Apanhado patriota

Como de costume, a cobertura da imprensa tradicional aqui do Brasil sobre a NBA começou o ano focada nos jogadores brasileiros que iriam atuar nos EUA. Dessa vez o número era recorde, 9: Nenê, Leandrinho, Anderson Varejão, Marcelinho Huertas, Tiago Splitter, Bruno Caboclo, Lucas Bebê, Raulzinho e Cristiano Felício. Nunca antes na história desse país…

Mas não estamos culpando ou tirando sarro dos nossos jornalões. Realmente quando não acompanhamos de perto um esporte ou campeonato gringo, nossa primeira indagação é se tem algum brasileiro por lá. Não só torcer por alguém que tem algo em comum conosco é um ótimo ponto de partida, mas também é uma possível indicação de quem poderá representar a seleção nos campeonatos internacionais. E aqui todos somos culpados, quem nunca torceu muito pelo Brasil nas Olimpíadas em uma modalidade para a qual nunca deu a mínima antes? Ter brasileiros lá, jogando bem ou mal, ajuda a difundir o basquete no Brasil.

Aqui no Bola Presa tentamos ser algo mais aprofundado para os bitolados por basquete, por isso não nos focamos em falar tanto dos brasileiros, mas achei que seria uma boa somar as duas coisas. Juntar o interesse natural dos brasileiros por seus compatriotas, e tentar fazer nossa cobertura um pouco mais aprofundada para falar deles. É hora de ver se esse ano de recorde em quantidade também foi bom de qualidade no basquete brazuca na NBA.

O que aprendemos com Leandrinho

O que aprendemos com Leandrinho

Quando comecei a acompanhar a NBA, ainda bem moleque, não entendia nada do que estava acontecendo em quadra. A televisão só transmitia um jogo por semana, então era tudo que eu tinha para poder me acostumar com o esporte e todas as suas nuances. Durante muito tempo, minha principal preocupação era somente entender as regras, tendo em vista que eu nunca conseguia entender os motivos de uma hora um lance ser considerado falta e na outra hora não. Saber quem eram os bons times ou os melhores jogadores também era muito difícil, quase impossível. Vale lembrar que tudo isso aconteceu numa época meio-que-longínqua, em que a internet não existia, então encontrar uma matéria de jornal explicando quem eram os jogadores mais importantes da final de conferência que aconteceria numa noite de infância foi algo épico, emocionante, transformador (e que, por simples acaso, me tornou um torcedor do Houston Rockets). Eu finalmente consegui assistir a um jogo sabendo mais ou menos o que esperar dele graças a um infográfico tosco de jornal.

Todo começo é complicado. Sem o conhecimento adequado, o basquete não passa de um monte de carinhas correndo de um lado para o outro tentando colocar uma bola num buraco exageradamente alto. O conhecimento adequado só nasce do costume, da experiência, da insistência e do estudo. O problema é que na maior parte das vezes simplesmente não percebemos isso. Por assistir futebol desde pequenininhos aqui no país do ludopédio, temos a impressão de que futebol é simples e os outros esportes é que são chatos e complicados. Vale pra tudo: ao ser criado pela mamãe sentadão lá no sofá assistindo desenho animado, você adquiriu um conhecimento da linguagem cinematográfica que, com os anos, fez ela parecer natural – enquanto um livro parece estranho, forçado e, em última instância, chato. A linguagem da música pop te acompanha desde o nascimento, é uma segunda pele – enquanto a música clássica parece incompreensível, entediante. É por isso que, sem o costume e as informações necessárias, o basquete é por vezes uma barreira intransponível, complexa em todas as suas variações táticas, em seus trocentos jogadores todos com alguma especialidade, em sua longa história de grandes feitos e estrelas. Faz sentido que começar a trilhar esse caminho seja um bocado complicado.

Hilário

O curioso é que a chegada do Nenê à NBA facilitou muito as coisas. Pela afinidade óbvia com o jogador (nascemos todos na mesma linha imaginária e falamos o mesmo idioma, o que nos liga seja lá por que motivo bizarro), muita gente passou a saber quem acompanhar dentro da liga. Mesmo no meu caso, que estava acostumado com o esporte há anos, confesso que a primeira vez em que assisti a um jogo olhando só para um jogador, dissecando seu posicionamento, foi com o Nenê. A nacionalidade é um filtro de segurança quando a gente acha que o esporte tem informação demais para a gente lidar de uma vez só. Muita gente vai assistir a uma prova de natação numa Olimpíada e não sabe quem são os favoritos, quais são as rivalidades, as histórias pessoais dos nadadores, então pergunta “quem é o brasileiro” e pronto, já tem para quem olhar, vibrar, torcer. Não é aleatório que o MMA no Brasil tenha explodido tão rápido: tem sempre brasileiro participando, o que deixa o público que está assustado de não entender merda nenhuma mais tranquilo, ele não precisa conhecer as histórias e se identificar com um dos competidores porque a identificação da nação já vem pronta. É um facilitador. Conheço muita gente que passou a ver NBA quando o Nenê entrou e, depois de anos acompanhando, já conhece os jogadores, as regras, os confrontos, as táticas o bastante para não se importar mais se o Nenê é brasileiro, marroquino ou finlandês – especialmente porque não faz diferença mesmo.

Uns anos atrás, tinha campanha na internet para tentar levar o Nenê para o All-Star Game mesmo quando ele não jogava bem o bastante. O motivo é simples: o torcedor comum não conhece ninguém na NBA, é uma quantidade absurda de jogadores diferentes com posições malucas, mas o Nenê ele manja, o Nenê ele conhece, nasceu nessa mesma linha imaginária que ele, aqui, ó, pátria-amada-brasil. O Bola Presa sempre foi categórico: deveria ir para o All-Star Game os melhores jogadores, os mais divertidos, os que você mais se identifica, sem esse filtro de nacionalidade. Entendemos que o filtro é um bom modo de entrar no esporte, é um modo muitas vezes necessário (assim como as listas de “quem é melhor”, “quais os melhores times”, etc), mas se ater a ele é um erro.

