>As enterradas invisíveis

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O ponto alto da noite foi a Alyssa Milano


Provavelmente fora a Alyssa Milano, o ponto alto dos eventos do All-Star no sábado foi Steve Nash. Depois de comparecer à abertura das Olimpíadas de Inverno, aquele troço estranho que acontece entre seres humanos cujos cérebros foram atrofiados pelo frio, apareceu todo bem humorado para a competição de habilidades. Pareceu realmente interessado em vencer (dando arrancadas e até suando duas gotas de suor quando ficava preocupado com o tempo a ser batido), aloprou a própria idade dizendo que ele está velho e merecia começar já em vantagem, flexionou os músculos quando foi apresentado e fingiu que o troféu pesava uma tonelada ao vencer a disputa. O Shaquille O’Neal e suas palhaçadas não devem voltar ao All-Star, o Dwight deu no saco se achando com aquele papo de “Super-homem”, o Arenas teve suas piadas suspensas da NBA, então só sobrou o Nash como jogador capaz de nos fazer rir – e o melhor, ele é o único dessa lista que sabe tirar sarro de si mesmo. Além da fantástica campanha dele para ser selecionado para o All-Star (“vote em mim porque eu sou incrível”) e dos vídeos que quase sempre contam com Leandrinho como estrela principal, o Nash não para de fazer propagandas hilariantes. A última é uma brincadeira com a campanha “o homem mais interessante do mundo“, de uma marca de cervejas. Trata-se da campanha “o homem mais ridículo do mundo”, e o Nash topa qualquer brincadeira:

Além do Nash se divertindo e tirando um sarro, teve o Paul Pierce (que não deveria estar no campeonato de três pontos porque tem gente que merecia mais) reclamando que as pessoas disseram que ele não deveria estar no campeonato de três pontos porque tem gente que merecia mais. Ou seja, foi tipo um dedo na minha cara. Mas ele ganhou a bagaça e aí deixou a modéstia comandar: “Eu acho que sou um dos melhores arremessadores da história da NBA.” Como será que o ego de Pierce e Garnett conseguem entrar juntos num mesmo avião e não derrubá-lo com o seu peso? O Garnett costumava jogar no Wolves falando o tempo inteiro com ele mesmo, repetindo que ele era o melhor jogador do planeta. Mas frente aos problemas no vestiário do Celtics, o Pierce vencer o campeonato de três pontos com o Garnett vibrando na lateral da quadra foi um bom sinal de que eles ainda se empolgam e estão na mesma página. Por outro lado, o Garnett não estourou nenhuma veia da cabeça comemorando, então é bem claro que as coisas andam mais frias – tanto no All-Star quando no Boston Celtics.
O momento nostalgia da noite foi aquela competição “bleh” em que três jogadores (uma estrela da NBA, um aposentado, e um que mija sentado) se revezam em um circuito tentando acertar bolas de lugares definidos da quadra. A competição me lembra o velho programa “Passa ou Repassa”, em que duas equipes se enfrentavam respondendo perguntas e não importava quem ia melhor, porque a prova final do programa valia 4 bilhões de pontos e sempre quem vencia essa prova ganhava a disputa. Nessa competição da NBA, não adianta fazer tudo rapidinho se demorar demais para acertar o arremesso do meio da quadra, que acaba sendo o que decide de fato. Mas o legal foi ver o Chris Webber participando, com seu arremesso “eu chuto a pessoa da minha frente quando saio do chão”, e lembrar dos tempos em que ele gostava de basquete, lá no Kings (em seu tempo de Sixers ele provavelmente não via a hora de parar). Teve também o mais-velhinho Kenny Smith arremessando do meio da quadra só com a munheca, como se ele estivesse do lado da cesta. Pra alguns parece tão fácil…
Chegou então a hora do grande evento da noite, o campeonato de enterradas. Bem, não aconteceu nada. O Gerald Wallace já tinha passado vergonha participando do torneio uma vez, agora passou vergonha de novo com as enterradas mais comuns de todos os tempos. Shannon Brown mostrou que realmente consegue pular alto pra burro mas não sabe o que fazer lá em cima, acaba tirando um cochilo, lendo uma revisitinha da “Turma da Mônica”, e aí cai no chão sem nada acontecer. O DeMar DeRozan não tinha arsenal suficiente para entreter ninguém e o Nate Robinson esgotou a cota de criatividade porque já vemos ele fazendo as mesmas coisas há 3 anos e ele erra quarenta vezes cada enterrada antes de conseguir executar quando já está cansado e com a língua pra fora. Ou seja, foi um campeonato tão esquecível, tão sem graça, tão invisível, que a NBA sumiu no YouTube até com as enterradas que prestaram!
A NBA tem uma relação problemática com o YouTube, primeiro proibindo qualquer vídeo sobre a liga no site, e agora permitindo apenas os vídeos “oficiais” na página da NBA no YouTube. Sem dúvida é coisa do Devid Stern, que é burro como uma porta. Tem coisa que promove mais a NBA do que vídeos das melhores jogadas, jogadores e partidas pra todo mundo ver e querer mais? Não é como se alguém fosse ver pelo YouTube e deixar de comprar o produto depois, como no caso de um CD, afinal o produto é a própria NBA e quanto mais assistimos, mais queremos camisetas, tênis, ingressos, e mais queremos assistir – de preferência ao vivo.
Como a quantidade de vídeos sobre NBA colocados no YouTube é grande demais, fica dificil existir um controle adequado e acaba tendo uma tonelada de vídeos pra assistir e colocar no blog todo dia. Mas como o concurso de enterradas é um evento “importante”, todos os vídeos colocados no ar foram apagados. Talvez seja melhor assim, a NBA está tentando fazer com que todos nós esqueçamos do pior campeonato de enterradas de todos os tempos. Ou, pelo menos, do pior campeonato de enterradas que a gente já viu por aqui. No entanto, como pelo menos uma das enterradas foi bem legal, a segunda do DeMar DeRozan, o Bola Presa resolveu imortalizar o momento. Como não tem vídeo, resolvemos fazer um infográfico:
Campeonato de enterradas é como sexo: tem de todos os tipos e pra todos os gostos. Tem com fantasias como no ano passado, com agressividade, com leveza, tem vendado, tem com duas bolas, tem um pulando por cima do outro, tem com palhaçada, tem sério, tem plasticamente bonito, tem com dezenas de tentativas até dar certo. O que não pode é broxar, porque aí não tem sexo nenhum. O campeonato desse ano foi uma broxada monumental! Tem gente que criticou o campeonato do ano passado, que teve palhaçada e fantasia, mas é só porque não gostam desse estilo, tem gente que adora e é um modo válido. Só precisa ser alguma coisa, qualquer coisa!
A gente sabe que o LeBron disse que ia participar e depois deu pra trás, mas não precisa da boa vontade do LeBron pra essa merda funcionar. Como toda boa trepa, só precisa de gente com tesão, de gente que queira brincar. Gente disposta a fazer algo (forte, leve, engraçado, criativo, tanto faz), só não pode ser esse “nada” que foi esse ano. Acho que é a hora de mudar o formato, não deixar mais o público decidir o campeão, deixar todo mundo dar umas 4 enterradas sem existir primeiro e segundo round (pra não ter ninguém eliminado porque “guardou o melhor pro final”, como parece ter sido o caso do Shannon Brown, que ia pular por cima do Mbenga), prêmio gordo para o vencedor, enterrada obrigatória com ajuda, enterrada obrigatória em cima de alguém, aí vamos tirando essas enterradas banais do caminho para que elas não sejam usadas como se fossem criativas. Poderiam ser umas 10 enterradas pra cada um, que mal faria aumentar as chances de alguma delas valer a pena? Alguém está com pressa, afinal? Fiquem livres para dar ideias, só precisamos palpitar para que no ano que vem o sexo funcione, não seja esse troço tão invisível e vergonhoso que a NBA até desapareceu com os vídeos. É claro que você pode ir na página oficial deles no YouTube pra ver, mas não se dê ao trabalho, não vale a pena. Tem as enterradas amadoras e da D-League no post abaixo, juro que compensa muito mais.

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