Em busca do pivô perfeito

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Consegue apoiar uma bola no pescoço? Então está contratado pelo Mark Cuban

O Mark Cuban, dono bilionário do Dallas Mavericks, conseguiu um milagre desde que chegou no time há mais de 10 anos. Transformou uma franquia que era uma das maiores piadas da NBA em um time respeitado, vencedor e o único a conseguir furar o domínio de Spurs e Lakers no Oeste desde 1999. Muitos vão questionar a falta de um título e algumas derrotas traumáticas nos playoffs, é verdade, mas analisando um pouco mais de longe, não deixam de ser vitórias. Era impossível ver o Mavs dos anos 90 e pensar que 10 anos depois eles estariam quebrando recordes de temporadas seguidas com mais de 50 vitórias, é como pensar hoje em ver o Pacers ou o Wolves dominando a próxima geração da NBA.

Porém, se ele teve sucesso em mudar o time, falhou em um dos seus grandes sonhos: ter um grande pivô. Nos últimos 10 anos o Mavs teve um dos melhores alas de força da história, Dirk Nowitzki, os dois melhores armadores da década, Jason Kidd e Steve Nash, além de outros grandes jogadores como Nick Van Exel, Antawn Jamison, Michael Finley e Josh Howard. Mas pivô ele nunca conseguiu, e não foi por falta de tentativa!
Eu sempre digo que foi o Mark Cuban que tentou e não nenhum dos General Managers que passaram pelo time nesses anos todos porque o Cuban é o dono que mais interfere nos negócios do time em toda a NBA, de longe. Ele nunca contrataria um cara que quer independência para resolver tudo sem consultá-lo. Como Mark Cuban usa de sua fortuna pessoal para bancar muita coisa lá dentro, ele quer ter o direito de dar palpites. Uma atitude questionável, mas se em quase todo lugar quem tem dinheiro manda, nos EUA isso não é só verdade como também é bem aceito.
Cuban foi o primeiro a caçar na China um de seus pivôs gigantes. Antes de aparecer Yao Ming, a estrela era Wang Zhizhi, que apesar de não ser tão ruim, era fraco demais para a NBA. Ainda no exterior o Mavs foi atrás de Obinna (melhor que Eto’o e Shaq) Ekenzie, Mamadou N’diaye e outras aberrações. A de história mais curiosa é o russo Pavel Podkolzin. Ele apareceu do nada para a imprensa americana e no dia em que foi descoberto foi para a primeira (PRIMEIRA!) posição naquele site NBADraft.net, que faz uma aposta de como serão os drafts dos anos seguintes. Os depoimentos sobre um pivô de 2,26m que sabia bater bola, driblar, chutar de 3 pontos e jogar de costas para a cesta encantaram a todos. Alguns vídeos e treinos depois e perceberam que não era tudo isso, mesmo assim ele foi a escolha 21 do Draft de 2004 (antes de caras como Kevin Martin, Beno Udrih e Anderson Varejão). Ao mostrar que era ridículo nos treinos, participou de apenas 6 jogos em dois anos na NBA, marcou 4 pontos e decidiu voltar para a Rússia.
Depois disso ainda passaram por lá aqueles típicos jogadores que só servem para fechar elenco e aumentar a média de altura: DJ Mbenga, Evan Eschmeyer, Scott Williams, Ryan Hollins e um dos jogadores mais feios da história da NBA, Calvin Booth. Além, claro, do antológico Shawn Bradley, que deixou esse legado em Dallas:
Entre os de mais destaque, o Mavs apostou no Raef LaFrentz, um pivô bem ágil e com bom arremesso, que parecia ser a solução para o time não ficar baixo demais e ao mesmo tempo continuar a correria imposta pelo então técnico Don Nelson. Não é que deu errado, mas não solucionou o problema principal, ano após ano o Mavs enfrentava Tim Duncan, Shaquille O’Neal, Kevin Garnett, David Robinson, Brad Miller, Vlad Divac, Yao Ming e não havia uma alma capaz de detê-los. Tanto que no meio do caminho até apelaram para especialistas defensivos que não sabiam nem segurar a bola no ataque, como DeSagana Diop. Confesso que durante alguns jogos achei que ninguém marcou tão bem o Duncan quanto o Diop, mas o cara era uma parede com pernas, não um jogador de basquete.
