Máquinas de triple-doubles

Máquinas de triple-doubles

Tentando dar ritmo de urgência para um Thunder que ainda não viu Kevin Durant plenamente saudável nessa temporada graças a uma insistente lesão na coxa, Russell Westbrook registrou na semana passada dois triple-doubles seguidos, em vitórias contra Wizards e Sixers. Exatamente durante esse período, outro armador realizava a mesma proeza, com dois triples-doubles seguidos e o adendo de somar três triple-doubles num período de quatro jogos: Rajon Rondo, do Kings. Rechear a coluna de pontos, assistências e rebotes das planilhas ao mesmo tempo não é nenhuma novidade para os dois. Com 25 triple-doubles em seus 9 anos de carreira, Rondo já tem a décima terceira melhor marca de todos os tempos, se aproximando a passos rápidos dos 28 conquistados por Michael Jordan. Russell Westbrook, também empatado com 25 triple-doubles na carreira, tem acelerado em velocidade vertiginosa: foram 11 apenas na temporada passada, incluindo 4 seguidos no desespero de levar o Thunder aos playoffs na ausência definitiva de Kevin Durant. O mais impressionante a respeito da sequência de 4 triple-doubles seguidos de Westbrook foi que após os três primeiros, o armador sofreu uma cotovelada, fraturou um osso da face, passou por uma cirurgia, perdeu apenas um jogo e voltou em seguida para conseguir a absurda marca de 49 pontos, 16 rebotes e 10 assistências. Sua sequência só foi quebrada quando teve um jogo mais singelo de 43 pontos, 8 rebotes e 7 assistências.

O que é ser um bom armador?

O que é ser um bom armador?

A chegada de Jason Kidd no Nets em 2001 foi um dos momentos mais impressionantes da história do basquete. A equipe foi de fracasso completo ao título do Leste em apenas uma temporada com Kidd comandando a armação. Na temporada seguinte, pra provar que não tinha sido mero acaso, lá estava o Nets de Kidd campeão do Leste outra vez. Infelizmente não levaram o anel de campeão da NBA em nenhuma das duas vezes e Kidd bateu na trave na disputa pelo prêmio de MVP, criando o risco de que essa história de sucesso seja esquecida pela ausência de títulos. Mas isso não tira o assombro do impacto que Kidd teve naquele grupo de uma hora para outra: logo na primeira temporada já foram médias de 15 pontos, 10 assistências, 7 rebotes e 2 roubos para o armador, que botou para correr um elenco confuso composto por novatos cheirando a fralda, veteranos descartados e jogadores secundários pra tapar buraco. Todo mundo parecia alcançar seu melhor basquete quando estava ao seu redor, e jogadores medianos ganharam contratos monstruosos graças a essas duas temporadas mágicas. Todas as jogadas passavam pelas mãos de Kidd e criou-se uma narrativa na NBA de que o papel dos armadores era tornar seus companheiros melhores, soltar a bola e forçar contra-ataques, não precisando saber arremessar já que esse era o ponto fraco de Kidd. Jovens armadores com boa visão de jogo e grande velocidade começaram a ser muito cobiçados por todo elenco medíocre da NBA que queria mudar sua própria história.

Resumo da Rodada – 21/4

Existe coisa mais deprimente na NBA hoje do que o Toronto Raptors? O time renasceu na temporada passada, encontrando uma identidade, ídolos e cativou uma torcida apaixonada, que usa e abusa do slogan “We The North” para ter os mais orgulhosos e até futebolísticos fãs da NBA. Poucas cenas são mais legais do que os jogos de Playoff que reúnem uma multidão de pessoas para assistir aos jogos do lado de fora da arena em um telão. O lado triste é que eles só assistem fracassos.

