>Pisou na merda, abre os dedos

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Jamison deixava jogadores do Cavs sangrando no
chão, agora tem que ser miguxo do LeBron

Primeiro o Arenas foi suspenso pela piadinha com armas de fogo. Depois, Caron Butler (junto com o Haywood) foi trocado para o Mavs e agora, para finalizar, Antawn Jamison foi trocado para o Cavs. Não sobrou nenhum dos três ex-jogadores de All-Star para contar história num time que, ao menos no papel, era colocado por todo mundo como um dos favoritos para brigar pelo título do Leste. Enquanto quase todos os times da NBA ficariam batendo a cabeça na parede, insistindo num erro por medo de se queimar com os torcedores, o Wizards resolveu desmontar a equipe inteira assim que percebeu que o trio não iria adiantar para levar o time ao topo. Uma decisão segura seria dizer que, novamente, o trio não passou tempo o bastante jogando junto, colocar a culpa na mudança de técnico, esperar Arenas voltar temporada que vem e tentar de novo, de novo e de novo. Mas o Wizards não quis ser novamente um time mediano, compreendeu as limitações que os três All-Star juntos enfrentavam em quadra, e teve a coragem de começar de novo. Essa coragem falta para muitos times que acabam ficando para sempre naquele limbo do meio da tabela, lutando pelos playoffs ou conseguindo as últimas vagas, sem nunca ter chance de vencer de verdade. O único modo de transformar essa situação é reconstruir o time, feder por uns tempos, conseguir escolhas de draft, dar minutos para os pirralhos. Mas como explicar para o torcedor apaixonado que o time bom pra burro, mas não bom o bastante, vai ser jogado no lixo e o time vai feder por uns anos? Como explicar caso uma equipe que já chegou a competir por títulos comece a namorar com a pior campanha de todos os tempos? O Nets poderia muito bem ter mantido vários de seus jogadores e ficado no mais-ou-menos pra não passar vergonha, mas essa campanha horrorosa uma hora vai dar frutos.

