Quem não se mexeu

Comentamos todas as trocas da Trade Deadline no podcast dessa semana. Lá tem nossos pitacos sobre Channing Frye no Cavs, Jeff Green no Clippers, Markieff Morris no Wizards e tudo mais. Mas e as trocas que não aconteceram? O time mais comentado da semana, o Atlanta Hawks, acabou não trocando nem Jeff Teague, nem Al Horford. O Boston Celtics não mandou suas 14 milhões de escolhas de Draft para ninguém e o Brooklyn Nets segue na sua rota do fracasso sem mudar nada. Agora é hora de falar de quem não fez negócio.

Atlanta Hawks

O Bill Simmons, uma das mentes mais criativas desse mundinho da NBA, pensou em um milhão de trocas para o Atlanta Hawks. Eram todas mirabolantes e muito divertidas: Jeff Teague e Kyle Korver no Jazz por Alec Burks e Trey Burke; Paul Millsap e Thabo Sefolosha por Blake Griffin (genial!) ou Al Horford pela escolha do Nets no ano que vem e Kelly Olynyk. Eu faria todas só pelo caos, mas o Hawks não fez nenhuma.

O único negócio deles foi mandar Shelvin Mack para Utah e pegar, na mesma troca, Kirk Hinrich do Bulls. Muito pouco pra quem tinha todo mundo nas listas de jogadores que poderiam ser trocados.

Embora tenha me divertido com o “e se” das especulações, acredito que o Hawks tenha tomado a melhor decisão. Se eles realmente querem ser o Spurs do Leste, devem aprender a ter paciência. O time de Gregg Popovich sempre foi muito bom, mas inúmeras vezes deu sinal de que já tinha passado do seu auge e que não teria mais chance de título, é bom lembrar que ficaram sem chegar a uma final de 2007 até 2013 e mesmo assim não trocaram Tim Duncan, Tony Parker ou Manu Ginóbili, simplesmente foram buscando novas alternativas para cercar seus veteranos com talento mais jovem. Não entraram em pânico mesmo com derrotas seguidas nos Playoffs.

O Hawks perdeu fôlego em relação ao ano passado. Sentem falta de DeMarre Carroll e ainda estão tentando descobrir quem onde foi parar aquele Kyle Korver All-Star de 2015, mas ainda é um time bom e com a mesma identidade tática trazida pelo técnico Mike Budenholzer: muitos passes, espaçamento da quadra balanceado e muitos arremessos de longa distância. Implodir o time poderia significar perder essas características, ou ao menos se ver obrigado a ter que ensinar tudo do zero a um elenco completamente novo. E fazer isso no meio da temporada é, claro, quase sinônimo de fracasso.

Parece mais inteligente assumir que essa temporada não vai dar em nada além de, talvez, a segunda rodada dos Playoffs, e partir daí para a offseason. Lá o objetivo se torna convencer Al Horford de que o time é estável (o que seria mais difícil de fazer caso fizessem uma troca bombástica) e que vai voltar ao topo do Leste logo. Para isso talvez seja preciso agir rápido em julho, conseguindo bons Free Agents (mesmo que não sejam os melhores) e mostrando que as ambições continuam altas. Pode-se também, agora sim, trocar Jeff Teague. Depois que Mike Conley e Rajon Rondo decidirem seus destinos, muitos times que buscavam armadores vão aparecer babando para não sair da offseason de mãos vazias, e é aí que o Hawks, sem a pressão do deadline e com mais opções de mercado, pode conseguir um melhor negócio.

Nós queremos a confusão, buscamos entretenimento na Trade Deadline, mas os times buscam só bons negócios. O Atlanta Hawks não vive uma situação de desespero e é bem mais provável que negócios melhores apareçam daqui alguns meses, quando a temporada acabar. Talvez se arrependam caso Al Horford vá embora e eles não recebam nada em troca, mas é um risco compreensível se eles acreditam que podem segurá-lo. Não fazer nada, no fim das contas, foi um ato de coragem que pode ou não dar certo no futuro.


 

[image style=”” name=”on” link=”” target=”off” caption=”Celtics: quanto mais baixo, melhor”]http://bolapresa.com.br/wp-content/uploads/2016/02/Celtics.png[/image]

Boston Celtics

Todos estão esperando a grande troca do Boston Celtics. Quando será que eles vão usar suas escolhas de Draft (são 5 só no ano que vem, incluindo a valiosíssima escolha do Nets) e alguns de suas dúzias de bons jogadores para finalizar um grande negócio? Não agora. A verdade é que o Celtics está em uma situação tão cômoda que eles não precisam fazer nada a não ser que tenham certeza mais que absoluta de que é o melhor possível para eles.

O time está na terceira colocação do Leste, viu Isaiah Thomas ir para o All-Star Game, está entrosado e melhorando pouco a pouco (apesar de uma má fase há algumas semanas) desde o começo da temporada. Do jeito que estão hoje podem muito bem alcançar uma segunda rodada nos Playoffs e lá bater de frente com o Toronto Raptors e ver no que dá. É uma baita chance de animar a torcida e dar experiência e rodagem para um grupo muito jovem e bom. No meio do caminho você ainda vira vitrine para todos os Free Agents, que certamente vão considerar Boston como um bom destino nos próximos anos. Com um cenário tão bom, pra que a pressa?

