🔒Para entender o fenômeno Isaiah Thomas

No Jogo 2 da série entre Boston Celtics e Washington Wizards, o armador Isaiah Thomas salvou seu time com incríveis 53 pontos, sendo 29 deles no quarto período e na prorrogação. O número fica mais assustador quando lembramos o quanto é difícil marcar tantos pontos em disputados jogos de Playoffs: esta foi a maior pontuação de um jogador na pós-temporada desde os 55 pontos de Allen Iverson contra o New Orleans Hornets em 2003.

O quanto é legal que as duas maiores pontuações dos últimos 15 anos na pós-temporada são de dois dos MAIS BAIXOS jogadores da liga? Nada de Kobe Bryant ou LeBron James na parada, mas nanicos quebrando recordes de pontuação. Embora bem legal, o feito de Isaiah Thomas também vem acompanhado de uma pergunta relevante: como diabos ele consegue isso? Além do talento bruto, existe muita tática para colocar Thomas em situação para fazer tantas cestas e é isso que veremos aqui ao analisar o que o técnico Brad Stevens tem usado na série contra o Washington Wizards.


Quando o tamanho é vantagem

Se tem uma situação onde o tamanho de Isaiah Thomas vira vantagem, é quando ele é defendido por alas ou pivôs que são obscenamente mais altos que ele. Com 1,75m de altura, o armador é rápido demais e bate a bola a pouquíssimos centímetros do chão, se tornando um pesadelo para que torres de mais de 2,05m tentem ficar na sua frente. Bastam alguns passos de dança para que Thomas consiga o que quer, seja uma infiltração ou um arremesso.

No vídeo abaixo temos 3 jogadas:

-Na primeira o Wizards aceita fácil a troca de marcação após o corta-luz e vê Isaiah torturar o alto Otto Porter com uma rápida infiltração e uma bela (e forte!) proteção para a bandeja.

-Para continuar obrigando o Wizards a colocar caras altos sobre Thomas, o Celtics faz um corta-luz duplo que deixa um assustado Markieff Morris com a ingrata missão. Toma o drible, o arremesso e a encarada.

-Por fim, Isaiah solta a bola apenas para receber de novo, em posição de ataque, e se aproveita do péssimo posicionamento de Morris para infiltrar de novo.

Existem muitos baixinhos bons no mundo do basquete que não chegam na NBA, por que não fazem a mesma coisa que ele? Bom, não são todos que tem esse nível de excelência tanto na infiltração como no arremesso, então a indecisão não fica tão cruel como essa que vimos nos olhos de Morris. Thomas é exímio arremessador e, acostumado a ser o anão da turma desde sempre, já está acostumado a fazer bandejas e floaters altos e acrobáticos, nada aí é improviso. Outra, quantos caras de perna curta são capazes de um step back assim?

Um exemplo da velocidade de Thomas para fazer tudo isso veio no último lance do Jogo 2: irritado, Kelly Oubre tentou marcar o rival de perto, na base do sufoco. Isaiah até abriu mão da bola, mas só para bater o ala do Wizards na corrida pelo backdoor, receber o passe e matar o jogo:

Mais dois lances mostram o arsenal de Isaiah: um floater quando a defesa recua (tipo a defesa que o San Antonio Spurs tem usado contra James Harden); e um arremesso de 3 pontos quando o pivô não vai o confrontar imediatamente após o corta-luz:


Tira a bola da mão desse menino!

A resposta padrão de muitos times para evitar esse domínio de Isaiah Thomas é dobrar a marcação sobre ele. Quando ele pede os corta-luzes como nos das jogadas acima, os dois adversários envolvidos (o que o marca, e o que marca o cara que fez o corta-luz) pulam para abafá-lo. Alguém fica livre no processo? Claro, mas pelo menos esse cara não é o que faz 53 pontos. O Wizards fez essa aposta a partir do Jogo 3 e com isso viu um crescimento no protagonismo de Al Horford, que é o receptor de vários desses passes:

O Wizards logo percebeu isso e passou a correr para impedir o arremesso, mas ainda assim alguém fica livre após a dobra e o Celtics só precisa acertar os passes para chegar a esses caras. É o eterno perigo de dobrar a marcação sobre um jogador espetacular:

Mas não pense que o Wizards não tirou proveito disso para forçar uns turnovers também…


Correndo por aí

Outra maneira de evitar as dobras de marcação sobre Isaiah Thomas é simplesmente tirar a bola de sua mão. Pode não parecer uma boa ideia a princípio, já que ele é tão bom no drible, mas é bom ter variedade. Envolve os outros jogadores, confunde a defesa e dá mais uma chance de Isaiah usar sua velocidade para, ao correr pela quadra, deixar seu marcador para trás.

