🔒Filtro Bola Presa #13

Antigamente, nos primórdios da blogosfera brasileira, os primeiros desbravadores dessa nem tão nobre arte costumavam colocar uma sugestão de música no início dos posts. Algo como “para ler ouvindo…” e simplesmente citavam uma canção. Isso evoluiu, começaram a aparecer as patéticas rádios online que nos davam sustos na madrugada. Depois veio o YouTube e, ainda bem, os diários virtuais morreram para as redes sociais. Mas aproveito essa memória para recomendar músicas para você escutar enquanto lê esse post.

Sim, este é Damian Lillard, armador do Portland Trail Blazers. Em uma entrevista com o Zach Lowe, da ESPN, CJ McCollum, clone de Lillard, foi perguntado se ele e seus companheiros de time tinham assistido ao esperado jogo entre Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers. Sua resposta foi a seguinte: “Na verdade não, estávamos no lançamento da nova música do Dame”. Talvez a gente goste mais da NBA que eles.

Dame D.O.L.L.A (Different on Levels the Lord Allows) é o nome artístico de Lillard, que lançou essa música que… é BOA PRA CACETE! Fui atrás e não achei muitas outras, mas as que ouvi num nível muito superior ao que eu costumo escutar por aí. Dá pra conhecer mais dele na sua conta do SoundCloud.

Curioso que CJ McCollum tem um programa de rádio e disse que já tocou umas músicas do companheiro de time por lá. Se essa não é a melhor dupla de armadores da liga, qual é? Aqueles dois magricelos do Warriors? Se quiserem mais, sente só esse mezzo improviso que ele mandou SEM TIRAR AS MÃOS DO BOLSO


Para ficar no tema musical, já ouviram a Balada de Dirk Nowitzki?

Não perdeu nada se não clicou no play, mas eu sei que clicou e já se está dançando no meio da sala de estar com sua prima Sue. Alguma dúvida que essas pessoas votariam em Nowitzki se ele fosse candidato a qualquer coisa? Na dúvida, melhor fazer um vídeo de campanha.


Já que sugerimos música, vou sugerir um livro também. Um que eu não li, claro. O Alexander Wolff, da SportsIllustrated, lançou o livro The Audacity of Hoop: Basketball and the Age of Obama“, uma obra para falar da relação de Barack Obama com o esporte que ele, como a gente, mais gosta no mundo.

Nessa entrevista ao Only a Game, o autor adianta alguns assuntos do livro. A história que o próprio Wolff considera mais interessante é o fato de Obama raramente jogar basquete usando bermudas. Ao invés disso ele usa calças largas, e a razão seria para seus oponentes não conseguirem ver que ele tem gravetinhos miúdos no lugar das pernas. Ele associou essa informação a uma coisa que Obama disse em um livro sobre ter aprendido, enquanto jogava basquete, a importância de não revelar as suas fraquezas aos adversários.


Pulando de um dos nomes mais conhecidos do mundo para outro que não é tão famosos assim: você sabe quem é Sasha Kaun? O pivô russo fez carreira no basquete universitário americano, em Kansas, e depois voltou ao seu país natal onde jogou de 2008 até 2015. Neste ano, porém, recebeu uma chance na NBA pelas mãos de David Blatt (RIP), que o conhecia da seleção russa e queria um outro pivô para seu Cleveland Cavaliers. Kaun pouco jogou e, quando entrou em quadra, ninguém sabia quem ele era. Veja que cena MÁGICA a de Jason Terry procurando o nome de Kaun na camiseta para saber quem raios é aquele branquelo no meio da quadra.


Essa aqui rodou a internet essa semana, mas não custa nada deixar por aqui. Que tal Rajon Rondo conhecendo de cabeça a jogada que o Atlanta Hawks iria fazer no final da partida contra seu Sacramento Kings? Ele mandou DeMarcus Cousins defender um CANTO VAZIO da quadra porque sabia que era pra lá que Paul Millsap correria para receber a bola e tentar o chute final. Sem essa opção, o Hawks forçou outro passe, errou e o Kings venceu a partida.

Muitos me perguntaram como isso é possível, se ele era um gênio ou como os times têm acesso às jogadas dos adversários, então vale uma rápida explicação: toda equipe tem um ou mais advance scouts, que são olheiros que viajam pelos EUA assistindo os futuros adversários da sua equipe. Então o advance scout do Kings já tinha assistindo muito Hawks antes daquele jogo para mandar um relatório para a comissão técnica de George Karl. Ele trabalha em parceria com as equipes de vídeo, que também analisam os futuros adversários e separam jogadas relevantes. Uma das mais importantes são justamente essas, as ensaiadas no lateral em situações de fim de jogo. O grande (gigante) mérito de Rajon Rondo foi se interessar por isso, estudar o material disponível e ter a incrível habilidade de ler o posicionamento dos adversários e lembrar de tudo isso na hora em que estava acontecendo.

