🔒A NBA está piorando? – Parte 1

Charles Barkley, ex-jogador da NBA famoso por suas afirmações polêmicas, vem lutando recentemente uma cruzada contra o basquete atual. Em seu entendimento, o basquete jogado hoje em dia é “pior” e “mais fraco” do que o de sua época, com menos times competitivos e mais super-equipes que tornam o campeonato desequilibrado. Recentemente, Barkley foi assunto na impresa com a seguinte afirmação:

“Se você olhar por toda a NBA, todo mundo está tentando jogar baixo. Temos um monte de caras arremessando bolas de três que não são bons arremessadores. Agora estamos tentando tirar os pivôs do jogo. Mas se você olhar o quadro geral – e isso não é um vovô odiando os mais novos – a NBA está pior do que jamais foi, de cima a baixo. Nós temos um ou dois, três ou quatro bons times, e o resto desses times fede.”

Depois do riso inicial de ver Barkley contanto de um a quatro, resolvi tentar analisar estatisticamente suas afirmações. Será que a NBA realmente está piorando e nós, acostumados com ela e distante dos velhos tempos, simplesmente não conseguimos perceber? Ou será Barkley que, “no instinto”, acredita estar vendo algo que não está realmente aqui? Acredito que os números podem nos ajudar a jogar alguma luz na questão e apontar um caminho melhor para entendermos essa percepção.

Comecemos com a afirmação sobre os arremessadores. Quando Barkley entrou na NBA, na temporada 1984-85, a média da Liga em aproveitamento nos arremessos de três pontos era de 28%, com apenas 3 arremessos de três pontos acontecendo em média a cada partida. O arremesso não era explorado e em geral acontecia em situações de desespero, mas foi aumentando gradualmente ao longo dos anos. Desde 1994-95, primeira temporada a ter mais de 10 arremessos de três pontos por partida, a média de aproveitamento vem tendo pouca variação: nunca maior do que 36%, nunca menor do que 33%. Na temporada passada, foi de 35.4%, nessa está sendo de 35.8%. O que variou vertiginosamente, entretanto, foi o número de bolas de três pontos tentadas por partida: se em 1994-95 eram 15 por jogo, esse número aumentou progressivamente até alcançar 26.7 por partida nessa temporada, um aumento considerável das 24 tentativas por jogo na temporada passada.

Nos anos 2000, o aproveitamento nas bolas de 3 pontos nunca ficou abaixo dos 34.7%, enquanto nos anos 90 chegou a ser de 32%. Isso, por si só, já mostra que, no geral, os arremessadores atuais são tão bons ou melhores que os arremessadores de duas ou três décadas atrás. Mas quando levamos em consideração a quantidade de bolas de três pontos TENTADAS atualmente, a qualidade dos arremessadores contemporâneos fica ainda mais evidente, já que as médias são mantidas mesmo frente ao número enorme de tentativas, sem que se “escolha” apenas os arremessos ideias, e contra defesas focadas para impedir esse arremesso, algo simplesmente IMPENSÁVEL nos anos 80. Acho seguro afirmar diante desses números que cada vez se arremessa MAIS e MELHOR do perímetro na NBA, o que é perfeitamente compreensível porque faz parte de uma bola de neve que alimenta a si mesma: conforme os times dão mais atenção para o arremesso de três pontos, mais os jogadores se focam em arremessar melhor; quanto mais os jogadores se focam nisso e melhor arremessam, mais os times passam a dar atenção para esse tipo de arremesso. É um ciclo sem volta. Barkley está errado: os arremessadores atuais são, em média, superiores ao que eram em sua época.

Tendo tirado isso do caminho, é hora de abordar a afirmação de que a NBA nunca foi tão ruim por só ter “um ou dois, três ou quatro bons times”. Resolvi dar uma olhada nas tabelas de classificação da NBA durante toda a carreira de Charles Barkley – da temporada 1984-85 até a temporada 1999-2000 – já que ele considera essa uma “era de ouro” na NBA, e por fim comparar com como tem sido a NBA em nossas últimas temporadas.

