O “Clube do Livro” está de volta para assinantes, desta vez para celebrar o primeiro tÃtulo do Denver Nuggets com um perfil de Nikola Jokic. O texto original, em inglês, foi publicado no dia 8 de fevereiro de 2017 e escrito por Lee Jenkins para a Sports Illustrated. Em 2017, Jokic estava apenas em sua segunda temporada na NBA e a ideia do Denver Nuggets disputar um tÃtulo soava absurda, mas o pivô sérvio já dava indÃcios de genialidade. O perfil escrito por Lee Jenkins já mostra as primeiras consequências de uma transformação fÃsica em Jokic e os benefÃcios de Michael Malone apostar integralmente nele, mas o mais fascinante em seu texto é encontrar os vÃnculos do atual campeão da NBA com Darko Milicic, o pivô draftado em 2003 considerado uma das mais frustrantes escolhas do draft de todos os tempos. Sem Darko, Jokic nunca teria sido ignorado até a escolha 41 do draft – mas também não saberia de quais perigos escapar em sua trajetória. Mesmo escrito em 2017, esse texto é um dos melhores retratos de Jokic e explica, com incrÃvel antecedência, os caminhos que o levaram ao seu primeiro tÃtulo. Esperamos que aproveitem o texto e, claro, o episódio especial do podcast em que discutiremos seus detalhes. Boa leitura!
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 O “Joker”: Nikola Jokic não está para brincadeira em Denver
por Lee Jenkins (com tradução de Danilo Silvestre)
Protagonista improvável, Nikola Jokic está encantando e divertindo Denver depois de passar por uma transformação fÃsica. O intrigante pivô do Nuggets se tornará o próximo unicórnio da NBA?

No verão de 2004, Darko Milicic convidou um velho amigo da Sérvia para uma mansão nos subúrbios de Detroit. Milicic havia sido draftado pelo Pistons no ano anterior – segundo lugar geral, à frente de Carmelo Anthony, Chris Bosh e Dwyane Wade – mas sua temporada de estreia foi uma decepção. Embora Detroit tenha vencido o campeonato, o fenômeno de 2,13m não conseguiu entrar na rotação, com média de 1,4 pontos em 4,7 minutos por jogo. Milicic não conseguiu se entrosar com seus novos companheiros de equipe, então manteve contato com os antigos, incluindo um ágil ala de 1,98m chamado Nemanja Jokic. Jokic, que jogou ao lado de Milicic em clubes sérvios desde os 16 anos, estava interessado em se mudar para os Estados Unidos e jogar basquete universitário.
Jokic aceitou uma bolsa de estudos do Detroit Mercy, em parte por causa de Milicic. Jokic morava na casa de Milicic em Rochester Hills, a um quarteirão da casa de Tayshaun Prince. Tinha acesso à crescente frota de carros de Milicic. Ia constantemente aos jogos do Pistons. “Eu estava vivendo a vida de um jogador da NBA”, diz Jokic. “Dava as melhores festas do campus – na casa dele.” Ele viu em primeira mão quando Milicic comprou uma segunda casa em Detroit, um iate, toneladas de brinquedos. A diversão durou um ano e meio, até que Milicic foi trocado para Orlando e Jokic foi obrigado a morar num dormitório universitário.
Ele veio do banco por três temporadas no Detroit Mercy, depois foi transferido para o CW Post em Long Island e assinou com o Scranton/ Wilkes-Barre Steamers, time de uma liga iniciante, a Premier Basketball League. “Cometi erros”, diz Jokic. “Quando eu era jovem, o basquete não era minha prioridade número um. Sair, me divertir, beber, garotas, essas eram minha prioridade número um. Estava tomando minhas próprias decisões — “Não vou treinar” — quando ainda precisava do apoio da famÃlia. Era isso o que me faltava.
Seu amigo também sentia falta disso. Darko foi de Orlando para Memphis, de Nova York para Minnesota, a sombra de Carmelo Anthony e Dwyane Wade sempre pairando sobre suas mechas descoloridas. O “Charuto da Vitória Humano” brigou com técnicos e gritou com árbitros. Ganhou peso. Nunca teve média de mais de 8,8 pontos por jogo em uma temporada. “Havia tanta pressão sobre ele”, lembra Jokic, “e ele colocou muita pressão sobre si mesmo. Acho que ele tinha muita coisa acontecendo em sua vida. As casas, os carros, não havia ninguém para lhe dizer que não precisava de todas essas coisas.”
