#porzingsanity

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O assunto do ano em Nova York tem nome. Um nome bem divertido de falar, aliás: PORZINGIS.

O jornalista Chris Herring, do Wall Street Journal, diz que há um jeito bem fácil de medir a popularidade de um jogador que atua no New York Knicks. Segundo ele, é só ver quantos jornalistas abandonam a entrevista que estão fazendo no momento em que Carmelo Anthony, sempre o último a sair do vestiário, se faz disponível à imprensa. Amar’e Stoudemire era largado às traças quando Melo aparecia, mas Kristaps Porzingis? Herring disse que outro dia quase conseguiu uma entrevista mano-a-mano com Carmelo porque o resto do planeta cercava o novato letão com seus microfones e gravadores.

?Filtro Bola Presa #5

Todos nós sabemos que LeBron James se acha o centro do mundo, né? Isso deve acontecer porque geralmente ele é mesmo, aí o cara acostuma. Mas amigo LeBrão, não é porque você domina o planeta que pode alterar regras básicas do basquete. Por exemplo: você não pode simplesmente se substituir sozinho no meio de uma partida! Avisar seu técnico para ele ao menos tentar correr e enfiar um quinto jogador em quadra também ajudaria.

https://www.youtube.com/watch?v=CbURiNygZ_k

Mais fácil o pobre Cavs ganhar só com o LeBron do que com 4 reservas e sem o LeBron na quadra. E esse nem foi o momento mais constrangedor do Cavs na semana:

Filtro Bola Presa – Pré-temporada

Quando anunciamos no nosso Apoia.se que os assinantes teriam direito a um Filtro Bola Presa por semana, imaginamos que nem todo mundo iria lembrar da nossa seção de alguns anos atrás. Por isso, que tal uma versão aberta e caprichada após essa pré-temporada?

O conceito do Filtro é simples: uma espécie de resumo semanal em que fazemos um apanhado de pequenas histórias que nunca iriam virar textos grandes, mas que merecem alguma atenção. Pode ser um vídeo, uma notícia, uma estatística, uma curiosidade. Bora lá!


Primeiros jogos de pré-temporada e já tivemos a primeira briga! Trevor Booker, o gatilho mais rápido do Oeste, se enroscou com Julius Randle em uma partida entre Jazz e Lakers e Roy Hibbert foi lá tirar satisfação. Booker, provavelmente achando enfadonho jogar tantos amistosos, já tentou dar um SAFANÃO no pivô do Lakers para ver se arruma uma suspensão/folga.

Sem receita

Os últimos dias, recheados de grandes contratações, tem sido combustível para uma série de análises sobre quem venceu e quem perdeu na briga que toda offseason oferece aos times na hora de melhorar seus elencos. Os resultados são bem óbvios: os vencedores são Cleveland Cavaliers com LeBron James, Washington Wizards com Paul Pierce e Dallas Mavericks com Chandler Parsons e o desconto na renovação de contrato de Dirk Nowitzki. Os perdedores são Houston Rockets, que perdeu Parsons e não conseguiu Chris Bosh; o Heat, que manteve o time vice-campeão mas sem o melhor jogador da galáxia; e Brooklyn Nets e Los Angeles Lakers, que perderam bons veteranos, Pierce e Gasol, e não conseguem atrair ou manter bons nomes mesmo estando em grandes centros.

Tendo dito tudo isso, surge uma questão: o quanto cada time é culpado ou merecedor de críticas por esses resultados? O quanto de sorte, talento e planejamento envolve a construção de uma equipe vencedora?

Melo

Comecemos por um time que não venceu o offseason, mas se safou de uma grande derrota. O New York Knicks ficou bem próximo de perder Carmelo Anthony para outra equipe, mas conseguiu, no fim das contas, renovar com o ala. O cenário para Anthony em NY não é dos mais animadores, depois de vários anos de resultado mediano, o time piorou muito no ano passado e não vai muito mudado para a próxima temporada. Amar’e Stoudemire e Andrea Bargnani comem boa parte da folha salarial para jogar pouco e continuam lá, Tyson Chandler foi trocado por José Calderón e o time será treinado por um novato na função, Derek Fisher.