O SBNation fez uma boa análise da jogada, com imagens de lances parecidos do Hawks em outras situações e de como Darren Collison ainda quase ferrou tudo ao deixar Kyle Korver livre por um segundo.


Sabiam que até o começo da semana passada Rajon Rondo já havia dado 102 assistências para DeMarcus Cousins? E 75 para Marco Belinelli! Apenas Seth Curry era o único jogador do Sacramento Kings a não ter recebido uma única assistência do líder da NBA no quesito. Tudo isso está na tabela abaixo, montada pelo excelente NylonCalculus.

Kings

As tabelas de todos os times estão montadas nesse link. Não diz tudo, mas é interessante ver que jogadores mais interagem uns com os outros na hora de distribuir assistências e finalizar jogadas. No OKC Thunder, por exemplo, a maioria das cestas de Kevin Durant vêm de assistências de Russell Westbrook, e o armador, que em geral recebe poucas assistências, quando o faz é com a parceria de KD. Quase um jogo em dupla. O Orlando Magic, por outro lado, é um time bem mais distribuído: Evan Fournier recebe basicamente o mesmo número de assistências de Elfrid Payton, Victor Oladipo e do pivô (!) Nikola Vucevic. E uma parceria que eu não tinha dado tanta atenção: Kobe Bryant é quem mais deu assistências para cestas de D’Angelo Russell, que é quem mais deu assistências para o Black Mamba.


Kobe Bryant nasceu na Philadelphia e virou estrela em Los Angeles. Mas, além disso, agora tem mais outra coisa em comum com o Fresh Prince of Bel-Air: o gancho tosco da abertura do seriado


Suns

Quem gosta da história da NBA não pode perder esse especial que o Phoenix Suns produziu com declarações sobre a temporada em que o time foi para a final da NBA contra o Chicago Bulls em 1992-93. São 5 capítulos contados todos com declarações de quem viveu aquela temporada mágica de Charles Barkley.


Estatística estranha e impensável da semana: o duelo entre Derrick Rose e Steph Curry na semana passada foi o primeiro da história da NBA entre dois armadores principais que já foram premiados com um troféu de MVP.

Os armadores MVPs são raros na história da liga, sempre foi um prêmio dominado por pivôs. O primeiro foi Bob Cousy em 1957, e quando Oscar Robertson recebeu o seu troféu, em 1964, o ‘Houdini’ já tinha se aposentado. Depois deles Magic Johnson foi ganhar só lá em 1987. E, claro, Magic já tinha se aposentado há tempos quando Steve Nash ganhou duas vezes seguidas em 2005 e 2006.  Por lesões de ambas as partes, nem o canadense e nem o atleta do Bulls se enfrentaram depois da premiação de Rose.


Melhor Bromance da NBA na atualidade? Kyle Lowry e DeMar DeRozan


Notícia inexplicável da semana: Blake Griffin, que está fora há algumas semanas com uma lesão no quadril, vai perder mais algumas porque quebrou a mão. Como se quebra a mão sem jogar basquete? SOCANDO A CARA do roupeiro do time, claro. Dizem que os dois eram muito amigos e que estavam jantando juntos, como de costume, e de repente começou uma briga. Rolou um soco dentro e outro fora do restaurante. Griffin quebrou a mão e eu não sei como o outro cara sobreviveu.

Fica aí o mistério de que merda pode ter acontecido para o Griffin perder o controle. Vai ver que é o ambiente onde eles vivem…

Essa história só prova o que todos já sabem: o Clippers é o time mais odiado da NBA. Ninguém suporta aqueles caras, pelo jeito nem eles mesmos.

Na entrevista do CJ McCollum que citei no começo, o Zach Lowe pergunta para ele sobre quando Terry Stotts, técnico do Blazers e o cara mais gente fina de toda a NBA, perdeu a cabeça em um jogo de PRÉ-TEMPORADA contra o Clippers. O armador confirma que aquela deve ter sido a vez que o patrão ficou mais nervoso e, sobre o Clippers ser um time insuportável, ele só diz “sem comentários sobre isso”.

Robin Lopez está de acordo e pelo jeito odeia Chris Paul mais do que odeia mascotes:

Aproveitando o Clippers, faz tempo que a gente não pega no pé do Austin Rivers, né? Que bom que volta e meia ele nos dá motivo para isso…


Falando ainda em mascotes, além de Robin Lopez, há uma rivalidade entre Rocky, o mascote do Denver Nuggets, e Russell Westbrook. Há dois anos, Westbrook roubou uma cesta do meio da quadra do simpático leãozinho. E na semana passada rolou uma tensão extra na relação:


Lembram de quando o Vivek Radinavé comprou o Sacramento Kings e começou a dar palpite em tudo, até dizendo que queria ver o time defender com 4 jogadores e deixar um no meio da quadra para o contra-ataque? Quando o Bola Presa comprar o Milwaukee Bucks, o meu palpite será para SEMPRE chutar a bola! Ok, não sempre, mas existem muitas situações, especialmente em contra-ataque, onde o defensor pode esticar a perna, chutar a bola e evitar um passe picado que iria virar cesta. Não é falta, ninguém é punido e você obriga o adversário a recomeçar o ataque do lateral.