Dez anos se passaram desde que o Nenê entrou na NBA. Agora ele é a voz de maturidade num elenco cheio de pirralhos no Wizards (e que finalmente está funcionando desde a pausa do All-Star). Outros brasileiros entraram na NBA, trazendo com eles novos torcedores que ganham a facilidade de saber quem acompanhar e eventualmente acabam se apaixonando pela liga como um todo. Anderson Varejão quase conseguiu ser chamado para o All-Star Game esse ano não por campanha de internet, mas por mérito próprio, pelo basquete que joga independentemente do país em que nasceu, e só não foi chamado porque se contundiu antes e ficou fora da temporada (com um coágulo no pulmão, coisa de quem aguenta um atropelamento de caminhão por dia só pra ver se ganha uma falta de ataque). Já temos toda uma geração de fãs especializados em NBA que não precisam mais da muleta dos bairrismos, dispostos a simplesmente assistir ao melhor basquete e aos melhores jogadores que puderem.

Toda essa retrospectiva foi apenas a preparação para podermos falar de um brasileiro: Leandro Barbosa. Isso porque o Leandrinho nos permitirá aprender lições valiosas tanto sobre o Boston Celtics quanto sobre bairrismo e o basquete brasileiro.

Doc Rivers Leandrinho

Assim que o Celtics perdeu Rajon Rondo pelo resto da temporada, parecia que o time ia afundar privada abaixo. Rondo fazia simplesmente tudo em quadra e era constantemente o líder da equipe em pontos, rebotes, assistências e roubos de bola. Quando o Celtics de Garnett, Pierce e Allen foi formado em 2007/08, se tornou campeão com a estratégia “vamos defender como profissionais que no ataque a gente se vira”, dependendo de jogadas individuais e pontos feitos na marra, com o Paul Pierce assumindo o ataque quando a água batia na bunda. Com Pierce mais velho e a evolução espetacular do Rondo, os papeis inverteram mas nada mudou – o ataque do Celtics continuou na base do “a gente dá um jeitinho” mas cabendo ao armador fodão tirar os pontos da cartola. O problema é que quanto mais o Celtics sofria com lesões, cansaço e falta de entrosamento, mais o time deixava a carga ofensiva nas mãos do pobre Rajon Rondo. É um círculo vicioso bizarro: quanto pior o time vai, mais o Rondo tem que fazer tudo sozinho, e com isso o time vai pior, e aí o Rondo tem que fazer mais coisas sozinho. Ou seja, quanto piores os joelhos de Garnett e Pierce, quanto pior a posição na tabela, e quanto pior a autoestima do elenco, mais Rajon Rondo assumia tudo no ataque. Virou a estrela incontestável de um time que não ia a lugar nenhum.

Quando o Rondo virou farofa, o Celtics percebeu que teria que voltar a assumir as responsabilidades tão ignoradas. Começou com aquela famosa “síndrome de time feliz por perder sua estrela”, que já assolou o Wizards de Gilbert Arenas, o Sixers de Allen Iverson e até o Cavs de LeBron James, em que nos primeiros dias da contusão do jogador principal o resto do elenco fica eufórico de ter mais a bola na mão e começa a ganhar uns jogos. Mas a síndrome não dura, os jogos difíceis começam a aparecer, as derrotas surgem, não tem ninguém pra decidir, a autoestima desaba, a saudade bate e aí os times voltam a perder loucamente. As primeiras vitórias do Celtics mesmo sem Rondo não foram surpresa, portanto. Todos participaram mais do ataque e toda ajuda era bem-vinda, com os jogadores do banco de reservas participando mais da rotação – incluindo o Leandrinho. Surpresa mesmo foi que as vitórias continuaram aparecendo, e que o Leandrinho em quadra parecia um jogador completamente diferente daquele que fez tanto sucesso no Phoenix Suns.

Leandrinho não entrava em quadra para segurar a bola como Rondo e criar oportunidades de cesta como fez em toda sua carreira, mas sim para defender – isso mesmo, defender, aquela coisa que ele nunca teve que fazer ao lado de Steve Nash – e tentar criar pontos na marra, no contra-ataque. Suas tendências de atacar a cesta pareciam dopadas com drogas pesadas, e suas limitações defensivas pareciam superadas. Foi aí que comecei a ir atrás do que diabos havia acontecido com nosso Leandro Barbosa (sem contar, claro, as transformações óbvias de se casar com uma chata). A maior pista que encontrei está nessa escondida entrevista dada pelo armador pouco mais de um mês após chegar no Boston Celtics:

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=wr54erEuo3U[/youtube]

No vídeo, ele basicamente diz que está se adaptando ao time e aprendendo a defender, já que “de onde ele vem não se joga na defesa”. Frente às risadas, que entenderam que ele se referia ao Suns, ele explica o que ele quis dizer: “estou falando do Brasil”. Sua primeira adaptação ao Celtics foi aprender algo que ele não teve sequer na base. E continua, dizendo que ele aprendeu ali que “quando você defende direito, o resto vem automaticamente“, ou seja, para o Celtics o ataque não é treinado, mas sim consequência da defesa.

Somadas a esse relato, encontrei entrevistas de Doc Rivers e de Paul Pierce elogiando a evolução na defesa do brasileiro e que, com isso, ele conseguiria finalmente ter minutos de quadra. Pareciam empolgados com a possibilidade de que ele fizesse pontos e usasse sua velocidade, mas tudo isso em segundo plano atrás da defesa, e seus talento ofensivo só seria utilizado quando – e apenas quando – ele fosse capaz de defender em alto nível. O problema do Celtics é ser capaz de pontuar mesmo sem Rondo em quadra, mas Doc Rivers não está disposto a simplesmente colocar um talento ofensivo em quadra para ajudar. Se a identidade do time é a defesa, se é assim que eles se definem, então essa tem que ser a prioridade.

