Resumo da Rodada 16/4 – “Eu acredito nele”

A derrota no Jogo 1 em casa ensinou algumas lições para o Denver Nuggets. A mais importante foi como o ataque do time é dependente de sua defesa: ter zerado em pontos de contra-ataque na partida é inaceitável para uma das 10 melhores defesas da temporada, especialmente quando os arremessos de três pontos (que nunca foram especialidade do Nuggets, um time apenas mediano no perímetro) não estavam caindo. O plano para o Jogo 2 era, então, encaixar a defesa, gerar contra-ataques, conseguir pontos fáceis na transição e, com sorte, acertar as bolas de três pontos que o time errou demais no primeiro jogo.Quando a vantagem do Spurs chegou em 19 pontos no começo do segundo quarto, ficou evidente que o plano não estava dando certo. Na rodada anterior acompanhamos o Clippers manter o plano, estar perdendo por 31 pontos e eventualmente o plano funcionar e o time sair com a vitória, mas a situação do Nuggets era levemente mais dramática: a equipe já havia perdido o primeiro jogo EM CASA e uma segunda derrota praticamente encerraria a temporada em definitivo. Quanto sangue frio é necessário, nessas circunstâncias, para manter o plano de jogo? Com o Spurs se sentindo no controle no ataque, a defesa do Nuggets não gerava pontos de transição, e com o Nuggets errando seus arremessos de três pontos, a defesa do Spurs se sentia legitimada a amontoar o garrafão e infernizar a vida de Nikola Jokic. Tudo errado.

O primeiro tempo chegou ao fim com o Nuggets tendo acertado apenas 3 de suas 11 tentativas do perímetro, Will Barton tendo acertado apenas um dos seus 9 arremessos (e errado todas as suas 5 tentativas de três pontos) e Jamal Murray, marcado por Derrick White, tendo errado todos os 6 arremessos que tentou. Se o jogo não estava completamente perdido foi apenas porque Paul Millsap segurou tudo NA UNHA, tentando acelerar a transição ofensiva e atacando a cesta, e a defesa do Nuggets arrancou uma sequência de 11 a 0 para dar uma reduzida na vantagem. Estar perdendo por 10 pontos no intervalo parecia um presente incrível.

No terceiro quarto, a vantagem do Spurs voltou a 19 pontos, especialmente porque depois de tantos erros, Jamal Murray e Will Barton pararam de arremessar. Muita gente se pergunta os motivos de uma defesa ceder espaços que seriam, em teoria, bons para o adversário, como por exemplo as bolas de três pontos que o Spurs ofereceu ao Nuggets nas laterais frontais do perímetro. A resposta é que não é possível defender tudo, às vezes é preciso fazer escolhas, e após alguns erros jogadores “esfriam”, sentem receio de usar esses espaços e muitos técnicos inclusive tiram esses jogadores da quadra. O Nuggets tem alguns problemas no ataque de meia quadra, mas a maior parte dos seus erros veio de arremessos razoavelmente livres, que foram minando a confiança de jogadores importantes do elenco. Quando o Nuggets finalmente começou a acertar algumas dessas bolas, as coisas mudaram:

Vejam na jogada acima que Jokic tem dois marcadores com ele, outros dois defensores se preocupam com a frente da cesta e há zero intenção de marcar os “ângulos” do perímetro. Bastou Gary Harris acertar alguns desses arremessos para marcar 14 pontos no terceiro quarto, alimentado pela defesa do Nuggets pressionando um pouco mais a bola e conseguindo finalmente gerar contra-ataques. Foi uma segunda sequência de 11 a 0 que diminuiu a diferença no placar para apenas 7 pontos, mas Jamal Murray ainda continuava IMPRESTÁVEL: errou mais 2 arremessos no quarto para chegar a 8 erros em 8 tentativas, num total de 3 pontos conseguidos na linha de lances livres.

Nesse ponto, com Murray recusando alguns arremessos que costuma dar, o Twitter já começava a escavar o fundo do armário em busca de Isaiah Thomas. Faria sentido deixá-lo fora da rotação, algo decidido muitas semanas antes dos Playoffs começarem, enquanto o armador principal do time parece incapaz de pontuar? A resposta do técnico Michael Malone, que ele deixou bem clara após o jogo em entrevista coletiva, foi a seguinte: “Jamal Murray é nosso homem. Eu acredito nele.” O técnico simplesmente disse para seu armador voltar para o último quarto, esquecer de tudo, lembrar que ele é amado e jogar basquete.

