Os desempregados

Como é típico de um meio de Setembro no mundo da NBA, praticamente ninguém mais está contratando. A maioria dos times já gastou sua cota de espaço salarial, número de jogadores no elenco e as tais exceptions, as brechas do Salary Cap para poder contratar novos jogadores mesmo com o time tendo gastos excessivos. Mas embora a maioria das equipes já esteja engessada, isso não quer dizer que não existam mais bons nomes disponíveis no mercado. Abaixo alguns dos esquecidos.

 

Leandrinho Barbosa / SG

Cheguei a conversar com algumas pessoas que conhecem o Leandrinho e o que eles deram a entender é que o brazuca não conseguiu ainda um time por querer demais. Pelo jeito ele queria um contrato longo e relativamente caro, algo para ser seu último bom contrato na NBA, mas ninguém mais parece ter tanta confiança assim nele. Lembram da entrevista que ele deu aqui no Brasil dizendo que tinha proposta de 7 times? Pelo jeito 7 times o queriam, mas não ofereceram o valor esperado pelo jogador. Leandrinho tem bom arremesso, melhorou muito sua defesa nos últimos anos e ainda tem boa parte da velocidade que o consagrou. Mas também já passou dos 30 anos e o auge da sua carreira está no passado.

Querem um exemplo disso? Lembra quando apareceu a notícia de que o Lakers estava interessado nele? Pouco tempo depois a informação esfriou e o Lakers contratou o Jodie Meeks. Meeks é simplesmente um bom arremessador de 3 pontos, só isso. Não oferece tudo o que o Leandrinho pode dar a um time, mas em compensação saiu baratinho e com contrato curto, algo que fez a diferença para o Lakers que só poderia oferecer pouca coisa por já ter toda a grana comprometida com outros jogadores. O mesmo vale para o próprio Indiana Pacers, que preferiu o mais jovem e barato Gerald Green ao brasileiro.

Uma solução seria topar um contrato de um ano para mostrar serviço, ganhar uma grana e tentar de novo ano que vem, algo como o que o Chris Kaman fez com o Dallas Mavericks, mas onde? Para Kaman é mais fácil porque quase todo time precisa de um pivô, mas e caras da posição 2 como o Barbosa?  No Leste, Bulls e Sixers já estão com todos os armadores e alas que precisam apesar de terem perdido alguns que estavam com eles na última temporada, o Hawks já trouxe Anthony Morrow e Kyle Korver. No Oeste o Mavs já conseguiu OJ Mayo para substituir Jason Terry e até times com menos ambições como o Warriors já tem elenco fechado. São exemplos aleatórios do que acontece ao redor da liga, caras da posição de Leandrinho estão sobrando. Sendo que ficar um ano parado seria horripilante, resta o que para ele? Buscar algum time mediano na Europa? Pelo o que sei os principais times já estão fechados também. E alguém teria grana para bancar um ano de Leandrinho no NBB? Acho que nem o Flamengo dessa vez. Talvez ele comece a temporada sem time, esperando alguma situação momentânea onde uma equipe acabe precisando de ajuda extra na sua posição. Situação nada confortável para quem queria um último contrato grande na liga.

 

Kenyon Martin / PF

O ala que disputou a última temporada no Clippers vive situação parecida com a de Leandrinho. Teve uma temporada em um time de Playoff no ano passado para tentar mostrar que ainda tem jogo para a NBA, mas mesmo assim morreu sem contrato renovado. Como o brasileiro, não foi mal na temporada 2011/12, mas também não convenceu ninguém a apostar pesado nele. Para um cara que dependia tanto de seu físico no começo da carreira até acho que K-Mart sobreviveu bastante tempo na NBA, mas agora vive um limbo difícil de superar.

Sem a velocidade e agilidade dos tempos áureos de New Jersey Nets, ele é cada vez menos perigoso no garrafão, onde usava esses atributos para compensar a falta de altura para a posição. Nos últimos anos de Denver Nuggets e até mesmo no ano passado no Clippers acabou ganhando destaque na marcação de perímetro. Parece estranho, mas Kenyon Martin costuma ter algum sucesso na marcação de caras como Kobe Bryant ou Rudy Gay, que jogam no perímetro mas não tem a velocidade de um armador. Numa época onde os times usam cada vez menos pivôs e gostam de atuar com 4 jogadores abertos, K-Mart é uma boa solução híbrida de defesa: Não deixa de ser um ala/pivô da posição 4 mas tem mobilidade o bastante para marcar longe da cesta quando preciso. O problema é que no ataque ele não tem a mesma versatilidade, longe disso, aliás. Seu arremesso de meia distância é pouco confiável (além de ser mais feio que bater na mãe) e não tem mais jogo de costas pra cesta. Com tantas limitações é compreensível que os times da NBA tenham apostado em outros jogadores, não me surpreenderia se ele voltasse para a China, onde jogou o começo da temporada passada.