Agora ou em julho

Daqui dois dias, na quinta-feira (20), chegamos a uma das datas mais importantes da temporada da NBA. Após a festa do All-Star Weekend, é hora de fazer negócios, é o último dia que os times podem fazer trocas até o final desta temporada. Ou seja, se o Los Angeles Clippers quer um pivô reserva, se o Houston Rockets quer um ala de N10-005  força arremessador, se o Golden State Warriors quer melhores reservas ou se os times de Nova York querem garantir vaga nos Playoffs, a hora é agora.

Sam Hinkie

Nos últimos anos tem se falado muito da tal Trade Deadline e ela tem sido constantemente uma decepção. No ano passado o nome mais importante a ser trocado foi JJ Redick, que saiu do Orlando Magic para o Milwaukee Bucks. E só. Existem algumas razões para os últimos anos terem sido fracos e um pouco de esperança para que esta semana seja mais movimentada e divertida que as anteriores.

A temporada 2010-11, anterior ao Locaute, viu muitos times com medo da própria paralisação da liga, ninguém sabia ao certo quais seriam as novas regras salariais da NBA e alguns preferiram não se arriscar muito.  N0-120 Mas mesmo assim Carmelo Anthony, Shane Battier, Kendrick Perkins, Deron Williams e outros foram negociados. Mas os que esperaram tinham razão, mudaram muitas regras e algumas delas fizeram o trade deadline não ser tão atrativo quanto no passado. Uma das trocas comuns nessa época da temporada era a troca de contratos expirantes (os de último ano) entre times que queriam se reforçar com times que queriam limpar folha salarial na próxima temporada. Mas com as novas regras, existem menos contratos longos e cada vez mais as equipes preferem apenas deixar seus contratos acabarem e abrir espaço na própria folha salarial do que ficar recebendo mais compromissos longos em troca.

No passado, seria até óbvio o Los Angeles Lakers trocar Pau Gasol e seus últimos meses de contrato para um time com pretensões de Playoff. O Lakers não tem mais esperança de nada e poderia jogar Gasol para um Warriors, Knicks ou Suns da vida e em troca acumular alguns bons jovens jogadores para o futuro. Mas hoje as coisas são diferentes, uma das coisas mais atraentes no mercado são times com espaço salarial livre, já que eles tem mais flexibilidade na hora de montar trocas. Então só deixar o contrato de Gasol acabar é melhor para a economia do time, que não se compromete com contratos novos, e bom para as perspectivas de troca futuras. Não é que os contratos expirantes não tenham atrativos ainda, a troca de Luol Deng mostra isso, apenas não tem a mesma força de anos atrás.

Um fator que impulsiona a Trade Deadline deste ano pode ser também o mesmo motivo que a empaca. A qualidade prevista para o Draft 2014 faz com que muitos times, especialmente os que estão mal na tabela, queiram fazer negócios envolvendo escolhas de Draft do ano que vem. Por um lado isso faz o mercado esquentar porque temos muitos times tomando a iniciativa de fazer ligações e negócios, equipes como o Bucks, Sixers e Jazz estão babando para acumular o maior número possível de escolhas. Por outro lado, sabendo da qualidade da classe de 2014, os times não estão dando escolhas à toa. Mesmo equipes mais fortes não veem com bons olhos abrir mão de suas picks em um ano que pode render bons jogadores até no fim da primeira rodada.

Dito tudo isso, podemos pensar em alguns times que tem tudo para se mexer nas próximas semanas:

 

Thad Young

Philadelphia 76ers

É muito provável que o Sixers faça pelo menos um negócio nesta semana, a combinação de fatores é perfeita demais para passarem despercebidos. O time tem investido totalmente no futuro, usando seus bons (e ainda jovens) jogadores como moeda de troca para futuras escolhas. Lembram que eles trocaram o ainda jovem e já All-Star Jrue Holiday por um lesionado Nerlens Noel? O General Manager Sam Hinkie, cria de Daryl Morey no Rockets, sabe como é bom negócio acumular escolhas de Draft e jovens jogadores para futuras negociações e todos na liga sabem que eles querem o máximo de escolhas de Draft possíveis.

