Macumba

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T-Mac machucado, uma imagem mais famosa
do que camiseta do Che Guevara

Que o Clippers é amaldiçoado, todo mundo sabe. Por mais que eles montem grandes times, alguma coisa sempre acontece para tudo dar errado, em geral contusões. Quando Baron Davis e Marcus Camby foram para lá, não pude deixar de dar uma gargalhada. Dois jogadores que conseguem se contundir coçando o olho foram jogar juntos, num time amaldiçoado. Como se não bastasse, o Clippers adicionou à mistura o Ricky Davis, que é uma maldição ambulante. Ele é um punhado de azar bípede passeando por aí, todos os times que ousam contratá-lo falham miseravelmente em suas campanhas. Diz a lenda que o médico que fez o parto do Ricky Davis morreu 3 anos depois num acidente de carro. Será mera coincidência?

Quando uma coisa dá errado sem muita explicação óbvia, a gente aqui nos bastidores do Bola Presa costumava chamar de “Síndrome de Clippers”. Nessa temporada, não está sendo diferente. O time é bom mas eles fedem, estão jogando mal pra burro, o Camby perdeu todo o começo da temporada contundido e o Baron Davis já se machucou duas vezes desde que chegou no time. O resultado dessa maldição são 9 derrotas e apenas uma vitória, contra o Dallas. Aliás, isso diz alguma coisa sobre o Dallas.

No entanto, a maldição do Clippers pareceu, ao menos por algumas horas na segunda-feira, coisa de criança perto da maldição do Houston Rockets. Todo mundo sabe que meu amado-idolatrado-salve-salve Rockets não passa da primeira fase dos playoffs nunca, não importa o que aconteça. Além disso, Tracy McGrady sempre teve problemas graves nas costas, que agora até parecem saudáveis perto do seu joelho bichado, e Yao Ming sofre o resultado da engenharia genética chinesa que criou soldados gigantes, já que o esqueleto humano não é feito para suportar tamanha altura e peso correndo de um lado para o outro de uma quadra de basquete. Ou seja, as contusões são coisa de rotina. Mas na segunda-feira, contra o porcaria do “time outrora conhecido como Sonics” (tipo quando o Prince resolveu que o nome dele era um símbolo impronunciável e só poderia ser chamado de “aquele que outrora fora conhecido como Prince”), o Rockets viu seus maiores pesadelos se tornarem realidade: Yao Ming machucou o pé numa jogada comum, o mesmo pé que havia fraturado e deixado o chinês de fora de boa parte da temporada passada; Artest torceu o pé quando caiu em cima de vários fotógrafos; e o joelho do T-Mac simplesmente morreu no meio de uma jogada, como motor de Fusca, fazendo meu coração parar por alguns segundos.

Sem os três, meu Houston Rockets não ganha nem do Ipatinga. Me tranquei no quarto, fiquei ouvindo música emo, passei sombra nos olhos e ameacei cortar os pulsos. Mas, aos poucos, notícias boas foram chegando e me retirando desse universo “NX Zero”: Artest deve voltar no próximo jogo e o Yao deverá perder no máximo uma partida. Até mesmo o T-Mac está bem, mas o caso dele é complicado e não me passa muita confiança, até porque me lembra um famoso amaldiçoado na NBA: Gilbert Arenas.

Quando o Arenas se contundiu da primeira vez, o joelho não parou de doer durante o tratamento. Viciado em treinamentos, fortaleceu a perna sem parar no tempo em que esteve fora. Acreditou, meio na miúda e sem contar pra ninguém, que com o tempo a perna estaria forte o bastante para que a dor desaparecesse. Até que o joelho deu PT (“perda total”, não “Partido dos Trabalhadores”) e o Arenas teve que voltar para a mesa de cirurgia e aprender que o joelho não deve ser usado até estar perfeito, não importa o quanto ele resolver espernear. Com o T-Mac foi mais ou menos a mesma coisa, ele acabou voltando rápido demais para as quadras e admitiu ter jogado esse tempo todo com dores fortes no joelho. Até que, de repente, o joelho não aguentou o tranco e resolveu tirar umas férias. Tudo indicava que seria um retorno à cirurgia, começar a reabilitação toda novamente, mas algumas horas depois o McGrady disse que havia sido apenas o susto, cancelou os exames e resolveu jogar.