Eu, no lugar de Anthony, já teria dado o fora de NY faz tempo! O Chicago Bulls estava lá prontinho para oferecer um bom contrato pra ele. Um time que já é bom sem Derrick Rose, que tem um dos melhores técnicos da NBA, um sistema de jogo definido e que só precisa de mais poder de fogo para dar o último passo rumo a disputa por títulos. Ele era a mudança! O que o Knicks tinha para oferecer e ofereceu era só esperança: daqui um ano acabam os contratos de Stoudemire e Bargnani, daqui 2 anos surge uma nova safra de Free Agents espetacular e pessoas irão vir jogar conosco.

Acho que é a hora de lembrar que dos grandes nomes do Draft de 2003, LeBron James e Chris Bosh têm 2 títulos cada, Dwyane Wade tem 3. Carmelo Anthony só passou da primeira rodada dos Playoffs duas vezes! Nunca vou colocar culpa individual num resultado coletivo, certamente Melo teria melhores resultados se tivesse mais sorte no Denver Nuggets, se tivesse jogado mais tempo no Leste ou se chegasse em um Knicks mais bem organizado. Nada disso é culpa dele. Porém passa a ser um pouco quando ele tem finalmente a chance de definir seus rumos na carreira e foge dos melhores lugares para se jogar.

Bosh

E é aí que temos que dar todos os parabéns para Phil Jackson, novo General Manger e faz-tudo do New York Knicks. Após seu novo contrato, Melo disse que foi difícil recusar um trabalho para o técnico mais vencedor da NBA nas últimas décadas, e que acreditou em seu plano. Ao ler isso, cheguei a conclusão de que para montar um bom time você não precisa de um bom General Manager apenas, mas de alguém com boa lábia e uma imagem muito boa dentro da liga. A ideia de uma troca ou contratação ou argumentação pode vir de qualquer um na diretoria, mas ela deve ser apresentada por alguém que cause uma boa impressão. Vender uma contratação é vender o imprevisível futuro, mas com um tempero romantizado do passado. Ninguém faz isso melhor do que os caras rodados, vencedores e idolatrados da liga: eu venci no passado e, logo, vencerei no futuro. Como se fosse tão fácil, né Felipão?

Dá pra interpretar que o argumento de Phil Jackson para Carmelo Anthony foi mais ou menos o seguinte: cheguei agora e preciso de tempo para arrumar as coisas, espera mais um ano aí, ganhando muito dinheiro, e você fará parte de tudo. Simples assim, e aí um dos melhores jogadores do planeta abraçou e colocou seus últimos anos no auge do basquete nas mãos dele.

Lembra um pouco o que Pat Riley fez com LeBron James em 2010. Foi lá, fez a proposta, mostrou sua coleção de anéis de campeão e disse que sabia o caminho das pedras. Se era pra se juntar com Wade e Bosh, que fosse no time comandando por um vencedor como Riley. Dá pra dizer que o presidente do Heat usou esse artifício mais uma vez em 2014, mas dessa vez não em LeBron, mas de Chris Bosh. Ele tinha a proposta dos sonhos em Houston: seria muito bem pago para ser o veterano que lidera um time jovem, talentosíssimo e que só pediria de Bosh aquilo que ele pode oferecer. Nada de exigir que ele jogue de costas para a cesta ou coisas que já o irritaram no passado. Mas Riley ofereceu o que podia, além do quinto ano de contrato que o Houston não era autorizado, a chance de ser o cara de um time que não quer se reconstruir perdendo, mas se mantendo entre os melhores. Riley garantiu manter o alto nível para os próximos 2 anos e, depois, uma nova reestruturação. Contratou Luol Deng e renovou com Mario Chalmers e Chris Andersen apenas até 2016. Só Bosh e Wade ficam nos planos a longo prazo, claro.

Riley

Não dá pra ignorar que tanto Pat Riley quanto Phil Jackson, além de encantar com suas histórias de sucesso, falam muito em confiança. Pode deixar com eles que tudo será resolvido, há um plano de médio a longo prazo e tudo dará certo. E, importante, será feito em volta desses super jogadores. Isso explica um pouco do fracasso do Houston Rockets nesta offseason.