Mas se muitos times querem escolhas, poucos tem jogadores tão bons para servir como isca como o Sixers. Os times que buscam uma ajuda no garrafão podem trocar por Spencer Hawes, quem precisa de um ala versátil pode fazer negócio por Thaddeus Young e quem precisa de um sexto homem ou de um pontuador pode ir atrás de Evan Turner. Os três ainda são jovens, estão disponíveis para troca e dizem que tem gente babando por suas peças, em especial o Charlotte Bobcats por Evan Turner, é só acertar quais e quantas escolhas mandar para a Philadelphia em troca.

 

Jordan Hill Faried

Los Angeles Lakers

Muito se comenta sobre a troca de Pau Gasol, mas como citei antes, os contratos expirantes não tem o mesmo valor de antes. A não ser que alguém mande muitas coisas tentadoras para o Lakers, não acho que ele será negociado. Ainda existe em Los Angeles também a chance de renovar com o espanhol por um salário menor na próxima temporada, talvez um contrato que acabe junto com o de Kobe Bryant. De qualquer forma, enquanto tiver gente mandando ofertas por Gasol, existe a chance de que algo aconteça.

Mas talvez o Lakers tenha mais chance de estar envolvido em trocas menores. O time tem se destacado na temporada porque tem feito algumas boas partidas apesar de ter um dos piores elencos de toda a NBA! Eu, como torcedor do Lakers, gosto de ver os jogos do meu time e tenho o hábito de pegar os 10 atletas que começam o jogo e pensar “Se eu fosse montar um time, que jogador de cada posição eu pegaria?”. Em geral eu escolho os 5 adversários, às vezes 4 adversários e mais o Gasol. Mas mesmo assim alguns nomes desconhecidos ganharam destaque nesse período sombrio: Steve Blake fez partidas espetaculares e está sendo cogitado para o Warriors, que está desesperado atrás de um reserva para Steph Curry; Jordan Hill tem se destacado nos rebotes ofensivos e dizem que interessa o Brooklyn Nets; Chris Kaman está insatisfeito no time e pode acabar indo para algum canto também.

 

Denver Nuggets

Depois de perder tantos jogadores na última offseason, a esperança do Nuggets de continuar relevante no Oeste foi para o ralo com as seguidas lesões de Danilo Gallinari, JaValle McGee, Nate Robinson e o afastamento de Andre Miller após briga com o técnico Brian Shaw. Simplesmente nada deu certo pra eles neste ano, o que quer dizer que a feira está aberta: quem vai levar Miller pra casa? Wizards e Warriors querem armadores reservas; alguém vai oferecer algo por um bom ala como Wilson Chandler? E diz a lenda que o Knicks ainda insiste em conseguir Kenneth Faried para seu garrafão. Será que alguém no time é intocável? Talvez Ty Lawson, mas só.

 

Evan Turner

Charlotte Bobcats

Como disse acima, eles estão indo com tudo para cima de Evan Turner, do Sixers. Depois de anos de fracasso, o Bobcats tem chance de voltar aos Playoffs e está sério em relação a isso. Contratar o veterano Al Jefferson no começo da temporada mostrou que eles cansaram de apostar em Draft para ter esperança no futuro. Se não for Turner, talvez ataquem em outra frente, mas para adocicar o negócio eles tem duas escolhas de Draft do ano que vem (a do Blazers e a do Pistons) e o contrato expirante de Ben Gordon pode ajudar a igualar os salários com algum jogador mais caro.

 

Afflalo

Orlando Magic/Milwuakee Bucks

O Magic está numa situação parecida com a do Sixers. Eles querem escolhas de Draft e podem oferecer bons jovens jogadores em troca, a diferença é que o time da Flórida não deu tanta indicação até aqui que está à vontade em trocar seus jovens Nikola Vucevic, Tobias Harris ou Moe Harkless, e Victor Oladipo é intocável. Ao contrário do seu parceiro de rabeira do Leste, o Magic deve envolver nos negócios alguns jogadores mais experientes, como Glen Davis, Jameer Nelson ou Arron Afflalo, a melhor moeda de troca da equipe no momento.

