Resumo da Rodada 26/4 – “Te prometo que a gente tentou”

“Se deixarem Kevin Durant esquentar desse jeito, ele pode fazer 50 pontos”, alertava a equipe de transmissão do Los Angeles Clippers com apenas 4 minutos decorridos no Jogo 6. Não era questão de “deixar”, entretanto: Durant marcou 23 pontos SÓ NO SEGUNDO QUARTO mesmo com todos os esforços do Clippers para pará-lo. Enfrentou múltiplos defensores diferentes, marcação dupla, força física e faltas constantes, tudo sem ser abalado. Arremessou por cima de todos os rostos que enfrentou, recusou corta-luz de seus companheiros para atacar seus oponentes no mano-a-mano, contornou a marcação dupla e driblou seu caminho até a cesta contra uma defesa pressionada.

“O que mais vocês poderiam ter feito para diminuir o ritmo de Kevin, especialmente no primeiro tempo?”, perguntou o jornalista ao fim da partida, quando o ala havia somado os profetizados 50 pontos e mais a vitória. “O que você acha? Ele é o Kevin Durant”, respondeu Patrick Beverley. “Te prometo que a gente tentou”, assegurou Lou Williams. E prosseguiu: “Às vezes você se depara com gente especial e não importa que tipo de defesa você usa contra eles. Não tem esquema tático. Não foi falta de esforço da nossa parte, ele se provou. Ele provou exatamente o que as pessoas pensam que ele é, e quem ele pensa que é. Ele conseguiu. E aí você só tira o chapéu para um cara assim.”

De fato, não é como se o Clippers não tivesse tentado. Pelo contrário, o time fez ajustes interessantes e chegou a abrir 10 pontos de vantagem no placar no meio do primeiro quarto. Dessa vez, entraram em quadra sem um pivô – JaMychal Green assumiu a função e mal pisou no garrafão – para espaçar melhor a quadra, dobrar a marcação no perímetro e ter mais espaço para infiltrações. Conseguiram com isso, pela primeira vez na série, ter um ataque agressivo e perigoso mesmo sem Lou Williams e Montrezl Harrell em quadra para iniciar a partida. No entanto, isso também permitiu que o Golden State Warriors usasse Draymond Green como pivô sem sofrer com sua falta de altura, e o resultado foi muito positivo para os atuais campeões: Draymond pegou 4 rebotes ofensivos só no primeiro quarto, terminou o jogo com 4 tocos e, mais importante, voltou a ser uma figura fundamental para organizar o ataque do Warriors. Nos momentos em que Stephen Curry recebeu qualquer sinal de marcação dupla, por exemplo, Draymond estava na cabeça do garrafão pronto para receber um passe e, ao invés do arremesso, bater para a cesta e encontrar outros companheiros com pontes aéreas ou passes diretos para a zona morta. Quando Curry foi pressionado por uma defesa impecável e ficou totalmente sem espaço, foi Draymond quem saiu de sua posição para recuar e receber passes desesperados, reorganizando o ataque e tirando o peso dos ombros de seu armador. Não à toa terminou o jogo com 16 pontos, 14 rebotes e 10 assistências, sua volta ao mundo do triple-double.

Draymond Green também foi fundamental na defesa ditando a intensidade, na primeira vez em toda a série em que o Warriors pareceu jogar com o mesmo grau de vontade e desespero que o Clippers. Draymond puxou a defesa de transição, contestou arremessos, ajudou a interceptar e desviar bolas passadas para o garrafão e ainda colaborou com as dobras de marcação constantes em Lou Williams. Dessa vez Williams não teve o benefício do jogo de mano-a-mano: teve que enfrentar uma defesa desenhada para tirar a bola de suas mãos e acabou a partida com apenas 8 pontos e 3 arremessos convertidos em 21 tentativas.