Pode parecer idiota (e é um pouco) não usar uma arma capaz de diminuir sua fragilidade num setor, mas essa é a escolha de Doc Rivers, que tem menos de técnico e mais de motivador-estilo-calendário-da-Seicho-No-Ie, e é inegável que isso cria uma unidade, uma identidade, um grupo coeso. O Celtics cada vez mais insiste em ser um grupo e, nesse sentido, parece ser melhor ter um elenco todo jogando “em homenagem ao Rondo, nosso amigo” do que um elenco jogando com o Rondo, com o grupo desinteressado porque cabe à estrela fazer tudo sozinha. O Celtics ainda tem muitas deficiências, perde jogos fáceis, mas agora também vence jogos difíceis na raça mesmo quando o talento não está presente. O Leandrinho se contundiu numa jogada banal mas outro entra em seu lugar – desde que seja capaz de defender, de gritar e de pertencer. A própria troca por Jordan Crawford, conhecido por ser um arremessador porra-louca incapaz de defender, veio pouco depois que coincidentemente me deparei com uma matéria mostrando, em números, como a melhora defensiva do Wizards para essa temporada acontecia sempre que Crawford estava em quadra. É por isso que, apesar das limitações, alguém realmente duvida que o Celtics pode acabar ganhando uma série improvável nesses playoffs mesmo sem mando de quadra, na base da defesa pura e simples e de um ataque na base da cagada? Leandrinho nos ensinou, sem querer, como o Celtics funciona: eles não vão contratar um cara para atacar a cesta e pontuar se ele não der ao time aquilo que o time já tem, ou seja, defesa.

Resta, por fim, outra lição que Leandrinho nos deixa também, mas dessa vez mais caseira, longe da NBA. É um alerta de que o basquete que estamos jogando e treinando no Brasil está muito longe, do ponto de vista teórico, do que funciona lá na melhor liga do planeta. Já ouvi muita gente ligada ao basquete nacional dizer que NBA é outra realidade, que a gente tem que pensar diferente por aqui, e que por isso não assiste aos jogos da NBA e não dá ouvidos para os técnicos gringos. É o equivalente a um técnico de futebol brasileiro que não acompanhe os grandes clubes da Europa e não esteja ligado nas mudanças táticas do resto do mundo, é ao mesmo tempo prepotente e amador.

Talvez nossa identificação com o Leandrinho (e com o Nenê, e com o Varejão, e com o Splitter) seja por ele nascer na mesma linha imaginária que a gente e por isso ter sofrido os mesmos problemas que sofremos na nossa paixão pelo basquete – os mesmos problemas técnicos, táticos, o pouco incentivo, a falta de interesse, o descaso da mídia e dos dirigentes. É só nessa hora que a nacionalidade interessa: se o Leandrinho precisa reaprender a jogar na defesa porque nas linhas imaginárias daqui isso não existe, o armador se transforma num exemplo dos terríveis obstáculos que nossos jogadores brasileiros de basquete precisam enfrentar, e a que estamos todos submetidos. Ao entender que pela questão da cultura do nosso país estamos todos nesse mesmo saco, precisamos então ser capazes de, por alguns instantes, esquecer a nacionalidade e sermos capazes de olhar para o melhor basquete do mundo, onde ele estiver, com a humildade de aprender com ele.

Os desempregados

Como é típico de um meio de Setembro no mundo da NBA, praticamente ninguém mais está contratando. A maioria dos times já gastou sua cota de espaço salarial, número de jogadores no elenco e as tais exceptions, as brechas do Salary Cap para poder contratar novos jogadores mesmo com o time tendo gastos excessivos. Mas embora a maioria das equipes já esteja engessada, isso não quer dizer que não existam mais bons nomes disponíveis no mercado. Abaixo alguns dos esquecidos.

 

Leandrinho Barbosa / SG

Cheguei a conversar com algumas pessoas que conhecem o Leandrinho e o que eles deram a entender é que o brazuca não conseguiu ainda um time por querer demais. Pelo jeito ele queria um contrato longo e relativamente caro, algo para ser seu último bom contrato na NBA, mas ninguém mais parece ter tanta confiança assim nele. Lembram da entrevista que ele deu aqui no Brasil dizendo que tinha proposta de 7 times? Pelo jeito 7 times o queriam, mas não ofereceram o valor esperado pelo jogador. Leandrinho tem bom arremesso, melhorou muito sua defesa nos últimos anos e ainda tem boa parte da velocidade que o consagrou. Mas também já passou dos 30 anos e o auge da sua carreira está no passado.

Querem um exemplo disso? Lembra quando apareceu a notícia de que o Lakers estava interessado nele? Pouco tempo depois a informação esfriou e o Lakers contratou o Jodie Meeks. Meeks é simplesmente um bom arremessador de 3 pontos, só isso. Não oferece tudo o que o Leandrinho pode dar a um time, mas em compensação saiu baratinho e com contrato curto, algo que fez a diferença para o Lakers que só poderia oferecer pouca coisa por já ter toda a grana comprometida com outros jogadores. O mesmo vale para o próprio Indiana Pacers, que preferiu o mais jovem e barato Gerald Green ao brasileiro.

Uma solução seria topar um contrato de um ano para mostrar serviço, ganhar uma grana e tentar de novo ano que vem, algo como o que o Chris Kaman fez com o Dallas Mavericks, mas onde? Para Kaman é mais fácil porque quase todo time precisa de um pivô, mas e caras da posição 2 como o Barbosa?  No Leste, Bulls e Sixers já estão com todos os armadores e alas que precisam apesar de terem perdido alguns que estavam com eles na última temporada, o Hawks já trouxe Anthony Morrow e Kyle Korver. No Oeste o Mavs já conseguiu OJ Mayo para substituir Jason Terry e até times com menos ambições como o Warriors já tem elenco fechado. São exemplos aleatórios do que acontece ao redor da liga, caras da posição de Leandrinho estão sobrando. Sendo que ficar um ano parado seria horripilante, resta o que para ele? Buscar algum time mediano na Europa? Pelo o que sei os principais times já estão fechados também. E alguém teria grana para bancar um ano de Leandrinho no NBB? Acho que nem o Flamengo dessa vez. Talvez ele comece a temporada sem time, esperando alguma situação momentânea onde uma equipe acabe precisando de ajuda extra na sua posição. Situação nada confortável para quem queria um último contrato grande na liga.