O mesmo vale para o Bucks, que não parece disposto a trocar os jovens Giannis Antetokounmpo, John Henson ou Brandon Knight, mas que está ouvindo propostas por Caron Butler, OJ Mayo, Gary Neal e até nossa Lady Gaga da NBA, Ersan Ilyasova. A incógnita é Larry Sanders. líder em tocos na última temporada que assinou um contrato monstruoso na offseason e ninguém sabe o que o Bucks está achando de sua temporada horrorosa. O time diz que nem pensa em trocá-lo, mas isso pode ser só estratégia para não parecer desesperado como outros times acham que eles estão. Eles querem manter Sanders, trocar por algo valioso ou só achar algum maluco que assuma a dívida?

 

Harrison Barnes

Golden State Warriors

Apesar do time titular do Warriors ter vários recordes de aproveitamento e saldo de pontos quando estão em quadra, o time caiu para a oitava colocação do Oeste e agora se vê ameaçado pelo crescimento do Memphis Grizzlies. Alguma coisa tem que mudar! A troca por Jordan Crawford não deu em nada e o banco continua um desastre capitaneado por Harrison Barnes, favorito ao título de jogador que mais involuiu na temporada.

O problema aqui é o seguinte: a escolha de 1ª rodada do Draft de 2014 do Warriors está com o Utah Jazz (via troca do Andre Iguodala) e a de 2ª rodada com o Minnesota Timberwolves, e pelas novas regras da NBA eles não podem trocar escolhas de anos consecutivos, então a de 2015 está congelada. Se eles quiserem fazer negócio, será envolvendo a escolha de 2016 e talvez o único jogador que interessa aos adversários e que não está no time titular do Warriors, o já citado Barnes. Mas com a temporada medonha do ala, será que alguém vai oferecer bastante coisa ou vai usar a má fase como desculpa para oferecer só mixaria? O Warriors é o Nets do Oeste: quer mudar, quer trocar, mas não tem as peças para isso.

 

JJ Barea

Memphis Grizzlies/Minnesota Timberwolves

Ontem surgiu um boato de troca entre estas duas equipes, o Wolves enviaria JJ Barea e Chase Budinger em troca de Tony Allen e Tayshaun Prince. Não vejo isso acontecendo pela identificação do Grizzlies com o Allen e pela necessidade que o Wolves tem pelas bolas de longa distância do Budinger, que finalmente está saudável. Mas o rumor tem um fundamento, os dois times devem estar buscando negócios porque ambos começaram a temporada sonhando com Playoff e ainda estão fora do grupo dos 8 classificados.

O Wolves tem poucas moedas de troca, mas pode convencer algum time de Playoff que ter JJ Barea é uma boa ideia. O Grizzlies, honestamente, não sei o que pode oferecer para qualquer time. Certeza que os dois vão tentar se mexer, mas difícil prever como isso seria.

 

Rajon Rondo

Boston Celtics

Ainda no mundo dos rumores, ontem foi noticiado que

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quase rolou negócio entre Celtics e Kings: o time de Sacramento ofereceu Isaiah Thomas, Ben McLemore e escolhas de Draft (não especificaram quais) por Rajon Rondo. A troca não foi finalizada, dizem, porque o Kings disse que só fecharia o negócio se Rondo se comprometesse a assinar uma extensão de contrato, o que não aconteceu. O Toronto Raptors, por outro lado, parece interessado no armador também, mesmo sem a garantia de novo contrato.

Não sabemos se foi exatamente assim que aconteceu, mas tudo indica que o Celtics tem a mente aberta. De Rondo a Jeff Green, passando por Jared Sulinger e os contratos monstruosos de Kris Humphries e Gerald Wallace, tudo pode ser negociado, é só colocar escolhas de Draft no meio do negócio. O novo Celtics topa tudo.

