De volta dos mortos

>

O Elton Brand ameaça chorar se não deixarem ele brincar também

Agora, a última moda é jogador voltar de contusão. Parece que todos os contundidos estão voltando das tumbas, alguns com esperança de playoffs, outros sem razões aparentes. Apesar do número surreal de contusões que assola uma NBA que tem uma temporada desse tamanho, acabamos dando sorte. Porque em geral a maioria das contusões acaba acontecendo no finalzinho da temporada, quando os jogadores estão mais desgastados. E, dessa vez, prestes a iniciar um dos playoffs mais disputados da história, estamos justamente vendo as estrelas voltando a tempo de disputar a pós-temporada.

Já era o meio do primeiro quarto da partida entre Wizards e Bucks quando Gilbert Arenas entrou correndo dos vestiários rumo ao banco de reservas, vestindo seu uniforme. O Arenas não havia participado nem do treino e nem do aquecimento para o jogo, entrou de sopetão sem o técnico nem estar sabendo e antes que se pudesse dizer “paranguaricutirimirruaru” já estava em quadra, com a bola nas mãos. Foi uma entrada digna de um dos jogadores mais polêmicos da NBA, mas não foi o bastante para garantir a vitória do Wizards, que perdeu graças a um arremesso de último segundo do Ramon Sessions. Perder uma partida não é nenhum problema, mas você teria coragem de ligar para sua mãe e dizer “Perdi por causa do Ramon Sessions“? É muita vergonha.

Além de Arenas, Gasol também voltou para o elenco do Lakers, que estava sentindo falta. Por alguma razão cósmica, Lamar Odom é simplesmente um dos melhores jogadores da NBA quando está em quadra com Kobe e Gasol, e até que conseguiu manter (em parte) o ritmo mesmo com a contusão de Gasol. Mas, com o espanhol de volta, Odom já está pronto para comandar ainda mais e chutar uns traseiros. O Lakers é um caso inexplicável porque a química entre Kobe, Gasol e Odom é incrível e está lá desde o começo, sem necessidade de grandes modificações no esquema como aconteceu em Phoenix ou em Dallas depois das trocas. Coisas da sorte ou coisas de Phil Jackson? Enquanto isso, o pivô overpower de 12 anos, Andrew Bynum, continua tentando se recuperar a tempo de jogar ao menos uma partida antes dos playoffs. Está lá correndo numa máquina sofisticada que reduz sua gravidade ou algo do tipo, nunca entendo esses aparelhos saídos diretamente do Dragon Ball Z. Mas ele também deve voltar da cova em breve.

O alemão Dirk Nowitzki também voltou e foi justamente contra o Warriors, seu maior pesadelo na Terra. O resultado foi uma vitória sólida em cima do time porra-louca de Golden State. E, mais do que isso, foi um passo gigante rumo aos playoffs depois de ficar pendurado no grupo de 8 classificados pela pontinha dos dedos. A briga entre Warriors, Mavs e Nuggets pela sétima e oitava vaga promete ser a melhor dos últimos tempos.

Outro time brigando por vaga nos playoffs, mas lá no grupo dos café-com-leite, é o Pacers. Lá no Leste, a briga é só pela oitava vaga e envolve o Hawks (atualmente se classificando), Pacers, Nets e Bulls. Mas que fracasso! O Pacers ter chances de se classificar é mais ridículo do que perder jogos para o Ramon Sessions! Em todo caso, Jermaine O’Neal está de volta depois de mal participar dessa temporada e traz alguma esperança de classificação para o time de Indiana. Mas é nessas horas que eu entendo um pouco o Miami. Esse Pacers fede, se for para os playoffs vai ser risivelmente humilhado pelo Celtics, o Jermaine tem uma saúde digna de pena, então será que vale mesmo a pena colocar ele de volta em quadra? Deveriam é chamar uns 30 caras da Liga de Desenvolvimento e melhorar as chances de draft, já que vale apelar.

Mas existe um time que não quer apelar. Um time nobre, justo, íntegro, que não joga papel de bala na rua e nem gruda caca de nariz debaixo da carteira. Estou falando do primo pobre do Lakers, o Los Angeles Clippers. Veja bem, eles não têm mais nenhuma chance de ir para os playoffs. Têm um dos piores recordes do Oeste e com um esforcinho poderiam ficar lá entre os dois ou três que mais fedem para melhorar suas chances no sorteio do draft. A idéia parece tentadora, não é mesmo, Miami Heat? O Clippers poderia pegar caras da Liga de Desenvolvimento, mandar o técnico observar jogadores no Camboja, dizer que todos os jogadores pisaram num prego e não podem mais jogar. Mas não. Assim que Elton Brand ficou minimamente saudável, depois de toda uma temporada de fora, voltou para as quadras. Será que não passou pela cabeça da equipe preservar um jogador que vem de sérios problemas com contusão já que, para o Clippers, a temporada acabou? Que nada. Elton Brand está lá fazendo seus pontos, dando seus tocos, chutando traseiros, tudo enquanto passa completamente despercebido, como em todo o resto da sua carreira. A maioria das pessoas nem deve saber que ele voltou a jogar. Mas ele está lá, sem nenhum propósito. E eu acho isso lindo. Porque é correto, é nobre, é justo. E influencia diretamente a disputa para os playoffs do Oeste.