E foi assim que Murray marcou 21 pontos no quarto período, acertou 8 arremessos consecutivos e comandou uma sequência arrasadora nos minutos finais que não deu a Popovich outra escolha que não fosse tirar seus titulares de quadra. Foram arremessos de três pontos em transição, floaters, bolas de três contestadas, infiltrações, o arsenal completo. A única explicação, além do PODER DO AMOR, é que Jamal Murray foi para casa no intervalo e colocaram um clone seu para jogar. O BASQUETE DE CLONES EXISTE, e você ouviu aqui no Bola Presa primeiro (umas 100 edições de podcast atrás).

Basicamente o Nuggets venceu o jogo em três sequências de pontos: um 11 a 0 no segundo quarto, um 11 a 0 no terceiro quarto e a sequência final que deu ao time 11 pontos de vantagem no período final. Foram sequências em que o Nuggets acertou suas bolas de fora, mas também momentos em que a defesa funcionou melhor e o Spurs desperdiçou mais a bola. Não aconteceu no jogo inteiro, mas ao fim da partida o Nuggets somou 21 pontos de contra-ataque – uma mudança radical dos ZERO pontos do Jogo 1. A pegadinha foi que esse número não foi constante, mas sim fruto de “momentos” em que o Spurs foi incapaz de reagir e a defesa conseguiu o que queria. Foi mais um desses casos em que o o plano funcionou, mesmo que não tenha funcionado O TEMPO INTEIRO: bastou três grandes momentos de basquete (e Millsap segurando as pontas enquanto tudo o mais dava errado) para vencer um jogo que parecia completamente perdido, e uma temporada que ia privada abaixo. Para o Jogo 3, Popovich terá que repensar os espaços que concede no perímetro, e garantir que a defesa do Nuggets não consiga acelerar seu ataque dessa maneira. Se tiver tantos contra-ataques, mesmo que em poucos momentos do jogo, a vitória estará garantida.


Quem não queria ter a confiança de Damian Lillard todos os dias ao acordar? Se essa confiança já transformou o jogador numa máquina de más decisões no passado, na noite de ontem ela se transformou num pesadelo para a defesa do Thunder.

Desde o começo da partida, ficou evidente que o plano do Blazers era atacar no começo do cronômetro, acelerando o jogo para pegar a defesa do Thunder ainda desmontada e testar a defesa de transição do adversário, que não é das melhores. O preço que o Blazers paga por isso é também não estar com seu ataque estruturado e, portanto, arriscar não ter Enes Kanter para os rebotes ofensivos e como rota de fuga caso a marcação dobre nos armadores. Mas ao atacar com velocidade, o Blazers praticamente inviabilizou as dobras e Lillard está confiante de que um marcador só, em qualquer situação, não é suficiente para pará-lo:

Segundo Billy Donovan, técnico do Thunder, a ideia era que Lillard e CJ McCollum tivessem sempre alguém colado neles assim que cruzassem o meio da quadra, para desacelerar a transição e impedir os arremessos de longa distância. Mas na prática, com os dois correndo e atacando a cesta, a defesa foi naturalmente dando alguns passos para trás. Russell Westbrook, muitas vezes responsável por marcar Lillard, resolveu pessoalmente DESAFIAR o adversário a dar arremessos longos de três pontos enquanto se preocupava em tentar barrar as infiltrações. Adivinha quem adorou essa decisão? A confiança de Damian Lillard manda abraços:

Mas o problema maior para o Thunder é que Lillard, também responsável por defender Westbrook na maior parte das posses de bola, resolveu dar o mesmo tratamento ao seu oponente: passou a tapar os espaços de infiltração e desafiar Westbrook a arremessar de três. E não arremessos longos, não; QUALQUER arremesso de três. Westbrook, que teve sucesso no começo do jogo com jogadas desenhadas para suas infiltrações, foi caindo na armadilha. Terminou o jogo tendo acertado apenas uma das suas 6 tentativas do perímetro; ao todo, acertou apenas 5 dos seus 20 arremessos enquanto Lillard e McCollum ficaram na casa dos 50% de aproveitamento. Sozinho, Lillard acertou 4 bolas de três pontos no jogo, enquanto o Thunder inteiro acertou 5 – é mais uma vez as defesas adversárias amontoando o garrafão e forçando a equipe de Oklahoma a arremessar. Enquanto Paul George acertou seus arremessos, mesmo sentindo o ombro, o Thunder até manteve a liderança no placar; quando as bolas pararam de cair, o Thunder passou a depender de um bizarro ataque de costas para a cesta de Steven Adams e o Blazers encaixou um bom ataque de transição, a diferença entre os dois times pareceu intransponível.

