🔒O que acontece com Andrew Wiggins?

A rodada desta última sexta-feira (29) foi um teste de fogo para algumas torcidas impacientes na NBA. Primeiro tivemos Dennis Smith Jr. sequer conseguindo arremessar a tempo na última posse de bola do Dallas Mavericks contra o New Orleans Pelicans; depois Andrew Wiggins errou arremessos sem marcação e lances-livres que custaram uma vergonhosa partida do Minnesota Timberwolves contra o Atlanta Hawks e, por fim, mais uma vez Brandon Ingram levou torcedores do LA Lakers à loucura com seu jogo lento, arremessos de baixo aproveitamento e turnovers inexplicáveis.

Esses jogadores têm algumas coisas em comum: (1) todos eles são muito talentosos e já mostraram isso diversas vezes na carreira; (2) ainda são jovens, Wiggins está em seu 5º ano na NBA, Ingram no 3º e Smith Jr. no 2º e (3) fazem parte de times que já estão com alguma ambição além do bom e velho tanking.

A combinação é perigosa. O talento nato e já provado desses caras faz com que nossas expectativas sobre eles sejam altas, os times também querem mais porque já ambicionam vagas nos Playoffs, mas a pouca idade faz com que todas as críticas e reclamações venham com aquela dúvida sobre quais defeitos são reais e quais devem simplesmente se resolver ao longo do tempo.

Desses casos, o mais interessante é o de Andrew Wiggins. O ala do Wolves já está na sua quinta temporada na NBA, já tem um contrato gigantesco e, ao contrário dos outros, está em uma espiral negativa após um começo de carreira muito animador. Apesar da experiência na liga, Wiggins ainda tem míseros 23 anos de idade. Ele é, por exemplo, apenas um ano mais velho que Mikal Bridges, NOVATO do Phoenix Suns. É uma criança experiente.

Wiggins começou bem na NBA, foi novato do ano em 2014-15, melhorou no aproveitamento dos arremessos ao longo das primeiras temporadas e teve média de 23 pontos por jogo logo em seu terceiro ano na liga. Ele é um dos 25 jogadores na HISTÓRIA a ter média de 23 ou mais pontos numa temporada aos 21 anos de idade, entrando num clubinho de LeBron James, Kobe Bryant, Shaquille O’Neal, Michael Jordan e afins. As conversas que tínhamos sobre ele há duas temporadas não eram sobre se ele daria certo ou não, mas o qual seria o seu nível de estrelato. Se desenvolvesse uma visão de jogo, seria uma estrela ofensiva completa, se o arremesso de 3 pontos continuasse melhorando ano a ano, seria imparável.

Hoje, se você jogar o nome de Wiggins na internet, provavelmente a primeira discussão que você achar vai ser: “Wiggins tem O PIOR CONTRATO da liga?”. Nesta temporada começou a valer a extensão que ele assinou com o Wolves, são CINCO ANOS de acordo, começando com salário de 25 milhões de dólares na primeira temporada e chegando a 33 milhões em 2022-23. Como um cara ganha esse contrato e imediatamente faz todo mundo se arrepender?

Embora os arremessos de 3 pontos não sejam a praia de Wiggins, ele parece ser capaz de se manter na média da NBA de 35%. É o bastante para ao menos punir os rivais que o deixarem completamente livre, mas não brilha. Ele não é regular e em alguns dias o arremesso o abandona, mas não é seu grande defeito. Pior é mesmo é TODO O RESTO: seu aproveitamento nos arremessos gerais caiu para 40% e se há três anos ele batia 7 lances-livres por jogo, agora cobra apenas 3,9, a sua pior marca na carreira. Seu gráfico de arremessos mostra como ele está se acomodando cada vez mais nos chutes de média distância e errando a maior parte das suas tentativas:

shotchart

Nos três primeiros anos da sua carreira, 40% dos arremessos de Wiggins eram bandejas ou enterradas. Com a chegada de Jimmy Butler no ano passado, o número caiu para 29%, e nesse ano está em 31% e estável mesmo com a saída do ala que parecia ter roubado suas funções ofensivas. A queda foi além da quantidade e foi para a qualidade: o APROVEITAMENTO de Wiggins nas suas infiltrações caiu de 67% para 60%. Pode parecer pouco, mas é o bastante para fazê-lo despencar de números próximos aos líderes da NBA para simplesmente abaixo da média geral da liga.

Esse arremesso de ontem é uma cena comum na vida de tentar assistir Wiggins:

Sabe como Gregg Popovich fala para seus jogadores nunca pararem com a bola na mão? O técnico do San Antonio Spurs prega que quando você recebe a laranja, deve imediatamente atacar a cesta, passar a bola ou arremessar. Parar é tudo o que a defesa precisa para impedir que qualquer uma dessas três coisas sejam feitas de maneira adequada. Wiggins, tal como o já citado Brandon Ingram, é mestre em demorar valiosos segundos para começar qualquer ação. Ele empaca o ataque e cada vez mais tem decidido por esses arremessos de muito longe, com o pé na linha, que tem aproveitamento baixíssimo e só valem dois pontos.

Também não ajuda a personalidade de Wiggins. Ele é quieto, tranquilo e nada nele passa qualquer indício de liderança ou agressividade. Dizem, inclusive, que era uma das coisas que tirava Jimmy Butler do sério. A passividade de Wiggins chega a um ponto onde ele é engolido por jogadores que chamam mais o jogo do que ele. A média de arremessos tentados por jogo dele tem muito a ver com as chegadas de Butler e, depois, de Derrick Rose e até de Robert Covington. Em um esquema tático que é pouco disciplinado ofensivamente, Wiggins muitas vezes some quando outros caras decidem que vão ser heróis.