Uma das grandes derrotas do Mark Cuban foi o verão de 2004, quando o Shaquille O’Neal tinha decidido junto ao Lakers que não continuaria em Los Angeles, buscando times para troca. O Mavs logo se apresentou: ofereceu qualquer pacote com qualquer jogador no elenco, apenas Dirk Nowitzki não poderia ser incluído. De resto o Lakers poderia pedir o time inteiro! Não querendo enfrentar o Shaq sempre nos playoffs e na temporada regular, o Lakers preferiu mandar o Shaq para a outra conferência, disse que só toparia uma troca com o Mavs se envolvesse Nowitzki.
Foi então que em 2005 o Mark Cuban decidiu que não iria gastar os seus milhões para manter o Free Agent Steve Nash, ao invés disso investiu grana parecida para tirar do Warriors o Erick Dampier. Desesperado por um pivô e sem ter conseguido Shaq, que revolucionou o Miami Heat naquele ano, foi atrás do Damp, que tinha feito uma boa temporada no Warriors. Mas mal ele sabia que o Dampier é o típico homem de contrato, que só joga bem no último ano de seus acordos para se valorizar para o ano seguinte. Essa armadilha também pode responder pelo nome de Bobby Simmons, Larry Hughes, Sasha Vujacic…
O Dampier não foi horrível na sua passagem pelo Mavs, mas não foi bom como o esperado e nem tão bom quanto o que sua folha salarial poderia sugerir. É um cara que faz poucas bobagens, pega seus rebotes, mas não faz questão nenhuma de chamar o jogo e pode passar despercebido por jogos inteiros. Não é facilmente batido na defesa, mas também nem nos melhores dias pode parar um grande jogador adversário. Ou seja, o Mavs dava um de seus maiores salários para um cara que tinha tudo pra ser um reservão. Típico da tara histórica de Mark Cuban por pivôs, que sempre achou que eles mereciam receber mais por serem mais raros e a chave para os títulos.
Na temporada passada o Mavs fez sua melhor manobra para ganhar um pivô. Mandaram um monte de porcaria para o Wizards para ter em troca Caron Butler e Brendan Haywood. Não precisou passar um mês da troca para ser óbvio como o Haywood, apenas por ser bem ativo nos rebotes e na defesa, era o melhor pivô do time em 10 anos. Ele também pareceu funcionar bem com o Jason Kidd e Caron Butler em suas infiltrações, era capaz de se posicionar para receber passes embaixo da cesta e marcar seus pontos sem precisar pensar, que não é o forte dele.
E o que aconteceu quando o Mavs finalmente achou um grande pivô? Enfrentaram o Spurs nos playoffs, que tantas vezes haviam lhes eliminado usando Tim Duncan e antes David Robinson, mas que dessa vez lhes bateu usando a tática do Mavs, o small ball. Ao invés de usar os pivôs (que nem tinha, pra falar a verdade), o técnico Popovich entupiu o Spurs com jogadores rápidos e baixos, como George Hill e Tony Parker e assim bateu o Dallas, que até afundou o Haywood no banco para tentar igualar a velocidade do Spurs sem sucesso.
Mais um fracasso não parou o Mark Cuban, que satisfeito com o Haywood, resolveu torná-lo mais um dos vários pivôs que vão pagar a faculdade dos bisnetos com o dinheiro do bilionário. Haywood assinou um contrato de 55 milhões de dólares por 6 temporadas!