Eu já tinha achado estranho na temporada passada quando Dwight Howard havia hesitado tanto antes de ir para o Rockets, time que era obviamente a melhor opção para ele em todos os aspectos. Precisou de muita lábia e até de dezenas de mensagens diárias de, vejam só, Chandler Parsons, que se aproximou do pivô para falar das maravilhas de se trabalhar e viver em Houston. Um ano depois Parsons vai embora do time se dizendo decepcionado e frustrado com a maneira que as coisas aconteceram. Abaixo suas palavras em entrevista ao Yahoo!Sports:

“Honestamente, me senti ofendido pela maneira com que o processo foi conduzido. Eles disseram publicamente que queriam uma terceira estrela para o time e eu acho que tinham uma bem na frente deles. É a maneira com que eles me veem como jogador, mas eu acho que ainda nem cheguei perto de todo o meu potencial”.

Depois, ao longo da entrevista, Parsons até diz que entende o que  Daryl Morey, “um manager muito agressivo”, estava tentando fazer, mas claramente há um ressentimento. E não sabemos como James Harden e principalmente Dwight Howard, atraído ao time por Parsons, vão reagir a saída de um dos principais jogadores do time. Mesmo com a chegada do veterano Trevor Ariza para o seu lugar, é uma baita mudança e que claramente não melhora o time a ponto de ambicionar muito mais coisas. Morey não é do meio do basquete, nunca jogou, nunca foi campeão e tenta ser pioneiro no uso de tecnologias e estatísticas na NBA. Ele pode estar se tornando aquele pioneiro que se fere por ser o primeiro a pisar no território, mas pode não sobrevive para aproveitar tudo o que descobriu.

O caso me lembra um pouco o do Minnesota Timberwolves com Kevin Love e o antigo GM, David Kahn. Entre muitos erros e alguns acertos, o agressivo e criativo Kahn chegou a montar bons elencos no Wolves, mas na temporada seguinte tudo era alterado na eterna busca por melhora. Uma vez Love se disse simplesmente cansado de sempre ter que começar do zero todo santo ano. Em geral, jogadores gostam de estabilidade para eles e para seus colegas favoritos. Mudança, só quando está dando tudo errado e com data marcada (como as de Knicks e Heat), não a qualquer momento, como acontecesse com o Rockets. Será que isso não pesou na escolha de Bosh? Os jogadores confiam no que Morey está fazendo? Descartar Jeremy Lin e Omer Asik dois anos depois de lutar tanto por eles não ajuda a reputação.

Parsons

Mas há um mérito nisso tudo. Se o Rockets muda demais, é porque eles não se contentam com o meio da tabela. Daryl Morey sabe que o mesmo time do ano passado teria que evoluir em muita coisa para lutar por um título, e que o caminho mais rápido para essa evolução era a adição de um outro jogador fora de série. A ideia era manter Bosh e Chandler e eles criaram um bom cenário para os dois ficarem, houve planejamento. Apenas não contavam com a decisão de Bosh de ser o capitão que afunda com o navio em Miami; nem com o Dallas Mavericks oferecendo um dinheiro surreal para Chandler. Chegou ao ponto em que reassinar o ala seria garantir pelo menos 3 anos onde o Rockets não teria flexibilidade econômica para novas negociações, dá pra imaginar a agonia de Morey com um mundo onde ele não pudesse trocar ninguém?

O cenário lembra, um pouco, de longe, o do Los Angeles Lakers. O time sai como um grande derrotado dessa offseason, é claro: entrou no Draft e nas negociações por Free Agents sem nem ter um técnico, sem ter um armador e com pouquíssimos jogadores garantidos no elenco. Só depois de perder na briga por LeBron James, Carmelo Anthony, Chris Bosh e até Dirk Nowitzi que se contentaram em reassinar alguns jogadores do ano passado (Jordan Hill e Nick Young) e trocar por Jeremy Lin. Mas talvez a maior humilhação tenha sido quando Pau Gasol recusou uma proposta mais lucrativa do Lakers pela chance de ir para o Bulls.