Isso não o impediu de ser OVACIONADO ao ir em definitivo para o banco de reservas quando o Clippers jogou a toalha próximo ao final do quarto período. O mesmo aconteceu com Patrick Beverley, que chegou até a ser celebrado na internet por Dwyane Wade como “o homem que todos amam odiar, e que todos odeiam amar”.

O Clippers foi celebrado porque entrou em quadra confiante de que poderia ganhar o jogo – assim como já havia feito outras duas vezes – mesmo sabendo de suas limitações e da promessa do Warriors de “jogar pra valer”. Fez ajustes importantes, incomodou na defesa, jogou com intensidade, teve um ataque mais fluido. Tomou um choque de realidade depois da atuação IMPARÁVEL de Kevin Durant no segundo quarto e mesmo assim tentou uma recuperação heroica no terceiro período, conseguindo na unha OITO rebotes de ataque e com Shai Gilgeous-Alexander assumindo as rédeas do ataque. Mas contra um Warriors que nunca se abalou, manteve a constância, tinha rotas de fuga à marcação pressionada no perímetro e no meio da quadra, um Kevin Durant que marcou 23 pontos no segundo quarto e uma defesa que forçou Lou Williams a errar todos os seus arremessos durante a recuperação do Clippers no terceiro, não havia muito o que se fazer. Quando o quarto período começou a torcida de Los Angeles já estava celebrando a eliminação, orgulhosa do esforço, da dedicação e da identidade de um time que forçou um Jogo 6 contra o Warriors e arrancou de Durant que ele fosse a melhor versão de si mesmo – nada abaixo disso seria suficiente contra uma equipe que estava sangrando em quadra.

 

Durante o último quarto inteiro, mesmo que a vantagem nunca tenha ultrapassado os 25 pontos – e tenha eventualmente flertado com apenas 10 – todas as conversas já não eram mais sobre o presente do Clippers, mas sim sobre seu futuro. Comentaristas de Los Angeles celebravam Lou Williams como o homem que, de um jeito ou de outro, “levará o Clippers a um título” – seja marcando pontos improváveis contra o Warriors, seja mostrando do que esse time é feito e, com isso, atraindo estrelas ao fim da temporada. O Clippers, mais do que qualquer outro time da NBA, sonha em fazer grandes contratações quando a temporada acabar com o seu enorme espaço salarial, e antes mesmo do término do jogo esse sonho já se fazia mais presente do que qualquer coisa ocorrendo na quadra.

Esse time não recebeu nenhuma glória imediata, tendo sido eliminado na primeira rodada, e muitos dos jogadores talvez não estejam aí para colhê-la no futuro, mas é inegável que o que foi plantado ao longo desses 6 jogos dará frutos incríveis para a franquia. Doc Rivers é mais do que nunca um técnico respeitado, com o qual todos os jogadores querem trabalhar; o time tem uma identidade, uma assinatura, um estilo, uma cara; brigam duro com qualquer um, seja qual for a situação e as adversidades; compõe uma família unida, em que todos ajudam todos o tempo inteiro; e só falta a esse elenco um grande nome, uma grande estrela – um Kevin Durant. Sem sombra de dúvidas, o Clippers tentou – vencer a série, se apresentar ao mundo e parar Kevin Durant, tudo ao mesmo tempo. Agora, só falta que eles consigam atrair uma dessas estrelas que eles se especializaram tanto em antagonizar, atrapalhar e incomodar. Quando Draymond Green abandonou sua entrevista pós-jogo para parabenizar Montrezl Harrell porque ele fazia questão de mostrar sua admiração pelo trabalho realizado na série, ficou evidente que eles conseguiram: mesmo quem odeia o Clippers mais do que tudo é capaz de admirá-los. Agora resta dar o próximo passo e decidir ajudá-los. Uma dessas estrelas precisa escolher jogar por eles, e aí a vitória terá sido maior e mais importante do que o que vimos nessa série parece nos indicar.

Torcedor do Rockets e apreciador de basquete videogamístico.

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