 

Waiters

Cleveland Cavaliers

Aqui, um mistério total. O General Manager do time, Chris Grant, foi mandado embora durante a sequência de derrotas que o time teve mesmo após adquirir Luol Deng há algumas semanas. Não sabemos nada de David Griffin, que assumiu a posição de Grant, e nem o que ele planeja para a sua equipe. Vai continuar tentando adquirir veteranos? Vai tentar abrir espaço para lutar por LeBron James como Free Agent? Vai deixar quieto pra não fazer cagada? O cara é muito novo e ninguém sabe suas intenções, qualquer coisa pode acontecer, até Deng ser trocado de novo, mas meu palpite é que Dion Waiters pode mudar de time.

 

Houston Rockets

É o Houston Rockets. É Daryl Morey. Omer Asik está de bico. Alguma coisa acontece!

 

Pierre Jackson

New Orleans Pelicans

O armador Pierre Jackson (não confundir com Pierre The Pelican) está em uma situação bem esquisita e única na liga. Ele é um dos destaques da temporada da D-League, com 29 pontos e 6 assistências de média, tendo marcado até 58 pontos em uma partida, recorde da liga de desenvolvimento, mas mesmo assim ninguém pode chamá-lo para jogar na NBA!

É assim, após ter conseguido Jackson na segunda rodada do último Draft, o Pelicans fez a pior coisa que se pode fazer com um jogador: não assinaram um contrato com ele, mas também não renunciaram os direitos sobre o jogador, o deixando assim ligado ao time e sem a chance de assinar com qualquer um. Limbo basquetebolístico. Além disso o Pelicans, após assinar com Luke Babbitt (por que? POR QUE?!), tem os 15 espaços em seu elenco já ocupados. O que dizem nos sites gringos é que o Pelicans pretende enviar Pierre Jackson para qualquer time que topar pegar, também, o fracassado Austin Rivers. Quem fizer boa proposta pela dupla, leva.

……

Outra coisa legal do Trade Deadline? As trocas envolvendo jogadores e times que a gente nem sabia que estavam planejando trocas, fiquem de olho em tudo!

O que aprendemos com Leandrinho

O que aprendemos com Leandrinho

Quando comecei a acompanhar a NBA, ainda bem moleque, não entendia nada do que estava acontecendo em quadra. A televisão só transmitia um jogo por semana, então era tudo que eu tinha para poder me acostumar com o esporte e todas as suas nuances. Durante muito tempo, minha principal preocupação era somente entender as regras, tendo em vista que eu nunca conseguia entender os motivos de uma hora um lance ser considerado falta e na outra hora não. Saber quem eram os bons times ou os melhores jogadores também era muito difícil, quase impossível. Vale lembrar que tudo isso aconteceu numa época meio-que-longínqua, em que a internet não existia, então encontrar uma matéria de jornal explicando quem eram os jogadores mais importantes da final de conferência que aconteceria numa noite de infância foi algo épico, emocionante, transformador (e que, por simples acaso, me tornou um torcedor do Houston Rockets). Eu finalmente consegui assistir a um jogo sabendo mais ou menos o que esperar dele graças a um infográfico tosco de jornal.

Todo começo é complicado. Sem o conhecimento adequado, o basquete não passa de um monte de carinhas correndo de um lado para o outro tentando colocar uma bola num buraco exageradamente alto. O conhecimento adequado só nasce do costume, da experiência, da insistência e do estudo. O problema é que na maior parte das vezes simplesmente não percebemos isso. Por assistir futebol desde pequenininhos aqui no país do ludopédio, temos a impressão de que futebol é simples e os outros esportes é que são chatos e complicados. Vale pra tudo: ao ser criado pela mamãe sentadão lá no sofá assistindo desenho animado, você adquiriu um conhecimento da linguagem cinematográfica que, com os anos, fez ela parecer natural – enquanto um livro parece estranho, forçado e, em última instância, chato. A linguagem da música pop te acompanha desde o nascimento, é uma segunda pele – enquanto a música clássica parece incompreensível, entediante. É por isso que, sem o costume e as informações necessárias, o basquete é por vezes uma barreira intransponível, complexa em todas as suas variações táticas, em seus trocentos jogadores todos com alguma especialidade, em sua longa história de grandes feitos e estrelas. Faz sentido que começar a trilhar esse caminho seja um bocado complicado.