A proposta de GM Mitch Kupchak é parecida com a de Morey, simplesmente não vale a pena lutar pelo meio da tabela. Se o Lakers não conseguiu quem queria, deixou os nomes medianos para trás e pelo jeito só fará o básico necessário para ter um elenco completo no próximo ano. O problema é que o Houston faz isso já estando no meio da tabela, com tudo para ir para os Playoffs e tudo mais, enquanto o Lakers está no fundo da conferência e prestes a ser ultrapassado por Utah Jazz e Sacramento Kings. O dilema em Los Angeles é conseguir ter espaço salarial para a próxima super estrela, mas ao mesmo tempo criar um time bom o bastante para atrair esse jogador. Quem quer ir jogar num time sem técnico e cujas maiores estrelas, Kobe Bryant e Steve Nash, não dão nenhuma garantia de que estarão saudáveis no próximo ano? O tal “grande mercado”, as cidades interessantes dos EUA, até tem seus atrativos, mas não fazem milagre.

Kupchak

O ponto disso tudo é que para conseguir jogadores bom, além do Draft e de trocas, você precisa ser interessante. Pois é, com toda a subjetividade que a palavra tem nela. Para LeBron James em especial, e só ele, ser um time no noroeste de Ohio é ser interessante. E tanto faz que o Cleveland Cavaliers é uma franquia fracassada, mal dirigida e que tomou decisões péssimas nos últimos mil anos, ele quer ir pra lá para ajudar a resolver. Para o Knicks, quando deixou de bastar estar na maior cidade dos EUA, eles chamaram Phil Jackson para se tornarem mais atrativos, como fez Miami, que juntou os baixos impostos da Flórida e as praias com Pat Riley e um histórico recente de vitórias.

O Lakers, por outro lado, vive um momento de indecisão. Alguns acham que Mitch Kupchak daria o fora depois que o antigo dono do time, Jerry Buss, morreu no ano passado. Ele ficou, mas está na corda bamba e dependendo de boas contratações para se segurar no cargo, uma dessas escolhas é do técnico. Que jogador de alto nível escolha ir para um time sem treinador? Não faz sentido. E se jogar ao lado de Kobe não é das coisas mais fáceis, o que dirá de um Kobe que volta de duas lesões sérias aos 30 e muitos anos de idade?

No momento, o Lakers apela para sua história e para as raízes de alguns jogadores. Será que ano que vem Kevin Love quer voltar para sua amada Califórnia, onde jogou pela UCLA? Será que Kevin Durant que sair de Oklahoma City e viver ‘onde tudo acontece’? É pouco para um time se apoiar nisso, espero que o planejamento seja maior do que isso. Mas o pior é que pode dar certo.

Dominó

Dominó

Todo ano as coisas são mais ou menos parecidas, mas neste ano em especial, a época de contratações de Free Agents foi uma grande fileira de dominós. Muitas coisas foram conversadas, mais ou menos acertadas, mas uma ou duas ações precisavam ser tomadas para os eventos se desenrolarem. E vai aí um pequeno relato de como as coisas aconteceram nos últimos dias.

Parsons

Tudo começou com o Dallas Mavericks fazendo um joguinho com seu rival de divisão e estado, o Houston Rockets. O time de Mark Cuban surpreendeu a todos quando ofereceu um contrato de 45 milhões de dólares por 3 anos para Chandler Parsons, um Free Agent Restrito do Rockets. A atitude pegou todos de calça curta por dois motivos: (1) apesar de ser necessário, às vezes, exagerar no contrato de um Free Agent Restrito, já que o outro time pode igualar a oferta, 15 milhões por ano para Parsons é muita coisa; (2) todos ainda colocavam Trevor Ariza, Luol Deng e, com mínimas chances, até Carmelo Anthony no radar do Mavs para a posição, era esperado que só após a decisão dos 3 que alguma contratação seria feita.

A atitude, de repente, parecia arruinar todos os planos do sempre metódico Daryl Morey, manager do Houston Rockets. Chandler Parsons tinha uma cláusula em seu contrato que deixava que ele fosse estendido por mais um ano, a próxima temporada, por uma valor ínfimo, menos de 1 milhão de dólares, mais ou menos o que ele já ganha hoje por ter sido uma humilde escolha de 2ª rodada no Draft de 2011. Morey, porém, decidiu não usar essa cláusula e deixar seu contrato expirar.