 

Josh Howard / SG-SF

O maconheiro mais sincero da NBA (por ser o único a se admitir maconheiro) ainda sabe jogar bola, mas é outro caso de um jogador na descendente. Não é que ele seja pior do que aquele cara achado na 2ª rodada do Draft, mas é que só uma parte dos times da NBA pensam no que um jogador irá oferecer nessa temporada, a maioria costuma pensar no futuro. Josh Howard não ter time é uma prova de como funciona a cabeça dos General Managers da NBA.

Vejamos o Utah Jazz, time que foi o de Howard na temporada passada, como exemplo. Eles vão ganhar o título? Não. Vão para os Playoffs? É possível, mas vai ser complicado. Seria um desastre não ir para os Playoffs e acabar com uma escolha Top 10 do Draft 2013? De jeito nenhum. O Jazz está com um time pela metade. Eles tem bons talentos em Al Jefferson, Derrick Favors, Gordon Hayward e Paul Millsap, mas não é Josh Howard que vai dar o toque final para transformar esse time num timaço. Então é melhor arriscar os jovens Alec Burks e Jeremy Evans ou até mesmo dar uma nova chance na carreira para o ainda jovem Marvin Williams. O pensamento comum de um time da NBA que não tem chance imediata de título é preparar jogadores que poderão melhorar no futuro, não ter bons jogadores hoje.

No futebol brasileiro o Josh Howard seria contratado por aquele time que precisa se manter na 1ª divisão. Chama um cara com experiência, que ainda tem bola e ele vai ajudar a equipe a ficar no meio da tabela. Mas na NBA não tem rebaixamento, longe disso, você é premiado por ser ruim! E nessa brincadeira alguns veteranos como Josh Howard ficam com opções limitadas de onde jogar.

 

Tracy McGrady / SG-SF

O mesmo que eu disse para Josh Howard vale para T-Mac: Uns 70% dos times não querem caras na parte descendente da carreira. E pode levar esse comentário para explicar outros veteranos sem contrato como Michael ReddDerek Fisher e Mehmet Okur.

McGrady chegou a ter chance em um time com pouca ambição (o que é raro) quando jogou no Detroit Pistons, mas era algo tão sem propósito que eles acabaram se separando mesmo com o sucesso da parceria. T-Mac queria jogar em time de Playoff, o Pistons queria alguém que pudesse tirar o time do lixão onde se encontra. Mas aí McGrady foi para o Atlanta Hawks e apesar de algumas boas partidas (lembra quando ele arrasou com o Miami Heat no começo da temporada passada?) não se firmou no elenco. É triste porque lembramos do tempo que ele era cestinha da liga, mas com seus problemas nas costas ele é uma aposta arriscada. Dificilmente voltará a ter espaço na NBA.

(Perguntaram sobre o Charlotte Bobcats nos comentários. Sim, apareceram uns rumores de possível interesse deles no T-Mac, mas até agora não passam de boatos)

 

Anthony Tolliver /SF-PF

Esse me deixou triste. Anthony Tolliver, o cara capaz de enforcar alguém em nome de um rebote, era a alma do banco de reservas do Minnesota Timberwolves! O cara tava lá sempre gritando, pulando e quando entrava dava muito gás para o time. Sem contar que não tinha medo de arremessar (talvez esse fosse o problema…) quando precisavam de pontos no último quarto. Para o esquema de Rick Adelman era importante porque ele fazia o mesmo que Kevin Love: Jogava no garrafão na defesa mas poderia abrir para os 3 pontos no ataque. O que o matou foi essa última temporada, muito irregular e até bem ruim se comparada a anterior. A NBA tem memória curta, caras que sempre jogam mal mas atuam bem no último ano de contrato conseguem coisas boas, caras bons que fedem em ano de lutar por um novo contrato passam batidos. Só espero que ele faça um novo The Decision quando arrumar um time novo.