Trocar por Al Horford significaria conseguir a peça que faltava, mas também mandar muita coisa por um cara que pode dar o fora daqui alguns meses. Não é melhor fechar o ano com o atual elenco e buscá-lo na offseason? Fazer loucuras por um Blake Griffin de mão quebrada (se é que o Clippers levou a sério trocá-lo) ou arriscar uma troca arrasa-quarteirão por Kevin Love parece exagero e forçação de barra envolvendo equipes que ainda estão bem o bastante para buscar suas ambições do ano. Ter as peças de troca não é uma obrigação de troca, o Celtics pode trocar suas escolhas no próprio dia do Draft, depois ou esperar as primeiras peças do dominó dos Free Agents caírem para definir seus passos. A posição deles para o futuro é tão boa que podem ser conservadores com seus ativos.

[image style=”” name=”on” link=”” target=”off” caption=”Marks deu a melhor resposta para a questão ‘ O que você considera importante em uma empresa?'”]http://bolapresa.com.br/wp-content/uploads/2016/02/Sean-Marks.jpg[/image]

Brooklyn Nets

Como explicamos bem nesse texto, o Nets não tem escolhas de Draft até o ano 2054 (ou algo assim). Eles não tem o menor incentivo do mundo para ir mal nessa temporada, com têm Lakers ou Sixers, porque não ganharão posições no Draft assim. O time também não tem bons jovens jogadores para investir e é uma confusão sem liderança, identidade e nem torcida. Por que não jogar tudo para o alto, então? Qualquer coisa que ofereça algo próximo de esperança em troca de Brook Lopez, Joe Johnson ou Thaddeus Young já seria uma vitória. Se tinha um time que deveria ter se mexido, esse era o Nets.

Por que não o fizeram? Tenho um palpite. O último General Manager da equipe, Billy King, foi demitido durante a temporada e apenas nessa semana eles contrataram Sean Marks para a função. Marks, ex-jogador neozelandês, fez carreira no San Antonio Spurs como assistente técnico e assistente de General Manager. Ele superou alguns nomes bem famosos em séries longas de entrevistas e assim ganhou uma das vagas mais difíceis da NBA atual.

Mas vamos ser sinceros, por melhor que um cara seja, não dá pra chegar no lugar e fazer uma troca bombástica logo no primeiro dia de firma. Como falamos no último podcast, é raríssimo que times troquem coisas de repente. Os managers criam uma relação de confiança antes, estudam diferentes cenários, conversam entre si e com os donos da franquia antes de qualquer decisão. Simplesmente não dava tempo. O surreal é pensar em um time profissional da NBA chegar na última semana de trocas sem ter um responsável para isso no time! Fico me perguntando para quem os outros times ligavam se batia aquele interesse de saber quanto custava o Brook Lopez.

Aliás, Lopez está próximo de completar sua primeira temporada sem lesões desde que se machucou seriamente em 2011-12. Fazia tempo que seu valor de mercado não era tão alto.


Outros times

LA Lakers e NY Knicks: Não tinham peças de troca interessantes para oferecer para outros times; o Lakers sequer tem interesse em melhorar o time agora.

Toronto Raptors e Indiana Pacers: imagino que eles queriam melhorar o garrafão, mas era difícil imaginar loucuras em dois times que estão jogando tão bem. Provavelmente não queriam abrir mão de todos os atletas que os outros times pediam.

Dallas Mavericks, Chicago Bulls, Minnesota Timberwolves, Sacramento Kings e Milwuakee Bucks: Não duvido que tenham tentado bastante, mas não são todos os times que gostam ou conseguem trocar com a temporada em andamento. Mas são franquias que devem mudar de cara na offseason.

Golden State Warriors e San Antonio Spurs: Precisa responder?

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

Como funcionam as assinaturas do Bola Presa?

Como são os planos?

São dois tipos de planos MENSAIS para você assinar o Bola Presa:

R$ 14

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo: Textos, Filtro Bola Presa, Podcast BTPH, Podcast Especial, Podcast Clube do Livro e texto do FilmRoom.

R$ 20

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo + Grupo no Facebook + Pelada mensal em SP + Sorteios e Bolões + Vídeo ao vivo para discutir Clube do Livro e FilmRoom.

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo: Textos, Filtro Bola Presa, Podcast BTPH, Podcast Especial, Podcast Clube do Livro e texto do FilmRoom.

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo + Grupo no Facebook + Pelada mensal em SP + Sorteios e Bolões + Vídeo ao vivo para discutir Clube do Livro e FilmRoom.

Como funciona o pagamento?

As assinaturas podem ser feitas pelo Aplicativo PicPay. Baixe, cadastre-se, busque o Bola Presa e escolha seu plano de assinaturas. Você pode pagar com cartão de crédito ou carregar sua Carteira PicPay com boleto ou depósito bancário. Depois de assinar, escreva para bolapresa@gmail.com para mais detalhes de como ter acesso ao conteúdo exclusivo.

DÚVIDAS SOBRE AS ASSINATURAS? Nos escreva: bolapresa@gmail.com

Assine já!