Parecia uma decisão não só estranha, mas absurda. Tinha explicação, porém: ao encerrar o contrato agora, Parsons se tornaria um Free Agent Restrito que, como dissemos, pode ter sua oferta igualada e assim ser mantido em Houston. Com a cláusula, Parsons ficaria mais um ano no Rockets, mas no ano que vem se tornaria um Free Agent Irrestrito, podendo ir para qualquer lugar. Morey queria ficar no controle da situação, ter a opção de igualar e, mais do que isso, intimidar outros times. Ao saber que Parsons é restrito, eles pensariam duas vezes antes de correr atrás do jogador, sabendo que o Rockets tinha totais condições e desejo de igualar a oferta.

Parsons Dirk

Tudo muito bem pensado na teoria, especialmente para alguém que quer estar sempre no controle das operações. Mas no mercado de jogadores você nunca está totalmente no comando, não dá pra saber o que jogadores e outros times estão fazendo e decidindo. O Dallas Mavericks e o Houston Rockets têm uma relação complicada desde o ano passado, quando o Mavs ficou ofendido ao ser perguntado sobre uma possível troca por Dirk Nowitki logo depois do Rockets ter vencido o Mavs na disputa por Dwight Howard. E nesse ano, pouco depois de Dirk ter dito que aceitaria uma salário menor em Dallas, “vazou” uma informação que o Rockets aceitaria pagar muito mais por ele, o que o Mavs leu como uma provocação, uma maneira de Dirk se deslumbrar e, ou sair do time, ou desistir do desconto.

Por fim, houve o estranhíssimo caso de Gersson Rosas, assistente de Daryl Morey contratado pelo Mavericks no ano passado. Ele passou 3 meses no cargo, pediu demissão na véspera do começo da temporada e logo foi reincorporado ao staff do Rockets. Os dois times deram desculpas esfarrapadas para o que aconteceu, “era um período de testes”, disse Mark Cuban, mas o que dizem é que Rosas deu uma de Jason Kidd e quis aumentar seus poderes logo depois de ser chegado, sendo logo cortado pelo dono do time. É torta de climão após torta de climão entre os dois times.

A oferta do Mavericks por Chandler Parsons causou um bocado de problemas para o Houston Rockets. Eles só tinham 3 dias para decidir se igualariam ou não a oferta, mas ao mesmo tempo estavam esperando uma resposta de Chris Bosh, para quem eles tinham oferecido um contrato de 4 anos e mais de 90 milhões de dólares. Bosh, por sua vez, estava esperando a resposta de LeBron James para seu dilema entre o Miami Heat e o Cleveland Cavaliers. Se LeBron ficasse, Bosh iria continuar em Miami, se ele desse o fora, iria cogitar partir para seu estado natal do Texas e jogar em Houston.

A questão para o Rockets era o teto salarial. Eles poderiam ficar tanto com Chandler quanto com Bosh, mas desde que fizessem tudo na ordem certinha: primeiro trocar Jeremy Lin e Omer Asik, sem receber nada de salário em troca, para abrir espaço na folha salarial; depois assinar com Chris Bosh para preencher este espaço na folha salarial; e, por fim, cobrir a oferta por Parsons usando os “Bird Rights”, que é quando um time pode ultrapassar o teto salarial da liga por estar reassinando um jogador que já era seu. Se LeBron James demorasse demais, sem Bosh se decidir, e eles decidissem ficar com Parsons, o seu contrato comeria o espaço salarial e não haveria como assinar com Bosh. Em resumo: anos de planejamento e eles ficaram reféns de uma pegadinha de Mark Cuban e da indecisão de LeBron James.

Bosh

A pegadinha de Mark Cuban até merecia umas aspas. Ele não ofereceu 45 milhões de dólares para um jogador só para sacanear um rival, é óbvio que ele quer melhorar as suas alas com um bom, jovem e atlético arremessador. Foi uma decisão para melhorar o time. Mas ao mesmo tempo, o timing da oferta e o seu valor foi pensado para ferrar o Houston de uma maneira que eles pensassem mil vezes antes de igualar. Uma jogada de mestre.

