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Você de novo!

Tá, eu sei, a série já começou, a gente é atrasado, não cumpre promessas, tem pinto pequeno e blá, blá, blá. Mas como todo homem idiota, a gente compensa nossa ausência e falta de caráter com presentes. Então participe agora da promoção que está dando um camiseta do Tim Duncan e uma do Leandrinho! Compensamos também não só com um preview dos playoffs, mas um review da história dessa longa rivalidade.

A promoção é uma homenagem à grande rivalidade entre Suns e Spurs, um confronto que muita gente acha que começou nos últimos anos mas que já mexe com os corações dos torcedores desde o começo dos anos 90. O primeiro duelo foi na primeira rodada do Playoff de 1992, quando o Suns, time de quarta melhor campanha no Oeste, bateu o quinto colocado Spurs por 3 a 0 (na época a primeira rodada era melhor de 5), um resultado que não surpreendeu já que o San Antonio não contava com David Robinson, machucado.

A chance da revanche veio no ano seguinte na semi-final do Oeste, quando o Suns, então time de melhor campanha do Oeste e da NBA, enfrentou o Spurs, mais uma vez quinto colocado. A série foi tensa, mas com cada time vencendo o seu jogo em casa até o jogo 6 em San Antonio, que foi o melhor da série e, segundo os que viram de perto, um dos melhores dos playoffs daquele ano. Querem ver como era o Barkley jogando? Ele nem sempre foi o gordinho engraçado da TNT, antes ele era um ala de força destruidor capaz de fechar um jogo com 28 pontos, 21 rebotes e a cesta de vitória e da classificação. O vídeo não pode ser postado aqui no blog, mas dá pra ser visto aqui. Recomendo que vejam o vídeo porque tem todos os últimos 5 minutos do jogo, não só é uma partida legal como é uma chance de ver como era diferente o basquete da NBA do começo dos anos 90.

Pois é, duas vitórias seguidas do Suns em dois anos seguidos, nem sempre foram fregueses! Mas pra não ficarem mal acostumados, tomaram um 3 a 1 na primeira rodada dos playoffs de 96 quando a Era Barkley já chegava ao fim. É engraçado como esses times sempre se encontram, às vezes um é o melhor time da NBA, outras vezes um está em alta e o outro em baixa ou os dois no meio da tabela, não importa, mas eles sempre se contrastam de um jeito que faça com que se cruzem nos playoffs. Foram 9 encontros desde 1992 até hoje. Eu, sinceramente, não lembro de outros dois times que se enfrentaram mais vezes nesse período. Nos anos 90 ainda teve mais um confronto em 1998, quando o então novato Tim Duncan liderou o Spurs a uma vitória de 3 a 1 na primeira rodada.

Na década de 2000 veio uma avalanche de confrontos épicos. O primeiro uma reprise da derrota de 92, o Suns venceu de novo, mas dessa vez ao invés de Robinson, era Duncan o machucado. Em 2003 veio o duelo em que o novato Amar’e Stoudemire engoliu vivo o Tim Duncan.

Ainda era o Suns do Stephon Marbury e eles não tinham chance contra o time que viria a ser campeão, mas a série rendeu: foi um 4 a 2 complicado, o Marbury destruiu todos os marcadores que viu na frente e o Amar’e mostrou pela primeira vez que ninguém sabe atacar o Duncan como ele. Desse ano ficará marcado o jogo 1, em que o Suns empatou o jogo nos último segundos com a cesta de 3 mais imbecil da história:

Por que o Amar’e fez isso? Ele era um novato, ainda tinha muito tempo no relógio e ele nunca tinha arremessado de 3! Eddie House e JR Smith poderiam passar 20 minutos conversando de como esse arremesso foi forçado, mas deu certo e o jogo foi para a prorrogação. E lá o Marbury escreveu seu nome, tão manchado hoje, na história dos grandes momentos dos playoffs:

Em 2005 eles se pegaram no estágio mais avançado que podem se enfrentar, a final do Oeste. O Suns tinha feito a melhor campanha do Oeste e o Spurs a segunda melhor, o Spurs tinha o trio Duncan-Manu-Parker no seu auge e o Phoenix vivia sua primeira temporada com o MVP Steve Nash, acompanhado pelo seu melhor grupo de apoio: Amar’e Stoudemire, Shawn Marion, Joe Johnson, Quentin Richardson e Jim Jackson. Mas não deu, apesar dos jogos disputados o Spurs venceu por 4 a 1 e foi aí que começou a mostrar que era o time que melhor sabia lidar com a correria imposta pelo técnico Mike D’Antoni. Muitos torcedores do Suns, porém, irão lembrar que Joe Johnson não jogou toda aquela série, machucado, e quando voltou, jogou sem total condições físicas.

Aí veio o confronto de 2007, um clássico.
-No jogo 1, vitória apertada do Spurs em Phoenix quando o Nash não conseguiu jogar boa parte do minuto final por um nariz sangrando. Sem dúvida alguma um dos momentos mais angustiantes da história da NBA foi ver o Suns, 100% dependente do seu armador, tendo que jogar o fim da partida com o Nash no banco porque o seu nariz sangrava sem parar.

-Jogo 2, a revanche: com uma vitória de 20 pontos de diferença para o Suns. 20 pontos e 16 assistências para Steve Nash.