 

Kenyon Martin / PF

O ala que disputou a última temporada no Clippers vive situação parecida com a de Leandrinho. Teve uma temporada em um time de Playoff no ano passado para tentar mostrar que ainda tem jogo para a NBA, mas mesmo assim morreu sem contrato renovado. Como o brasileiro, não foi mal na temporada 2011/12, mas também não convenceu ninguém a apostar pesado nele. Para um cara que dependia tanto de seu físico no começo da carreira até acho que K-Mart sobreviveu bastante tempo na NBA, mas agora vive um limbo difícil de superar.

Sem a velocidade e agilidade dos tempos áureos de New Jersey Nets, ele é cada vez menos perigoso no garrafão, onde usava esses atributos para compensar a falta de altura para a posição. Nos últimos anos de Denver Nuggets e até mesmo no ano passado no Clippers acabou ganhando destaque na marcação de perímetro. Parece estranho, mas Kenyon Martin costuma ter algum sucesso na marcação de caras como Kobe Bryant ou Rudy Gay, que jogam no perímetro mas não tem a velocidade de um armador. Numa época onde os times usam cada vez menos pivôs e gostam de atuar com 4 jogadores abertos, K-Mart é uma boa solução híbrida de defesa: Não deixa de ser um ala/pivô da posição 4 mas tem mobilidade o bastante para marcar longe da cesta quando preciso. O problema é que no ataque ele não tem a mesma versatilidade, longe disso, aliás. Seu arremesso de meia distância é pouco confiável (além de ser mais feio que bater na mãe) e não tem mais jogo de costas pra cesta. Com tantas limitações é compreensível que os times da NBA tenham apostado em outros jogadores, não me surpreenderia se ele voltasse para a China, onde jogou o começo da temporada passada.

 

Josh Howard / SG-SF

O maconheiro mais sincero da NBA (por ser o único a se admitir maconheiro) ainda sabe jogar bola, mas é outro caso de um jogador na descendente. Não é que ele seja pior do que aquele cara achado na 2ª rodada do Draft, mas é que só uma parte dos times da NBA pensam no que um jogador irá oferecer nessa temporada, a maioria costuma pensar no futuro. Josh Howard não ter time é uma prova de como funciona a cabeça dos General Managers da NBA.

Vejamos o Utah Jazz, time que foi o de Howard na temporada passada, como exemplo. Eles vão ganhar o título? Não. Vão para os Playoffs? É possível, mas vai ser complicado. Seria um desastre não ir para os Playoffs e acabar com uma escolha Top 10 do Draft 2013? De jeito nenhum. O Jazz está com um time pela metade. Eles tem bons talentos em Al Jefferson, Derrick Favors, Gordon Hayward e Paul Millsap, mas não é Josh Howard que vai dar o toque final para transformar esse time num timaço. Então é melhor arriscar os jovens Alec Burks e Jeremy Evans ou até mesmo dar uma nova chance na carreira para o ainda jovem Marvin Williams. O pensamento comum de um time da NBA que não tem chance imediata de título é preparar jogadores que poderão melhorar no futuro, não ter bons jogadores hoje.

No futebol brasileiro o Josh Howard seria contratado por aquele time que precisa se manter na 1ª divisão. Chama um cara com experiência, que ainda tem bola e ele vai ajudar a equipe a ficar no meio da tabela. Mas na NBA não tem rebaixamento, longe disso, você é premiado por ser ruim! E nessa brincadeira alguns veteranos como Josh Howard ficam com opções limitadas de onde jogar.

 

Tracy McGrady / SG-SF

O mesmo que eu disse para Josh Howard vale para T-Mac: Uns 70% dos times não querem caras na parte descendente da carreira. E pode levar esse comentário para explicar outros veteranos sem contrato como Michael ReddDerek Fisher e Mehmet Okur.

McGrady chegou a ter chance em um time com pouca ambição (o que é raro) quando jogou no Detroit Pistons, mas era algo tão sem propósito que eles acabaram se separando mesmo com o sucesso da parceria. T-Mac queria jogar em time de Playoff, o Pistons queria alguém que pudesse tirar o time do lixão onde se encontra. Mas aí McGrady foi para o Atlanta Hawks e apesar de algumas boas partidas (lembra quando ele arrasou com o Miami Heat no começo da temporada passada?) não se firmou no elenco. É triste porque lembramos do tempo que ele era cestinha da liga, mas com seus problemas nas costas ele é uma aposta arriscada. Dificilmente voltará a ter espaço na NBA.

(Perguntaram sobre o Charlotte Bobcats nos comentários. Sim, apareceram uns rumores de possível interesse deles no T-Mac, mas até agora não passam de boatos)

 

Anthony Tolliver /SF-PF

Esse me deixou triste. Anthony Tolliver, o cara capaz de enforcar alguém em nome de um rebote, era a alma do banco de reservas do Minnesota Timberwolves! O cara tava lá sempre gritando, pulando e quando entrava dava muito gás para o time. Sem contar que não tinha medo de arremessar (talvez esse fosse o problema…) quando precisavam de pontos no último quarto. Para o esquema de Rick Adelman era importante porque ele fazia o mesmo que Kevin Love: Jogava no garrafão na defesa mas poderia abrir para os 3 pontos no ataque. O que o matou foi essa última temporada, muito irregular e até bem ruim se comparada a anterior. A NBA tem memória curta, caras que sempre jogam mal mas atuam bem no último ano de contrato conseguem coisas boas, caras bons que fedem em ano de lutar por um novo contrato passam batidos. Só espero que ele faça um novo The Decision quando arrumar um time novo.