Talvez seja a hora de lembrar, porém, que jogadas de mestre nem sempre dão resultado na NBA. Com a decisão por Parsons, Luol Deng e Trevor Ariza estão ainda mais longe do que já estavam de Dallas e, se o Rockets igualar a oferta, o Mavs pode ficar sem ninguém. Isso lembra um pouco uma jogada de mestre do próprio Daryl Morey há dois anos, que também deu merda. Usando um recurso meio esquecido nos contratos da liga, Morey ofereceu contratos do estilo “pílula envenenada” para Jeremy Lin e Omer Asik, ambos Free Agent Restritos. Sem querer me alongar nos detalhes financeiros, eram contratos que pesariam muito mais na conta do salary cap dos times originais dos jogadores do que no dele, forçando os rivais a não igualarem a oferta. Todos pagamos pau para Morey na época, mas desde então tanto Asik quando Lin viraram reservas caros e agora estão sendo embrulhados junto com valiosas escolhas de primeira rodada para abrir espaço para novas contratações.

Deng

Com todo esse cenário montado, LeBron James decidiu dar o tapa na primeira peça do dominó e começar o caos. Como anunciamos aqui com a publicação da sua carta, LeBron James irá voltar ao Cleveland Cavaliers. E lá não havia planejamento, boas contratações ou excelência de franquia que pudesse dar jeito nas coisas. LeBron James se sente responsável por seu estado natal e quis voltar para lá. O Cavs é um time que falhou durante anos em dar a LeBron um time decente, depois falhou ao se reconstruir sem ele e agora ganha o melhor jogador do mundo só porque está bem localizado. Loucura.

O anúncio de LeBron pareceu ser um alívio para os Houston Rockets. O prazo dos 3 dias tinha apenas começado e então eles poderiam se apressar em trocar Lin, confirmar o negócio de Asik para o New Orleans Pelicans e assim anunciar, finalmente Chris Bosh. Mas não. O Miami Heat, que parecia o grande derrotado do dia, resolveu mostrar alguma força.

Quando já apareciam os primeiros rumores do que Dwyane Wade poderia fazer (Bulls?), Pat Riley chegou em Chris Bosh e o pegou de surpresa oferecendo 119 milhões de dólares por 5 anos de contrato! Por ter os tais Bird Rights de Bosh, o Heat tinha o direito de oferecer um ano a mais (e, logo, uns 20 milhões a mais) que o Rockets para Bosh. Disseram que o ala até ficou surpreso com a oferta, mas logo a aceitou. Depois de anos na sombra de Wade e LeBron, como a terceira perna do Big 3, ele assume um time sem James e com Wade em decadência, será a base dessa nova fase do Miami, que logo depois disso já começou uma busca árdua e agressiva para ter Luol Deng.

Alguém consegue imaginar a cabeça de Daryl Morey nesse momento? Como um plano tão bom pode ter dado tão errado? Se não fosse o imponderável, o que ele não controle, ele poderia ter um time com James Harden, Chandler Parsons (em um salário bem razoável!), Chris Bosh e Dwight Howard! Não só é um elenco brilhante no papel, como é jovem, atlético e com todas as características técnicas que o Rockets exige para seu esquema tático de velocidade, bandejas e bolas de 3 pontos. E até a parte que parecia mais difícil, que era LeBron James largar o paraíso de Miami pela melancolia de Cleveland, tinha dado certo! E pior, Deng era uma opção para o Rockets para cobrir Parsons, mas pelo jeito ele está mais próximo de Miami.

Daryl Morey

A decisão surpreendente de Chris Bosh fez muita gente acreditar que o Rockets poderia logo reassinar com Chandler Parsons e cancelar a troca envolvendo Jeremy Lin, mas nada disso. O armador logo foi mandado para o Los Angeles Lakers, junto com uma escolha de Draft, em troca de, basicamente, dinheiro. E ao que tudo indica, eles irão esperar até os 45 do segundo tempo para tomar a decisão sobre Chandler. Até lá vão negociar com Trevor Ariza e, claro, empacar o Dallas Mavericks.