 

Terrence Williams / SG-SF

Tem um talento absurdo e é capaz de algumas das melhores enterradas da NBA. T-Will começou muito bem sua carreira na liga pelo Nets e foi um dos melhores novatos da temporada 2009/10, chegou a encerrar a temporada com média de 15 pontos, 7 rebotes e 5 assistências nos últimos 2 meses daquela temporada. Porém depois disso foi só desgraça. Foi afastado do Nets durante uma Summer League por arremessar seguidas bolas, ignorando qualquer jogada ou ordens do técnico. Na temporada regular se atrasou tantas vezes para treinos que deixou de receber multas para ser suspenso pelo time. Eventualmente foi para a D-League e depois para o Houston Rockets, onde novamente causou problemas ao deixar o banco de reservas no meio de um jogo para não voltar mais. Quem conseguir domar o rapaz terá um ótimo talento em mãos, mas ninguém parece querer arriscar.

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Descrição parecida serviria também para Andray Blatche, anistiado pelo Washington Wizards. Quando um cara jovem que teve 16 pontos e 9 rebotes de média há pouco tempo é dispensado assim e ninguém o quer é porque tem algo grave rolando. A era das estrelinhas preguiçosas já acabou na NBA.

 

Louis Amundson / PF-C

O pivô do rabinho de cavalo é o oposto de Andray Blatche. Tem vontade e faz tudo o que o técnico mandar, mas não tem a parte do talento. Será que a era dos jogadores ruins também já acabou? Brian Scalabrine também não conseguiu contrato, mas tudo indica que ele fará parte da comissão técnica do Chicago Bulls na próxima temporada. Bizarro, né? Mas pelo o que me avisaram nos comentários ele recusou a proposta e agora vai comentar jogos do Celtics em Boston, melhor pra gente. Brian Cardinal está sem time também e faz parte desse grupinho seleto.

Alonzo Geeque viveu nos Top 10 de melhores jogadas na temporada passada acabou de confirmar novo contrato com o Cavs. Dominic McGuire fez um acordo com o Raptors nesse fim de semana. Ou seja, ainda existem alguns espaços, mas são cada vez mais raros. Outros nomes conhecidos ainda estão sem contrato: Os bons defensores Mickael Pietrus e Matt Barnes;  Gilbert Arenas não achou alguém para cuidar do seu joelho; Ivan Johnson, o novato velho, que teve momentos de herói pelo Hawks no ano passado; Josh Childress, que piorou desde que foi jogar na Grécia. Quais ainda conseguem voltar para a NBA antes da temporada começar?

>Mais Allen Iverson

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Um dia essa foto vai ser raridade

Eu gosto muito do Jeff Van Gundy como comentarista. Como técnico ele era um chato mau humorado que montava times entediantes e defensivos, fazendo comentários ele é um palhaço que sabe o que diz. Quer dizer, às vezes ele chuta o pau da barraca como quando diz que a NBA não deveria ter limites de faltas pessoais! Se isso acontece, ia ser um festival de pauladas a cada infiltração e veríamos um campeonato de lances livres. Mas quando ele acerta, acerta em cheio, como quando disse que não existe pior tipo de jogador para se treinar do que a estrela em decadência.

