Resumo 5/5 – O peso das estrelas

O Toronto Raptors vinha de duas partidas muito fracas contra o Philadelphia 76ers e precisava vencer fora de casa para evitar o buraco do 3 a 1. Até hoje, nas 238 ocasiões na história dos Playoffs em que um time abriu 3 a 1  numa série, em apenas 11  vimos uma virada. Era vencer ou rezar pelo improvável para o time canadense, que simplesmente subiu nas costas de Kawhi Leonard, rezou pelo melhor e conseguiu o resultado esperado.

No começo do jogo pareceu que Kawhi teria um pouco de ajuda, mas só pareceu. Kyle Lowry começou a partida um pouco mais agressivo que o de costume e fez 10 dos seus 14 pontos no primeiro tempo, já Serge Ibaka marcou 8 dos seus 12 também na primeira etapa. Os dois, porém, logo apagaram de novo ofensivamente na etapa final. Outras ajudas foram muito pontuais: 9 pontinhos discretos de Pascal Siakam, só uma mísera cesta de Danny Green no jogo todo e ninguém além de Ibaka marcou entre os reservas. Vale só destacar que Marc Gasol foi muito menos passivo que no jogo passado e fez 16 pontos em 13 arremessos! Não é o aproveitamento dos sonhos, mas ele finalmente arremessou quando ficou livre, um avanço.

Com 39 pontos e 5 assistências (três delas para chutes de longa distância), Kawhi foi responsável direto por mais de 50% dos pontos do time na partida! Essa parece uma receita para o fracasso. É raro que times que dependem tanto de um único jogador consigam ir longe nos Playoffs, mas o Raptors tem dois trunfos a seu favor: defesa e um robô. Enquanto algumas estrelas não conseguem manter o ritmo ofensivo por todo santo jogo, Kawhi parece imune a coisas humanas como “um dia ruim”, “acordei meio esquisito” ou “hoje a bola não tá caindo”. Ele só entra na quadra e faz o que tem que fazer. O ala se tornou apenas o QUINTO jogador da história da NBA a somar ao menos 150 pontos, 30 rebotes e 15 assistências nos primeiros quatro jogos de uma série:

Ele até teve SETE turnovers na partida, mas acho que é só o algoritmo calculando quantas vezes ele deve errar para que nós humanos não fiquemos suspeitando demais.

Enquanto muitos times (ALÔ BOSTON CELTICS) desmontam quando alguma coisa dá errado, o Raptors tem sido disciplinado o bastante para seguir defendendo de maneira forte mesmo quando o ataque começa a ficar feio demais. Não que eles não errem, mas em geral eles têm feito o padrão de evitar contra-ataques fáceis de Ben Simmons, não deixar JJ Redick livre muitas vezes e dobrar em Joel Embiid sempre que ele estiver muito próximo da cesta.

É curioso que o Philadelphia 76ers tem aprendido a lidar com isso tudo ao longo dos jogos. O time titular não tem nem 20 jogos juntos de experiência, mas estão pegando as coisas do jeito que dá. Nessa série, por exemplo, Jimmy Butler se tornou um armador de fato e eles têm experimentado mais pick-and-rolls por jogo do que nunca antes desde o começo do “Processo”. É um jeito de envolver o melhor pontuador do time no ataque e de usar Ben Simmons mais perto da cesta, onde tem sido mais perigoso embora às vezes coadjuvante demais.

Taticamente o Sixers fez uma boa partida e tinha tudo para sair de quadra com a vantagem de 3 a 1, mas três jogadores deixaram o time na mão e isso é muita coisa em um jogo difícil de Playoff. O primeiro foi Greg Monroe, que vinha fazendo boa série e se tornou a principal opção para o lugar de Embiid como pivô reserva. Ontem, porém, saiu de quadra com saldo de pontos de -18 em apenas 10 minutos de jogo. Ele foi alvo fácil na defesa em ataques seguidos e ainda cometeu uma falta técnica por reclamação.

Outro desastre foi Tobias Harris, que vem perdendo muito valor de mercado nesses Playoffs. Ele é Free Agent ao fim da temporada e busca um contrato lucrativo, mas deve ter muito time assustado de ver ele incapaz de fazer cestas nesses Playoffs. Ontem ele acertou só 7 de VINTE E TRÊS arremessos (foi quem mais arremessou no time), sendo 2 acertos em 13 bolas de longa distância! Ele beirou os 40% de aproveitamento na temporada, chegou a 45% nos tiros da zona morta, mas nestes Playoffs e especialmente ontem arremessou só TIJOLO após TIJOLO. Dá pra ver abaixo como o Raptors PAGOU PRA VER ele arremessar, deixou livre na cara dura e ele simplesmente não conseguiu colocar a bola na cesta:

Por fim, foi um jogo fraquíssimo de Joel Embiid. E o que aprendemos sobre o Sixers nos últimos anos é que não importa o resto do elenco, se Embiid está bem, o time brilha, se está mal, o time sofre. Depois da obra-prima e do AVIÃOZINHO no Jogo 3, o pivô não foi nem sombra do que costuma ser no Jogo 4. Ele passou mal no dia anterior ao jogo, não conseguiu dormir, teve febre, vomitou e precisou até tomar soro para conseguir entrar em quadra neste domingo. Acabou com apenas 11 pontos e arremessou só sete vezes ao longo do jogo.