Peraí, rapaz, o joelho pode estar maravilhoso, forte, saudável, cozinhar, lavar e passar, mas você acabou de admitir que está jogando em cima dele apesar das dores constantes, alegou que seu baixo rendimento nessa temporada está diretamente relacionado com a falta de confiança no joelho, e mesmo assim quer continuar em quadra? Sejamos sinceros, Tracy McGrady não tem muitos anos sobrando em sua carreira. Ele é um jogador espetacular, um dos maiores talentos ofensivos que já surgiram, mas, vítima de contusões em demasia, já há alguns anos fala em se aposentar. Talvez ele tenha uma eterna sensação de que essa pode ser sua última temporada e de que ainda não conseguiu sair da primeira fase dos playoffs, o que explicaria sua vontade de jogar contundido e aproveitar o melhor elenco que já teve ao seu redor. Mas trata-se de uma atitude um pouco kamikaze. Sem pressa, com os devidos cuidados, T-Mac poderia aguentar mais tempo na Liga. Mesmo nessa temporada, se voltasse apenas depois do All-Star Game, estaria em plenas condições físicas e muito mais apto a fazer o que o time necessita, sem medo, sem dores, em alto nível. Como esse joelho dolorido vai estar nos playoffs, que é quando as coisas realmente importam? Talvez o T-Mac devesse ouvir algumas dicas do Ron Artest, que certa vez pediu pra ser dispensado do Kings durante a temporada regular para lançar seu CD de rap. O Artest sabe das coisas, temporada regular é uma besteira, vá descansar seu joelho amaldiçoado, T-Mac! Não queremos que você seja o novo Arenas, não é mesmo?

Se não bastasse não poder jogar há milhares de anos por causa dessa contusão que nunca desaparece (porque ele parece aquelas crianças que arrancam a casquinha dos machucados e nunca cicatriza), o Arenas tem que aturar um monte de gente dizendo que o Wizards é melhor sem ele. Engraçado, foi a mesma coisa com o Yao quando ele se contundiu na temporada passada. Fato estatístico aleatório: você sabia que, depois do péssimo começo de temporada do Spurs, o time perdeu apenas uma vez desde que Tony Parker se contundiu? Ou seja, obviamente o Spurs é muito mais time sem aquele armador francês idiota. Olha, uma moeda no chão, obviamente chovem moedas dos céus, aleluia!

O Spurs, aliás, também anda meio amaldiçoado, mas enquanto o Duncan puder andar e alguém no time souber defender, tudo estará bem, mesmo que no sufoco – eles sofreram pacas para vencer o Wolves, por exemplo. O que me lembra que o time dos lobinhos é também um dos mais amaldiçoados da NBA, não porque eles só perdem, mas pelas circunstâncias das derrotas. O Wolves só tem uma vitória e oito derrotas, mas sete dos oito fracassos foram por uma diferença de 6 pontos ou menos. Ou seja, no final sempre alguma coisa dá errado e eles dão um jeito de perder. O Denis lembrou bem que o Clippers era assim numa época mas, depois da contratação de Mobley e Cassell, começaram a vencer os jogos nos minutos decisivos e foram para os playoffs. Ou seja, a maldição do Wolves está a um Cassell de desaparecer e então eles certamente rumarão ao título.

Para finalizar o papo das maldições, não poderia deixar de citar o Marco Belinelli. Se ele fosse um cara comum, estaria em quadra jogando desde seu ano de calouro, fazendo seus pontinhos e tendo um ou outro grande jogo. Mas como ele nasceu em cima de um cemitério indígena, foi parar num time do Don Nelson. Quando finalmente parecia que ele ia começar a ganhar uns minutinhos em quadra, surgiu do nada o tal do Anthony Morrow que fez 37 pontos e seguiu essa atuação com mais um jogo sensacional, com 25 pontos e 4 bolas de três ontem. Segundo o próprio Don Nelson, a nova ordem no Warriors é todo mundo ficar de olho no Morrow e passar pra ele toda maldita vez que ele estiver livre. De desconhecido que sequer foi draftado para titular e principal foco do ataque do Warriors no perímetro. Coincidência, acaso, Don Nelson? Que nada. Num mundo de Clippers, Rockets, Wolves e Arenas, isso é culpa do Belinelli – chama-se “azar pra caralho”.

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