Ele sabe disso porque treinou várias dessas estrelas decadentes, o caso mais marcante foi quando foi técnico do Patrick Ewing em fim de carreira. O cara era um dos melhores pivôs da história do basquete e de repente a idade o pegou de jeito e ele não conseguia ser mais do que um um role player ordinário.
Para o Van Gundy é muito difícil para o jogador entender e depois aceitar que não é mais o jogador que era antes. Mas por mais habilidoso e talentoso que um jogador seja, se perde a parte física, o jogo como um todo é comprometido e ele não consegue fazer o que fazia antes. Isso já deve ser difícil pra qualquer um, mas considerando o ego e a auto confiança que costumam ter essas super estrelas, para eles deve ser pior ainda.
É o que aconteceu agora com o Allen Iverson. Ele não conseguiu aceitar que não é mais o mesmo cara de antes, ainda acha que pode ser cestinha e melhor jogador da NBA e por isso ficou desempregado e agora anuncia a aposentadoria. Fiquei um pouco triste quando li a notícia, mas pensando bem não é nenhuma novidade, já tínhamos visto filmes parecidos outras vezes, a situação do Iverson pode ser vista como um misto de Stephon Marbury, Latrell Spreewell e Antoine Walker.
Stephon Marbury jogava muito no Nets mas nunca conseguia levar o time muito longe, aliás não levou nem um pouco longe, aquela porcaria de time só não fedia menos do que o Nets de hoje, que tem tudo para ter o pior começo de temporada da história da NBA. Então o Starbury foi mandado para o Suns em troca do Jason Kidd, o que culminou no Suns sendo eliminado na primeira rodada dos playoffs e o Nets com dois títulos seguidos do Leste. Impossível não associar com o Nuggets, que era um time de primeira rodada de playoff com o Iverson e que virou finalista do Oeste com o Chauncey Billups. Nos dois casos a diferença foi tanta com apenas a troca de uma peça que não tinha como não culpar os antigos jogadores. Marbury e Iverson logo ficaram com fama de estragar equipes. Nos EUA já tinha pessoas mudando o apelido do Iverson de The Answer para The Cancer.
Já no caso do Sprewell a questão foi a grana. Ele vinha de duas boas temporadas com o Timberwolves e virou um Free Agent. O Wolves ofereceu uma extensão de contrato de 3 anos com um salário de 7 milhões por temporada que foi respondido com um “Não vou aceitar esse contrato, tenho uma família para alimentar”. Ninguém ofereceu mais nada pra ele, nem o mínimo, sua carreira acabou e hoje está atolado em dívidas. O Iverson fez quase isso, mas não com dinheiro, com status. Ou alguém dá pra ele um status de estrela ou ele não joga. Não joga.
O Antoine Walker com sua cabeça de lego foi um All-Star, liderou o primeiro bom time do Celtics depois da era Larry Bird junto com o Paul Pierce e era considerado um dos jogadores mais completos da liga, um dos grandes point fowards (alas que jogam armando os times, tipo o Lamar Odom) da NBA. De repente ele foi trocado milhões de vezes, virou reserva, moeda de troca à la Quentin Richardson e acabou por ser dispensado do seu último time, o Grizzlies (coincidência!), encerrando sua carreira. O declínio de craque para piada foi tão grande e rápido quanto o do Iverson de super estrela e futuro Hall da Fama para um câncer que estraga equipes.
Embora haja tantas semelhanças, existe uma diferença básica: Iverson é bem melhor do que os três juntos. Spree, Walker e Marbury eram bons mas não sei se, depois do desgaste que tiveram e dos problemas que causavam, valiam o risco. Imagina a dor de cabeça de um general manager depois de contratar um desses? Precisa de coragem. O Iverson, no entanto, é bom o bastante para valer algum risco e é por isso que eu aposto todos os pés do Danilo que essa aposentadoria anunciada não será definitiva.
O próprio Iverson já disse que ainda acha que pode jogar bem (confiança nunca foi problema pra ele) e que não queria deixar o esporte agora, então é meio impensável que ele nunca mais jogue basquete. Uma solução para ele seria ir jogar na Europa, de onde vieram propostas na última offseason, mas como ele sempre comentou que queria passar mais tempo com a família eu acredito no famoso “ano sabático”, um ano de folga para pensar na vida, tipo Jason Williams e Glória Maria, mais do que em experiência no exterior.
O ano fora da liga tem tudo para dar certo. É um tempo pra ele perceber que as suas duas únicas opções são aposentar ou ter um papel menor em um time com chances de título, como fazem hoje Shaq e Rasheed Wallace, dois caras de idade parecida com a de Iverson. O tempo também será bom para as pessoas esquecerem um pouco do papelão que foi essa sua passagem pelo Grizzlies, limpando um pouco sua imagem. E não podemos esquecer que a temporada que vem é a grande offseason em que a NBA terá 20.000 jogadores espetaculares com a opção de trocar de equipe.
Na muvuca de trocas de jogadores vai ter muito time buscando peças para virar candidato a título e muito time desesperado porque prometeu estrelas à sua torcida e não conseguiu (não dá pro LeBron ir para todos os times que o querem). O mercado estará bem mais aberto do que nesse ano e pelo menos uma oportunidade boa deve aparecer. Paciência e um ano de férias é o que eu daria para o Iverson se eu mandasse nele.
Mas como não mando nem no Kobe (o meu cachorro, não o Bryant), é possível que o Iverson seja mais apressadinho. O destino cuidou para que na semana da aposentadoria do Iverson o Philadelphia 76ers, time onde ele jogou quase a carreira inteira, perdesse seu armador titular Louis Williams por dois meses, contundido. O Louis já não tinha a confiança de todo mundo em Phila, imagina agora que estão usando o Jrue Holiday, que nem barba na cara tem!
Confesso que seria bem divertido e emocionante vê-lo de volta ao Sixers, não iria perder isso por nada, mas por mais bonito que seja não sei se é o melhor para o Iverson. Com a cabeça quente que ele demonstrou na sua longa passagem pelo Grizzlies (3 jogos, maior só do que o Rasheed no Hawks, com 1 jogo), ainda acho que o descanso de uma temporada faria melhor pra ele. E pra gente também, que não aguenta mais comentar o seu caso complicado. Espero falar dele de novo só depois de junho do ano que vem!
Para terminar, a passagem do Iverson no Grizzlies me lembrou muito esse texto aqui do site Trivela. AI na camisa feia do Memphis vai ficar tão marcado na memória do torcedor como Renato Gaúcho no São Paulo, Paulo Nunes no Corinthians, Rivaldo no Cruzeiro…