Em 2012–13, Milicic jogou seu último jogo profissional com o Celtics e Jokic com o Steamers. Jokic voou de volta para sua cidade natal, Sombor, pela primeira vez em sete anos e se reconectou com seus dois irmãos. Ele sempre foi próximo de seu irmão mais velho, Strahinja, um brutamontes de 2,03m que jogou profissionalmente na Sérvia. Mas seu irmão mais novo, Nikola, tinha apenas 10 anos quando Nemanja partiu para os Estados Unidos. Ele se lembrava de Nikola principalmente como o garotinho que Strahinja costumava atormentar, jogando-o de uma cama para outra no pequeno apartamento da famÃlia, muitas vezes durante partidas acirradas de basquete numa mini-cesta de plástico. “Uma vez ele segurou meus braços e arremessou facas em volta da minha cabeça”, acrescenta Nikola, tudo punição por se recusar a subir em uma árvore durante um piquenique. “Isso foi meio doido.”
Quando Nemanja voltou, Nikola tinha 17 anos e era maior que os dois irmãos. Gostava de basquete, mas também gostava de futebol e pólo aquático, vôlei e corrida de cavalos. Estava acima do peso – “obeso”, esclarece um de seus treinadores de força – bebendo três litros de Coca-Cola todos os dias e comendo tortas de queijo gordurosas chamadas “bureks” no café da manhã. Quando assinou seu primeiro contrato com o Mega Leks em Nova Belgrado, ele tinha mais de 2,10m de altura e pesava quase 135 quilos, mas não conseguia fazer uma única flexão de braços. “Ele só queria se divertir”, diz Nemanja. Ele queria ficar dentro do garrafão, com a bola nas mãos, e sem olhar dar passes bonitos que passassem rentes à s orelhas dos defensores. Seu jogo favorito era três contra três na meia quadra, onde não precisava se preocupar com defesa de transição. “A primeira vez que o vi jogar, ele estava dando aqueles passes pelas costas que ninguém mais ousaria tentar”, conta Nemanja. “E todo mundo deixava ele jogar assim. Ninguém disse para ele não fazer isso. Sabiam que ele tinha um conjunto de habilidades realmente único.”
Precisaria cortar peso, largar o refrigerante e puxar ferro. Precisaria superar estereótipos antigos, vindos de Darko, e resistir à s baixÃssimas probabilidades. Precisaria de um pouco de sorte absurda e muito amor disciplinador. “The Joker”, ou “O Coringa”, como é conhecido, teria que levar isso a sério. Nemanja não tinha ideia de quanto tempo levaria essa metamorfose. Mas ele tinha uma certeza: quando chegasse a hora da Sérvia enviar seu próximo gigante para a NBA, tudo seria diferente.
A 41ª escolha no draft produziu Cuttino Mobley e Jodie Meeks, Bobby Simmons e Willie Green, azarões que deram certo. Mais frequentemente, rendeu jogadores como Jamaal Franklin e James Augustine, que jogaram menos de 30 jogos na NBA, Jason Lawson e Jason Sasser, que jogaram menos de 20, e David Young e Chris Carawell, que não jogaram nenhum. Uma diretoria perspicaz – e sortuda – pode encontrar um jogador de apoio na posição 41. O que você não consegue encontrar, mesmo que volte a Popeye Jones, é um pivô que te permita construir um time ao seu redor.
Dez dias antes do draft de 2014, Misko Raznatovic soltou um tuÃte declarando que Nikola Jokic estava se retirando do draft e retornando ao Mega. Raznatovic, o agente de Jokic, recebeu pouco interesse das franquias da NBA. “Havia um preconceito com sua aparência”, disse um General Manager. “O cara não tinha definição muscular. Ele não conseguia pular.” Jokic se referia a si mesmo como um “armador gordo” e criou vários apelidos exóticos para seus peitorais carnudos. Raznatovic costumava dizer a ele antes dos grandes jogos: “Feche os olhos e imagine que você está disputando comigo e com minha filha biscoitos de chocolate”. Nunca faltou motivação para Jokic. Quando o Mega perdeu, os treinadores forçaram o time a fazer 50 suicÃdios na quadra. “Odiei isso”, lamenta. Strahinja mudou-se para Nova Belgrado, principalmente para monitorar a dieta e o condicionamento de seu irmão mais novo. Strahinja o levava para a musculação, mesmo que precisasse de objetos afiados para isso.