Destaquei os seguintes dados: quantos times conseguiram ultrapassar a marca simbólica de 50 vitórias e quantos conseguiram ao menos 60% de aproveitamento em vitórias (números muito parecidos), para mostrar quantos times faziam parte naquela temporada de uma “elite” de aproveitamento e de eficiência; qual foi a diferença entre o primeiro e segundo colocado de cada Conferência, para mostrar se o segundo colocado realmente era uma força competitiva frente ao primeiro colocado; e por fim quantos times se classificaram para os Playoffs 15 vitórias atrás do primeiro colocado – uma marca que mostra uma distância intransponível e, portanto, uma classificação sem reais sonhos de título – ou, quando disponível, quantos times ficaram 20 vitórias atrás do primeiro colocado, mostrando quantas equipes que foram aos Playoffs estavam ali apenas fazendo figuração. Além disso, separei a posição na classificação na temporada regular dos times que se enfrentaram na grande Final da NBA de cada ano. Acredito que esses dados ajudarão a perceber quão competitiva era cada Conferência ao longo dessas 16 temporadas.


1984-85

Leste:

  • 3 times acima de 50 vitórias
  • 3 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 4 jogos entre o primeiro colocado (Celtics, 63 vitórias) e o segundo colocado (Bucks, 59 vitórias)
  • 4 classificados para os Playoffs mais de 20 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 27 jogos atrás)

Oeste:

  • 2 times acima de 50 vitórias
  • 2 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 10 jogos entre o primeiro colocado (Lakers, 62 vitórias) e o segundo colocado (Nuggets, 52 vitórias)
  • 4 classificados para os Playoffs mais de 20 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 26 jogos atrás)

Final da NBA: primeiro colocado no Oeste contra o primeiro colocado no Leste


1985-86

Leste:

  • 3 times acima de 50 vitórias
  • 4 times acima de 60% de aproveitamento (e um time, Celtics, com 81% de aproveitamento)
  • diferença de 10 jogos entre o primeiro colocado (Celtics, 67 vitórias) e o segundo colocado (Bucks, 57 vitórias)
  • 4 classificados para os Playoffs mais de 20 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 37 jogos atrás)

Oeste:

  • 2 times acima de 50 vitórias
  • 2 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 11 jogos entre o primeiro colocado (Lakers, 62 vitórias) e o segundo colocado (Rockets, 51 vitórias)
  • 4 classificados mais de 20 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 27 jogos atrás)

Final da NBA: primeiro colocado do Leste contra o segundo colocado do Oeste


1986-87

Leste:

  • 3 times acima de 50 vitórias
  • 4 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 2 jogos entre o primeiro colocado (Celtics, 59 vitórias) e o segundo colocado (Hawks, 57 vitórias)
  • 4 classificados mais de 14 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 19 jogos atrás)

Oeste:

  • 2 times acima de 50 vitórias
  • 2 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 10 jogos entre o primeiro colocado (Lakers, 65 vitórias) e o segundo colocado (Mavs, 55 vitórias)
  • 5 classificados mais de 20 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 28 jogos atrás)

Final da NBA: primeiro colocado do Leste contra o primeiro colocado do Oeste


1987-88

Leste:

  • 2 times acima de 50 vitórias
  • 4 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 3 jogos entre o primeiro colocado (Celtics, 57 vitórias) e o segundo colocado (Pistons, 54 vitórias)
  • 4 classificados mais de 14 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 19 jogos atrás)

Oeste:

  • 4 times acima de 50 vitórias
  • 4 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 8 jogos entre o primeiro colocado (Lakers, 62 vitórias) e o segundo colocado (Nuggets, 54 vitórias)
  • 4 classificados mais de 14 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 31 jogos atrás)

Final da NBA: segundo colocado do Leste contra o primeiro colocado do Oeste


1988-89

Leste:

