Resumo da Rodada 2/5 – O aviãozinho

Quem vê que Joel Embiid marcou 33 pontos no Jogo 3 da série entre Sixers e Raptors corre o risco de achar que foi uma tarefa fácil, que o pivô finalmente descobriu uma maneira de enfrentar Marc Gasol e que voltou a ser imparável no mano-a-mano. Puro engano: Embiid foi mais uma vez engolido vivo por Marc Gasol e não teve um segundo de tranquilidade contra o rival. Sua pontuação foi fruto de insistência, confiança no plano de jogo, pontaria do perímetro e a IMPLOSÃO que o Raptors sofreu no quarto período.

Desde o começo da partida ficou claro que Embiid não teria espaço no garrafão. Assim que conseguiu bater Marc Gasol num giro difícil, o pivô do Sixers passou a receber marcação dupla de Kawhi Leonard sempre que necessário, já que Kawhi passou a marcar Ben Simmons e podia abandoná-lo tranquilamente para cumprir outras funções defensivas a qualquer momento. Em todo o primeiro tempo, o único espaço que Embiid encontrou foi, como era esperado, na linha de três pontos – mas para nossa total surpresa, o pivô resolveu USAR esse espaço para arremessar. Foram duas bolas de três tentadas e convertidas no primeiro tempo e mais uma outra certeira no terceiro período. Assim como aconteceu com Giannis Antetokounmpo na série entre Bucks e Celtics, Embiid dando arremessos de três pontos parece ser tudo aquilo que a defesa adversária deseja, dado o baixo aproveitamento desses jogadores, mas quando as bolas começam a cair e a vantagem no placar começa a sair do controle, os defensores se veem obrigados a reagir. Foram esses arremessos certeiros de Joel Embiid que fizeram no terceiro quarto Pascal Siakam cair numa finta do pivô, achando que viria um arremesso enquanto Embiid bateu para dentro, e no quarto período levaram à implosão da defesa do Raptors: Marc Gasol, temendo outra bola de três pontos, caiu na mesma finta e cedeu a infiltração e a enterrada que não apenas DECRETARAM a derrota como também se tornaram o símbolo da partida após a comemoração de Embiid, o AVIÃOZINHO:

Até a defesa do Raptors cair em suas fintas, Joel Embiid se manteve no jogo ofensivo comendo pelas beiradas: fora os arremessos de três pontos, o pivô tentou consolidar posição no garrafão para cavar faltas e recebeu alguns corta-luzes fora da bola para se livrar momentaneamente de Marc Gasol. Em caso de corta-luz, no entanto, o plano do Raptors foi dobrar a marcação em quem tivesse a bola e trazer um defensor na cobertura para atrapalhar Embiid – numa das raras vezes em que a defesa não fez essa movimentação e Embiid sobrou sozinho para uma cesta, Marc Gasol ESCULHAMBOU o culpado, Danny Green, pelo erro na rotação. Em outros momentos, o passe para Embiid era impossível dada a marcação do Raptors, mas um arremesso forçado de Jimmy Butler era suficiente para que Embiid estivesse em boa posição para um rebote ofensivo.

Além disso, o técnico Nick Nurse teve dificuldades em controlar os minutos de Marc Gasol para que coincidissem com os de Joel Embiid. Nurse gosta de manter seu quinteto titular o máximo possível junto, enquanto Brett Brown desmonta seu quinteto muito mais rápido, colocando Embiid para sentar ainda no meio do primeiro e do terceiro quartos. A insistência de Nurse em manter Marc Gasol em quadra fez com que Embiid eventualmente entrasse no jogo sem o rival do outro lado, sendo marcado por Serge Ibaka. Na primeira posse de bola em que isso aconteceu, Embiid celebrou assim:

No geral foi uma boa defesa por parte do Raptors, com poucos erros e que cedeu poucas chances para o pivô do Sixers, mas que ao cometer muitas faltas, dar algumas escorregadas, tirar Marc Gasol de quadra e tomar bolas de três pontos, permitiu que Embiid estivesse sempre sendo capaz de contribuir de alguma maneira, ainda que não fosse dominante ou imparável. Juntando essas pequenas contribuições, de repente o pivô havia somado 30 pontos e a vantagem do Sixers no placar já estava fora de controle.

Também ajudou o fato de que quando não conseguia contribuir no ataque, sufocado por Marc Gasol, Embiid contribuiu o tempo inteiro na defesa: sua proteção de aro foi impecável, uma das melhores dessa temporada. O pivô somou 5 tocos, desviou um outro tanto de arremessos e entregou uma defesa de garrafão competente o suficiente para que seus companheiros pudessem se concentrar na rotação do perímetro.

