>Na correria

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John Kuester tenta impedir o técnico Mike Brown de enfiar o dedo no nariz

O Detroit Pistons foi parar numa daquelas situações em que nenhum time quer estar, que é quando a equipe não fede e nem cheira. Esse limbo, em que o time claramente não vai conseguir ser campeão mas é bom demais para conseguir boas escolhas de draft, exige decisões ousadas e polêmicas. Como os times que encontram-se nessa situação intermediária são bons, fica difícil tacar tudo na privada e não deixar os fãs descontentes com o desmanche. Os torcedores sempre acham que falta apenas uma peça final, apenas uma arrumadinha no elenco, apenas um técnico novo, apenas uma Alinne Moraes na torcida, e fica difícil convencer qualquer um de que seria melhor desmontar o time bom e feder por uns tempos, na esperança de montar um elenco que realmente possa chegar ao topo no futuro. O caso que me vem imediatamente à cabeça é aquele Nets que foi campeão do Leste em 2002 e 2003, mas que claramente não tinha qualquer chance de ganhar das grandes potências do Oeste. Foi ficando claro que o time não seria campeão, foi perdendo fôlego, e ao perder o topo do Leste para o Pistons, percebeu que não dava para ficar nesse limbo do “quase-lá”. Aos poucos, o time foi desmontado num óbvio processo de reconstrução que dura até hoje mas que já mostra seus primeiros resultados.

O Pistons chegou a ganhar um anel de campeão e dominou o Leste por muitos anos consecutivos, logo depois do auge do Nets, mas a sensação sempre foi de que faltava alguma coisinha a ser arrumada na temporada seguinte para que eles dominassem pra valer. Muito se falava sobre motivação, sobre o time não ter mais saco de ficar aguentando joguinhos meia-boca pra no final acabar perdendo por algum motivo idiota, e talvez fosse isso que tanto incomodava a equipe. Em todo caso, óbvio a todos que o Pistons não tinha mais chances de ser campeão num Leste cada vez mais forte e competitivo, chegou a hora de começar de novo. Admitir que o time vai feder por uns tempos, não se apressar, e construir uma franquia vencedora com calma e inteligência. Afinal, não foi assim que o engravatado Joe Dumars construiu o Pistons que foi campeão em 2004?

Só que, pra mim, não parece ser bem isso que anda acontecendo em Detroit. Já critiquei as novas aquisições da equipe (ao que alguns fãs do Pistons caíram matando, afinal só existem dois pecados no mundo: questionar o Joe Dumars, e questionar sorvetes), mas agora é hora de criticar o novo técnico da equipe. A contratação já está até velhinha, mas aqui nunca é tarde para a gente meter a colher. Bola Presa, orgulhosamente trazendo notícias do mês passado com um saborzinho de lentilha de ontem.

Após as negociações com o Avery Johnson falharem, o escolhido para o emprego de técnico do Pistons foi o assistente técnico do Cavs, John Kuester. Convenhamos, é muito engraçado contratar o assistente de um dos piores técnicos da NBA, mas justiça seja feita: se o Cavs parece um time, se eles tem mais de uma jogada ofensiva, e se são minimamente suportáveis de assistir, é tudo culpa do Kuester. Antes dele o ataque do Cavs era uma bagunça, completamente amador, consistindo apenas de jogadas de isolação para LeBron. Agora, o time só isola o LeBron quando as jogadas (que existem!) não dão certo, e dá até gosto de ver como o Cavs cuida bem da posse de bola, sendo um dos times com menor número de desperdícios em toda a NBA. O técnico de verdade, Mike Brown, aprendeu no Spurs a montar defesas fortes – algo que sempre estabeleceu no Cavs com moderado grau de sucesso, mas nada mais. Se levou o título de melhor técnico do ano para casa, é apenas porque o prêmio não faz sentido nenhum e o John Kuester ajudou a balancear o time que dominou o Leste durante toda a temporada regular.