As preocupações com o fÃsico rechonchudo do “Joker” levantaram dúvidas quanto ao seu comprometimento. Certa vez, ele perdeu uma semana no Mega com tendinite no pulso, causada por dar muitos autógrafos. Ali, os olheiros temiam, estava outro grande sérvio fracote jogando apenas porque era capaz. Ali estava outro Darko. “É verdade”, diz Tim Connelly, General Manager do Nuggets, “ele não tinha um corpo sexy”. Mas Connelly e sua equipe olharam por baixo do pudim em busca de uma visão panorâmica, o jogo macio, os pés ágeis – e uma famÃlia basqueteira motivada a corrigir o passado. Talvez Jokic não fosse outro Darko. Talvez ele fosse outro Sabonis, outro Divac, outro Gasol. Os Nuggets se convenceram no Nike Hoop Summit, quando Jokic usou suas fintas elaboradas em Clint Capela e deu assistências impossÃveis para Karl-Anthony Towns.
Connelly convenceu Raznatovic a manter Jokic no draft de 2014 e o escolheu na quadragésima primeira posição. Jokic estava dormindo no momento em que foi selecionado. Ele não tinha intenção de ir para Denver, pelo menos não tão cedo. Jokic e Raznatovic já haviam bolado um plano: assinar um contrato lucrativo com um grande clube europeu e depois pensar na NBA em dois ou três anos. No inverno de 2014, dirigentes do FC Barcelona viajaram para Nova Belgrado para fechar um acordo com Jokic. “TÃnhamos praticamente fechado com eles”, diz Raznatovic. “Estávamos apenas ajustando os pequenos detalhes. Mas naquela viagem, eles o viram jogar mais uma partida, e ele foi horrÃvel. Quero dizer, realmente horrÃvel. Você não pode imaginar quão mal ele foi. E aà eles pediram mais tempo.”
“Fiz quatro pontos, peguei três rebotes e não defendi nada”, diz Jokic. “Acho que foi um sinal. Sem esse jogo, eu estaria no Barcelona agora.” Em vez disso, abriu a porta para Denver. Lá em Denver, os executivos do Nuggets assistiam aos vÃdeos de melhores momentos de Jokic diariamente, presenteando uns aos outros com descrições de passes vindos do garrafão que ele mandava para a zona morta por entre as suas pernas. O Nuggets estava ocupado se preparando para o draft de 2015, esmiuçando Kristaps Porzingis, e começou a se perguntar se Jokic estaria no mesmo nÃvel.
Funcionários de Denver visitaram Jokic oito vezes no Mega e explicaram que estavam construindo uma outra nação balcânica nas Montanhas Rochosas. Eles contrataram o aclamado técnico sérvio Ognjen Stojakovic; adquiriram o pivô bósnio Jusuf Nurkic; a lenda lituana Arturas Karnisovas se tornou assistente de Connelly, o General Manager do time. Jokic recusou um contrato para ingressar no Nuggets no meio da temporada, mas se pegou sonhando com Denver. Ele sentiria falta de acampar em sua amada floresta perto de Sombor, mas seus irmãos amavam os Estados Unidos e sua namorada estava jogando vôlei em uma universidade em Oklahoma.
“No fim das contas, Arturas é o cara que nos convenceu a mudar nossa estratégia”, lembra Raznatovic. “Arturas disse: ‘Ninguém duvida das habilidades dele, mas sim do seu fÃsico. Onde ele terá mais chances de melhorar seu fÃsico, na NBA ou na Euroliga?'”
No voo para o Pepsi Center, o “Joker” bebeu sua última Coca-Cola.
Desta vez, não há mansão, nem frota de carros, nem iate. Os três irmãos moram juntos, com a namorada de Nikola, em um apartamento de três quartos em LoDo. Recentemente, penduraram outra mini cesta na entrada. “É um pouco pequena para nós agora”, diz Nikola, “mas ainda jogamos um contra um, cavando faltas de ataque, xingando um ao outro”. Nemanja e Strahinja comparecem a todos os jogos em casa do Nuggets, Strahinja gritando em sérvio: “Mais energia! Agache mais! Levante suas mãos!” Os outros torcedores mantêm distância. “As pessoas acham que parecemos assustadores, que soamos assustadores”, diz Nemanja. “Mas não somos tão maus assim. Até paramos de xingá-lo.” Na temporada passada, os irmãos viajaram juntos várias vezes, mas não queriam pegar avião. Então dirigiram um Cadillac Escalade alugado de Denver para Los Angeles, Dallas e Nova York.