 

Terrence Williams / SG-SF

Tem um talento absurdo e é capaz de algumas das melhores enterradas da NBA. T-Will começou muito bem sua carreira na liga pelo Nets e foi um dos melhores novatos da temporada 2009/10, chegou a encerrar a temporada com média de 15 pontos, 7 rebotes e 5 assistências nos últimos 2 meses daquela temporada. Porém depois disso foi só desgraça. Foi afastado do Nets durante uma Summer League por arremessar seguidas bolas, ignorando qualquer jogada ou ordens do técnico. Na temporada regular se atrasou tantas vezes para treinos que deixou de receber multas para ser suspenso pelo time. Eventualmente foi para a D-League e depois para o Houston Rockets, onde novamente causou problemas ao deixar o banco de reservas no meio de um jogo para não voltar mais. Quem conseguir domar o rapaz terá um ótimo talento em mãos, mas ninguém parece querer arriscar.

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=Uhv6DosClHg[/youtube]

Descrição parecida serviria também para Andray Blatche, anistiado pelo Washington Wizards. Quando um cara jovem que teve 16 pontos e 9 rebotes de média há pouco tempo é dispensado assim e ninguém o quer é porque tem algo grave rolando. A era das estrelinhas preguiçosas já acabou na NBA.

 

Louis Amundson / PF-C

O pivô do rabinho de cavalo é o oposto de Andray Blatche. Tem vontade e faz tudo o que o técnico mandar, mas não tem a parte do talento. Será que a era dos jogadores ruins também já acabou? Brian Scalabrine também não conseguiu contrato, mas tudo indica que ele fará parte da comissão técnica do Chicago Bulls na próxima temporada. Bizarro, né? Mas pelo o que me avisaram nos comentários ele recusou a proposta e agora vai comentar jogos do Celtics em Boston, melhor pra gente. Brian Cardinal está sem time também e faz parte desse grupinho seleto.

Alonzo Geeque viveu nos Top 10 de melhores jogadas na temporada passada acabou de confirmar novo contrato com o Cavs. Dominic McGuire fez um acordo com o Raptors nesse fim de semana. Ou seja, ainda existem alguns espaços, mas são cada vez mais raros. Outros nomes conhecidos ainda estão sem contrato: Os bons defensores Mickael Pietrus e Matt Barnes;  Gilbert Arenas não achou alguém para cuidar do seu joelho; Ivan Johnson, o novato velho, que teve momentos de herói pelo Hawks no ano passado; Josh Childress, que piorou desde que foi jogar na Grécia. Quais ainda conseguem voltar para a NBA antes da temporada começar?

Brasil eliminado; Rússia e Espanha vencem

Esperei um tempo para escrever sobre a rodada. Acho que assim poderia parar um pouco, ler e analisar o jogo com mais calma. Geralmente já não gosto de análises imediatas, daqueles posts publicados assim que o jogo acaba, mas em caso do jogo do Brasil isso é ainda mais importante. Acompanhei e comentei o jogo pelo Twitter e lá cada posse de bola é ultra-analisada. Três ataques ruins do Brasil e já tem lá um tratado sobre como está tudo errado, intervalo de jogo perdendo por míseros 6 pontos e recebi mensagem de leitores perguntando se “a vaca do Brasil já deitou”. Bom deixar o clima esfriar um pouco.

 

O primeiro quarto do jogo foi disputado e parelho, mas com vantagem argentina por ter sido jogado do jeito deles. O ritmo foi mais veloz, com os times arremessando de longa distância e com tudo baseado no jogo de perímetro, afinal eles estavam usando Luis Scola (17 pontos) como único pivô e obrigando Anderson Varejão a ficar marcando Andrés Nocioni longe da cesta, combinação que não deu nada certo para o lado brasileiro. O Brasil se manteve no jogo, veja só, com bolas de 3 pontos de Marcelinho Huertas (22 pontos). Pois é, não é só estranho como nunca era a jogada inicial tentada pelo Brasil, mas o que sobrava quando eles matavam os pick-and-rolls brazucas.

Não demorou para a estratégia argentina começar a dar resultado. As bolas de 3 pontos do Brasil pararam de cair, Marcelinho Huertas não conseguia mais fazer pontos por conta própria e nem para os outros e, para piorar, Carlos Delfino estava imarcável e anotou boa parte de seus 16 pontos nesse começo de jogo. Depois de perder o 1º quarto por 3 pontos, a Argentina bateu os brasileiros por 23 a 14 no 2º período.

No segundo tempo a esperança era que o Brasil iria voltar adaptado ao jogo, mas não rolou. Rubén Magnano, acho que com razão, manteve o time com dois pivôs mesmo com a Argentina jogando um time baixo. É difícil marcar Nocioni, mas era o jeito de dominar os rebotes de ataque e defesa e o mismatch do pivô sendo marcado por um ala argentino era um bom jeito de tirar a pressão de Marcelinho Huertas no ataque. Lindo na teoria, mas péssimo quando os pivôs se perdiam na defesa e pouco criavam no ataque. Desesperado por ataque, Magnano tirou Varejão do jogo para nunca mais voltar, colocou os reservas em quadra, mas Nenê esfomeou sem criar, Marquinhos foi bem menos efetivo que contra a Espanha e quando Tiago Splitter voltou, errou lance-livre atrás de lance-livre. E quem dera se fosse só ele: 12/24 o aproveitamento do Brasil no quesito.

