A maldição dos ladrões de franquia

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Eu sei que a foto é velha, mas meu senso de estética me
impede de mostrar a porcaria do novo uniforme

Que eles são ruins, todo mundo sabe. O Denis até desabafou um tempo atrás sobre seu desespero com o tamanho fedor do time. Mas, justiça seja feita, a equipe de Oklahoma City tem melhorado a cada jogo e já é um time completamente diferente desde a mudança de técnico. O problema, no entanto, continua: o time outrora-conhecido-como-Sonics caminha para uma das piores campanhas da história da NBA. Agora começo a suspeitar que o problema não é talento, tática ou esforço. É maldição. Estamos lidando com forças cósmicas transcendentais que estão punindo a equipe por ter saído de Seattle. E não me venha dizer que você não acredita em maldições cósmicas em pleno auge de “O Segredo”, que conta até com versão da Ana Maria Braga (estou aguardando a versão audio-livro com a Bruna Surfistinha). Essa é uma época em que todo mundo explica superstição barata através de física quântica (mesmo sem fazer a menor idéia do que significa “física”, e muito menos o que significa “quântica”), então é melhor você levar a sério esses papos místicos, senão você não será “in” e ninguém vai querer te adicionar no Orkut.

Quando o PJ Carlesimo foi demitido, seu time havia ganhado apenas um jogo e perdido outros 12. Quando o então assistente técnico Scott Brooks assumiu, tentou imediatamente implementar algumas mudanças que foram dando resultado. O novato Russel Westbrook virou o armador titular, Kevin Durant deixou de ser armador e passou a ser ala, Jeff Green virou ala de força, e com isso o time ficou obviamente mais veloz – e mais baixo. O pivô Robert Swift foi deixado de molho até estar com a saúde nos trinques e agora é titular, única presença realmente física na equipe. Outros jogadores de garrafão como Chris Wilcox e Nick Collison foram perdendo espaço, vindo do banco de reservas e jogando cada vez menos minutos. A idéia, aparentemente, é focar em quem vai ser o futuro da franquia e deixar os outros de lado. Desde o primeiro segundo no comando, Scott Brooks instituiu treinamentos longos, puxados e, acima de tudo, didáticos. A abordagem dele é bem escolar, preocupada em ensinar a pirralhada a adquirir fundamentos. Daqui a pouco o resto do elenco vai dar o fora de lá e só a criançada vai sobrar, então nada mais justo do que se concentrar neles mesmo. Seja como for, um núcleo com Westbrook, Durant e Jeff Green não é de se jogar fora, especialmente quando eles tiverem idade para dirigir e ganharem algum pelo na cara. O Robert Swift também tem potencial, mas como ele é um adolescente revoltado e um pouco “emo”, talvez não sobreviva à puberdade.

Se a defesa da equipe não melhorou muito, o ataque pelo menos começou a entrar nos eixos. A melhora tem sido expressiva e, na base da correria, tem dado trabalho pra muitos times. O elenco mais baixo causa uma série de problemas para a marcação adversária, com alguém sendo obrigado a sair do garrafão para marcar Jeff Green, por exemplo. Mas ainda assim, o time de Scott Brooks só ganhou 3 partidas desde que ele assumiu, perdendo outras 18. O resultado é o fundo do poço, 4 vitórias e 30 derrotas ao todo.

É aqui que entra a maldição. Rá, vocês pensavam que poderiam deixar a cidade de Seatle sem um time? O sofrimento de todos aqueles torcedores que perderam sua grande paixão se materializou e começou a interferir com os jogos, quase como o Boneco de Marshmallow dos Caça-Fantasmas. A quantidade de vezes em que o Thunder quase saiu com a vitória mas falhou no final é assustadora. E isso sem falar das derrotas que vieram em cestas convertidas no último segundo. Então, vamos recapitular!