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O número 8 é uma homenagem a Antoine Walker:
“chuto bolas de 3 porque não existem de 4 pontos”

O Orlando Magic, que já era aquela máquina de acertar bolas de 3, contratou Vince Carter, Ryan Anderson, Matt Barnes e Jason Williams. Todos, absolutamente todos, chutam da linha dos 3. No massacre de ontem contra o Sixers foram 16 bolas de três em 29 tentativas. Sete jogadores contribuiram com esse tipo de arremesso e Ryan Anderson foi o líder, com 4 acertos.
Essas 4 bolas representam ao mesmo tempo 1/4 de todas as bolas do Magic no jogo ou 4 vezes mais do que o número total de bolas de 3 feitas no jogo inteiro entre Nets e Wolves. Os dois times somados acertam 1 mísero arremesso. O Nets tentou 8 e errou todos, o Wolves tentou 7 e apenas o Brian Cardinal, justo ele, acertou uma bolinha.
Não dá pra falar de bolas de 3 sem falar do Knicks. Na derrota humilhante de ontem contra o Heat, o time do Mike D’Antoni conseguiu chutar 39 bolas de três pontos! Destes, acertaram apenas 10. Foi apenas a 29ª vez na história da NBA que um time arremessou pelo menos 39 bolas de 3 num mesmo jogo.
O recorde é do Mavs, que chutou 49 bolas de 3 em um jogo contra o Nets em 1996. Naquela partida o George McCloud tentou 20 arremesso de três e acertou 7. O recordista de ontem foi o Danilo Gallinari que, dos seus 14 arremessos de quadra, 13 foram da linha dos três. Pois é, pra ele tem carvão quente no garrafão.
O ala italiano foi apenas o oitavo jogador do Knicks em todos os tempos a tentar pelo menos 13 bolas de 3 em um jogo. Allan Houston, Latrell Sprewell, John Starks, Jamal Crawford, Quentin Richardson, Nate Robinson e Stephon Marbury foram os outros. Com 7 acertos nas 13 tentativas o Gallo fica em segundo no aproveitamento entre esses aprendizes de Antoine Walker. Melhor que ele só quando o Latrell Sprewell acertou 9 bolas de três em 14 tentativas em 2002.
Por curiosidade, o recorde de mais arremessos de 3 tentados em um jogo é de Damon Stoudamire, que tentou 21 em um jogo pelo Blazers contra o Warriors em 2005. Nos playoffs o recorde é de Ray Allen com 18.
O Suns, antigo time do D’Antoni e que também arremessava de três a rodo, está maneirando um pouco. Ontem foram 7 acertos em 15 tentativas, um pouco pior do que o Gallinari sozinho. O que time tinha prometido voltar pra correria nesse ano terminou sua vitória contra o Clippers com míseros 2 pontos de contra-ataque, o menor número, empatado com o Kings, entre os 24 times que jogaram ontem.
Nos números o destaque negativo da super rodada foi o Bobcats. Seus 59 pontos na derrota para o Celtics foi o número mais baixo de pontos em uma estréia de temporada desde a implementação do relógio de 24 segundos na temporada 1954-55. Os Bobgatos acabaram o jogo com aproveitamento de 31% nos arremessos de quadra, 52% no lance livre e nenhuma bola de três certa em 10 tentativas.

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Acabaram as análises e o Isiah não apareceu. Que pena...

Finalmente chegamos ao fim da nossa semana especial de técnicos. É a vez da divisão Noroeste do estreante (e ridículo) Thunder. Aproveitem essa última parte e parem de nos cobrar posts sobre os técnicos!