Uma dessas jogadas tem sido usada a exaustão pelo Celtics, às vezes em posses de bola seguidas, e pode render arremessos de 3 pontos para Thomas, bandejas para Jae Crowder ou até uma infiltração para o armador. Vejam só:

Mas a melhor jogada é um handoff onde Isaiah Thomas sai da corrida, pega a bola da mão do companheiro e imediatamente arremessa ou ataca. Esse lance foi explorado pelo The Ringer numa publicação recente, que fez um interessante compilado desse lance ao longo da temporada:

Mas o mais bizarro é ver a quantidade RIDÍCULA de vezes em que o armador sofreu faltas tentando esse lance! Os marcadores tentam manter contato com ele quando o armador passa pelo bloqueio e ele utiliza essa proximidade para pegar o adversário de surpresa, cavar o contato e tentar o chute:

E se Isaiah Thomas não se sentir confortável para arremessar, a jogada vira facilmente um pick-and-roll. É só confiar em sua leitura de jogo:


Nem tudo é perfeito

Tudo bem que Isaiah Thomas é um fenômeno basquetebolístico, mas nem tudo é perfeito no armador do Boston Celtics. Seu tamanho pequenino é constantemente explorado pelos adversários, que às vezes até exageram forçando jogadas que nem sempre estão em seus playbooks só para tirar proveito da situação.

Nos lances abaixo vemos Bradley Beal e Bojan Bogdanovic jogando de costas para a cesta, usando a altura para ganhar espaço e arremessar sobre Thomas. E também vemos o mesmo Beal recebendo uma ponte aérea fácil lançada por cima do pequeno armador, um lance que não daria certo contra outros marcadores:


A história de Isaiah Thomas é única: um cara de 1,75m e ÚLTIMA escolha do Draft pelo Sacramento Kings, um time PÉSSIMO e desesperado por talento, mas que não acredita que Thomas, pelo seu tamanho, possa ser titular na NBA.

Ele foge de lá, mas só para cair no também péssimo Phoenix Suns, que fazia um bizarro experimento com trocentos armadores no seu elenco ao mesmo tempo. No meio de uma temporada confusa e cheia de brigas pela posição, o Celtics o rouba por um preço módico e em menos de duas temporadas ele se torna o rosto e a alma da franquia mais tradicional da NBA! Hoje ele lidera o líder do Leste nos Playoffs! Seu tamanho causa uns problemas na defesa? Sem dúvida, mas ele costuma dar uma bela compensada no ataque, e seu técnico sabe muito bem como o colocar em posição de atingir o seu melhor. Com ou sem a bola, em arremessos, bandejas ou floaters, ele vai pontuar.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

Como funcionam as assinaturas do Bola Presa?

Como são os planos?

São dois tipos de planos MENSAIS para você assinar o Bola Presa:

R$ 14

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo: Textos, Filtro Bola Presa, Podcast BTPH, Podcast Especial, Podcast Clube do Livro e texto do FilmRoom.

R$ 20

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo + Grupo no Facebook + Pelada mensal em SP + Sorteios e Bolões + Vídeo ao vivo para discutir Clube do Livro e FilmRoom.

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo: Textos, Filtro Bola Presa, Podcast BTPH, Podcast Especial, Podcast Clube do Livro e texto do FilmRoom.

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo + Grupo no Facebook + Pelada mensal em SP + Sorteios e Bolões + Vídeo ao vivo para discutir Clube do Livro e FilmRoom.

Como funciona o pagamento?

As assinaturas podem ser feitas pelo Aplicativo PicPay. Baixe, cadastre-se, busque o Bola Presa e escolha seu plano de assinaturas. Você pode pagar com cartão de crédito ou carregar sua Carteira PicPay com boleto ou depósito bancário. Depois de assinar, escreva para bolapresa@gmail.com para mais detalhes de como ter acesso ao conteúdo exclusivo.

DÚVIDAS SOBRE AS ASSINATURAS? Nos escreva: bolapresa@gmail.com

Assine já!