Ilusão de óptica

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“Põe a mão no joelho, dá uma abaixadinha…”

Já faz um tempo que eu desisti do Dallas Mavericks. Um dos poucos times a carregar a bandeira do “corra pela sua vida” do basquete veloz e puramente ofensivo, surpreendeu a todos quando começou a mostrar sinais de defesa sobre o comando do técnico Avery Johnson. Parecia o time perfeito mas algo sempre faltava, o garrafão não tinha alguém capaz de amarrar os próprios cadarços, e as expectativas com o time sempre eram altas demais. Veio a troca pelo Jason Kidd, que eu tanto apoiei à época, mas que obviamente não funcionou porque faltava um esquema tático adequado. Com o novo técnico nerd Rick Carlisle, o que não faltaria seriam esquemas táticos até para fritar ovo e tirar meleca do nariz. Mas mesmo assim o time não deu certo, o Jason Kidd foi uma decepção, o Nowitzki é amarelão, o Josh Howard um maconheiro, o time fede e vai ficar de fora dos playoffs. Opa, espera, não vai não! Atualmente em sétimo no Oeste e com reais chances de acabar em sexto, o Dallas pode terminar a temporada com apenas 4 vitórias a menos do que o segundo colocado na Conferência. Que diabos? É como passar a vida inteira chamando a Mari Alexandre de burra para então descobrir, de repente, que ela é doutora em antropologia com ênfase no pós-estruturalismo francês.

A sina do Mavs parece ser mais sua fama do que qualquer coisa real. Por muito tempo o time ficou marcado como incapaz de defender, mesmo quando tornou-se uma defesa muito respeitável repentinamente. O Nowitzki sofre barbaridades com essa estranha fama de ser pipoqueiro, mesmo decidindo uma porção de jogos decisivos e sendo um dos maiores cestinhas da NBA nos últimos anos. O Denis, aliás, provou na sua coluna “8 ou 80” (estranhamente fora do ar por algum motivo técnico bizarro), através das suas já famosas estatísticas, que o Nowitzki não é amarelão coisa nenhuma e é um dos melhores para decidir jogos em bolas decisivas. Até mesmo a afirmação de que o Jason Kidd está velho e rendendo muito menos não faz muito sentido quando a gente lembra que, ao ser trocado, ele vinha de uma das melhores temporadas da sua carreira, em termos de números, lá no Nets. A diferença nos seus números, em especial nos quesitos pontos e rebotes, apenas demonstram que agora ele tem companheiros de equipe capazes de levantar os braços e alguém com a capacidade de fazer pontos sozinho, sem sua ajuda. Não tenho muitas dúvidas de que o Kidd fede mais pelo esquema tático do que pela idade, e começo a desconfiar se ele ficou um defensor tão horrível por causa das pernas cansadas ou se, no Nets, sua péssima defesa era disfarçada de algum modo – talvez, simplesmente, ninguém assistisse aos jogos do Nets e então ninguém tinha como saber o tamanho da farsa. Quando se trata do Dallas Mavericks, estou aprendendo a duvidar de tudo.

Após um punhado de jogos ruins do Mavs que acompanhei de perto, decretei que o time fedia e que era hora de reconstruir. Derrotas para times que fedem demais apenas confirmaram minha ideia do time. Torcedores reclamando da equipe também. Mas alcançar 50 vitórias na temporada apesar de aparentemente feder é um feito inexplicável e que parece contradizer tudo que eu aceitei sobre a equipe. De mansinho, sem ninguém perceber, sumiram de qualquer conversa sobre “não conseguir sequer a oitava vaga para os playoffs” e começaram a escalar a tabela. Quando a temporada apertou, Josh Howard voltou de contusão mas os frutos de sua ausência continuaram fazendo diferença, como o surgimento da estrela de ligas de verão, JJ Barea, e a volta do homem que usou um DeLorean para voltar no tempo e jogar como se fosse jovem de novo, Jason Terry. Tudo parece estar se encaixando para o time, que venceu 8 de suas últimas 10 partidas no momento em que a água estava batendo na bunda.