George Karl, Denver Nuggets
Parece minha sina: O George Karl também treinou o Bucks. Será que é pré-requisito treinar os veadinhos antes de ir para o Oeste? Bom, mas antes do Denver e do Bucks, o Karl já treinava fazia um tempo, desde a temporada 84-85, quando treinou o Cavs, depois o Warriors e o Sonics, onde realmente ganhou mais fama.
O engraçado desse time do Sonics que o George Karl fez era que ele não tem nada a ver com o atual Nuggets. Era um time equilibrado! Tinha o sétimo melhor ataque da NBA e a segunda melhor defesa! É sério, George Karl e melhor defesa juntos.
Acho que podemos dar um mérito também para os jogadores naquele Sonics, o Gary Payton era o armador principal e antes de ficar velho (para quem só lembra dele no Lakers e Heat) foi um dos melhores defensores de todos os tempos, merecendo até o apelido de “The Glove“, ou “A Luva”, tal era a forma que ele marcava seus adversários. Mas se aquele time tinha o Payton, o Nuggets tem o Camby, que foi eleito melhor jogador de defesa por duas vezes e nem assim o Denver chegou a ter uma defesa próxima do razoável.
O lado negativo da passagem do Karl pelo Sonics foi em 1994, quando levou o Sonics a 63 vitórias na temporada regular mas foi o primeiro time cabeça-de-chave número 1 a perder para o número 8, quando perderam para o Denver de Dikembe Mutombo.
O que dizem é que os jogadores do Nuggets não respeitam mais o George Karl e ele mesmo parece já ter desistido. Esses rumores ficaram ainda mais fortes nos playoffs da temporada passada quando o Lakers destruiu e humilhou o Nuggets. Dizem que caras como o Kenyon Martin, o Carmelo, (principalmente o) JR Smith e até o Iverson não davam ouvidos a ele, que com o tempo parou de se importar, o que não me deixa entender porque ele ainda trabalha lá.
Não duvido do talento do George Karl porque ele treinou um timaço no Bucks, aquele com o trio Cassell, Ray Allen e Glenn Robinson, que era um time com uma defesa fraca mas com o melhor ataque da NBA e que mesmo assim ficou a uma vitória da final da NBA. Todos os times de Karl eram bons no ataque, mas só o que era bom na defesa chegou na final. Aposto que ele sabe disso, mas ele precisa enfiar isso na cabeça de seus jogadores, para que comecem a jogar decentemente na defesa e com um pouco menos de improviso no ataque.
E não é que eu tenha algo contra o improviso no jogo, acho lindo, mas quando feito por quem sabe. O Nash sabe improvisar, o Kidd sabe, o JR Smith não sabe, o Carmelo acha que improviso é arremessar de onde ele recebe a bola. O George Karl não tem o menor controle desse time e a melhor coisa pra ele era simplesmente dar o fora!
Ah, ele tem o site DemitaGeorgeKarl.com! Parabéns pra ele!

Randy Wittman, Minnesota Timberwolves
Em seus 4 anos como técnico, Wittman perdeu 2 jogos em cada 3 que disputou na carreira, um lixo. Mas não foi só culpa dele.
Seu primeiro time foi o Cavs do final do século passado, aquele time que tinha Shawn Kemp e Danny Ferry em fim de carreira e Andre Miller em começo (ruim) de carreira. Era um elenco péssimo e a 3° pior defesa de toda a liga. Mesmo assim ele continuou no time no ano seguinte, que tinha o Andre Miller jogando bem mais e já tinha o Zydrunas Ilgauskas no elenco, mas Kemp, o cestinha, tinha ido embora e o recorde do time piorou de 32 para 30 vitórias. Wittman foi mandado embora.
Então ele voltou para o Wolves. Sim, voltou. Wittman foi assistente técnico do Wolves em três ocasiões diferentes, somando 10 temporadas pela equipe. Depois de tanto tempo por lá, até foi natural colocar ele para treinar o time.
Randy Wittman é considerado um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do Garnett na NBA, ele chegou lá como um adolescente magrelo e com a ajuda de Wittman, entre outros, claro, chegou a ser quem é hoje. Talvez até pensando nesse relacionamento entre os dois é que tenham colocado ele como técnico, mas a relação só durou uma fracassada temporada, depois Garnett foi para o Boston.
Não foi tão ruim para o Celtics, afinal eles receberam outro pivete vindo do colegial em troca, Al Jefferson, e o Wittman tem a experiência necessária pra fazer ele virar uma potência na NBA, só vai faltar mais quatro jogadores e banco de reservas.
Fucei por uns fóruns do Wolves na internet e quase todos os fãs sempre reagem a um pedido de demissão do técnico com a resposta “Mas não é culpa dele, esse time é muito ruim!“, ou “Não é culpa dele, não foi ele que mandou o Garnett por nada!” ou ainda “Ninguém faria melhor que ele, olha quanto cara ruim!“.
Então o Wittman deve ficar por lá mais um tempo, já que todo mundo sabe que não é culpa dele. O seu emprego só corre risco porque se o bicho pegar, o verdadeiro culpado, o manager Kevin McHale, irá demitir o técnico antes de admitir que só fez merda e dar o fora. Só para ilustrar o que o McHale fez, antes do draft de 2006 ele recusou uma oferta que seria a 4° escolha daquele draft mais Tyson Chandler e Luol Deng pelo Kevin Garnett. Se você lembrar que o Wolves tinha a 6° escolha naquele ano e a usou para pegar e logo depois mandar embora o Brandon Roy, o McHale teve a chance de montar um Wolves com:
Brandon Roy
Corey Brewer (escolhido no ano seguinte)
Luol Deng
LaMarcus Aldridge (aquela 4° escolha!)
Tyson Chandler
Que tal? Daria até pra colocar a culpa no técnico em caso de fracasso.

