>O melhor é ficar parado

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Ron Artest, modelo e atriz

Fiz dois posts falando sobre o que aconteceu um mês depois daquela fase cheia de trocas na NBA. Mas a grande mudança aconteceu mesmo com o time que, graças a Deus (leia-se Alinne Moraes), não fez troca nenhuma. Desde o All-Star Game o Los Angeles Lakers só perdeu um jogo, para o Miami Heat, e venceu os outros 15. Nesse período o time melhorou em todas suas estatísticas: defensivas, ofensivas, rebotes, assistências, tamanho do pênis, level do Farmville, qualquer coisa que possa ser medida.

Aqui a gente não tem lá um histórico muito bom com palpites. Somos bons analisando o que já aconteceu, tentamos ser profundos e sérios na hora de achar a causa das coisas, mas não temos o mesmo talento com futurologia. Por isso mesmo a gente tem que se gabar quando algo finalmente dá certo: Eu tinha dito que o Lakers tinha um elenco certinho, que poderia render muito e que não era hora de fazer mudanças drásticas. O tempo passou e tudo foi voltando ao normal, o time desinteressado e previsível do começo da temporada começou a se motivar e a duas semanas do fim da temporada regular estão a apenas um jogo e meio atrás do San Antonio Spurs (que perdeu 6 seguidas pela primeira vez desde 1997!) pela primeira posição no Oeste. Alguns fatos explicam bem o desinteresse do Lakers no começo do ano: um deles é a série de entrevistas de vários membros de times campeões dizendo que é realmente difícil encontrar motivação para um joguinho sem graça no meio de dezembro sabendo que o que fica para a história é o que acontece a partir de abril. O outro é do Ron Artest, que disse que era muito chato jogar umas partidas contra times fracos que eles sabiam que iam vencer a qualquer hora. Típico do Artest dizer coisas polêmicas e verdadeiras que a maioria dos jogadores compartilha nas idéias mas não na imprensa.

Na NBA a parada do All-Star Game é bem simbólica. Não é exatamente no meio da temporada, é um pouquinho depois, mas para os jogadores e times é o sinal da segunda metade do ano, o momento de dar aquela embalada rumo aos playoffs. Porém, será que essa arrancada continua na pós-temporada? Não é lá que ouvimos todo ano o clichezão de que nos playoffs tudo é diferente? Bom, a NBA.com fez uma rápida pesquisa nos dois últimos anos e achou uma resposta bem aceitável. No ano retrasado a maioria dos times que teve melhor campanha depois da parada do All-Star venceu as suas séries de playoff, mesmo os times que no geral tinham menos vitórias na temporada. No ano passado o número não foi tão significativo, mas as vitórias foram dos times mais experientes: Celtics, Lakers e Spurs. O Boston do ano passado, aliás, é a maior prova da armadilha que é acreditar cegamente no que essa parte da temporada pode indicar. No final da temporada passada eles estavam se arrastando pela quadra, perdendo jogos idiotas em casa e conseguiram ficar atrás do Atlanta Hawks na classificação geral. Em quarto, eram a grande aposta de todo mundo como derrotado para o Miami Heat, quinto, na primeira rodada. O Heat tinha a melhor defesa da segunda metade do campeonato e tinha subido de nono para quinto no Leste nesse período de menos de dois meses. Como vocês bem lembram, em junho era o Celtics, não o Heat, disputando a final da NBA.

A conclusão deles é que times que tem jogadores mais rodados e/ou que jogam juntos há muito tempo tem mais essa capacidade de apertar um botão e começar a jogar com todas suas forças. Times em formação ou mais jovens simplesmente dão o máximo que podem e às vezes podem mais, às vezes menos. Seguindo essa linha de pensamento dá pra pensar que essa queda de produção do Spurs não é motivo para começar a apostar em uma derrota na primeira rodada ou que o Celtics está fadado ao fracasso pós-Perkins (ou pós-Kendrick Abdul-OlajuEwing, como o chamam aqueles que acham que se está dando muita bola para o pivô).

Podemos perceber também que o Lakers, por precaução, exigência do Phil Jackson ou qualquer que seja a inspiração, apertou o botão nessa mudança simbólica do calendário da liga. Passou o All-Star Break, enrolamos muito bem até aqui e é hora de jogar pra valer. Nesse período o Derek Fisher jogou mesmo sentindo contusões, o Kobe Bryant também (embora ele faça isso há uns 5 anos, no mínimo), o Artest começou a se envolver mais nas partidas, o Gasol voltou a render como no começo da temporada e o Andrew Bynum está jogando o melhor basquete da sua vida. Não dá pra achar um jogador que não tenha elevado o nível do seu jogo, parece mágica.

