Resumo da Rodada 18/5 – A demolição de Draymond Green

Nas entrevistas dadas após o Jogo 3, o técnico Steve Kerr chamou Draymond Green de “bola de demolição” e disse que sua atuação na noite de sábado foi uma das melhores da carreira. Ele brilhou com 20 pontos, 13 rebotes, 12 assistências, 4 roubos, excelente defesa em mais uma vitória de virada do Golden State Warriors sobre o Portland Trail Blazers. Se no Jogo 2 a desvantagem era de 17 pontos, dessa vez foi de DEZOITO e mesmo assim o atual campeão buscou a virada para vencer por 110 a 99 e abrir 3 a 0 na final da Conferência Oeste.

Tem sido uma constante: desde a lesão de Kevin Durant no Jogo 5 da série contra o Houston Rockets, jogo após jogo algum nome do Warriors decide brilhar como nunca antes. Foi Steph Curry com 23 pontos no último quarto, Andre Iguodala com cinco bolas de 3 pontos pela quarta vez na carreira, Kevon Looney com seu máximo de minutos e pontos nos Playoffs e por aí vai. Parece que a lesão de Durant forçou o elenco todo a jogar mais e ninguém hesitou em apresentar seu melhor.

O jogo começou com uma surpresa, a escalação da Damian Jones como pivô titular do Warriors. O jovem grandalhão começou bem demais a temporada, mas sofreu uma lesão séria logo de cara e voltou a jogar só na última partida após cerca de cinco meses parado. Até entendi a ideia, que era ter um cara com as mesmas características de Kevon Looney, mas sem precisar mexer nos minutos que ele costuma jogar. Mas por que não Jordan Bell? Boa pergunta, ao que o técnico Steve Kerr só soube dizer que quis dar essa experiência para o menino. Durou pouco: ele fez três faltas em três minutos e não mais pisou em quadra. Mas se tem um time que pode arriscar essas coisas, é o Warriors.

O interessante é que do outro lado também houve mudança no pivô titular. Ao invés de Enes Kanter, o técnico Terry Stotts apostou em Meyers Leonard para iniciar o jogo. A ideia quando ele entra é espaçar a quadra com seu bom arremesso e dar uma opção mais atlética na defesa, alguém para contestar arremessos no perímetro de um jeito que o turco não consegue. Leonard chegou a entrar na série contra o Denver Nuggets com essa função, mas bastou errar os primeiros arremessos e ser torturado por Nikola Jokic que ele foi chutado para o fim do banco de novo. Sem um pivô tão forte para marcar no mano-a-mano, será que a aposta poderia dar certo?

Bom, vamos responder que durante um período de ao menos 20 minutos todo o mundo da NBA só falava dele. E falava BEM. Leonard marcou 13 pontos no primeiro tempo, acertou duas bolas de três pontos, enterrou em contra-ataque e contestou arremesso de Steph Curry com autoridade. Se a mudança na escalação do Warriors foi uma experiência relâmpago, a do Blazers mudou a cara da partida.

As cestas acima mostram como Leonard fez um pouco de tudo, sempre se aproveitando das já conhecidas e previsíveis dobras de marcação sobre Damian Lillard. Em um lance ele fica parado na linha dos três pontos e tem todo o tempo do mundo para chutar, em outro ele faz o pick-and-roll tradicional e recebe a bola no garrafão para finalizar. Ele conseguiu algo que Kanter não estava tendo tanto sucesso nos jogos anteriores, que é se aproveitar do espaço livre que os armadores do Blazers criam para causar problemas dentro do garrafão.

Outras duas coisas fizeram bombar o ataque do Blazers na primeira etapa. Com poucos minutos de quadra, Zach Collins e Enes Kanter somaram SEIS dos oito rebotes de ataque do time na primeira etapa e transformaram essas oportunidades em cestas fáceis. Bater VINTE E DOIS lances-livres na primeira etapa ajudou bastante também, claro.

A diferença a favor do Blazers chegou em 18, mas poderia ter sido ainda mais se não fosse por Draymond Green. No vídeo abaixo vemos como ele foi o responsável por acelerar o jogo em corridas desesperadas ao longo de todo o primeiro tempo. Ele correu após roubos de bola, tocos, rebotes e até mesmo após cestas sofridas! Ele até admitiu cansaço no fim do jogo, mas em nenhum momento deu a entender isso:

Depois do jogo ele explicou que tem mais a bola na mão como criador de jogadas quando Kevin Durant está fora e que sente que precisa acelerar o jogo sempre que o ataque do time está estático ou quando o adversário ameaça uma boa sequência. E foi isso mesmo que aconteceu: o Blazers estava defendendo bem e poderia tranquilamente ter matado o jogo com 25 ou 30 pontos de vantagem se tudo continuasse do jeito que estava no segundo quarto, mas sempre que o Blazers parecia embalar Draymond Green tinha uma resposta. Correr é seu jeito de pegar a defesa com um passo de atraso, e não há time melhor no mundo que o Warriors para se aproveitar de uma defesa desequilibrada.