Nate McMillan, Portland Trail Blazers
Lembra que eu falei do Sonics do George Karl no começo do texto? Um dos pilares daquela defesa, além do Payton, era o Mr.Sonic, como era conhecido Nate McMillan.
McMillan foi draftado pelo Seattle Sonics em 1986 e ficou lá por toda sua carreira. Depois, em 1998, virou assistente técnico do time e em 2000 virou técnico. É uma história única. Ele foi jogador, assistente e depois técnico do mesmo time, sem nenhum ano de intervalo. O Avery Johnson fez quase isso no Dallas, mas ele não tinha passado a carreira toda no Mavs.
Depois de anos discretos treinando o Sonics, vendo acabar a era Payton e o início da era Ray Allen, mas sempre sem resultados expressivos, com apenas uma visita à primeira rodada dos playoffs. Mas então, finalmente, no seu quinto ano como técnico, ele comandou o time mais surpreendente que eu já vi jogar.
A equipe tinha Ray Allen e Rashard Lewis, grandes jogadores, mas completavam a equipe Luke Ridnour, Reggie Evans e Jerome James. Uau! Claro que ainda tinham as valiosas ajudas de Vlad Radmanovic, Antonio Daniels e Flip Murray, mas mesmo assim é absurdo. Eles conseguiram 52 vitórias, foram para a segunda rodada dos playoffs e deram uma canseira no Spurs, que venceu em 6 jogos. Eu nunca entendi esse time, não sei porque fez sucesso e admiro eles demais, principalmente o Nate McMillan, que ganhou muita moral comigo desde então.
Mas todo mundo resolveu sair por cima e não mostrar que eram uma farsa. Jerome James assinou um contrato milionário com o Knicks, Evans foi para o Nuggets, Daniels foi para o Wizards e para acabar com tudo, o próprio McMillan, pela primeira vez na carreira, iria sair do Sonics.
Para desespero geral do povo de Seattle, ele decidiu ir para o Blazers, o mais fervoroso rival de divisão do Sonics. Isso deu muita discussão na época, era impensável o “Mr.Sonic” virar um Blazer, mas ele foi, talvez já sentindo que as coisas em Seattle não iam pra frente.
No Blazers ele tem tido uma melhora a cada temporada. Foram 21 vitórias no primeiro ano, depois 32 e no ano passado impressionantes 41, além de uma sequência de 13 vitórias seguidas e outras tantas boas atuações. O Blazers dessa última temporada não foi um time muito estável mas fez partidas espetaculares, chegou a ganhar de times muito fortes com atuações convincentes. Agora é esperar a consagração, se com Reggie Evans e Jerome James no elenco o McMillan foi longe, com Aldridge e Oden o céu é o limite.

PJ Carlesimo, Oklahoma City Thunder

O Carlesimo tem quatro momentos em sua carreira como técnico. Um bom, um médio, um ruim e o outro surreal.
O momento médio foi quando treinou o Portland Trail Blazers. Foram três anos comandando um time mediano, que chegou nos playoffs em todas as temporadas mas sempre perdeu na primeira rodada. O típico caso do time que não é nem bom e nem ruim, não ganha título e não tem escolha boa no draft. Um tédio.
O momento bom foi entre 2002 e 2007, quando foi o principal assistente técnico do Gregg Popovich no Spurs. Ele esteve presente nos títulos de 2003, 05 e 07.
O momento ruim foi no ano passado. Apesar do elenco fraco, o Carlesimo passou vergonha com o Sonics: foram apenas 20 vitórias e uma quantidade infinita de partidas humilhantes. Eles chegaram a tomar 168 pontos do Denver em uma partida sem prorrogação! Por mais jovem e incompetente que seja um time, não pode tomar 168 pontos! Aliás, nos 4 jogos contra o Denver na temporada passada o Sonics tomou uma média de 143 pontos por jogo. Meu time do ginásio não tomava tanto ponto.
O momento bizarro da carreira do Carlesimo foi no Golden State Warriors. Lá ele já tinha fama de não saber lidar com jogadores jovens (o que torna a contratação dele para comandar Durant e cia. uma atitude digna de nota!), de ser grosseiro e de não saber tirar o melhor da equipe. O mal-estar chegou ao limite no dia 1 de dezembro de 1997, quando ele criticou o Latrell Spreewell, então estrela do time, por causa de um passe no treino.
Spree não pensou duas vezes, partiu para cima de Carlesimo e começou a enforcá-lo. Foram 15 segundos de ataque, que só parou quando os jogadores conseguiram afastar o companheiro. Um tempo depois o Sprewell comentou o assunto dizendo que ele estava tão descontrolado naquele momento que se não o separassem ele teria enforcado o técnico até a morte. Sério, nem o Djalminha foi tão longe.
Depois de ver no ano passado o Carlesimo deixar o novato Jeff Green tomar 48 pontos do Kobe na cabeça sem ser substituido pelo Carlesimo, acho que ele está mais próximo de ser enforcado por um jogador do Thunder do que de ganhar títulos como na sua época de assistente técnico do Spurs. O PJ Carlesimo tinha que ter ficado no Spurs e ter sido o Murtosa do Popovich.