– Partida 3, já em San Antonio, teve joelhada do Bowen no saco do Nash, o Ginobili com o olho sangrando e, claro, uma vitória do Spurs. Ninguém bate no Ginobili sem ver ele entrar em modo berserk logo depois.

– Jogo 4. Bom, o jogo 4: virada espetacular do Suns, falta dura do Horry, que foi expulso, invasão de quadra dos jogadores do banco de reserva, suspensões, gente xingando a mãe, gás lacrimogênio. Épico!

Com a série empatada em 2 a 2 o jogo 5 era essencial para o Suns, que tinha que vencer em casa e forçar, no mínimo, um jogo 7 também em Phoenix. Mas essa confusão toda rendeu a suspensão de Amar’e Stoudemire e de Boris Diaw, a alternativa bizarra que o D’Antoni usava no pivô. Sobrou então um time titular de Nash, Raja Bell, Leandrinho, Shawn Marion e Kurt Thomas. Do banco, quase ninguém: James Jones jogou 28 minutos e só, mais ninguém. E mesmo assim o Suns liderou por 16 pontos, mas entregou a rapadura e perdeu por 88 a 85 com uma bola de 3 do Bruce Bowen, justamente dele.

A partida 6 foi uma mera formalidade, o Spurs venceu sem dificuldades um Suns completamente traumatizado da última derrota e chorão até demais em relação às suspensões do jogo 5.

Para terminar a freguesia houve o confronto na primeira rodada de 2008, quando o Suns já contava com Shaquille O’Neal. Aliás, a presença dele foi assunto: primeiro porque tudo indicava que o Suns o tinha contratado só para parar Tim Duncan e a força do garrafão do Spurs, tem elogio melhor ao adversário do que uma contratação só para enfrentá-lo? Depois porque de arma a favor ele acabou virando arma contra, quando o técnico Greg Popovich usou e abusou do polêmico Hack-a-Shaq em toda a série.

O resultado? Vitória do Spurs. O jogo 1 resume todo o confronto entre as duas equipes desde 2002: bola de 3 do Finley no último segundo para levar o jogo para a prorrogação, bola de 3 do Duncan (sim, do Duncan, a única dele na temporada) nos últimos segundos para levar o jogo para a segunda prorrogação e bandeja do Ginobili a um segundo do fim para a vitória.

Não adiantava o Suns fazer nada, sempre dava Spurs. Será esse ano o ano da mudança?

O que o Suns precisa fazer para a vencer a série:
Antes de mais nada, se benzer. Não acredito nessas coisas mas é melhor apelar pra tudo quando a zica (e a freguesia) é tão grande. Mas analisando todas essas séries passadas, sabe que essa é a que eu enxergo o Suns com mais chance de vencer?

Primeiro porque uma das armas do Spurs sempre foi usar muito o Bruce Bowen marcando o Nash. Era um confronto terrível para o canadense que, como vocês viram, quase já renderam algumas bolas a menos. Hoje o melhor marcador que o canadense pode enfrentar é o George Hill, que está longe de ser o Bowen. Outro ponto importante são as presenças de Grant Hill e Jason Richardson no time, nenhum é gênio, mas são decentes no jogo de meia quadra. Forçar o Suns a jogar menos no seu ritmo sempre foi uma das armas do Spurs nas suas vitórias.

E, por fim, o Suns nem joga tão mais na correria assim! Claro que é um time veloz, que prefere o contra-ataque, mas não é tão dependente assim da velocidade e é um time mais comum do que era antes. Embora pareça a príncipio um comentário negativo, tira um dos trunfos do Spurs.

O que o Spurs precisa fazer para vencer:
O Nash é a alma do Suns, se você para o armador, para o resto do time. Então para isso serve tudo o que eles já usaram, como colocar o Parker o atacando o tempo inteiro e também vale colocar todo mundo em cima dele pra ver se freia o cara. Parker, Ginobili, Hill, os três juntos vestidos de palhaço, qualquer coisa! Se alguma formação chegar perto de incomodar o Nash como o Bowen incomodava, o Spurs está perto da vitória.

Outro matchup complicado para o Spurs é entre Amar’e e Duncan. Como disse antes o Amar’e é um dos poucos no planeta a saber enfrentar o ala do Spurs, muitas vezes deixando o Duncan com problemas de falta. Uma das soluções encontradas nos anos anteriores era deixar outro jogador marcando o quatro olhos do Suns durante um pedaço do jogo, mas quem faria isso hoje? Blair? McDyess? Não custa tentar.

Com os dois jogadores minimizados na defesa é hora de partir para o ataque, lá é fazer tudo o que eles fizeram contra o Dallas. Estabelecer o Duncan no garrafão, Ginobili e Parker atacando a cesta quando possível e rezar para que Richard Jefferson e/ou George Hill contribuam com os arremessos de longe. Nos poucos minutos que o ataque balanceado do Spurs funcionou no jogo 1 a defesa do Suns entrou em colapso e o ataque, forçado a ficar mais lento, ficou também menos eficiente. Nunca achei que ia dizer isso, mas para o Spurs a melhor defesa é o ataque.


Palpite: Suns 4 x 2 Spurs. Tá bom, hoje tem Corinthians na Libertadores então acordei sonhador, fazer o quê? Mas realmente acho que as mudanças de elenco e de postura das duas equipes nos últimos anos favorecem o Suns, que está sangrando pelos olhos de desejo de eliminar seu maior rival.

