>Preview da temporada – Divisão Central

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Se olhar muito, o Rasheed Wallace toma falta técnica em casa

Estamos de volta com mais um preview da próxima temporada, apresentando agora os times da Divisão Central. Entregamos de bandeja todos os motivos para assistir e não assistir a cada um dos times, para você não ter que pensar e conseguir escolher com mais facilidade quem vai acompanhar. Afinal, hoje em dia dá pra ver qualquer partida que você quiser, basta dizer as palavras mágicas – e ter uma conexão de internet decente. Como a temporada começa na terça-feira, é hora de acompanhar as última análises, em clima de contagem regressiva.

Como sempre, começamos com o time que deve ser campeão de sua Divisão e acabamos com quem deve ficar no vergonhoso último lugar. E é vergonhoso mesmo, afinal ser o pior time da Divisão Central significa que o time fede tanto que não há mais motivos para viver. Se você é torcedor de algum desses times, prepare o calmante e vamos lá!

Detroit Pistons

Motivos para assistir:
O jogo coletivo e a enorme quantidade de estrelas (ou aspirantes a estrelas, depende de pra quem você pergunta) é sempre um tesão e um motivo indiscutível para ver o Pistons jogando. E se todo mundo já está de saco cheio de assistir sempre ao mesmo Pistons chutando traseiros, jogando do mesmo modo e eventualmente perdendo o ânimo pela vida em pleno tédio da temporada regular, esta é a temporada para voltar a acompanhar a equipe. O técnico Michael Curry acabou de assumir o posto, prometeu mudar um pouco o estilo de jogo da equipe, enfiou o Rasheed dentro do garrafão e prometeu mais de 30 minutos por partida para o reserva Rodney Stuckey, que está andando sobre as águas e multiplicando pães na pré-temporada. Além disso, colocou o McDyess no banco junto com Jason Maxiell e proclamou a “estrela de treinos” Amir Johnson como titular. Por enquanto não rendeu nada, mas não há muita cobrança, já que o banco é profundo, e ele terá tempo para provar seu valor.

O mais importante para o Pistons ser um time delicioso de ver nessa temporada é o ânimo da equipe. Toda vez o Pistons fica entre os líderes do Leste e se lasca nos playoffs, tudo com o mesmo elenco e as mesmas premissas táticas. Fica difícil para eles próprios levar a temporada regular a sério, todo mundo boceja e os jogos são completamente mornos. Com as pequenas mudanças e um técnico severo a quem os jogadores respeitam, o Pistons deve entrar com vontade, liderar a porcaria do Leste e garantir que nada vai sair errado dessa vez.

Motivos para não assistir:
Talvez as mudança não sejam o bastante para injetar ânimo no Pistons e eles continuem aquele time de saco cheio, cochilante, com cara de quem está fazendo exame de próstata ao invés de jogar basquete. Aquele Pistons defensivo e desanimado não é das coisas mais divertidas de se ver no mundo, e garanto que vai ter coisa muito mais legal para assistir lá no Oeste. Salvo os grandes clássicos contra o Celtics ou o Cavs, por exemplo, dá para passar batido pelo Pistons e esperar o momento em que eles tentam jogar de verdade, que é quando os playoffs começam.

Outra coisa: Kwame Brown. Não que ele seja tão ruim assim, mas é que suas limitações são muitas, seu psicológico é digno do Charlie Brown (o personagem das tiras, não a banda do Chorão) e não dá pra levar a sério um time disposto a lhe dar uma chance. Quando o Kwame entra em quadra, o jogo parece uma piada e será um ótimo motivo para mudar de canal e deixar o Pistons pra lá.

Cleveland Cavaliers

Motivos para assistir:
Daniel Gibson. Ele é um dos jogadores mais sensacionas da… rá, é claro que eu estou brincando! Pegadinha do Mallandro, glu glu glu, olha pra câmera lá, rapá! Se existe um motivo nesse Universo para assistir a porcaria do Cavs jogar, esse motivo é LeBron James. Não me importa se você é um odiador do sujeito, se continua achando que ele é superestimado, se acha que ele deveria acabar com a fome na África antes de se comparar ao Jordan. O que interessa é que qualquer jogo com LeBron James é interessante simplesmente porque ele pode surtar a todo momento e vencer a partida sozinho.

O resto do elenco de apoio é questionável, o esquema de jogo é excessivamente defensivo, mas LeBron já provou que, em seus melhores dias, pode pontuar de qualquer lugar da quadra e penetrar no garrafão mais fácil do que seria na Bruna Surfistinha. Além do mais, todo ano o Cavs faz alguma coisa para mudar o elenco, na esperança de entregar para LeBron um time capaz de finalmente ganhar um anel. Trata-se de um time sempre em transformação, em constante metamorfose, e dessa vez o novo membro é Mo Williams. Ver como um dos maiores fominhas da NBA vai se sair ao lado de LeBron é imperdível, quer dê certo, quer não.