A troca de Lin para o Lakers, não só mostra que o Rockets está no mercado abrindo espaço salarial, mas também mostra que o time de Los Angeles está saindo de algumas batalhas. Com o salário de Lin, o Lakers não pôde ficar com Carmelo Anthony, o que nos fez pensar que o ala, embora não tenha anunciado sua escolha pelo Knicks até agora a tarde, já tivesse avisado algumas pessoas que não iria para LA.

Outro sinal disso foi que, minutos depois, o Lakers anunciou as renovações de contrato de Nick Young e Jordan Hill. O contrato de Hill, em especial, é um dedo duro dos planos de Mitch Kupchak para a equipe de Kobe Bryant: 18 milhões de dólares por 2 anos! Um absurdo, certo? Mas o detalhe é que o segundo ano é um Team Option, ou seja, o Lakers pode escolher, no ano que vem, dispensar o jogador sem pagar nada. A ideia é: vamos manter um bom jogador por esse ano, mas no ano que vem queremos ter a chance de chutá-lo para contratar algo melhor. Para fazer um jogador aceitar um contrato de aluguel assim, compensa-se com o valor exagerado.

Isaiah Thomas

Para fechar os dominós de ontem, o Phoenix Suns, que tinha alguma esperança com LeBron James e um pouco mais com Luol Deng, acertou um contrato de 27 milhões por 4 anos com o armador Isaiah Thomas. Sim, o time que já tem Goran Dragic, que AINDA AFIRMA que quer manter Eric Bledsoe e que draftou o armador Tyler Ennis, contratou mais um jogador da mesma posição. É o novo Wolves? O que alguns jornalistas de Phoenix disseram ontem no Twitter é que a ideia é manter o time titular com Dragic e Bledsoe e ter Isaiah Thomas como um reserva dos dois, com Ennis sendo usado, ao menos nesse primeiro ano, na D-League.

A continuação da novela se deu neste sábado, com a próxima grande peça a cair, Carmelo Anthony. Ele escolheu o New York Knicks. Já sabíamos disso ontem, ao ver o Lakers ir para outros lados e sua outra opção, o Chicago Bulls, estava ativamente buscando a contratação de Pau Gasol. O ala espanhol recusou uma proposta de 2 anos do Los Angeles Lakers e decidiu jogar com Tom Thibodeau no Bulls. O Houston Rockets corria bem por fora, com o Spurs, mas nçao o seduziram. A vantagem do Bulls era financeira, podendo oferecer mais grana, seja anistiando Carlos Boozer ou, o que eles querem, fazendo um sign-and-trade com o Lakers, enviando Boozer e alguma escolha de Draft em troca do espanhol.

Sem dúvida que o grande vencedor dessa sequência de dominó foi o Cleveland Cavaliers. Quantas vezes você contrata mal, planeja mal, vai mal no Draft e acaba com o melhor jogador do planeta? Aquele mesmo que você irritou anos atrás! Ganharam na loteria. O grande perdedor é, ironicamente, um dos times mais preocupados com planejamento, o Houston Rockets. Perderam Chris Bosh, que era a peça perfeita para montar um timaço e, no meio do caminho, podem acabar pagando muito mais do que planejavam só para manter o time do ano passado.

Não dá pra falar que o Miami Heat ganhou, afinal perderam LeBron, mas a derrota poderia ser maior. Ao manter Dwyane Wade e Chris Bosh, eles tentam se estabelecer como uma franquia forte do Leste. Querem mostrar para outros Free Agents, para sua torcida e para a liga que não foram só a “faculdade” de LeBron James, mas que se desenvolveram para continuar na briga do Leste. Até porque, pensem bem, quem será o dono da conferência? O Pacers derreteu no fim da temporada, o Heat perdeu seu melhor jogador e nenhuma outra franquia convenceu no último ano. Bulls, Wizards e até o Hawks correm por fora. Não é à toa que Gasol, Ariza e Deng acabem recebendo contratos gordos, tem time babando por uma chance de Final.

ps. Só depois que eu publiquei o texto que o Trevor Ariza assinou com o Houston Rockets. E só depois que anunciaram que o Gasol para o Bulls não seria via sign-and-trade

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