O apressado come cru

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Fracasso de uma era: dois foram trocados,
os outros dois nem entram em quadra

Não deu tempo nem de dizer “parangaricutirimirruaru” e o Knicks trocou mais um armador. Não, também não foi o Marbury dessa vez, que continua cativo.

No post abaixo, falamos sobre a troca de Jamal Crawford por Al Harrington, mas já que queimei meu cosmo e atingi o Sétimo Sentido, escrevi na velocidade da luz e acabei tudo antes que uma nova troca fosse anunciada. Agora, a troca foi com o Clippers: Zach Randolph e o armador Mardy Collins em troca de Tim Thomas e Cutino Mobley. O que é, de longe, uma das trocas mais imbecis que eu já vi na vida. Agora sim uma troca que ajuda a trazer ao mundo alguns palavrões, já que eles andam em falta nesse planeta desde que a Dercy morreu.

Nós aqui do Bola Presa sempre estouramos nossa cota mensal de piadas com o Zach Randolph, mas é inegável que ele se deu melhor no esquema do técnico D’Antoni do que em qualquer outro esquema no restante da sua carreira. As médias de mais de 20 pontos e mais de 12 rebotes por partida mostram que a produção era alta, e seu estilo de jogo tinha tudo a ver com a nova fase do Knicks, puxando contra-ataques ele próprio, defendendo pouco e arremessando de longe (inclusive de 3 pontos). Muito se falava sobre as intenções de trocar nosso gordinho favorito antes da temporada começar, mas quando ele se deu bem na correria, os boatos calaram. Quando finalmente Randolph ganhou valor de fato e parecia se encaixar em algum lugar, foi trocado sem nenhum aviso aprévio. Será que alguém com 20 pontos e 10 rebotes de média na carreira foi tão indesejado quando o Zach Randolph na história da NBA?

Com a troca, David Lee volta a ser o titular. Ele começou a temporada com atuações monstruosas e mostrando porque as fofoqueiras de portão diziam que ele era, já há alguns anos, o melhor jogador do Knicks. Mas acontece que Zach e David Lee em quadra juntos é um time alto demais para o D’Antoni, que prefere jogar com apenas um homem de garrafão. Alguém tinha que ir para o banco e Lee era o mais acostumado com aquela área horizontal que deixa bundas quadradas. Agora, terá o espaço que merece como titular absoluto.

Zach Randolph estava tendo a melhor temporada da carreira, no entanto, e o que veio em troca são apenas jogadores em franca decadência. Dizem as más línguas que o Tim Thomas está em decadência desde que foi draftado na NBA, que seu sonho era ganhar uma graninha e depois disso sua missão estava terminada. Muita gente o aponta como o jogador que menos se esforça em quadra, sempre com aquela cara de “preferia ter ido ver o filme do Pelé”. Com seu físico, poderia enterrar na cabeça de todo mundo quando bem entendesse, mas prefere arremessos de 3 pontos e tem temporadas medíocres, menos em ano de assinar contrato. Já Cutino Mobley ainda tem um pouco de gasolina sobrando no tanque, volta e meia tem uns grandes jogos, mas em geral tem um arremesso inconstante. Até vejo ele tendo minutos importantes no final das partidas, quando um pouco de experiência e canja de galinha não fazem mal a ninguém. Os dois certamente terão minutos de quadra num esquema que privilegia as bolas de três pontos e o novato Danilo Gallinari ainda não está em condições físicas de ser uma opção consistente no perímetro. Ainda assim, serão apenas peças secundárias para compor o banco e terem contratos que terminam antes de 2010. Porque essa troca tem um codinome, na verdade: Projeto LeBron 2010.

O Blazers já sabe bem que se livrar do Randolph ajuda a ganhar umas partidas, mas não há motivos para trocá-lo tão cedo numa temporada em que ele parecia ter se encontrado, a não ser liberar muito teto salarial a tempo de tentar contratar LeBron James em 2010. Sinceramente, o projeto parece tão científico quanto o “Projeto Ipatinga na Libertadores 2010” ou o estádio do Corinthians em 2010. Já falei bastante aqui sobre como o LeBron deveria dar o fora do Cavs o mais rápido possível, mas agora as coisas são diferentes, seu time está no topo do Leste e parece assustadoramente completo e funcional. O Knicks vai precisar de muita sorte para agarrar um jogador que será cobiçado por trocentos times e que, provavelmente, sequer abandonará o time que o draftou.

Mas a lógica do Knicks, por mais deturpada que seja, ainda é uma lógica. O Clippers não tem lógica nenhuma, a não ser tentar montar o elenco mais esquisito que o mundo já viu. O projeto de unir os jogadores mais incompatíveis uns com os outros numa mistura sem sentido ou critério parecia impecável até agora, resultando numa mistura só comparável com Supla e Alexandre Frota dividindo um quarto no finado Casa dos Artistas, do SBT. Mas agora esse projeto alcançou novos patamares nunca antes imaginados.

O técnico Dunleavy quer um estilo lento de jogo, o armador Baron Davis quer correr. Ricky Davis é famoso por tornar todos os seus times piores com sua mistura de individualismo e arremessos forçados. Al Thornton é um segundo anista tacado no meio de vovôs. Chris Kaman e Marcus Camby são dois pivôs e um deles é obrigado a jogar fora de posição. Isso não parece um time, parece simplesmente uma lista de ganhadores da Tela Sena, não dá pra imaginar que alguém pensou e montou esse elenco – a não ser através de um sorteio. Agora, acrescentemos Zach Randolph a esse caldeirão. Trata-se de mais um jogador famoso por não passar a bola e piorar todos os times dos quais participa. Sua simples presença obriga que ou ele, ou Camby ou Kaman se desloquem imediatamente para o banco de reservas, coisa que nenhum deles deve aceitar de bom grado. Por sorte (?!) o time é completamente amaldiçoado e Marcus Camby deve se contundir em breve, facilitando a escolha da escalação.

O Clippers parece um projeto de ciências ambicioso de uma criança de quarta série, são seis espécimes diferentes tentando se entender em cima de um cemitério indígena. Meu conselho para eles? Contratar o Palhaço Festinha, cobrir o ginásio com uma lona e montar um circo. No basquete, não vai rolar.

As coisas para o Knicks são mais promissoras, claro, mas se livrar de seu melhor jogador ainda no começo da temporada não parece ser das coisas mais inteligentes a se fazer. Quando surgia qualquer sinal de ritmo, o time se transforma por completo e o D’Antoni tem que começar de novo, sempre mantendo no cativeiro tanto o Marbury quanto o Eddy Curry, que aliás só está preso no cativeiro porque ficou muito gordo lá dentro e não passa mais pela porta.

Se puder existir uma troca que seja ruim para os dois lados, tem que ser essa troca. Pra mim, ninguém sai ganhando. E se o LeBron for para o Knicks de verdade em 2010, esqueçam o que eu disse, esse post nunca aconteceu e o Knicks é o favorito para os próximos quarenta títulos da NBA.

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