Mas o cara é um assistente técnico. Passou uns tempos com o Larry Brown no Pistons e com o Mike Brown no Cavs, só que sempre com a função de ensinar os esquemas de ataque. Aposto que Ben Gordon e Charlie Villanueva vão ficar muito felizes com o técnico que vem focar na parte ofensiva do jogo (Marbury deve pedir para ir jogar em Detroit em breve, assim que ouvir as boas novas), mas resta a dúvida quanto ao talento de Kuester nas outras áreas do jogo, incluindo o relacionamento com os atletas. Sem sombra de dúvida, Avery Johnson era uma escolha muito melhor: ele foi o homem que ensinou o Dallas a defender, sem desmantelar o ataque, e sagrou-se como um grande motivador dentro e fora das quadras. O problema foi que, além de pedir um pouco de grana a mais do que os engravatados no Pistons queriam pagar, Avery queria a garantia de um trabalho de longo prazo, ao menos 3 anos à frente da equipe, de modo que pudesse ter segurança para lidar com um time em reconstrução. Essa garantia não lhe foi dada, porque Joe Dumars pode ser gênio, mas todo gênio é maluco.

Desde que Dumars assumiu em 2001, o Pistons está em seu quinto técnico. O último, Michael Curry, era assistente técnico da equipe e assumiu o cargo principal com a fama de ser um motivador respeitado por todo o elenco, algo de que a equipe tanto precisava. Recebeu apoio irrestrito do Dumars quando começou seu trabalho e, ao término da temporada, mesmo com o fracasso nos playoffs e todas as brigas e desavenças com Richard Hamilton, recebeu a promessa do Dumars de que continuaria à frente da equipe. Promessa “se o Pitta não for um grande prefeito, nunca mais votem em mim” essa, porque o Curry foi pro olho da rua rapidinho.

Pelo jeito, não há paciência por aquelas bandas. É preciso aceitar que o time vai feder por uns tempos e entregar o elenco nas mãos de alguém que possa fazer um trabalho duradouro e sólido, principalmente quando se está lidando com jogadores jovens e um time sem identidade. Afinal de contas, esse Pistons é baseado em defesa e trabalho coletivo, como o que foi campeão em 2004, ou é baseado em ataque e superestrelas? Vai ter um jogo de perímetro ou um jogo de garrafão? É bastante maluco compor um elenco quando você não lhe deu uma identidade antes, mas agora que a merda está feita e Ben Gordon e Villanueva estão contratados de forma meio aleatória, que ao menos entreguem esse elenco para um técnico versátil e que possa colocar um padrão de jogo específico nesse grupo de jogadores. Não garantir um contrato longo para um técnico é, implicitamente, estar julgando diariamente o novo técnico e cada ação que ele faz. Haverá a pressão para que ele vença, e o próprio Dumars avisou que o processo de reconstrução deve ser quase imperceptível, muito rápido. O sujeito está correndo demais, acho que o pessoal tem medo de feder e acabar virando o Grizzlies.

A própria contratação de Gordon e Villanueva foi um pouco precipitada. Jogadores como Boozer e Okur, frente a uma economia abalada e um teto salarial que deve diminuir, decidiram manter seus contratos por mais um ano para garantir suas verdinhas. Isso significa que mais jogadores terão o fim de seus contratos em 2010, junto com LeBron, Wade, Bosh, Amar’e, Nowitzki, Joe Johnson e outros mais. Vários times estarão com espaço salarial pronto para tentar abocanhar as maiores estrelas, mas os salários devem estar menores, os tempos são outros no Banco Imobiliário do mundo real. Ninguém dará ao Boozer os 14 milhões que ele procura, alguns jogadores assinarão por menos do que pretendiam e muitas oportunidades surgirão para os times com espaço salarial e que queiram apenas um jogador para fechar o elenco, para suprir uma área específica. Entendo a vontade do Dumars de garantir seus jogadores agora, quando a maioria dos times está se focando no ano que vem, mas pagar 10 milhões por ano para o Ben Gordon não pode ser lucro para ninguém (a não ser para o próprio Ben Gordon e a mãe dele).