Mas palpito com medo da freguesia. Mudam os times, fica a mística. Ou ninguém lembra do que aconteceu no confronto da temporada regular nesse ano?

>A máquina sem peças

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“Por favor, não tire o Kidd do meu lado ou perceberão que eu fedo, amém.”
Como acabei não postando ontem por pura e indesculpável preguiça, resolvi que hoje vou me punir e, por isso, vou falar do San Antonio Spurs. Toda hora tem alguém me perguntando no “Both Teams Played Hard” o que diabos aconteceu com o time nessa temporada, e o desespero dos fãs é compreensível: o time sempre foi chato, mas pelo menos ganhava jogos. Agora que não ganha mais, os torcedores ficaram com uma bomba nas mãos.
A primeira dificuldade do Spurs nessa temporada tem sido a falta que faz Bruce Bowen. Sua saída da NBA tornou o mundo um lugar melhor, os pássaros cantam, as borboletas voam e as pessoas mandam dinheiro para o Haiti, mas sua defesa forte, suja e eficaz era essencial para o esquema tático da equipe. O Spurs tem uma impecável rotação defensiva e sabe colocar em prática muito bem uma série de defesas por zona, desde que a estrela adversária esteja sendo defendida no mano-a-mano pelo Bowen. A maioria das pessoas não imagina o impacto que sua aposentadoria causou na estrutura defensiva da equipe, e essa dificuldade já vem desde a temporada passada, quando ele não tinha mais físico para segurar os armadores adversários e começou a passar mais tempo no banco de reservas. Havia por baixo dos panos, em San Antonio, o sensacional “projeto Ime Udoka” que pretendia substituir Bowen por um jogador com as mesmas características. Udoka foi roubado do Blazers e cultivado com carinho por ser um excelente defensor capaz de marcar jogadores de todas as posições e ainda por cima acertar arremessos de três da zona morta – marca registrada de Bowen. Ainda não sei bem o que aconteceu, se o Udoka é pior do que parece, se ele não entendeu o esquema do Spurs ou se ele cutuca o nariz, o técnico Popovich é muito chato e acaba afundando uns jogadores sem que nunca saibamos o que está acontecendo. Mas o projeto obviamente foi abortado, o Udoka foi pra rua e o Spurs ainda não sabe como marcar Kobes, LeBrons, Nashs e Carmelos – o que explicita ainda mais as deficiências defensivas de Tony Parker e Ginóbili, que ficavam camufladas num sistema em que precisavam fazer menos e se posicionar mais.
As bolas de três pontos da zona morta também fazem uma falta brutal para o Spurs. Por muitos anos, foram um dos aspectos mais fundamentais da movimentação ofensiva da equipe. É impossível marcar o Duncan no garrafão, um armador penetrando, e conseguir cobrir as zonas mortas da quadra ao mesmo tempo. Não dá pra contar quantas vezes alguns times marcaram o Spurs perfeitamente, para então serem mortos pelos arremessos de três do Bowen, o cara de quem ninguém se lembrava (até ele quebrar seu pé). Quem assumiu essas bolas com sua aposentadoria, em geral, foi Roger Mason. Ele quebra um galho, mas além de sua inconsistência e tendência a fazer merda no final dos jogos, ainda há sua dificuldade com a zona morta. Mason é um bom arremessador de três pontos, mas prefere outras regiões da quadra para arremessar.
Esse simples fato explica o maior mérito e a maior dificuldade do Spurs: o técnico Gregg Popovich. Sem dúvida nenhuma ele desenhou um esquema maravilhoso, impecável, campeão, chato pra burro, que ganhou vários anéis de campeão. Mas o esquema não é maleável, não depende de que jogadores estão no time ou em quadra. O esquema é aquilo que ele é, cabe aos jogadores se encaixarem a ele. Quando o Tony Parker chegou na NBA, confessou que se focava nos contra-ataques porque era o único jeito de pontuar sem que o Popovich percebesse e ficasse bravo com ele. Quando penetrava no garrafão, as ordens eram para passar a bola para os lados – alimentando os jogadores de garrafão ou a zona morta – e não tentar uma bandeja. Quando arremessava de três, o Popovich surtava no banco de reservas, chegando ao ponto de limitar seus arremessos de fora para apenas um ou dois por jogo – se arremessasse mais do que isso, ele seria punido. Parker, então, comia pelas beiradas. Usava sua velocidade apenas nos contra-ataques, guardava aquilo que fazia de melhor porque não se encaixava na tática do time, e foi aos pouquinhos se soltando em quadra. Depois de um tempo, Popovich foi permitindo ao Parker finalizar mais, pontuar mais, mas nunca soltou as rédeas. O mesmo aconteceu com o Manu Ginóbili, mas como o argentino fazia suas maluquices para salvar o Spurs de situações terríveis, o Popovich foi aos poucos confiando nele – ainda que eu tenha visto ele ir parar no banco por algum drible mais plástico ou a insistência de tentar driblar a dupla-marcação. Lembro também de uma entrevista do técnico do Spurs afirmando que seu coração morria um pouquinho toda vez que o Ginóbili pegava na bola, mas que não tinha outro jeito. Aos poucos, foi dando certo.
Mas o resto do elenco, sem tanta moral, jogo de cintura ou personalidade, vai se anulando para encaixar no esquema do Popovich. O esquema é sempre o mesmo, o Spurs não era o time mais regular da década passada à toa. Todo jogo era perfeitamente idêntico ao anterior, o que garante ao time uma tranquilidade e segurança que permite estar perdendo por 20 pontos no último período e ainda saber que vai dar tudo certo. O Duncan não teria aquela cara de “vou tirar um cochilo no meu travesseirinho” se ficasse nervoso no final das partidas. Mas e quando o time não tem as peças para rodar o esquema? E quando é preciso mudar o jogo, quebrar um galho, lidar com as lesões? É aí que o Popovich se afunda e o Spurs despenca pelas tabelas.