Tá bom que a Argentina não estava pegando fogo como antes, mas o apagão brasileiro que marcou só 4 pontos nos primeiros 6 minutos de 2º tempo foi o bastante para a vantagem chegar a 15 pontos.  Nesse momento bateu o desespero na torcida, vendo tudo desabar, mas é basquete e essas lideranças nunca são duradouras. O Brasil fechou muito bem o 3º período com excelência defensiva e durante o período final, liderados por Nenê na defesa de Scola e nos rebotes, e Leandinho (22 pontos) no ataque, a diferença chegou a cair para 2 pontos.

Mas aí vieram as merdas para guardar com a gastrite por mais 4 anos: Alex desperdiçou um contra-ataque ao fazer falta de ataque infantil e inocente em Manu Ginóbili, Leandrinho perdeu uma bandeja sem marcação, Alex errou uma bola de 3 pontos sem marcação, Marcelinho Huertas perdeu bandeja no minuto final, Leandrinho se embananou com a bola e cometeu turnover… bom, chances não faltaram. A impressão que fica é que a Argentina ganhou a batalha tática, mas que o Brasil se recuperou dela a tempo quando acertou, finalmente, a defesa. Aí chegou nos minutos finais com chances e a experiência parece ter contado: Erros bobos do Brasil, Argentina cozinhando o jogo. Não é à toa, afinal apesar da média de idade até parecida, os Argentinos disputam seu 3º mata-mata Olímpico seguido, os brazucas estão todos fazendo suas estreias em Olimpíadas.

 

Ocorreram erros, os lances-livres os mais explícitos, mas não foi nada de outro mundo. Existiram coisas questionáveis, como Anderson Varejão atuando só 15 minutos e Marcelinho Machado (4/22 em bolas de 3 em todo torneio) em quadra dando tijolada no 4º período. Mas olhando para o cenário como um todo a verdade é que essas quartas-de-final eram o lugar onde tudo poderia acontecer. Entre Brasil, Espanha, Argentina, Rússia, França e Lituânia qualquer um poderia derrotar ou ser derrotado por qualquer um. Deu errado e a geração consagrada bateu a geração que tentava salvar sua pele. Sei da expectativa de todos por medalha, mas olhando com frieza a Seleção Brasileira melhorou horrores nos últimos anos.

Mas embora seja otimista olhar pelo lado da melhora recente, nem tudo está tão bem. Eu acho que bater a Argentina e ter a expectativa de uma semi-final contra os Americanos era tudo o que o basquete precisava para voltar a ser grande no Brasil. Não só em termos de resultado, mas de reconhecimento público, fãs, torcedores, cobrança por melhoras internas, investimento, tudo isso. O 5º lugar é honroso, ótimo, mas não sei se mudará muita coisa. Claro que também não é um resultado que muda algo que fede faz tempo, vontade e organização são necessários também, mas seria um ótimo começo. Não aconteceu e temos que ler coisas como essa. Já sobre o futuro desse time, acho que veremos muitas mudanças no Rio de Janeiro em 2016. Huertas, Varejão, Leandrinho e Nenê terão 33 anos em Julho de 2016. Marcelinho Machado terá 41, Alex e Giovanonni terão 36, Larry estará com 35, Marquinhos com 33 e Splitter com 31. Há bons jogadores jovens (Raulzinho, Scott Machado, Rafael Luz, Augusto Lima, Rafael Hettsheimeir, Lucas Bebê, Fab Melo, etc.)  para que se monte um bom time, mas ele será bem diferente. Essa geração teve sua chance de fazer história e fez, mas só um pouquinho e no final.

De qualquer forma, vamos lembrar só das coisas boas, né?

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=rnnhTDnyH5g[/youtube]

 

No resto da rodada acho que eu mandei bem nas minhas previsões de ontem, não? Fiz certo em desistir do futebol. No primeiro jogo do dia a Rússia derrotou a Lituânia por 83 a 74 com atuação espetacular da dupla de garrafão Andrei Kirilenko e Timofey Mozgov. AK-47 conseguiu 19 pontos, 13 rebotes, 3 assistências, 3 roubos e 3 tocos! Já Mozgov fez 17 pontos e suas enterradas violentas no 2º tempo foram pontuais para segurar a reação lituana. Pelo outro lado, Jonas Valanciunas mostrou flashes de grande talento, Darius Songaila fez 15 pontos e o time fez 8 bolas de 3. Mas não deu, a defesa russa fechou a porta nos minutos finais e forçou erros do adversário. Valeu porque dá gosto ver como os lituanos se entregam no ataque e na defesa, mas ficou claro que eram mais limitados que os russos.

Quem pega a Rússia na semi-final é a Espanha, que bateu a França por 66 a 59. Os franceses começaram dominando, parecendo pilhados, velozes e fortes enquanto a Espanha era jogada de um lado para o outro. Só que aí acontece aquilo que a gente nunca consegue explicar direito: Um time domina o outro, é claramente superior e o placar continua quase empatado. Apenas 7 pontos de vantagem francesa não traduzia o que foi o 1º tempo. No 3º quarto a Espanha começou a ameaçar uma reação quando finalmente obrigou a França a jogar longe da cesta. Tony Parker começou a sofrer defesa agressiva (embora meio desorganizada, doida) de Sergio Llull, com muita ajuda e algumas dobras. O objetivo era claro, deixar a França chutando de 3 pontos, coisa que fizeram 22 vezes, acertando só 7.

Eventualmente a França se tocou que precisava voltar a jogar com força física e agressividade para atacar a cesta, mas aí faltou precisão. O último período foi um desastre ofensivo total, com a França marcando apenas 6 pontos em 10 minutos! Impossível vencer um jogo desse nível com pontuação tão medíocre, as tentativas desastradas de infiltrar no fechado garrafão espanhol foram patéticas. Do outro lado a Espanha teve Pau Gasol e Marc Gasol dominando como sempre. O irmão mais velho fez 10 pontos, o mais novo fez 14 e ambos tiveram seus melhores momentos no último quarto. Aliás a grande jogada da Espanha no jogo, sua melhor troca de bolas, foi quando Juan Carlos Navarro achou Pau no topo do garrafão e ele deu um passe certeiro para seu mano embaixo da cesta. Tudo isso faltando uns 50 segundos para o final da partida, foi o golpe fatal. Quando a Espanha junta sua técnica tradicional com defesa forte fica difícil batê-los.