E se você curte ver um brasileiro (como se andar pelas ruas não fosse o suficiente), o Varejão teve uma boa pré-temporada e tem tudo para ter um papel importante no time. Com o bônus de que a qualquer momento uma família de anões pode sair do seu cabelo reclamando que cortaram a água encanada, o que certamente será um barraco interessante.

Motivos para não assistir:
Um time puramente defensivo, de ataque estático e que ganha jogando feio. Precisa de algum motivo a mais para fugir? O time é cheio de peças interessantes que não combinam e está sempre fazendo trocas simplesmente pela graça da coisa, sem nunca tentar (e sem nunca conseguir) montar um time coerente e coeso.

Algumas pessoas gostam do novo ingrediente do bolo, o Mo Williams, e ele é um jogador em que todo mundo deveria realmente dar uma olhada. Quando jogava no Bucks, ficava difícil ver o sujeito em ação, porque assistir ao Bucks sempre significa que você está levando seu vício por basquete longe demais. Agora, no Cavs, é uma chance de analisar o Mo Williams de perto. Mas acredite, ele parecerá bom a princípio e, em um punhado de partidas, se transformará num grande motivo para não assistir ao time nunca mais. Sua abordagem do jogo é enervante, dá dor de estômago e o LeBron vai querer esganar o cara em 15 minutos. Ele corre com a bola, o que supostamente seria a tática ideal para o Cavs (que sempre achei que deveria jogar no contra-ataque), mas ele é destrambelhado e não sabe ler o jogo, arremessa quando dá na telha e enlouquece os fãs. Afaste-se.

Chicago Bulls

Motivos para assistir:
Derrick Rose. Eu sei, defendi desde o princípio que o Bulls fez uma cagada draftando o garoto no lugar do Beasley, aloprei as atuações medíocres no rapaz nas Summer Leagues, falei que ele comia meleca de nariz. Mas não é nada pessoal com o garoto, eu é que sou muito chato. Na pré-temporada o Derrick Rose teve atuações dignas da estrela que se tornará, mostrando maturidade e um poder mutante de adentrar o garrafão quando bem entende que lembra muito seu colega de profissão, Chris Paul. Embora o Bulls esteja com aquele cheiro de novela do SBT (você até vê as boas intenções, mas sabe que vai dar muito errado), o Rose tem tudo para dar muito certo. E não tem coisa mais bacana do que acompanhar uma futura grande estrela da NBA desde seu primeiro jogo, assistindo de camarote ao seu desenvolvimento. Para os que viram o LeBron evoluindo seu jogo desde o começo, a sensação de vê-lo jogar agora é incrível e as histórias para contar para os netos se avolumam. Os que viram o Jordan começando sua carreira na NBA, por exemplo, têm bilhões de histórias para contar pros seus bisnetos.

Esse ano veremos trocentos novatos que renderão histórias quando você for velho, então será preciso um bom planejamento para manter sempre um olho em cada um deles. Certifique-se de que o Derrick Rose receba atenção especial.

O resto do time também não é de se jogar fora, com muita gente jovem, talentosa, descontraída, disposta a muita azaração! Vale a pena ver como o armador Kirk Hinrich vai se acostumar com seu novo papel, já que Rose assumiu sua antiga função, como Luol Deng vai produzir depois do seu novo contrato giga-milionário, que espaço será dado para Nocioni, como será o desenvolvimento do garrafão “fede-mas-há-esperança” de Tyrus Thomas e Joaquim Noah. Mas o mais divertido para os Nelson Rubens da vida será analisar a situação do Ben Gordon, que tentará mostrar que é o governante da Terra para garantir um contrato na temporada que vem, já que dessa vez ninguém deu bola para o moçoilo.

Para finalizar, tem também o técnico com nome de estrela de luta-livre, Vinny Del Negro, que é um técnico novato e, portanto, você sempre vai querer ver ele fazendo merda para criticar na frente dos seus amigos.

Motivos para não assistir:
O Bulls da temporada passada era um pesadelo de se assistir. Todo mundo ficava atrás da linha de 3 pontos arremessando como malucos, num estranho caso clínico de “fobia de garrafão”. Tirando o Drew Gooden, que é um bom jogador mas que não dá pra levar muito a sério, ninguém ainda é especialista em jogar perto da cesta. Se o Derrick Rose feder por uns tempos, o que é até bem normal para novatos, acredito que não deve haver muita melhora na equipe. O técnico novo deve levar um tempo para compreender do que se trata esse tal de basquete, e para construir um modo de jogo que mude realmente a cara do Bulls vai demorar bastante. Ou seja, tudo leva a crer que, principalmente no começo da temporada, aturar os jogos desse time vai ser pior do que aula de Química. Para os desbravadores do desconhecido (também conhecidos como “aqueles que não tem bom senso”), aconselho sempre se certificar de que o Derrick Rose está saudável e vai jogar antes de escolher um jogo do Bulls.