Richard Jefferson foi trocado por dois contratos expirantes e todo mundo babou dizendo que o Spurs agora era forte candidato ao título. O problema é que Jefferson jogava bem no Nets no contra-ataque, usando sua velocidade, ao lado de Jason Kidd. Ainda assim, faltava agressividade e recursos para ser a primeira opção ofensiva, ele sempre se contentou em ser a segunda ou terceira. Nos seus melhores dias, era comum o pessoal debater se o Richard Jefferson conseguiria segurar um time sozinho (assim como se fala bastante do Tayshaun Prince) assim que passasse a ser a principal arma no ataque. No Bucks, sem Kidd e num jogo mais lento, não funcionou. Jefferson é limitado, seu arremesso é inconsistente, e sua defesa é apenas razoável – e isso quando ele está interessado em jogar na defesa. No Spurs, sua defesa deveria substituir Bruce Bowen, seus arremessos de três deveriam vir da zona morta. É claro que isso não funcionou, ele só serve se for a terceira opção de um time que corra muito e use sua capacidade atlética. Restringido pelo chato e briguento do Popovich, Jefferson foi apagando e passando a bola de lado ao ponto de terem que pedir por favor para ele ser mais agressivo. Quando passou a ser, o esquema tático do Spurs ficou todo bagunçado e o time piorou drasticamente. O mais incrível com o Jefferson é que, por causa disso, ele vem piorando seus números e suas atuações mês a mês, desde o começo da temporada. Esse é o problema desses esquemas que não se adaptam aos jogadores e exigem peças específicas: o Richard Jefferson não encaixou, então não há salvação. Pode dar a descarga.
Tá bom que ele veio pro Spurs quase de graça, o time não perdeu nada, mas os contratos expirantes mandados para o Bucks permitiriam à equipe de San Antonio brincar de contratar alguém da imensa lista de jogadores talentosos que terminam contrato nessa temporada. Nos últimos anos, essa tem sido a tônica do Spurs ao contratar jogadores: eles não perdem nada, mas deixam de ganhar muito. Richard Jefferson não funcionou e tirou deles a chance de conseguir algo melhor ao fim da temporada; Luis Scola era apenas uma escolha de segunda rodada que eles mandaram para o Rockets em troca de um jogador que preferiu voltar para a Europa; e a equipe deixou de draftar Josh Howard ou Leandrinho porque preferiu mandar a escolha pro Suns para não se comprometer financeiramente e ter grana para tentar contratar o Kidd (que no fim das contas preferiu ficar em New Jersey). Ou seja, o Spurs não perdeu nenhum grande jogador do seu elenco numa troca idiota, mas deixou de ter Leandrinho, Scola, e alguma estrela pro ano que vem.
Aliás, esse lance do Kidd não ter topado ir para San Antonio é sintomático: não apenas a cidade é famosa por ser meio chata (a cara do time!), mas o Popovich é famoso por ser um pentelho. Muitos jogadores sabem das restrições do sistema tático e além do medo de acabar não se encaixando, ainda tem a óbvia queda na produção e nos números do jogador, que dificultam um contrato depois. Quando o Kidd foi trocado para o Mavs e teve que se encaixar num esquema tático que lhe fazia tocar a bola de lado, ficou bem claro como grandes estrelas podem sofrer quando são mal utilizadas. Não acho que teria sido muito diferente no Spurs, o Kidd não teria nunca rendido como poderia em outros formatos, e nem acho que ele teria algo a acrescentar à equipe nesses moldes.
Essa busca constante do Spurs por regularidade, jogadores encaixados e constantes, tem sofrido ainda mais por culpa das contusões. Tony Parker já passou um tempão fora da temporada com uma torção no tornozelo, lesão grave no quadril, gripe e até uma intoxicação alimentar. Agora, como se não bastasse, acabou de quebrar a mão e deve passar até 6 semanas parado. O Ginóbili também se machucou e ficou doente, mas pelo menos agora está jogando em alto nível, assim como aconteceu com o Duncan. O tempo em que o time passa sem qualquer um dos três é desastroso, e só não foi pior porque o Spurs conseguiu bons imitadores para substituí-los. George Hill é um armador pirralho que lembra muito o Parker, mas é mais físico, mais forte e melhor defensor – e o mais importante, é obediente e o Popovich se apaixonou. O novato DaJuan Blair, que deveria ter ganho o prêmio de MVP no jogo dos novatos do All-Star, é um monstro no garrafão e segurou as pontas da equipe toda vez que o Duncan não jogou ou teve minutos limitados. Os dois são o futuro do Spurs e serão grandes jogadores, se encaixam no esquema tático e se sentirão em casa pela próxima década. Mas não há substituto para o Bowen, não há substituto para o Ginóbili porque faltam outros pontuadores na equipe. Richard Jefferson não serve em nenhum dos papéis, ele depende imensamente de um armador que corra e distribua a bola, coisa que o Parker nunca vai fazer e sequer faria sentido no modo com que joga o Spurs.
Uns anos atrás, eu sabia que o Spurs ganharia sempre do mesmo jeito, com as mesmas jogadas e a mesma defesa. Agora, cada jogo é uma surpresa, um tropeço diferente, uma lesão nova, um reserva com mais minutos, uma total falta de ritmo ou regularidade. Para um time que se acostumou a ser constante e sereno como a cara de bunda do Duncan, esses tempos de novidade são terríveis. A equipe precisa compreender que, pela idade avançada de seus jogadores, jamais terá de volta aquela constância se mantiver o mesmo elenco – sempre alguém estará contundido. Por outro lado, mudar o elenco é a parte mais arriscada de um esquema tático tão fixo. O Spurs parece preso num paradoxo terrível que me permite dormir tranquilo sabendo que eles não vão ganhar nada nos próximos anos. O único problema é que sem esse time chato para torcer contra, os playoffs vão ficar muito mais chatos! Não contem pra ninguém que eu disse isso, mas torço para que o Spurs se recupere logo. A primeira chance para isso acontecerá ao fim da temporada, quando o contrato do Ginóbili termina e a equipe terá que decidir se assina novamente o argentino ou traz outro jogador disponível. A questão é complicada, mas sabemos que desse jeito o Spurs vai mal das pernas. Manu pode até ter umas partidas sensacionais daqui pra frente e salvar a equipe, mas nos playoffs não há chances sem aquela consistência que fez história, sem a defesa que parou tantas vezes o Nash na base da porrada. O Spurs precisa de culhões para tomar decisões importantes, algo terrível de se fazer quando os torcedores são tão mal acostumados. Quem aí, torcedor do Spurs, está disposto a ver o time fazer mudanças drásticas e feder por uns tempos, e ainda seria capaz de acompanhar os jogos sem dormir ou tentar a forca?