Sobre isso, vamos dar uma olhada nas próximas partidas de Warriors, Nuggets e Mavs, até porque está na moda colocar isso em tudo quanto é site de basquete e não queremos ficar para trás, né?

Dallas Mavericks:
vs Sonics (em casa)
vs Jazz (em casa)
vs Blazers (fora)
vs Sonics (fora)
vs Hornets (em casa)

Warriors:
vs Kings (em casa)
vs Nuggets (em casa)
vs Clippers (em casa)
vs Suns (fora)
vs Sonics (em casa)

Denver:
vs Clippers (fora)
vs Warriors (fora)
vs Jazz (fora)
vs Rockets (em casa)
vs Grizzlies (em casa)

O que isso significa, crianças? Que, com apenas 2 vitórias separando o sétimo (Mavs) do nono colocado (Warriors), o Clippers terá um papel importante: joga em casa contra o Denver Nuggets e em Oakland contra o Warriors. A presença de Elton Brand pode ser crucial nesses confrontos e estou feliz demais por saber que ele estará presente, um atestado de seriedade no embate que decidirá os classificados. Cada partida agora tem uma importância enorme e contra o Clippers não será diferente.

Esse domingo, por exemplo, viu Dallas e Warriors jogarem como malucos que defendiam suas próprias vidas. O Warriors enfrentou o primeiro colocado Hornets, e embora estivesse dando tudo errado para os “Guerreiros” de trás da linha de 3 pontos, o jogo se manteve brigado e disputado até o último período. A verdade é que o Warriors é um time simples: eles correm como dá e aí então arremessam de três ou então enterram. Quando um desses recursos não está funcionando, metade do poder ofensivo simplesmente desaparece. Ainda assim, Monta Ellis resolveu que iria manter o jogo interessante e me deixou impressionado pela quinquagésima vez. Alguém me responda, tem algum sujeito na NBA tão rápido que ataque o aro com tanta eficiência quanto o Monta Ellis? Iverson, Ginobili, talvez? E quão bizarro é eu ser obrigado a colocar Monta Ellis nesse grupo de elite e ainda assim o Stojakovic ter marcado o Ellis em vários momentos da partida? Nem preciso dizer que o sérvio-que-não-sabe-defender foi tão humilhado que eu até tirei as crianças da sala. Mas isso não foi o bastante para garantir a vitória em dia de triple-double do provável futuro MVP, o excelentíssimo senhor Chris Paul.

No outro jogo da rodada dupla, o Mavs enfrentou o Suns e passou boa parte do jogo tomando uma sova, até que resolveu fazer algo parecido com “defesa” e aí deslanchou completamente na partida. O fato de que o Nowitzki passou a comandar as jogadas e a bater para dentro, e que o Nash não acertaria nem se o aro fosse a bunda da Gretchen, ajudaram o Dallas a dar uma disparada. Mas o jogo só acabou mesmo quando o Dirk (que pra mim é disparado o jogador mais descoordenado da NBA quando bate em direção à cesta, mesmo quando ele acerta e faz direitinho) tentou penetrar no garrafão e saiu tropicando como um bêbado em churrasco de domingo. Aí, quando eu tinha certeza de que ele ia cair de queixo no chão, o alemão tacou a bola pra cima com aquele arremesso esquisito que eu vou ensinar para o meu filho e acertou de modo bastante improvável. Foi naquele absurdo que o final do jogo ficou praticamente decretado. E é claro que o Amaré errar enterradas e um punhado de lances livres não ajudou também.

Dá pra ver, portanto, que os jogos com Dallas, Nuggets e Warriors em quadra são, agora, os mais divertidos da NBA. Até o fim da temporada regular, não vou perder unzinho sequer. Especialmente contra o Clippers, aliás. Quero ver como o Elton Brand se sai nesses dois jogos e aplaudir aqui de casa a seriedade da equipe. Se bem que ninguém em Los Angeles vai ouvir e os meus vizinhos vão pensar que sou autista. Mas o Clippers merece.

Como funcionam as assinaturas do Bola Presa?

Como são os planos?

São dois tipos de planos MENSAIS para você assinar o Bola Presa:

R$ 14

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo: Textos, Filtro Bola Presa, Podcast BTPH, Podcast Especial, Podcast Clube do Livro e texto do FilmRoom.

R$ 20

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo + Grupo no Facebook + Pelada mensal em SP + Sorteios e Bolões + Vídeo ao vivo para discutir Clube do Livro e FilmRoom.

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo: Textos, Filtro Bola Presa, Podcast BTPH, Podcast Especial, Podcast Clube do Livro e texto do FilmRoom.

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo + Grupo no Facebook + Pelada mensal em SP + Sorteios e Bolões + Vídeo ao vivo para discutir Clube do Livro e FilmRoom.

Como funciona o pagamento?

As assinaturas podem ser feitas pelo Aplicativo PicPay. Baixe, cadastre-se, busque o Bola Presa e escolha seu plano de assinaturas. Você pode pagar com cartão de crédito ou carregar sua Carteira PicPay com boleto ou depósito bancário. Depois de assinar, escreva para bolapresa@gmail.com para mais detalhes de como ter acesso ao conteúdo exclusivo.

DÚVIDAS SOBRE AS ASSINATURAS? Nos escreva: bolapresa@gmail.com

Assine já!