Hilário

O curioso é que a chegada do Nenê à NBA facilitou muito as coisas. Pela afinidade óbvia com o jogador (nascemos todos na mesma linha imaginária e falamos o mesmo idioma, o que nos liga seja lá por que motivo bizarro), muita gente passou a saber quem acompanhar dentro da liga. Mesmo no meu caso, que estava acostumado com o esporte há anos, confesso que a primeira vez em que assisti a um jogo olhando só para um jogador, dissecando seu posicionamento, foi com o Nenê. A nacionalidade é um filtro de segurança quando a gente acha que o esporte tem informação demais para a gente lidar de uma vez só. Muita gente vai assistir a uma prova de natação numa Olimpíada e não sabe quem são os favoritos, quais são as rivalidades, as histórias pessoais dos nadadores, então pergunta “quem é o brasileiro” e pronto, já tem para quem olhar, vibrar, torcer. Não é aleatório que o MMA no Brasil tenha explodido tão rápido: tem sempre brasileiro participando, o que deixa o público que está assustado de não entender merda nenhuma mais tranquilo, ele não precisa conhecer as histórias e se identificar com um dos competidores porque a identificação da nação já vem pronta. É um facilitador. Conheço muita gente que passou a ver NBA quando o Nenê entrou e, depois de anos acompanhando, já conhece os jogadores, as regras, os confrontos, as táticas o bastante para não se importar mais se o Nenê é brasileiro, marroquino ou finlandês – especialmente porque não faz diferença mesmo.

Uns anos atrás, tinha campanha na internet para tentar levar o Nenê para o All-Star Game mesmo quando ele não jogava bem o bastante. O motivo é simples: o torcedor comum não conhece ninguém na NBA, é uma quantidade absurda de jogadores diferentes com posições malucas, mas o Nenê ele manja, o Nenê ele conhece, nasceu nessa mesma linha imaginária que ele, aqui, ó, pátria-amada-brasil. O Bola Presa sempre foi categórico: deveria ir para o All-Star Game os melhores jogadores, os mais divertidos, os que você mais se identifica, sem esse filtro de nacionalidade. Entendemos que o filtro é um bom modo de entrar no esporte, é um modo muitas vezes necessário (assim como as listas de “quem é melhor”, “quais os melhores times”, etc), mas se ater a ele é um erro.

Dez anos se passaram desde que o Nenê entrou na NBA. Agora ele é a voz de maturidade num elenco cheio de pirralhos no Wizards (e que finalmente está funcionando desde a pausa do All-Star). Outros brasileiros entraram na NBA, trazendo com eles novos torcedores que ganham a facilidade de saber quem acompanhar e eventualmente acabam se apaixonando pela liga como um todo. Anderson Varejão quase conseguiu ser chamado para o All-Star Game esse ano não por campanha de internet, mas por mérito próprio, pelo basquete que joga independentemente do país em que nasceu, e só não foi chamado porque se contundiu antes e ficou fora da temporada (com um coágulo no pulmão, coisa de quem aguenta um atropelamento de caminhão por dia só pra ver se ganha uma falta de ataque). Já temos toda uma geração de fãs especializados em NBA que não precisam mais da muleta dos bairrismos, dispostos a simplesmente assistir ao melhor basquete e aos melhores jogadores que puderem.

Toda essa retrospectiva foi apenas a preparação para podermos falar de um brasileiro: Leandro Barbosa. Isso porque o Leandrinho nos permitirá aprender lições valiosas tanto sobre o Boston Celtics quanto sobre bairrismo e o basquete brasileiro.