Curioso é que o Blazers já havia entrado em quadra disposto a usar mais os arremessos longos ao invés de Enes Kanter, já que o Thunder no Jogo 1 resolveu tirar essa rota de fuga para o garrafão cedendo mais espaço no perímetro; no fim foi a escolha certa especialmente porque Enes Kanter se contundiu no meio do Jogo 2, lesionando a mão. Com ele fora, que já era substituto de Nurkic, também fora por lesão, o Blazers já está no fundo do banco para usar pivôs. Veremos como o Thunder usará isso ao seu favor nas próximas partidas da série.


Quando o placar de Raptors e Magic apontava 11 a 0 para os donos da casa, o jogo acabou. Deveriam ter apagado as luzes do ginásio, dado uma pipoca grátis pra galera e chamado um Uber de cortesia.

Nos primeiros minutos já dava pra entender qual era a receita: se o ataque do Magic já é LIMITADO, tadinho, como será que eles iriam reagir ao Raptors aplicando uma defesa apertada, sufocada, agressiva, enlouquecida, digna da quinta melhor defesa da temporada regular? E se DJ Augustin, que manteve o ataque do Magic minimamente funcional durante o primeiro tempo do Jogo 1, tivesse Danny Green no seu cangote a partida inteira, sem um segundo de respiro? E se o Raptors usasse essa defesa para puxar contra-ataques que pegassem a defesa do Magic despreparada, já que a gente dedurou aqui que eles são péssimos em transição defensiva e justamente por isso abrem mão dos rebotes de ataque para ter tempo de se organizar?

O resultado: o Magic desperdiçou a bola 17 vezes, 10 delas em roubos de bola; esses desperdícios viraram 26 pontos, 15 deles em contra-ataque; e DJ Augustin acertou apenas um de seus 6 arremessos. Isso já era o suficiente para uma surra, mas teve mais. Depois de acabar zerado o Jogo 1, errando todos os 7 arremessos que deu (e os 2 lances livres que tentou), Kyle Lowry agora teve – olha que LUXO – jogadas desenhadas para ele arremessar livre, recebendo a bola em movimento, e não ter que criar os próprios arremessos contra a “barreira” que o Magic cria nas laterais da quadra. Com isso marcou 22 pontos, acertando 8 de 13 arremessos. Defendo aqui (enquanto tomo sapatadas no Twitter) que Lowry teve um bom Jogo 1, produzindo bem na defesa e fazendo o que podia no ataque; prova disso é que apesar de sair zerado, seu time marcou 11 pontos a mais do que o Magic enquanto ele esteve em quadra. Mas quando ele acerta essas bolas, com um ajuste ou outro, o Raptors é um time infinitamente mais perigoso no ataque.

E para Kawhi Leonard não foi necessário sequer esse ajuste ou outro: a instrução foi apenas “ATAQUE A BARREIRA”. Legal, o Magic vai dobrar a marcação em você, talvez até triplicar, mas você é Kawhi Leonard, maior, mais rápido e mais forte do que qualquer um dos defensores do Magic. Vale lembrar que a defesa do Magic é tão boa justamente porque faz um trabalho coletivo para compensar as limitações técnicas individuais de seus membros; no fundo, ninguém ali é uma parede. Kawhi simplesmente ignorou as marcações duplas nas laterais arremessando por cima delas, e quando infiltrou em cima de três defensores parecia um adulto roubando pirulito de criança:

Foram 37 pontos para Kawhi Leonard, 15 arremessos certos em 22 tentativas, e uma agressividade que a gente não via há muito, muito tempo. Parece que ele percebeu a responsabilidade que tem em fazer esse time dar certo, o MICO que seria ser eliminado pro Magic (perder um jogo em casa já foi catastrófico), e se lembrou que ele é simplesmente melhor do que os outros. Não imagino o Magic tendo qualquer resposta tática possível ao que o Kawhi fez ontem, e o resto da NBA já pode ter calafrios: o homem que nunca ri está querendo rir por último.

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

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