portland Trail Blazers. Vencer o Blazers não está tão difícil como há algumas semanas, mas o estranho foi fazer isso com Monta Ellis marcando apenas 4 pontos! Algumas vez vocês já haviam visto Ellis dar mais assistências (12) do que arremessos tentados (9)? Fato histórico. Os pontos foram compensados por Steph Curry (32) e David Lee (21). Lee precisa de um armador puro para jogar, disso a gente sabia, mas que ele seria o eterno fominha Monta Ellis é uma surpresa. Ellis está com média de 7.2 assistências por jogo após ter média de apenas 4 no resto da carreira.

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Fotos da Rodada

Aqui é paz mundial, caralho!

Hands down, man down!

DeAndre Jordan tenta estragar o aro de STAPLES Center na sua 90ª enterrada do dia

Splitter até ameaça sorrir e irrita Greg Popovich

Noah foge de um terrível monstro de muitos braços

Tony Parker e sua homenagem a Bruce Lee Bowen

Erik Spoelstra é da Independente

Em nome de Duncan, Robinson e Popovich, amém. 
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