>Vale-Tudo

>Ontem, falamos sobre a aposentadoria do Bruce Bowen e seu uso de qualquer método em quadra para alcançar seus objetivos. Hoje, vamos dar uma olhada em vídeos que mostram exatamente quais eram esses métodos usados por Bowen. Preparem-se para o espetáculo ou, dependendo de para qual time você torce, preparem-se para o show de horrores. Coloquem as crianças na sala, porque molecada curte uma sangria.

Para começar, vamos dar uma olhada numa tática muito comum no jogo de Bowen, deixando o pé embaixo de um jogador que pulou para o arremesso, fazendo com que torça o tornozelo.

No vídeo acima, Bowen usa sua técnica ninja contra o Steve Francis. Mas o pior de tudo é que nem é o Francis dos tempos de Houston, é o Francis na sua fase no Knicks, ou seja, é tipo chutar cachorro morto! Em outra oportunidade, Bowen repete exatamente a mesma tática contra o Jamal Crawford, também no Knicks (vai ver ele tem algum tipo de ódio especial pela equipe).

Como o Francis tinha passado um tempão fora das quadras com a contusão causada pelo Bowen e o Knicks estava fedendo pra burro, o então técnico Isiah Thomas ficou puto da vida com a tentativa de contundir o Crawford, mesmo ele não tendo se machucado. Mas o Isiah tem razão, o time já era uma droga, o técnico uma porcaria, a coisa tava feia, e o Bowen ainda tenta dar cabo do único cara que sabia potuar na equipe? Será que ele não tem piedade?

Os vídeos que veremos a seguir até têm cara de acidente, mas como o que acontece é justamente o pé do Bowen acabar embaixo de alguém que pulou para o arremesso, gerando uma contusão, somos levados a pensar que foi proposital depois de ver os vídeos anteriores. No primeiro, quem se lasca é o Anthony Parker:

O Parker tem que brincar de saci até sair da quadra, mas como ele joga no Raptors ninguém nem percebeu que ele se contundiu e o Bowen sempre se safa (quem sabe agora no Cavs alguém perceba quando o Anthony Parker for assassinado). Outro vídeo nos mesmos moldes é o do Iverson “pedindo pra sair”:

Pra quem ainda acha que foi sem querer e não está vendo um padrão surgindo aqui, vamos passar então para as coisas mais explícitas do que a Monica Mattos dando para um cavalo. Que tal a legendária voadora de videogame na cara do Szczerbiak?

O Bowen foi suspenso por esse nocaute, ganhou uma faixa preta, cinturão dos médio-ligeiros e ficou tudo bem. Se fosse nosso querido Ron Artest, teria sido deportado pra Malásia. Outro vídeo famoso com chute tem como vítima o Amar’e Stoudemire:

Na rua, isso é chamado de “chutinho de cuzão” e em geral acaba em pancadaria. Mas não foi a única agressão em cima do Amar’e, tem também uma cotovelada no peito que quase deu briga. Reparem, no replay, como o Bowen percebe segundos antes que vai receber um corta-luz e prepara o cotovelo para o impacto:

O Amar’e apanhou bastante, mas a verdade é que o Suns inteiro sofreu nas mãos do Bowen. Se o estilo “run and gun” não ganhou um campeonato é apenas porque o Spurs comanda e o Bowen infernizou a vida de todo mundo no Suns, principalmente do Nash. Vamos conferir o canadense tomando bordoada:

A jogada é legal, a finalização do Amar’e é bacanuda, mas reparem em como após o passe o Bowen dá uma pernada no Nash, tirando seu equlíbrio. Só dá pra ver no Youtube mesmo, bater sem ninguém ver é uma arte, meus amigos. Tem também o Nash sofrendo o tradicional pé embaixo na hora do arremesso, marca registrada do Bowen (não seria legal se desse pra usar isso nas simulações de videogame como se fosse uma habilidade especial dele?)