A França então ficou frustrada pela própria mediocridade. Ronny Turiaf deu uma paulada à la Bruce Bowen em Rudy Fernandez para levar o espanhol para a linha de lateral e depois para a de lance-livre, mas todo mundo esqueceu essa pancada quando o mais grave aconteceu: Nicolas Batum deu um soco no saco de Navarro. Sem exagero, foi isso mesmo.

O cara tem sangue nos olhos, véi! David Stern deve ter assistido isso e ficado com uma coceira na mão para dar uma suspensão de 5 jogos no rapaz, mas nem do jogo o cara foi excluído, inexplicável. Mas mais legal foi que depois do jogo Batum ainda cometeu o bom e velho erro de dar a entrevista sincera de cabeça quente. Disse que deu a porrada em Navarro para que “ele tivesse um bom motivo para se atirar no chão”. Os espanhóis são famosos pelo bom e velho flop ginobilês. E nem ficou por aí, quando questionado se era uma atitude que ia contra o espírito olímpico, afirmou que “falta de espírito olímpico é perder um jogo de propósito”. Direto e reto. Depois, no Twitter, o ala do Blazers pediu desculpas. Ou foi o assessor que postou isso? Bom, aí não importava mais.

Fechando a rodada os EUA, surpresa, bateram a Austrália, mano. Kobe Bryant meteu 6 bolas de 3 só no 2º tempo e LeBron James, com 11 pontos, 14 rebotes e 12 assistências, conseguiu um triple-double que alguns dizem ser o primeiro da história olímpica, outros o primeiro apenas da Seleção Americana em Olimpíadas. Alguém sabe que dado é o correto? De qualquer forma foi dominante. Os americanos continuam arremessando muito de 3 pontos. Foram 46 tentativas contra só 40 de dois pontos! Estilo NBB mesmo. É um exagero, mas enquanto o aproveitamento seguir acima dos 40% eles não vão perder tão cedo. O problema é que a Austrália até encostou no placar quando elas pararam de cair, um risco desnecessário e um ataque muito rudimentar para uma equipe com tantos talentos.

Semi-finais (10/8)

13h – Espanha x Rússia
17h – Argentina x EUA

 

Fotos da Rodada

Tanta gata na Lituânia que já dá pra montar um time de hóquei na grama

 

Timofey Mozgov x QWOP

 

Calderón também merecia soco no saco

 

Jogador mais expressivo FIBA

 

E assim o universo foi criado

 

Aposto 10 estalecas que ele nem chegou perto de dar o toco

Preview das Quartas-de-final

Preview das Quartas-de-final

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on is.

antes, mas é torcer para todo mundo ler antes dos jogos começarem. E torcer para que minhas previsões não sejam tão furadas quanto meus pitacos sobre futebol. Desde que comentei “O Leandro Damião é uma farsa” no Twitter ele fez 4 gols em 2 jogos. Ou eu comento basquete direito ou minha vida no bloguismo esportivo já era.

 

10h – Rússia x Lituânia

Sabem qual foi o único time a quase vencer os EUA em Londres? E sabem qual o único a quase perder da Tunísia? Pois é o mesmo, a Lituânia. Também conhecido como Atlanta Hawks do Báltico, o time de Sarunas Jasikevicius é o mais imprevisível do torneio olímpico. E não é de hoje, no Pré-Olímpico Mundial da Venezuela eles se classificaram com honras, mas perderam da surpreendente Nigéria no meio do caminho.

Mas mesmo com essas inconstâncias dá pra tentar arriscar achar alguns padrões. A Lituânia é um time inteligente, teve seus melhores momentos contra times que não se organizavam bem defensivamente. Contra os EUA aproveitaram a sede dos americanos por roubos de bola e pressão no perímetro para achar buracos dentro do garrafão onde não estava Tyson Chandler. Em compensação, contra a Tunísia, empacaram no pivô Salah Mejri que protegia o garrafão do bem organizado (e muito limitado) time africano. Foi o bastante para os lituanos empacarem. Só nos minutos finais, abusando da experiência e de seus bons arremessadores que o time matou a parada.

Mas saber ler uma defesa fraca não vai adiantar contra os Russos. Eles tem Timofey Mozgov e Andrei Kirilenko protegendo o garrafão, jogadores alto no perímetro e são uma defesa muito bem entrosada. Em pontos cedidos a cada 100 posses de bola a Rússia só não teve melhores números que EUA e Brasil. Difícil imaginar a Lituânia superando essa defesa do jeito que tem jogado até agora, não vão achar os buracos que viram contra os EUA.

Algo que pode animar os lituanos para se superar é a rivalidade. Rússia e Lituânia não se bicam por razões políticas, afinal a Lituânia ficou sob o domínio soviético de 1940 até 1991. Em uma pesquisa recente o povo russo disse que via os Lituanos como quarto país a menos vê-los com bons olhos, atrás apenas de Geórgia, EUA e Letônia. E o ano de 2012 marca o aniversário de 20 anos de vitória da recém-independente Lituânia sobre a chamada Comunidade dos Estados Independentes (que representava a ex-URSS) nas Olimpíadas de 1992 no jogo da medalha de Bronze, motivo de enorme orgulho para o povo lituano até hoje.