“Nikola não pode decidir se vai ter a gente por perto ou não”, diz Nemanja, cuja esposa mora em Nova York enquanto ele fica em Denver. “Ele é um cara inteligente e tenho certeza que não sairia do eixo por aqui. Mas este é um momento muito importante e quero que ele tenha o tipo de apoio que eu não tive. Sempre digo a ele: ‘Você está vivendo o meu sonho. Dê a isso o devido valor. Não cometa os erros que cometemos.'”
Darko chegou aos Estados Unidos no auge da febre dos jogadores europeus, quando todas as franquias estavam desesperadas para encontrar seu Dirk, e suas dificuldades acabaram interrompendo esse processo. O interesse por prospectos estrangeiros diminuiu. Jokic chegou em Denver sem expectativas – uma vantagem de ter sido draftado com a escolha 41 em vez da escolha número 2 – e quando viu o ala Kenneth Faried enterrar uma bola em seu primeiro treino, disse a si mesmo: “Isso não é para mim.” Ele não impressionou ninguém na Liga de Verão e foi apenas um pouquinho melhor na pré-temporada. “Um jogador bem mediano”, recorda o técnico Mike Malone. Mas Jokic se apoiou em seus irmãos e manteve o regime desenvolvido pelo treinador de força e condicionamento do Nuggets, Steve Hess, que o fazia comer sete refeições com baixo teor de gordura por dia. Jokic derreteu de quase 132 quilos para 113 e, de repente, estava tirando fotos de si mesmo flexionando os músculos ao lado de Faried.
“Se ele vai se parecer com DeAndre Jordan um dia? Não”, diz Hess. “Se ele vai conseguir pular um metro de altura? Não.” Ele pode ser o melhor pivô criador de jogadas da NBA mesmo assim? Com certeza. “Acredito que os únicos músculos de que você precisa no basquete”, diz Jokic, “são os do seu cérebro”. Enquanto os pivôs modernos deslizam pela quadra – pense em Giannis Antetokounmpo, Joel Embiid, Porzingis – Jokic, de 21 anos, intencionalmente se arrasta. “Gosto de desacelerar esses caras”, explica ele, “e forçá-los ao meu ritmo”. Seja puxando contra-ataques ou correndo por último na transição, estabelecendo posição embaixo da cesta ou na cabeça do garrafão, o tempo pára quando ele segura a bola. Ele tira uma foto mental da quadra. E então imagina de que maneira a imagem mudará. “Conheço meus companheiros de equipe melhor do que os adversários os conhecem”, diz Jokic. “Se vejo meu companheiro de equipe em um momento, sei onde ele estará no momento seguinte. Não preciso vê-lo novamente no processo.”
Na temporada passada, 2016-17, o armador do Nuggets, Gary Harris, descobriu algo valioso. Se ele simplesmente cortasse para a cesta, o “Joker” o encontraria para uma bandeja, mesmo que eles não estivessem olhando um para o outro. “Todos os outros pensaram, ‘Uau, eu quero algumas dessas cestas fáceis'”, diz Malone. “Então agora todos eles cortam para a cesta.” O armador Will Barton tenta iniciar contato visual logo no inÃcio da posse de bola. “Eu volto para receber um handoff e ele pode fazer isso”, Barton demonstra, balançando a cabeça imperceptivelmente. “Isso significa, ‘Corte pra cesta agora, e eu vou te encontrar.'” Os passes de Jokic vêm por cima do ombro e por trás das costas. São passes que quicam e que flutuam. São como cordas e como arco-Ãris. Para Jokic, a assistência tem utilidade, mas também é artÃstica. Se ele fosse um quarterback, adoraria os passes diretos para a end zone, arremessados para um lugar longÃnquo em que apenas seu recebedor pode correr para alcançar. O pai de Malone, o assistente técnico do Pistons, Brendan Malone, costumava dizer que Pete Maravich era um dos poucos jogadores que ele pagaria para ver. “Penso do mesmo jeito com Nikola”, diz Malone. “Ele é um cara que eu pagaria para ver, não porque está enterrando em alguém ou batendo alguém no drible. Mas por conta de sua habilidade, seu talento, sua alegria.”