Mas o que não pode, nem em videogame, é joelhada no saco!

Quando uma coisa é proibida até em vale-tudo, no UFC, no octógono, a gente sabe que o Bowen foi longe demais. Parte legal da brincadeira? O Bowen não foi sequer advertido. Mas, pelo menos, não marcaram falta de ataque do Nash, como aconteceu no vídeo a seguir:

Enquanto Chris Paul e Bowen lutam pela bola, a gente até fica pensando “ah, é uma jogada normal, é uma jogada normal, não foi nada demais”, até que quando você já desistiu da jogada o Bowen dá um chute na cabeça do Chris Paul. Que, fazer o quê, coitado, tem que levantar e voltar pro jogo. Exatamente como o Sasha Vujacic, que toma a porrada, espana a poeira e volta pra partida:

Essa é uma das minhas pancadas favoritas dessa coleção, consigo imaginar perfeitamente o Bowen tacando o Vujacic contra as cordas de um ringue e depois recepcionando ele na volta com a cotovelada, no melhor estilo Telecatch ou Gigantes do Ringue! Mas o meu vídeo favorito mesmo é o abaixo, do duelo do Bowen contra o Vince Carter.

O vídeo mostra os 43 pontos do Carter no que poderia ter sido a melhor noite de sua carreira. Mas em um de seus arremessos, Bowen usa sua marca registrada, deixando o pé embaixo do Carter no arremesso, e o titio Vince fica furioso. A partir daí, os dois passaram a se empurrar durante toda a partida, até que o Bowen fez de novo. E fez pior, passando uma espécie de rasteira tipo Blanka do Street Fighter quando o Carter dá um jeito de se desvencilhar do pé dele depois de arremessar. Como os juízes não fizeram nada, o Carter foi pra cima do Bowen e foi expulso. Lembro de ver esse jogo ao vivo e ficar com vontade de vomitar. Infelizmente não achei um vídeo que mostrasse os lances do Bowen com mais atenção, mas dá pra ter uma ideia. Também não encontrei o famoso chute do Bruce “Lee” Bowen nas costas do Ray Allen, quando os dois estão caídos, e nem a voadora do Bowen na sua época de Heat que ilustrou o post passado. Quem encontrar os vídeos, por favor me avise que eu edito aqui, com os devidos créditos. Vale mandar vídeos que eu não sei que existem também.

Mas, mesmo sem alguns vídeos essenciais, essa coleção já é o bastante para lembrar quem foi Bruce Bowen: o homem, o mito, o campeão dos médios-ligeiros. Ou algo parecido.

>Bate que eu gosto

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Voadora estilo “Mortal Kombat”

No início do mês, Bruce Bowen anunciou sua aposentadoria das quadras de basquete. E se não falei nada na ocasião, era somente porque eu estava ocupado demais comemorando o fato, estourando champagne. Vou sentir tanta falta do Bowen quanto sentiria falta de uma apendicite, mas a verdade é que ele deixa o basquete com três anéis de campeão nos dedos e oito seleções para os melhores times de defesa da NBA. Mais do que uma carreira vencedora, Bowen nos deixa uma clara imagem do que é, hoje, o basquete de resultado. Do que uma pessoa que fede pode fazer para ter sucesso e ser alguém na vida.

A infância do Bowen não teve “Xou da Xuxa”, não. Sua mãe vendeu a TV pra comprar drogas e o pai era alcoólatra, o que não constitui exatamente o kit criança feliz. Jogando basquete, Bowen conseguiu certo destaque, uma bolsa de estudos e salvou seu futuro, dando o fora de casa. Mas não era grandes coisas e, ao entrar no draft de 93, não foi escolhido. Acabou indo jogar na França, além de ligas de basquete genéricas nos Estados Unidos como a CBA (o equivalente basquetebolístico das pilhas Durabell), e ralou um bocado antes de conseguir ter uma chance na NBA de verdade. Quando conseguiu não fez nada demais, era um jogador extremamente limitado e não arrumava um contrato. Ficou passeando de um lado para o outro sem fazer nada de relevante, tipo a Mari Alexandre depois da “Casa dos Artistas”. Foi parar no Heat, no Celtics, no Sixers e no Bulls, mas foi apenas em sua segunda passagem pelo Miami que acabou destacando-se como um bom jogador defensivo. Toda equipe pode aproveitar um desses caras que não tem habilidade mas sabe defender, jogando um punhadinho de minutos por jogo só, para não comprometer. Em geral, esses especialistas em defesa ficam no time titular, segurando a estrela adversária, e vão sentar assim que a equipe precisa de poder ofensivo, quando as estrelas saem da quadra. É o caso do Dahntay Jones no Nuggets, Antoine Wright no Dallas, Trenton Hassel no Nets e do Nicolas Batum no Blazers. Foi assim que, focando-se na defesa, dedicando-se a cumprir esse papel em quadra, Bruce Bowen garantiu alguns minutinhos em quadra, de modo que seu ataque medonho e sua porcentagem de aproveitamento nos lances livres (que faz até o Shaq apontar e dar risada) não chegassem a comprometer muito as equipes dispostas a acolhê-lo.