Milwaukee Bucks

Motivos para assistir:
Um estranho fetiche por veados roxos, talvez? Bem, talvez exista algo que realmente possa me fazer dar uma olhada no Bucks, e trata-se do “Complexo de Zach Randolph”. Lembra quando o Blazers fedia e o Randolph era uma grande estrela com seus 20 pontos e 10 rebotes de sempre, mantendo a bola em suas mãos o tempo todo? O Blazers então teve os bagos necessários para mandar sua estrela embora e, como mágica, o time melhorou instantaneamente de rendimento. Com o Bucks, não aconteceu exatamente isso, afinal a estrela da equipe é Michael Redd, que continua por aquelas bandas. Mas acontece que a bola mal fica em suas mãos, ele é um arremessador, alguém deve armar o jogo para seus arremessos, e o Mo Williams se tornou uma espécie de estrela na temporada passada com números surpreendentes de pontos e, até, de assistências. Trocado para o Cavs, agora Mo Will pode levar seus bons números para Cleveland e, se o “Complexo de Zach Randolph” entrar em ação, o Bucks deve melhorar sua produção. Luke Ridnour é facilmente o pior defensor mano-a-mano da NBA e o Ramon Sessions não consegue acertar arremessos, mas mesmo assim são armadores muito mais voltados para a equipe. Por motivos científicos, talvez seja legal ficar de olho.

Mandar o Yi Jianlian embora para o Nets também é um bom sinal. O Bucks ficou famoso por ser o time que só contrata os jogadores que não querem jogar por lá, e o Yi Jianlian era prova viva, quase que o chinês desiste de jogar na NBA só porque não queria ir parar em Milwaukee. Melhorar o clima da equipe costuma melhorar os resultados, o ala Richard Jefferson tem tudo para se tornar uma estrela com mais responsabilidades nas mãos e talvez o time nem fique em último no Leste.

Motivos para não assistir:
Ter uma vida. Vá ler um livro, leve o cachorro para passear, saia com a namorada, conte os azulejos da cozinha, estude a presença da dialética hegeliana na evolução dos videogames pós-Tetris. O Bucks fede, deve continuar fedendo por um bom tempo, e só deve receber qualquer atenção se o Michael Redd começar a fazer 50 pontos por jogo, Richard Jefferson dominar as partidas e o Ramon Sessions voltar aos números do fim da temporada regular, em que tinha por volta de 15 assistências de média. Mas veja bem, tem que acontecer as três coisas ao mesmo tempo, e constantemente, para que você tenha razões para sair de sua hibernação e ir acompanhar os roxinhos.

Indiana Pacers

Motivos para assistir:
Ser masoquista. O Pacers até deu sinais de que não seria uma tortura completa na temporada passada, mas agora o plano é jogar tudo fora e começar de novo. Time começando de novo é um sofrimento para acompanhar, é melhor ignorá-los por alguns anos, fechar os olhos e torcer bastante para que eles se tornem o novo Blazers (segundo “O Segredo”, funciona).

O time até tem seus atrativos, veja bem. O armador TJ Ford corre pra burro e costuma sempre ter umas jogadas espetaculares, o “Granny Danger” cheira a estrela, o Mike Dunleavy vem da melhor temporada de sua carreira e talvez realmente seja o próximo Larry Bird, só que com dengue e duas mãos esquerdas. Mas se você realmente quer um motivo para dar uma espiada no Pacers, eu apontaria o Roy Hibbert. Ele é o pivô novato que surpreendeu todo mundo chutando traseiros na pré-temporada, e pivôs bons definitivamente não nascem em árvores. Acompanhar a evolução dele deve ser divertido.

Outra coisa: as cheerleaders do Pacers estão entre as mais maravilhosas da NBA. Quase coloquei o time em primeiro da Divisão só para poder colocar uma foto delas no topo do post. Então, se você estiver na seca, pode assistir ao Indiana Pacers e ignorar o jogo, prestando bastante atenção nos intervalos.

Motivos para não assistir:
Ter amor pela vida. Acompanhar uma equipe em que os pivôs são o Nesterovic, o Jeff Foster e um novato? Uma equipe sem estrelas, sem conjunto, sem objetivo? Um experimento fracassado que tentou se livrar de todos os jogadores bons mas “problemáticos” e montar um mosteiro de frades franciscanos que não vão ganhar uma partida sequer?

O Leste é uma porcaria e eles até podem ter alguma chance se evoluírem muito num ritmo absurdo, se despertarem o Sétimo Sentido e começarem a se mover na velocidade da luz. Fora isso, devem ser os últimos colocados não apenas da Divisão, mas de toda a Conferência. Vergonha.

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