O “Joker” entrega suas piadas numa voz de barÃtono sem expressão. Sobre a diferença de idade de 11 anos que o separa dos irmãos mais velhos: “Fui um acidente, provavelmente”. Sobre seu passatempo preferido fora das quadras: “Pescar, com certeza, mesmo que eu não saiba pescar”. Em sua busca para comprar um cavalo para a próxima temporada de corridas na Sérvia: “Estou procurando um que seja saudável, calmo e agradável, com um bom nome. Não tenho intenção de vencer todas as corridas. Só quero competir. É assim que me sinto com o Nuggets também. Vamos competir.”
No dia 10 de novembro, Denver foi derrotado pelo Golden State em casa e Jokic cambaleou até o escritório de Malone logo depois. “Isso não está funcionando”, resmungou Jokic. “Quero vir do banco.” Malone tinha decidido durante o verão usar um quinteto titular altÃssimo, com Jokic como ala de força e Nurkic como pivô, mas o time tinha 3 vitórias e 5 derrotas e o espaçamento estava comprometido. Malone atendeu ao pedido e, no mês seguinte, o Nuggets continuou a perder, culminando em uma derrota de 20 pontos em Dallas em 12 de dezembro. “Essa foi a encruzilhada”, diz Malone. “Decidi ali: ‘Estou assumindo um compromisso com Nikola Jokic. Devo isso a esse garoto. Ele nos mostrou do que é capaz, e se vamos falhar, vamos falhar com o melhor quinteto que temos”. Jokic substituiu Nurkic e hoje Denver ocupa o terceiro lugar em pontos por jogo.
“É tudo por conta de Nikola”, diz o arremessador de longa distância do Nuggets, Mike Miller. “Ele faz coisas que ninguém nunca imaginou ver um pivô fazer.” Seus movimentos de costas para a cesta são quase tão habilidosos quanto seus ângulos de passe, induzindo pivôs afoitos a pular pelo ar e, em seguida, passando por baixo deles para bandejas ou passes para outros companheiros perto da cesta. Como Jokic é tão preciso entre um metro e meio e dois metros e meio de distância da cesta – ele registra a maior porcentagem da NBA em arremessos dessa distância – ele demanda marcação dupla constante, que recebe de braços abertos, os mesmos braços que ele usa para servir seus companheiros. “Deve haver alguém livre”, diz Jokic, “e eu quero encontrá-lo”.
Jokic teve média de 23,9 pontos, 11,1 rebotes e 4,8 assistências em janeiro, mas as estatÃsticas tradicionais nem sempre são justas com o seu jogo. Seu ranking de eficiência de 26,3 é o melhor dentre os pivôs e o décimo entre todos os jogadores, logo à frente de LeBron James. Seu ponto fraco é a defesa, e ele não está sozinho, já que o Nuggets cede a segunda maior porcentagem de arremessos adversários na liga. Para Malone, que construiu sua reputação com defesas, esses números são de tirar o sono. “Mas então eu ligo para o meu pai”, diz Malone, “e ele me diz: ‘Com sua rotação e esse nÃvel de eficiência, seu ataque pode ser sua melhor defesa.'” Malone nunca se sentirá confortável vencendo jogos por 120 a 115, mas ele faz malabarismos com sua filosofia de jogo do mesmo jeito que faz com seus quintetos titulares.
“Quando fui demitido em Sacramento, havia um grupo de pessoas responsáveis pela minha demissão que me disseram: ‘Ele só quer jogar nos anos 80′”, Malone lembra. “Eu disse a eles: ‘Não sou contra o ataque. Sou a favor da vitória. Você joga com o que seu elenco tem de melhor.”
Nesse caso, o que ele tem de melhor é a escolha 41 do draft, um protagonista improvável que encanta e diverte. Depois que Denver venceu Milwaukee na sexta-feira e Jokic conseguiu o primeiro triplo-duplo da franquia em quatro anos, Malone o presenteou com a bola do jogo no vestiário. “Eu o abracei”, relatou Jokic. “Estava nu e o abracei.” Ninguém acha que o Nuggets vai brigar por um tÃtulo. Mas depois de não chegar aos playoffs nos últimos quatro anos, eles estão competindo de novo e rindo de novo.
Nemanja não conversa mais com Darko como antes, mas eles ainda se veem na Sérvia e se encontraram no aniversário de 31 anos de Darko em junho passado. Nemanja compartilha com Nikola suas memórias de Rochester Hills, erros públicos e privados, na esperança de que possam ser evitados. De uma maneira indireta, o legado de Darko continua vivo, enraizado nas mentes de General Managers assustados, mas também marcado a ferro e fogo na mente de outro grande homem dos Bálcãs percorrendo um caminho diferente.