Eu achei um bom negócio manter o Haywood, que é o melhor pivô que eles já tiveram, mas mesmo sendo o melhor, não é um cara completo. Se com ele o Mavs tem a defesa que sempre sonhou, ainda não tem presença de garrafão, já que Nowitzki trabalha bem apenas da meia distância pra trás. E ainda gastou uma nota preta, provavelmente porque o agente do Haywood sabe que do Mark Cuban dá pra arrancar muito dinheiro.
Talvez pensando nessa questão ofensiva, o Mavs não deu por encerrada a busca por mais um pivô. Por um lado é legal ver que o time é incansável na hora de tentar melhorar, mas foi esquisito vê-los correndo atrás de Shaquille O’Neal e Al Jefferson dias depois de pagar aquele caminhão de dinheiro para o Haywood. São 55 milhões para deixá-lo no banco, é isso? Faz algum sentido? Porque titular na frente desses dois ele não seria nem se a mãe do Haywood fosse a treinadora.
As negociações com Shaq, porém, não caminharam bem e o foco do time se tornou Al Jefferson. Mesmo ele não sendo um pivô nato, Big Al atuou com sucesso nessa posição pelo Wolves e se destaca justamente por ser um dos jogadores mais completos quando o assunto é atacar. Ele sabe se posicionar embaixo da cesta, tem bom movimento de pés e um dos fakes mais traiçoeiros da NBA. Seria o parceiro ideal para Nowitzki, que com ele do lado até teria mais espaço para atacar a cesta, coisa que ele tem tentado mais nos últimos anos.
As negociações estavam bastante avançadas porque o Dallas começou essa offseason com uma das moedas de troca mais valiosas do mercado, Erick Dampier. Não que ele seja bom, mas é que o seu contrato de 13 milhões (deus salve as criancinhas com fome!) não é garantido para a próxima temporada! Ou seja, um time poderia despachar para o Dallas alguém de salário enorme, receber em troca o Dampier e simplesmente dispensá-lo antes da temporada começar, sem precisar pagar toda essa bagatela. Muitos times estavam babando para se livrar de contratos ruins com uma troca pelo Dampier e o Wolves era um deles.
Mas como vocês sabem e já foi comentado aqui, o Al Jefferson foi trocado para o Utah Jazz, não para o Dallas Mavericks, e vocês sabem o motivo? Simples, o Dallas queria aproveitar a troca para se livrar também do contrato de quase 5 milhões de dólares do DeShawn Stevenson, que nem está sendo usado. O Wolves não aceitou, a troca empacou, ninguém cedeu e o Jazz aproveitou para entrar em ação.
Preciso comentar o nível de burrice dessa decisão? Eles estiveram a um “sim” de ter o pivô que o Mark Cuban sonha há 10 anos, um cara que mesmo jogando improvisado é melhor que Dampier, Haywood, LaFrentz e toda aquela renca junta! Mas não fizeram isso porque queriam se livrar do contrato do Stevenson? Por dinheiro? Depois de pagar tão caro por tantos pivôs eles não quiseram pagar um pouquinho a mais pelo DeShawn por um ano para ter o Al Jefferson? Porra, Mark Cuban, merece sofrer sem pivô por mais 10 anos!
No fim das contas o contrato não-garantido do Erick Dampier acabou sendo enviado para o Charlotte Bobcats em troca de não um, mas dois pivôs! Tyson Chandler e Alex Ajinca. O Ajinca é um desastre total! Falei mal do Johan Petro aqui outro dia mas acho que em um duelo 1-contra-1 o Petro vai parecer o Kevin McHale perto do Ajinca. Já o Tyson Chandler não é ruim, é muito bom quando não está machucado (o que tem sido raro), mas seus talentos são na defesa: toco, rebote e, no máximo, rebotes ofensivos e pontes-aéreas. Não é exatamente o que o Haywood faz? Gastaram o valioso contrato do Dampier para ter mais do mesmo.
Ah, e para não perder o hábito, o Mavs fecha suas ações de Off-Season contratando o glorioso Ian Mahinmi. Brendan Haywood, Tyson Chandler, Alex Ajinca e Ian Mahinmi, está satisfeito ou a busca continua, Mark Cuban?

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