🔒Como interpretar os defeitos de Celtics e Cavs

Sei que vou parecer maluco falando isso, mas um dos grandes desafios desta primeira metade de temporada 2017-18 tem sido descobrir o quanto Boston Celtics e Cleveland Cavaliers são bons de verdade. Faz sentido? Não muito, eu sei. O Celtics lidera a Conferência Leste desde a primeira semana da temporada mesmo após a lesão de Gordon Hayward; o Cavaliers, mesmo com algumas derrotas constrangedoras, é o absoluto favorito a mais uma Final para 10 em cada 10 especialistas. Da onde vêm as dúvidas?

Com os verdinhos a questão é como interpretar um Dilema Tostines. O Celtics consegue muitas viradas por ser uma equipe fantástica ou não é tudo isso justamente porque time bom de verdade nem fica tantas vezes atrás no placar? Dos 44 jogos da temporada até aqui, em 17 o Celtics ficou atrás no placar por ao menos 11 pontos. Em 10 vezes a diferença passou dos 16. Na estatística mais maluca, em TRÊS vezes eles ficaram VINTE PONTOS atrás no placar –e em DUAS conseguiram a virada e venceram. Entre todos os principais times do Leste (Raptors, Cavs, Heat e Wizards), nenhum ficou tantas vezes tão atrás quanto o time de Kyrie Irving.

Segundo o técnico Brad Stevens, o time só tem muitas viradas “porque estamos sempre atrás no placar” e que “devemos jogar melhor”, mas admitiu que é legal ver o poder de reação frente à adversidade. Comentando a última das viradas, contra o Philadelphia 76ers, em Londres, quando ficaram 22 pontos atrás, o técnico disse que o resultado veio porque o time “não entrou em pânico” e manteve o plano de jogo. É uma característica positiva, especialmente para um time tão jovem, mas é impossível não pensar que isso eventualmente vai os perseguir nos Playoffs.

Difícil cravar ao certo as causas, nem seu técnico sabe ao certo, mas é possível ver algum padrão. Em vários jogos Brad Stevens demora algum tempo até achar quais dos seus jovens jogadores estão em melhor dia, outras vezes só no intervalo ele consegue encaixar aquela defesa SUFOCANTE que de repente faz seu adversário travar por completo. E tantas outras é só no segundo tempo que Kyrie Irving queima seu cosmo até o sétimo sentido e transforma o ataque o Celtics em uma máquina indefensável. Destas, a questão da preparação e adaptação ao adversário não deve ser um problema nos Playoffs. Lá, ao contrário da temporada regular, há tempo para passar todos os relatórios de scout para os jogadores e fazer treinos específicos para defender o rival. Para o resto não há solução ou explicação fácil, é só um time, como tantos outros elencos jovens, que não atuam no mesmo nível por 48 minutos.

O saldo, no fim das contas, é positivo. Não tem time que o Celtics não saiba enfrentar, por mais que sofram até achar a estratégia certa durante a partida. O que esse time pode fazer numa série de SETE JOGOS de costume contra um adversário é assustador. Ao que tudo indica eles ainda nem perceberam que times com tantos pirralhos não deveriam ser tão bons assim.

Celtics

Já o Cleveland Cavaliers não tem tantos altos e baixos dentro do mesmo jogo. Em comparação com o Boston Celtics, eles ficam menos vezes 10 pontos atrás do placar, mas quando ficam é derrota quase certa: só uma virada em 13 oportunidades. A questão do Cavs é a longo prazo mesmo: eles tiveram um período de pouco mais de um mês com 19 vitórias em 21 jogos no miolo da temporada, mas no resto do ano tem a péssima marca de 7 vitórias e 15 derrotas. O que tirar de um time que passa um mês inteiro como O MELHOR DE TODOS da liga e outros como um que nem iria para os Playoffs?

A galera das estatísticas avançadas diz que devemos olhar para alguns números-chave nessas horas, como, por exemplo, o saldo de pontos. A versão ideal do saldo pega o número de pontos FEITOS a cada 100 posses de bola por um time e subtrai os pontos SOFRIDOS a cada 100 posses de bola. Isso serve para colocar no mesmo pé as partidas com mais ou menos posses. O Cavaliers tem apenas o DÉCIMO melhor saldo da NBA, com +1.3 ponto por jogo, quase empatado com os medianos Indiana Pacers e New Orleans Pelicans. 

Segundo os especialistas, o saldo de pontos geral é um jeito de valorizar as vitórias incontestáveis, por larga vantagem, e colocar um asterisco do lado daquelas apertadas, que poderiam ter facilmente sido uma derrota com um toque de azar nas últimas posses de bola. No longo prazo, as vitórias e derrotas apertadas se igualam, são as largas diferenças que acabam sendo um indicador mais confiável de que times são melhores naquela temporada.

O Cleveland Cavaliers também vai mal em outro fator difícil de ignorar, a DEFESA. O Cavs tem a 5ª PIOR marca em pontos sofridos por 100 posses de bola (111.2), é o time que mais cede rebotes ofensivos e o 2º pior entre os que cedem mais alto aproveitamento adversário nos arremessos. Em resumo, é uma PENEIRA. Os números mostram absurdos e o teste visual não é muito melhor, volta e meia acontecem erros assim:

O Pascal Siakam (que não é lá nenhum grande jogador de ataque) passa pelo Kevin Love sem o menor esforço e não há qualquer sinal de ajuda atrás dele. Nenhuma reação. E esse vídeo abaixo do Isaiah Thomas deixando o Steph Curry passar nas suas costas é para a torcida matar a saudade dos clássicos erros do próprio Irving:

Nenhum time nos últimos 20 anos foi campeão da NBA estando fora do Top 10 da liga em defesa, não dá pra chegar no filé mignon do campeonato e sobreviver a SETE JOGOS contra os melhores ataques do mundo com tantas falhas na retaguarda. Como critério de comparação, o Boston Celtics tem A MELHOR defesa da NBA e é o 4º melhor saldo de pontos.

Confiar que a VIRADA sempre vai vir é um risco para o time de Brad Stevens, mas ao menos eles têm mostrado as ferramentas para isso. A regressão do Cavs aos mesmos erros do começo da temporada denuncia contra um fator que geralmente a gente esquece, o calendário. Nas 19 vitórias em 21 jogos o time enfrentou adversários bem fracos: o Dallas Mavericks (antes da leve embalada que deram), NY Knicks (essa a única grande virada do Cavs no ano) e desastres como Sacramento Kings, Brooklyn Nets, Charlotte Hornets, Atlanta Hawks (duas vezes), Los Angeles Lakers, e Memphis Grizzlies. Também deram sorte de pegar times que embora estejam melhores hoje, na época ainda estavam fracos: o LA Clippers aleijado de lesões e antes da ascensão de Lou Williams como o novo Michael Jordan; o Chicago Bulls (duas vezes!) antes da volta de Nikola Mirotic e o Miami Heat antes da sequência de vitórias das últimas semanas.

Embora só duas posições separem os dois times na tabela do Leste, embora um deles seja muito jovem e o outro tenha LeBron James sedento pelo LEGADO, as inseguranças do Boston Celtics nesta primeira metade de temporada parecem mais corrigíveis e menos graves dos que a do Cleveland Cavaliers. O time de LeBron tem meio campeonato para mostrar que Kyrie Irving não tomou a decisão certa.


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