Doc Rivers Leandrinho

Assim que o Celtics perdeu Rajon Rondo pelo resto da temporada, parecia que o time ia afundar privada abaixo. Rondo fazia simplesmente tudo em quadra e era constantemente o líder da equipe em pontos, rebotes, assistências e roubos de bola. Quando o Celtics de Garnett, Pierce e Allen foi formado em 2007/08, se tornou campeão com a estratégia “vamos defender como profissionais que no ataque a gente se vira”, dependendo de jogadas individuais e pontos feitos na marra, com o Paul Pierce assumindo o ataque quando a água batia na bunda. Com Pierce mais velho e a evolução espetacular do Rondo, os papeis inverteram mas nada mudou – o ataque do Celtics continuou na base do “a gente dá um jeitinho” mas cabendo ao armador fodão tirar os pontos da cartola. O problema é que quanto mais o Celtics sofria com lesões, cansaço e falta de entrosamento, mais o time deixava a carga ofensiva nas mãos do pobre Rajon Rondo. É um círculo vicioso bizarro: quanto pior o time vai, mais o Rondo tem que fazer tudo sozinho, e com isso o time vai pior, e aí o Rondo tem que fazer mais coisas sozinho. Ou seja, quanto piores os joelhos de Garnett e Pierce, quanto pior a posição na tabela, e quanto pior a autoestima do elenco, mais Rajon Rondo assumia tudo no ataque. Virou a estrela incontestável de um time que não ia a lugar nenhum.

Quando o Rondo virou farofa, o Celtics percebeu que teria que voltar a assumir as responsabilidades tão ignoradas. Começou com aquela famosa “síndrome de time feliz por perder sua estrela”, que já assolou o Wizards de Gilbert Arenas, o Sixers de Allen Iverson e até o Cavs de LeBron James, em que nos primeiros dias da contusão do jogador principal o resto do elenco fica eufórico de ter mais a bola na mão e começa a ganhar uns jogos. Mas a síndrome não dura, os jogos difíceis começam a aparecer, as derrotas surgem, não tem ninguém pra decidir, a autoestima desaba, a saudade bate e aí os times voltam a perder loucamente. As primeiras vitórias do Celtics mesmo sem Rondo não foram surpresa, portanto. Todos participaram mais do ataque e toda ajuda era bem-vinda, com os jogadores do banco de reservas participando mais da rotação – incluindo o Leandrinho. Surpresa mesmo foi que as vitórias continuaram aparecendo, e que o Leandrinho em quadra parecia um jogador completamente diferente daquele que fez tanto sucesso no Phoenix Suns.

Leandrinho não entrava em quadra para segurar a bola como Rondo e criar oportunidades de cesta como fez em toda sua carreira, mas sim para defender – isso mesmo, defender, aquela coisa que ele nunca teve que fazer ao lado de Steve Nash – e tentar criar pontos na marra, no contra-ataque. Suas tendências de atacar a cesta pareciam dopadas com drogas pesadas, e suas limitações defensivas pareciam superadas. Foi aí que comecei a ir atrás do que diabos havia acontecido com nosso Leandro Barbosa (sem contar, claro, as transformações óbvias de se casar com uma chata). A maior pista que encontrei está nessa escondida entrevista dada pelo armador pouco mais de um mês após chegar no Boston Celtics:

[youtube width=”600″ height=”335″]http://www.youtube.com/watch?v=wr54erEuo3U[/youtube]

No vídeo, ele basicamente diz que está se adaptando ao time e aprendendo a defender, já que “de onde ele vem não se joga na defesa”. Frente às risadas, que entenderam que ele se referia ao Suns, ele explica o que ele quis dizer: “estou falando do Brasil”. Sua primeira adaptação ao Celtics foi aprender algo que ele não teve sequer na base. E continua, dizendo que ele aprendeu ali que “quando você defende direito, o resto vem automaticamente“, ou seja, para o Celtics o ataque não é treinado, mas sim consequência da defesa.