Temos também que concordar que Richard Hamilton não é um jogador fácil de ser trocado. Longe do seu auge, ganhando 12 milhões por ano durante mais 4 anos, e famoso por só render em esquemas táticos muito específicos. Qual time comprometerá seu espaço salarial, indo para 2010, arriscando encaixar Hamilton no elenco? Qual time em que ele se encaixaria bem teria grana ou jogadores de salários equivalentes para mandar em troca? Fica bastante complicado, mas já sabemos que ele não será capaz de render jogando ao lado de Rodney Stuckey e Ben Gordon. Por enquanto, o Pistons é apenas um amontoado pequeno de jogadores aleatórios, sem um critério óbvio, sem uma identidade, sem um cérebro, e que negou a um bom técnico a chance de estabelecer um trabalho duradouro. Joe Dumars está correndo desesperadamente, torcendo para que ninguém perceba que o time vai feder.

É claro que estou cutucando um ícone sagrado, afinal ele é o homem que entregou um título ao Pistons com um elenco montado na unha, vindo do nada, com sobras que outros times não quiseram. Mas ele também é o homem que draftou Darko Milicic e que disse que Amir Johnson era o futuro do garrafão do Pistons (pra depois contratar até o Kwame Brown). Por enquanto, a tentativa de fugir de 2010 rendeu, na minha opinião, contratos exagerados para jogadores que não se encaixam muito bem. Mas acompanharemos com bastante atenção como Dumars fará para compor o resto do elenco e estabelecer uma voz comum à franquia. Se deu certo uma vez, ele merece ao menos a nossa torcida para que funcione de novo.

Enquanto isso, o Jazz também deu um jeitinho afoito de escapar da bagunça de 2010. Certamente não estava nos planos da equipe que Boozer e Okur escolhessem manter o último ano do contrato, mas é que nos tempos de crise (em que um lanche do Mc Donald’s custar 5 reais é uma promoção) os dois jogadores não achariam contrato melhor em lugar nenhum. Acontece que, em 2010, o contrato acaba e eles fogem para qualquer lugar que possa pagar alguma graninha. Imaginava-se um aumento muito grande dos salários (quando um time como o Grizzlies não conseguir o LeBron ou o Wade, vai acabar dando um contrato máximo para um jogador mais-ou-menos), mas com a diminuição do teto salarial da NBA e nenhum time disposto a pagar multas por excedê-lo, arrisco que vai ter muito jogador topando jogar por bem menos do que suspeitava em 2010. O Jazz, então, provavelmente vai perder o Boozer e o Okur na temporada que vem, e estará apto a brigar por esses grandes nomes que estarão disponíveis. Mas não, preferiram cuidar disso agora: igualaram a oferta do Blazers pelo Paul Millsap, que foi de 32 milhões por 4 anos.

Eu entendo o Jazz, eles gostaram realmente do Millsap no tempo em que ele foi titular quando o Boozer, pra variar, se contundiu. O garrafão da equipe é essencial para que Deron Williams possa continuar seu trabalho, e Millsap garante isso com o bônus de já ter sido titular, conhecer a formação tática e se dar bem com o técnico Jerry Sloan. Quando a gente lembra que o Marcin Gortat, que não fez nada de mais na vida, assinou um contrato de 33 milhões por 5 anos, percebemos que o Millsap saiu barato também. Mas agora o Jazz tem uma situação bizarra nas mãos: ou troca o Boozer imediatamente, por um pacote de biscoitos se for o caso, ou então vai pagar multas astronômicas por ter deixado o teto salarial da equipe mais esticado do que a Monica Mattos. Ou seja, Jazz e Pistons não quiseram brincar em 2010, correram com sede ao pote e garantiram contratos o mais rápido possível. Mas agora os dois precisam fazer trocas essenciais para o bom funcionamento de ambas as equipes. Vamos aguardar mudanças significativas, ou então teremos equipes muito bizarras em quadra – as duas, vejam que engraçado, com reservas ganhando por volta de 10 milhões de doletas.

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