  • 4 times acima de 50 vitórias
  • 4 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 11 jogos entre o primeiro colocado (Pistons, 63 vitórias) e o segundo colocado (Knicks, 52 vitórias)
  • 3 classificados mais de 14 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 21 jogos atrás)

Oeste:

  • 3 times acima de 50 vitórias
  • 3 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 6 jogos entre o primeiro colocado (Lakers, 57 vitórias) e o segundo colocado (Jazz, 51 vitórias)
  • 1 classificado mais de 14 jogos atrás do primeiro colocado (o oitavo colocado, 18 jogos atrás)

Final da NBA: primeiro colocado do Leste contra o primeiro colocado do Oeste


1989-90

Leste:

  • 4 times acima de 50 vitórias
  • 4 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 6 jogos entre o primeiro colocado (Pistons, 59 vitórias) e o segundo colocado (Sixers, 53 vitórias)
  • 3 classificados mais de 14 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 17 jogos atrás)

Oeste:

  • 5 times acima de 50 vitórias
  • 5 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 7 jogos entre o primeiro colocado (Lakers, 63 vitórias) e o segundo colocado (Spurs, 56 vitórias)
  • 2 classificados mais de 20 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 22 jogos atrás)

Final da NBA: primeiro colocado do Leste contra o segundo melhor recorde do Oeste (terceiro colocado por questões de Divisão)


1990-91

Leste:

  • 2 times acima de 50 vitórias
  • 3 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 5 jogos entre primeiro colocado (Bulls, 61 vitórias) e o segundo colocado (Celtics, 56 vitórias)
  • 2 classificados pelo menos 20 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 22 jogos atrás)

Oeste:

  • 6 times acima de 50 vitórias
  • 6 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 8 jogos entre o primeiro colocado (Blazers, 63 vitórias) e o segundo colocado (Spurs, 55 vitórias)
  • 1 classificado mais de 20 jogos atrás do primeiro colocado (o oitavo colocado, 22 jogos atrás)

Final da NBA: primeiro colocado do Leste contra o segundo melhor recorde do Oeste (terceiro colocado por questões de Divisão)


1991-92

Leste:

  • 4 times acima de 50 vitórias
  • 4 times acima de 60% aproveitamento (e um time, Bulls, com 81% de aproveitamento)
  • diferença de 16 jogos entre o primeiro colocado (Bulls, 67 vitórias) e o segundo colocado (Celtics, 51 vitórias)
  • 3 classificados mais de 20 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 29 jogos atrás)

Oeste:

  • 4 times acima de 50 vitórias
  • 4 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 2 jogos entre o primeiro colocado (Blazers, 57 vitórias) e o segundo colocado (Jazz, 55 vitórias)
  • último classificado para os Playoffs 14 jogos atrás do primeiro colocado

Final da NBA: primeiro colocado do Leste contra o primeiro colocado do Oeste


1992-93

Leste:

  • 3 times acima de 50 vitórias
  • 3 times acima de 60% de aproveitament0
  • diferença de 3 jogos entre o primeiro colocado (Knicks, 60 vitórias) e o segundo colocado (Bulls, 57 vitórias)
  • 4 classificados mais de 14 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 19 jogos atrás)

Oeste:

  • 4 times acima de 50 vitórias
  • 4 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 7 jogos entre o primeiro colocado (Suns, 62 vitórias) e o segundo colocado (Rockets, 55 vitórias)
  • 2 classificados mais de 20 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 23 jogos atrás)

Final da NBA: segundo colocado do Leste contra o primeiro colocado do Oeste


1993-94

Leste:

  • 3 times acima de 50 vitórias
  • 4 times acima de 60% de aproveitamento
  • sem diferença entre o primeiro colocado (Hawks, 57 vitórias) e o segundo colocado (Knicks, 57 vitórias); 2 jogos de distância do terceiro colocado (Bulls, 55 vitórias)
  • 1 time classificado mais de 15 jogos atrás do primeiro colocado (o oitavo colocado, 15 jogos atrás)