 

12h45 – Espanha x França

Quartas-de-final temáticas: rivalidades locais. Se Rússia e Lituânia não se bicam muito por razões políticas recentes, Espanha e França tem uma guerra entre eles que já tem alguns séculos de passado. Em 1807 Napoleão Bonaparte invadiu a península ibérica, de onde só foram expulsos em 1815 com ajuda britânica. Faz tempo, mas na pesquisa rápida que fiz na internet ainda é a principal razão que alguns espanhóis dão para não gostar dos franceses. Existem muitos textos em espanhol sobre o assunto e neles vi algumas pessoas usando argumentos muuuito sólidos como “sempre que nos juntamos aos franceses as coisas dão errado” ou “Eles são invejosos”. Em alguns momentos parece só birra mesmo, coisa de francês fino que não entende porque esses espanhóis são tão espalhafatosos ou de espanhol que acha os franceses frescos e chatos. Com ou sem motivo real ou compreensível para nós, tem algo ali. E o argumento vencedor, pra mim, foi esse: “Además ellos tienen los crepés esos de maricones y nosotros la tortilla de patatas. En eso salimos ganando”. Crepes de maricones! Demais.

No basquete a rivalidade cresceu quando ds dois times decidiram o Eurobasket de 2011, com vitória espanhola na final. Sem Joakim Noah dessa vez será ainda mais difícil para os franceses segurarem o garrafão de Pau Gasol, Marc Gasol e Serge Ibaka. A Espanha, mesmo perdendo para Rússia e Brasil, pareceu forte sempre que usou seus pivôs, especialmente Pau, cestinha da 1ª fase com 20.6 pontos por jogo. Os franceses tiveram momentos simplesmente brilhantes nas Olimpíada até agora, mas geralmente dura um ou dois quartos, os que Tony Parker infiltra a seu bel prazer. Curioso que a França perdeu para os EUA de 27 pontos de diferença e suas 4 vitórias somadas dão uma margem positiva de só 25 pontos. Com -2 de salto se classificaram com a 2ª melhor campanha do grupo.

Será que Tony Parker conseguirá ser uma potência ofensiva contra a Espanha? E será que o fazer por apenas um ou dois quartos será o bastante? A França precisa de mais criatividade ofensiva para mantê-los no jogo. De qualquer forma a Espanha entra como favorita mesmo com Juan Carlos Navarro, cestinha daquela final de 2011, baleado e em má fase

 

16h – Brasil x Argentina

E se o assunto é rivalidade não podia faltar um Brasil e Argentina, né? Nada de batalhas sangrentas ou invasão de território. Na maior guerra entre países sul-americanos os dois países até lutaram do mesmo lado. Por que nos odiamos mesmo? Sei lá, mas talvez isso seja a maior prova da rivalidade: nem precisamos de motivo.

Mas sério, tem jogo mais legal que esse nas quartas-de-final? A Argentina pode ver a sua melhor geração se despedir do basquete internacional contra seu maior rival que é hoje treinado pelo cara que os levou ao topo. O Brasil tem a chance da vida de salvar uma geração fracassada internacionalmente e que simbolizaria um período de transição onde os brazucas ambicionam retomar o domínio sul-americano. Rubén Magnano falou que o time argentino tem “sede de glória, mas vejo o mesmo no time brasileiro”. É muita coisa para só 40 minutos de basquete.

Dentro de quadra a coisa vai ser pesada. O Brasil tem a tranquilidade e ritmo lento necessários para saber lidar com o jogo argentino, mas por outro lado não tem o poder de fogo dos rivais. A Argentina acabou a fase de classificação com o 2º melhor ataque da competição, atrás apenas dos EUA, e em pelo menos 3 jogos eles estiveram pegando fogo da linha dos 3 pontos. Sem contar que sempre podem contar com o individualismo de Manu Ginóbili e Luis Scola para sair de alguns buracos. Scola, aliás, seria considerado o maior ala/pivô de todos os tempos se só contassem os jogos onde enfrentou o Brasil.

O Brasil, por outro lado, teve a melhor defesa da fase de classificação e cresceu durante a competição. Seu banco de reservas brilhou nos jogos mais difíceis, Leandrinho aos poucos está mais ajudando com os pontos do que comprometendo com heroísmo forçado e Marcelinho Huertas tem brilhado como sempre. Um ponto que pode ser decisivo é Nenê. Ele ainda é dúvida por causa de seu pé machucado, mas se jogar no sacrífico tem tudo para dominar o garrafão (se for mais utilizado no ataque, o que não acontece sempre) e ganhar infinitos Pontos Patrióticos para futuras eleições de Maior Brasileiro de Todos os Tempos. Depois de tanto ser xingado e acusado de não amar o país (bobagem inventada de patriotas cabeças oca), faria todos os pachecos chorarem de emoção se tivesse uma grande atuação no sacrifício contra a Argentina. Dramaticidade a parte, Nenê é importante mesmo para o Brasil dominar a área pintada, tirando proveito de um ponto fraco da Argentina, que não tem bons jogadores em toco no garrafão.

O segredo para o Brasil no jogo dessa quarta-feira está na defesa. Se de alguma forma conseguir fazer com que as bolas de 3 pontos dos Argentinos não caiam, eles serão obrigados a jogar muito na individualidade (não são mais o time envolvente e coletivo de 2004), coisa que a entrosada defesa brasileira tem conseguido parar com algum sucesso. Mas é bom torcer para Tiago Splitter não ser engolido por Scola como já aconteceu tantas vezes, assim como seria bom se Alex marcasse Ginóbili com pelo menos metade da eficiência que teve contra Andrei Kirilenko. Defensivamente a Argentina não é tudo isso, o jogo de pick-and-rolls altos do Brasil, na linha dos 3, deve ser o bastante para abrir espaço para infiltrações de Huertas, triangulações entre os pivôs e eventuais arremessos de 3 pontos.

E volto a tocar num ponto que já falei mil vezes desde o Mundial de 2010 (quando o Brasil perdeu da Argentina nas oitavas) e passando pelo Pré-Olímpico das Américas: O jogo será truncado e tem tudo pra ser decidido no final, o Brasil vai ter armas tão boas quanto a Argentina para esses momentos de vida ou morte?

 

18h15 – Estados Unidos x Austrália

Os EUA vão ganhar, mano.

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