Mas aí os velhos preconceitos contra o Mavs parecem retornar quando a gente dá uma olhada direitinho no que aconteceu nessas 10 partidas. Pra começar, a primeira derrota dessa série de jogos foi contra o Memphis Grizzlies, que fede e não está na briga nada, talvez apenas pelo domínio do berçário. Depois, tem a última vitória do Dallas, contra o Wolves, conseguida nos últimos segundos após ter passado um sufoco e ter dado todas as impressões de que iria perder. Que diabos de time precisa vencer a todo custo e perde para Grizzlies e, moralmente, para o Wolves? Mas aí a gente olha os jogos vencidos e vê vitórias emblemáticas contra Suns, Jazz e Hornets, coisa de quem tem que ser levado a sério. Mas apenas para confundir, após ter vencido o Hornets apesar dos 42 pontos de Chris Paul, o Mavs perdeu para o mesmo Hornets com quase um triple-double gordo do Chris Paul: 31 pontos, 9 rebotes, 17 assistências.

Do mesmo modo que, quando o negócio mais importou, o Mavs foi lá e venceu o Wolves num arremesso decisivo de Jason Terry, dá para perceber que o time melhorou muito na parte final da temporada e garantiu seu lugar entre os grandes. Mas, assim como passar sufoco com o Wolves é bastante ridículo, perder para o Grizzlies é um claro sinal de que a temporada foi um tanto estranha em matéria de altos e baixos. Veja bem, nenhum time que se preze iria comemorar tanto assim um arremesso contra os lobinhos mequetrefes:

Ainda não sei o que achar da equipe, mas sei admitir que muito do que eu acreditava ser verdade era apenas preconceito, senso comum ou dias ruins do Dallas, que não representam o talento real da equipe. Ainda não vi eles jogando pra valer quando interessa de verdade, e portanto não sei o que esperar deles nos playoffs. Por isso mesmo é que tenho medo! Na noite de hoje, o Houston enfrenta o Dallas na última partida das equipes na temporada – um luta pela segunda colocação no Oeste, o outro pode acabar até em sexto. É muito possível que se enfrentem novamente nos playoffs, logo na primeira rodada, seja o Houston em terceiro e o Dallas em sétimo sexto, seja o Houston em segundo com o Dallas em sétimo. Sei que meu amado Rockets perderia do Jazz, sei o que esperar de um confronto contra o Hornets, mas não tenho idéia de como seria jogar contra Nowitzki e seus amigos numa melhor de 7 jogos. Afinal, o Dallas fede ou chuta traseiros? Minha única certeza real é que o Aaron Brooks faria a festa, porque o Kidd não defende nem ponto de vista em mesa de bar. Talvez esse seja o maior problema para o próprio Houston, já que provou-se que nunca é uma boa idéia centrar o jogo da equipe nas mãos do armador principal nesse esquema, seja ele quem for. Aguardando a partida de hoje à noite, analisando atenciosamente e fazendo umas macumbas para acabar em segundo lugar no Oeste e só ter que pegar o Lakers numa eventual final de conferência, deixo meu apelo para os fãs do Mavs: afinal, o que vocês acham do time de vocês? Não vale quem, como eu, só deu o azar de pegar os jogos ruins. Quero saber se o time é ruim ou se é só ilusão de óptica.

Com o fim da temporada regular, o Bola Presa se prepara para uma cobertura maluca dos playoffs, mas antes disso vamos dar uma olhada nas previsões que fizemos nos últimos tempos, todos os pés que apostamos, o que achamos que aconteceria com cada time (e com o Dallas com Jason Kidd), e vamos ver o que erramos e acertamos. Algo me diz que vai valer umas risadas, é só esperar. Vai ser em breve, prometo não levar 4 anos como a coluna “Both Teams Played Hard“, ok?

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