Bola Presa Bowl

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“Vou vingar a morte dos meus pais! Uiááá!”

Lakers e Rockets tem um clima todo especial aqui no Bola Presa, desde os duelos exageradamente aguardados entre Yao e Shaq, que acabavam sempre sendo decididos por Kobe e Steve Francis (ah, finado Francis, o melhor ala de força já aprisionado no corpo de um armador). As rivalidades entre os jogadores são boas, a disputa no Oeste é apertada, e o perdedor sempre acaba sendo zoado aqui nos bastidores. Mas, mais importante do que isso, os jogos são sempre bons. Ontem não foi diferente, a partida foi memorável e me trouxe duas surpresas, uma boa e outra ruim.

A ruim foi que choveu demais em São Paulo e minha internet virou farofa, então não pude ver o jogo todo. Mas a surpresa boa foi ver como o meu time pareceu confortável mesmo sem poder contar com Tracy McGrady e Ron Artest. O T-Mac está sendo poupado na segunda partida das disputas em dias seguidos, para poupar o joelho, mas agora resolveu que passará duas semanas sem jogar pra descansar o joelho de vez e ver se a resposta do seu físico melhora um pouco. O Artest, por sua vez, está sofrendo com um tornozelo e, embora volta e meia esteja jogando em cima da contusão pra dar uma força quando preciso, anda mais sentando no banco do que qualquer coisa. Como se não bastasse, o Shane Battier volta e meia fica fora das partidas com o mesmo pé inflamado que o tirou de todo o começo da temporada. Então o Houston está segurando as pontas com um elenco completamente vaga-lume, uma hora um jogador acende, numa outra apaga, nunca dá pra saber qual elenco estará em quadra e nem com quem contar nos momentos decisivos.

Na noite de ontem, fiquei surpreso com o time estabelecendo Yao Ming desde o primeiro segundo de jogo contra o Bynum. Bem, o chinês simplesmente levou o pivô do Lakers para a escolhinha, ensinou a ler, a escrever, a comer de colher e a limpar o bumbum. Ao invés dos longos períodos em que o Yao não toca na bola, com os quais já estou acostumado nas partidas da minha equipe, o Houston alimentou seu pivô durante todo o jogo e permitiu que ele fizesse o que quisesse com o pirralho do Bynum. O melhor de tudo, no entanto, foi ver como o jogo não ficou estático e previsível apesar da insistência da bola nas mãos do Yao. O ataque fluiu, se movimentou, foi criativo, para mim o auge da compreensão do esquema tático do Rick Adelman nessa temporada. Méritos, principalmente, para o pivô chinês que jogou como nunca. Colocou a bola nas mãos certas nos momentos certos, se aproveitou magistralmente das marcações duplas e triplas que recebeu, fez o jogo fluir e ao mesmo tempo conseguiu ser agressivo e decisivo – tanto no ataque quanto na defesa. Juro que sequer consegui me importar com a derrota, a atuação de Yao e a tranquilidade do time me deixou fascinado, e a derrota só veio porque o porcaria do Rafer Alston errou três lances livres cruciais (dois deles com 7 segundos para o final) e cerca de quinhentos arremessos foram errados por todo o resto do elenco apesar de não haver marcação alguma, culpa dos passes precisos de Yao e a movimentação de bola que ele gerou e que eu nunca tinha visto igual. Vocês que me desculpem a babação de ovo, mas fazia tempo que o Yao Ming não me dava tantos motivos para sorrir.

Pela primeira vez na temporada, tive razões para ter esperanças. Não dá pra ganhar do Lakers, tudo bem, esse atualmente é o problema mais comum na NBA. Mas dá para ter um ataque criativo e veloz que envolva Yao Ming em – literalmente – todas as posses de bola, mesmo sem nenhuma outra estrela ou arremessador especialista andando pelo perímetro. Se o time estiver saudável na época dos playoffs e esse estilo de jogo for mantido, depois de tanto tempo de aprimoramento e tanta dificuldade em entender o que diabos o Rick Adelman queria dizer, é possível fazer muito estrago e talvez dar um susto no Lakers – ensinando uma coisa ou duas para o Bynum no processo, porque o pirralho é bom sem dúvida nenhuma mas precisa aprender muito na defesa e no ataque, já que seu maior recurso ainda é simplesmente seu físico. Veja como Yao domina os jogos na munheca, Andrew, faça um pouco de Tai-chi, medite e entenderá que não é preciso enterrar em todas as bolas, Pequeno Gafanhoto.

Mas assim como nos ensina a boa e velha filosofia chinesa, tudo tem dois lados, é o Yi e o Yang (não é o mesmo Yi do Nets, por favor). Se por um lado está todo mundo machucado e o Yao Ming está dando conta do recado permitindo que o Houston se mantenha competitivo, por outro lado cada jogo que passa aumenta estatisticamente as chances de que ele se machuque. Cada jogada é o momento em que Yao deverá se machucar e ficar fora do resto da temporada, cada minuto passado apenas aproxima o momento da contusão derradeira. Torcer para o Rockets é uma merda, convenhamos. Como alguém pode aproveitar um jogo sabendo que inevitavelmente o Yao vai se contundir enfiando um hashi no ouvido ou torcendo o pé porque não consegue enchergar o chão olhando lá de cima?

Torcer para o Houston só não é pior do que torcer para o Mavericks, o que está comprovado pelo Mark Cuban, que ontem quase estourou uma veia do rosto quando uma partida espetacular de seu ídolo-paixão-amoreco Nowitzki foi para o saco graças ao Billups. Foram 44 pontos do alemão, mas o Billups usou pela milionésima vez aquela jogada “malandro é o gato que nasceu de bigode”, em que ele finge que vai arremessar, o marcador dele pula, e então o Billups se taca em cima do pobre fracassado para cavar uma falta. Jason Kidd e Jason Terry estão na NBA há uns 80 anos somando as carreiras dos dois, eles já viram de tudo, de inflação desenfreada a crianças brincando de pião na rua, mas mesmo assim caíram no velho truque do Billups. Diabos, é tipo cair no “ei, o que é isso atrás de você?” ou então na piada do “não e nem eu”(Sabe a piada do não e nem eu? Não? Nem eu!). Os lances livres do Billups acabaram com o jogo e aí está, torcedores frustrados, o Cuban dando chilique, o Nowitzki desperdiçado, é uma sensação terrível de que sempre vai dar merda, tipo o Yao sempre prestes a se contundir. Vale a pena dar uma olhada no resumo do jogo, com o lance final:

Além disso, a noite viu o Orlando Magic dando certo: recorde de bolas de três pontos, que é o que acontece quando as bolas caem, o oposto das derrotas patéticas que eles sofrem quando essas mesmas bolas simplesmente não entram e o aro parece pequeno. No fundo, o Magic também está sempre apenas aguardando o jogo em que vai dar tudo, tudo errado. Mas pelo menos, quando dá certo, dá mesmo. É tipo a Kelly Key, quando dá errado é “irch”, mas quando dá certo, ah, como dá certo!

Contagem regressiva para o Blazers se lascar

Faltando um jogo e contando – ontem o Darius Miles entrou em quadra pelo Grizzlies, jogou bem e fez 13 pontos em 13 minutos.

Em algum lugar em Portland, Brandon Roy deixou cair uma lágrima. Travis Outlaw arremessou uma bola. O sol nasceu. Água caiu do céu. O JR Smith acertou apenas um de seus 14 arremessos. A Terra é redonda.

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