O Artest é o exemplo mais óbvio. Cansei de ver jogos nessa temporada onde a maior contribuição dele era ficar na zona morta esperando a bola para dar um air ball daqueles de pelada. Agora ele corre atrás do cara que deve defender, rouba muitas bolas e no ataque resolveu atacar a cesta. É engraçado demais ver como ele é desengonçado correndo, mas é rápido e de uns tempos pra cá resolveu que está jovem de novo e pode falar gírias iradas (uh tererê!) e enterrar. No jogo contra o Clippers acertou uma à la Shannon Brown na cabeça do Chris Kaman (saiu dando pulinhos depois) e aí se empolgou a ponto de tentar mais duas e errar bisonhamente ambas. Ele faz bobagens, isso está no pacote Artest (e não estou falando de bobagens de comportamento!), mas quando está interessado joga demais. Os números podem dizer que o Tony Allen é o melhor ladrão de bolas dessa temporada, mas ver o Artest em ação é uma coisa de doido, ainda me pergunto como ele pode tocar a bola tantas vezes e incomodar tanto sem fazer falta. Tem mãos fortes e um tempo de bola preciso, dentre esses defensores mais físicos e agressivos é o mais eficiente que eu já vi.

Aqui o vídeo com um resumão do jogo contra o Clippers. Vale ver tudo, tem umas enterradas mais ou menos do Blake Griffin, aquele overrated, as três que eu citei do Artest e mais uma do Shannon Brown que é de ficar tentando na cestinha do quintal depois.

O Andrew Bynum também aparece no vídeo fazendo o que sabe, ser enorme. O Yao Ming pode ser 10 centímetros mais alto, mas não parece tão grande quanto o Bynum. Ele é alto, forte, largo e tem braços de Tayshaun Prince. O time funciona bem com Odom e Gasol no garrafão, mas a defesa fica muito mais forte com Bynum impedindo cestas lá perto. Ele é o grande responsável por uma estatística bem impressionante divulgada pela NBA essa semana. O Lakers é o time que causa o segundo pior aproveitamento dos jogadores de garrafão adversários se contarmos apenas os alas de força e pivôs mais bem ranqueados ofensivamente na NBA. Contra LaMarcus Aldridge, Chris Bosh, Carlos Boozer, Tim Duncan, Blake Griffin, Dwight Howard, Al Jefferson, Brook Lopez, Kevin Love, Zach Randolph, Amare Stoudemire e David West, o Lakers permite que eles acertem apenas 44% de seus arremessos, só o Magic de Dwight Howard é melhor.

Também é bom lembrar que do jeito que ele domina o Tyson Chandler sempre que pega o Dallas Mavericks, e como a maioria dos outros concorrentes ao título não aposta em pivôs fortes, ele pode ser o grande trunfo do Lakers na pós-temporada. Talvez Kendrick Abdul atrapalhe os planos, mas só ele. O Bynum nem precisa marcar 25 pontos para causar impacto no jogo, o negócio dele é ser a bola de confiança no começo do jogo, manter o Lakers na frente, ser a referência quando os reservas entram para jogar, impedir cestas bobas na defesa e sempre deixar os pivôs preocupados e sem ir ajudar na defesa quando Odom, Gasol e Kobe estão fazendo seu trabalho ofensivo.

Embora não sejam sempre perfeitos, Gasol e Kobe levaram o time nas costas com regularidade em boa parte dos jogos e continuam jogando bem. Surpreendentemente Lamar Odom foi regular também nessa temporada, ele que sempre foi o mais de lua do elenco, mas agora estão todos esses jogando bem e mais os dois que citei. É sempre raro e especial quando todos os jogadores de um bom time estão em um momento bom técnica e fisicamente. O Lakers é o melhor time dessa segunda metade da temporada, melhor que o Nuggets até, embora isso seja tarefa para poucos atualmente; se mantiver o ritmo, entra nos playoffs com a etiqueta de grande favorito, posição que tinha antes da temporada começar e que perdeu aos poucos naquela fase em que uma renca de gente implorou para que mandassem Bynum por Carmelo Anthony. Acho que essa boa fase é um sinal que mesmo se algo impedir um título, não havia motivo forte o bastante para motivar um desmanche.

E não dá pra deixar isso de fora de um post do Lakers:

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