Nessa derrota para o Atlanta Hawks, Wiggins errou lances-livres decisivos e um deles que até rendeu uma imagem para ser usada em memes e mais memes ao longo dos próximos anos:

Pelos erros que poderiam ter empatado ou até virado o jogo, Wiggins foi VAIADO pela torcida de Minneapolis. E aí, pela primeira vez em milênios, resolveu falar mais do que o ultra básico numa entrevista pós-jogo, dizendo que o time “tem alguns torcedores de merda e alguns bons”:

Ele não está necessariamente errado. Todo time tem torcida chata, que pega no pé sem motivo e até que vaia mesmo quem não merece. Mas é muita falta de tato jogar essa declaração assim no ar justo quando ele dá todos os motivos para ser criticado. Sem contar que a maioria da torcida vai se sentir atacada, mesmo aqueles que ele não considera “de merda”. E considerando seu contrato, Wiggins não será trocado tão cedo e deverá lidar com essa torcida por muitos anos. Será que ele pelo menos está mostrando algum FOGO? Pior que não. Ele disse tudo isso com sorriso no rosto e a calma de sempre.

“Não estou frustrado. Não fico nervoso com essas coisas. O próximo jogo já vai ser em alguns dias. Só preciso treinar um pouco meus arremessos, bater meus lances-livres e tudo volta ao normal. Estou arremessando bem neste ano, vai ficar tudo bem”.

Ele é tão tranquilo que não estoura nem quando parece que poderia e DEVERIA estourar. Em uma liga onde torcedores vibram quando jogadores se jogam no chão mesmo quando teriam mais chance de recuperar a bola de pé, é um problema na relação com os fãs. A torcida quer ver BRILHO nos olhos de Wiggins e ele segue tranquilo, seja ganhando, seja perdendo, seja sendo xingado por Butler ou vaiado em casa. É uma tranquilidade que vai salvar sua carreira dessa crise ou o condenar ao eterno segundo plano.

Mas embora nada de bom parece estar acontecendo com ele nas últimas duas temporadas, não sei se é hora de simplesmente abandonarmos o barco. Sou pessimista, confesso, mas temos que admitir que é cedo para cravar qualquer coisa. Há exemplos na temporada passada e nesta para sonhar. O primeiro é Victor Oladipo, que sofreu num péssimo Orlando Magic e depois ficou escondidinho na sombra do megalomaníaco e então magoado Russell Westbrook no OKC Thunder. Só no seu QUINTO ano de NBA que ele foi finalmente render tudo o que se esperava. Precisou de baques na carreira, de uma nova rotina de treinos e de encontrar um time, o Indiana Pacers, que soube tirar o seu melhor. Podemos dizer com alguma tranquilidade que o Minnesota Timberwolves e o técnico Tom Thibodeau estão longe de serem exemplo de tirar o melhor de alguém nos últimos anos.

O exemplo desta temporada é Justise Winslow, ala do Miami Heat. Só agora, no miolo da sua quarta temporada que ele começa a mostrar com mais regularidade a razão pela qual foi tão cobiçado pelo Boston Celtics na época do Draft 2015 e por que o Miami Heat recusou ofertas suculentas para poder selecioná-lo. Com buracos ofensivos no seu jogo, Winslow migrou por inúmeras posições e se machucou justo quando o técnico Erik Spoelstra estava disposto a dar mais responsabilidade a ele. Quando voltou, suas funções tinham sido engolidas por James Johnson, Josh Richardson e um time entrosado e sem espaço para intrusos.

Só agora que finalmente Winslow está mais consistente nas bolas de 3 pontos e voltou a ser alçado a criador de jogadas no ataque do Heat, comandando pick-and-rolls com uma tranquilidade de quem sabe o que está fazendo:

A principal mudança para Winslow foi a da confiança. Desde os Playoffs do ano passado, quando bateu de frente com Ben Simmons, parece mais confortável num papel de protagonista. Ele conta com o apoio de Dwyane Wade para “receber o bastão de líder” e ganhar de volta de Spoelstra as responsabilidades de ataque fez bem ao garoto. Agora, mais do que nunca na sua carreira, também parece que Winslow sabe o que ele mesmo e os outros esperam dele em quadra.

Com Wiggins essa história do papel em quadra ainda parece pouco definida: ele definhou no esquecimento quando Butler chegou, sem saber agir sendo a terceira opção. Agora, com a saída do ex-companheiro, segue de escanteio com o protagonismo roubado por Rose. Acredito que para Wiggins voltar a jogar no nível de duas temporadas atrás e talvez até evoluir ainda mais seu jogo, ele precise de um guia. Alguém que não seja um touro nervoso como Tom Thibodeau, que saiba conversar na linguagem do jogador e desenhar um ataque onde ele seja mais bem usado e onde saiba o que deve fazer.

No começo da semana Wiggins fez 30 pontos em uma vitória fora de casa contra o forte OKC Thunder. Foi o seu melhor jogo na temporada (seguido por dois dos piores, é verdade) e onde ele decidiu a parada com essa infiltração precisa e forte. O que o impede de fazer isso inúmeras vezes por jogo?

Ele não tem feito nada nos últimos tempos para merecer nossa confiança, mas o Wolves já assinou seu contrato e só resta a eles buscar todas as alternativas para tirar o melhor de um jogador tão caro. Será que vai?

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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