Logo no começo do trabalho de Scott Brooks com a equipe, eles perderam para o Suns por um pontinho graças a uma cesta de 3 pontos do Matt Barnes a 20 segundos do final. Foi a única liderança do Suns no segundo tempo, mas como Durant e Westbrook erraram dois arremessos que poderiam ter ganhado o jogo, se lascaram. Depois, teve a derrota por dois pontos para o Wolves graças a uma cesta no último segundo de Mike Miller, em resposta a uma enterrada de Durant que teria garantido a vitória. Então, perderam por 5 pontos para o Bobcats em noite inspirada de Okafor, por 6 pontos para o Heat num jogo que estava empatado nos minutos finais, por 9 para o Magic num jogo em que o Thunder tinha tudo pra ganhar até o quarto período, e por 6 para o Grizzlies numa virada histórica no último quarto, já que o time de Memphis chegou a perder por 21 pontos. O Thunder ainda perdeu para o Mavs por apenas 4 pontos, graças a 46 pontos do Nowitzki em noite espetacular – e pouco antes havia perdido para o Hawks graças a um triplo-duplo de Joe Johnson. No dia seguinte, perderam para o Spurs por 5 pontos, apesar de estarem vencendo o jogo com 30 segundos restando para o final da partida – o Thunder chegou a virar o jogo depois de estar perdendo por 26.

Pensa que acabou? Contra o Pistons, a derrota veio nas mãos de um arremesso incrível de Allen Iverson no último segundo:

Por fim, na sexta-feira teve reprise. Cesta de 3 pontos sensacional de Durant que daria a vitória à sua equipe apagada por uma cesta no segundo final de Carmelo Anthony. Vale a pena ver o vídeo pela reação da torcida de Oklahoma, totalmente desesperada:

A torcida está pagando o preço de ter arrancado o time que pertencia a outros torcedores. Eles roubaram uma uva que, magicamente, estragou bem na boca deles. O ex-Sonics pode fazer tudo certo, bater de frente com os grandes, deixar bons times no sufoco, mas tudo vai sempre dar errado no final, não tem jeito. É tipo o Clippers, mas com um uniforme mais ridículo.

Ainda assim, é curioso ver como os discursos de Nowitzki e de Tony Parker, depois de terem vencido o Thunder por pouco, eram extremamante parecidos: os dois disseram que o jogo foi feio mas que a vitória saiu. Parece que a pirralhada está jogando com vontade, criando problemas para as defesas adversárias e enfeiando o jogo. Isso é sempre um bom sinal, porque enfeiar o jogo – principalmente contra as melhores equipes – é marca dos campeões. O Cavs foi campeão do Leste apenas enfeiando todas as partidas, jogando mal pra burro mas fazendo os outros times jogarem ainda pior. Se o Cavs é uma gordinha, então eles faziam questão de tornar o outro time uma gordinha banguela. O Thunder não faz isso do mesmo modo que o Cavs, que dependia da defesa para tornar qualquer partida um espetáculo de estrume. Ao contrário, eles fazem isso através do ataque, do ritmo de jogo, forçando as outras equipes a entrarem na brincadeira, aumentarem a velocidade e cometerem trocentos erros – exatamente como o próprio Thunder, que corre, corre e depois faz merda.

Confesso que ando adquirindo um prazer mórbido em ver o time outrora-conhecido-como-Sonics jogar. É corrido, é intenso, é feio, é cheio de enterradas, de trapalhadas, de erros. É quase como o programa da Luciana Gimenes, uma besteira simples, veloz e sem sentido. E ainda dá pra contar sempre com alguma maluquisse acontecendo no final – na Luciana Gimenes, seria o Inri Cristo batendo no Toninho do Diabo; no jogo do Thunder, seria o outro time dando um jeito de vencer. Pela simples relação matemática entre minutos jogados e arremessos de último segundo convertidos, os jogos do Thunder já são uma atração à parte. Pode não ser pelos motivos mais nobres do mundo, mas a verdade é que eu recomendo. Tem o selo Bola Presa de qualidade, seja lá o que isso quiser dizer.

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