O jogo fraco de Embiid foi quase mascarado por mais uma ótima atuação de Jimmy Butler (29 pontos, 11 rebotes) e por JJ Redick (19 pontos), mas o time resolveu confiar no pivô nos minutos finais do jogo e isso se provou uma péssima ideia. Embiid voltou para quadra com 5 minutos no relógio e o placar empatado, a partir daí ele: errou três de quatro lances livres, cometeu um turnover, cometeu outro turnover, fez uma falta em Kawhi (dois lances-livres) e errou um arremesso embaixo da cesta. De bom mesmo foi só achar Tobias Harris para arremessos de três quando recebeu dobras na marcação, mas vimos lá em cima que nem isso deu certo…

Logo depois disso, o pivô levou na cara um arremesso que mostrou o talento de Kawhi Leonard e a falta de atenção do próprio Embiid: ele ficou com medo de uma possível infiltração e abriu espaço para o arremesso, mas o relógio de 24 segundos estava para estourar, era hora de pressionar e impedir o arremesso. Falta de atenção que praticamente custou a última chance do time na partida…

Ao fim do jogo Jimmy Butler reforçou o apoio a Embiid de forma entusiasmada. “Estamos com ele. Precisamos que ele seja sempre agressivo, se é pra acertar dois de sete arremessos, que faça dois mas tente vinte. Eu apoio”. Os dois times se colocaram nas costas de seus melhores jogadores e ontem Kawhi Leonard estava mais preparado para o trabalho.


No Oeste tínhamos tudo para um jogo bem arrastado, mas não foi o que vimos. Apenas dois dias depois da BATALHA ÉPICA de quatro prorrogações, lá estavam de novo Portland Trail Blazers e Denver Nuggets correndo como loucos em mais um jogo decidido no finalzinho. E como Nikola Jokic se recuperou e se preparou para o jogo depois de passar SESSENTA E QUATRO minutos em quadra na sexta? “Comi, assisti séries de TV e comi de novo. Não pensei no jogo”. O pior? Deu certo.

No fim do jogo Jokic até acusou cansaço e dores, mas ficou em quadra, entregou 21 pontos, 12 rebotes, 11 assistências em 38 minutos e levou o Nuggets à vitória. Como o Raptors, venceram fora de casa para evitar um 3 a 1. Ótimas partidas também de Jamal Murray, cestinha do time com 34 pontos, e de Paul Millsap, o cara mais velho do time e justamente o que passou mais tempo em quadra no domingo: 42 minutos que renderam 21 pontos e 10 rebotes.

Mais interessante do que como eles fizeram esses pontos todos foi ver a preparação deles para a partida, uma prova de que cada um encara as coisas de uma forma diferente. Jokic disse que comeu, viu TV e que chegou para o jogo dizendo que o objetivo da partida era fazer o jogo das quatro prorrogações se tornar “irrelevante”. Ele explica: “Se ganhamos hoje a série empata e a partida anterior não importa mais”.

Millsap levou por outra abordagem: “Eu sai para tomar um ar fresco. Andei pela cidade, fiz coisas normais e limpei a mente. A pior coisa que você pode fazer é ficar no seu quarto pensando demais”, cravou. E o que Jamal Murray fez? “Passei o sábado todo pensando. Revisitando o jogo e vendo o que eu poderia ter feito”. Bom, funcionou para todo mundo. Quer dizer, menos para o microfone do Jokic…

A partida em si foi estranha no primeiro tempo. Cada time conseguiu sequências insanas de pontos e contra-ataques que foram imediatamente respondidas por outras sequências insanas de poder ofensivo até que tudo ficasse quase igual. É o famoso “game of runs”, um clichê de sempre da NBA. A vantagem do Blazers no placar ao fim do primeiro tempo veio porque Seth Curry resolveu limpar o nome da família e PEGAR FOGO com 14 pontos (4 bolas de 3 pontos) só no segundo quarto!

Lembram como Damian Lillard sempre acabava com as partidas contra o OKC Thunder nos terceiros quartos? A brincadeira não está sendo repetida dessa vez. O Nuggets virou o jogo e deslanchou no placar na volta do intervalo, fez 27 a 14 na parcial e assumiu o controle do jogo. Lillard percebeu que era hora de ir ao resgate do time, mas seus arremessos simplesmente não têm caído. Acertou só uma em SETE tentativas no terceiro quarto, fez 9 de 22 chutes no jogo inteiro e acabou com 28 pontos só porque conseguiu ir bastante para a linha do lance-livre. Quando o cara é bom, ele é bom, mas é preocupante que ele só tenha 19 arremessos certos em CINQUENTA E CINCO tentados nas últimas três partidas.

O Blazers até se recuperou do desastroso terceiro período e o jogo foi, mais uma vez, absurdamente disputado no final. Foi quando o Nuggets voltou a insistir no pick-and-roll entre Jamal Murray e Nikola Jokic e quando o pivô voltou a destilar sua ótima visão de jogo. Ele confiou nos companheiros e passes seus renderam as cestas mais importantes do fim da partida:

Mas por mais que a gente queira valorizar os esforços do vencedor, não dá pra ignorar os erros de quem perdeu. Teve o rebote defensivo do vídeo acima que estava na mão e o Blazers deixou escapar, uma falta técnica que deu ponto de graça no último quarto e, claro, os TRÊS LANCES-LIVRES que Damian Lillard errou na partida, um deles a 20 segundos do fim quando poderia cortar a diferença para apenas um ponto. Para quem não lembra, Lillard acertou 91.2% de seus lances-livres na temporada este ano!

“Foram as pequenas coisas. Eles fizeram e a gente não”, disse o armador após a partida. Não é de hoje que os detalhes decidem o duelo: três dos jogos entre Nuggets e Blazers na temporada regular foram decididos por três pontos ou menos. Nos Playoffs tivemos só jogos apertados e a primeira prorrogação QUÁDRUPLA da NBA desde 1953. Sempre vai existir um pequeno grande erro para se lamentar.

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

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