Fora da quadra, Draymond Green também deu aula. Após Jordan Bell errar uma enterrada fácil, ele apareceu para dar uma força ao jovem: “eu errei arremessos, Steph errou, Klay errou”, tá tudo bem”. Depois do jogo Draymond disse que ficou frustrado na hora, mas que lembrou que o coordenador de vídeo James Laughlin disse antes da série que o banco de reservas iria precisar da liderança dele para lidar com o papel maior que teriam agora na ausência de Durant:

Se no jogo passado a virada aconteceu em um “terceiro quarto da morte”, dessa vez a reviravolta foi em um “terceiro quarto da morte LENTA”. No Jogo 2 o Warriors fez 13 a 0 em MENOS DE DOIS MINUTOS, no Jogo 3 a vantagem caiu de maneira mais lenta, mas não menos mortal. Foi até triste de ver como a vantagem foi caindo, o desastre parecia cada vez mais iminente e o Blazers não soube responder. Pelo contrário, o time novamente desmontou.

No Twitter choveram críticas à postura do time de Damian Lillard e CJ McCollum. Não foi sem razão, já que o time estava em casa, num jogo importante, VENCENDO (ainda) e ainda parecia medroso, sem energia, quase entregue. Algo estranho de ver em um time que superou a lesão de Jusuf Nurkic na temporada regular, que venceu a série mais BRIGADA dos Playoffs contra o OKC Thunder, que venceu a partida mais longa da história da NBA com quatro prorrogações e que venceu um Jogo 7 fora de casa contra o Denver Nuggets. Superação tem sido a identidade da equipe, mas ontem, por algum motivo, não vimos isso.

Na defesa parece ter faltado atenção e disciplina. Dois lances simbolizam bem isso: veja abaixo como no primeiro tempo Meyers Leonard lê muito bem o corta-luz feito para Steph Curry, sobe até a linha dos 3 pontos e contesta o arremesso, forçando uma airball do melhor arremessador da Terra. No segundo tempo, Leonard parece nem perceber que Curry está passando por um bloqueio de Looney e deixa o arremesso acontecer sem qualquer marcação. Comparem:

Ofensivamente, o Blazers voltou a sofrer com a má fase de Damian Lillard e a série nem tão inspirada de CJ McCollum. O primeiro está acertando só 32% dos arremessos na série, enquanto o segundo está com 38%. É muito pouco para um time que depende tanto dos dois para pontuar. Eles até tem passado bem a bola quando recebem as dobras, mas quando o jogo aperta o Warriors simplesmente IGNORA o resto do elenco. Veja como Moe Harkless e Al-Farouq Aminu são IGNORADOS por Andre Iguodala e Draymond Green nessa jogada, com todos os olhos sobre Lillard:

Em geral o armador tem feito os passes certos nessa situação, mas os coadjuvantes não têm dado conta do recado durante todo o jogo. Após a partida Lillard disse que o time alcançou seus melhores momentos nos últimos jogos quando ele passou a bola, mas que sabe que precisa pontuar mais eventualmente para vencer. Mas ao contrário do que aconteceu na série contra o OKC Thunder e eventualmente contra o Nuggets, Lillard e McCollum tem sofrido para vencer duelos individuais.

Não ajuda que Damian Lillard esteja jogando machucado. Ontem finalmente veio a informação de que ele está com uma lesão grave nas costelas desde que Looney caiu em cima dele no jogo passado:

Não que ele estivesse brilhando antes disso, mas a dor certamente não ajuda. É um desafio físico se impor sobre uma defesa tão pressionada e ele não parece ter condição de fazer isso. Além de talento e plano de jogo é preciso de velocidade e força para bater constantes dobras de marcação de maneira menos passiva. Não deve acontecer tão cedo.

Se há uma notícia ruim para o Golden State Warriors foi a lesão de Andre Iguodala. Ele tem sido peça chave para fazer a vida de Lillard um inferno, mas teve que sair no meio do jogo com dores na panturrilha e não voltou mais depois de sair no meio do terceiro período. Não parece nada sério, mas dá arrepios em um time já desfalcado de Kevin Durant e DeMarcus Cousins. Em algum momento o time vai ter que parecer pior com tantos desfalques, não?

Torcedor do Lakers e defensor de 87,4% das estatísticas.

Como funcionam as assinaturas do Bola Presa?

Como são os planos?

São dois tipos de planos MENSAIS para você assinar o Bola Presa:

R$ 14

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo: Textos, Filtro Bola Presa, Podcast BTPH, Podcast Especial, Podcast Clube do Livro e texto do FilmRoom.

R$ 20

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo + Grupo no Facebook + Pelada mensal em SP + Sorteios e Bolões + Vídeo ao vivo para discutir Clube do Livro e FilmRoom.

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo: Textos, Filtro Bola Presa, Podcast BTPH, Podcast Especial, Podcast Clube do Livro e texto do FilmRoom.

Acesso ao nosso conteúdo exclusivo + Grupo no Facebook + Pelada mensal em SP + Sorteios e Bolões + Vídeo ao vivo para discutir Clube do Livro e FilmRoom.

Como funciona o pagamento?

As assinaturas podem ser feitas pelo Aplicativo PicPay. Baixe, cadastre-se, busque o Bola Presa e escolha seu plano de assinaturas. Você pode pagar com cartão de crédito ou carregar sua Carteira PicPay com boleto ou depósito bancário. Depois de assinar, escreva para bolapresa@gmail.com para mais detalhes de como ter acesso ao conteúdo exclusivo.

DÚVIDAS SOBRE AS ASSINATURAS? Nos escreva: bolapresa@gmail.com

Assine já!