O Pistons teve esse medo de feder para os torcedores, o Joe Dumars quis concertar tudo muito rápido para que não houvesse um período de reconstrução, e o resultado foi um time que não consegue se livrar de Richard Hamilton, contratou lixos como Ben Gordon e Villanueva, e não tem identidade. Pra quê tanto medo de feder? O passo do Wizards rumo à lama é a coisa mais inteligente e corajosa que a equipe poderia ter feito. Eles já estavam na merda mesmo, o melhor é abrir os dedos, garantir uma boa escolha de draft, construir um time inteiro do nada de acordo com as preferências do novo técnico (ao invés de ter que fazer o técnico suar para colocar um padrão numa equipe aleatória já montada) e dar minutos para a pirralhada jogar.
Como o Wizards não tem dado certo nos últimos anos, o time arrumou um bom número de fedelhos com potencial. O Arenas dizia que o Nick Young lembrava o Kobe quando entrou na NBA e seria uma estrela, Andray Blatche é um ala cheio de potencial que domina ligas de verão e há anos todo mundo espera ver ele estourar, e JaVale McGee é um pivô enorme, magrelo e completamente cru com capacidade para dominar na defesa. Nenhum deles tinha muitas oportunidades de jogo estando atrás de Butler, Jamison e Haywood, respectivamente, e apesar dos três terem se saído bem nas constantes contusões da equipe, nunca tiveram minutos suficientes para conseguir alguma consistência. Agora isso mudou: Blatche e McGee formam o garrafão titular da equipe, enquanto Nick Young ganha sua chance ao lado do Josh Howard, que chegou na troca do Butler desacreditado por não ter se tornado aquilo que se esperava dele – embora o potencial ainda esteja lá. Mesma coisa com o Al Thornton, que parecia um dos jogadores mais promissores do Clippers até que a comissão técnica foi ficando mais e mais descontente com seu jogo e ele foi mofar no banco.
São todos jogadores com potencial, terrivelmente inconstantes, tendo a oportunidade de suas vidas. Precisam mostrar que têm valor, precisam mostrar que conseguem aprender jogo após jogo, e que rendem quando recebem minutos. Enquanto eles se desenvolvem, a temporada vai pro saco e o próximo draft rende algum outro jogador de potencial para ajudar a equipe. Quando o técnico tiver decidido quem tem chances de permanecer na equipe e decidir por uma cara para o time, basta ir atrás de talentos veteranos, com a grana economizada, que se encaixem na nova formação tática. Sem pressa, com coragem de botar os fedelhos no fogo e dinheiro para gastar apenas quando o time já tiver alguma identidade, o processo de reconstrução do Wizards vai acabar sendo rápido e indolor. Prova disso é ver todos os jogadores cheirando a fralda do time jogando como se suas vidas dependessem disso, se atirando em todas as bolas, bebendo sangue nos intervalos de jogo. Foram duas vítórias nas últimas duas partidas, com atuações impressionantes de Blatche (33 pontos e 13 rebotes contra o Wolves, 18 pontos e 11 rebotes contra o Nuggets) e de McGee (14 pontos, 11 rebotes, 5 tocos contra o Wolves, 9 pontos, 7 rebotes e 3 tocos contra o Nuggets). Enquanto Butler e Jamison, estrelas consagradas, jogavam com aquela tristeza de quem perdeu a temporada e não tem motivo para se esforçar, o sangue jovem do Wizards joga pelo seu futuro e engoliu o Nuggets ontem na raça, mesmo quase tacando o jogo fora no final.
Para o Jamison, por mais que ele se dissesse feliz com o Wizards, com os companheiros, a cidade e os dirigentes, a temporada já não valia mais nada. Era só uma perda de tempo até que o Arenas voltasse temporada que vem, uma torcida para que o resto do time não desmontasse com contusões. No Cavs, agora ele volta a jogar como se pudesse ganhar um campeonato, como se seus resultados realmente importassem. O problema é que ele está tentando mostrar serviço num time que aprendeu, nos últimos anos, a odiá-lo loucamente.
A NBA anda meio morna com rivalidades ultimamente (a mais recente é Hawks e Celtics), e as brigas nas partidas entre Wizards e Cavs eram a coisa mais animada que existia nesse sentido nos últimos anos. É uma rivalidade meio fajuta porque o Cavs sempre ganha, mas o Wizards joga sério, dá porrada, xinga, enlouquece, e depois perde. Dizem que a rivalidade foi o principal motivo do Wizards ter tentado evitar a troca, e agora é o Jamison quem está sentido o peso dela. Não é como se ele fosse chegar em Cleveland e de reBoldpente ser amiguinho de todo mundo, como se não tivessem se odiado tanto há anos. Mo Williams, Shaq e LeBron ignoraram Jamison várias vezes quando ele estava sozinho para o arremesso, o Jamison foi ajudar o LeBron a se levantar e a estrela do Cavs fingiu que não notou, e o Delonte West deu a maior fria no Jamison depois de lhe mandar um passe horrível, impossível de pegar. O clima não é dos melhores, é bem óbvio que todo mundo na equipe ainda se lembra das tretas com o Wizards, o LeBron estava torcendo para conseguir o Amar’e, e o Jamison arremessar 12 bolas para tentar ser querido (e errar todas elas) não ajudou muita coisa. Pior ainda foi o Cavs ter saído de quadra com a derrota e o Jamison ter falhado tão miseravelmente na defesa em momentos importantes do jogo.
Vai levar um tempo para o Cavs se acostumar com o Jamison, perceber que ele é valioso para a equipe e, principalmente, que ele foi uma escolha melhor do que o Amar’e seria. Talvez surjam muitas derrotas até o Jamison se encaixar bem no estilo de jogo do Cavs, aprender a defender em conjunto, ser mais discreto em quadra, mas eventualmente vai dar muito certo e o LeBron vai ter percebido que os engravatados do time não poupam dinheiro para ficar acima do teto salarial e conseguir quem for para melhorar suas chances de título. Será que ofereceriam tanta grana para ser paga em multas em qualquer outro time da NBA, tipo o Knicks, que anda recheado de dívidas?

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