Foi então que o Bowen foi parar na situação perfeita. Um time com potencial para ser campeão precisava apenas de alguém obediente, capaz de fazer o que fosse necessário pela equipe, defender as estrelas rivais e acertar arremessos de três pontos dos cantos da quadra. A descrição parece feita sob medida para Bruce Bowen, que foi contratado pelo Spurs e imediatamente abraçou sua função inteiramente. Seus arremessos de três da zona morta tornaram-se uma arma essencial da equipe, mas foi sua defesa que permitiu que atingissem outro nível. O Duncan reina, blablablá, o Parker chuta traseiros, blablablá, Whiskas sachê, mas foi a marcação de Bowen que permitiu que essas estrelas enfiassem tantos anéis nos dedos. Foram três desde 2001, quando ele chegou à equipe, sempre como titular absoluto e peça essencial do elenco.

Genial que um garoto numa realidade tão ruim tenha encontrado a situação ideal em que foi capaz de realizar-se, ter sucesso e deixar seu nome na história, tudo através de muito esforço, dor e trabalho duro. É a história perfeita para um filme com o Will Smith que emocionará milhões ao redor do mundo. Quer dizer, até que nos lembramos quais meios Bruce Bowen usou para honrar suas obrigações com aquilo que lhe era pedido em quadra.

Às vezes nos esquecemos que a NBA é um negócio, uma forma de gerar e ganhar dinheiro como qualquer outro. Com exceção de um punhado de fãs apaixonados malucos, como o Mark Cuban, a maioria dos donos de times da NBA estão interessados em lucros, regendo suas equipes como se fossem empresas. É assim que vemos jogadores importantes sendo mandados embora apenas para economizar dinheiro, é a crise, tudo corte de desespesas, moçada. Quando uma empresa precisa de alguém para fazer um serviço sujo e imoral, vai atrás de um funcionário que tope a brincadeira. Alguém sempre topa, mesmo que não seja bonito. Assim, por mais que a história de Bruce Bowen seja bonita porque ele escapou de seu destino através do basquete, para mim ele sempre será o cara que topou fazer o trabalho sujo sem questionar. O funcionário que usa de quaisquer recursos, limpos ou não, para fazer seu trabalho. Na vida real, certamente acharíamos terrível um engravatado tentar acabar com a carreira de outro apenas para se dar bem na empresa, conseguir atingir suas metas, seus sonhos. Então por que acharíamos isso legal no esporte?

Em sua primeira temporada no Spurs, Bruce Bowen deu aquela legendária voadora no rosto do Szczerbiak que lhe rendeu o apelido de Bruce “Lee” Bowen (o coitado do Bruce Lee teria vomitado com a comparação). A partir de então, sua trajetória no Spurs já estava traçada. Para alcançar seus objetivos, tornou-se um especialista em deixar o pé embaixo dos advesários que pulam para o arremesso, causando contusões. Aprendeu a bater, chutar e irritar por debaixo dos panos, quando os árbitros não estão olhando. E, com isso, tornou-se um vencedor.

Tudo que ele fez está previsto, faz parte do basquete. Bater sem que o juiz veja é também uma arte, que exige treinamento, esforço e dedicação. Bowen ralou pra tornar-se um campeão apesar das limitações físicas e técnicas. Fez o melhor que poderia dentro de suas dificuldades. Mas eu adoraria ensinar para os meus filhos que não são os fins que realmente importam, mas os meios. Não importa os campeonatos que o Bowen alcançou, mas sim o modo como ele atingiu esses objetivos. Para quem acha que, no esporte, vale qualquer coisa em busca da vitória, volto a lembrar que o esporte é apenas um dos aspectos de nossas vidas e, portanto, reflete os valores que mantemos diariamente. Não há espaço para o Bruce Bowen no esporte que amamos, ao qual dedicamos nossas vidas e através do qual assistimos o mundo. Não há espaço para o Bowen num local que deveria ser constituído pelo respeito entre pessoas que expressam-se através da mesma arte. Mas há espaço para o Bowen no basquete que só visa os resultados, o lucro, a vitória. Há espaço para ele na Era do Spurs.

A queda do time de San Antonio, portanto, casa perfeitamente com a queda de rendimento do Bruce Bowen. Sem suas capacidades defensivas o time fica debilitado (o Suns teria sido campeão um par de vezes sem o Bowen pra arrebentar o Nash de porrada), mas ficou bem claro que ele não tem mais fôlego pra acompanhar a moçada. Foi perdendo minutos, o Spurs caiu de produção, sentiu a falta de outros jogadores também, e foi eliminado na primeira rodada dos playoffs na temporada passada. Ime Udoka foi contratado e treinado para substituir Bowen há anos, mas ele simplesmente não é tão eficiente – defende bem, mas nada fora de série, e nem fora das regras. Para o seu lugar, o Spurs conseguiu Richard Jefferson, cuja especialidade é pontuar, atacar a cesta. Frente à decadência de Bowen e à necessidade de uma mudança no time e na mentalidade ofensiva da equipe, não houve qualquer exitação em abrir mão de um funcionário diretamente responsável pela conquista de três anéis de campeão. Para trazer Jefferson do Bucks, o Spurs mandou o Bowen sem arrependimentos e não fez questão de recontratá-lo quando surgiu a oportunidade. É o auge do basquete de resultados: quando não presta mais, vai pro lixo.