Oeste:

  • 5 times acima de 50 vitórias
  • 6 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 5 jogos entre o primeiro colocado (Sonics, 63 vitórias) e o segundo colocado (Rockets, 58 vitórias)
  • 1 time classificado mais de 20 jogos atrás do primeiro colocado (o oitavo colocado, 21 jogos atrás)

Final da NBA: segundo colocado do Leste (empatado em primeiro com o melhor recorde da Conferência) contra o segundo colocado do Oeste


1994-95

Leste:

  • 3 times acima de 50 vitórias
  • 4 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 5 jogos entre o primeiro colocado (Magic, 57 vitórias) e o segundo colocado (Pacers, 52 vitórias)
  • 1 time classificado mais de 20 jogos atrás do primeiro colocado (o oitavo colocado, 22 jogos atrás)

Oeste:

  • 4 times acima de 50 vitórias
  • 4 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 3 jogos entre o primeiro colocado (Spurs, 62 vitórias) e o segundo colocado (Suns, 59 vitórias)
  • 1 time classificado mais de 20 jogos atrás do primeiro colocado (o oitavo colocado, 21 jogos atrás)

Final da NBA: primeiro colocado do Leste contra o sexto colocado do Oeste (o Rockets, 15 jogos atrás do líder do Oeste)


1995-96

Leste:

  • 3 times acima de 50 vitórias
  • 3 times acima de 60% de aproveitamento (e um time, Bulls, com 87% de aproveitamento)
  • diferença de 12 jogos entre o primeiro colocado (Bulls, 72 vitórias) e o segundo colocado (Magic, 60 vitórias)
  • 6 times classificados 20 ou mais jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 30 jogos atrás)

Oeste:

  • 4 times acima de 50 vitórias
  • 4 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 5 jogos entre o primeiro colocado (Sonics, 64 vitórias) e o segundo colocado (Spurs, 59 vitórias)
  • 3 times classificados 20 ou mais jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 25 jogos atrás)

Final da NBA: primeiro colocado no Leste contra o primeiro colocado no Oeste


1996-97

Leste:

  • 6 times acima de 50 vitórias
  • 6 times acima de 60% de aproveitamento (e um time, Bulls, com 84% de aproveitamento)
  • diferença de 8 jogos entre o primeiro colocado (Bulls, 69 vitórias) e o segundo colocado (Heat, 61 vitórias)
  • 2 times classificados mais de 20 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 25 jogos atrás)

Oeste:

  • 4 times acima de 50 vitórias
  • 4 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 7 jogos entre o primeiro colocado (Jazz, 64 vitórias) e o segundo colocado (Sonics, 57 vitórias)
  • 3 times classificados mais de 20 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 28 jogos atrás)

Final da NBA: primeiro colocado do Leste contra o primeiro colocado do Oeste


1997-98

Leste:

  • 4 times acima de 50 vitórias
  • 5 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 7 jogos entre o primeiro colocado (Bulls, 62 vitórias) e o segundo colocado (Heat, 55 vitórias)
  • 3 times classificados mais de 14 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo 19 jogos atrás)

Oeste:

  • 5 times acima de 50 vitórias (três acima de 60 vitórias)
  • 5 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 1 jogo entre o primeiro colocado (Jazz, 62 vitórias) e o segundo e terceiro colocados (Sonics e Lakers, 61 vitórias)
  • 1 time classificado mais de 20 jogos atrás do primeiro colocado (o oitavo colocado, 21 jogos atrás)

Final da NBA: primeiro colocado do Leste contra o primeiro colocado do Oeste


1998-99

Leste:

  • 4 times acima de 60% de aproveitamento
  • 3 times empatados na primeira colocação (Heat, Pacers e Magic com 33 vitórias, na temporada encurtada de 50 jogos)

Oeste:

  • 5 times acima de 60% de aproveitamento
  • 2 times empatados na primeira colocação (Spurs e Jazz, com 37 vitórias, na temporada encurtada de 50 jogos)

Final da NBA: primeiro colocado do Oeste contra o oitavo colocado do Leste (Knicks, 6 jogos atrás do líder de Conferência)


1999-00

Leste:

  • 2 times acima de 50 vitórias
  • 3 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 4 jogos entre o primeiro colocado (Pacers, 56 vitórias) e o segundo colocado (Heat, 52 vitórias)
  • 2 times classificados 14 jogos atrás do primeiro colocado

Oeste:

  • 5 times acima de 50 vitórias
  • 6 times acima de 60% de aproveitamento (e um time, Lakers, com 81% de aproveitamento)
  • diferença de 12 jogos entre o primeiro colocado (Lakers, 67 vitórias) e o segundo colocado (Jazz, 55 vitórias)
  • 2 times classificados mais de 20 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 23 jogos atrás)

Final da NBA: primeiro colocado do Leste contra o primeiro colocado do Oeste


Vamos comparar com as últimas temporadas?

2014-15

Leste:

  • 2 times acima de 50 vitórias
  • 3 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 7 jogos entre o primeiro colocado (Hawks, 60 vitórias) e o segundo colocado (Cavs, 53 vitórias)
  • 2 times classificados mais de 20 jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 22 jogos atrás)

Oeste:

  • 6 times acima de 50 vitórias
  • 7 times acima de 60% de aproveitamento (e um time, Warriors, com 81% de aproveitamento)
  • diferença de 11 jogos entre o primeiro colocado (Warriors, 67 vitórias) e o segundo e terceiro colocados (Rockets e Clippers, 56 vitórias)
  • 1 time classificado mais de 20 jogos atrás do primeiro colocado (o oitavo colocado, 22 jogos atrás)

Final da NBA: primeiro colocado do Oeste contra o segundo colocado do Leste


2015-16

Leste:

  • 2 times acima de 50 vitórias
  • 2 times acima de 60% de aproveitamento
  • diferença de 1 jogo entre o primeiro colocado (Cavs, 57 vitórias) e o segundo colocado (Raptors, 56 vitórias)
  • último time classificado para os Playoffs 13 jogos atrás do primeiro colocado

Oeste:

  • 4 times acima de 50 vitórias
  • 4 times acima de 60% de aproveitamento (e um time, Warriors, com 89% de aproveitamento, recorde histórico)
  • diferença de 6 jogos entre o primeiro colocado (Warriors, 73 vitórias) e o segundo colocado (Spurs, 67 vitórias)
  • 5 times classificados 20 ou mais jogos atrás do primeiro colocado (oitavo colocado 32 jogos atrás)

Final da NBA: primeiro colocado do Leste contra o primeiro colocado do Oeste


Batendo o olho nesse amontoado de dados, algumas coisas ficam bem óbvias. Com exceção do Rockets de 1994-95 (sexto colocado na temporada regular) e o Knicks de 1998-99 (oitavo colocado na temporada encurtada de apenas 50 jogos), nenhum time que chegou às Finais da NBA tinha qualquer coisa abaixo do segundo melhor recorde de sua Conferência. Todas as Finais tinham pelo menos um dos times líderes de suas Conferências, com exceção de 1993-94 quando os dois times que chegaram às Finais eram os segundos colocados de suas Conferências, mas um deles terminou a temporada com o mesmo número de vitórias do primeiro colocado e ficou em segundo apenas pelos critérios de desempate. Isso significa que em qualquer temporada que olhemos nesse intervalo que vai de 1984 a 2000, tirando as duas exceções acima, estamos lidando com apenas 4 times com chances reais de título, os dois primeiros colocados de cada Conferência. Mas quando olhamos para a diferença de vitórias entre o primeiro e o segundo colocado, muitas vezes fica evidente que o segundo colocado, embora devesse ser estatisticamente considerado, não tinha chances reais de ser campeão e certamente não era considerado como um dos favoritos. Por OITO VEZES no período de tempo analisado o segundo colocado estava 10 ou mais jogos atrás do líder de sua Conferência, mostrando uma disparidade muito grande de aproveitamento e eficiência.

