>Inversão de fedor

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Harris, Carter e Yi tapam o nariz no maior estilo “não fui eu”

Na noite de sábado, dois times enfrentaram-se em situações estranhamente opostas: New Jersey Nets e o Philalphia 76ers. Se qualquer um tivesse que arriscar, quando a temporada começou, qual desses times iria chutar traseiros e qual iria feder pra burro, teria errado sem sombra de dúvidas. Estou imensamente feliz de não ter apostado meu pé nessa.

O Sixers surpreendeu na temporada passada, embora eu nunca tenha entendido direito o porquê. Escrevi uns trocentos posts na época dos playoffs tentando compreender o que acontecia com a equipe, que ganhava mesmo indo contra toda a lógica e os bons costumes. Chega uma hora em que a gente desiste, eu não entendo como alguém não esgana a Mallu Magalhães durante o sono, mas como ela continua viva eu tenho que aceitar o fato. Ou seja, me restava aceitar que o Sixers estava jogando muito e, com a adição do Elton Brand, as coisas só tendiam a melhorar.

O caso é muito parecido com o Bulls da temporada 2006-07. Era um time jovem demais para constituir qualquer ameaça no Leste, sem nenhuma grande estrela, completamente mediano e feito de jogadores de apoio, que acabou indo para os playoffs e eliminando o então campeão Miami Heat num humilhante 4 a 0 que obrigou o pessoal do Heat a passar por baixo da mesa de ping-pong. No entanto, o time tinha uma clara deficiência no jogo de garrafão, todo mundo lá tinha alergia à área pintada e o então contratado Ben Wallace prefere dar um toco num companheiro de equipe do que fazer uma cesta para seu time. Na temporada passada, muita gente (tipo um certo blogueiro de um certo blog que começa com uma certa letra “B” de “Bola Presa”) achou que o Bulls, mais experiente, seria sério candidato ao título do Leste. Agora parece tão engraçado quanto dizer que o Vasco tinha chances de ir pra Libertadores.

Com esse Sixers, a história é a mesma, com apenas uma diferença fundamental: o Bulls tinha uma deficiência no garrafão que não foi resolvida. O Sixers, pelo contrário, contratou um dos melhores jogadores de garrafão que já pisou nesse planeta para solucionar o problema. Resultado? Parece que o time foi ladeira abaixo. É aquela famosa lógica: quando você faz merda, dá merda; quando você faz certo, dá merda também. Não tem jeito, faz parte do esporte. Como diria Manu (não o Ginóbili, e sim a ex-Big Brother gostosa), “Xogo é xogo!”.

Se eu não entendia como aquele Sixers poderia dar certo, como é que vou entender porque eles estão dando errado? Então essa eu prefiro pular, Seu Sílvio, até que eu tenha visto mais jogos da equipe, com todo mundo saudável e com um pouco de consistência. Mas o Nets, por outro lado, tem me fascinado justamente por estar na situação oposta, como um time que deveria feder mas está galgando posições no Leste – e é uma situação bem mais fácil de analisar.

O mundo que me desculpe, mas Vince Carter é um dos melhores jogadores da sua geração e, se não é lembrado por muita coisa além das suas enterradas, é porque deu azar de cair em times que não apresentavam condições favoráveis. Nem é questão da qualidade dos times, mas sim de suas identidades. No Nets, por exemplo, Carter tinha a ajuda de grandes jogadores como Kidd e Richard Jefferson. Mas nenhum dos dois é capaz de criar as próprias condições de arremesso, são jogadores que estão em seus ápices durante contra-ataques e não demandam muito a bola. No ataque de meia quadra, em geral passavam para o lado e isolavam Vince Carter num canto para que ele decidisse sozinho, atacasse sozinho e lavasse a louça sozinho. Alguns jogadores vivem para estar numa situação dessas, o LeBron jamais reclamou, mas Carter nunca se sentiu conforável nessas condições. Em nenhum momento da carreira ele foi uma segunda opção ofensiva num ataque de meia quadra mais estruturado, em que o resto do time inteiro não pudesse focar nele. É aí que entra Devin Harris.

O Denis colocou o jovem jogador do Nets na segunda colocação de sua lista dos armadores que mais o assustam (se a lista incluisse todas as posições, com certeza seria encabeçada pelo Kevin Garnett: se você não acha ele o mais assustador, deveria perguntar para o Glen Davis, que chorou quenem uma criancinha de medo do sujeito). De fato, o Devin Harris deixa as defesas em colapso com sua atitude continuamente ofensiva e os bagos necessários para sempre bater para dentro do garrafão. O resultado é um Vince Carter que não é o foco do ataque, que não precisa atacar sozinho, que dá arremessos mais livre de marcação do que nunca, e que ao mesmo tempo pode ser o líder do time, especialmente no final dos jogos decisivos. Como o Nets só tem pirralhos, Carter pode ser a voz da experiência, o cara mais respeitado cheio de histórias de guerra e da época em que dava pra comprar um jornal com 5 centavos. Ele tem um time inteiro só pra ele, sem ter o fardo absurdo de carregar nas costas toda a carga ofensiva do time, como acontecia no Raptors e inclusive no Nets do Kidd. Pergunte lá em Dallas se o Kidd consegue pontuar e eles vão dar uma boa gargalhada e pedir o Devin Harris de volta. É sempre assim, todo mundo era feliz e não sabia.

Tanto Vince Carter quanto Devin Harris estão entre os dez primeiros da liga em pontos e o ataque do Nets é um dos que mais pontua, apesar de estarem entre as duas piores defesas da NBA. Sem que ninguém tenha percebido, eles instituíram um verdadeiro run and gun em New Jersey, correndo como uns malucos, atacando a cesta e deixando essa tal de defesa para as mocinhas. Depois de tantos anos de Suns, a gente sabe que isso não funciona contra os grandes times (Spurs, alguém?), mas quando bem executado quebra um belo de um galho contra a maioria dos times e tem tudo para levar o Nets aos playoffs. Tem gente até cogitando o Devin Harris para MVP, o que obviamente é sinal de um bocado de pinga, mas sem dúvida mostra a influência que ele tem no ritmo e no sucesso da equipe. Só torço, sinceramente, para que o Vince Carter também receba a atenção que merece. O aproveitamento nos arremessos é o melhor da carreira, também marca da ajuda que Carter nunca recebeu. Seu modo de jogo está mais maduro, mais eficiente e até sua linguagem corporal é impressionante: ele está feliz de estar ali com a garotada e parece um líder como nunca ousou tentar ser.

O futuro do Nets é promissor: Yi Jianlian às vezes até parece que vai se tornar um ser humano, Brook Lopez domina o garrafão em alguns momentos e o também novato Ryan Anderson foi uma grata surpresa nos arremessos de fora (para o meu time de fantasy também, inclusive). O único problema é que times jovens demais no Leste que surpreendem e vão parar nos playoffs parecem fadados a dar errado na temporada seguinte. Então meu palpite é de que o Nets vai eliminar o Celtics nos playoffs e na temporada que vem vai se desfacelar apesar de contratar uma grande estrela. A lógica parece não ter lógica, o mundo do basquete é sempre regido pelos Monstars, do Space Jam, que vivem roubando o talento de uns para dar para outros. Tipo um Robin Hood espacial, saca? A diferença entre o Nets e os fracassos do Bulls e do Sixers, no entanto, pode ser justamente Vince Carter e um casamento inesperado mas ideal com a atual formação da equipe. Na hora do aperto, a bola pode ir pras suas mãos enquanto a pirralhada aprende a caminhar sozinha. Ou a andar de patins, no caso do Devin Harris, claro.

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