Ô a maldição voltou…

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Blake Griffin é mal educado e sabe aproveitar seu tempo livre

Queria comentar sobre os novatos da temporada há algum tempo mas estava esperando o Blake Griffin voltar a jogar para fazer isso. Afinal de contas ele foi a escolha número 1 do draft, arregaçou com tudo e com todos na summer league e era forte candidato a ser novato do ano, nada mais justo que dar pelo menos algumas semanas de jogo pra ele antes de sair julgando a classe de novatos do draft de 2009.
Mas acontece que ontem saiu uma notícia dizendo que o Blake Griffin passou por outra cirurgia em seu joelho e ficará de fora de toda a temporada. Sim, é o segundo jogador que foi a primeira escolha a perder toda a temporada de novato em três anos, primeiro foi o Greg Oden em 2007.
O esquisito é que a contusão dele não parecia nada séria, vocês lembram da jogada em que ele se machucou? Foi uma jogada bem bonita, inclusive. Não tem jeito, por mais que seja piada velha, temos que falar da maldição do Clippers, é absurdo como tudo dá errado pra eles! Algumas piadas com coisas típicas da liga, como falar que o Pistons é uma máquina que sempre funciona, que o Zach Randolph só afunda os seus times ou que o Kobe é um fominha se perderam com o passar do tempo, times e jogadores mudam e assim mudam suas imagens, mas desde que o mundo é mundo o Clippers é a síntese do azar: Chris Wilcox, Darius Miles, Michael Olowokandi, Shaun Livingston, dentre outros, já foram a salvação da equipe nos últimos 10 anos.
Como é bem fácil ignorar o primo pobre de LA, muita gente não percebeu, mas o Clippers andou roubando vitórias de times grandes por aí. Logo depois do Natal venceu o Celtics e depois da virada do ano embalou 4 vitórias seguidas contra Sixers, Blazers, Lakers e Heat, alcançando até a marca de 50% de aproveitamento na temporada, coisa que acho que não acontecia a essa altura do campeonato desde a época de Sam Cassell na equipe.
Era difícil acreditar que algum time da zona de playoff do Oeste fosse cair para que o Clippers entrasse, mas com esse aproveitamento todo sem o Griffin podia-se pelo menos ter esperança. O elenco, que sempre foi bom mas nunca se entendia direito, parecia ter entrado em sintonia. A dupla Camby e Kaman, que sempre pareceu estranha pelos dois serem pivôs, se entendeu. O Camby sabe quando sair do garrafão para deixar o Kaman trabalhar com espaço e sabe quando ficar embaixo da cesta deixando o Kaman usar seu arsenal de arremessos de meia distância. Com os dois entrosados o Camby voltou a ter seus típicos jogos de 0 pontos, 15 rebotes e 4 tocos e o Kaman deve jogar o All-Star Game e é o melhor pivô ofensivo da NBA.
O Eric Gordon tem sido um ótimo marcador de pontos para a equipe, faz pouco além disso mas é confiável e o Baron Davis é o Baron Davis de sempre: quando ele acorda afim é um dos cinco melhores armadores da liga, quando não quer, pelo menos quebra um galho. E quando a fase é boa até outros caras aparecem, naquela vitória sobre o Blazers que eu citei, quem liderou a arrancada do time no fim do terceiro período e no começo do quarto foi o Sebastian Telfair! Contra o Lakers foi a vez do rinoceronte Craig Smith e até o jogador que eu mais desprezo na NBA, o Ricky Davis, teve seus momentos.
Mas quando a coisa parecia estar ficando boa e promissora é que acontece a desgraça. Vocês tem que entender que a maldição do Clippers não é simplesmente fazer com que o time seja ruim, isso não tem graça. É uma maldição sádica, que gosta de dar esperança antes pra fazer sofrer mais. Ao invés de não te dar a Alinne Moraes, o que é algo que todos sabemos como é, essa maldição te faz conhecer ela, faz você se apaixonar por ela e aí ficar com ânsia de vômito e soltar tudo no colo da guria no primeiro encontro.
Ao invés de ser ruim por ser ruim, o Clippers tem um bom elenco que não rende. Ou ter a sorte de ganhar o sorteio do draft só pra aumentar a expectativa e o tombo ser maior depois. Não sei em cima de que cemitério indígena eles fundaram o Clippers mas eram indíos cruéis, muito cruéis.
Quer outro caso da maldição fodendo com o Clippers? Na terça-feira eles estavam jogando contra o Grizzlies, em Memphis. O Baron Davis estava naquele seus dias encapetados em que ele decide que vai ser o melhor jogador do mundo. Fez 17 pontos, 9 rebotes e 9 assistências só no primeiro tempo! Os dois times estavam empatados na tabela e ainda brigam pela vaga de time-que-ninguém-dava-nada-e-que-iria-para-os-playoffs-se-estivesse-no-Leste. O Baron Davis estava jogando tão bem que eles estavam vencendo por 12 pontos mesmo sem ter o Kaman em quadra. Ele, machucado, deu espaço para o promissor DeAndre Jordan, que deu conta do recado com 23 pontos, 7 rebotes e 3 tocos.
Então, quando restavam poucos segundos para o fim do terceiro período, aparece uma mensagem no telão do FedEx Forum em Memphis: Uma emergência nos foi reportada, deixe o ginásio pela saída mais próxima. Não utilize os elevadores.
Chegou a passar pela minha cabeça que um ativista defensor do basquete-arte e dos times de verdade resolveu se manifestar em um jogo entre Grizzlies e Clippers, mas acabou que havia acontecido um vazamento no sistema de água do ginásio. Por mais de 30 minutos alguns corajosos torcedores ficaram do lado de fora, com um frio de matar, esperando para ver o seu time que perdia por mais de 10 pontos para a piada da NBA, mas muitos outros foram embora pra casa.
Quem voltou viu a maldição do LA Clippers em ação. Contando apenas o momento desde a paralisação do jogo até o seu final, cerca de 13 minutos de partida, o Grizzlies venceu por 14 pontos e o Clippers acertou meros 4 arremessos de quadra. No tênis isso até é um pouco mais comum: alguém está perdendo, começa a chover, o jogo para, o perdedor coloca a cabeça no lugar e vira o jogo. Mas jogos de basquete não param! Que time que está perdendo tem a chance de ter meia hora para se reunir com o técnico e colocar a cabeça no lugar? Tem coisa que só acontece com o Clippers…
Histórias de maldição do Clippers nunca vão faltar e sempre vão ser divertidas de contar, faz parte da fantasia que a gente coloca na NBA para ela parecer ainda mais divertida. Sempre transformamos pessoas em personagens e nesse caso transformamos um time em personagem, mais precisamente o Charlie Brown.
E posso parecer ingênuo, mas acredito no futuro do Clippers. O Griffin foi espetacular em todos os momentos em que esteve saudável e o Clippers realmente tem um elenco bom que, pela primeira vez em anos, tem se entendido. Quem sabe em 2011 eles não viram um bom time? Aí em 2012, quando forem um timaço e todos acreditarem que eles lutam pelo título, o mundo acaba só para eles não terem esse gostinho. Seria uma boa explicação para o fim dos tempos.

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