Talvez o maior legado de Bowen ao basquete, para nós, seja o fim da ingenuidade com que lidamos com o esporte. Por vezes, imersos em nossa paixão pelo basquete, somos levados a acreditar que os jogadores estão em quadra por paixão, amor, testando seus próprios limites e ajudando a expandir os limites dos outros. Respeitando, admirando e compartilhando a mesma linguagem, o mesmo esporte. Com o Bowen lembramos que trata-se de dinheiro, de lucro, de empresas, de resultado. Ele bate, desce o braço, lesiona, contunde, o time vence, a torcida fica feliz e a franquia lucra zilhões. Pior do que a defesa dos torcedores cegamente apaixonados sempre foi a defesa da NBA, que sempre se negou a suspender ou coibir. Na verdade, sempre premiou Bowen com menções nas eleições de melhores defensores da liga, compreendendo que aquilo que importa é quem levanta o caneco no final do dia. Eficiência.

Amanhã, teremos uma coletânea de vídeos do Bowen, com seus momentos mais polêmicos, engraçados, e as contusões mais explícitas. Mas hoje, ficamos apenas com a constatação de que Bowen deixa para traz um esporte maculado. Antes que possamos dizer “parangaricutirimirruaru”, ele estará comentando basquete na TNT ou na ESPN, e deve ser um baita sujeito engraçado (como dá pra ver na série de comerciais que o Denis postou), vou me divertir com ele e dar risada. Mas o que ele deixou em quadra é prova ainda maior de caráter, de visão de mundo, do que ser simpático quando não há nada em jogo. O desesperador é que ele é apenas um exemplo, um ícone mais fácil de ver, apontar o dedo e criticar. Mas não se trata de um fenômeno isolado, nem nas quadras nem nas ruas. Formamos uma cultura bitolada pela ideia de vencer, seja no emprego, no esporte ou no vestibular. Mas no mundo em que o Bowen venceu, vocês me desculpem, mas eu quero é ser fracassado. Se pra chegar lá em cima é preciso bater, eu prefiro ficar aqui e apanhar.

>Bomba! Bomba!

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Richard Jefferson vai levar competição para a Eva Longoria em San Antonio

Tá difícil falar de draft hoje mesmo. Estava preparando um post sobre o Ricky Rubio e aí chega a notícia de que o San Antonio Spurs e o Milwaukee Bucks fizeram a primeira grande troca dessa offseason.

O Spurs, em resposta ao primeiro ano ímpar sem título desde 2001, mandou três das suas velharias: Fabrício Oberto, Kurt Thomas e Bruce Bowen em troca do Richard Jefferson.
Acho que o Spurs não poderia ter feito melhor negócio. Primeiro porque isso os tira da briga pelo Trevor Ariza, que o deixem em paz no meu Lakers, e depois que eles se livram de três jogadores que tiveram atuações horríveis na temporada passada e em troca recebem um que não só é muito bom como joga na posição que eles precisam e tem as características que faltam ao Spurs.
O Oberto já foi muito bom, o Kurt Thomas também e o Bowen, apesar de todas as reclamações que qualquer um que não gosta do Spurs já fez, era um grande defensor. Mas os três juntos não valiam mais que um Adam Morrison gripado ultimamente. O Richard Jefferson não é gênio, não virou um all-star como alguns (eu!) achavam que ele ia se tornar, mas em um time bem montado ele pode ter média de 20 pontos por jogo e acertar suas bolinhas de 3 numa boa. Além disso, joga de Small Forward, a posição 3, que foi a mais carente do Spurs na temporada passada.
Com isso ele tira muito da responsabilidade do Tony Parker e do Roger Mason na pontuação e deixa o Manu Ginobili como sexto homem, que é o que ele gosta de ser. Como defensor é que ele não é nenhum Bowen, mas não lembro dele ser um fracasso total, ele é competente e irá aprender muito sob a tutela do Gregg Popovich.
Vale destacar também que o Spurs conseguiu isso sem perder suas moedas de troca mais valiosas, o Roger Mason, o George Hill e, claro, o trio Parker, Duncan e Ginobili.
Mas o quê o Bucks ganhou com tudo isso? Bom, o contrato dos três jogadores adquiridos acabam na próxima temporada e somados dão cerca de 10 milhões de doletas. Isso quer dizer que eles terão espaço salarial disponível para investir na enxurrada de Free Agents do ano que vem ou mesmo para manter os talentos do time, como o Charlie Villanueva.
Também é bom ter jogadores com contratos expirantes nesse ano, porque mesmo se não interessar pegar algum Free Agent no ano que vem, muitos times estão interessados nesses contratos porque eles querem alguém. Imagina o que o Knicks ou o Nets não dariam para mandar contratos ruins e receber contratos expirantes em troca.
Em resumo, o Bucks trocou um jogador muito bom por possibilidades futuras de assinar Free Agents, reassinar atuais jogadores ou de fazer trocas. Trocaram uma realidade, que não tinha dado resultados espetaculares, pela possibilidade de um futuro que vá além do time mediano que tinham.
Não fico nem um pouco feliz em dizer isso, mas o Spurs está de volta!
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