Podemos ver também que no primeiro terço de nossa análise, o período que se encontra nos anos 80, todas as Finais da NBA tiveram ou Lakers ou Celtics, com os dois simultaneamente nas Finais duas vezes. Se voltássemos até 1980, veríamos que o mesmo se aplica à DÉCADA DE 80 INTEIRA, que não viu uma única Final sem uma das duas equipes. Na década de 90, que Barkley viveu inteira dentro das quadras, temos o Bulls vencendo 6 dos 10 campeonatos disputados. Em 1999, temos o Spurs campeão – o que, embora fora da nossa área de análise, inicia uma sequência de 7 anos seguidos com Spurs ou Lakers nas Finais (e 10 vezes em 11 anos, se olharmos à frente). Isso mostra que estamos sempre falando de um par de equipes que dominam sua década, com algumas outras equipes se esgueirando pela chance de um título furtivo. Essa lista de equipes que almejam o título esperando uma chance varia mais de temporada para temporada, aparecendo nos times que conseguem estar entre as duas maiores forças de suas Conferências mas não chegam às Finais ou não conseguem o campeonato. Analisaremos mais essa dinâmica num post futuro.

A posição de Barkley de que existem apenas 4 times bons na temporada parece ser bastante coerente com todo o tempo em que ele jogou na NBA, com duas grandes forças lutando diretamente pelo título e duas outras forças brigando pelo topo da Conferência, nem sempre com tanto sucesso. Se estendermos o número de “bons times” para todos aqueles que conseguem mais de 60% de aproveitamento, temos entre 5 e 9 times com essa marca por temporada durante a segunda metade dos anos 80, e entre 7 e 10 times por temporada nos anos 90. A temporada 2014-15 também teve 10 times nessa situação, máximo visto ao longo dos anos 90, enquanto a temporada passada teve apenas 6, dentro da média do que vimos no final dos anos 80.

Se a afirmação de Barkley se dá com base no fato de que agora temos times com estrelas demais, muito isolados no topo, vale a pena dar uma olhada na segunda maior marca de vitórias da NBA, o Bulls de 1995-96. Como vemos nos números acima, a distância entre esse Bulls e o segundo colocado foi de 12 jogos, com o restante da Conferência tendo muita dificuldade em acompanhar o ritmo – tanto é que 6 times foram para os Playoffs do Leste com mais de 20 jogos atrás do Bulls, com o oitavo colocado 30 jogos atrás. São 6 dos 8 times na Conferência simplesmente fazendo figuração. Na temporada 2015-16, em que o Warriors bateu o recorde de vitórias do Bulls, o segundo colocado estava apenas 6 jogos atrás (metade da distância de 1995-96), com 5 times classificados com 20 jogos de distância, um time a menos do que em 1995-96, e o oitavo classificado 32 jogos atrás, dois a mais do que em 1995-96. Equipes muito dominantes explicitam a falta de chance real de título das demais equipes, mas na temporada passada tivemos mais equipes estatisticamente próximas do Warriors (mesmo com sua campanha tendo sido a melhor de todos os tempos) do que o Bulls teve em sua temporada histórica, por exemplo.

Ainda há muito que podemos extrair dos números acima, mas por enquanto é suficiente para indicar que a percepção de que temos piores arremessadores e menos times bons (ou com chances de título) do que nas décadas anteriores está totalmente equivocada. O que temos, pelo jeito, é simplesmente a mesma e velha dinâmica que a NBA sempre teve, com pouca ou nenhuma oscilação – a não ser na parte tática do jogo. Mas isso, e outras coisas que depreenderemos desses dados, fica de assunto para mais tarde.

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

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