Jerry Sloan, Utah Jazz
Dois times marcam a carreira de Jerry Sloan. O primeiro, claro, é o Jazz. Ele é técnico do Jazz desde a temporada 88-89, ou seja, completará 20 anos como técnico do mesmo time e foram 20 anos brilhantes. Desde 89 até 2003, Sloan não deixou nem por um ano de ir para os playoffs, chegando em 5 finais de conferência e duas finais da NBA.
O time, como todos sabem, era liderado pela dupla John Stockton e Karl Malone, dois dos melhores jogadores de basquete em todos os tempos. O esquema tático do Sloan era conhecido e usava e abusava do talento dos dois craques. O principal artifício era o “pick and roll”, jogada que se utilizava do entrosamento dos dois, da visão de jogo do Stockton e da combinação de bom arremesso de meia distância e de infiltração do Malone.
Então soma-se a isso bons arremessadores e jogadores sempre usando a força para cortar em direção à cesta para receber os passes de Stockton e você tem um time eternamente competitivo. Todos os anos o Jazz estava lá incomodando todo mundo, não tinha erro, podiam entrar e sair jogadores mas se tinha Malone, Stockton e Jerry Sloan, o Jazz estava na briga. O título só não veio por causa do outro time na vida de Jerry Sloan.
Por dois anos seguidos, o Jazz perdeu a final da NBA para o Chicago Bulls de Michael Jordan. O mesmo Chicago que tem a camiseta número 4 aposentada por causa de Sloan.

Sloan nasceu no estado de Illinois, onde fica Chicago, e jogou apenas uma temporada no Baltimore Bullets antes de se transferir para o Chicago Bulls no ano em que o time nasceu, até por isso o seu apelido era “O Bull original”. Lá ele fez fama defendendo como um doido, indo para dois All-Star Games, levando o time para os playoffs e como líder do único título de divisão do Bulls fora da era Jordan.

Em uma história parecida com a do Nate McMillan, Sloan logo que se aposentou (por causa de contusões no joelho) virou olheiro do time e logo depois técnico, treinou por 2 temporadas e meia, depois foi mandado embora.
No Jazz, depois de perder os títulos para o Bulls, não conseguiu mais repetir o sucesso de antes e mesmo sem Jordan na liga, o Jazz já não conseguia mais passar pelas novas potências do Oeste, como Spurs e Lakers. Aí foi a hora de Stockton se aposentar e do Malone levar seu pé frio para Los Angeles.
Todo mundo pensava que era a desculpa certa para o Sloan pedir as contas e ir embora, mas não, ele permaneceu fiel ao time e comandando um elenco ridículo não foi para os playoffs pela primeira vez em 2004. Não foi de novo em 2005 e 2006, mas nesse tempo ele não abandonou aquele mesmo velho esquema tático que deu certo durante mais de uma década e aos poucos foi montando o time com as peças necessárias para o esquema dar certo de novo. Veio o armador com visão de jogo (Deron Williams), o ala de força com potência e arremesso (Boozer), os arremessadores (Okur e Korver) e os jogadores de força que estão sempre cortando em direção à cesta (Brewer, Kirilenko, Harpring).
Se fosse pra definir Sloan com uma palavra, seria “estabilidade”. Sempre o mesmo esquema, a mesma calma, a mesma cobrança por defesa e jogo físico. O título pode não vir nunca, mas enquanto ele tiver jogadores nas mãos vamos ver ele e seu Jazz nos playoffs. E acho que ele só pára quando morrer.