Não sei se tem alguém me escutando, mas agora existe um lugar onde podemos acompanhar as estatísticas de quantas violações por kicked ball aconteceram na NBA. Até agora o líder da liga é Jae Crowder, com 9 chutes bem sucedidos. Ele é seguido por Jimmy Butler, Zaza Pachulia e Anthony Davis, com 8. O que todos têm em comum? São ótimos defensores. Não é coincidência, amigos, chutar a bola é o futuro.

Completando o Top 7 dessa lista ainda temos outros bons defensores como Omer Asik, Andre Iguodala e Jrue Holiday. Isso quer dizer que temos 3 jogadores do New Orleans Pelicans (Monocelha, Jrue e Asik) entre os maiores kickers da liga. Será que o Alvin Gentry roubou a minha ideia?


Estão prontos para a seção RECORDES DO WARRIORS? É bom que estejam!

Amigos, eles já passaram dos 90 jogos seguidos sem tomar virada após liderarem por ao menos 15 pontos. Recorde da história da NBA é do San Antonio Spurs, com 112 jogos seguidos sem tomar tal virada épica. E esse recorde anda rápido, porque parece que todo segundo quarto eles já estão na frente por 15.

Entenderam os números? Se não, explico. A média da NBA é de aproveitamento de 35% na linha dos 3 pontos. Alguns passos para trás essa média cai para 24%. Mas para Steph Curry, quanto mais para trás, melhor. Ele acerta absurdos 45% das suas bolas de 3 tentadas a 8,2 metros ou mais de distância da cesta. E uma em cada 10 bolas que Curry chuta é dessa distância, não é só de vez em quando.

Essa chuva de 3 pontos estão ajudando Steph Curry a entrar no seleto grupo de jogadores que tem ao menos 0.9 ponto por MINUTO jogado em uma temporada. Essa marca foi alcançada 13 vezes e só por jogadores do quilate de Michael Jordan, Rick Barry, George Gervin e Kobe Bryant. Mais que 0.9 apenas Wilt Chamberlain, que conseguiu média de 1 ponto por minuto na temporada 1961-62, aquela em que ele marcou 100 pontos em uma partida e acabou o ano com média de 50 pontos por jogo (sério).

E está na hora de começar a analisar o efeito devastador do Warriors na carreira dos técnicos adversários. Se cuida, Dave Joerger.


Depois do momento Warriors, em um Filtro normal, seria a hora do MOMENTO BOBAN. Mas vamos variar nessa semana e pegar um outro pivô gigante genérico ao redor da liga. Que tal Salah Mejri, do Dallas Mavericks? O pivô tunisiano de 2,17m  e 29 anos de idade quase não tinha jogado na temporada quando Rick Carlisle o colocou em quadra na partida contra o OKC Thunder. E o que ele fez?

Chupa, Westbrook!

Chupa, Durant!

O técnico do Mavs disse que arriscou colocar o novato porque o Thunder estava “chutando o traseiro” de sua equipe, então, por que não? E o mais legal é que Mejri nem viu nada de mais nos tocos, disse que já tinha bloqueado os dois quando os enfrentou na Copa do Mundo de Basquete em 2010 e que nada tinha de novo.

Com a lesão de Zaza Pachulia, Mejri já começou o jogo seguinte, contra o Houston Rockets, como titular. Fez 10 pontos, pegou 11 rebotes e…. chupa, Harden!


Elogio da semana: Boris Diaw me lembra um hipopótamo. Não tenho ideia de como são tão ágeis e perigosos, mas são”


Não é sempre, seja nos EUA ou aqui no Brasil, que a gente escuta boas histórias envolvendo a polícia e jovens garotos negros. Mas apareceu uma que envolve a polícia, os garotos e basquete, então bora lá.

Na semana passada, um policial da cidade de Gainesville recebeu um chamado para verificar uma reclamação de barulho. Algum vizinho ligou para dizer que algumas crianças estavam fazendo barulho demais enquanto jogavam basquete na rua. O policial foi até o local, desceu do carro e simplesmente bateu uma bola com a molecada, fazendo questão de dizer que não havia nada de errado nisso.

O vídeo se espalhou na internet como um raro exemplo de um policial, durante o serviço, agindo como um ser humano sensível. E teve um peso ainda maior nos EUA por ser um policial branco sendo legal com garotos negros de um bairro que não parece ser dos melhores. Raridade pura.

No final ele diz que voltaria lá e que traria reforços para ajudá-lo. Parecia o fim de uma história bonita, mas teve continuação com os tais reforços:

Assistam até o final e vejam se Shaquille O’Neal não é o cara mais legal de todo o universo conhecido. Ele brincou com as crianças, jogou, deu dinheiro pra elas por acertarem lances-livres (ele sabe como é difícil) e ainda foi lá conversar com elas, dar uma moral, uma mini palestra motivacional e tudo mais que tem direito.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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