Somadas a esse relato, encontrei entrevistas de Doc Rivers e de Paul Pierce elogiando a evolução na defesa do brasileiro e que, com isso, ele conseguiria finalmente ter minutos de quadra. Pareciam empolgados com a possibilidade de que ele fizesse pontos e usasse sua velocidade, mas tudo isso em segundo plano atrás da defesa, e seus talento ofensivo só seria utilizado quando – e apenas quando – ele fosse capaz de defender em alto nível. O problema do Celtics é ser capaz de pontuar mesmo sem Rondo em quadra, mas Doc Rivers não está disposto a simplesmente colocar um talento ofensivo em quadra para ajudar. Se a identidade do time é a defesa, se é assim que eles se definem, então essa tem que ser a prioridade.

Pode parecer idiota (e é um pouco) não usar uma arma capaz de diminuir sua fragilidade num setor, mas essa é a escolha de Doc Rivers, que tem menos de técnico e mais de motivador-estilo-calendário-da-Seicho-No-Ie, e é inegável que isso cria uma unidade, uma identidade, um grupo coeso. O Celtics cada vez mais insiste em ser um grupo e, nesse sentido, parece ser melhor ter um elenco todo jogando “em homenagem ao Rondo, nosso amigo” do que um elenco jogando com o Rondo, com o grupo desinteressado porque cabe à estrela fazer tudo sozinha. O Celtics ainda tem muitas deficiências, perde jogos fáceis, mas agora também vence jogos difíceis na raça mesmo quando o talento não está presente. O Leandrinho se contundiu numa jogada banal mas outro entra em seu lugar – desde que seja capaz de defender, de gritar e de pertencer. A própria troca por Jordan Crawford, conhecido por ser um arremessador porra-louca incapaz de defender, veio pouco depois que coincidentemente me deparei com uma matéria mostrando, em números, como a melhora defensiva do Wizards para essa temporada acontecia sempre que Crawford estava em quadra. É por isso que, apesar das limitações, alguém realmente duvida que o Celtics pode acabar ganhando uma série improvável nesses playoffs mesmo sem mando de quadra, na base da defesa pura e simples e de um ataque na base da cagada? Leandrinho nos ensinou, sem querer, como o Celtics funciona: eles não vão contratar um cara para atacar a cesta e pontuar se ele não der ao time aquilo que o time já tem, ou seja, defesa.

Resta, por fim, outra lição que Leandrinho nos deixa também, mas dessa vez mais caseira, longe da NBA. É um alerta de que o basquete que estamos jogando e treinando no Brasil está muito longe, do ponto de vista teórico, do que funciona lá na melhor liga do planeta. Já ouvi muita gente ligada ao basquete nacional dizer que NBA é outra realidade, que a gente tem que pensar diferente por aqui, e que por isso não assiste aos jogos da NBA e não dá ouvidos para os técnicos gringos. É o equivalente a um técnico de futebol brasileiro que não acompanhe os grandes clubes da Europa e não esteja ligado nas mudanças táticas do resto do mundo, é ao mesmo tempo prepotente e amador.

Talvez nossa identificação com o Leandrinho (e com o Nenê, e com o Varejão, e com o Splitter) seja por ele nascer na mesma linha imaginária que a gente e por isso ter sofrido os mesmos problemas que sofremos na nossa paixão pelo basquete – os mesmos problemas técnicos, táticos, o pouco incentivo, a falta de interesse, o descaso da mídia e dos dirigentes. É só nessa hora que a nacionalidade interessa: se o Leandrinho precisa reaprender a jogar na defesa porque nas linhas imaginárias daqui isso não existe, o armador se transforma num exemplo dos terríveis obstáculos que nossos jogadores brasileiros de basquete precisam enfrentar, e a que estamos todos submetidos. Ao entender que pela questão da cultura do nosso país estamos todos nesse mesmo saco, precisamos então ser capazes de, por alguns instantes, esquecer a nacionalidade e sermos capazes de olhar para o melhor basquete do mundo, onde ele estiver, com a humildade de aprender com ele.

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