O que vimos foi mais uma vez o elenco do Sixers cedendo um espaço aparente do lado oposto da bola e mesmo assim CHEGANDO A TEMPO para contestar esses arremessos, graças a um time atlético, veloz, explosivo e em perfeita sincronia na rotação defensiva. O resultado dessa defesa é que o Raptors eventualmente até tinha espaço para um bom arremesso, mas com um defensor VOANDO para contestar essas bolas. Por orientação, instinto ou CARIDADE, a tendência do Raptors nessas horas é abrir mão do arremesso e passar a bola para o lado, na esperança de que os defensores em movimento do Sixers sejam pegos de surpresa pelo famoso “um passe a mais” e o próximo jogador tenha chance de um arremesso verdadeiramente livre. Não é o caso, entretanto: o próximo jogador do Raptors recebe a bola nas mesmas condições, com um defensor correndo para cobri-lo, o que faz com que mais um passe seja dado, num processo infinito em busca de um erro de rotação do Sixers que nunca veio. A quantidade de arremessos bons que Marc Gasol e Danny Green abriram mão em busca de um arremesso perfeito que nunca esteve disponível foi DESESPERADORA.

Coube a Kawhi Leonard, mais uma vez, não abrir mão dos seus arremessos. O jogador DESTRUIU o Sixers com os arremessos de meia distância, finalizou antes da chegada da marcação dupla e, quando marcado de perto por algum defensor individual mais agressivo, mostrou que ele é simplesmente mais forte e rápido do que qualquer oponente:

Bastava um corta-luz simples no meio da quadra para que Kawhi ganhasse espaço suficiente para uma investida, uma freada e um arremesso certeiro. Depois de tomar 17 pontos de Kawhi no primeiro tempo, o Sixers resolveu grudar Ben Simmons nele e contestar não seus arremessos, mas qualquer passe para ele. Foram 4 minutos de Kawhi SEM TOCAR NA BOLA, com o Raptors, claro, não querendo arremessar de jeito nenhum nesse período. Kawhi passou então a receber a bola ainda na quadra de defesa, e aí foram 6 arremessos certeiros consecutivos, 14 pontos no período e 31 pontos até ali. Teriam sido mais se o Sixers não tivesse no fim do quarto feito marcação dupla NO MEIO DA QUADRA, forçando Kawhi a passar a bola.

Mas foi só Kawhi Leonard descansar os dois primeiros minutos do quarto período para o Sixers fazer uma sequência de 9 pontos sem resposta. Pascal Siakam até tentou manter o ataque do Raptors vivo, mas tomou dois tocos seguidos de Embiid, incluindo essa belezura aqui:

Siakam ficou tão frustrado que depois de um dos tocos passou uma RASTEIRA de capoeira no Embiid para impedir o adversário de correr para o contra-ataque e tomou uma falta flagrante que virou lances livres para o pivô e mais a posse de bola. Quando Kawhi foi tentar seu primeiro arremesso do último período só restavam 6 minutos para o fim do jogo e a diferença no placar já era de mais de 20 pontos. O momento foi parecido com o final do segundo quarto, quando Kawhi errou alguns arremessos simples, JJ Redick e Jimmy Butler acertaram arremessos contestados e de repente o Sixers havia arrumado uma sequência de 10 pontos a 2 contra o rival que levou a vantagem no placar para 14 pontos.

 

Enquanto o Raptors dependeu exclusivamente de Kawhi Leonard e foi incapaz de colocar a bola nas suas mãos em momentos importantes do jogo, o Sixers acertou bolas difíceis, desaconselháveis, mas importantes para tomar a liderança: foram as bolas de três pontos do Embiid, os arremessos contestados que Jimmy Butler adora tentar, bolas de meia distância de JJ Redick em movimento. De bolas fáceis, apenas durante os contra-ataques: o Raptors continua tão focado em parar as infiltrações de Ben Simmons que esquece que existem outros seres humanos na quadra.

Quando os outros jogadores do Raptors toparam contribuir e tentar arremessos, já era tarde demais – não apenas a diferença no placar já era intransponível como também já estava todo mundo frio, desmoralizado, tendo que tentar arremessos piores e mais difíceis do que aqueles que recusaram ao longo da partida. O Warriors sempre teve como lema principal abrir mão dos bons arremessos em busca dos arremesses excelentes, mas foi justamente esse conceito que matou o Raptors nesse Jogo 3: contra essa defesa do Sixers podem nunca existir arremessos excelentes que não saiam das mãos gigantes de Kawhi Leonard, que cria espaços improváveis simplesmente por existir, e ficou evidente que ele não pode carregar esse time sozinho. Alguém precisa ter coragem, no próximo jogo, de tentar as bolas difíceis – e de preferência longe do aro, distante de onde Embiid estará pronto para fazer suas contribuições defensivas.

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

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